quarta-feira, 15 de junho de 2011

Que futuro nos espera?

Dois textos publicados na Revista Carta Capital de 15 de junho chamaram de modo especial minha atenção. O primeiro intitulado “A justiça é cega, eis as provas”, escrita por Walter Fanganiello Maierovitch e o segundo, “Igreja Católica, fruto podre”, por A Paolo Manzo.

No primeiro texto, o autor começa descrevendo a postura do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que decidiu não levar adiante a investigação das acusações feitas pela Folha de São Paulo contra o agora ex-ministro Palocci, o mesmo do caso da casa e do caseiro de Brasília, no governo Lula.

Pela ótica do autor, o Procurador teria adotado tal postura por estar em final de mandato, ter interesse na recondução e depender da Presidente Dilma (do mesmo partido de Palocci), por ser ela a responsável pela indicação.

Prossegue citando o caso do banqueiro Daniel Dantas, como ele seria beneficiário, sem direito, de foro privilegiado e como o juiz De Sanctis que o condenou só não foi transformado em bandido por sua nova condição de desembargador.

Termina destacando o caso Cesare Battisti e mostrando as contradições do Supremo Tribunal Federal no julgamento de alguém que foi condenado em seu país por assassinato, mas que poderá viver livremente pelas ruas do Brasil, em função de “descumprimento do estabelecido no Tratado e no acórdão concessivo de extradição”.

No segundo texto – “Igreja Católica, fruto podre” -, o articulista comenta o livro “Sex and the Vatican” (Sexo e Vaticano) ainda não publicado em português e faz uma entrevista com o autor do livro, Carmelo Abbate. Abbate, mentindo-se namorado de um amigo homossexual, penetra nos porões do cotidiano de padres católicos italianos, revela a imensa escuridão moral e destaca as incoerências do discurso da Igreja.

O texto termina com as seguintes palavras do entrevistado: “O vínculo do celibato não funciona. É um dado de fato. Falamos disso ou queremos fingir que o fenômeno não existe? Ou melhor, quem é realmente o verdadeiro católico, aquele que se preocupa com a sorte da igreja, aquele que enfrenta o problema ou aquele que finge não ver? Eu, que sou católico, casado na Igreja e com dois filhos, escrevi sobre isso. Pena que o Vaticano hoje me encare como um anticristo”.

Todas as instituições têm áreas nebulosas, afinal, elas são criadas e mantidas por pecadores. É equívoco, portanto, adotarmos posturas hipócritas, fingindo que aquela da qual participamos seria exceção ou silenciarmos convenientemente, como se isso fosse solução ou ainda adotarmos discursos conservadores ou liberais como mecanismo de defesa.
Melhor seria reconhecermos os prejuízos do nosso silêncio, a nocividade de ações sem sólido amparo ético; nos reposicionarmos em termos de compreensão e prática da espiritualidade e trabalharmos pela reformulação da ordem jurídica relacionada ao exercício individual e institucional.

Há muita gente qualificada espiritual e tecnicamente para elaborar e implementar o que nossas instituições necessitam. Faltam-nos coragem e disposição política voltadas para interesses públicos e orientadas por valores espirituais. Se, entretanto, algo não for feito, no mínimo em nosso raio de ação, problemas como os citados no Poder Judiciário e na Igreja Católica tendem a se banalizar, projetando um futuro nebuloso para nós e para a geração futura.

Lembremo-nos das palavras proféticas de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

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