sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ordem dos Pastores (e das pastoras) Batistas do Brasil

Cheguei a Cuiabá na segunda-feira, 18, por volta das 23 h, depois de 13 dias em Garça, SP, de férias com Gláucia, na casa de minha mãe.

Na terça, enquanto descansava no hotel, abro o Twitter e leio: “Pastora_Zenilda OPBB exclui pastoras já inscritas http://pastorazenilda.blogspot.com/2010/01/opbb-exclui-pastoras-ja-inscritas.html”.

Fui ao blog da pastora Zenilda e a informação central era: "SOLICITAÇÃO DA SEÇÃO PARANAENSE – Mediante o pedido da Seção Paranaense que a OPBB oriente qual o procedimento da mesma em relação a pastoras que foram aceitas na Seção antes da definição na Assembléia em Florianópolis/2007, contrária à filiação de pastoras, é aprovado com 13 votos favoráveis e 02 votos contrários que se envie correspondência a Seção Paranaense ressaltando o respeito a estas amadas irmãs, entretanto enfatizando que este Conselho, pela decisão de Florianópolis, está impedido de autorizar a emissão das carteiras destas irmãs."

Imediatamente, o cérebro que estava focado em dois assuntos que pretendia colocar em discussão no plenário, relacionados à vida da Convenção Batista Brasileira, volta-se para este outro – a consagração de pastoras e sua filiação à OPBB - que me instiga por razões cognitivas, de natureza emocional e intelectual, nessa ordem.

Emocional, porque na sequência de filhos dos meus pais, sou o quarto, sendo que, antes de mim, vieram três irmãs e, após, mais uma, depois um irmão e mais duas irmãs. Claro, então, que tendo sido criado nesse perfil familiar e com uma mãe que costurava, lavava roupa pra fora e nos períodos de safra do café ia pra colheita pra aumentar a renda familiar, ou seria um "revoltado" com as mulheres ou seria "amante" delas. Por instinto inteligente, segui a segunda opção.

Intelectual, porque não faz parte da minha estrutura de personalidade agir sem que a causa da ação faça sentido em minha mente. Em outras palavras, não costumo comer, conscientemente, nas mãos alheias. Quando alguma coisa não bate e a luz da cabeça fica piscando no amarelo, costumo mergulhar, se preciso em águas profundas, em busca de resposta que apazigue o coração. Daí pensar na questão de gênero – incluído aí a possibilidade de mulheres serem reconhecidas como pastoras - a partir da teologia e da educação, áreas nas quais me aprofundei um pouco mais.

Esclarecido desnecessariamente isso, ponho-me a pensar no que fazer e a elaborar um requerimento para ganhar tempo.

O congresso da Ordem dos Pastores (e agora das pastoras também) começa.

Recebo o livro do congressista com programa, resumo das palestras, relatórios, Estatuto e Regimento Interno e leio tudo de capa a capa. Gostei do relatório, especialmente por conter dados que permitem uma análise mais fácil e real da instituição. Gostei também de ver que os preletores seriam de cada uma das cinco regiões do país. Isso parece irrelevante, porém, como já escrevi n’O Jornal Batista, parece que alguns líderes pensam que a Convenção Batista Brasileira só tem vida pensante no eixo Rio-São Paulo.

Gostei de observar a diversidade na linha teológica dos preletores. Não gostei de observar que nenhum dos preletores tinha idade inferior a 40 anos (cheguei aos 50 e começo a ficar ansioso para reaprender com os  mais jovens).

Após o relatório, indaguei ao Executivo se a notícia a respeito das pastoras do Paraná procedia. Ele confirmou que sim. Iria, então, fazer uma proposta, mas o moderador da reunião informou-me, gentilmente, que o assunto só poderia ser apreciado via Comissão de Assuntos Especiais. Discordei, pois era assunto tratado pelo Conselho da Ordem e o plenário poderia tratar. Tendo sido mencionado pelo Executivo, poderia ser discutido ali. Respeitei, porém, a orientação da mesa e tratei de concluir a redação do requerimento, coletando pelo menos cinco assinaturas e, depois, passei "horas" a procura dos componentes da Comissão, tendo deixado de almoçar, inclusive, para que o documento pudesse ser entregue, avaliado e encaminhado ao plenário, com parecer, para ser debatido e votado.

A matéria chega ao plenário com um parecer melhor do que esperava, recomendando a emissão das carteiras das pastoras que haviam sido aceitas antes de 2007, quando, numa decisão a meu ver contrária ao espírito do evangelho, a assembléia, por uma diferença de meia dúzia de votos, decidiu que pastoras não poderiam ser aceitas na Ordem.

O debate foi interessante, principalmente porque o moderador, pessoa por quem nutro profundo respeito pela seriedade com que trata as coisas do reino de Deus, influenciava as discussões, passando a impressão de resistência ao parecer.

Pelo tempo de participação em assembléias e, inclusive, por ter dirigido muitas em igrejas, convenções, associações e, também, em Ordem estadual, sei que a linha que separa uma resposta dada pela presidência, da discussão do assunto é tênue. Além disso, sei também que nenhuma informação é neutra, portanto, consciente ou inconscientemente, sempre que um moderador dá uma resposta – e isso é inevitável -, ele influencia o plenário.

Diante disso, primeiro, com cuidado e respeito, intervim por uma questão de ordem, tentando ajudar o moderador a perceber que ele estava extrapolando, em suas respostas às indagações dos mensageiros; depois, numa segunda intervenção, requeri que o moderador se afastasse da moderação para que pudesse debater o assunto. Não fui atendido em nenhuma das duas questões de ordem.

Lá pelas tantas, foi feita uma proposta para que o assunto ficasse sobre a mesa. O plenário derrubou a proposta. Em seguida, propus que o assunto fosse encerrado e colocado imediatamente em votação. O moderador fez questão de aplicar rigorosamente o dispositivo regimental que exige 2/3 dos votos para esse tipo de proposta, mas, mesmo assim, a proposta passou.

Encerrada a discussão e colocado o parecer em votação, ele foi aprovado por maioria de votos.

A Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, agora também é das Pastoras. Apenas de algumas, mas é.


Apaziguei minha anima.
xxx
Conteúdo do requerimento encaminhado e assinado por sete(7) pastores.

Considerando a informação veiculada pela internet e confirmada pelo Executivo da OPBB, Pr. Juracy Baía, que, respondendo consulta feita pela OPBB, seção Paraná, o Conselho da Ordem teria dado parecer que as carteiras das referidas pastoras não deveriam ser renovadas;



Considerando que a não renovação significa desligamento da Ordem e isso não se enquadra em qualquer dos critérios que regem o disposto no Artigo 8 do Regimento Interno da OPBB;


Considerando que diversas pastoras de Igrejas da CBB foram aceitas legalmente em diversas seções estaduais da OPBB antes da decisão de 2007 que suspendeu a filiação de pastoras à Ordem;


Considerando que a decisão de 2007 não legislou a respeito do que seria feito com as pastoras já filiadas;


Considerando que, mesmo que a OPBB tivesse deliberado pela desfiliação, isso contrariaria princípios constitucionais como: “A lei penal não pode retroagir salvo para beneficiar o réu” ou “a lei não prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada” (Art. 5);


Considerando que, além disso, o conselho da OPBB não tem poderes regimentais para legislar sobre este assunto;


Considerando que não estamos lidando com pastoras, no sentido de sujeitos indeterminados, mas com pessoas, com nome e endereço, convertidas ao evangelho, consagradas (ou ordenadas como preferirem) ao ministério pastoral a pedido de igrejas batistas cooperadoras da CBB;


Considerando que o tema deste congresso da OPBB estimula a unidade em lugar da dissensão e decisão desta natureza aprofunda o conflito latente em torno da consagração de pastoras,


propomos:


Que esta Assembléia revogue decisão do Conselho da Ordem mantendo o direito adquirido de filiadas, das pastoras aceitas antes da decisão de 2007.


Cuiabá, 21 de janeiro de 2010

xxx
A Comissão de Assuntos Especiais que deu parecer favorável a esse requerimento e que declarou ter ouvido parecer da Assessoria jurídico-parlamentar foi formada pelos pastores:
Julio de Oliveira Sanches (SP) - relator
Paulo Marinho (SP)
José Renê Toledo (MG)
Linaldo Guerra (PB)
Augusto Carvalho (FL)
O conteúdo do parecer não foi distribuído, por isso não o disponibilizo aqui.
Assessoria jurídico-parlamentar:
Isaias Lins - BA
Josué Andrade - ?

5 comentários:

Waldir Martins 22 de janeiro de 2010 11:29  

Meu caro Edvar,
Leio com muita alegria o triunfo de uma luta de tantos anos, justa e condizente que o que aprendemos na Palavra de Deus. Nas minhas conversas sobre o tema sempre o destaquei como um dos maiores entusiastas nessa luta.
Parabéns às nossas valorosas pastoras e a você acreditou nisso o tempo todo.
Grande abraço,
Waldir

Marcos Fellipe 28 de janeiro de 2010 23:16  

Olá Edvar!! Fiquei extremamente feliz ao ler isso aqui... Parabéns pela sua ousadia lá na Assembléia. Considero esta decisão um grande avanço na busca da justiça dentro da nossa Denominação... Não adianta lutarmos contra a violência, quando alimentamos a sua mais primitiva e estrutural forma: a opressão da mulher pelo homem... Que Deus tenha Misericórdia de Nós!!!

Pra. Elisangela 25 de maio de 2010 21:45  

Estimado Pr Evar, louvo a Deus por sua vida e dos demais pastores que tiveram a ousadia de Deus para lutar por nossa causa, mulheres pastoras batistas, pois hoje graças a esta ousadia dos amados irmaos nesta convençao em Cuiabá eu adquiri a minha carteira da OPBB. Hoje faço parte da secçao fluminense, provavel eu ser a unica pastora no estado do RJ com carteira da OPBB, espero de coraçao que esta bençao possa se estender tao logo a todas as outras pastoras batistas. Que Deus o abençoe abundantemente!Meu contato elisangelanchr@yahoo.com.br

Anônimo 16 de junho de 2010 14:22  

Porque a denominação esta tão dividida?
Será que o titulo de pastora e menos nobre do que de missionária? Que que muda no fim das contas? O salário?
As vezes sinto vergonha de ler algumas colocações sobre nossa denominação ... Se o pastor emérito de tal estado ganha R$ 15.000, Se vai aceitar pastoras na OPBB... se cursou teologia em outro seminário não serve para ser pastor batista... se colégio o estado X e Y foi vendido cheio de dividas... Se o salário dos executivos são astronômicos... Se a Juerp faliu... Se a na denominação a ação social se resume a artigos... Se tal executivo se perpetua no poder... Congresso, reuniões, assembléias cheias de assuntos vazios... CHEGA de relatórios genéricos... Muitos vão fazer turismo nas assembléias, nada mais...
Leio sobre o Oswald Smith, sua rejeição pela junta, mesmo assim andou por uns 40 países pregando, com saúde frágil não desistiu de anunciar a evangelho... Conseguindo recursos e mantendo missionários pelo mundo... Fui alcançada por Missionárias Batistas ( Elenice RJ / Noêmia RN... mulheres corajosas que desbravam uma cidade para anunciar Cristo... Títulos, títulos... Sejam como pastoras, sejam missionárias, isso não importa tanto, o que importa e que somos mulheres de Deus... Lembro do Carey, tantos o criticaram... mas cadê os que estão dando importância a missões como estes homens deram?
Sou pastor em segundo lugar, em primeiro sou missionário. Oswald Smith.

Anônimo 16 de junho de 2010 14:23  

Porque a denominação esta tão dividida?
Será que o titulo de pastora e menos nobre do que de missionária? Que que muda no fim das contas? O salário?
As vezes sinto vergonha de ler algumas colocações sobre nossa denominação ... Se o pastor emérito de tal estado ganha R$ 15.000, Se vai aceitar pastoras na OPBB... se cursou teologia em outro seminário não serve para ser pastor batista... se colégio o estado X e Y foi vendido cheio de dividas... Se o salário dos executivos são astronômicos... Se a Juerp faliu... Se a na denominação a ação social se resume a artigos... Se tal executivo se perpetua no poder... Congresso, reuniões, assembléias cheias de assuntos vazios... CHEGA de relatórios genéricos... Muitos vão fazer turismo nas assembléias, nada mais...
Leio sobre o Oswald Smith, sua rejeição pela junta, mesmo assim andou por uns 40 países pregando, com saúde frágil não desistiu de anunciar a evangelho... Conseguindo recursos e mantendo missionários pelo mundo... Fui alcançada por Missionárias Batistas ( Elenice RJ / Noêmia RN... mulheres corajosas que desbravam uma cidade para anunciar Cristo... Títulos, títulos... Sejam como pastoras, sejam missionárias, isso não importa tanto, o que importa e que somos mulheres de Deus... Lembro do Carey, tantos o criticaram... mas cadê os que estão dando importância a missões como estes homens deram?
Sou pastor em segundo lugar, em primeiro sou missionário. Oswald Smith.