quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Minhas desconfianças com o manifesto da Convenção Batista Brasileira e as eleições 2014

Li desconfiado, a manifestação subscrita por nosso querido presidente e por nosso não menos querido Diretor Executivo da Convenção Batista Brasileira – CBB -, a respeito do DECRETO N.8.243, DE 23 DE MAIO DE 2014. Em que pese todo respeito que não somente devo, mas tenho a eles, não poderia deixar de ‘manifestar minhas desconfianças ao manifesto’.

 

Li desconfiado, primeiro porque fala em nome da denominação. Sabemos que denominação é um termo amplo que ultrapassa as fronteiras de uma Convenção. Denominação envolve todo o universo batista no caso, incluindo, portanto, as igrejas da CBB e todas as instituições batistas que não são da CBB. Entretanto, o presidente está autorizado a pronunciar-se, na forma do Estatuto e Regimento Interno, apenas em nome da instituição que preside e não de todos os que se utilizam do nome ”Batista”.

 

Li desconfiado, porque não tenho conhecimento de que pelo menos um debate foi promovido por algum órgão da CBB, no qual o referido decreto – de maio de 2014 - tenha sido exposto por pelo menos duas opiniões diferentes, a fim de sabermos o que ele tem de bom e o que ele tem, de fato, de preocupante.

 

Li desconfiado porque O Jornal Batista, salvo engano, não o publicou – refiro-me ao decreto - para conhecimento dos batistas, nem o colocou em debate, a fim de ouvir opiniões diferentes sobre ele, como seria próprio de uma Convenção democrática e plural. Diga-se de passagem, quantos dos nossos líderes leram o referido decreto?


Li desconfiado, não porque defenda o decreto ou, muito menos, porque votei na atual Presidente da República e ela é candidata à reeleição. Na verdade, não formaria minha opinião sobre o decreto por via da opinião da “grande imprensa”, pois sua oposição ao governo é tão sistemática e contundente que é difícil não perceber o tendencionismo. Quanto às eleições de outubro, já tenho certeza de em quem não votarei, mas ainda estou avaliando qual das alternativas restantes atenderia meus critérios de decisão. Confesso que o critério de alternância e a candidatura Eduardo-Marina me fazem refletir.

 Li desconfiado porque o pronunciamento está sendo divulgado paralelamente ao pronunciamento de Arolde de Oliveira (PSD-RJ), o qual usa o pronunciamento da CBB para criticar o governo no microfone da Câmara.  Arolde Oliveira é batista, Deputado Federal desde 1983, empresário na área de comunicação no Rio e  foi Secretário de Transportes de César Maia. Seu partido usufrui das benesses do poder no plano federal, participando da base aliada, mas, no Rio de Janeiro, é oposição ao PT nas eleições locais. Seu discurso, como pode ser assistido, associa o governo brasileiro – ao qual seu partido deu sustentação em plano federal -  à “ditadura bolivariana” (diga-se, visão da Venezuela na ótica de parte da imprensa), e refere-se a uma tal “Bala de Prata a ser acionada em outubro” (Aécio Neves?).

Li desconfiado porque o pronunciamento acontece a pouco mais de 60 dias das eleições. Esse filme já vi antes. Estão lembrados da eleição passada quando o PT foi demonizado pelo então presidente da CBB (eleitor em um estado cujo governo é do PSDB e, portanto, oposição ao PT)? Por que escolhemos nos pronunciar às vésperas de uma eleição – como se fez sobre a questão homossexual em eleições passadas contra o PT - quando existe um movimento midiático orquestrado pela oposição (natural em qualquer democracia) desvalorizando o governo atual? Por que não nos pronunciamos sobre tantos problemas seríssimos que têm ocorrido no Brasil ao longo desses anos e de diversos governos? Fico desconfiado de que, mais uma vez, o nome CBB esteja sendo instrumentalizado politicamente, fato lamentável.

 

Não sei quem foram os mentores do texto, nem em que momento ele e o discurso de Arolde se encontraram, mas que estou desconfiado, isso estou!


xxx

Entenda a disputa eleitoreira em torno do decreto lendo:





"O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcelo Lavennère, que é da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, também defendeu a edição do decreto. Segundo ele, o instrumento atende à preocupação mundial de salvar a democracia. Para ele, há uma fratura no sistema eleitoral, e o decreto é um meio para recuperar a democracia. “A oposição ao decreto é ideológica e também eleitoreira. Apelo aos parlamentares para fazerem trabalho junto aos seus colegas e ajudar na aprovação do decreto presidencial”, conclamou."
http://www.capitalteresina.com.br/noticias/politica/gilberto-carvalho-defende-decreto-sobre-politica-nacional-de-participacao-social-19702.html

3 comentários:

Trapp 6 de agosto de 2014 18:17  

Em mim há desconfiança, mas certeza que o senhor é um liberal, um esquerdista, filiado à liberal Aliança de Batistas do Brasil.
Também não desconfio, mas tenho certeza de que o senhor, em vez de apoiar o pronunciamento da CBB, como deveria ser a postura de todo batista, é contra.
Lamento ainda que nós temos a triste e nociva postura que temos o preconceito que a CBB não pode falar nada, pois não representa e não sei o que mais, os batistas.
Lamento também nossa indiferença quanto às eleições.
Lamento também sua de do candidato do PSB em vez de escolher o pastor Everaldo.
Lamento também que o senhor defende o pastorado feminino que não tem nem uma base bíblica.
Lamento ter que que dizer tudo isso...

Fco.Araújo 6 de agosto de 2014 18:45  

Assim como o nobre bloqguista eu também desconfio das intençōes desse manifesto e no meu entender o mesmo è politicamente tendencioso e pouco difere da visão oposicionista que demoniza qualquer ação do governo sem avaliar democraticamente os pontos fortes e fracos sobre a sociedade como um todo. Eu, particularmente não me sinto representado neste manisfeto apesar de me identificar com a denominação Batista. Att.FcoAraujo

Anônimo 7 de agosto de 2014 08:37  

poio de Entidades Evangélicas e Protestantes à Política Nacional de Participação Social

Nós, entidades e organizações evangélicas e protestantes, nos unimos a diversas outras entidades da sociedade civil no apoio à efetivação da Política e do Sistema Nacional de Participação Social, conforme previstos no Decreto 8.324 de maio de 2014.

Nos últimos dias, diversos setores conservadores deste país têm feito pesadas críticas à recém-lançada Política Nacional de Participação Social (PNPS) e se articulado para barrar o Decreto 8.243 que a instituiu.

Entre os argumentos utilizados para atacar a Política Nacional de Participação Social estão fantasiosas avaliações de que o decreto representaria uma ameaça à democracia e visaria instalar uma “república bolivariana” no Brasil, além de que seria inconstitucional.

Diante do posicionamento desses setores, que querem restringir a participação do cidadão nos marcos da democracia representativa – ou seja, apenas ao processo eleitoral –, a sociedade civil que defende a democracia participativa e suas diversas formas de atuação, entre as quais os conselhos de políticas públicas, não pode ausentar-se do debate.

Por isso, lançamos esta carta aberta em defesa dos conceitos presentes no decreto, entre os quais:

• o reconhecimento da participação social como direito do cidadão e expressão de sua autonomia;
• a complementaridade, transversalidade e integração entre mecanismos e instâncias da democracia representativa, participativa e direta;
• o direito à informação, à transparência e ao controle social nas ações públicas;
• a ampliação dos mecanismos de controle social.

Defendemos também a constitucionalidade do decreto, pois nossa Constituição Federal, de 1988, prevê a participação direta da população já em seu Artigo 1º, parágrafo único: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Além disso, a Constituição garante diversos mecanismos e formas de participação social, como conselhos, conferências, audiências e consultas públicas.

A Política Nacional de Participação Social consolida os avanços dos últimos anos e será a referência que orientará os órgãos e as entidades da administração pública federal para melhor utilização dos diversos processos, instâncias e mecanismos de participação social existentes, permitindo um maior grau de aderência social ao ciclo de gestão de políticas públicas e o aumento da transparência administrativa e da eficácia da gestão pública.

Embora o decreto não tenha sido elaborado por meio de um diálogo efetivo com a sociedade e utilizando as tecnologias de participação social, como as organizações, redes e coletivos que atuam nas áreas de transparência e controle social gostariam, reconhecemos que a sua assinatura representa um avanço.

Por fim, alertamos que a sua anulação representaria um sério revés para a sociedade civil organizada e poderá, posteriormente, estimular novos ataques aos instrumentos de transparência, participação e controle social já existentes.

Assinam esta carta aberta as seguintes organizações:

Ame a Verdade - www.ameaverdade.com.br
CADI Brasil - www.cadi.org.br
CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço - www.cese.org.br
CLAI - Conselho Latino Americano de Igrejas - www.claibrasil.org.br
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - www.conic.org.br
EPJ - Evangélicos Pela Justiça - www.epj.org.br
Koinonia - Presença Ecumênica e Serviços - www.koinonia.org.br
Rede Fale - www.fale.org.br
Tearfund - www.tearfund.org
Visão Mundial - www.visaomundial.org.br