terça-feira, 7 de agosto de 2018

Os 5 partidos nos quais não pretendo votar

Não, não se trata de vingança. Esse não é um bom sentimento para justificar qualquer decisão ou nortear o exercício da cidadania. O uso dele retrataria tão somente que perdemos a capacidade de ter esperança, perdemos a visão, estamos desorientados e sem rumo diante de um quadro injusto que está nos machucando.

Não é o meu caso. Sinto-me ferido, politicamente triste, mas não perdi a esperança, pois trago em mim um motivo espiritual mais forte para não perdê-la.

Trata-se de um mecanismo que decidi usar para enfrentar um sistema político-eleitoral cuja ética norteadora beneficia "coronéis" e coniventes afiliados partidários, em detrimento, em prejuizo, dos interesses de toda uma população trabalhadora - empregados e patrões - que, como cidadãos, fazem este pais funcionar.

Também não tomei esta decisão por acreditar que nestes cinco partidos não haja pessoas integras, técnica e intelectualmente preparadas e com visão orientada pelo interesse público. Há pessoas com essas qualidades nestes partidos.

Porém, ao contrário do que pensam alguns eleitores, no Brasil o voto dado a um candidato beneficia, primeiramente, o partido dele e suas coligações.

Existe uma cláusula legal chamada "quociente eleitoral" que distribui as cadeiras no Congresso não necessariamente entre os que receberam mais votos, mas entre aqueles que fazem parte dos partidos e coligações que receberam mais votos, COM BASE NESTE "quociente eleitoral" (pesquise sobre isso na internet).

Assim, eu posso votar em uma ótima pessoa, ela obter ou não os votos necessários para eleger-se, mas seu partido se beneficiará, de qualquer modo, do meu voto, sendo meu candidato eleito ou não.

Por isso, se quero dizer a um partido que ele não tem me representado como deveria, o melhor caminho, a meu ver, é negar meu voto àquele partido, mesmo que meu melhor amigo e competente político seja candidato através dele.

(Meu problema com o "quociente eleitoral" neste texto, não é filosófico, mas pragmático: meu voto em um candidato, beneficia o partido dele, sendo ele eleito ou não e o que não quero, nestas eleições, é beneficiar 5 partidos).

Por que não votarei nesses 5 partidos? Simples, eles tiveram força numérica no Congreso mas:

1. não demonstraram empenho para realizar as reformas político-eleitorais, tributárias e previdenciárias necessárias. Quando se debruçaram sobre o assunto, optaram por mudar apenas aquilo que atendia seus próprios interesses pessoais-partidários ou daqueles que teriam poder econômico-financeiro para beneficiar-lhes, em prejuizo da maioria imensa da população empobrecida pelo sistema que eles insistem em manter;

2. Não trataram da segurança pública como deveriam. Acredito que o motivo disso é que, se aprovassem e implementassem medidas necessárias a recuperação da segurança, pelo menos metade dos congressistas e parcelas significativas de "poderosos" servidores públicos do executivo e judiciário, além de familiares e de comparsas da iniciativa privada, poderiam ser afetados;

3. Negaram-se a aprovar leis viabilizadoras de um combate mais eficaz à corrupção;

4. Não investiram em maneiras de tornar a máquina e os serviços públicos mais transparentes e eficazes, menos burocráticos e mais favoráveis às necessidades da população, optando pela manutenção do antigo: "coloque dificuldades para vender facilidades", ferramenta de corrupção presente em muitas repartições públicas;

5. Mantiveram uma estrutura partidária que, internamente, não se rege pela democracia, mas pelo coronelismo e troca de favores cuja motivação ética visível é, sendo generoso, bastante discutível;

6. Estão ocupando o poder - cargos de comando e, principalmente, cargos periféricos nos ministérios, secretarias, estatais e empresas de economia mista - por um perîodo de tempo tão longo que hoje só é proporcionalmente menor do que o tempo que seus dirigentes e comparsas aparecem nas páginas policiais.

Tenho consciência de que essa minha decisão de não votar nestes cinco partidos não resolverá, sozinha, o problema político-eleitoral, mas é o modo que encontrei para enviar, via urnas, meu recado àqueles (nesses caso aos homens mesmo, pois poucas mulheres conseguem espaço, especialmente de comando, na maioria desses partidos), àqueles, repito, que comandam estes 5 partidos cujos nomes são os que mais apareceram, seja nas espúrias negociações  de votações nas casas legislativas, judiciárias e de auditoria, seja nas decisões executivas ou  nos noticiários policiais...

Pretendo, por isso, vetar, não votando nestes cinco partidos:
1.
2.
3.
4.
5.

2 comentários:

Anônimo 7 de agosto de 2018 18:15  

É lastimável, querido pastor Edvar, quando o sistema eleitoral, pleno século 21, maquina de forma tão desleal, mudar o nome da comercialização da cadeira, para eleição...seria mais honesto, se é que podemos usar deste atributo tão raro no meio da "política", fazer uma contagem mais justa e usar de critérios mais simples, em que o prestígio, índole, boa fé, boa conduta, etc e tal, pudessem de fato selecionar por meio de nosso voto, nosso candidato de plena confiança...mas não, existe uma matemática tão imunda, capaz de preencher de nomes, somente para compor um tabuleiro de dama, quisera que fosse xadrez, mas o nível é mais perceptível, e o descaro é tão grande que não fazem questão de esconder...votaremos, mas melhor mesmo seria que voltássemos á justa maneira de eleger nossos preferidos..embora em toda a historia, sempre ganhou nas urnas um único nome...Barrabás..! João Cancio

Unknown 8 de agosto de 2018 09:02  

Concordo plenamente ! Eu estou desacreditada e conclui que não preciso levar a culpa de que meu voto vai mudar ou vai deixar de mudar o PAÍS . Agora
sabemos que quem manda no PAÍS e a Segunda turma do STJ ! Esse País esta excelente para os jovens que ainda podem ter como saída o AEROPORTO .