quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Em defesa da liberdade, mas ... (A propósito do atentado contra o Jornal francês Charlie Hebdo)

Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. (I Pd 2:15-16)
“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” (Gal. 5:13)
Quem semeia vento colhe tempestade; quem semeia o mal recebe maldade e perde todo o poder que possuía.” (Pv 22:8)

Nesses últimos dias, o atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo tornou-se manchete em toda a mídia do planeta. Com ele, o tema liberdade voltou ao debate porque a razão do atentado teria sido uma reação de fundamentalistas islâmicos às charges publicadas pelo jornal, visando conscientemente desmoralizar Maomé e a religião.

No Brasil, a mídia aproveitou-se do fato e enfatizou o viés “liberdade de expressão” como maneira de confundir a cabeça do povo brasileiro. Digo confundir porque, segundo se publica, haveria doisinteresses escondidos atrás desse discurso midiáticoaparentemente filosófico: 1) a elevada concentração das verbas publicitárias do país nas mãos de 4 ou 5 famílias proprietárias de grandes conglomerados de comunicação; 2) o envolvimento de políticos detentores de mandato (senadores, deputados, vereadores, governadores e prefeitos), na condição de proprietários totais ou parciais de empresas de comunicação, contrariando dispositivo constitucional.

Percebe-se, então, que por detrás do belo discurso “liberdade de expressão”, o que de fato existiria seria a defesa de interesses político-econômicos.

Assim sendo, a fim de não nos tornarmos “bois de piranha”, devemos observar que há pelo menos 3 motivos distintos, por detrás do tema “regulamentação da mídia” no Brasil: recursos publicitários, manutenção de poder político-econômico e o princípio filosófico da liberdade de expressão.

Liberdade é tema caro aos batistas, primeiro, porque, na maioria das vezes que aparece no Novo Testamento, tal palavra está associada à salvação. Depois, porque ela foi uma das razões mais fortes ao surgimento desta denominação, no século XVII. Daí a importância, necessidade até, de nos mantermos vigilantes, em defesa dela.

É interessante que as manifestações de solidariedade em favor do Jornal Charlie Hebdoforam massivas. A expressão francesa “Je suis Charlie” ganhou o mundo de maneira espontânea. Mas, mesmo em meio à dor de familiares, amigos e compatriotas dos 17 mortos em torno do atentado, alguns optaram por se posicionarem criticamente ao jornal. Suas críticas giraram em torno da linhaagressiva, ofensiva e desrespeitosa, adotada pelo jornal em relação, por exemplo, à religião em geral, especialmente à islâmica, e ao homossexualismo, postura que teria alimentado tal barbárie.

Diante disso percebemos que a grande questão em torno da qual nossas reflexões deveriam girar, diferentemente do que a mídia brasileira enfatizou, não seria em torno do direito à liberdade de expressão, mas à forma, à motivação, àresponsabilidade no uso da liberdade.

Curiosamente, justamente por não ter atentado para ensinos como os dos textos sagrados dos cristãos e do judaísmo, publicados no início, o Jornal teria recebido como retorno, de maneira brutal, aquilo que plantou. Lamentavelmente.

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