sexta-feira, 27 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Mãe é mais do que mãe!
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domingo, 31 de janeiro de 2010
90ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira
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domingo, 24 de janeiro de 2010
Ainda sobre OPBB versus Pastoras
Para alguns colegas, dividir a Ordem com mulheres parece ser vergonhoso, ainda que a maioria de nós pastores divida teto, mesa e cama diariamente com uma delas.
Não estou aqui semeando conflitos.
Unidade que não é contruída em bases amorosas e justas não é unidade, é opressão.
Muito menos estou aqui defendendo posições antibíblicas.
Posições bíblicas saudáveis são aquelas cuja fundamentação se dá em bases hermenêuticas sólidas e não incoerentes.
Se sou contrário à liderança da mulher por "razões bíblicas", deveria ser, também, contrário à liderança delas em todas as áreas da vida e não somente no ministério.
Se defendo o silêncio da mulher na igreja (igreja gente, não templo), por "razões bíblicas", deveria ser, também, contrário a que se manifestassem em todas as atividades da igreja.
Se aplico literalmente textos bíblicos para manter a mulher na condição de cidadã de segunda categoria, assim deveria agir, também, em relação a roupas, cabelo, uso de bijuterias, maquiagem, diálogo em público, ocupação de assento no templo, só pra exemplificar.
Que Deus nos ajude a sermos misericordiosos em nossas dificuldades naturais de enxergamos e interpretarmos as realidades de maneira compatível com o espírito do evangelho que produz vida e que haja em nós o firme propósito de nos guiarmos pelo espírito que vivifica e não pela letra fria que produz morte.
Postado por edvardeoliveira@gmail.com às 09:20:00 8 comentários
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sábado, 1 de agosto de 2009
Violência conrtra a mulher no meio evangélico (2007)
A violência contra a mulher é praticada desde quando se tem registro da história humana. Não me refiro somente à violência de natureza física, mas principalmente a de natureza política, religiosa e psicológica. Estes tipos de violência, praticados inclusive através da restrição de espaços de atuação social feminina, por puro preconceito, ainda é bastante tolerado em nossa sociedade e também precisa continuar sendo vigorosamente repudiado.
A reação, entretanto, à violência física, merece atenção especial pelos prejuízos imediatos e chocantes que produz, em todas as dimensões do ser humano.
A novidade que este livro traz à tona é o fato da violência estar ocorrendo em índices preocupantes dentro de lares classificados como evangélicos. Explicar o motivo disso deve ser também objeto de preocupação, pois até um passado relativamente recente, famílias evangélicas eram tidas como referência em termos de respeito.
O que estaria acontecendo? Algumas trilhas podem ser apontadas. Primeiro, a elasticidade do termo evangélico. No Brasil, a partir da década de 70 teve início uma espécie de estelionato da marca “evangélico”, que passou a ser usada por qualquer grupo que não comungasse com a fé católica.
Em segundo lugar, o reconhecido crescimento numérico, tanto de igrejas, quanto de indivíduos que se dizem evangélicos, provocado pelo crescente acesso de líderes que se auto-intitulam evangélicos à mídia falada e televisada.
Em terceiro lugar, devemos reconhecer a influência do fenômeno da “sentimentalização da fé”, próprio da cultura pós-moderna, disseminado especialmente através de igrejas de origem carismático-pentecostal, cujo discurso enfatiza quase que exclusivamente o sentir e experimentar, em detrimento do pensar e confiar.
Em quarto lugar, vale salientar o papel do paradigma religioso presente no discurso de muitos pastores, que, na prática, é a troca do Deus conforme revelado nas Escrituras Sagradas - a Bíblia – pelo deus riqueza, elemento central da chamada teologia da prosperidade. Essa troca de Iavé por Mamon eliminou o elemento ética dos sermões, “coisificando” os relacionamentos interpessoais.
Em quinto lugar, não poderia deixar de destacar a influência de uma teologia que coloca o Velho Testamento no mesmo pé de igualdade do Novo Testamento. Enfatizando mais a lei do que a graça e transformando o específico de uma cultura primitiva em regra universal, ela reascendeu a crença da submissão incondicional da mulher ao homem, gerando ainda mais conflitos conjugais, em face da falta de sintonia entre a cultura dos tempos bíblicos com os papéis da mulher no mundo atual.
Finalmente, não poderia deixar de destacar a humanidade daqueles que se dizem evangélicos, também influenciáveis pela cultura da violência, em índices alarmantes, presente em cada espaço e situação da sociedade brasileira, como elemento que merece reflexão.
Deixando de lado as possíveis causas do aumento da violência contra a mulher em lares evangélicos, o fato é que este livro apresenta de maneira clara, não somente como a violência se dá, mas também como os envolvidos reagem e o que podemos fazer para modificar esta situação.
O texto é um sinal de alerta e deve ser lido com atenção por todos que, comprometidos com valores do Reino de Deus, desejam ver a vida a dois como um sinal da presença do Cristo.
Postado por edvardeoliveira@gmail.com às 08:57:00 0 comentários
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Maria, cheia de graça (2004)
Ouvi de uma psiquiatra, em tom humorado, enquanto a assistia pastoralmente em momento de perda dramática, que homens e mulheres não são da mesma raça. Talvez ela tenha razão. Mulheres, como alguém já disse, são flores de aço. Homens, digo eu, fingem que são de aço, têm horror a se identificarem como flores e acabam não sendo nem uma coisa, nem outra.
Como pastor, conto mais com a cooperação de mulheres do que de homens. Antigamente isso era justificado sob alegação de que eles trabalhavam fora de casa e elas dentro. (Na verdade se dizia, desrespeitosamente, que elas não trabalhavam). Por isso teriam mais tempo para as coisas do espírito. Isso não é verdade. Algumas trabalham em jornada dupla, portanto mais do que seus maridos, mas, ainda assim, encontram meios de se dedicar às coisas espirituais. É mais um indicativo de que elas, de fato, têm mais força.
Escrevendo sobre isso, me vem à mente, imagens de uma infinidade de mulheres, solteiras e casadas, que foram ou são uma bênção em minha vida. Mas gostaria de falar de uma delas pelo impacto que provocou recentemente em mim. Trata-se de minha amiga Maria das Graças Corte de Alencar, esposa de um dos cristãos mais “gaiatos” (no bom sentido!) e amigos que já pastoreei.
Conheci Graça em 1992, na Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem. Tempos depois, após exposição da palavra num culto, ela manifestou publicamente seu desejo de permitir que Jesus se tornasse Senhor de sua vida. Funcionária Publica, mulher de personalidade forte (Adiel, seu marido, que o diga!), faz parte da familia Alencar, de Exu, PE. Isso mesmo, uma das duas famílias que se tornaram nacionalmente conhecidas por conflitos na pequena cidade do sertão pernambucano, onde viveu o saudoso Luiz Gonzaga.
Pois bem. Vejam só um trecho da mensagem que recebi dela, por e-mail, cuja publicação faço com autorização:
“Quanto a mim estou bem, continuo fazendo quimioterapia, mas estou reagindo bem apesar das reações já esperadas. Já estou sem cabelos, mas não tive problemas com isso, estou administrando bem esta nova fase da minha vida com meu novo visual. Estou lançando a moda de chapéus e lenços. Adiel comprou de todas as cores e diz que é para combinar com as roupas, imagine! Não aderi à peruca. Me senti péssima quandoprovei, não tem nada a ver comigo. Preferi assumir a careca, sem problemas. O importante é que com o tratamento eu fique curada. Sei que vou dar boas risadas lembrando desta fase. Tenho sentido a todo momento a presença de Deus em minha vida e da minha família. Até nos aproximamos mais, o que faz valer a pena todo sofrimento”.
Não é mesmo, uma Maria, cheia de Graça?
Cada pessoa reage de forma diferente à adversidade. Porém, é claro que aquelas que reagem de forma positiva têm maiores chances de se sairem vitoriosas. Essa, aliás, é a tese que mais me marcou no best-seller “Who movies my cheese” (Quem mexeu no meu queijo, de Spencer Johnson, M.D.) uma das leituras que mais fortemente influenciaram minhas ações nos últimos dois anos.
Maria das Graças permitiu que “graça” fosse mais do que um nome. Permitiu-se experimentar a graça e ser uma graça ambulante, ao decidir investir na comunhão com Deus. Ao abrir-se à graça de Deus, foi invadida por ela, tornando-se capaz de reagir como está reagindo em situação tão dolorosa.
Grande beijo Graça. Você já venceu sua enfermidade ao não se deixar abater por ela.
Postado por edvardeoliveira@gmail.com às 08:19:00 0 comentários
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Paulo, machista e conservador? (2004)
Em “Jesus e as Estruturas de seu tempo” (E. Morin, Edições Paulinas, 1984) vemos que as mulheres deveriam obedecer aos homens porque a crença era de que Deus deu poder a eles. Geralmente elas eram associadas aos escravos pagãos e crianças. As filhas podiam ser vendidas, como se fazia com escravos. Aos homens era recomendado que orassem agradecendo a Deus por não os terem sido criados como mulheres.
Em termos de educação, a lei não lhes eram ensinada, pois isso seria o mesmo que ensinar-lhes a devassidão. Alguns mestres julgavam preferível queimar a Torá (lei) a ensiná-la à mulher. Nas sinagogas elas ocupavam lugares separados dos homens por uma barreira. Em nenhuma hipótese elas tinham acesso aos lugares reservados aos escribas.
No casamento, ainda que não fossem escravas do marido, eram posse sua. Cabia a elas não somente prepararem a alimentação dele, mas também lavar suas mãos, pés e rosto, coisas não exigidas de escravos judeus. Em termos de divórcio o direito ao repúdio era quase que exclusivamente do marido.
O testemunho de uma mulher não era válido. As casadas não podiam ser olhadas e nem sequer cumprimentadas pelos homens. Elas não participavam da vida pública e, na cidade ou diante de pessoas importantes, somente poderiam aparecer com véu na cabeça.
Em “Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos” (Merryl C. Tenney, J.I. Packer e William White Jr., Editora Vida, 1984) os autores descrevem a condição da mulher de maneira romântica. Eles não se manifestam sobre a justiça das relações homem-mulher. Pelo contrário, enaltecem as mulheres como virtuosas por agirem como agiam em contexto tão adverso.
A postura desses autores é de simplesmente reproduzir acriticamente o que os registros bíblicos apontam, sem nenhuma reflexão sócio-política. Ao tratar do papel da mulher de forma enaltecedora, seus escritos trazem imbutidos uma ideologia que legitima e alimenta relacionamentos injustos. Suas descrições, entretanto, confirmam a condição inferior das mulheres, mesmo que não tenha sido este o propósito dos escritores.
Agora me responda: se, num contexto como o descrito, em que mulher, escravo e objeto quase se confundem, alguém aparece ensinando que elas deveriam ser amadas, essa postura seria machista e conservadora? Claro que não!
Creio que as palavras de Paulo foram as “palavras possíveis” para seu tempo e espaço, uma vez que, enquanto o novo – a restauração da graça - estava sendo estabelecido, os efeitos da ruptura com o velho – o legalismo – precisava ser politicamente administrado. Desafiar homens a amarem – e não somente usarem - suas mulheres significava defender uma nova forma de relacionamento. Podia parecer pouco explícito, acanhado até, mas no desenrolar do processo os efeitos seriam revolucionários.
Imagino os conflitos interiores de Paulo, na formulação, apresentação e defesa desse novo comportamento. Compreendendo as perdas que a mudança representaria para os homens, entendo porque ele parece dar dois passos à frente e um para trás. Entendo, também, porque os homens-interpretes de hoje se apegam mais aos “passos para trás” do que aos “para frente” que Paulo deu.
Dois problemas posteriores a Paulo determinam a lentidão nos avanços das relações sociais homem-mulher. O primeiro, de natureza teológica, tem a ver com a canonização e absolutização dos escritos de Paulo. No momento em que a igreja decidiu fechar o Cânon, os avanços nas mudanças foram dificultados pois, aos teólogos, restaram duas alternativas: ou rompiam com a decisão da Igreja se expondo ao risco de serem marginalizados pejorativamente como modernistas, liberais, ou faziam marabalismos linguístico-teológicos com tais textos visando encontrar saídas que desatassem o nó. A maioria absoluta, compreensivamente, continua escolhendo a segunda opção.
O segundo problema é de natureza política. Na agenda de discussões político-doutrinárias da igreja, o tema submissão da mulher aos homens ocupou muito mais espaço nos debates do que o tema amor dos homens por elas. Essa ênfase na submissão e não no amor, retrata a resistência dos homens em aceitar as perdas políticas resultantes da proposta de Paulo.
Vale salientar que quem sempre definiu a agenda de temas a serem debatidos na igreja foram os homens. Quem sempre interpretou e escreveu sobre textos bíblicos foram os homens. Essa condição fez com que eles não somente pudessem escolher o que deveria ser discutido ou não, mas também possibilitou que o que eles pensavam se estabelecesse como verdade. Quantos livros de hermenêutica escritos por mulheres você conhece? Como elas poderiam fazer isso se não podiam, por decisão política dos homens, sequer se matricular numa escola teológica para estudar técnicas de interpretação, linguas originas e temas afins? Como as mulheres poderiam difundir o que pensavam ou sentiam se os púlpitos, por decisão política dos homens, eram espaços masculinos?
Estudando a natureza das relações sociais e como os sistemas são montados, entendemos porque tantas rupturas surgem no seio eclesiástico. É que, quando pessoas que têm uma visão diferente da dominante, perdem a esperança de ver avanços acontecerem, resta-lhes a alternativa do rompimento. Nas rupturas, brechas se abrem e raios de sol penetram nas estruturas escuras e mofadas que sufocam a beleza da vida.
Paulo não foi tão conservador e machista como é acusado. Nós é que somos ao nos calarmos diante de pressupostos teológicos e agendas de debates que nos favorecem e de relações humanas tão injustas.
Postado por edvardeoliveira@gmail.com às 22:45:00 1 comentários
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