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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Evangelização do Povo Brasileiro - 01.07.12 - 70/100 dias de oração pelo Brasil

Evangelização é uma palavra tão conhecida quanto ambígua. Se nossa prática é nossa verdadeira teoria, o exercício de evangelização dominante nos passa a idéia de que evangelizar é o mesmo que seduzir alguém a comprar Coca-Cola e evangelizado, adjetivo que nos identifica com tocedores de futebol. Evangelho, entretanto, não é produto comercial, nem evangelizado alguém que fica gritando da arquibancada.

  Se construirmos nossa teologia da evangelização com base na vida de Jesus e não na numerologia, por exemplo, do texto neo-testamentário de Atos ou nas cruzadas católico-romanas entre os séculos  XI a XIII, concluiremos que evangelização é convivência,  inclusive com pecadores, com prostitutas; é compartilhar amor; é ser solidário; é ter fome e sede de justiça; é viver em comunhão com Deus e, por isso, ter autoridade para confrontar o pecado não movido por uma cosmovisão moralista da vida, mas por ter sido alcançado pela graça de Deus manifesta em Jesus. 

 No meu modesto ponto de vista, qualquer movimento evangelizador que desconsidera a vida de Jesus como paradigma, corre um risco imenso de ser confundido com movimentos ideológico-político-mercadológicos de sedução, conquista de corações e ampliação de espaços de status e poder religioso.

  Para mim, a maior evidência do equívoco que temos cometido em nossas ações evangelizadoras é o fato do Brasil não apresentar sinais suficientes da presença dos valores do Reino de Deus, a despeito dos 22% de brasileiros que se declaram evangélicos em 2010, contra os 7% de 1980.

Esse dado publicado nessa semana, deveria chamar-nos, nós evangélicos, à reflexão. Se isso não nos incomoda, fica evidente nosso desinteresse por uma evangelização que deseja ver pessoas empenhadas em reproduzir o caráter de Jesus.

Essa falta de mal estar diante de tais números evidencia que, para nós, JESUS é apenas uma figura de linguagem pra fazer a ponte, não entre Deus e o ser humano ou entre humanos e humanos, mas entre um número menor e um maior de adeptos ou um poder menor e um maior no contexto político do país. 

 Acredito na evangelização porque acredito na mensagem do amor de Deus. Quero participar do desafio de evangelizar o Brasil e por isso acendo meu fósforo. Mas não abro mão da compreensão de que evangelizar não significa encher os bancos das igrejas ou as ruas com "marchas para Jesus", muito menos povoar o céu. Antes, é desafiar pessoas, através de um modo de viver inspirado em Jesus, a desejarem, de coração, crescer em direção à "unidade da fé e do conhecimento do filho de Deus" e chegarmos "à maturidade, atingindo a plenitude de Cristo" (Ef. 4.13) 

Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mensagem à Assembleia de Fundação da Aliança Evangélica

 por Bispo Robinson Cavalcanti (*)

 
– Não Se Faz História Sem História –
 
Amados irmãos e irmãs presentes a esse histórico momento:

O renomado pensador anglicano C. S. Lewis, em seus escritos, sempre chamou a atenção para os riscos daquelas gerações que se acham “refundadoras” do mundo, ignorando e desprezando tudo o que a civilização construiu antes dela. Alguns dizem que as mesmas “querem descobrir a roda, ou a pólvora outra vez”. Desde a Reforma Radical que uma expressão do anabatismo como ideologia tem se manifestado nessa visão de uma “apostasia” da Igreja antes da sua geração, com o Espírito Santo “tirando férias” entre a morte do apóstolo João e o nascimento de Lutero, ou o surgimento de algum grupo ou movimento posterior. O “restauracionismo” sempre tem rondado – e tentado – o Cristianismo. Hoje, mais na Igreja do que no próprio século, vive-se a síndrome de uma “geração sem umbigo”, individualista, imediatista, iconoclasta, antinômica e presentista.

Já se afirmou que um povo sem passado é um povo sem futuro e que um povo sem história é um povo sem identidade. Essa manhã, gostaria de reafirmar o caráter uno, santo, católico e apostólico da Igreja de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Gostaria de reverenciar a memória dos santos e mártires de todas as épocas e lugares. Gostaria de reafirmar a “comunhão dos santos”, e, ao mesmo tempo, denunciar como pecado e tragédia esse anti-historicismo, anti-institucional, irracional, irresponsá-vel, de previsíveis trágicas consequências. A honestidade intelectual forçará a nossa consciência reconhecer que “nunca antes na Igreja Evangélica desse País” o seu povo foi tão ignorante e tão preconceituoso em relação à sua história e ao legado dos seus antepassados. Esse é um dos aspectos centrais da crise do protestantismo brasileiro, e não haverá saída sem uma mudança, em que possamos construir o presente, com alvos para o futuro, a partir do passado.

Sabemos que a Guerra dos Trinta Anos, entre Estados Protestantes e Estados Católicos, conduziu a um cansaço cultural que gerou, por um lado, a reação iluminista, o agnosticismo e o materialismo, e, por outro lado, um “congelamento” nos embates apologéticos e nos esforços missionários mútuos, com uma territorialidade confessional oficial ou oficiosamente estabelecida, e um olhar evangelístico voltado apenas para os povos ditos “pagãos”, fossem eles primitivos ou seguidores de antigas religiões não-monoteístas ou não-trinitárias. Daí o protestantismo na América Latina ter sido, desde os seus primórdios, incompreendido, não apoiado, censurado, desvalorizado, por amplos círculos internacionais, até os nossos dias. Foi nesse contexto que a hoje festejada e centenária “Conferência Missionária” de Edimburgo, de 1910, nos excluiu como terra de missão.

Somos vistos, ou tolerados, como os exóticos bem sucedidos, a exceção que deu certo.

Essa manhã, devemos homenagear os pioneiros do protestantismo de missão, tanto estrangeiros quanto nacionais, que, movidos por uma visão, uma paixão e uma doação, aportaram no Brasil na segunda metade do século XIX, pretendendo nos trazer uma fé superior, a democracia e o progresso, em clima de respeito mútuo e cooperação, enquanto procuravam impactar a Sociedade e o Estado, primeiro sob as draconianas restrições legais do Império, depois sob violentas perseguições sociais no período republicano. Aqueles pioneiros – escatologicamente pós-milenistas ou amilenistas – se tornaram abolicionistas, republicanos, defensores da separação entre Igreja e Estado, criadores de uma rede notável de educandários, que marcou vidas e forjou lideranças em todo o território nacional: congregacionais, presbiterianos, metodistas, batistas, episcopais, cristãos evangélicos. Colhemos hoje com alegria o que eles um dia semearam, parafraseando Churchill, com “sangue, suor e lágrimas”.

Nossa homenagem aos “derrotados” na Conferência de Edimburgo, que, inconformados e convictos, organizaram o Congresso de Ação Cristã na América Latina, do Panamá, em 1916, reafirmando esse continente, nominal e sincrético, como terra de missão, e que a missão deveria se fazer em unidade. Nossa homenagem, também, aos brasileiros, como Erasmo Braga, em 1920, a Comissão Brasileira de Cooperação, o Conselho Nacional de Educação Religiosa e a Federação de Igrejas Evangélicas do Brasil, embriões de um movimento pela unidade protestante em terras brasileiras.

Nossa homenagem, ainda, aos visionários, que transformaram aquelas entidades em um dos primeiros organismos nacionais aglutinadores e representativos do protestantismo em todo o mundo: a Confederação Evangélica do Brasil, criada em 1934, com seus vários departamentos, tendo à frente notáveis líderes e pensadores, que escreveram uma epopeia, até a crise que levou ao seu encerramento, no turbilhão de controvérsias ideológicas e teológicas que marcaram o período da chamada “Guerra Fria”, bem como o Golpe Militar de 1964, e o período discricionário que a seguir infelicitou a nossa nação.

Nossa emocionada homenagem aos mortos, aos torturados, aos desaparecidos, aos exilados, aos marginalizados (incluindo nossos fiéis) em um momento de penitência por uma Igreja que pecou ao se deixar instrumentalizar pelos poderes desse mundo.

Nossa homenagem a cada homem e mulher, tantas vezes anônimos, que mantiveram firmes a chama da unidade na verdade, mesmo diante das adversidades e das polarizações, com suas pressões, tentações e riscos internos e externos.

Nossa homenagem àqueles que lutaram por transformar a outra expressão do protestantismo, o de migração, também em protestantismo de missão, em acercamento às igrejas morenas.

Nossa homenagem àqueles que lutaram por retirar o pentecostalismo – ator posterior - do seu isolacionismo, em grande parte consequência da sua escatologia, e dar passos corajosos na direção dos históricos, de missão ou de migração, em uma atitude de mútuo respeito e mútua aprendizagem, inclusive sarando as feridas das controvérsias da “renovação” dos anos 1960. Nossa homenagem particular ao saudoso estadista da Assembleia de Deus Alcebíades Vasconcelos.

Estamos convencidos de que é dessa convergência em torno da ética, da sã doutrina e da missão integral da Igreja, que históricos, migratórios, pentecostais e renovados, poderão reviver e retomar a epopeia interrompida e inacabada, sempre necessária, e sempre urgente, pois sempre no coração de Deus.

Nossa homenagem aos que compareceram ao Congresso de Berlim, em 1966; à fundação da Fraternidade Teológica Latinoamericana, em Cochabamba, em 1970; ao Congresso Lausanne I, em 1974, muitos deles já integrando a Igreja Triunfante.

Lamentamos o longo hiato à causa da unidade, depois do fechamento da Confederação Evangélica. Lamentamos o longo hiato que se seguiu ao Congresso de Lausanne I, por tantos anos incompreendido, por setores polarizados de nossas igrejas. Nossa homenagem ao missionário norte-americano Lawrence Olson, da Assembleia de Deus, responsável pela primeira publicação do Pacto de Lausanne em língua portuguesa.

Sem negar a memória e o legado mais antigo dos CELAs, registramos a importância mais recente dos Congressos Latinoamericanos de Evangelização, os CLADEs, a criação da Comissão Brasileira de Evangelização (CBE) e a realização dos Congressos Brasileiros e Nordestinos de Evangelização. Passos importantes, tijolos vivos, nessa penosa tarefa de reconstrução.

Nossa homenagem aos que tentaram, e deram o melhor de si para a experiência válida que foi, nos anos 1990, a Associação Evangélica Brasileira, a AEvB, cujas principais fragilidades foram a demora para o seu início e o modelo de sua gestão, mas que não podemos nem apagar a história, nem sermos ingratos ao que de positivo se fez, destacando-se o seu “Decálogo do Voto Ético”.

Que lições podemos extrair desse rico passado?

Para mim, após mais de meio século no protestantismo brasileiro, ficaria uma querida palavra da língua portuguesa: saudade. Saudade de quando éramos um número não escandaloso de “denominações”. Saudade quando todos confessavam a sã doutrina. Saudade do sonho comum da unidade. Saudade da seriedade, da reverência, da solenidade, da disciplina (inclusive intelectual). Saudade da ética. Saudade da imagem positiva e da boa reputação. Saudade de quando o termo “evangélico” significava a mesma coisa para todo o mundo. Saudade quanto tínhamos uma representatividade e uma voz ouvida e respeitada. Com diria minha avó, entre suspiros: “bons tempos aqueles...”. E espero que não me entendam nem como um idealista ou um saudosista, mas como quem presenciou e vivenciou experiências, e para elas foi atraído.

Os tempos são outros, os desafios são velhos e são novos, a História está para ser escrita por novos atores, por uma nova geração.

Por um lado, como missionários, estamos presentes em todos os continentes, e temos uma responsabilidade de estreitar relacionamentos tanto com a América Latina, quanto com os países de expressão portuguesa. Temos quadros, recursos e não sabemos o que fazer. Vejo com satisfação a nossa integração à crescente família da Aliança Evangélica Mundial. Com o caos que caracteriza a chamada “comunidade evangélica” brasileira, que nem é comunidade e nem sempre é evangélica, temos que ser modestos em nossa capacidade inicial para aglutinar e agregar. Mas, por outro lado, não podemos nos mover pelo excesso de timidez. Juntemos os que querem se juntar, e juntemos com coragem, vendo a audácia irmanada ao bom senso como virtudes irmãs e inseparáveis.

Necessitamos vencer essa marca maléfica do neo-platonismo com seu anti-institucionalismo. Organismo e organização são duas faces da mesma moeda, dentro do mandato cultural que o Senhor nos confiou. Queremos membros de carteirinha, sem preconceitos contra as carteirinhas...

E, por favor, vençam a marca maléfica do temor de que esse novo foro vá além do intercâmbio e de ações comuns, e assuma o seu papel irrecusável de ser representativo. Não somos a única voz, mas somos uma voz, uma voz respeitável, diante de tantas falsas vozes ou do silêncio culposo da ausência de vozes. Convictos, e sem sentimentos de inferioridade ou de vergonha, de portar o termo “evangélico”, em sua reafirmação da autoridade das Sagradas Escrituras, sua centralidade na cruz de Cristo, na experiência de conversão e no mandato missionário.

Nós, da “velha guarda”, não ficamos apenas nas homenagens ao passado, na saudade, no chamamento às lições vividas, no apontar para um rico legado, para a lembrança de nomes e de feitos – por mais importantes que sejam – mas gostaríamos de viver esse momento a partir de um outro sentimento: o sentimento da esperança. Esperança naquele que faz nova todas as coisas. Esperança na Providência. Esperança no Senhorio de Cristo sobre a História e sobre a Igreja. Esperança na resposta dos que são chamados a tornar o Evangelho relevante para sua geração, promovendo a unidade e a inculturação da Igreja, uma Igreja encarnada e verde-e-amarela, não dividida, não irrelevante, não mimética de modismos forâneos

E como as gerações têm respondido ao chamado de Deus e da História?

Algumas se notabilizaram pela obediência e pela relevância; outras pela desobediência e trágico legado, enquanto algumas, e com frequência, desobedeceram pela omissão.

Que a memória dos nossos maiores antepassados seja dignificada!

Que o Senhor confirme a obra de vossas mãos. E que a bênção do Deus de Abraão de Isaque e de Jacó; o Deus de Kalley, Simonton, Kinsolving e Berg; o Deus de Eduardo Carlos Pereira, de Munguba Sobrinho, de Jerônimo Gueiros, de Aurélio Viana e Lisâneas Maciel, vos abençoe e vos guarde nesse dia e para sempre. Amém.

Oremos:

“Recebe, ó Senhor, nós te rogamos, as orações da tua Igreja, hoje quando nos lembramos dos teus servos e servas, e de sua luta em nosso País em favor do Cristianismo Reformado. Concede a todos nós a coragem desses irmãos do passado, para que lutemos com fé e coragem pela fé uma vez dada aos Santos. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém”.



* Robinson Cavalcanti, bispo da Diocese do Recife – Comunhão Anglicana, cientista político, escritor e bispo anglicano, ex-assessor da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), foi membro fundador e integrante da Comissão Executiva da Fraternidade Teológica Latinoamericana (FTL), da Comissão de Convocação e da Comissão de Continuação (LCWE) do Congresso de Lausanne, da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial (WEF) e da Comissão Executiva da Fraternidade Evangélica na Comunhão Anglicana (EFAC). Palavra à ACeB na manhã do dia 30/11/2010.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sarney, Malafaia, dinheiro, corrupção e fé

Ao assistir o vídeo que segue, no qual um senhor por nome Morris Cerullo, faz promessas de prosperidade financeira, no programa de Silas Malafaia, fiquei pensando:

por um lado

temos o Senado Federal liderado por gente envolvida até o pescoço por denúncias de corrupção. Segundo a folha, 27 dos 81 senadores estão sendo processados judicialmente, não incluidos nesse cálculo, lítigios pessoais ou movidos por adversários políticos. Para piorar, as acusações feitas contra o atual presidente José Sarney foram engavetadas pelo relator do Conselho de Ética daquela casa (transformada em covil, conforme palavra usada por Jesus).
(Os homens, da esquerda pra direita são: Dácio Vieira, juiz, José Sarney, acusado de corrupção, Agaciel Maia, ex-diretor do Senando, demitido por envolvimento em corrupção e Renan Calheiros, ex-presidente demitido por acusações de corrupção. Detalhe: o referido juiz - ex-consultor jurídio do Senando - proibiu o Estadão de divulgar as bandalheiras que estão acontecendo no Senado)

Por outro lado

temos o pós-pentecostalismo dominando a mídia, assumindo o rosto "evangélico" e girando em torno do mesmo "deus" - como pode ser visto no vídeo abaixo - que causa a corrupção no senado: o dinheiro.






Para onde iremos nós?
Sabemos que só existem comerciantes da fé porque há consumidores da fé. Se a fé é transformada em negócio é porque há um nicho de mercado formado por aqueles que estão atrás da religião não por causa de Deus, mas por causa do "deus mamom" ou "deus riquezas".
Da mesma forma, sabemos que existe o mundo da corrupção porque existem corruptores e corrompidos, cujas vidas também giram em torno do "deus mamom" ou "deus riquezas".
Pergunto:
que diferença faz a minha fé e a sua neste contexto?
Em que a instituição religiosa da qual faço parte é diferente quando o assunto é dinheiro?
A política interna ou a administração dos recursos das instituições religiosas das quais participo favorecem a corrupção?
E a mensagem que anunciamos favorece o mundo da corrupção ou ajuda a destruí-lo?

sábado, 1 de agosto de 2009

Violência conrtra a mulher no meio evangélico (2007)

O trabalho que está em suas mãos pode ser considerado uma raridade. Não me refiro ao fato de descrever a violência contra a mulher. Isso é notório ao longo da história da humanidade e milhares de livros já foram escritos sobre o assunto. Sua raridade se deve ao fato de tratar da violência promovida dentro de família que se considera evangélica, numa abordagem feita por um homem que faz parte do mundo evangélico.

A violência contra a mulher é praticada desde quando se tem registro da história humana. Não me refiro somente à violência de natureza física, mas principalmente a de natureza política, religiosa e psicológica. Estes tipos de violência, praticados inclusive através da restrição de espaços de atuação social feminina, por puro preconceito, ainda é bastante tolerado em nossa sociedade e também precisa continuar sendo vigorosamente repudiado.

A reação, entretanto, à violência física, merece atenção especial pelos prejuízos imediatos e chocantes que produz, em todas as dimensões do ser humano.

A novidade que este livro traz à tona é o fato da violência estar ocorrendo em índices preocupantes dentro de lares classificados como evangélicos. Explicar o motivo disso deve ser também objeto de preocupação, pois até um passado relativamente recente, famílias evangélicas eram tidas como referência em termos de respeito.

O que estaria acontecendo? Algumas trilhas podem ser apontadas. Primeiro, a elasticidade do termo evangélico. No Brasil, a partir da década de 70 teve início uma espécie de estelionato da marca “evangélico”, que passou a ser usada por qualquer grupo que não comungasse com a fé católica.

Em segundo lugar, o reconhecido crescimento numérico, tanto de igrejas, quanto de indivíduos que se dizem evangélicos, provocado pelo crescente acesso de líderes que se auto-intitulam evangélicos à mídia falada e televisada.

Em terceiro lugar, devemos reconhecer a influência do fenômeno da “sentimentalização da fé”, próprio da cultura pós-moderna, disseminado especialmente através de igrejas de origem carismático-pentecostal, cujo discurso enfatiza quase que exclusivamente o sentir e experimentar, em detrimento do pensar e confiar.

Em quarto lugar, vale salientar o papel do paradigma religioso presente no discurso de muitos pastores, que, na prática, é a troca do Deus conforme revelado nas Escrituras Sagradas - a Bíblia – pelo deus riqueza, elemento central da chamada teologia da prosperidade. Essa troca de Iavé por Mamon eliminou o elemento ética dos sermões, “coisificando” os relacionamentos interpessoais.

Em quinto lugar, não poderia deixar de destacar a influência de uma teologia que coloca o Velho Testamento no mesmo pé de igualdade do Novo Testamento. Enfatizando mais a lei do que a graça e transformando o específico de uma cultura primitiva em regra universal, ela reascendeu a crença da submissão incondicional da mulher ao homem, gerando ainda mais conflitos conjugais, em face da falta de sintonia entre a cultura dos tempos bíblicos com os papéis da mulher no mundo atual.

Finalmente, não poderia deixar de destacar a humanidade daqueles que se dizem evangélicos, também influenciáveis pela cultura da violência, em índices alarmantes, presente em cada espaço e situação da sociedade brasileira, como elemento que merece reflexão.

Deixando de lado as possíveis causas do aumento da violência contra a mulher em lares evangélicos, o fato é que este livro apresenta de maneira clara, não somente como a violência se dá, mas também como os envolvidos reagem e o que podemos fazer para modificar esta situação.

O texto é um sinal de alerta e deve ser lido com atenção por todos que, comprometidos com valores do Reino de Deus, desejam ver a vida a dois como um sinal da presença do Cristo.

Mexendo com seu boldo (2004)

Quando você entra num templo ou numa sala de um mall, onde pessoas se reúnem para fins religiosos, seja para meditação espiritual, cerimônia fúnebre, casamento, formatura ou mesmo uma celebração cotidiana – culto, missa ou sei lá o que - tenha certeza absoluta de que, para que aquele espaço estivesse à sua disposição, alguém tirou dinheiro do bolso e investiu ali; alguém pagou a aquisição ou o aluguel, sua limpeza e conservação, energia elétrica, água, etc. etc. etc. E mais: pagou não somente as despesas patrimoniais, mas também as organizacionais. Tempo e conhecimento foram investidos para que as coisas acontecessem. Quanto maior for a exigência de tempo e conhecimento dos organizadores, maiores são os investimentos. Portanto, afirmar que a entrada é gratuita, sempre é relativo. Pode ser gratuita para o convidado, mas alguém pagou as despesas.

Há muito trabalho voluntário nas instituições religiosas, verdadeiras manifestações de amor daqueles que acreditam na importância do que realizam, mas há, também, trabalhos que exigem tamanha dedicação de tempo, conhecimento e ação específicos que, sem investir em algúem para fazê-lo, não aconteceria. Assim, a diferença entre o trabalho religioso voluntário e o remunerado, não está no amor de quem o faz, mas nas exigências de tempo requeridas. Portanto, gostando ou não, também as atividades religiosas têm um custo financeiro. Se nada se faz sem dinheiro, em qualquer lugar do planeta, que diremos em sociedades capitalistas nas quais “time” - e tudo mais – “is money”?

Nós brasileiros não aprendemos a contribuir generosa e regularmente para igrejas porque nossa cultura religiosa não é democrática. O sistema de governo da religião dominante no Brasil excluiu, durante séculos, a participação decisória dos fiéis a ela agregados. Suas decisões, tomadas de cima para baixo, e suas finanças administradas sem participação comunitária, criaram uma religiosidade paternalista na qual as pessoas se acostumaram a usufruir dos serviços, sem tomar conhecimento do custo e origem dos recursos. Essa ausência de participação nas instäncias administrativas, gerou religiosos depreocupados e, pior, contrários até, ao levantamento de sustento, comum à cultura das igrejas evangélicas. (Durante séculos, essa religião dominante beneficiou-se, legal mas incorretamente, da condição de “Igreja Oficial”, mantendo-se, também, com dinheiro de cidadãos protestantes, de outras religiões ou sem religião, sob o nome de dinheiro público).

O triste é que, na contramão e negando a história, cresce o número de igrejas com a marca indevida de “Evangélica” que excluem os fiéis da administração financeira, deixando todo o dinheiro nas mãos do pastor, bispo, apóstolo, vice-deus... Isso ocorre, em parte, porque há pessoas que devolvem seus dízimos ou dão suas ofertas, mas preferem não tomar conhecimento de como são aplicados, deixando isso por conta da “igreja”. A questão é: quem é essa “igreja”? Aqui entra, outra vez, um problema da cultura religiosa brasileira. Nela, a palavra igreja é associada a templo ou uma cúpula. Originalmente, porém, igreja é povo e não templo ou cúpula. Portanto, sua administração deve ser, democratica, como têm feito, ao longo de séculos, igrejas batistas, presbiterianas ou congregacionais, por exemplo.

Os líderes das igrejas deveriam ser os maiores interessados na administração transparente e democrática das finanças, primeiro, porque isso reflete melhor a concepção bíblico-teológica do sacerdócio individual do cristão e, depois, porque é um meio de protegerem-se de qualquer difamação,afinal, onde as coisas não são claras, a fumaça pode intoxicar.

Ninguém deve financiar uma instituição religiosa movido por chantagem, medo de penalidades espirituais ou como investimento particular à espera de retorno. Nem deve pensar que todas as igrejas agem como empresa visando lucro financeiro. Ainda há muitas igrejas que não se contaminaram com a paranóia do ter; ainda há pessoas que cultivam o altruismo e o senso de coletividade.

Não deixe de participar de uma igreja se estiver em crise financeira. Pastores que nos olham com um cifrão nos olhos são exceção. Lembre-se de que o melhor investimento é o que fazemos na vida espiritual, pois, como disse Jesus, “ a traça e a ferrugem não destroem e os ladrões não arrombam nem furtam” (Mt. 6.19-21). Seus efeitos, portanto, são eternos!

Vale lembrar, pra terminar, que, nos Estados Unidos, dinheiro dado às igrejas pode ser descontado na declaração de Impostos. Sendo assim, no início do ano, exerça seu direito de solicitar à Instituição para a qual fez doações, uma declaração do total contribuído, para apresentar ao “leão” norte-americano.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A um passo do olho por olho...físico (2005)

“Assíria não tem intenção de deixar a Igreja Batista, mas vai adotar preceitos judaicos em casa – a começar pela circuncisão do filho Joshua, 8 anos...” (Revista Veja, 26.01.2005, p. 76)

Coloco os pés em terras baianas, as mãos numa revista de circulação nacional e me deparo com a notícia acima. A informação não seria destaque na imprensa, se não estivesse relacionada à esposa de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, nem chamaria minha atenção, se não tratasse de pessoa com vínculos batistas. Assim, “santista” desde a era Pelé e batista “desde o ventre de minha mãe”, interessei-me logo pelo assunto.

Não pretendo colocar na berlinda a pessoa de Assíria ou questões políticas relacionadas a Israel. O foco é o problema teológico que emerge da referida afirmação, retrato de um fenômeno religioso crescente em nossos dias: a judaização do cristianismo.

Tenho a impressão de que esse fenômeno ganhou impulso a partir da formação do Estado de Israel. Devido à força econômica dos judeus residentes nos Estados Unidos e do uso da religião como amparo ideológico a ações políticas, a valorização teológica de Israel, para consolidar a formação do referido Estado, ganhou força própria.

Observa-se a partir da segunda metade do século passado, uma produção massiva de livros, revistas e textos avulsos relacionada aos judeus. Alem disso, Israel cria toda uma estrutura de turismo religioso, “embasada biblicamente”, dando origem `as romarias, inclusive evangélicas, aquele pais. As empresas de turismo passaram a usar pastores famosos como cicerones, atrairam clientela para viagens turístico-religiosas, aumentaram seus lucros e a teologia do Velho Testamento conquistou ainda mais o coracao do povo.

Paralelamente a isso, se desenvolveu um processo de bibliolatria sem precendentes. Para muitos, Jesus Cristo deixou de ser a chave hermenêutica de interpretacao da Bíblia. A expressão “a Biblia interpreta a propria Bíblia”, cujo significado poucos conseguem esclarecer de forma convincente, tornou-se um chavão com aparência de espiritualidade, mas de efeitos obscurantistas, medievais, incalculaveis.

Diante disso, morro de saudade de David Mein que defendia com ampla e sólida argumentação, ao ensinar Novo Testamento, que a Bíblia era nossa regra de fé e pratica, desde que interpretada `a luz do ministério de Jesus Cristo, registrado no Novo Testamento.

O caso de Assíria ‘e peixe miúdo diante, por exemplo, da multidão de pessoas que, dentro de um templo de igreja dita evang’elica, passa em fila por debaixo de uma tenda inspirada na Tenda do Encontro (Ex. 33.7-11), visando alcan’car prosperidade material e saúde física. Peixe graúdo seria a justificativa teológica das guerras com base nas carnificinas horrorosas, praticadas pelos lideres de Israel, em nome de Deus, no tempos da forma’cao dos textos sagrados judaicos.

Sou daqueles que defendem o direito das pessoas de crerem no que e da forma que desejarem. Respeitada a saúde individual e social – e, em tese, as leis existem para preservar isso – cada pessoa deve ser responsável, diante de Deus, por suas crencas. Porem, quando vejo casos como o de Assíria, falando em mesclar fé batista com preceitos judaicos ou a exploração comercial da fé através do uso de símbolos vetero-testamentarios fico chocado.

Penso que estamos precisando urgente de duas coisas: tornar mais acessível ao povo, pressupostos hermenêuticos que n~ao obscurecem a fe e, paralelamente, de um mergulho na carta de Paulo aos G’alatas. Se não fizermos isso, veremos em breve, sob justificativa b’iblica, a restaura’cao da pratica f’isica do olho por olho, dente por dente...(Dt. 19.21). Digo física, pois a psicol’ogica e política j’a foram restauradas e estão em pleno desenvolvimento.

Meu problema com livros (2005)

Eis meu problema: sempre que estou diante de um livro, não consigo abrí-lo sem primeiro saber qual é a editora.

Até já me disseram que, primeiramente, deveria ler a orelha, se tiver. Nela deveriam estar informações essenciais sobre a obra e seu autor. Depois, deveria dar uma passada de olhos pelo índice para verificar melhor os tópicos e assim ter uma idéia de como o assunto seria abordado. Porém, parece instintivo: basta estar diante de um para os olhos procurarem quem o editou.

Isso virou uma espécie de fixação. Se a editora for desconhecida, tento imediatamente saber quem são seus dirigentes. Se for conhecida e dependendo de qual seja, começo a me arrepiar só de imaginar aquele objeto nas mãos. Pode dizer que isto é preconceito ou até paranóia. Já tenho pensando muito nisso. Mas algumas razões geraram em mim tal reação.

A convivência com gente estudiosa foi me mostrando que hoje, especialmente no mundo religioso, lançamento de livro acontece ou visando lucro ou veiculação política de determinada corrente de pensamento. Obras que tentam contribuir para clarear algum tipo de assunto, publicada por editora evangélica, é uma raridade. Afinal clarear mais o que? Tudo já está claro. Basta reproduzir o que já está definido pelas denominações ou seus representantes!

Antigamente, veicular pensamento viria em primeiro lugar. Hoje, idéias estão em segundo plano, exceto aquelas que favorecem o enriquecimento através da “proclamação da palavra” ou combatem os que combatem a má distribuição de renda do sistema sócio-econômico vigente. Mas isso é outra história.

Quem procura literatura pelo simples prazer de ler, raramente vai encontrar em editora religiosa. É que, mesmo livros aparentemente interessantes, apenas a história e os personagens mudam. Basta conhecer a editora e já se sabe que a ideologia do sistema doutrinário e moral ao qual o autor se deixou pertencer vai transparecer. Assim, se o que se espera é relaxar, esqueça: o tempo todo sua cabeça terá que decidir se concorda ou não com o autor.

Costumo dar atenção para livros de produção editorial independente. São independentes porque ou o autor escreve muito mal ou seus pensamentos incomodam tanto que não há quem queira divulgá-los. Portanto, basta uma rápida olhada para definir se vale a pena ou não comprá-lo. Editoras cujas marcas são desconhecidas também produzem coisas interessantes para clarear assuntos.

Pior, porém, é quando o livro é publicação de editora que, por pertencer à instituição denominacional democrática, necessita acariciar politicamente pessoas a fim de que seus dirigentes trabalhem em paz. Em geral, respeitadas as devidas exceções, o perfil dos autores, em termos de influência denominacional, indica claramente que critério foi adotado na definição da publicação.

Diante disso, o mito de que ler é muito importante torna-se claramente relativo. Depende da editora que o publicou. Dependendo da editora, ler pode ser o caminho mais curto para “emburrecer-se”.

Voto analfabeto (2004)

O que você acha do voto do analfabeto, perguntou-me meu filho, um dia desses, enquanto batíamos um papo em família, após o almoço. Ele tinha em mente a letra da música “Perfeição” do Legião Urbana que, dentre outros dizia, ironicamente, “vamos celebrar...o voto dos analfabetos”.

Não sei a qual analfabeto se referia Renato Russo. Acho pouco provavel que a referência fosse à pessoa que somente não sabe ler ou escrever. Aquele que não sabe ler ou escrever também é um cidadão. Como os demais, paga seus impostos absurdos sem saber em que percentual, nem pra que é destinado, mas paga. E se não sabe ler ou escrever, pelo menos saber ouvir o que se diz e sentir o impacto das políticas econômico-sociais em sua vida.

Não sei, também, se referia-se àqueles que, conquanto tenham diploma superior, são analfabetos em política porque desconhecem como se dão as relações entre interesses divergentes que caracterizam toda sociedade; não têm idéia de como funcionam as estruturas administrativas dos poderes; não conseguem enxergar para além das notícias que são veiculadas nos meios de comunicação, nem percebem, por exemplo, a influência das decisões dos países mais ricos sobre a vida do pacato cidadão de Cabrobó ou Orobó.

Pra dizer a verdade, não sei quem, em política, é mais analfabeto: se o que não sabe ler ou escrever ou o que não sabe o significado do que lê ou ouve. Sim, pois saber ler é muito mais do que decifrar um código linguístico. Saber ler é interpretar significados, conhecer o contexto sócio-cultural em que as palavras são proferidas, visando perceber a intenção do escritor a partir da ideológia geral que defende.

Geralmente, somos analfabetos políticos. Nós evangélicos então, nem se fala. Durante anos proclamou-se que crente não deveria envolver-se com política, pois isso não era coisa para pessoas espirituais. Porém, os mesmos que assim nos adestravam, deitavam e rolavam na politicagem dos bastidores da denominação.

Hoje, muitos comemoram a participação evangélica na política. O fato porém é que, se há uma movimentação maior desse segmento na política, isso não se deve a uma tomada de consciência do povo, mas, com algumas excessões, à descoberta de benefícios particulares ou corportativos que a participação proporciona, àqueles que exercem liderança sobre “rebanhos”.

Sou defensor da participação evangélica na política, mas não por uma questão religiosa. Como meu amigo Bento Souto, acredito que a participação dos evangélicos na política, por razões religiosas, não produz nada melhor do que os fundamentalismos cristãos ou islâmicos tem produzido.

Devemos sim estimular nosso povo a participar, porque política é inerente ao ser humano e seu bom exercício pode favorecer o florescimento de valores espírituais, como justiça, liberdade, respeito mútuo... que produzem vida.

Sabemos que, em toda sociedade, estão presentes família, educação, economia, lazer, religião e política. O analfabeto político, porém, acredita que basta fortalecer uma dessas áreas para que os problemas do país se resolvam.

Por isso acredito que voto analfabeto não é somente o dos que não sabem ler ou escrever, mas também de graduados que preferem não se esforçar para ver além do que certos meios de comunicação, inclusive religiosos, divulgam.

Tentando tirar as traves dos olhos (2004)

"O neurótico é aquele que, tentando evitar o não-ser, evita o ser". (Paul Tillich)



Não escreverei àqueles que estão com os olhos pregados nas traves dos campos de futebol, nestes tempos de Campeonato Brasileiro, nem assunto relacionado à oftalmologia. Farei uma auto-crítica, bem ao espírito do ensino de Jesus quando disse: “E por que vês o cisco no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho? (Mt. 17.3).

Houve tempo em que, predominantemente, ser evangélico significava defesa da liberdade individual de interpretação das Escrituras; do acesso direto a Deus sem intermediários institucionais e, sobretudo, da vida debaixo da graça de Deus. Hoje, no formato mais visível, parece sinônimo de dependência de homens-show, de gurus com paletós, gravatas e maleta 007, e de obediência cega a crendices, legalismos, maldições hereditárias, mistificações e demônios de todos os tipos e gostos.

Parece-me que os sinais de neurose hoje são maiores. Neurose, segundo o Dicionário Aurélio, é uma doença nervosa sem lesão aparente. Pois bem. Basta um diálogo com ouvidos clínicos para percebermos ansiedades, medos, tensões em gente condicionada a se encaixar em milhões de regrinhas assassinas.

Se um texto bíblico combate a glutonaria, defendem logo jejum absoluto; se fala da infelicidade dos que se assentam na roda dos escarnecedores, optam pelo isolamento do mundo; se fala que não há comunhão entre luz e trevas, tentam criar guetos de lamparinas; se fala dos perigos da imoralidade sexual, combatem qualquer expressão de sexualidade; se fala de cobiça, anulam a capacidade de apreciar a beleza alheia; se diz que a Deus seja dada toda honra, não honram seus semelhantes nem a si mesmos; se ensina salvação pela graça, mediante a fé, desprezam as boas obras; se diz que a sabedoria humana é loucura diante da divina, então, palmas à ignorância...

Para esses, a Bíblia não é registro de experiências de pessoas com Deus; é um livro de regras. Se perguntarmos se já entenderam em profundidade a Carta de Paulo aos Gálatas, dirão que não, mas sabem de cor os textos de Levíticos, Êxodo, Números e Deuteronômio. São dez em memorização de textos isolados da Bíblia e zero em leituras sobre a Bíblia. Pouco se importam com o contexto histórico dos autores bíblicos, pois, primeiro, definem em que acreditam para, depois, pincelarem versículos que, aparentemente, apoiam suas crenças.

Sabe aquela história de se matar um piolho dando um tiro na cabeça? A lógica neurótica, neste caso, funciona assim: se um alcoólatra começou com um gole, então imponhamos abstinência absoluta para todos...Se um glutão começou com um prato, então jejum absoluto para todos...se uma relação sexual ilícita começou com um olhar entre duas pessoas, então, venda nos olhos de todos...Se o que faço pode ser mal interpretado por alguém, gerando mal testemunho, então tranquem-se todos em celas individuais de mosteiros...Se um descontrolado perdeu todo dinheiro no cassino, então proibamos que todos joguem dominó...Se um irresponsável atropelou alguém com seu carro, fechemos então a indústria automobilística...

Ele foi tão condicionado a se preocupar com o bom testemunho que quando precisa tomar decisão, em vez de perguntar: isso é saudável para mim e para os que me cercam? É manifestação de amor em seu sentido mais profundo? A criação de Deus está sendo honrada? Ele pergunta: o que os outros vão dizer? Será que o pastor-guru aprovaria?

Quando publiquei um texto sobre masturbação, recebi um e-mail de um jovem, casado há dois anos, que não conseguia se relacionar sexualmente com a esposa. Orientei-o a procurar apoio profissional de um psicólogo. Preocupado com o bom testemunho, ele informou-me que os dois psicólogos de sua cidade não eram evangélicos... Sendo mais urgente o problema da sexualidade, recomendei-lhe que fosse a uma cidade vizinha onde não era conhecido. O importante era começar o processo de cura...

Percebeu o quanto são neurotizantes, as traves desse modo de ser “evangélico”?

Protesto contra discriminação dos evangélicos (2000)

Durante toda a sua história, os evangélicos brasileiros foram vítimas de manifestações explícitas de discriminação na sociedade. Antigamente era até compreensível: por um lado, o país tinha uma religião oficial e a "democracia" era restrita; por outro, os próprios evangélicos com suas idiossincrasias, geravam reações contra si. Os tempos passaram, o monopólio religioso deixou de ser constitucional, brisas de democracia começaram a soprar, evangélicos passaram a se destacar por sua contribuição social porém, os resquícios da discriminação continuaram e continuam presentes.

Não é simples diferenciar se a discriminação se dá pelo espírito competitivo e preconceitos religiosos introjetados culturalmente nas pessoas; se é resultado de uma estratégia de marketing de guerra ou de desespero capitaneada por alguns que não aceitam a perda da hegemonia religiosa ou se, simplesmente, é fruto do desinteresse político daqueles que vêem na estrutura eclesiológica dos evangélicos, um obstáculo à dominação. Seja qual for o motivo, o fato é que a discriminação continua e pode ser constatada, com um pouco de atenção, especialmente na forma como certas notícias são veiculadas na imprensa.

O uso de dois pesos e duas medidas tem sido uma constante na associação do nome "evangélico" a personalidades de destaque. Se a personalidade é respeitada socialmente, omite-se qualquer vinculo que haja, com o mundo evangélico; se é criminosa, a associação ganha destaque. Por exemplo: por ocasião do centenário de Gilberto Freire, os principais veículos de comunicação, em alguns casos de forma gritante, omitiram a orientação evangélico-batista que norteou a formação do referido sociólogo, ex-aluno do Colégio Americano Batista, no Recife e a influência deste Colégio na sua ida aos Estados Unidos para estudos de nível superior. Outro exemplo tem sido o caso de Ariano Suassuna. Conquanto Ariano não esconda sua condição de ex-aluno, também do referido Colégio, geralmente a imprensa destaca somente sua passagem posterior, pelo Ginásio Pernambucano.

Porém, se associar ao mundo evangélico, o nome de personalidades respeitadas socialmente, parece ser intragável para alguns, o mesmo não ocorre quando se trata de criminosos. Tem sido comum a publicação de notícias - manchetes até - associando o nome "evangélico" a criminosos. É o caso recente do pedófilo que esquartejava meninos ou do deputado carioca que está arrumando emprego para o traficante Escadinha. Por que não se faz o mesmo com todos os criminosos, identificando sua orientação religiosa? Alguém sabe, por exemplo, a orientação religiosa do Juiz ou do Senador envolvidos no escândalo do TRT de São Paulo? ou do Deputado cassado e preso por envolvimento com o tráfico de drogas? ou do diretor de jornal que assassinou a ex-namorada em São Paulo? ou do banqueiro que fugiu para a Itália "protegido" por um Habeas Corpus? Não! Por que então, a discriminação dos evangélicos?

Certo evangélico, numa espécie de mecanismo psicológico de defesa, para amenizar a dor de ver sua identidade sendo denegrida, explicou que o motivo do destaque da orientação religiosa de criminosos dito evangélicos, se deve ao fato de que, ao longo da história, ser evangélico sempre foi sinônimo de honestidade, de retidão, de bons costumes... Portanto, por ser exceção, causaria "ibope", um criminoso ser identificado como evangélico. Isto explica mas não justifica. O que estamos contestando não é o fato extraordinário que representa um evangélico cometer ou não deslizes (especialmente depois que o conceito de evangélico foi elastecido, significando qualquer grupo religioso não alinhado com Roma). Nossa contestação é à forma discriminatória, sutil, como este modo de ser cristão - sendo evangélico - tem sido tratado por alguns segmentos da imprensa; nosso protesto é contra a presença crescente de ranços discriminatórios "no teclado" de alguns jornalistas.

Evangélicos no Recifolia (14.10.98)

Um Bloco carnavalesco de membros de igrejas evangélicas ficou com a responsabilidade privilegiada de abrir o Recifolia, o carnaval fora de época do Recife, de repercussões nacionais, inclusive pelo elevado consumo de drogas e álcool. Este fato colocou, de forma favorável, o referido bloco, nas manchetes dos jornais locais. Terá sido por acaso esta ênfase dada pela imprensa? Terá sido por acaso o "privilégio" de abrir o evento?

Antes de tudo, precisamos situar a relação entre o Recifolia e os evangélicos, no Recife. A participação de membros de igrejas evangélicas, em bloco ou não, no Recifolia, não é novidade. A novidade ocorreu em 1997, quando foi criado o Recifeliz, evento evangélico alternativo que, em sua primeira versão, estampou em out-doors, na cidade, aquilo que a imprensa destacou no Recifolia de 96: o elevado consumo de drogas. Tal denúncia e o oferecimento de espaço alternativo para os jovens, incomodou os organizadores do Recifolia. Seja pela atuação policial, seja pela sonegação da informação, o fato é que pouco se falou dos efeitos colaterais maléficos do Recifolia, após o evento de 97. Assim, o Recifeliz deu sua primeira contribuição positiva à cidade ao provocar, nos organizadores do evento, uma atenção especial ao problema das drogas.

Obviamente que, conquanto a reação evangélica, via Recifeliz, tenha sido positiva para a cidade, ela não foi vista com bons olhos pelo organizadores do Recifolia. Do ponto de vista econômico, motivo maior da realização do evento, a solução seria enfraquecer o pensamento evangélico(Recifeliz) que apontou os efeitos colaterais maléficos do evento e fortalecer o pensamento evangélico(Bloco carnavalesco) que, aos olhos dos organizadores, "abrilhanta" o evento, dando-lhe, até, um toque de ingenuidade e espiritualidade. Não por acaso, ao enfatizar a participação do Bloco de evangélicos, os meios de comunicação, também beneficiários do evento, criaram um antídoto contra o Recifeliz. Ao tirar o veneno da própria cobra, confirmou-se, mais uma vez, as palavras de Jesus: "os filhos das trevas são mais hábeis do que os filhos da luz".
Não tenho dúvidas de que os organizadores do Bloco de evangélicos são tão bem intencionados quanto os organizadores do Recifeliz. A diferença está na estratégia. As questões que levantamos são é: Qual ação encontra maior apoio e menor resistência na Palavra de Deus? Qual estratégia é mais positiva para a cidade? Qual ação promove um benefício maior com um custo menor? Qual estratégia causa maior mal-estar na comunidade cristã?

Uma coisa é a intenção dos participantes do Bloco de Evangélicos e a forma como eles se vêem no Recifolia; outra coisa é a forma como a imprensa induz a cidade a vê-lo no Recifolia. O que influencia a opinião pública é a visão da imprensa, por isso, a mensagem que fica para a cidade é: o Recifolia não causa problemas pois até os evangélicos participam ativamente.

Há uma parcela da população, maior do que a que participa do Recifolia que, conquanto não seja evangélica, conhece os princípios defendidos pelos evangélicos. Não há no Recifolia um Bloco de Católicos, um Bloco de Espíritas ou de outra religião. Logo, no pensamento desta parcela da população, alguma coisa está errada com a participação evangélica. Diante desta parcela, a imagem dos evangélicos é enfraquecida por deixá-la confusa quanto ao significado ser evangélico.

A presença do Bloco de Evangélicos, portanto, faz com que a parcela maior da população que não vai ao Recifolia, conclua que não há diferença entre ser evangélico ou ser folião. Assim, a diferença que é o que provoca atração nos não crentes, segundo Jonh Sttot(A contracultura Cristã), fica abalada e, portanto, a quantidade de não crentes que fica bloqueado contra a mensagem evangélica é imensamente maior do que o número de eventuais decisões ocorridas no Recifolia, pela ação do Bloco Carnavalesco.

Assim, resta apenas a tentativa de se passar uma imagem de que evangélico "não é quadrado", "bitolado", "alienado" etc. e, portanto, é feliz.

Seria interessante avaliar:
1. O custo-benefício da participação
2. O marketing religioso levado ao extremo
3. A atração do mundo pela diferença(Jonh Stott)
4. A religiosidade emocional

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Vira-vira na corrida pela Prefeitura de Salvador ?

Pinheiro em debate no auditório da Igreja Batista da Graça

Pois é, minhas amigas e meus amigos

Pinheiro começou a corrida pela Prefeitura do Salvador em lugar, com apenas 3 ou 4 pontinhos

Foi subindo, passou pra

Terminou o primeiro turno em

Continuou subindo e na primeira pesquisa publicada hoje, pelo IBGE, já está empatado com 44%

Mais uma semana e passará a ser o primeiro, justamente no momento decisivo????


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Evangélicos se encontram com o "Pr. Lula"

Foi em São Paulo, no Hilton Hotel-Morumbi.
A imprensa declara que a razão foi a perda de votos deste segmento, por Marta, no primeiro turno, em face de sua posição em relação aos homossexuais.
Ninguém resiste a um convite presidencial.
Afirmam, entretanto, os presentes, que foram por terem sido convidados, mas negam qualquer comprometimento político.
Entretanto, pela carência histórica dos evangélicos, que sempre viajaram em vagões de 5ª classe na política brasileira, não me admiraria que parte significativa deles abrisse mão da convicção digamos bíblica, em relação ao PL 122.06, em troca dos afagos do Presidente da República. Digo parte porque dentre os presentes os que conheço são sérios.

Senhor, tem misericórdia de mim!!!
(Foto uol)
Escrevi um texto sobre um encontro de evangélicos com Lula, já publicado n'O jornal Batista e disponibilizado em meu blog (http://www.coisasdavidadoego.blogger.com.br/index.html). Agora me interessa o lado "pastoral" de Lula.

Sentou com evangélicos, tem que orar!!!
(Foto uol)

Veja os destaques da matéria publicada na UOL:

"Juntos [Marta e ele], vamos trabalhar por todos que acreditam que existe um ser superior", disse Lula. "Todo mundo é filho de Deus, mas Ele olha para os que mais precisam. Assim tem que ser o político. Não pode governar só para as avenidas Paulista e Faria Lima."

O presidente voltou a evocar "a presença divina" ao comentar a crise dos mercados financeiros. "Com a graça de Deus, até agora a crise não chegou no Brasil. Vamos enfrentar a bicha [a crise] como ela merece ser enfrentada", disse. E declarou ainda que "Deus deve estar morando por aqui" para explicar a descoberta de grandes reservas de petróleo na costa nacional."...

A candidata prometeu flexibilizar a restrição às propagandas no caso de instituições religiosas e disse que "falta diálogo com os evangélicos" no caso da restrição ao barulho. "Igreja não é açougue ou supermercado. É preciso uma identificação diferenciada para as instituições religiosas", declarou a candidata, que terminou seu discurso com um "louvado seja Deus", bem no modelito evangélico."