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sábado, 14 de julho de 2012

Avivamento Missionário - 14.07.12 - 83/100 dias de oração pelo Brasil

Avivar é recuperar, restaurar a vida. Avivamento missionário deveria ser a capacidade de recuperar, de restaurar a missão. Digo deveria, pois a história recente indica que resumimos missão ao trabalho da proclamação de uma mensagem com efeitos sobre uma palavra - a palavra alma - e não sobre uma pessoa - o ser humano e sua vida multidimensional - com repercussões somente em outro tempo e local, o futuro, o céu.

A lógica do paradigma predominante de avivamento é um individuo "ganhando" mais um indivíduo, que "ganha" mais um indivíduo, que "ganha" outro indivíduo", que "ganha" mais um indíviduo ...

Além disso, a missão que pretendemos avivar, não é a missão dos atos de Jesus. O paradigma que se busca recuperar é o dos atos dos apóstolos. Uma coisa é estudar a vida de Jesus, seu caráter e ensinos e orar e trabalhar para que isso seja restaurado em nós; outra, tomar a vida dos apóstolos para avivá-la em nós. 


A diferença é que, os atos dos apóstolos, conquanto estejam relacionados à missão de Jesus, são uma manifestação inicial e incompleta do que a convivência de Jesus fez nos discípulos. Em Jesus vemos a manifestação completa da missão a ser avivada. Daí os primeiros discípulos terem investido tempo no registro da vida de Jesus e na reflexão teológica sobre ela, registros conhecidos hoje como Novo Testamento.

A questão é que o paradigma "atos dos apóstolos" é mais facilmente adaptável ao mundo em que vivemos do que o paradigma "Jesus". Os atos dos apóstolos evidenciam ação com resultados imediatos em termos de números de decididos e de igrejas. Os atos de Jesus evidenciam trabalho artesanal, de burilamento de vidas, com efeitos mais demorados, porém profundos, extensos e duradouros.

Somos a sociedade da velocidade, do descartável. Nos empenhamos na pressa para obter resultados na proclamação e "descartarmos" pessoas tão logo elas declarem crer. Crendo, basta que os novos declarantes memorizem que a missão deles é levar outros a declararem que crêem. Alcançado esse objetivo, seu único trabalho com o declarante é que ele memorize que deve reproduzir uma única ação: levar outro a declarar o mesmo.

 Nesse estágio a missão com o novo declarante, novo decidido ou crente novo, terminou e ele já pode ser "descartado", ou seja, ser deixado só, na missão de conquistar novos declarantes. O importante é que o resultado - pessoas declarando que crêem - se multiplique.

Os apóstolos conviveram pelo menos 3 anos com Jesus, aprendendo com seus exemplos e palavras, o sentido do viver, os valores com os quais deveriam estar comprometidos e as ações que deveriam ser desenvolvidas em favor do próximo.

  No avivamento missionário em evidência, investir tempo conhecendo a vida e ensinos de Jesus é desnecessário e até prejudicial ao modelo reprodutivo em série. Evidência disso é que, no processo de identificação de avivamento raramente se inclui o verbo preparar. Preparar é apenas um detalhe que se resume em aprender técnicas que nos ajudem a levar mais e mais pessoas a "declararem" a fé em Jesus.

Investimento pesado, portanto, é feito na mobilização para envolvimento de pessoas e levantamento de recursos e capacitação para a reprodução, visando resultados imediatos. Não há tempo, nem dinheiro a perder com estudo, exceto se for de técnicas de resultados imediatos. 

Investimos em Coentro, não em Carvalho.

Sonho com um avivamento missionário. Ele gira em torno do conhecimento e vivência da vida de Jesus. Se desdobra em pessoas apaixonadas e comprometidas com Jesus, agindo segundo seus dons onde estão inseridas no cotidiano. Sua ação é, primeiramente testemunhal e, como teria dito São Francisco de Assis, se necessário, usando palavras.

Testemunho de vida em primeiro lugar.

No testemunho dos 72, ao retornarem do estágio missionário, não foi evidenciada a quantidade de decididos. Diante da manifestação empolgada com o poder do nome de Jesus ("Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome".(Lc. 10:17)), eles ouviram de Jesus: "alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus". O fato a ser enfatizado é a alegria de pertencerem e serem norteados por Deus.

 Gosto de movimentos, eles me empolgam e coopero da forma que tenho aprendido e crido. Gosto mais ainda, quando estão a serviço do testemunho e não somente do anúncio da vida de Jesus. Por isso, o avivamento missionário para o qual me convido e te convido-o a orar é o que visa restaurar, recuperar a vida amorosa de Jesus em nós e sua presença iluminadora em indivíduos e estruturas de sustentação da vida.

Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Vocacionados - Obreiros para a Seara - 28.06.12 - 67/100 dias de oração pelo Brasil

O que é exatamente vocação? Como ela se dá? Podemos dar diversas respostas para essas perguntas, mas a experiência é tão individual e subjetiva que dificilmente encontramos um padrão que enquadre todas as pessoas. O que sabemos é que as pessoas que se declaram vocacionadas, geralmente afirmam que são movidas por uma voz interior, por sentimentos interiores profundos que, se disserem não, se sentem como se estivessem sendo desobedientes. Mesmo sendo bem sucedidas em sua caminhada de vida, atuando fora da "vocação", sempre se lembrarão de que não fizeram o que acreditam que deveriam ter feito.

Vocação não é uma faca colocada no pescoço de alguém que, ou responde positivamente ou morre. Mas, certamente, quando se consegue unir vocação e sustento econômico a pessoa se sente muito mais feliz.


Honestamente falando, não creio que vocação seja experiência exclusiva do universo religioso. Entendo que vocação é uma experiência espiritual, que brota no coração humano, fruto não de uma determinação, de um destino, mas da coincidência de uma série de fatores que envolvem o desenvolvimento da vida de um ser humano, que acabam por levá-lo em determinada direção. Tal "coincidência" faz parte da projeto vida - obra divina - tal qual a vida é.


Não excluo, claro, situações excepcionais nas quais uma pessoa declara ter ouvido a voz de Deus, fato que a impulsionou a tomar determinada decisão atípica e a escolher determinado caminho. Quando isso ocorre, as consequências são tão notáveis que é muito difícil provar que não houve uma vocação "extra-ordinária". Tome-se como exemplo o caso de Abraão que, tendo ouvido a voz de Deus (e ninguém sabe como isso se deu), iniciou uma peregrinação que culminaria não só com o surgimento de uma das nações mais emblemáticas da história da humanidade, mas também da qual originaria o homem que mais influenciou e continua influenciando pessoas: nosso senhor Jesus Cristo.


Creio também na vocação de uma coletividade. Isso se dá quando um conjunto de pessoas têm sentimentos semelhantes em relação a determiniada situação e decidem agir cooperativamente no sentido de realizar a "chamada".


Porém, o mais importante aqui não é discutir o mérito da vocação, mas estimular pessoas a serem sensíveis à voz que vem do coração. Não de forma irresponsável, irrefletida, bruta, mas de forma tranquila, consciente, em espirito de oração, de comunhão com Deus. Além disso, ao ouvirmos esta voz interior, este chamado que brota da alma, entendamos que isso não significa que não precisemos nos preparar para concretizar o chamado. Jesus e Paulo, por exemplo, tiveram seu tempo de preparo. Os discípulos de Jesus tiveram seu tempo de preparo. Vocação, portanto, não indica que um preparo seja desnecessário. Pelo contrário, ela nos motiva ao aperfeiçoamento, a fim de que os resultados de nossa ação sejam eficientes e eficazes.


Precisamos muito que mais pessoas sejam sensíveis à voz de Deus no que se refere à ação no mundo. Não apenas para dirigir instituições religiosas ou executar programas de expansão da fé, mas sobretudo para agir como sal e luz do mundo. Assim podemos contribuir no sentido de construirmos uma vida onde reina o amor e todos os seus efeitos, seja em relação a Deus, em relação a si mesmo, em relação ao próximo ou ao meio ambiente onde a vida se desenvolve.


Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Povos Ribeirinhos da Amazônia - 04.06.12 - 43/100 dias de oração pelo Brasil

O estímulo aos batistas brasileiros para orarem hoje pelos povos ribeirinhos da Amazônia é um indicador importante do Deus a quem as igrejas batistas do Brasil se empenham em servir. Explico com um caso.

Há alguns anos participei do processo de plantação de uma igreja numa comunidade extremamente empobrecida de uma região metropolitana. Na caminhada, conversando com um pessoa, fui informado de que determinada igreja havia se instalado lá, mas resolveu fechar suas portas porque o retorno financeiro não justificava o investimento feito.


Mamon - palavra hebraica que pode ser traduzida como dinheiro -  era o deus dessa igreja. O objetivo dessa igreja não era alcançar pessoas para abençoá-las, mas alcançar seus bolsos para  explorá-los.


Quem conhece as regiões ribeirinhas da Amazônia (tive este privilégio porque Gláucia é do Amazonas e já preguei em 4 igrejas daquele Estado, além de outras de mais 5 estados da região amazônica), sabe que, se alguém vai até seus moradores pensando no dinheiro que deles pode tirar, ficará decepcionado. Só tem interesse de investir em tais regiões quem é norteado pelo amor de Deus, não pelo amor ao dinheiro.


Quem se dispõe a ir, sabendo das condições de vida daquelas populações, o faz por uma profunda consciência de missão, inclusive porque são pessoas de quem pouco se fala e pouco são incluidas nos discursos de reflexão teológica ou de motivação missionária, como é o caso dos toxicômanos, dos sem-teto ou sem-terra, por exemplo.


Admiro, portanto, quem se dispõe a deixar grandes centros urbanos para compartilhar  a fé, o amor e a esperança, de diversas maneiras, com pessoas destas regiões. O mínimo que podemos fazer é orar por quem lá reside e por quem se sente vocacionado a ajudá-las. Participemos, então, do esforço cooperativo para que suas condições de vida, inclusive espiritual, possa ser alterada para melhor.


Abraços do seu pastor,

sábado, 2 de junho de 2012

Nordeste, o desafio que clama: "Quem me valerá"? - 02.06.12 - 41/100 dias de oração pelo Brasil

Já declarei meu amor pelo nordeste, em texto disponível neste blog. Porém, são os mais de 30 anos vividos na região, tendo nascido e criado no interior paulista (e Gláucia no interior do Amazonas), e recebido várias consultas para exercer o ministério em outros lugares, que atestam o que declaro nesse texto. Aqui nasceram nossos dois filhos e somos, portanto, nordestinos por opção.

Na condição de pastor e atuando em cargos e funções de liderança denominacional, conheço todas as suas capitais (morei em 3 delas) e uma infinidade de cidades pelos interiores
da região, exceto de dois estados. Posso dizer, portanto, do que há de belo e do que há de doloroso produzido muito mais pela postura ético-político-administrativa das lideranças do que pela índole da população (e muito menos pela idolatria, como certo professor norte-americano tentou nos convencer).

Convivi com a religiosidade do sudeste brasileiro, inclusive observando as romarias feitas, por exemplo, a Aparecida do Norte, por isso me incomoda as referências, geralmente condenadoras, pejorativas até, quando o assunto é nordeste.


 Pouco se fala da "pobreza religiosa" e das lendas que também permeiam o imaginário de habitantes de regiões interioranas dos estados mais ricos econômico-financeiramente.

O tom usado por alguns, quando se referem a um tipo de religião presente na Bahia não é o mesmo quando a referência é ao Rio Grande do Sul, onde a presença deste tipo de prática religiosa é até maior.

Alguns nem se dão conta de que o viés ideológico-cultural em nós introjetado, movido por preconceito econômico-financeiro, fala mais alto do que a realidade.
E nós, do lado de cá, ouvimos, pouco avaliamos, pouco reagimos. 

Já desenvolvi ojeriza a vídeos que usam a condição empobrecida na qual muitos vivem, visando levantar oferta sem objetivo claro e inequívoco de intervir em tal condição. Chega de oferecer a convivência com um inferno presente em troca de um céu futuro. A questão aqui não é a teologia do céu ou do inferno, mas a psicologia temporal e a ideologia política que tem norteado a visão resumida na frase: a desgraça presente do outro não merece atenção, em face da glória celestial futura.

O Deus revelado em Jesus quer que tenhamos vida plena, sem exclusão ou supervalorização de quaisquer de suas dimensões
, caracterizada por amor, justiça, comunhão, solidariedade. A definição de uma escala de valores dessas dimensões visando omissão na defesa da importância e ação em favor de alguma delas é diabólica.

Hoje, ao orarmos pelo nordeste, reflitamos diante de Deus sobre como nossos pensamentos, sentimentos e ações podem ser usados para ajudar na mudança da qualidade de vida desta região
, pelo menos em nosso raio de influência, pois ela também faz parte do mundo amado por Deus.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Como sua oferta faz Missões - 18.05.12 - 26/100 dias de oração pelo Brasil

Um dos diferenciais da maioria das igrejas batistas que eu jamais imaginei que um dia precisasse enfatizar, são os princípios que norteiam sua administração financeira.  

A ênfase neste diferencial não se dá em função dos membros da igreja. É uma necessidade de pessoas habituadas a ouvir que alguns donos de "igrejas particulares" estão se enriquecendo de maneira assustadora, sem qualquer pudor.  

Conquanto reconheça a importância  de enfatizar o princípio norteador da administração financeira da maioria das igrejas batistas, tenho a convicção de que não é este o motivo que leva pessoas a contribuirem. Isso pode até influenciar, mas o que leva uma pessoa a contribuir é o amor que ela tem pela obra missionária da igreja.  

Quando falo de obra missionária, não me refiro ao sentido que predomina na cabeça de alguns: enviar missionários para falarem do céu e do inferno, muito mais do inferno do que do céu, e plantar igrejas como se isso fosse um fim em si mesmo. Falo da identificação que cada pessoa tem com a vida e missão de Jesus e sua reprodução no cotidiano. 

Alguns textos expressam claramente o modelo de vida e a missão de Jesus. Exemplos:  

"Sabem o que aconteceu em toda a Judéia, começando na Galiléia, depois do batismo que João pregou, como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder, e como ele andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo Diabo, porque Deus estava com ele. (Atos 10.37-38)  

"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor"  

Falar, então, de como nossa oferta faz missões, é falar de como cada centavo aplicado pode resultar na reconciliação de pessoas com Deus e suas repercussões, individuais e sociais, no tempo e no espaço. É falar de como os recursos financeiros são aplicados em favor da reprodução da vida de Jesus em nossas vidas, na vida dos que nos cercam e na vida da sociedade na qual estamos inseridos.  

Portanto, sustentar financeiramente  pessoas conhecidas como missionários, que se dedicam exclusivamente à proclamação, ao ensino, ao serviço em prol do semelhante,  é uma estratégia muito importante, mas não é, jamais, a razão última da ação missionária de uma igreja.  

Quando me deparo com pessoas que não contribuem financeiramente para a obra missionária da igreja (repito: não restrinja isso a campanhas  para levantamento de ofertas) jamais levanto a hipótese disso se dar por pobreza financeira da pessoa. Isso se dá por pobreza espíritual. Tenho convivido com pessoas empobrecidas que estampam um imenso sorriso no rosto cada vez que entrega uma moedinha para cooperar com o ministério missionário da igreja. (Da mesma forma que conheço outras, enriquecidas, cujos bolsos são tão travados quanto seus rostos, quando o assunto é contribuição financeira).

  Neste dia em que oramos pela obra missionária, oremos por nosso enriquecimento espiritual, pelo fortalecimento de nossos compromissos com o reino de Deus, a fim de que nossa participação no sustento financeiro, ainda que pequena, seja uma expressão da riqueza de nossa relação com Deus.

Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Missões Indígenas no Brasil - 17.05.12 - 25/100 dias de oração pelo Brasil

Sou um quase total analfabeto em relação às questões indígenas.

O material mais contundente que já li (na década de 80) a respeito dos sofrimentos impostos aos índios, foi "As veias abertas da América Latina" de Eduardo Galeano, escritor uruguaio.


Apenas acompanho, através dos meios de comunicação, questões relacionadas à demarcação de terras e à preservação do meio ambiente onde vivem.


Da evangelização deles, leio, vez por outra, críticas dirigidas a missionários, especialmente estrangeiros, que usariam a atividade missionária como meio de acesso às terras onde vivem e ao que delas poderiam levar para seus países. Também chama a minha atenção comentários de intelectuais, especialmente antropólogos, a respeito da invasão cultural nociva da qual seriam vítimas.


Disso sou apenas um leitor esporádico, sem aprofundamento suficiente para me atrever a emitir juizo de valor.


Do trabalho batista, acompanho o que é publicado a respeito da dedicação
do pastor Guenther  Carlos Krieger (Ex.: http://www.jmn.org.br/noticias.asp?codNoticia=1264&codCanal=38 ). Ele é um referencial de inteligência, humildade, dedicação, abnegação e serviço.

Segundo o Pr. Valdir Soares da Silva e Ana Maria Pereira da Silva publicaram no roteiro de oração, no livro "100 dias de oração pelo Brasil", hoje são 616 mil índios no Brasil, dos quais 48% já vivem em regiões urbanizadas e 52% em aldeias. Outros dados interessantes foram por eles publicados.

Atuar entre eles não gera visibilidade, nem dá retorno financeiro. Dái não ouvirmos falar da presença de igrejas midiáticas entre eles.

O amor que afirmamos ter por eles, deve ser o mesmo que afirmamos ter por aqueles que nos rodeiam.

Enxergá-los como seres humanos e respeitá-los nessa condição deve ser o motivo de toda e qualquer ação a eles direcionada.

Caminhar com eles visando mútuo aprendizado e não uma imposição unilateral, prepotente, do nosso sistema de vida parece-me ser o correto.

Orar por suas vidas deve ser um compromisso nosso.

Assim penso quando, neste dia, oro por eles e pelas missões indígenas no Brasil.


Abraços do seu pastor,

Edvar



Ato Público em Salvador.jpg
Está chegando o dia 18 de Maio: dia Nacional de combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Vamos para a rua falar sobre o assunto,  distribuir panfletos sobre a necessidade da prevenção da violência com crianças e adolescentes e realizar a vacina simbólica - Um trato pelo bom Trato - em que as pessoas são abordadas por crianças e adolescentes sobre a necessidade de agir na defesa deles e delas.
Lucy Luz

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Região Sudeste do Brasil - 16.05.12 - 24/100 dias de oração pelo Brasil

Hoje estamos sendo conclamados a orar pelo Sudeste. Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo são os estados desta região.

O sudeste ganhou novo posicionamento na visão estratégica da Junta de Missões Nacionais. Na atual direção uma alteração foi feita em seu foco. Se o critério percebido anteriormente, para envio de missionários, era o das necessidades e desafios sócio-econômico do local, hoje, parece-nos, leva-se em conta a quantidade de habitantes, o maior desenvolvimento local e a repercussão que isso possibilita.

É como se a Junta de Missões Mundiais tirasse o foco da América Latina ou África e o colocasse nos Estados Unidos, por exemplo. A lógica, portanto, parece-nos, é a mesma do mercado empresarial.

Faço esse destaque não com o objetivo de emitir juizo de valor, mas como constatação, como impressão. Se esse reposiconamento é o melhor ou não, é o mais compativel ou não com o espírito de Jesus, que cada um, neste dia de oração pelo sudeste, reflita, colocando o assunto diante de Deus.

No roteiro do livro "100 dias que impactarão o Brasil", os pontos destacados da região são: a maior população do país, a maior densidade demográfica, o mais alto índice de urbanização e duas importantes metróples nacionais. Do povo, o característico destacado foi a pressa. Ironicamente, a lentidão na mobilidade é hoje uma marca também de suas capitais.

Se no nordeste a idolatria gira em torno de personagens que marcaram a população, como Padre Cícero, no sudeste evidencia-se uma idolatria em torno do capital, em torno do acúmulo material. Assim como os Estados Unidos concentram 1/3 do PIB mundial, São Paulo - um dos três estados da região - concentra 1/3 do PIB nacional. Dessa capital, dados de 2010 apontam o seguintes:
  • 38% das 100 maiores empresas privadas de capital nacional
  • 63% dos grupos internacionais instalados no Brasil
  • 17 dos 20 maiores bancos
  • 8 das 10 maiores corretoras de valores
  • 31 das 50 maiores seguradoras
  • Aproximadamente 100 das 200 empresas de tecnologias
  • BOVESPA – a maior bolsa de valores da América do Sul
  • Bolsa de Mercadoria e Futuros - BM&F, a sexta maior do mundo em volume de negócios
  • Hospital das Clínicas, o maior e mais renomado complexo hospitalar da América Latina
  • O maior shopping center da América Latina – o Centro Comercial Aricanduva, com 500 lojas
  • Dos 7 portais de Internet mais conhecidos, 6 estão baseados em São Paulo
  • 1.769 estabelecimentos de saúde, 40 hospitais públicos, 61 hospitais particulares, 24.957 leitos hospitalares, 99 bases móveis da Polícia Militar, 93 distritos policiais, 04 postos do Poupatempo, 146 faculdades, 26 universidades
  • 22 Centros de Educação Tecnológicas
  • A maior Parada do Orgulho GLBT do mundo
  • A Corrida de São Silvestre, que atrai em média 15 mil corredores de todo o mundo de cerca de 20 países.
  • Fonte: http://www.cidadedesaopaulo.
com/sp/br/sao-paulo-em-numeros
O fato é que, independente de questões políticas ou econômicas, os milhões de habitantes da região sudeste precisam conhecer a pessoa de Jesus não como uma marca de produto, mas como alguém que pode dar à vida o significado que Deus deseja para cada um e para o povo, segundo as Escrituras. Por isso, devemos nos unir em oração e trabalho pela região que é, ainda, o motor do Brasil.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Missionário - 08.05.12 - 16/100 de 100 dias de oração pelo Brasil

É simples. Não há muito o que dizer.

Missionário é pessoa comprometida com uma missão. Não importa se a missão será executada na sala de sua casa, no galpão de produção da fábrica, no escritório da empresa, na praça de uma cidade, na sala de uma escola de ensino geral ou bíblico, numa sala de aconselhamento, no púlpito de uma igreja, enfim.

É simples. Não há muito o que dizer.

Missionário é pessoa que tem clareza de sua missão.  Jesus tinha:  "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos   e proclamar o ano da graça do Senhor" (Lc. 4.18-19). A clareza da missão é determinante para sua eficácia.

É simples. Não há muito o que dizer.

Missionário é gente como a gente, como muito bem disse o Pr. Samuel Meira Moutta, no roteiro de oração do livro "100 dias que impactarão o Brasil". Não é uma idéia, um mito. É gente que chora, que ri, que se irrita, que adoece, que fala, que silencia, que trabalha, que descansa, que tem libido, que lida com tentações, que paga contas e, como 90% dos brasileiros, tem renda insuficiente para pagar alimentação, habitação, vestuário, educação, lazer, saúde, transporte, água, luz, telefone...

É tão simples entender que precisamos complicar, para controlar.

Então, assim como os homens criaram o discurso da rainha do lar e com ele fugiram das responsabilidades domésticas, os crentes colocaram alguns dos seus irmãos num pedestal, chamando-os de missionários e, assim, fogem de suas responsabilidades no mundo. Eu pago as contas e você cuida da casa, diria o machista. Eu pago as contas e você faz a obra missionária, diriam alguns membros de igreja.

E pra não sobrecarregar o missionário, decidiu-se em gabinetes onde a teologia é e- labor -ada que seu trabalho é somente pregar a possibilidade de salvação do inferno e inclusão no céu, escatológicos, claro, e desafiar os ouvintes a responderem com as palavras mágicas: "eu aceito Jesus"!

Missão como caminhada solidária, como construção cotidiana, como interesse por todas as dimensões da vida humana, como discurso de amor encarnado nas simples ações do dia-a-dia? Isso é coisa do passado, mania de Jesus!

Na era da produção, do planejamento, da eficácia,  dos números, o que conta são os relatórios que confirmam quantas pregações ou estudos foram feitos, quantas visitas realizadas, quantos folhetos foram distribuidos, quantas pessoas compareceram aos cultos,  quanto foi a variação positiva do valor do patrimonio físico-financeiro, quantos batismos efetuados e quantas novas almas retiradas do inferno escatológico.

É simples assim: quem não tem relatório pra dar, ainda que dê a sua vida em favor do semelhante, não é valorizado como missionário. Não é aos olhos e aos interesses de quem?

Vamos orar pelos missionários? Comecemos orando por nós!

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 7 de maio de 2012

As nações clamam por Deus - 07.05.12 - 15/100 dias de oração pelo Brasil

        Gosto muito da expressão de Paulo, no Areópago, quando ele diz aos seus interlocutores: "Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio." Ela retrata uma realidade presente em cada ponto do nosso planeta.

Não é preciso muito exercício de leitura, observação, conhecimento, enfim para percebemos que, em todas as nações, há um sentimento comum de busca por uma aproximação com Deus que se manifesta das mais diversas maneiras.

Mas esse sentido de busca não é a única evidência de que todos os povos sentem necessidade de Deus. As evidências da falta de comunhão com Deus, manifestas na ausência de amor fraternal, de solidariedade, de justiça social, de respeito ao corpo e à vida, enfim, também demonstram a ausência do conhecimento de Deus.

Tais evidências não devem ser meras observações intelectuais, para serem apenas descritas ou debatidas academicamente. São indicadores de que há um clamor que precisa ser ouvido e atendido.

Cremos que  o Cristo dos evangelhos, não o cristianismo como se estruturou ao longo da história, responde plenamente a tais necessidades presentes nos corações de individuos e sociedades. Se isso tem sido verdade para nossas vidas, porque não compartilhar com aqueles que estão distantes, tanto quanto com os que nos rodeiam?

O indivíduo como alvo e Cristo como resposta aos seus anseios espirituais devem ser o motivo de nossa ação missionária no mundo. Se verdadeiramente o evangelho de Jesus chegar ao coração das pessoas, elas agirão como fermento que leveda toda a massa, exercendo forte influência, de diversas maneiras, no rumo das nações.

Há N exemplos de como pessoas, movidas pelo evangelho, fizeram profunda diferença nos rumos de sociedades.
Não defendo o pensamento que diz que as mudanças sociais ocorrem na medida em que cada indivíduo se transforma. Defendo que as mudanças sociais ocorrem quando indivíduos, movidos pelo amor de Deus, decidem ser agentes de mudança.

É equívoco identificar o tipo de estrutura religiosa dominante nas nações e oferecer a nossa estrutura religiosa como alternativa. Isso é um forte elemento gerador de conflitos, pois as disputas entre religiões que querem se impor podem ser equiparadas às disputas entre partidos políticos pela ocupação dos governos.

Se queremos responder ao clamor das nações, inclusive da nossa, que conheçamos, experimentemos e vivamos o amor de Deus manifesto em Cristo, permitindo e trabalhando para que seus efeitos alcancem as estruturas individuais e sociais.

Não são números, nem disputas religiosas que devem ser usados como motivação, ainda que isso nos impressione. Nossa resposta ao clamor das nações deve ser através de manifestações amorosas movidas pela resposta que demos à manifestação do amor de Deus em Cristo Jesus.

Estejamos, pois, atentos ao clamor das nações. Oremos por nossas vidas e participação na resposta a este clamor.

terça-feira, 1 de maio de 2012

28.4.12 - 6/100 dias de oração pelo Brasil - O compromisso de cada crente com a Grande Comissão

Depois do estágio (Mt.10) e de anos de convivência com Jesus, os discípulos são enviados ao mundo. As barreiras geográfico-culturais socialmente construídas por grupos de humanos não são obstáculo para uma notícia que vem do Deus de quem "é a terra e sua plenitude, o mundo e todos os que nele habitam" (Salmos 24.1). 
O evangelho não é uma notícia para beneficiar algumas pessoas escolhidas a dedo por Deus, muito menos pessoas de uma única organização social e política que chamamos país. O evangelho é uma boa notícia vinda de um Deus que aproxima pessoas de todas as terras, tribos e raças.

Mais do que isso: anunciar esta boa notícia não é atribuição de um clero, de um grupo hierarquicamente dominante na religião. Antes, assim como todos podem ser alcançados, todos podem compartilhar; todos receberam a graça de graça, todos podem, de graça, compartilhá-la.

Tal compartilhamento não visa apenas um ajuntamento quantitativo, mas qualitativo de pessoas. O evangelho visa promover uma nova qualidade de relacionamento com Deus, com os semelhantes e com o meio ambiente onde a vida se desenvolve. Essa aproximação qualitativa, quando efetivamente gerada pelo amor e graça de Deus nos corações, gera, consequentemente, um encontro que faz com que todos sejam participantes daquilo que o reino de Deus visa: alegria, justiça e paz no Espírito.

Oremos agora por cada um de nós, a fim de que participemos com alegria desta Grande Comissão. Que compartilhemos a fé através de nossa própria vida, bem como sustentando com orações e recursos materiais, aqueles que vão, onde não podemos ir.

26.04.12 - 4/100 dias de oração pelo Brasil - A visão missionária da Igreja.

O imperativo mais divulgado de Jesus é o que nos manda fazer discípulos desde o lugar onde estamos até aos confins da terra.
Não vejo nenhum obstáculo no cumprimento deste imperativo.

As questões que devem ser motivo de oração em torno disso são:


1. Somos, de fato, discípulos de Jesus ou catecúmeno de igreja?

O catecúm
eno é o que se prepara (ou é preparado) para ser batizado pela igreja. Os conteúdos e objetivos a serem alcançados no ensino estão relacionados à instituição igreja. No discípulado, os ensinos estão relacionados á vida e ensinos de Jesus e o discipulando é desafiado a se identificar com isso. Isso faz imensa diferença em nossa ação missionária. Um deles é que, em vez de proselitismo ou competição religiosos produzidos por catecúmenos, o resultado será intenso interesse em ver pessoas com a comunhão com Deus refeita, agindo movidas pelo amor no mundo.

2. O objetivo do discipulado é preparar pessoas para aguardarem passivamente o dia de irem para o céu ou preparar pessoas para agirem como sal e luz, em todas as dimensões da vida humana, como resultado da reconcicliação com Deus?


Peçamos a Deus para encontremos a resposta adequada a essas perguntas, a fim de que a visão missionária da Igreja seja uma manifestação de amor ao próximo e não um empreendimento religioso proselitista movido pelas regras de mercado comercial.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Minha vida, impacto para a nação

Iniciei, recentemente, a mensagem: “Brilhar para a glória de Deus”, da série: “Imperativos de Jesus”, mencionando a situação de corrupção endêmica no Brasil, presente nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, no Exército e também nas igrejas. Tal realidade foi ilustrada por artigos das revistas CARTA CAPITAL (nº 666, de 05.10.2011) E VEJA (nºs 39 e 40 de 28.09 e 05.10 de 2011) e do site “The Lausanne movement” (“Leaders in India Gather toAddress Corruption”) que, embora se refira à realidade da Índia, retrata realidades presentes no Brasil.

Saliente-se também que, ainda que o destaque seja desproporcional à publicidade dada, sabemos que o envolvimento da classe empresarial é determinante na maioria dos casos de corrupção em pauta nas mídias, em todas as esferas onde ocorrem. Em outras palavras: por detrás de cada corrupção, interesses empresariais são tão ou mais fortes do que individuais.

Alegra-nos saber que a Convenção Batista Brasileira focará, em 2012, o tema integridade. É extremamente oportuno que as igrejas batistas do Brasil estudem e debatam este assunto, pois, ou estancamos a corrupção ou a corrupção estanca nossas vidas.

O que isso tem a ver com a campanha pró Missões Nacionais? Isso é importante porque a corrupção afeta diretamente a qualidade de vida de toda a sociedade. A qualidade da segurança, da saúde, da educação, dos transportes, da alimentação, da habitação, enfim, depende fundamentalmente da honestidade e justiça nos relacionamentos interpessoais de uma sociedade. Então, se queremos impactar o Brasil, não podemos deixar de lado a preocupação e até priorização deste assunto.

Impactar significa provocar forte reação em dada realidade, alterando-a. Portanto, se nossa intenção é levar a sério o tema proposto pela Junta de Missões Nacionais da CBB, alguns aspectos precisam ser considerados:

1.      Ter clareza teológica do projeto de vida desejado por Deus para a humanidade. Em nossa tradição protestante, reconhecemos os textos bíblicos como fonte de revelação do Cristo, parâmetro de humanidade desejada por Deus. Portanto, sem conhecimento do Cristo, sua história, sua vida, seus ensinos e, consequentemente das Escrituras que o revelam, podemos saber o que não queremos, mas não saberemos como alcançar o que queremos;

2.      Ter clareza da realidade que nos cerca, não somente em relação ao que nos afeta direta e visivelmente, mas também das causas espirituais, técnicas e políticas geradoras de tal situação. Por isso, estudos individuais e debates coletivos nos ajudam no impacto que queremos causar;

3.      Manifestar compromisso com a construção de uma sociedade pautada nos valores universais do reino de Deus. Digo universais e não somente bíblicos, pois há valores sócio-culturais de uma época e local cuja transferência de forma simples e irrefletida não impactariam positivamente nossa realidade;

4.      Agir, priorizando a disponibilização de recursos como conhecimento, tempo, dinheiro e outros bens a serviço do reino de Deus. Não basta conhecer o Cristo, a realidade e vislumbrar um projeto de vida se não tivermos consciência de que cada um de nós é chamado a fazer uma parte.

Dar uma oferta para sustentar missionários, plantar igrejas, manter escolas, orfanatos, centros de recuperação de dependentes químicos e de qualificação para inclusão sócio-espiritual é uma parte das ações possíveis para impactar o Brasil. É algo que todos podemos fazer, pois ninguém é tão pobre que não possa participar. Que Deus, então, fale tão profundamente aos nossos corações que impactar o Brasil, com nossas vidas apaixonadas pelo evangelho integral, seja nossa principal motivação como discípulos e servos de Jesus Cristo.

sábado, 30 de julho de 2011

"Necessitamos de um choque de gestão" - Convenção Batista Brasileira

Ao Editor d'O Jornal Batista, da Convenção Batista Brasileira
Prezado editor,
A cada semana acompanho O Jornal Batista à procura de informações ou pensamentos que possam ajudar a mim ou a igreja à qual sirvo como pastor.

Geralmente seleciono o que investirei tempo para ler usando dois referenciais, nesta ordem: o autor e o assunto.
autores que, mesmo escrendo sobre assunto fora do nosso interesse ou opinando em bases diferentes das nossas, sempre conseguem proporcionar-nos prazer, pela clareza da exposição, pela coesão e coerência do texto, pela boa fundamentação teórica, pela contextualização ou mesmo pela humildade que sempre demonstra ao não posiconar-se como dono da verdade ou juiz de nossas vidas. Há ainda os que conhecemos pessoalmente e ler seus escritos faz-nos sentir como se estivéssemos próximos.
assuntos que, por razões que não vem ao caso, não fazem parte do nosso foco de interesse. Quando fazem, mesmo que o autor não esteja na lista dos preferidos, acabamos nos interessando por acreditarmos na importãncia dele para nossa caminhada individual, na igreja local ou na vida denominacional.
Faço esse rodeio todo pra dizer que geralmente leio os textos do Pr. Lourenço Rega, pelo autor - gosto da pessoa dele (temos trabalhado juntos em alguns momentos na caminhada denominacional) e da forma como ele escreve - e pelos assuntos que aborda. Por isso, sinto-me à vontade para fazer alguns comentários sobre o texto "Necessitamos de um choque de gestão!".
1. 
Gostei do texto porque trata de assunto que julgo relevante para igrejas locais e instituições denominacionais e porque me levou à década de 80 quando David Mein, professor da matéria Realidade Denominacional no STBNB, nos colocava em contato com a liderança, ajudando-nos a compreender melhor o funcionamento da máquina batista;
2. 
Sobre as crises de gestão, para nossa reflexão destaco que também já as vimos em juntas missionárias em passado recente. A diferença entre as juntas missionárias e outras organizações, no meu distante e limitado ponto de vista, é que por uma distorção conceitual e política (inclusive já abordada por Lourenço) impregnada na cultura batista brasileira: 2.1. elas gozam de maior espaço quantitativo e qualitativo, na vida denominacional; 2.2. o aumento ou redução de suas receitas dependem prioritáriamente da manutenção de um bom discurso de sensibilização junto às igrejas, diferentemente das outras organizações; 2.3. contam com uma rede de arrecadação "paralela" ao Plano Cooperativo que lhes garante receita infinitamente maior do que a oriunda do Plano e mais eficiente do que o PC, tanto porque as igrejas enviam diretamente para elas, sem risco de retenção pelas Convenções Estaduais, quanto por, agora, já estarem recebendo também diretamente de membros das igrejas, eliminando também o "obstáculo" igreja local; 2.4. não ficam expostas à adimplência ou inadimplência de compradores de serviços ou produtos; 2.5. não têm concorrência, como é o caso da JMM ou tem concorrência pequena, como é o caso da JMN, cujos "concorrentes" são algumas convenções estaduais que também mantém missonários. Daí minha restrição à comparação do sucesso delas em face do insucesso de algumas outras instituições.

3. 
Em relação aos critérios para renovação dos conselhos/juntas (qualificação de conhecimento/experiência para atuar em cargos de liderança) ou político (representação regional), já expus por diversas vezes minha opinião sobre este assunto e, por já ter participado diversas vezes de Comissões de Renovação de juntas ou conselhos, em nivel estadual e nacional, inclusive como relator, defendo que um critério não anula o outro. Dispomos de pessoas qualificadas tecnicamente em todas as regiões do pais, portanto, podemos sim escolher bons técnicos e, ao mesmo tempo, manter o critério político da representação regional. O problema é que, sob alegação tecnicista e de redução de custos financeiros, vez por outra priorizamos "os mesmos", das "mesmas" regiões, dos "mesmos" círculos de relacionamentos de líderes estabelecidos. Nem mesmo o discurso da presença dos executivos regionais no conselho da CBB, (que a meu ver vem se confirmando ter sido um critério estritamente político, pois, por razões de "ética-corporativista", rarissimamente um executivo estadual se sente à vontade para emitir opinião "técnico-crítica" sobre o que é feito pelos colegas executivos nacionais), justifica a concentração de uma região e detrimento de outra, nos casos regidos pela renovação.

4. 
Em relação a atuação dos pastores como gestores, tem me incomodado a ideologia política deste argumento. A idéia é que priorizamos pastores em vez de administradores (não gosto da expressão gestores, ainda que ela seja a palavra da moda). 4.1. Cada pastor, além do pastoreio, manifesta força em pelo menos uma outra área. (Na verdade, o próprio conceito pastor merece aprofundamento em seu aspecto histórico). Geralmente somos pastores + evangelista, ou + músico, ou + educador, ou + escritor, ou + professor ou + conselheiro e assim por diante. Alguns, então, são pastores + administradores; 4.2. Também poderia citar nomes de "n" experiências mal sucedidas de administração na denominação produzidas por empresários + administrator, engenheiros + administrador, professores + administrador ou advogados + administrador, por exemplo; 4.3. Também poderia citar nomes de "n" experiências bem sucedidas de pastores + adminitrador, como é o caso do próprio Lourenço Rega que é pastor há décadas, e, apesar de eu não ter nenhum acesso a dados da Teológica de São Paulo, sua administração é tida como bem sucedida.

Analisar o sucesso ou insucesso de uma administração exige avaliar não somente as decisões tomadas pelos administradores, mas toda uma conjuntura histórico-social. Eu por exemplo, fiquei com um pé atrás ao final da última crise na Junta de Missões Nacionais e também do Seminário do Norte, simplesmente porque nunca foram disponibilizados indicadores do periodo anterior à chegada dos executivos demitidos para serem comparados com os de suas administrações e da administração posterior para identificarmos se o problema foi técnico ou político. Como conhecemos somente discursos, sem acesso a dados, corremos o risco de nos enganarmos e, pior ainda, elegermos a condição de pastor dos administradores demitidos para bater numa classe que já apanha tanto em seu dia-a-da. Nesses quase 28 anos de consagração ao pastorado, já fui também executivo denominacional e sei a diferença entre ter título de pastor e exercer a função pastoral.

Meu desejo, finalmente, é que esses comentários ajudem na reflexão de tão importante tema e que o Pr. Lourenço continue nos brindando com sua amizade, sua dedicação e suas relevantes reflexões.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

¿Quién vació las iglesias?

por Alfonso Ropero, España
Lupa Protestante 

La formación de un mito: el modernismo, causa de la deserción de la fe

Casi desde los primeros años de mi conversión (hace ya más de tres decenios) vengo reflexio­nando sobre el alejamiento progresivo, en especial de la juventud, de ese camino y forma de vida enseñados por Jesús. ¿Por qué algo tan precioso y trascendental es rechazado tan masiva y ligeramente? En mis días de estudiante de teología en Inglaterra escuché repetidamente una razón que casi me convence. La culpa, se decía con variados matices pero igual contenido, es del llamado «liberalismo» o «modernismo» teológico. Todos los males que afligen al protestantismo ac­tual se debían a una única causa: a la disección racionalista de las eternas verdades de la Palabra de Dios practicada por los profesores de los seminarios liberales. Y como estos lo ponían todo en duda, ya no se podía seguir creyendo en nada. El liberalismo echaba a pique las antiguas e inconmovibles verdades del Evangelio. Lo que parecía historia se calificaba de mito, las enseñanzas contenidas en la revelación eran meros préstamos tomados del entorno cultural. Al desaparecer el elemento histórico y sobrenatural del cristianismo, la versión liberal proponía una nueva reforma en los conceptos y contenidos de la fe, centrados casi única y exclusivamente en un solo credo: la Paternidad divina y la Hermandad de todos los hombres. Si es esto lo que se predicaba desde los púlpitos, entonces era natural que la gente perdiera el temor de Dios y el interés por la salvación eterna, y acabara por abandonar las iglesias y el cristianismo en definitiva. 

 
Es incuestionable que la Alta Crítica sometió la Biblia a una lectura imposible, los mas atrevidos, deslumbrados por la reciente ciencia de las religiones comparadas, sólo veían leyendas copiadas de Egipto o Mesopotamia. En el afán de descubrir rastros mitológicos se llegó a equipar los doce hijos de Jacob con los doce signos del zodiaco. Es cierto que la relectura del cristianismo a la luz de la modernidad, con sus parámetros de racionalidad y análisis científico, hicieron tambalear la fe de muchos, pero de ahí a pretender que el descreimiento gene­ralizado de las masas y el abandono de las prácticas religiosas se deban a esa y única causa, de corte académico, que muchas veces no salía de los centros elitistas y casi esotéricos de algunas instituciones teológicas, es otorgar una capacidad de cambio a las instituciones educativas que, generalmente, no tienen. Las academias reciben más que crean. Las novedades intelectuales y teológicas suelen ser resultados, no causas, de transformaciones sociales, de las que ellas se hacen eco y a las que aportan el aparato técnico de la reflexión y análisis. Son los cambios sociales los que convienen analizar con seriedad, son ellos los que mueven, primero lenta e imperceptiblemente la historia, que después son conceptualizados por los intelectuales, los académicos y los especialistas.

 
Es decir, que las «novedades» teológicas, por más revolucionarias que parezcan al reducido círculo de los dedicados a ellas, son más productos que agentes de cambio, síntoma que una realidad social, de un cambio de mentalidad o actitudes, cuyas raíces hay que buscar en una serie de factores políticos y económicos que poco a poco van cambiando la sociedad de un modo irreversible. De repente parece que cambian las formas de ver la vida, de actuar y hasta de sentir. Los síntomas más manifiestos son las barreras generacionales, la extrañeza que una generación experimenta respecto a otra.

Por eso, y dicho desde el principio y sin rodeos, me parece irresponsa­ble y casi suicida señalar al «modernismo» teológico como la causa de la incredulidad y de la indiferencia religiosa. Seguir repitiéndolo con ciega insistencia por el espacio de un siglo sólo contribuye a empeorar las cosas. Es un caso semejante a aquellos que, desde otro bando, pontificaban que todos los males de la sociedad moderna, a saber, la secularización de la política, la negación del dogma, el rechazo de la autoridad, el terror provocado por la revolución francesa y al endiosamiento de la razón, se debía a la ruptura de la Iglesia producida por el rebelde Lutero en el siglo XVI. Temo mucho que, desgraciadamente, los hijos de la Re­forma han asumido y hecho suyo el mismo espíritu reaccionario que sus padres tuvieron que confrontar y refutar. Pero en este mundo mediocre y sin interés por comprender la realidad en su totalidad, siempre es más sencillo lamentarse y buscar «chivos expiatorios» que encarar la verdad con realismo, honestidad y rigor.

 
El debate que planteamos en este escrito no se trata de una mera cuestión de pura teoría, de bizantinismo académico, es algo mucho más serio y más grave, nos afecta «cristianamente», pues pone en cuestión nuestro sistema educativo, nuestra pastoral y nuestra misión en la sociedad actual. 

 
Y lo primero que hay que averiguar no es quién se equivoca o se ha equivocado para cargarle la culpa de la miseria de nuestros días; la cuestión primera es una puesta en práctica de lo que aprendemos en ética evangélica aplicado al análisis de nuestro mundo, que Cristo viene primero que todo a salvar y no a condenar, y esto en todos los órdenes de la vida, la vida intelectual incluida. Recurrir al «modernismo» como un fácil expediente explicativo de todos nuestros males, no es sólo un acto de ignorancia, sino de culpable pereza intelectual, que se contenta con lo más fácil en lugar de perseguir lo mejor y más correcto. El error en la emisión de juicios causa daños a todas las partes, no soluciona nada, y, por si fuera poco, nos deja en una peor situación que la anterior, frustrados y enfrentados unos a otros, dando palos de ciego.

 
¿Qué se entiende por modernismo, o por liberalismo, o por como quiera llamarse cualquier intento de expresar la fe en un lenguaje diferente al tradicional? ¿Qué adelantamos con arrastrar un trauma de nuestros padres, cuya realidad que lo produjo ha dejado de existir? La tentación demoníaca consiste en atribuir a otros las causas de nuestros propios males, de evitar así el examen y reflexión sobre nosotros mismos y el juicio de Dios que nos interpela a preguntarnos sobre nuestros propios caminos, a abrir las ventanas para que entre la luz antes de fijarnos en la mota de polvo en el cristal ajeno.

 
Que las iglesias evangélicas euro­peas se encuentran en un estado de decadencia numérica nadie lo duda. Pero que la causa de esa desertización cristiana en nuestro continente se deba esencial y principalmente a los nuevos métodos interpretativos y analíticos de la llamada teología liberal es una cuestión abierta al debate. Debate sobre cuestiones académicas pero no académico. Sería una pérdida de tiempo imperdonable enredarnos aquí en frívolas cuestiones de erudición histórica y de hermenéutica. No se trata de eso, sino de algo mucho más práctico. Y más vital. Es una cuestión ineludible de enorme trascendencia para el presente y futuro de nuestras iglesias.

 
Me permito hacer una distinción previa entre evangélicos y «evangelicalismo», y protestantes y «protestantismo», ya que es entre los primeros que surge principalmente la polé­mica antimodernista. No sólo se ori­gina en ellos, sino que se mantiene a lo largo de los años con el mismo vigor con que se inició, pese al tremendo cambio de situación y signi­ficación de la escena mundial y ecle­sial. Por evangelicalismo quiero sig­nificar esa expresión del cristianismo que carga toda la fuerza de su acento en la experiencia de conversión o nuevo nacimiento, que acepta de buena fe en un credo simple y dogmático sacado de una interpretación litera­lista de la Biblia. Respecto al mundo exterior, manifiesta evi­dentes muestras de impaciencia hacia la cultura y todo lo que tiene que ver con la sociedad secular, sea política, economía o arte. Su génesis histórica la podríamos fijar en el siglo XVIII con los avivamientos de Whitefield y Wesley, aunque su ori­gen es la Reforma misma. Es una versión del cristianismo reducida a sus elementos más mínimos y simples. El protestantismo, por contra, parte también de la importancia de expe­riencia del nuevo naci­miento, por la que el cre­yente sabe por fe que Dios le perdona y le declara justo, pero en ningún modo re­chaza todo lo bueno, todo lo positivo, todo lo relevante que pueda aportar la cultura secular, la academia y las ciencias. No es anti-intelectualista, aun­que sí crítico de la cultura, por amor a la misma, y siempre en nombre de la verdad evangélica y en espíritu de amor y respeto.

 
Y el «liberalismo», ¿qué es el liberalismo? Bueno, simplificando bas­tante, el liberalismo teológico repre­senta ese movimiento, o estado de ánimo intelectual, que surge del en­contronazo con el nuevo tipo «ilustrado» de pensar que rechaza lo divino-sobrenatural y, en concreto, el recurso a la autoridad de la tradición —eclesial, bíblica, social— para diri­mir asuntos del conocimiento y que se acoge a la autonomía de la razón ilustrada por la filosofía y la ciencia modernas. Kant lo expresó con con­cisión: «Atrévete a hacer uso de la razón.» Éste es el lema y el pro­grama que marca un cambio revolu­cionario en el pensamiento y en la actitud occidental. Los hombres de la Ilustración recurren a la autori­dad última y definitiva de la razón para pasar revista crítica a las creen­cias recibidas mediante la autoridad bí­blica o eclesial y declaran nulas e in­servibles todas aquellas que no pue­dan pasar el riguroso examen de la razón. Los teólogos que responden al desafío de la Ilustración desde el interior de sus premisas lógicas y racionales son los teólogos liberales. Inglaterra amortiguará el impacto del nuevo pensamiento ilustrado gracias al avivamiento evangélico de Whitefield y los Wesleys, que trans­forma la sociedad en gran medida, y que comunica a la fe un celo irrefre­nable, cifrado en la formación de sociedades misioneras y la creación de sociedades filantrópicas de todo tipo. Este tipo de cristianismo se podrá permitir el lujo de ignorar durante un siglo el cambio revolucionario producido en la cultura por la filosofía ilus­trada, pese a que las ideas antitrinitarias y deístas se habían infiltrado en buen número de ministros pres­biterianos y anglicanos.

 
Alemania, por contra, después de su retraso cul­tural provocado por las guerras de religión, se levanta hacia la cumbre de la filosofía europea, con pensadores de primer rango como Kant, Fichte, Hegel, Herder. Kant había sido educado en un pietismo riguroso, pero no muy ineficaz. La teología, como estudio y repuesta humana a la auto-revelación divina, no pudo vivir de espaldas al tre­mendo y siempre nuevo desafío cultural y dio lugar a nuevas ver­siones de la fe de corte decidida­mente liberal; es decir, apartándose sensiblemente de la interpretación tradicional recibida en los Credos y Confesiones de fe de la Iglesia. Con el descubrimiento de ese nuevo mé­todo de entender la realidad, la Biblia y al hombre mismo, se co­metieron muchos excesos y provo­caron la reacción de muchos evan­gélicos que tendrán a Alemania por cuna del liberalismo y «apostasía» de la fe.

 
No hace mucho que Carl E. Braaten, uno de los teólogos luteranos más destacados en la escena estadounidense, se preguntaba por que colegas tan importantes como Jaroslav Pelikan, Robert Wilken, Jay Rochelle, Bruce Marshall, Reinhard Huetter y Mickey Mattox, abandonan el luteranismo para unirse a otras iglesias. Y señalaba una causa: “el atolladero que algunos han llamado el Protestantismo Liberal”. ¿Qué se entiende aquí por Protestantismo Liberal? Según Braaten es una “piedad vacía”. La iglesia convertida en una especie de club de clase media y personas mayores en un ambiente de incredulidad general y nulo testimonio. De ser así, el problema habría que buscarlo más en el “corazón” que en la cabeza, y afecta más a la práctica que a la teoría. ¿Por qué no hablar simple y llanamente de Escepticismo? Pues es de escepticismo y no de liberalismo de lo que se trata. Es el escepticismo el que se viste de liberalismo para justificarse a sí mismo, pero creo que son cosas bien distintas. Nuestros discursos siguen a nuestros hechos.

Sin embargo, el evangelicalismo no se para en distingos, para él todos son iguales; los que estudian con rigor y ciencia la Biblia, que los que niegan su autoridad; los que viven de una forma consecuente con su fe, que los son indiferentes a la misma. Enemigo de lo que ignora, culpa y rechaza a las academias y seminarios teológicos.
Es cierto que en las grandes tradiciones protestantes mu­chos vivien su fe de modo problemático. Se sienten perplejos, la fe senci­lla declina por todas partes, aumenta el ateísmo y la indiferencia. Por eso, los más tradicionalistas —o quizá más comprometidos— llaman a un decidido retorno a los funda­mentos, a los viejos y seguros cami­nos de antaño frente a las novedades apóstatas del modernismo.


Los libe­rales se defienden acusando a su vez a los tradicionalistas de no haber sabido adaptarse a los nuevos tiem­pos.1 Si en lugar de haber reaccionado nega­tivamente, con condenas –la mayoría de las veces de parte de una minoría ruidosa- se hubiera continuado en la línea de la comprensión y el compromiso con la verdad del Evangelio según la Escritura, seguros de que su garantía última reside en Dios y no en la débil defensa humana se habrían evitado muchas rupturas y derroche de energías, que era necesario haber empleado en otros frentes. Muchos pastores y líderes cristianos de fines del siglo XIX y comienzos del XX «optaron» por la «solución modernis­ta» para detener el éxodo de los fieles hacia el mundo, que se venía produciendo desde hacía, por lo menos, un siglo; éxodo que ellos no habían provocado con sus prédicas «novedosas», sino que ya estaba ahí, dado por la nueva situación económica de la sociedad industrial, la que les provoca a ellos a intentar detener la hemorragia de fugas desde una perspectiva cristiana, pero relevante, acorde a la exigencia de los nuevos tiempos. En su versión más noble y original el liberalismo fue un intento de devolver a la fe su relevancia ética, espiritual y cultural, en medio de una sociedad que había llegado a creer que Dios no ofre­cía ninguna salvación digna de ser aceptada.2

Juzgada por su intención antes que por sus resultados, la teología liberal fue un esfuerzo tremendo, aunque errático, por ofrecer una respuesta a la Ilustración y a la cultura que ésta alumbró. No podemos entender la teología modernista sin ad­vertir que su interlocutor no era el miembro fiel y dócil de las iglesias; por lo general en los debates intervenían académicos descreídos y filósofos desligados de la fe. La Ilustra­ción marcó el final de la alianza entre el cristianismo y la inteligencia occiden­tal, aunque a efectos sociales y políticos la religión haya venido siendo privilegiada por los Estados hasta hace bien poco. Allí comenzó un nuevo clima de opiniones y sentimientos que poco a poco iban a ir ganando las clases populares. Los evan­gélicos tienen que darse cuenta de esta realidad si quieren emplear más y mejor sus facultades espirituales e intelectua­les. Podríamos hacer una crítica extensa y detallada de los fallos del liberalismo, de sus contradicciones y evidente falta de sentido religioso, pero lo que ahora nos interesa es tomar conciencia de nuestras propias faltas y, reconociéndo­las, emprender el camino de su en­mienda.

El fallo esencial del liberalismo, dicho no por sus detractores, fue la pérdida del sentido de lo sagrado, de la potencia divina, que aún sigue tarando mucho del pensamiento prote­stante. Mircea Eliade, refiere en su dia­rio cómo el protestantismo liberal pre­fiere «un simple hombre y una serie de hechos históricos.» Los teólogos protes­tantes se avergüenzan de Dios»,3 pero todo esto y las críticas y reflexio­nes que podríamos hacer al respecto, no quita el coraje y el valor que representa estudiar de nuevo la Escritura y repensar la propia comprensión de la misma a una luz diferente. La experiencia mo­derna ilustrada aportó datos irrefutables que no se podían inognorar. «Si son reales, lo que se impone es “verlos”, dejando que cuestionen nuestra concepción de Dios, para que la modifiquemos en lo que sea necesario. No se trata de modificar la fe en Dios, y mucho menos de modificar a Dios. Repitamos: Se trata sólo de modi­ficar nuestras ideas acerca de Dios, nuestra imagen de Dios. Igual que no se trataba de negar que la Biblia sea Palabra inspirada, portadora de revela­ción, sino de revisar nuestra concep­ción de lo que son la inspiración y la revelación.»4 «Resistirse sistemática­mente a toda crítica puede parecer celo por la gloria de Dios, pero, de ordina­rio, indica el narcisismo de quien no quiere renunciar a las propias concep­ciones y la inseguridad de quien no se atreve a abrirse al proceso inacabable de “dejar a Dios ser Dios”, exponién­dose a que, una detrás de otra, se le vayan rompiendo sus imágenes.»5

Hasta el día presente los resultados de la teología liberal y de la alta crítica se siguen aduciendo como causas di­rectas de la destrucción de la autori­dad bíblica como Palabra de Dios y del gran crimen perpetrado contra la Iglesia y el mundo.6 «El liberalismo no es cristianismo», decía J. G. Machen en los años veinte del siglo XX, es otra religión, es puro paganismo. Las Iglesias protes­tantes se dividen, se denigran los se­minarios de teología como aulas de impiedad e incredulidad. Se fundan colegios bíblicos con la intención de anular los manuales de teología moderna y poner en su lugar única y exclusivamente la Sagrada Escritura. Al futuro candidato al ministerio evan­gélico le bastará un conocimiento básico y con­servador de la Biblia, y, si es posible, con un gran acopio de citas de memoria. Otros, hasta abandonan los colegios bíblicos, como A.W. Pink, y se bastan a sí mismos con la sola Biblia y sus propias luces y recursos.
El evangelicalismo y su progenie han resultado ex­pertos en controversias y divisiones que, empezando con los liberales, conti­nuó con los propios compañeros de campaña antimoderna y ter­minó en una guerra de todos contra todos, buscando cada cual por su cuenta ser más fiel a los «fundamentos» del Evangelio que el resto. Es una ley universal, fatal: la sospecha y la suspi­cacia desplazan la confianza; materializan sus propios temores. Una escatología triunfalista da lugar a otra derrotista. En este ambiente, lo único que se espera es la inmediata Segunda Venida de Cristo como solu­ción infalible a tanta impiedad y apostasía. No se advierte que ese espíritu de polémica es culpable directo de la debilitación de la fe en medio de la sociedad. Según el Dr. Stewart Lawton, un observador de la Inglaterra de 1650 probablemente no hubiera concebido una alternativa via­ble al calvinismo como forma futura de la religión, hasta tal punto estaba arraigado el calvinismo en los púlpitos y en las universidades. Sin embargo, en menos de la mitad de un siglo, esa teología iba a desaparecer de la escena pública, junto a buen número de grupos y partidos. «Hubo muchos motivos para este notable giro de acontecimientos, pero uno de ellos fue sin lugar a duda que la gente se cansó de tantas controversias sobre temas como la predestinación.»7

Hoy la historia se repite y cuando el evangelicalismo parecía que iba a ga­narlo todo —en lo que se refiere a la escena norteamericana— lo pierde por discusiones bizantinas que no guardan relación con los intereses en juego en la sociedad moderna. Polémicas irritantes que neutralizan el pensamiento y suici­dan los mejores espíritus del evangeli­calismo, que se marchan o mueren aislados; a lo que hay que añadir los escándalos y la corrupción debida a tanto espíritu de superficialidad y ordinariez mental, espiritual y doctrinal.

 
La Inglaterra victoriana del siglo XIX reunía todas las condiciones para pre­senciar el triunfo evangélico en la na­ción. Las iglesias británicas, aún a principios de siglo XIX, vivían de las rentas de los avivamientos del siglo anterior. La manera evangé­lica de ser era una forma encomiable en la sociedad de la época. Las llamadas iglesias “no conformistas” (ajenas a lazos con el Estado y la Iglesia anglicana), crecían en número, en poder y en influencia, con colegios y academias de prestigio. Muchos políticos acudían puntualmente a los sermones dominicales de los grandes predicadores evangélicos. Pero, al final de la centuria, cuando se cierra el siglo y se entra en el XX, la mayoría de la población pasa de ser una de la más religiosa a la más indiferente. Es por esa época cuando la teología ale­mana y la alta crítica comienzan a intro­ducirse en los seminarios teológicos bri­tánicos, tanto estatales como indepen­dientes. Cunde la voz de alarma. Se buscan culpables. Se señalan las “nuevas ideas” venidas del continente. Charles H. Spurgeon, creyendo que el modernismo se había infiltrado en las iglesias de la Unión Bautista se sale de la misma. Es el período de la Downgrade, que anticipa las controversias que el evangelicalismo va a sostener contra el liberalismo, y se atribuye a Spurgeon un don profético, pues, aunque él se equivocó en este punto, y se quedó solo, sin de nadie, depresivo hasta su muerte prematura. Pero quienes le ensalzan como un héroe de la verdad conceden que, si bien es cierto que en sus días aún no se había introducido la «apostasía» en los seminarios, como él pensaba, ya estaban en germen las semillas que llevarían a la apostasía y que él supo ver con anticipación. Sin embargo, lo único cierto es que el gran predicador londinense se precipitó en su ruptura y sir­vió de justificación a muchos otros que vendrían tras él. Él puso la semilla de la discordia y de la sospecha y, si en rigor, esa semilla ya estaba ahí, él la plantó y le dio alas. Todavía hoy muchos se amparan en el precedente de Spurgeon para justificar sus divisiones. Mediante semejantes acciones el mundo evangélico iba a verse mermado y mi­nado por fisuras internas, incapaces de comprender que la atmósfera espiritual de los tiempos había cambiado y, por tanto, ineficaz a la hora de hacerle frente, de presentar una alternativa de existen­cia humana a la luz de la Palabra de Dios.

 
Pero esto era lo que los evangélicos se negaban a reconocer: la transformación política, económica y religiosa de la sociedad y, por tanto, la necesidad de repensar la fe en vistas a la nueva situación. Darwin, los movimientos so­cialistas, la idea del progreso, habían entrado en escena; como después lo ha­rían el psicoanálisis, el existencialismo y el secularismo ideológico. La Segunda Guerra mundial representa un giro decisivo en todos los órdenes de factores. Las Igle­sias protestantes de Europa sufrieron un revés del que desde entonces no se han recupe­rado. Algo había cambiado, y mucho. Acusar unilateralmente al liberalismo te­ológico es una falta de responsabilidad: Un pecado de idolatría que no quiere someter su «imagen» de Dios, cons­truida, según se cree, de materiales di­rectamente extraídos de la cantera bí­blica, a la «imagen» de Dios que proyecta la luz de la revelación de Dios.

 
Veamos algunos ejemplos tomados de la vida de las iglesias británicas para probar de un modo gráfico lo que aquí se mantiene.

 
En la pequeña y remota isla de Lewis, en las tierras altas de Escocia, renombrada como el punto más bendecido de Escocia en lo que se refiere a sano testimonio evangélico, todo parece marchar como siempre, desde que su nombre fuera aso­ciado al avivamiento del año 1828, cuando toda la isla fue despertada de su formalismo y superstición gracias a la predicación de Alexander Macleod. Tres denominaciones presbiterianas pro­veyeron con sus púlpitos la enseñanza religiosa en la más pura tradición refor­mada. Nada de liberalismo ni alta crítica en sus iglesias. De 1938-1939 tuvo lugar el último avivamiento del que se tiene noti­cia en Escocia. Pero Europa había entrado en gue­rra. Muchos jóvenes fueron llamados a filas. Jóvenes llenos de fe y entusiasmo, vírgenes tocante a coqueteos con el libe­ralismo o la ilustración. La vuelta a casa fue desoladora, no habían pasado por el «virus del modernismo académico», pero traían consigo el descreimiento y la frialdad religiosa. Dejaron de asistir a las iglesias, de creer en las enseñanzas de la Biblia. ¿Qué había ocurrido? «Muchos regre­saron con un vacío espiritual en sus vi­das, confundidos y desconcertados por lo que habían visto en Europa y en otras partes.»8 La guerra había alumbrado un nuevo mundo, un mundo de horror, soledad y desesperación. La deducción que sacará la teología posterior es que Dios murió en las trincheras europeas, en los campos de exterminio como Auschwitz, de tal modo que hoy tenemos una teología pre y post Auschwitz. Pero, incluso en este ejemplo, la teología fue a remolque de la sociedad. Se limitó a levantar acta de un hecho social: la perdida absoluta de la fe, del sentido de la vida y de la providencia divina en las trincheras, ante el fuego enemigo y los horrores de la guerra, guerra en la que saltaron por los aires las ideas de humanidad, progreso, religión, patria, solidaridad.

 
La notable Misión de Fe escocesa envió a sus hombres, «peregrinos», según se les conoce, a la isla de Lewis a predicar el Evangelio. Todo el mundo sabía que se trataba del viejo Evangelio, el Evangelio que les había reconfortado y ganado sus corazones en años anteriores, pero ahora muy pocos, si alguno, tenía interés en el mismo. Los intrépidos misioneros de fe, con la misma dedicación e idéntica fide­lidad doctrinal, se encuentran con las puertas cerradas allí donde antes se les abrían con generosidad y abundancia. No habían cambiado ellos, ni por efecto del liberalismo ni por la alta crítica: había cambiado la sociedad. «En la actualidad los peregrinos en Escocia e Inglaterra tienen que sembrar la semilla —si es que se les presta atención—, antes de que se pueda pensar en una cosecha”.9 Es evidente que el acercamiento a la gente desde el Evangelio tiene que circular por otros cauces.

 
Consideremos otro caso paradigmático. Me refiero a William Lax, ministro me­todista en Poplar, Londres, evangélico conservador, y que llegó a ser elegido alcalde de la ciudad. En defensa de la memoria de sus buenos años de for­mación teológica en un seminario de su denominación (1892), sale al frente de los que se sienten traumatizados por los «estragos» liberales, y les dirige estas palabras llenas de jovialidad: «Confórtese quienquiera que tema que la corrup­ción modernista ha afectado a nues­tros jóvenes predicadores. Los colegios son casas de evangelismo así como de estudio.»10

Al comenzar el siglo XX el metodismo inglés se encontraba en una especie de éxtasis espiritual: «Cristo triunfa. Res­piramos una atmósfera cargada de fer­vor. El celo y la devoción se encuen­tran en el punto máximo de acción, esperando el momento de extenderse por todas partes. Las conversiones es­tán al orden del día.» Un domingo sin conversiones era un fenómeno extraño. Los predicadores parecían estar fundi­dos con el Espíritu Santo en un mismo ser. Los llamamientos a nacer de nuevo eran irresistibles. Pero de repente, en cuestión de años, algo cambia. Las escenas de conversión ya no son tan frecuentes como antes. ¿Ha dejado el Espíritu de Dios de actuar en los corazones? se pregunta. ¿Ha sufrido la naturaleza humana una transformación tan radical? «Ciertamente —responde— algún cam­bio sutil pero tremendo ha tenido lugar en la actitud mental y la consideración del mundo por la Iglesia durante la última generación. Es tan general y tan completo que ninguna acusación gene­ral de apostasía puede colocarse en la puerta de la Iglesia. Porque nunca hubo más auténtica ansiedad que ahora entre los seguidores de Cristo de ver extendido el Reino de Dios; y cara al mundo hay una determinación cris­tiana más grande que antes.»11
Las iglesias fieles contemplan que la infi­delidad avanza pese a la reduplicación de sus esfuerzos y lo genuino de su celo. El problema aparte de estar den­tro, está fuera y se precisa una nueva estrategia para darle solución. William Lax apunta a un factor que siempre ha sido el talón de Aquiles del evangelica­lismo: su fragmentación, su falta de unidad y coordinación. Su disposición y prontitud a separarse de un grupo para fundar otro nuevo por cuestiones la mayoría de las veces triviales. Este es el pecado por excelencia del evangelicalismo. Haber elevado al nivel de obli­gación cristiana lo que es a todas luces un pecado grave denunciado en las Escrituras: el cisma, el espíritu divisionario, justificado como «deber de separación», sobre la base de unos textos bíblicos desconectados de su con­texto y en abierta oposición al tenor general de la Escritura. Es el resul­tado: es el caos y la corrupción de la fe, tanto moral como intelectual. Este es uno de los graves problemas que se escabullen tras la pantalla de celo por causa de Dios, en cuya denuncia del liberalismo y sus efectos negati­vos se cierra los ojos a la propia apostasía, a los males internos. «Quiero ver iglesias más eficaces en Gran Bretaña —escribe Lax—. Pero no hay duda de que las iglesias van a atravesar un tiempo difícil. Vivimos en una época de agnosticismo insidioso. Las cosas materiales y mundanas reclaman la atención de las masas. Comparado con hace cuarenta años, las iglesias han perdido terreno». El problema es que trabajamos aislados, no en oposición unos a otros, ciertamente, pero apenas si hay unidad entre nosotros; estamos demasiado ocupados con nuestros asuntos priva­dos. La mayoría de nuestros esfuerzos se desperdician. Necesitamos unirnos más, cerrar filas y avanzar hombro con hombro. ¿Qué no se puede llevar a cabo con un Evangelio como el que Cristo nos ha confiado? No nos equivoquemos. Inglaterra ne­cesita a Cristo más que nunca, aun­que no sea consciente de ello. El mundo entero necesita el Agua de Vida.12 El «evangelicalismo» hace aguas no por culpa del liberalismo o modernismo, sino por su propia in­capacidad de ofrecer respuestas a la cultura, a la sociedad moderna y también por la ausencia de hombres notables entre sus filas, de personas de fe, devoción y sabiduría que, desde la Escritura y la experiencia creyente, sepan responder las pre­guntas que realmente hay que responder.

 
La fe cristiana vivida a conciencia, con el corazón y la mente, nunca ha sido popular ni mayoritaria. Soren Kierkegaard decía que no se encuentra un caballero cristiano a la vuelta de cada esquina. No hay que engañarse respecto al pasado y una ver­sión más o menos romántica de la histo­ria de antaño y de los grandes avivamientos espirituales pasados. En el siglo XIX había mucha religión en Europa, pero ¿cuánto cristianismo auténtico? Las igle­sias se llenaban, pero ¿por qué causa? ¿Qué atraía a los congregantes? Según un contemporáneo se iba a los cultos para disfrutar de la elocuencia del predicador. «La mayoría de los predicadores popula­res no procuraban tanto convencer como discutir un tema de un modo maestro y elocuente y pasar un “buen tiempo”».13
El púlpito dominaba la vida social de la era victoriana y la gente comentaba en la barbería el sermón del domingo como hoy se pueda hacer respecto al fútbol o la política. Los predicadores eran antaño el equivalente de los modernos ídolos del cine, o del deporte, o de la política. Muchos iban a «paladear» un buen ser­món, de ahí la perniciosa costumbre de cambios frecuentes de membresía eclesial en búsqueda de un lugar cómodo y de iglesias que no eran centro de comunión y servicio responsable a la comunidad y desarrollo de los dones de Dios, sino centros de predicación con una mínima expresión de vida comunitaria y cutual. Versión antigua y precedente del consumidor moderno que alegremente pasa de un supermercado a otro por el gusto de la compra. Era de esperar que cuando el nuevo mundo de la comunicación y del espectáculo se introdujera en los hogares en virtud de la técnica, la fe de muchos se enfriara y desapareciera, porque nunca la hubo. Culpar al liberalismo teológico de semejante vacío es una tontería suprema. Siempre es más cómodo y menos com­prometido sentarse en casa delante de un aparato de radio o de una televisión y elegir entre los programas el mejor. Los con­servadores perdieron la batalla en sus propias iglesias, delante de sus narices. Otros, que tienen a sus iglesias por más dignas y más serias, en cuanto represen­tan una tradición teológica más elabo­rada y una liturgia responsable sin técni­cas de espectáculo, pasan por alto el daño producido por las controversias en torno a las proposiciones a creer y los supuestos errores a evitar, en lugar de cuidar la comunión personal de los cre­yentes en Cristo y el pleno desarrollo de sus dones espirituales y facultades natu­rales en el arte, la ciencia y la vida pública. Es fácil culpar a los demás de nuestras propias carencias y de nuestras faltas. Piensa el pobre que el rico lo es a su costa, pero no siempre es el caso.

 
Muchos liberales tuvieron al menos el coraje de salir a la calle y entrar en las universidades para encontrarse con el hombre del mundo,14 mientras que el evangelicalismo lamentaba las pérdi­das e intentaba detenerlas ensanchando aún más la sima que los alejaba del mundo de la cultura y producía más bajas todavía, cerrando fatalmente el círculo de la frustración y la impotencia. El resultado iba a ser catastrófico en todos los niveles. Dejada la cultura a su propia suerte, los hijos propios de la iglesia se iban a encontrar abandonados a su vez a su suerte, sin referencias ni puntos de apoyo en qué sostenerse, de naufragio en naufragio tan pronto entraban en contacto con el mundo moderno en las escuelas y universidades. Las iglesias creían que cerrando puertas y ventanas evitarían el veneno del liberalismo y del moder­nismo, y lo que hacían era asfixiar a sus mismos hijos y verse, por tanto, huérfano de ellos.
El evangelicalismo cayó en la trampa del sectarismo. Orgullosos de su sana doctrina, inmaculada y virgen antes, en y después de su parto dogmático, lo único que quedaba era consolarse de que «entre los pequeños grupos religiosos podemos en­contrar un puerto seguro para el evange­licalismo».15 Semejante manera de interpretar la historia de la Iglesia cede a la tentación derrotista que ve mermada en su minoría sus prejuicios escatológi­cos sobre la inmediatez del fin del mundo como respuesta divina a la apos­tasía general de la Iglesia. Mientras tanto estas iglesias último refugio y bas­tión de la ortodoxia, se desgarran inter­namente por cuestiones mínimas y asun­tos secundarios. Incapaces de ofrecer una nueva interpretación de la doctrina, quizá por miedo a caer bajo sospecha de herejía se enredan en cuestiones domés­ticas que debilitan aún más la conciencia y el número del «remanente». De modo que se sana el cuerpo al costo de su vida, muy en sintonía con aquellos médicos sangradores de antaño. Si fuera cierta la leyenda que asegura que los liberales vaciaron las iglesias lo contrario también tendría que ser cierto, a saber, que los conservadores las llena­ron. Pero la triste realidad es que las iglesias más estrictas en su doctrina y política eclesial, como los Strict Baptist (Bautistas Estrictos), fueron los que mas pérdidas experimentaron en el periodo de entreguerras (1918-1945). La vuelta a la «ortodoxia» de muchos púlpitos, de nin­gún modo supuso la vuelta de la feligre­sía, porque no era una cuestión de orto­doxia versus heterodoxia, sino de algo mucho más profundo y difícil: un cambio de mentalidad propiciado por los nuevos medios de producción, por la revolución industrial, el acceso de las masas al consumo, el avance de las ciencias en todos los campos.

 
Ese tipo de iglesias –refugio y puerto de la sana doctrina– comenzó a desarrollar una hostilidad abierta contra el estudio académico y a la misma labor teológica a la que se hacía culpable de todos los males. La oposición a la teología, ya en general y sin discriminar, llevó irreme­diablemente a la imperdonable supre­sión de ministros y pastores competentes al frente de las comunidades, lo que incidía negativamente en el crecimiento de las mismas. En las Iglesias Bautistas Estrictas, reducto y bastión de la «ortodoxia» calvinista, se produjo un vacío pastoral rellenado por predicadores itinerantes, que sólo como medida de emergencia podía justificarse, con la consiguiente paralización de toda la vida cristiana, ya en el orden espiritual ya en el intelectual. «La ausencia de liderazgo pastoral se debe contar entre las mayores deficiencias de la época. Algunas veces diáconos obstinados, a menudo el único miembro masculino, asumía un liderazgo dictatorial... cuya ambición era aferrarse a su posición y autoridad contra el llamamiento a un pastor».16 La casa hacía goteras por todas partes. Pero en lugar de ponerse a repararlas debidamente se permitía la indulgencia de acusar ciegamente a los seminarios teológicos de ser focos infectados por el liberalismo. «El resultado fue que, durante varias generaciones, las iglesias buscaron pastores mala­mente formados.» Muchas congrega­ciones dejaron de existir.17
Sobra decir que el paroxismo antili­beral, o antí lo que sea, desvía la atención de la realidad y produce un mecanismo de autodefensa costoso e inservible por cuanto el enemigo está dentro y no fuera de casa. No olvidemos la advertencia de la Escritura que dice: «Es tiempo de que el juicio comience por la casa de Dios» (1 Pedro 4:17).
No se puede ni se debe usar el liberalismo, o cualquier otra etiqueta, como un arma arrojadiza para eliminar lo que disgusta o no se entiende. No es prudente, ni es critiano.
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1 “The question has been asked whether the Evangelical Moder­nist view of the relation of Chris­tian faith to truth and to history, and in particular the Evangelical Modernist view of Jesus Christ, can furnish forth a Gospel for sinful and suffering humanity. A negative answer to this question is confidently given in many quar­ters. Yet a candid survey of the facts does not bear out this nega­tive. The prevalent neglect of pu­blic worship and the rampant pa­ganism of our time are often addu­ced as the obvious results of our having strayet from the right path. But the evils might with just as much show reason be laid at the door of traditionalism, as the inevi­table result of traditionalists ha­ving failed to move with the times” (Dr. Cecil John Cadoux, Macken­nal Professor of Church History and Vice-Principal at Mansfield College, Oxford. The Case for evangelical Modernism, p, 173. Hodder and Stoughton, Londres 1938).
2 "Una de las razones de la pér­dida de fe religiosa en la sociedad occidental contemporánea puede muy bien ser que muchos indivi­duos han llegado a pensar que Dios no ofrece una salvación real en los problemas concretos de la vida" (David A. Pailin, El carácter an­tropológico de la teología p, 257 Sígueme, Salamanca 1995.
3 Mircea Eliade, Fragmentos de un diario p, 13, Espasa Calpe, Madrid 1979.
4 A. Torres Queiruga, Creo en Dios Padre. El Dios de Jesús como afirma­ción plena del hombre, p, 31. Sal Te­rrae, Santander 1986.
5 A.Torres Quciruga, ob. cit. p. 38.
6 "I feel profoundly that the Higher Critics have perpretrated a great crime on the church and, indeed, on the world. Their influence has, from the standpoint of the present day, been a decidedly and a negative one. I am prepared to believe that not all of them may have meant to be negative. But I am entirely convinced that one hundred years of their ascendency in the church in this land (to look no further afield) has been little short of catastrophic» (Mau­rice Roberts, "The Guilt of the Higher Critical Movement» The Banner of Truth Magazine, p, 1 August-September 1992.
7 S. Lawton, Truths that Compelled, p. 52. Hodder and Stoughton, Londres 1968.
8 Andrew A. Woolsey, Channel of Revival, pp, 112-113, Faith Mission Press, Edimburgo 1982.
9 Colin N. Peckham, Heritage of Revi­val, pp. 102-103. Faith Mission Press, Edimburgo 1986.
10 Willian Lax, Lax of Poplar. His Book. The Autobiography, p. 131, Epworth Press, Londres 1937.
11 Id, p, 150.
12 Id, p. 225.
13 Keri Evans, My Spiritual Pilgri­mage, p, 53. Pickring, Londres 1945
14 «Al no serme posible admitir que la fe sea inaceptable para la cultura y la cultura para la fe, la única alternativa posible era intentar la interpretación de los símbolos de la fe a través de las expresiones de nuestra propia cultura» Paul Tillich, Teología Sistemática, vol. III, pp, 14,15, Sígueme, Salamanca 1984.
15 E.J. Poole-Connor, Evangelicalism in England, p. 260. Henry E. Walt-, Wortbing 1966,
16 Allen Miller, “Up North of England Churches Then and Now”, en Grace Maga­zine, p. 8. Mayo 1995
17 Nigel Lacey, id, p. 11