terça-feira, 8 de maio de 2012

Missionário - 08.05.12 - 16/100 de 100 dias de oração pelo Brasil

É simples. Não há muito o que dizer.

Missionário é pessoa comprometida com uma missão. Não importa se a missão será executada na sala de sua casa, no galpão de produção da fábrica, no escritório da empresa, na praça de uma cidade, na sala de uma escola de ensino geral ou bíblico, numa sala de aconselhamento, no púlpito de uma igreja, enfim.

É simples. Não há muito o que dizer.

Missionário é pessoa que tem clareza de sua missão.  Jesus tinha:  "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos   e proclamar o ano da graça do Senhor" (Lc. 4.18-19). A clareza da missão é determinante para sua eficácia.

É simples. Não há muito o que dizer.

Missionário é gente como a gente, como muito bem disse o Pr. Samuel Meira Moutta, no roteiro de oração do livro "100 dias que impactarão o Brasil". Não é uma idéia, um mito. É gente que chora, que ri, que se irrita, que adoece, que fala, que silencia, que trabalha, que descansa, que tem libido, que lida com tentações, que paga contas e, como 90% dos brasileiros, tem renda insuficiente para pagar alimentação, habitação, vestuário, educação, lazer, saúde, transporte, água, luz, telefone...

É tão simples entender que precisamos complicar, para controlar.

Então, assim como os homens criaram o discurso da rainha do lar e com ele fugiram das responsabilidades domésticas, os crentes colocaram alguns dos seus irmãos num pedestal, chamando-os de missionários e, assim, fogem de suas responsabilidades no mundo. Eu pago as contas e você cuida da casa, diria o machista. Eu pago as contas e você faz a obra missionária, diriam alguns membros de igreja.

E pra não sobrecarregar o missionário, decidiu-se em gabinetes onde a teologia é e- labor -ada que seu trabalho é somente pregar a possibilidade de salvação do inferno e inclusão no céu, escatológicos, claro, e desafiar os ouvintes a responderem com as palavras mágicas: "eu aceito Jesus"!

Missão como caminhada solidária, como construção cotidiana, como interesse por todas as dimensões da vida humana, como discurso de amor encarnado nas simples ações do dia-a-dia? Isso é coisa do passado, mania de Jesus!

Na era da produção, do planejamento, da eficácia,  dos números, o que conta são os relatórios que confirmam quantas pregações ou estudos foram feitos, quantas visitas realizadas, quantos folhetos foram distribuidos, quantas pessoas compareceram aos cultos,  quanto foi a variação positiva do valor do patrimonio físico-financeiro, quantos batismos efetuados e quantas novas almas retiradas do inferno escatológico.

É simples assim: quem não tem relatório pra dar, ainda que dê a sua vida em favor do semelhante, não é valorizado como missionário. Não é aos olhos e aos interesses de quem?

Vamos orar pelos missionários? Comecemos orando por nós!

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 7 de maio de 2012

As nações clamam por Deus - 07.05.12 - 15/100 dias de oração pelo Brasil

        Gosto muito da expressão de Paulo, no Areópago, quando ele diz aos seus interlocutores: "Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio." Ela retrata uma realidade presente em cada ponto do nosso planeta.

Não é preciso muito exercício de leitura, observação, conhecimento, enfim para percebemos que, em todas as nações, há um sentimento comum de busca por uma aproximação com Deus que se manifesta das mais diversas maneiras.

Mas esse sentido de busca não é a única evidência de que todos os povos sentem necessidade de Deus. As evidências da falta de comunhão com Deus, manifestas na ausência de amor fraternal, de solidariedade, de justiça social, de respeito ao corpo e à vida, enfim, também demonstram a ausência do conhecimento de Deus.

Tais evidências não devem ser meras observações intelectuais, para serem apenas descritas ou debatidas academicamente. São indicadores de que há um clamor que precisa ser ouvido e atendido.

Cremos que  o Cristo dos evangelhos, não o cristianismo como se estruturou ao longo da história, responde plenamente a tais necessidades presentes nos corações de individuos e sociedades. Se isso tem sido verdade para nossas vidas, porque não compartilhar com aqueles que estão distantes, tanto quanto com os que nos rodeiam?

O indivíduo como alvo e Cristo como resposta aos seus anseios espirituais devem ser o motivo de nossa ação missionária no mundo. Se verdadeiramente o evangelho de Jesus chegar ao coração das pessoas, elas agirão como fermento que leveda toda a massa, exercendo forte influência, de diversas maneiras, no rumo das nações.

Há N exemplos de como pessoas, movidas pelo evangelho, fizeram profunda diferença nos rumos de sociedades.
Não defendo o pensamento que diz que as mudanças sociais ocorrem na medida em que cada indivíduo se transforma. Defendo que as mudanças sociais ocorrem quando indivíduos, movidos pelo amor de Deus, decidem ser agentes de mudança.

É equívoco identificar o tipo de estrutura religiosa dominante nas nações e oferecer a nossa estrutura religiosa como alternativa. Isso é um forte elemento gerador de conflitos, pois as disputas entre religiões que querem se impor podem ser equiparadas às disputas entre partidos políticos pela ocupação dos governos.

Se queremos responder ao clamor das nações, inclusive da nossa, que conheçamos, experimentemos e vivamos o amor de Deus manifesto em Cristo, permitindo e trabalhando para que seus efeitos alcancem as estruturas individuais e sociais.

Não são números, nem disputas religiosas que devem ser usados como motivação, ainda que isso nos impressione. Nossa resposta ao clamor das nações deve ser através de manifestações amorosas movidas pela resposta que demos à manifestação do amor de Deus em Cristo Jesus.

Estejamos, pois, atentos ao clamor das nações. Oremos por nossas vidas e participação na resposta a este clamor.

domingo, 6 de maio de 2012

Maturidade espiritual dos crentes - 06.05.12 - 14/100 dias de oração pelo Brasil

       Nessa alvorada de domingo, deste 14º dia de oração pelo Brasil, estamos aqui orando pelo amadurecimento espiritual dos crentes e nos comprometermos com esse pedido, pois nos comprometemos com aquilo pelo que oramos.

Primeiro, não estamos aqui pedindo pelo aumento na quantidade de pessoas que se declaram crer, mas vivem como se não cressem. Pessoas que, se usarmos as palavras de Tiago como parâmetro - "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem" (Tg 2.19) -, são piores do que os demônios, pois eles crêem e estremecem, mas elas ficam inertes.

Também não estamos pedindo pelo fortalecimento do acirramento político-ideológico dos "crentes" (no sentido politico-denominacional) em sua luta contra as denominações de raizes católicas, afros, asiáticas, islâmicas ou espíritas, por exemplo. Não é pela promoção do sentimento de guerra entre "crentes" contra o resto do país. Já basta vermos o que "crentes" de diversas religiões estão fazendo onde predomina a visão fundamentalista da religião. Não queremos isso para o nosso país.

O que pedimos neste dia é pela maturidade dos crentes. Maturidade que começa pela fé, como disse muito bem o Pr. Luiz Roberto Silvado, no texto do livro-roteiro "100 dias que impactarão o Brasil". A fé é a base de sustentação da nossa caminhada. É, como disse o autor aos Hebreus, "o firme fundamento das coisas que não se vêem" (Heb. 11.1). É o instrumento de acesso à graça salvadora de Deus em Cristo, no dizer de Paulo (Ef. 2.8).

A fé que, mesmo sendo do tamanho da menor das sementes, é suficiente para tornar-se uma árvores frondosa que serve de abrigo para pássaros (Mt. 13.32), Portanto, torna-se uma árvore que serve.

Tenho dito repedtidas vezes que, se precisasse escolher um parâmetro para distinguir um crente maduro de um imaturo, diria que o diferencial é a capacidade de servir.

A pessoa que alcança a capacidade de servir é alguém que superou o egoísmo e o egocentrismo. Alguém que, humildemente reconhece que não pode viver sem que alguém a sirva, mas também, e sobretudo, sabe que os que estão ao seu redor dependem de seus serviços. Que a vida é feita de manifestações de serviços amorosos. Num momento alguém vem e lava nossos pés com perfume e os enxuga com seus cabelos (Jo. 12.3), noutro fazemos questão de encher uma bacia com água para lavar os pés dos que conosco caminham (Jo.13.5). E assim, aprendemos que a maturidade está em sermos capazes de lavar os pés, uns dos outros, como nos ensinou o mestre (Jo. 13.14-15).

O serviço é a principal marca de nossa maturidade espiritual, simplesmente porque o que diferencia uma vida com Cristo de uma vida sem ele, não é a marca denominacional-religiosa; não são as pessoas com quem caminhamos; não é a quem nos aliamos na política religiosa (fundamentalistas ou liberais; conservadores ou moderados); não são as roupas - seja em termos morais ou de grife - que vestimos; não são nossos hábitos alimentares, nem o templo religioso que frequentamos. 


O que distingue uma vida "velha" de uma "nova", é o amor, como bem pronunciou-se João: "Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte." (I Jo 3.14).

Se os índices de violência, corrupção, desrespeito, enfim, não sofem redução, nas cidades e estados brasileiros onde as igrejas evangélicas apresentam índices de crescimento elevados,  isso é um forte indício de imaturidade espiritual.

Crentes maduros amam e porque amam servem e porque servem focam suas ações não numa competição insensata visando abocanhar uma maior fatia no mercado religioso, nem vivem em torno de um discurso escatológico. Simplesmente agem em busca de maneiras cada vez mais eficazes de manifestação do seu amor e serviço, visando uma vida melhor para todos, a partir do aqui e agora, a partir da reconciliação com Deus.

Oremos, pois, pela maturidade de nós crentes. Oremos, pois, pela maturidade espiritual dos nossos líderes crentes (mais até do que por sua competência técnico-executiva), a fim de que, movidos pelo amor que nos leva ao serviço, façamos diferença, para melhor, na sociedade brasileira e, assim, colaboremos na construção de um país melhor. 

sábado, 5 de maio de 2012

05.05.12 - 13/100 dias de oração pelo Brasil - Orando pela presidenta, seus ministros e secretários.

 Oramos, também, porque nos comprometemos com aquilo pelo que oramos.

Se há uma oração indispensável, essa seria pelos que exercem autoridade. Isso porque são pessoas que ocupam cargos e funções que foram projetadas por Deus para que tivéssemos "uma vida tranquila  e pacífica, com toda dignidade e piedade".

Não foi Deus quem elegeu Dilma, seus ministros e secretários. Deus elegeu o princípio de autoridade, seja na família, na igreja, na escola, na cidade, no Estado, no país, enfim. Quem elegeu Dilma fomos nós. Seus ministros e secretários foram eleitos por ela sob acordo com partidos políticos que seriam da base de sustentação política dela e seu governo.

Lamentavelmente a história recente demonstra que parcela significativa daqueles que têm ocupado a autoridade nos ministérios, fazem isso pensando não no bem estar do povo, mas nos interesses eleitoreiros dos partidos que representam, quando não na oportunidade de construir riqueza ilicita para si e aliados.

Observe que o texto que recomenda que oremos pelos reis  (I Tim 2.1-2), começa dizendo que devemos orar por todos os seres humanos. Se isso já era destacado numa época em que havia monarquia, muito mais num país onde o estado democrático de direito está estabelecido. Nesse contexto, a autoridade máxima a ser respeitada é o povo. Aqueles que ocupam os espaços onde prevalece o princípio de autoridade estabelecido por Deus, devem ter clareza de que seu papel é agir em favor do povo e não de si mesmos.

Vivemos numa democracia incipiente, onde a cidadania é frágil. Os cidadãos tem pouca participação na escolha daqueles que ocuparão os espaços de autoridade. Hoje elegemos pessoas pre-selecionadas em processos definidos dentro de cada partido e, portanto, poucos de nós participam deles. Em face disso foi preciso uma Lei - A lei da Ficha Limpa - que determina alguns critérios a serem adotados pelos partidos na seleção de seus candidatos. Se fôssemos pessoas esclarecidas, conscientes e participantes, não haveria necessidade de uma lei definindo a necessidade de "ficha limpa" para ocupar espaços de autoridade. Nós faríamos isso naturalmente.

Além disso, o acesso a informação não faz parte de nossa cultura democrática. Leis estão sendo criadas (A lei de acesso a Informação, entre em vigor em 16 de maio próximo) a fim de que isso torne-se realidade, uma vez que não há democracia saudável sem que os cidadãos tenham acesso à informação pública.

O engajamento de uma igreja deve ser demonstrado, então, não por orações de pessoas alienadas, em detrimento, em prejuizo do engajamento ético, em prejuizo da autoridade que temos para eleger os que devem ocupar os principais cargos e funções nos espaços de autoridade. Nossas orações devem se dar sob a compreensão de que a igreja deve ser a consciência do Estado e não uma ferramenta ou um curral eleitoral a serviço dos que ocupam o poder para interesses particulares ou corporativos.

Oremos sim por Dilma, seus minisitros e secretários, mas oremos muito mais por nós, para que tenhamos consciência do nosso papel social e lutemos pela construção de um país no qual as pessoas que ocupam espaços de autoridade o façam pelos motivos expostos por Paulo no texto bíblico citado.

Oremos por eles e ajamos, seja para apaudir as coisas boas que são feitas, seja para condenar o que contrária princípios éticos universais.

Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 4 de maio de 2012

04.05.12 - 12/100 dias de oração pelo Brasil - Trabalho com Dignidade

Nesta sexta-feira, 04 de maio, estamos sendo a convidados, pela Convenção Batista Brasileira, através do roteiro de oração do livro "100 dias que impactarão o Brasil", a orar por "Trabalho com dignidade".  

Percebe-se, então, que o pedido não é por qualquer trabalho. 

  O pedido é por trabalho "apropriado, conveniente, adequado, que está em conformidade". Ou seja:
 

Um trabalho que não contraria a ética.
 

Um trabalho perto de casa. 

  Um trabalho no qual o tempo investido não é desumano.  

Um trabalho cujo pagamento seja adequado não só ao conhecimento e energia investidos, mas à natureza espiritual humana.  

Um trabalho no qual o resultado econômico-financeiro seja compartilhado de forma justa entre proprietário do capital e proprietário da mão ou mente de obra.  

Um trabalho no qual os envolvidos sintam-se como seres humanos e não escravos ou animais.

Quando a oferta de trabalho é abundante, o indivíduo pode escolher o que melhor atende as necessidades da diversas dimensões de sua vida. Quando não, fica sujeito ao primeiro que puder suprir suas necessidades básicas e exposto até a submeter-se a condições que ferem sua dignidade ou a legislação vigente.  

Fui criado no interior paulista numa família cujos avós vieram da Espanha, na primeira metade do século passado, em busca de trabalho. (Justamente a Espanha que um século depois vive um momento no qual 50% dos jovens não têm emprego e que está indo às ruas manifestando-se pelo direito ao trabalho). 

  Fui criado, então, sob a ideologia do trabalho.  

Impressionava-me, por isso, há 8 anos, passar pelas ruas do Sul da Flórida e ver placas de ofertas de emprego que nas portas ficavam por semanas, pela abundância de oferta, depois de ter deixado pra trás um país com índices alarmantes de desemprego.  

Hoje, nossos indicadores melhoraram e os dos Estados Unidos, ainda que não tenham atingido metade da média experimentada por nós, tornaram-se assustadores para sua população. 

Com a inversão dos índices, percebemos que, do lado de cá, os indicadores apontam aumento na satisfação da população, enquanto do lado de lá, manifestações já acontecem pelas ruas do país.  

Isso simplesmente reafirma a importância do trabalho. Oremos, então, por mais trabalho. 

Incluamos, porém, em nossas orações, o pedido pelo modo e finalidade do trabalho, ensinado nas Escrituras: "trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade. " (Ef. 4.28).  

Oremos, pois, por trabalho com dignidade.

Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 3 de maio de 2012

03.05.12 - 11/100 dias de oração pelo Brasil - Testemunho Cristão na Sociedade

 Gostaria de chamar sua atenção para a diferença que nossas vidas podem fazer na sociedade.

Os indicadores sociais despertam nossa atenção para problemas na família (casamentos desfeitos por motivos fúteis, violência e exploração sexual dentro de casa); nas igrejas (a divinização do dinheiro que nos leva a participar dos cultos visando prosperar financeiramente, fato que estimula líderes religiosos a aproveitarem-se disso para ludibriar e nos torna mais mesquinhos no sustento das causas divinas); na administração pública (desrespeito ao cidadão, corrupção sistêmica); na iniciativa privada (o trabalhador é apenas mais uma ferramenta, mais um recurso a ser explorado na ânsia por acumular); na escola (desrespeito ao aluno, desrespeito ao professor); no cotidiano das ruas (presença alarmante de viciados e traficantes de drogas, assustador número de pessoas sem teto, total falta de respeito no trânsito), no meio ambiente (destruição irracional de rios e florestas pelo predomínio de filosofia consumista de vida) e assim por diante.

Diante disso, aqueles que se renderam ao chamado do Espírito de Deus, em vez de, orgulhosamente, ficarem num pedestal atirando pedras nos demais de denominação religiosa diferente, deveríamos, humildemente, colocar nossas vidas a serviço do Reino de Deus, norteando-nos por suas palavras, como por exemplo:

  " 22Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem que se corrompe por desejos enganosos,23a serem renovados no modo de pensar e   24a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.   25Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo.  26"Quando vocês ficarem irados, não pequem" Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha,   27e não dêem lugar ao Diabo.   28O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade.   29Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.   30Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção.   31Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade.   32Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo. "(Ef. 4.22-32)
Oremos neste dia por nossas próprias vidas, a fim de que nosso testemunho seja diferente, não, por exemplo, pela roupa que usamos ou os lugares que frequentamos ou com quem caminhamos, mas pelo amor que demonostramos, pois, como diz a Palavra: "Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte." (I Jo 3.14)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

02.05.12 - 10/100 dias de oração pelo Brasil -Colheita no mês de julho - Trans 2012

  Já trabalhei algumas vezes na colheita de café. É o período em que os cafezais produzem seu fruto e os trabalhadores vão de pé em pé, primeiro retirando-os com as mãos e deixando-os no chão; depois, usando um rastelo, montes são formados numa mistura com terra e folhas, por exemplo; em seguida são colocados numa peneira, peneirados e separados de toda sujeira; então são colocados dentro de sacos e levados para o terreiro onde secarão para, finalmente serem ensacados e recolhidos num depósito, de onde serão vendidos para serem torrados, moidos e consumidos..

A colheita ocorre porque pés de cafés foram plantados, adubados, molhados e, por isso cresceram e frutificaram.

Hoje, nossa oração pelo Brasil é no sentido de ver pessoas se envolvendo na colheita que será feita no mês de julho.

Colheita do que?

A palavra colheita aqui é usada no sentido de ver o resultado daquilo que se plantou.

A idéia, portanto, não é sair recolhendo pessoas para ensacá-las e colocá-las num depósito - também conhecido como templo - até o dia em que serão compradas - levadas para o céu. O que se pretende é que o amor de Deus, manifesto em Jesus Cristo, seja plantado no coração das pessoas, na esperança de que frutifique, tais pessoas se tornem amorosas, contagiem os semelhantes e assim vivam uma vida na qual reina o amor: a Deus, a si mesmo, ao próximo, ao meio ambiente, à vida, enfim.

Não se trata, portanto, de uma competição religiosa de mercado, na qual demonstraremos que somos capazes de conquistar pessoas para nos tornarmos mais poderosos do que outros grupos religiosos, mas de ajudar individuos a se encontrarem com o sentido da existência que se resume na palavra amor.

Os efeitos individuais, sociais e escatológicos são decorrentes do que se plantou e germinou no coração: a palavra da manifestação amorosa de Deus, em Jesus Cristo.

Em Julho, portanto, ao mesmo tempo que plantaremos a palavra amorosa encarnada de Deus - Jesus -, também colheremos a que já vem sendo plantada na vida de muitos.

Oremos, então, para que haja engajamento dos que já experimentaram o amor de Deus, neste grande período de plantio e colheita.

terça-feira, 1 de maio de 2012

01.05.12 - 9/100 dias de oração pelo Brasil - Lisura e Transparência nos contratos do Setor Público

 O texto de referência deste 1º de maio, para nossas orações pelo Brasil, no livro "100 dias que impactarão o Brasil", é de William Douglas, Juiz Federal, especialista em Políticas Públicas e Governo. O foco do texto gira em torno dos problemas das licitações no Brasil. Nenhum partido tem escapado deste e de outros problemas de corrupção.

Neste momento em que vai a julgamento o esquema chamado de "Mensalão", ganha as manchetas o esquema do "Cachoeira", empresário e bicheiro que, com o apoio do Senador Demôstenes Torres, paladino da moralidade no Congresso, lideraria, segundo a imprensa, uma verdadeira máfia desmontada pela Polífica Federal.

Somos, então, desafiados a afirmar que tais práticas são erradas e que, como cristãos, não devemos silenciar diante delas ou, muito menos, participar delas. O dinheiro roubado, além de ser crime em si mesmo, desvia anualmente bilhões de reais que deveriam ser aplicados em educação, segurança e saúde, por exemplo.

Mas devemos orar também pela Lei nº 12.527, também conhecida como Lei de Acesso à Informação, que entrará em vigor no próximo dia 16 de maio. Por esta lei "as administrações públicas federal, estadual e municipal, no âmbito dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), fundações e autarquias têm de garantir o acesso às informações sobre gastos e atividades, bem como serviços prestados para qualquer cidadão. As informações devem ser disponibilizadas na internet obrigatoriamente no caso de municípios acima de 10 mil habitantes"

E pra não ficarmos como aqueles que "vêem o cisco no olho alheio e não tira a trave que tem no seu", devemos orar também pela proposta de reforma no Regimento Interno da Convenção Batista Brasileira, elaborada pelo GT da Transparência Batista, visando redefinir que informações as instituições denominacionais devem fornecer ao povo batista nos relatórios apresentados às suas assembléias anuais. Este trabalho sofre resistências já há duas assembléias convencionais (Niterói e Foz do iguaçu) e, por isso, através de "pareceres jurídicos" o plenário sequer pode apreciá-lo.

Oremos também pelas reformas do estatuto da Convenção Batista Baiana, especialmente pelo Conselho Fiscal que tem sido enfraquecido através de duras criticas, correndo risco de, na melhor das hipóteses, perder poderes e autonomia, o que nos colocaria na contramão da história dos batistas e do Brasil.

Então, neste momento em que somos estimulados a orar pela transparência nos contratos públicos, oremos primeiro pela transparência em nossas instituições denominacionais (Igrejas, juntas, conselhos, escolas, enfim), a fim de que não sejamos vistos como aqueles que oram para que os outros façam, mas não fazem aquilo pelo que oram.

30.04.12 - 8/100 dias de oração pelo Brasil. Dependência química, um desafio...

Desde os tempos mais antigos da humanidade o ser humano procura meios para eliminar suas dores.

Tanto é assim que nos conselhos para o Rei Lemuel, o autor do livro de Provérbios aconselha: "Dê bebida fermentada aos que estão prestes a morrer, vinho aos que estão angustiados; para que bebam e se esqueçam da sua pobreza,
e não mais se lembrem da sua infelicidade." (Pv 31.6-7).

Outro exemplo disso é a narrativa de Mateus sobre a morte de Jesus: "Chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar da Caveira,e lhe deram para beber vinho misturado com fel; mas ele, depois de prová-lo, recusou-se a beber." (Mt. 27.33).

Portanto, o uso de drogas para aliviar as dores faz parte da cultura da humanidade.

Com a evolução do conhecimento químico e da medicina, o Estado passou a definir quais drogas poderiam ser usadas livremente, quais poderiam ser usadas mediante recomendação e acompanhamento médico e quais a fabricação e uso seriam proibidos.

A grande questão é que, com a evolução da tecnologia e a facilidade de fabricação de drogas cada vez mais potentes, elas passaram a ser usadas em larga escala visando o prazer pelo prazer e não somente para os caso de dores fisicas ou emocionais. E o que é pior, sem recomendação e acompanhamento médico e contrariando as leis do Estado.

O contrabando de drogas ilegais tornou-se um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente e, para mantê-lo, a violência o acompanha. Assim, além dos problemas decorrentes do uso irregular ou ilegal, ainda temos o efeito colateral negativo na vida da sociedade.

O uso de drogas legais e medicinais é uma bênção quando feito sob recomendação e acompanhamento médico sério ou uma maldição quando visa abafar as dores da nossa alma e é "receitado" por traficantes que agem na ilegalidade.

Ao orarmos pelos dependentes químicos, devemos nos lembrar que ele é, geralmente, ou uma pessoa imatura que iniciou apenas para experimentar, sem pensar nas consequências e tornou-se dependente ou uma pessoa enferma, frágil, incapaz de superar as angústias de sua alma, por isso recorre às drogas. Portanto, além de um trabalho sério de recuperação, um outro, de prevenção também deve ser desenvolvido por todos nós, a começar em nossa casa.

29.04.12 - 7/100 dias de oração pelo Brasil - O Senhorio de Cristo na vida dos cristãos brasileiros

Não tenho dúvidas de que a maioria dos membros da IBGraça está engajada na campanha "100 dias que impactarão o Brasil", orando diariamente, pelo menos um minuto às 12 hs. Muitos já colocaram o alarme de seus celulares para tocar regularmente naquele horário e até lembram-se uns aos outros por celular ou internet.

Mas é essencial também que cada um aproveite para rever sua relação com De
us em Cristo Jesus.

O texto de hoje do livro que está servindo de roteiro para orações, trata do senhorio de Cristo, algo desafiador numa época em que as liberdades e direitos individuais alcançaram tal avanço (positivo) que alguns não conseguem conciliar isso com a autoridade de Jesus em suas vidas.


Estamos tão decepcionados com as autoridades constituidas socialmente, com destaque para líderes religiosos e políticos, que pensar em obedecer uma autoridade é algo constrangedor.


Este é um momento que devemos aproveitar para refletir sobre isso e as implicações da ausência de compromisso com Deus, com o senhorio de Jesus em nossas vidades, individual e coletivamente.


"Por que me chamais: "Senhor, Senhor" e não fazeis o que vos mando?" Eis a pergunta de Jesus. É hora, então, de reavaliação.

28.4.12 - 6/100 dias de oração pelo Brasil - O compromisso de cada crente com a Grande Comissão

Depois do estágio (Mt.10) e de anos de convivência com Jesus, os discípulos são enviados ao mundo. As barreiras geográfico-culturais socialmente construídas por grupos de humanos não são obstáculo para uma notícia que vem do Deus de quem "é a terra e sua plenitude, o mundo e todos os que nele habitam" (Salmos 24.1). 
O evangelho não é uma notícia para beneficiar algumas pessoas escolhidas a dedo por Deus, muito menos pessoas de uma única organização social e política que chamamos país. O evangelho é uma boa notícia vinda de um Deus que aproxima pessoas de todas as terras, tribos e raças.

Mais do que isso: anunciar esta boa notícia não é atribuição de um clero, de um grupo hierarquicamente dominante na religião. Antes, assim como todos podem ser alcançados, todos podem compartilhar; todos receberam a graça de graça, todos podem, de graça, compartilhá-la.

Tal compartilhamento não visa apenas um ajuntamento quantitativo, mas qualitativo de pessoas. O evangelho visa promover uma nova qualidade de relacionamento com Deus, com os semelhantes e com o meio ambiente onde a vida se desenvolve. Essa aproximação qualitativa, quando efetivamente gerada pelo amor e graça de Deus nos corações, gera, consequentemente, um encontro que faz com que todos sejam participantes daquilo que o reino de Deus visa: alegria, justiça e paz no Espírito.

Oremos agora por cada um de nós, a fim de que participemos com alegria desta Grande Comissão. Que compartilhemos a fé através de nossa própria vida, bem como sustentando com orações e recursos materiais, aqueles que vão, onde não podemos ir.

27.04.12 - 5/100 de dias de oração que impactarão o Brasil - A paz na cidade

 Acompanhando a vida das cidades através de revistas semanais, jornais impressos, falados e televisados ficamos com a impressão que elas viraram um inferno. É inegável que os elevados índices de criminalidade (visíveis e invisíveis), a falta de gentileza no trânsito e o isolamento individual mesmo em meio à multidão são uma realidade incontestável nas grandes cidades. Mas é bom, quando lemoso texto "PAZ NA CIDADE", de Valdemar Figueredo Filho, no livro '100 dias que impactarão o Brasil' e encontramos:

"A conjuntura do Brasil contemporâneo não pode ser um ultimato para nos acovardarmos"

"A paz na cidade tem relação com a coragem na igreja"
"Tem choro que resulta em resignação, mas outros lavam os olhos para enxergar soluções"
"Vamos amargar o fatalismo que lava as mãos omissas ou engajar-nos?"

São palavras que nos desafiam, que nos provocam e nos apontam alternativas de reação.


O que você e eu, parte da igreja de Jesus Cristo, faremos diante das alternativas?

26.04.12 - 4/100 dias de oração pelo Brasil - A visão missionária da Igreja.

O imperativo mais divulgado de Jesus é o que nos manda fazer discípulos desde o lugar onde estamos até aos confins da terra.
Não vejo nenhum obstáculo no cumprimento deste imperativo.

As questões que devem ser motivo de oração em torno disso são:


1. Somos, de fato, discípulos de Jesus ou catecúmeno de igreja?

O catecúm
eno é o que se prepara (ou é preparado) para ser batizado pela igreja. Os conteúdos e objetivos a serem alcançados no ensino estão relacionados à instituição igreja. No discípulado, os ensinos estão relacionados á vida e ensinos de Jesus e o discipulando é desafiado a se identificar com isso. Isso faz imensa diferença em nossa ação missionária. Um deles é que, em vez de proselitismo ou competição religiosos produzidos por catecúmenos, o resultado será intenso interesse em ver pessoas com a comunhão com Deus refeita, agindo movidas pelo amor no mundo.

2. O objetivo do discipulado é preparar pessoas para aguardarem passivamente o dia de irem para o céu ou preparar pessoas para agirem como sal e luz, em todas as dimensões da vida humana, como resultado da reconcicliação com Deus?


Peçamos a Deus para encontremos a resposta adequada a essas perguntas, a fim de que a visão missionária da Igreja seja uma manifestação de amor ao próximo e não um empreendimento religioso proselitista movido pelas regras de mercado comercial.

25.04.12 - 3/100 dias de oração pelo Brasil - Evangelização de Crianças

Nos chocamos, mais uma vez, nesta semana, com a notícia de uma criança de menos de um ano que estava sendo abusada sexualmente pelo pai. Notícias assim ganham cada dia mais espaço. A criança que deveria ser alvo de cuidado e carinho, transforma-se em objeto sexual de adultos que, sem escrúpulos, ferem não somente seus corpos, mas também marcam pra sempre, negativamente, seus sentimentos.

A maioria desses casos acontece dentro da família e, inclusive, de famílias evangélicas. Muitas delas nem tem noção do que está ocorrendo e, somente quando orientadas, afirmam terem sido vítima de tais experiências.

Evangelizar crianças é muito mais do que falar-lhes de um céu futuro; antes, é ensiná-las, com exemplo de amor e trabalho, a seguirem nos caminhos de Deus. Se as ensinarmos o que é o amor de Deus, nos termos do Novo Testamento, ela saberá como é amada,como deve amar-se e como nós as amamos. Como isso todos nos beneficiaremos, por estaremos formando uma sociedade onde o amor reina.

Deus é amor. Por isso, evangelizar crianças e ajudá-las, em Cristo, a se identificarem com o amor de Deus.

Que Deus nos de sabedoria no trato com nossas crianças.

24.4.12 - 2/100 dias de oração pelo Brasil - Fidelidade aos princípios da Palavra de Deus.

 O fundamento de nossa fé é uma pessoa - a pessoa de Jesus - e o caminho da vida que buscamos se encontra num relacionamento - relacionamento com Jesus.

A Bíblia é um conjunto de textos cuja razão principal de ser, para nós cristãos, está no fato de revelar-nos a pessoa de Jesus.


Ainda que ela nos r
evele Deus manifestando-se como Criador e também como Consolador - o Espírito Santo - é na revelação de Deus em Jesus como Senhor e Salvador que está o motivo central da nossa relação com a Bíblia.

Ainda que dela extraiamos princípíos de conduta, tal extração, semelhantemente ao que ocorre, por exemplo, na extração de minerais da terra na qual separa-se cuidadosamente o mineral de outros materiais, também, na leitura bíblica como referencial de conduta, devemos separar cuidadosamente o que é eterno, permanente, do cultural, transitório.

Sem desprezar as manifestações de Deus como criador e consolador, estude sua Bíblia visando, primeiramente, conhecer mais a respeito da pessoa de Jesus. A relação com ele restaura nossa esperança. Na graça divina nele revelada, encontramos vida.

23.04.12 - 1/100 dias de oração pelo Brasil - Avivamento Espiritual

Podemos dizer que, num certo sentido, a mídia, especialmente a televisiva, tem promovido um avivamento sexual; o governo, um avivamento econômico; alguns políticos, funcionários públicos e empresários, um avivamento na corrupção; bancos, iniciam um avivamaneto nos créditos financeiros; pastores midiáticos estão promovendo um avivamento religioso que se manifesta em intolerância, moralismo hipócrita e enriquecimento patrimonial deles e assim por diante.

Quem se dispõe a fazer um avivivamento espiritual? Quem se dispõe a ouvir a voz de Deus? Quem se dispõe a ser instrumento de amor, graça, misericórdia e serviço? Quem se dispõe a viver e ensinar valores espirituais para que nossas mentes, corpos, relacionamentos interpessoais, políticos, econômicos, enfim, sejam saudáveis?

sábado, 28 de abril de 2012

Diretrizes para uma vida de oração

E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará; quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. (Mt. 6.5-8)

Considero essas palavras de Jesus as mais relevantes diretrizes sobre oração nas Escrituras. Elas contêm o essencial para que, não somente os objetivos, mas também nossos motivos sejam saudáveis ou, numa linguagem sacerdotal, santos.

Ele começa declarando que não devemos ser como os hipócritas. Aqui, a palavra hipócrita é usada como sinônimo de fariseu. Os Fariseus eram o maior partido político-religioso de Israel, portanto, maior do que Saduceus, Essênios e Zelotes.

Não se destacavam, entretanto, pela força política, mas pela hipocrisia. A respeito deles, Jesus declarou: “Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície.” (Mt. 23.27). Até a oração deles era usada com má fé: “Vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações.” (Mt. 23.14)

No contexto de comparação com a prática dos fariseus, que gostavam “de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos”, Jesus recomenda a privacidade. “Vá para seu quarto”, disse nosso Senhor.

Avaliando algumas narrativas bíblicas, encontramos Jesus despedindo-se da multidão (Mt.14.23), separando-se dos discípulos (Mt.26.36) ou recolhendo-se num monte (Lc. 6.12), para orar. Não que o quarto, o monte ou o isolamento tornassem a oração mais sagrada. Jesus orou com os discípulos no Monte da Transfiguração (Lc. 9.28); os discípulos oraram em grupo na escolha de Matias para ocupar o lugar que era de Judas (At. 1.23-25) e Paulo juntou-se ao grupo de oração liderado por Lídia (At. 16.13).

O lugar ou as companhias não são impeditivos, nem aditivos, à eficácia da oração. Não é este ou aquele monte sagrado, mas o coração consagrado (Jo. 4.20-23). No contexto das palavras de Jesus, a ênfase à privacidade visava contrapor-se ao uso político da oração. Quando não estamos sob holofotes, a opinião pública torna-se irrelevante; o sentimento se sobrepõe ao racionalismo; as palavras deixam de ser meio para impressionar o público e o discurso dá lugar ao eloqüente silêncio da alma que só pode ser decodificado pelo Espírito Santo (Rom. 8.26).

Assim, não há porque tornar-se repetitivo. “Não useis de vãs repetições” não tem a ver com a disputa político-doutrinária entre protestantes e católicos em torno dos conceitos oração e reza. Deus não nos ouve nem deixa de nos ouvir em função de definições ou articulações lingüístico-teológicas. Ele conhece nossas limitações cognitivas e discursivas, bem como nossas intenções, inclusive quando nem mesmo nós temos consciência delas.

Paulo tinha uma necessidade, orou três vezes e silenciou. (II Cor. 12.8); a viúva da parábola, pelo contrário, não parou de insistir enquanto não foi atendida (Lc. 18.3). É irrelevante discutir quem estava certo, nesses casos. Paulo revelava uma forte confiança e capacidade de adaptação a situações adversas (Fil. 4.11-13); a, viúva, uma forte perseverança diante de suas necessidades.

A questão não era a repetitividade em si, mas o falso pressuposto motivador: Deus atende a quem fala muito. O estudo de ensinos e casos bíblicos nos leva a crer que para Deus o importante em nossas orações não é a riqueza cultural, quantidade de vocabulário ou a entonação da voz, mas a humildade e sinceridade de coração. O fariseu falou muito vaidosamente de si e foi rejeitado; o publicano,que clamou humilde e sinceramente por misericórdia, foi abençoado (Lc. 18.13).

Por isso, não orar com hipocrisia, repetitivamente, para impressionar ou manipular pessoas ou Deus são diretrizes básicas para uma vida de oração. Quem as segue não tem garantia da resposta como deseja, mas encontra forças que resultam de corações que se sentem acolhidos e vivem pela fé na soberania e graça divinas.

sábado, 14 de abril de 2012

A questão do Conselho Fiscal em Instituições Batistas

Em setembro do ano passado produzi um texto sobre "Processo de elaboração de estatuto para igrejas batistas" . Um dos tópicos nele destacados tem a ver com a importância do Conselho Fiscal. Na ocasião os dirigentes d'O Jornal Batista entenderem que não deveriam publicá-lo, por isso disponibilizei-o na internet (através de http://vigiai.net/news.php  e em meu blog) .

Recentemente O Jornal Batista (Nº 9, de 26.02.12) dedicou uma página toda a  republicação de texto do Pr Isaias Lins, publicado anteriormente no Site "Vigiai" com teor fortemente desfavovável, ainda que não explicitado, à existência de Conselho Fiscal (ao enfatizar que sua existência não é uma imposição legal, que alguns conselheiros extrapolam em suas atribuições e agem de forma maliciosa e que a presunção de inocência não é observada).

O assunto, ao ser repercutido n'O Jornal Batista da CBB,  passou a idéia de que CONSELHO FISCAL é um problema generalizado, quando o texto retrata uma questão especifica e pontual entre parte dos dirigentes da Convenção Batista Baiana e parte do membros do Conselho fiscal desta convenção.

Ainda que reconheça os conflitos existentes, visível nas últimas assembléias da Convenção Batista Baiana e o desconforto que isso representa
e mesmo não estando em cargos nem de direção, nem de Conselho Fiscal na CBBA, defendi em plenário na Assembléia de Teixeira de Freitas que a instituição CONSELHO FISCAL é boa, necessária e deve ser preservada a despeito de problemas pontuais.

Nesse sentido produzi o texto que segue e enviei a'O Jornal Batista, por entender a importância do assunto para as  igrejas batistas, num país em que igrejas evangélicas são constantemente atacadas na mídia por problemas na área fianceira, além dos próprios problemas que a falta de fiscalização acarreta em qualquer organização. 

Sabendo, entretanto, que O Jornal Batista recebe muitos textos e presumindo que a probabilidade dele ser publicado a curto prazo poderia ser reduzida, coloco-o aqui para conhecimento.

Caso entenda que o assunto seja relevante, por favor reencaminhe-o, via e-mail, a fim de que as di-versas opiniões possam ser conhecidas. 
A questão do Conselho Fiscal em Instituições Batistas
Edvar Gimenes de Oliveira
Pastor da Igreja Batista da Graça, Salvador,  BA

Já havia lido o artigo do Pr. Isaias Lins – como geralmente faço com seus textos - quando foi publicado pela primeira vez na internet. Agora, ao lê-lo novamente na republicação feita pel’O Jornal Batista senti-me motivado a pensar um pouco mais sobre o assunto e expor minhas primeiras considerações.

Declaro inicialmente que, se não me trai a memória já não tão jovem, não faço nem nunca fiz parte de Conselho Fiscal em instituições denominacionais. Mas, sou um defensor de tais conselhos.

Um Conselho Fiscal não está acima do bem e do mal. Pode até ser que, eventualmente, algum de seus componentes, em alguma organização, aja maliciosamente, mas isso seria exceção. Se algum componente de Conselho extrapolar as atribuições, que se corrija o erro pontual, mas jamais enfraqueçamos a instituição Conselho Fiscal.

Tenho agradecido a Deus a existência de Conselho Fiscal nas instituições por mim presididas, especialmente quando seus componentes são profundamente meticulosos. Na I. B. da Graça, ele responde diretamente à Assembléia. O Conselho Diretor tem o direito de tomar conhecimento prévio, mas não de interferir no parecer. Isso aumenta sua credibilidade junto aos membros e nos ajuda a aperfeiçoar a qualidade do trabalho realizado na área financeira. Se alguém agir comprovada e objetivamente com maldade, que seja julgado pela maldade.

Minha limitada mente, não consegue me ajudar a ver os prejuízos que um administrador bem intencionado, interessado em fazer o melhor com a melhor das intenções, de forma transparente, possa ter. A intenção e o empenho histórico do dirigente dedicado e honesto são o mais eficiente antídoto contra eventuais desgastes políticos e emocionais que o administrador possa sofrer nas mãos de fiscal malicioso. As palavras de Pedro podem ser utilizadas nesse caso: “Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis;” (I Pd 3.14)

O Conselho Fiscal existe não para proteger ou prejudicar o administrador, mas para preservar a instituição de falhas técnicas causadoras de prejuízos ou de pessoas, inclusive boas, que, eventualmente, sucumbem à forte tentação exercida pelo dinheiro.

Poderia contar aqui casos emblemáticos que vivenciei em organizações batistas, praticados inclusive por membros de igrejas, de falsificação de assinatura, roubo de alimento de cantina, inserção em boleto de desconto de mensalidade escolar para amigos, acréscimo de horas-extras indevidas em folha de pagamento, desvio de cheques de dízimos e ofertas, enfim.

Não sendo ilegal a adoção do Conselho Fiscal, os motivos para sua existência ou não em uma organização batista devem ser avaliados não por razões particulares, mas pelos benefícios gerais à instituição e aos interesses de seus mantenedores.

Não nos enganemos: a discriminação no trato de igrejas, vejam só, ao lado dos interesses de partidos políticos, no Código Civil, não foi de todo boa à causa evangélica. A igreja que pastoreio tem sido visitada por fiscais da Receita Federal já por duas vezes (e em nenhuma delas, irregularidade foi encontrada). Incomoda, mas louvo a Deus e desejo que fiscalização desse tipo possa ser feita um dia em todas as instituições do país, especialmente nas públicas. Quando o assunto é dinheiro, a administração dele não deve ser regida por sentimentos ou falsos pressupostos, mas por critérios objetivos, aplicados a todos os que nela estão envolvidos.

A presunção de inocência ou de culpa jamais deve ser usada como critério para adotar-se ou não um Conselho Fiscal. Ela não é absoluta, ainda que seja constitucional. Há correntes da teologia, por exemplo, que defendem a presunção de culpa como inerente ao ser humano desde seu nascimento. Há milhares de pessoas – empobrecidas em sua maioria - que são presas e assim permanecem por decisão judicial antes mesmo de serem julgadas. Onde fica a presunção constitucional de inocência?

Uma instituição define ter um Conselho Fiscal não pela presunção de que o administrador A ou B é ou pode ser culpado, mas porque a história comprova que dinheiro é uma das mais fortes tentações humanas e a relação indevida com ele ocorre, inclusive em organizações religiosas.

O casuísmo, portanto, jamais deve reger a definição de ter-se ou não um Conselho Fiscal.