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domingo, 19 de agosto de 2012

Desenvolvimento Econômico do Brasil - 31.07.12 - 100/100 dias de oração pelo Brasil

Lembro-me dos anos do "milagre brasileiro", na década de 70. Era adolescente e, mesmo a filosofia da época sendo 'primeiro aumentar o bolo para depois distribuí-lo', experimentei os efeitos benéficos da fase. Foi nela que iniciei, aos 15 anos, minha vida de trabalhador remunerado. Ainda que sob ditadura e visão social a meu ver equivocada, algumas migalhas caíram da mesa...

Hoje vivemos um novo momento de crescimento econômico e o bolo está sendo dividido junto com ele. Em partes ainda pequenas, muito menores do que desejamos e necessitamos, mas seus benefícios podem ser percebidos. Desejamos que assim continue e se amplie até que os sinais de justiça social na área de distribuição de renda brilhe intensamente.

Nesse período de férias, almoçando na casa de uma família dinamarquesa, o hospedeiro destacava que a Dinamarca é uma grande classe média. Há problemas, como em qualquer meio humana, mas não se constituem o que chamamos de "problema social". Ainda em 2009, quando a crise mundial dava os primeiros sinais, o parlamento dinamarquês decidiu que o Estado investiria em obras estruturais para aquecer a economia e manter empregos. Hoje há grandes obras sendo realizadas em cada canto por onde se passa.

Dizia também que os níveis baixíssimos de corrupção favoreciam o desenvolvimento econômico do seu país. Atuando numa empresa multinacional que está iniciando suas atividades em São Paulo, já estava bem informado deste entrave ao desenvolvimento do Brasil. O triste é que todos sabemos disso, mas preferimos tirar nossa "casquinha", em vez de lutar para removê-la.

Diversos são os entraves ao mais rápido, sólido e profundo desenvolvimento do país. As deficiências na infraestrutura, nas estruturas institucionais e na qualificação técnico-educacional da população estão entre as mais citadas. Pouco se fala do perfil ético-moral que caracteriza parcela significativa de nossos dirigentes e da nossa passividade diante dele.

Qualquer grupo que deseja desenvolver-se, precisa não somente fazer um diagnóstico adequado da realidade, mas dispor-se a implementar o que for necessário para atingir seu objetivo. Se queremos ver o desenvolvimento econômico do Brasil, que busquemos conhecer sua realidade, os obstáculos a serem vencidos e, não somente agir em seu raio de influência e conhecimento, mas também unir-se a outros, inclusive de áreas diferentes, na busca de soluções que beneficiem a todos e não somente uma parcela dominante.

Abraços do seu pastor,

Adolescentes Viciados em Drogas e Álcool - 30.07.12 - 99/100 dias de oração pelo Brasil


Adolescência é uma fase essencial à vida humana. É nela que, depois de viver o período no qual a verdade dos pais é a verdade absoluta, o ser humano vive uma busca intensa por suas próprias verdades. Daí ser comum, nesta idade, o conflito entre pais e filhos. Geralmente o problema maior é dos pais que, por não entenderem o processo de desenvolvimento do filho, continua a exigir uma postura incompatível com a idade.

Nessa fase, a pessoa vive um dilema: em alguns momentos quer ser tratada como criança; noutros, como adulto. Dá um  nó na cabeça adulta, não poder prever ou controlar quando e onde essa necessidade se manifesta. Nó maior é a perda de controle sobre sua "criança".

Nessa fase os hormônios estão à flor da pele e a crise existencial se manifesta. Extravasar todos os sentimentos decorrentes é um desafio tanto para quem vive a adolescência, quanto para quem acompanha quem passa por ela. Os ideais norteiam a caminhada. A luta pela coerência entre o que se acredita e o que se faz é fortíssima. A frustração também. Na caminhada vai-se percebendo que, nem tudo o que pensamos e sentimos pode tornar-se realidade na hora e na forma desejada.

Sendo uma fase de definições, carências e conflitos interiores, muitos se tornam presas fáceis das drogas. E aquilo que surge para "solucionar" problemas de curto prazo, pode tornar-se o problema de toda uma vida ou do fim dela. Por isso é fundamental que aprofundemos nosso conhecimento sobre este momento especial da vida e busquemos sabedoria para lidarmos com ele.

A sociedade brasileira está em processo de envelhecimento. O número de adolescentes se tornará menor a cada dia. Isso poderá aprofundar as diferenças entre faixas etárias e provocar maiores conflitos, caso não saibamos entender o que se passa, tanto em nível individual, quanto social. Orar por nós mesmos, para que saibamos ajudar pessoas na adolescência é um bom primeiro passo. Quem ora com sinceridade, se compromete com a causa pela qual ora. É hora, portanto, de orarmos pelos adolescentes e trabalharmos para que as drogas não façam parte de suas "soluções". É hora de orar por aqueles que já caíram na cilada e buscarmos formas de ajudá-los a saírem da armadilha.

Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Amar o Próximo - 29.07.12 - 98/100 dias de oração pelo Brasil


Definir emoções ou atitudes, dando-lhes um nome é uma necessidade humana. Dar nomes é a forma usada para nos relacionarmos com as realidades por nós percebidas. Porém, devemos ter consciência de que os nomes dados nem sempre conseguem satisfazer tudo o que experimentamos. Sempre fica uma brecha para que a definição de uma pessoa a respeito da emoção ou da atitude não se assemelhe exatamente a de outra. É o caso da experiência de amar.

O amor é comumente definido como sentimento nas canções que falam da paixão; como sinônimo de fazer sexo, na gíria hippie, a partir dos anos 60; como atitude, em autores como Cecil Orborne ou mesmo como uma decisão, uma escolha, nas palavras de Jesus quando diz: 
"Vocês ouviram o que foi dito:'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo!' 
Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu pai ue está nos céus. Porque ele faz raiar o sol sobre os maus e os bons e derrama chuva sobre justs e injustos.Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! E se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!"

Isso sem falar nos equívocos que cometemos em nome do amor. Dar uma moeda a uma pessoa, no sinal de trânsito, seria uma manifestação de amor? Não há unanimidade. Henry Drummond, pastor escocês, em seu extraordinário livreto "A maior coisa do mundo" (disponível no Brasil sob o título "O Dom Supremo", numa versão de Paulo Coelho), defende que não necessariamente.

Se não bastasse isso, ainda há a questão da motivação, quando declaramos amar uma pessoa. Nietzsche, por exemplo, como percebia as relações pela ótica do poder, defendeu que quando justificamos nossos atos em favor de alguém como sendo por amor, na verdade o amor seria a nós mesmos. 

Todas essas compreensões e uma infinidade de outras que podem ser encontradas em livros, confirmam o desafio que é a comunicação humana, a criação de conceitos e suas definições. Isso, porém, não anula a existência de uma experiência conhecida como amor. Uma experiência que, conquanto possa envolver emoção, sexo, caridade e, num nível mais profundo da consciência ou inconsciência humana, algo que pode ser entendido como egoismo, é, na verdade, a nossa mais preciosa experiência.

É o amor que damos ou recebemos que nos faz ficar em pé, que dá sentido à existência, que renova nossa esperança, que revigora nossas forças para que continuemos vivendo, mesmo em meio às mais profundas adversidades. 

A meu ver, em face da influencia de Jesus sobre minha história, amar é uma escolha de vida. Cercada ou não de emoção, a decisão de amar é essencial à nossa caminhada. Tão essencial para o outro, quanto seria para nós mesmos, se estivéssemos em seu lugar. Daí a regra de ouro:"Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas". (Mt 7.12).
Não podemos deixar de escolher fazer ao outro, aquilo que deveria ser feito em nosso favor, se estivéssemos em situação semelhante, no lugar dele.

É um desafio, em algumas situações, especialmente as caracterizadas por emoções traumáticas, de crueldade ou injustiça. Os primeiros discípulos de Jesus reconheceram isso quando lhes foi ensinando que deveriam perdoar alguém, 70 x 7 vezes, num mesmo dia, se a pessoa reconhecesse o erro e pedisse perdão. Tão desafiador que a reação deles foi: "Aumenta a nossa fé" (Mt. 17.5).  Mas é o melhor norte a ser cultivado, referencial a ser seguido, segundo as palavras de Jesus. 

Amar é a  maior coisa do mundo, a maior necessidade humana, é tudo de que precisamos para viver.

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Justiça Social no Brasil - 28.07.12 - 97/100 dias de oração pelo Brasil


Todos queremos justiça social, desde que a chegada dela não implique em alterar nosso status quo. Isso porque justiça social implica não somente em justa distribuição de renda, mas também de oportunidades, para que se tenha acesso à informação, aos cargos e funções decisórias, à educação, saúde, segurança, habitação e a transporte, por exemplo. 

No caso da igreja, a grande questão da não inclusão do tema justiça social em sua lista de prioridades, se deve ao fato de que não há como agir nesse campo sem que as diferenças político-econômicas se evidenciem, sem que os constrangimentos das desigualdades venham à tona e sem que se corra o risco de perder determinados privilégios.

Se tem dúvidas quanto isso, passe a observar quais são os temas relacionados à vida social que são abordados por nós. Pegue qualquer revista ou jornal de qualquer denominação evangélica ou até mesmo faça um levantamento dos temas sociais abordados em congressos denominacionais e verificará que eles têm algo em comum: tratam de temas que não colocam a igreja em rota de colisão com os poderes políticos e econômicos estabelecidos. Até mesmo quando nos envolvemos na busca por um lugar nos parlamentos ou em cargos executivos eletivos, o fazemos pensando em ter alguém que defenda nossos interesses e não em pessoas que tenham visão pública e entendimento ético consistente.

Optamos por tratar das questões do corpo, não porque seja o mais importante da vida humana, mas por sua generalidade e, consequentemente, por combater-se questões que não alteram as relações de poder estabelecidas (apenas aumentam a culpa individual e força-se uma maior dependência sacerdotal para que ela seja perdoada). O que discuto aqui, não é a importância da ética da corporalidade, mas a "exclusivização", absolutização até, dela em nossos discursos e ações, em detrimento das demais áreas, especialmente as políticas e econômicas.

Entretanto, não há como agir em prol da justiça social, sem que as relações de poder sejam revistas. E para serem revistas é preciso que sejam analisadas, avaliadas. E para que isso ocorra, é preciso relacionar teoria a casos concretos. E fazer essa relação, nos coloca em rota de colisão. Daí, repito, rarissimamente termos acesso, nos meios denominacionais evangélicos, a temas relacionados à ética na economia e na política, em linguagem "popular".

O que significa pra nós "orar pela Justiça Social no Brasil"? Um desencargo de consciência? Um ajuste à imagem institucional? Queremos mesmo nos envolver para que algo seja mudado?

Abraços do seu pastor,

sábado, 11 de agosto de 2012

Mulheres Vítimas de Violência Doméstica - 27.07.12 - 96/100 dias de oração pelo Brasil

Há homens vítimas da violência doméstica? Certamente que sim, mas em proporções incomparáveis à sofrida pelas mulheres. A força bruta, o histórico predomínio econômico-financeiro, o desenvolvimento de uma cultura machista e o vigilante controle para sua manutenção, na qual a mulher se tornou uma ferramenta a serviço da comodidade do homem, um objeto para satisfazer suas necessidades sexuais, são alguns elementos que estão por detrás da violência contra a mulher.

E a igreja, o que tem a ver com isso? Lembro-me da experiência contada por uma amiga, Assistente Social, trabalhando numa Delegacia de Polícia. Uma mulher compareceu perante ela para  registrar uma ocorrência contra seu marido que a agrediu fisicamente. Ele a acompanhou. Enquanto ela era atendida pela delegada, ele ficou conversando com a Assistente Social. Evangélico, justificou a agressão em "bases bíblicas". Se a Bíblia determinou a submissão e a mulher desobedeceu, não lhe restou outra alternativa, senão a penalidade física.

O poder faz isso. Mal entendido e sentido, ele não permite que enxerguemos a possibilidade de convivência entre visões paralelas. Diálogo, portanto, não faz parte do seu vocabulário. Só deve haver uma visão de mundo, de realidade, dos fatos, enfim. Se não há afinidade, o outro é que está cego e, portanto, qualquer meio se torna válido para ajustar a pessoa divergente à minha verdade. Se não se ajusta ao meu modo de pensar através da força do argumento, que seja pela força física. Mas tem que se ajustar...

Não existe ser humano "naturalmente" submisso. Existem homens e mulheres que se ajustam à base da relação custo-benefício. Em outras palavras, ninguém se submete a ninguém por uma convicção ou prazer inerentes à sua natureza. A submissão sempre é resultado de conveniência. Avalia-se, consciente ou inconscientemente, o que se ganha ou se perde dependendo da postura adotada e, assim, adota-se um discurso, um comportamento, uma postura. Por isso, sempre que alguém se apresenta submisso sem que haja algum tipo de ganho que dê sentido à sua atitude, certamente há um processo de adoecimento emocional latente que, um dia, pode explodir de alguma forma geralmente negativa, no mínimo pra si mesmo.

Se há mulheres vítimas de violência é porque nós homens não aprendemos a lidar com o poder. A igreja colabora com isso sempre que defende a manutenção de qualquer tipo de relacionamento entre homens e mulheres, seja na família, na ministério eclesiástico, na vida profissional, enfim, que não seja movido por uma consciência de que ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus e, portanto, que não seja caracterizado por interdependência, diálogo, amor e mútua submissão.

A igreja contribui para a violência contra a mulher quando insiste em interpretar literalmente (prefiro popularmente) os textos que favorecem a manutenção do doentio status quo histórico-cultural masculino e não adota o mesmo critério para todos os textos bíblicos. (A incoerência em termos de critérios hermenêuticos e a principal evidência do machismo impregnado na cultura eclesiástica)

Há violência contra a mulher dentro de lares "cristãos", mesmo "evangélicos", e isso se dá de diversas maneiras, inclusive física. O que podemos fazer contra?

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Democracia, liberdade de Imprensa e Religiosa - 26.07.12 - 95/100 dias de oração pelo Brasil

Enganam-se aqueles que acreditam que democracia, liberdade de imprensa e de religião são temas consolidados que, portanto, não devem merecer nossa atenção.  Na verdade, sempre haverá conspiração contra, simplesmente porque são relacionados a uma das maiores dificuldades humanas: lidar com o poder.

A luta pelo poder é constante. É algo a ser decidido a cada momento de nossas vidas. E as três áreas citadas não ficam fora disso, muito pelo contrário.


Há, por exemplo, defensores da democracia, desde que ela lhes favoreça. No momento em que a prática da democracia diminua seu poder para manter sua vida do jeito que acredita que deveria ser, que venha a ditadura.


Democracia não é somente o direito que temos de eleger nossos representantes ou aqueles que vão dirigir os rumos da sociedade em que vivemos. É também participar das escolhas de quem vai concorrer aos cargos; é ter acesso à todas as informações relacionadas ao uso do dinheiro que pagamos em impostos para manutenção da boa qualidade de nossas vidas; é poder interferir quando algum dirigente não faz aquilo para o que foi eleito; é poder lutar para que a justiça e a solidariedade prevaleçam em todos os tipos de relacionamentos sociais, por exemplo. Nesse sentido, a democracia brasileira é um bebe.

A democracia batista, tão decantada em nossos livros e discursos, não fica atrás. Somos um retrato do meio no qual estamos inseridos e, a despeito das afirmações teóricas que fazemos sobre o assunto, ainda não somos, seja nas igrejas ou instituições denominacionais, aquilo que poderia ser chamado de modelo de democracia que desejamos para o pais.


Isso se dá também na "imprensa batista".  Nela também não somos aquilo que discursamos ou que elogiamos em determinados momentos da história. A liberdade de imprensa ocorre desde que seja para elogiar dirigentes, fortalecer a propaganda daquilo que nós dirigentes acreditamos ser o melhor ou, pelo menos, para não tocar em pontos nevrálgicos do funcionamento da máquina. Exatamente como acontece na imprensa brasileira.


A imprensa é um campo de futebol onde, de um lado estão seus dirigentes, do outro, aqueles que discordam deles. Do outro lado das 4 linhas, esclareço, pois dentro delas, é como pelada de amigos para arrecadar fundos.


A internet está democratizando a informação, mas há países que a tem sob controle. E não pensem que no nosso não exista quem queira controlá-la!!! Controlar a imprensa é controlar a informação e controlar a informação é deter o poder.


Quanto a liberdade de religião, somos defensores dela, desde que seja para divulgar nossas crenças. Uma "despretenciosa" proposta apresentada na última assembléia da Convenção Batista Brasileira, definindo que nossos seminários deveriam passar a imagem de que são conservadores, demonstra bem a atenção que a liberdade de religião merece. Hoje a idéia aparentemente inocente é apenas fortalecer a imagem de conservadores (há quem enxergue virtude em abrigar-se sob rótulos ou tira proveito disso, sem aprofundar seus significados políticos na história). Amanhã define-se "piedosamente" quem pode ser considerado conservador. No final, resta a fogueira para quem for classificado pelos detentores do poder da "santa inquisição", como não sendo conservadores.


Visitei, sábado passado, "El Museu de la Inquisicion", em Córdoba, Espanha. Sai meio que deprimido com o que vi. A fogueira pareceu-me sobremesa, diante dos instrumentos usados para torturar "hereges". Ler como cada um era usado e em que casos era aplicado fez minha alma doer. Sai ainda mais convencido da importância de lutarmos pela liberdade religiosa, inclusive nos arraiais batistas. Precisamos orar e vigiar para não permitirmos, sob que motivos forem, que a liberdade de pensamento e crença seja ameaçada, dentro e fora da denominação em nosso país. A ausência dela já causou muito dano ao longo da história.


Abraços do seu pastor,

Funcionário Público - 25.07.12 - 94/100 dias de oração pelo Brasil

Orar pelos funcionários públicos é orar por uma parcela significativa da população. Há fontes que indicam que são 12% do total de empregos do país. São alguns milhões de pessoas, pagas com dinheiro do nosso trabalho recolhido através de impostos, que trabalham para fazer funcionar uma imensa máquina chamada Brasil.
Da qualidade do trabalho que desenvolvem, depende muito a qualidade de vida que experimentamos.

Orar por eles, é também orar por nós. Não somente porque é difícil encontrar uma família no Brasil que não tenha um, mas porque dependemos profundamente deles. Basta fazermos uma análise superficial do nosso dia a dia e identificaremos cada ponto no qual a ação de um deles determina a continuidade de nossas atividades.

Critica-se muito a quantidade de funcionários públicos no Brasil. Não acredito que nosso problema seja quantidade. O problema é a qualidade, fato que ocorre não somente na área pública. O problema na área pública é que, por tratar-se de emprego cujo grau de estabilidade é muito maior do que na empresa privada, há um abuso e desrespeito proporcional à tal estabilidade de parte dos contratados.


Falo de parte porque há muito funcionário público, seja do Executivo, Legislativo ou Judiciário, que trabalha com seriedade e da o seu melhor em seu cargo. Muita vez não faz melhor porque o próprio sistema ou quem o dirige não é de boa qualidade.


Há também áreas da administração pública na qual a qualidade dos serviços é reconhecida. Curiosamente, a de maior destaque é a da arrecadação financeira. A Receita funciona com uma eficiência que merece destaque. Se a eficiência da saúde, da educação e segurança, por exemplo, fosse semelhante à da Receita Federal, seríamos um país de primeira.


A pergunta que fica é: por que a Receita conseguiu este padrão e as demais áreas não? Se ela funciona bem, por que as outras não? Ficam essas perguntas para nossa reflexão, neste momento de oração pelos Funcionários Públicos.


Abraços do seu pastor,

Crianças que vivem nas ruas - 24.07.12 - 94/100 dias de oração pelo Brasil

Caminhávamos por uma das ruelas de Granada, Espanha, na semana passada e nos deparamos com uma mãe cigana, comum na região, tendo nos braços uma criança e pedindo ajuda. Ela expunha seu bebe como meio de sensibilizar os passantes, visando conseguir algum dinheiro. Não emito juizo de valor sobre a ação da referida mãe. Exceção em Granada, mas comum na realidade brasileira, serve como indicador de como crianças podem ser usadas. Se crescem sendo usadas para pedir dinheiro nas ruas, excepcionalmente poderão trilhar por caminhos melhores. Pelo contrário, a tendência é utilizar-se de meios piores para sobreviver.

A questão que me incomoda é geralmente ouvir pessoas dizendo da mãe: - olha aí, tão nova, poderia estar trabalhando, mas fica pelas ruas pedindo dinheiro. É certo que há pessoas que, por razões que não vêm ao caso, decidem ir às ruas pedir esmola, em vez de buscar trabalho. Mas é certo, também, que a maneira como a sociedade está estrutura e a maneira como se exerce o poder e se usa o dinheiro público são fábricas de pessoas nestas condições.


As crianças são sempre vítimas. Elas dependem de adultos saudáveis que lhes ofereçam condições de vida saudáveis, que lhes ensinem o caminho por onde trilhar, que lhes alimente de esperança, de confiança e lhes diga, com seus exemplos, que vale a pena amar, trabalhar, viver enfim, de maneira respeitosa consigo e com seu semelhante.


A questão de crianças nas ruas, portanto, não é um problema a ser resolvido exclusivamente por seus pais. Seus pais são os primeiros responsáveis por elas, mas se eles não tiverem acesso à renda que, por razões éticas, deve ser compartilhada de maneira socialmente justa, se não tiverem aesso à educação e saúde de qualidade; se não tiverem condições de usufruirem de habitação, segurança, transporte, enfim, de qualidade, não adianta reclamarmos da presença de crianças nas ruas e muito menos ter "pena" delas.


Se o evangelho que anunciamos não enxerga o corpo das pessoas, não visa suas vidas concretas e se elas são "vistas" apenas como uma substância a ser protegida do inferno futuro, um número a ser acrescentado numa relatório, numa relação de membros, num relatório financeiro, de nada adianta orarmos pelas crinças que vivem nas ruas.


Não seremos melhores do que a mãe que usa um bebe para pedir esmolas, se criarmos instituições para acolher crianças desamparadas apenas como jogada de marketing, para ter o que dizer na hora de levantar recursos financeiros junto aos membros das igrejas. Se não nos conscientizarmos de maneira clara, objetiva, inequívoca, que cooperar efetivamente para uma sociedade mais justa, deve ser uma filosofia ministerial permanente, constante, envolvendo assistência, serviço e ação social, não seremos em nada melhores do que a mãe citada no início desta reflexão.


Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Crianças e Adolescentes Exploradas Sexualmente - 23.07.12 - 92/100 dias de oração pelo Brasil

Comecemos orando pelas famílias próximas de nós. Digo isso porque boa parte da exploração sexual começa dentro de casa e de casa de gente que não aparenta ser exploradora. É praticada por pais, tios, irmãos mais velhos ou amigos íntimos da família. E o dano que isso causa é incalculável.

Um dia desses li algumas críticas contra Xuxa por ter confessado publicamente que foi abusada no início da adolescência, mas não falou de suas fotos pornográficas, nem dos filmes dos quais participou contracenando eroticamente com crianças. E daí? Se ter feito coisa errada na vida servir de impecilho para reconhecermos erros, todos teríamos que silenciar em muitas áreas. Já ouvi pastores combatendo ferozmente a leitura de revistas pornográficas, mas já as tinha lido; combatendo ferozmente o namoro misto, mas eles mesmos namoraram; combatendo ferozmente o "ficar", mas aprontaram muito com namoradas. Porque são incoerentes, eles não servem de exemplo para nós. Se eles silenciarem, também não. A questão é: o ato denunciado é nocivo? Se sim, apoiemos a denúncia.


A denúncia é o ponto. A incoerência seria ponto de outro tópico. Se colocá-los juntos enfraquece a denúncia, tratemos cada um sepadaramente.


Se Xuxa não disse tudo de sua vida ou se o que disse foi usado para alavancar audiência, isso não nega o fato de que, o abuso sexual de crianças e adolescentes deve ser combatido e todas as iniciativas que servirem para consicientizar-nos disso devem ser valorizadas.


Só quem já presenciou a dor de alguém que desabafa um abuso sexual sofrido, sabe o quanto é importante nos posicionarmos contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. É de doer o coração. Causa profunda indignação.


Na verdade, devemos ser contra qualquer tipo de abuso. Abuso de autoridade. Abuso econômico. Abuso religioso. E tantos outros, além do sexual. Mas  abuso de criança e adolescente deve mercer cuidado especial, pelas limitações próprias de suas idades.


Oremos e lutemos, por todos os meios ao nosso alcance, contra a exploração sexual de crianças e adolescentes!


Abraços do seu pastor,

Infanticídio de crianças indígenas - 22.01.12 - 91/100 dias de oração pelo Brasil

As vezes fico invocado com alguns defensores da cultura. São radicais contra a chegada do evangelho em tribos, pois isso, dizem, destrói a cultura indígena. Mas silenciam quando, por razões culturais, crianças são mortas nas tribos porque apresentam "deficiências" ou são "gêmeas" ou até mesmo mães são mortas por serem tidas como promíscuas, simplesmente porque seus filhos nasceram com anomalia, como descreve Eli Leão Catachuga, da etnia Ticuna, no livro "100 dias que impactarão o Brasil".

Concordo que há evangélicos e Evangélicos, religiosos e Religiosos, mas há alguns defensores da cultura que se igualam aos evangélicos do tipo que criticam, justamente por não serem capazes de discernir o trigo do joio no meio evangélico ou por serem preconceituosos, pois sabem que não são todos farinha do mesmo saco, mas insistem em generalizar.


Ora, todos sabemos que cultura é algo que se constrói, que se cultiva. Se constrói com base em crenças, pensamento, sentimento, valores, enfim. Mas se as crenças sofrem alteração com base em avaliações dos prejuizos que provocam à vida de indivíduos ou sociedades, a cultura tem mesmo que ser mudada.


Por mais que valorizemos a cultura de um povo, se há elementos nocivos, por que devemos silenciar? Por que não podemos influenciar na mudança? Se alguém está usando isso como meio de exploração, que se combata a exploração, não a possibilidade de se exercer mútua influência. A não ser que creiamos que não exite o saudável e o nocivo, o bom e o ruim, pois tudo é puramente uma questão cultural ou de ponto de vista. Se é isso, então a discussão deveria se dar em outro campo.


Claro que devemos orar pelas milhares de crianças brasileiras que não vivem em tribos indígenas e são mortas. Mas hoje, o foco são as crianças indígenas que nascem em tribos nas quais podem ser mortas por razões que nenhuma sociedade minimamente evoluida aceita mais. E se isso acontece em território brasileiro, sob nosso nariz, à despeito das proibições legais, silenciar por razões culturais é o cúmulo. Ou não?


Abraços do seu pastor,

sábado, 21 de julho de 2012

Instituições que trabalham com crianças - 21.07.12 - 90/100 dias de oração pelo Brasil

Há quem defenda que não seja papel da igreja trabalhar com crianças empobrecidas ou em situação de risco. Defendem que cabe ao Estado cuidar das questões sócio-economicas do país. À igreja, dizem, cabe o papel de cuidar das almas (no sentído medieval da palavra, não psicológico ou mesmo bíblico-teológico). A igreja, dizem, deve cuidar do futuro, impedindo que pessoas vão morar no inferno, trabalhando para que aceitem ir morar no céu.

Este tipo de compreensão é fruto muito mais de alinhamento político-ideologico com o poder político e econômico do que reflexão sobre a vida e ensinos de Jesus. Além disso, coloca seus defensores na mesma condição do sacerdote e do levita, da Parábola do Bom Samaritano.


Entendo que, em primeiro lugar, compete aos
pais trabalharem para que seus filhos tenham boas condições de vida. A responsabilidade número um, portanto, é dos pais. Entretanto, os pais não vivem numa ilha. Suas vidas são fruto de todo um contexto sócio-cultural. A educação e condições de vida que receberam e a cosmovisão de mundo que desenvolveram se deram num contexto em que há pessoas de todo tipo. Pelo fato de ser característico do ser humano, a luta pelo poder sobre o outro, a defesa de interesses particulares em detrimento dos públicos, a competição sem ética, sempre haverá quem acumule muito (dinheiro e poder) e quem fique sem nada. O desequilíbrio social torna-se realidade, se não houver elemento atento e regulador.

Nesse contexto, além dos pais nem sempre conseguirem dar o que não lhes foi dado, há também circunstâncias de vida que tornam desfavoráveis a estabilidade familiar. Uma enfermidade, um desemprego, um acidente, enfim, uma série de fatores contribue para que famílias estejam sujeitas a problemas e nem sempre consigam recuperar a condição de oferecer aos filhos o que eles necessitam.


Cabe então, ao
Estado, criar ambiente favorável à vida  de todos os cidadãos, especialmente das crianças. Ele deve adotar políticas que favoreçam o equilíbrio das famílias e assim elas possam cuidar bem de seus filhos, de nossas crianças.

Só é aceitável o Estado criar instituições e designar recursos para ajudar crianças em situações excepcionais. Via-de- regra, ele deve oferecer à família, condições favoráveis ao seu desenvolvimento, a fim de que ela não precise receber esmolas do Estado. Quando, entretanto, o desequilíbrio está estabelecido, como é o caso do nosso pais, é óbvio que o Estado precisa intervir visando recuperar as condições necessárias ao desenvolvimento autônomo de cada família. Que caminho técnico usar é o X da questão. Daí as diferenças ideológicas nos modelos econômicos que cada país adota.


Onde as
igrejas entram nisso?  As igrejas, atentas à realidade que as cerca, não podem passar de fininho como se nada estivesse acontecendo. Há um problema social com nossas crianças, ou seja, a quantidade de problemas está acima do nível considerável aceitável e o Estado não está dando conta de sua parte, seja porque razões forem.

Nesse caso, não só a igreja, mas todas as pessoas e instituições devem se mobilizar. Mobilizar-se através de atuação política mais contundente, visando otimizar a administração da coisa pública e do uso dos recursos disponíveis; trabalhar para reduzir a probabilidade de corrupção e estender as mãos - ofercendo assistência e educação - aos que são vítimas de um sistema social que não oferece condições para que o cidadão tenha acesso a educação, saúde, transporte, habitação, renda, etc..


As igrejas podem, então, fazer um bom papel, dando o peixe nos casos de emergência; ensinando a pescar, nos casos em que a integridade da pessoa não está em risco e conscientizar sobre as causas dos rios não estarem produzindo peixe em quantidade suficiente ou de alguns conseguirem mais peixes do que outros.


Vibro cada vez que vejo uma igreja fazendo algo pelas crianças. Cada uma deve encontrar sua forma de cooperar, dentro dos recursos financeiros, humanos, estruturais que dispuser. O que não podemos é ficar dando ouvido a uma teologia alienante, cujos defensores transformam igrejas apenas em nicho para vender seus livros e suas conferências "teológicas", a pretexto de fidelidade à palavra de Deus.


Fidelidade à palavra de Deus é amar ao próximo como a si mesmo, é não deixar que seja feito com as crianças dos outros aquilo que não gostaríamos que fosse feito com nossas crianças.


Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Crianças -"Não as impeçais"! - 20.07.12 - 89/100 dias de oração pelo Brasil

Crianças são seres humanos.
Em estágio de vida diferente dos adultos, mas seres humanos.
Responsabilidades diferentes dos adultos, mas seres humanos.
Reações diferentes dos adultos, mas seres humanos.
Isso parece óbvio, mas não para todos e em todos os tempos. Nos tempos de Jesus, como as mulheres, elas não eram contadas. Isso indicava que não tinham o mesmo valor que os homens. Daí os discípulos dificultarem o acesso de uma mulher a Jesus que, além disso, queria levar uma criança para ser abençoada.
Jesus, quebrando mais um paradigma, reage: "não as impeçais".

"Não as impeçais" não é o mesmo de "deixem que façam o que quiserem". Significa que seus direitos devem ser reconhecidos. No caso de Jesus, os discípulos lhes negava o direito de serem abençoadas.


Por que elas não poderiam sequer ser abençoadas por Jesus? Porque Jesus era por demais importante, bastante assediado por adultos e, sendo elas seres de segunda classe, não deveriam incomodá-lo. Esse era o pensamento por detrás da decisão deles. Errado, mas assim a cultura foi introjetada em suas mentes. (Preservar a cultura é algo bom, desde que os valores que elas apresentam sejam saudáveis ao indivíduo e à sociedade como um todo).


Jesus via de outra forma.

As crianças são frágeis, mas seres humanos.
Não desenvolveram a capacidade física para se defenderem, mas seres humanos.
Não têm autonomia econômica para sobreviverem, mas seres humanos.
Não têm pensamento amadurecido para decidirem, mas seres humanos.
Não têm maturidade emocional para se autocontrolarem plenamente, mas seres humanos.
Sim, seres humanos que merecem todo o nosso respeito e cuidado.

Portanto, as palavras de Jesus precisam ser vistas não somente como um incentivo à evangelização de crianças, no sentido de proporcionarmos a elas o direito de conhecerem um evangelho que lhes garante uma salvação no futuro, mas também o evangelho que reconhece e, por isso, valoriza seus direitos de serem salvas das maldades e equívocos humanos no presente.


Não as impedí-las de ir a Jesus, para ouvirem e conhecerem, por exemplo, o "sermão do monte" que lhes ensina direitos e deveres conferidos por Deus, para viverem a vida de maneira saudável. Conhecerem, portanto, não só o direito ao céu, mas à vida, em todas as dimensões, como manifestação da graça e do amor divinos.


Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Profissionais da Educação - 19.07.12 - 88/100 dias de oração pelo Brasil

É oportuno orarmos hoje pelos profissionais da educação. Sempre é oportuno orar por eles. Todos dependemos e continuaremos dependendo deles para bem viver. Quem ensinou os que atuam nas profissoões mais rentosas? Quem ensinou os que atuam nas profissões mais influentes da sociedade? Quem ensinou os profissionais mais procurados do mercado? Foram os profissionais da educação. Profissionais de outras áreas contribuem para a educação em estágios mais avançados. Você já ouviu falar de engenheiro, advogado, médico, economista, administrador, etc., ensinar no ensino fundamental? Você tem idéia de quantos dessas e outras profissões atuam no ensino médio? Pois é, atuam geralmente em graduação ou pós!

Uma das causas possíveis para a baixa remuneração dos profissionais da educação seria a lei da oferta e da procura. O fato de atuarem numa área cuja oferta de mão de obra é sempre maior do que as vagas disponíveis (não das necessárias), a tendência seria a desvalorização salarial.  Se é assim, por que o Estado não atua como regulador, como faz em relação às safras de alimentação ou ao valor do dólar? A resposta parece simples: nossos governantes se guiam por resultados de curto prazo, com efeitos políticos e financeiros imediatos e a educação é investimento de longo prazo que traz poucos efeitos eleitorais. O problema, portanto, é político-cultural.

Diante da desvalorização, o perfil dos profissionais da educação é um retato perfeito do comportamento de todos nós. Entre trabalhar no que se gosta e no que dá dinheiro, a segunda opção é sempre a escolhida, pois ter dinheiro possibilita ter e fazer coisas que podem compensar o desprazer de trabalhar naquilo que não seria a opção número 1. Os que insistem em fazer o que gostam ficando na educação são minoria. Assim, a sociedade perde, cada vez que alguém que seria ótimo profissional da educação opta por seguir por outro caminho por razões financeiras. E perde também, quando os que gostam e permanecem na educação trabalham insatisfeitos com a remuneração que recebem.

Se esse raciocínio estiver correto, somente um reposicionamento de cada cidadão, na hora de escolher seus dirigentes, poderia mudar o rumo das coisas. O caminho seria procurar candidatos que tanto reconhecem (comprovadamente e não discursivamente) a importância da educação quanto reconhecem que há um problema de mercado. Eles poderiam atuar no sentido de encontrar e aplicar mecanismos de regulação, visando valorizar os profissionais da educação. Aqui surge novo problema: nós não participamos dos partidos, apenas ratificamos, nas urnas, nomes por eles disponibilizados. E eles, em sua maioria absoluta, bondosamente falando, estão preocupados em nomes que os garantam no poder,
para usufruirem dos benefícios financeiros decorrentes, não em interessados na promoção de mudanças.

Lanço então a criação do Partido da Educação. Já pensou? Só poderia fazer parte dele quem manifestasse clara e inequivocamente interesse pela valorização da educação, em todos os seus aspectos, incluindo, portanto, o profissional da educação. Se você topar, já podemos marcar a primeira reunião para estruturar o projeto!


Enquanto sonhamos, oremos pelos profissionais da educação e ajamos, através dos meios existentes e pensando nos que podem ser criados, a fim de que eles - os profissionais - se sintam apoiados, devidamente valorizados e comprometidos com trabalho e mudanças necessários no sentido de construirmos um pais no qual os valores do Reino predominem.


Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Moradores e Frequentadores das Cracolândias - 18.07.12 - 87/100 dias de oração pelo Brasil


Guaracy, parece que este era o nome da primeira pessoa usuária de drogas com a qual tive contato direto. À época, nós jovens da Igreja Batista de Garça, SP, colocávamos nos ombros uma caixa de som, empunhávamos a Bíblia e uma guitarra - acreditem, já toquei guitarra  -  e íamos à praça da cidade fazer o que era conhecido como "culto ao ar-livre". Depois, fazíamos um arrastão levando pessoas ao culto.

Guaracy era atento. Participou de cultos, chorava durante e depois. Tomou a decisão de iniciar uma nova vida seguindo a Jesus, mas não se libertava das drogas. Era filho de família tida como rica e, participar de igreja "protestante" era um desafio a mais a ser vencido. A última notícia que tive foi que ele teria morrido sem libertar-se das drogas.


Depois disso, já no Recife, acompanhei à distância a luta pela implementação do Desafio Jovem do Recife. Pr. Joel Bezerra, então seminarista e hoje presidente da Convenção Batista Baiana, era o nome que marcava, entre nós seminarista, o desafio de realizar este trabalho, num tempo em que o uso de drogas ainda não se constituia um problema social como hoje.


Hoje, drogas são um problema social. É difícil encontrar alguém que não tenha um familiar ou conhecido próximo que não seja vítima semimorta ou, no mínimo, usuário a caminho do matadouro. Todos conhecemos, de perto, os males que o uso de drogas produz na vida do indivíduo, da família e da sociedade em geral.


Cracolândia é a manifestação similar do que acontece na vida comercial e, agora também, na religiosa. Vendedores de produtos semelhantes se instalam na mesma rua, seja para comercializar carros, equipamentos de som ou a fé, por exemplo. Cracolândia, então, é a concentração do comércio numa mesma rua, numa mesma região. Da mesma forma como a religião se deixa levar, acriticamente, pelo modelo empresarial, o mesmo ocorre com o comércio das drogas. A diferença é que, no comércio de produtos vendidos legalmente, a evidência da presença dele é o enriquecimento dos comerciantes enquanto, no caso das drogas, é o apodrecimento dos consumidores.


Por razões que não vêm ao caso, o fato é que "cracolândias" (terras do crack e não Vila Belmiro) se espalham visivelmente pelo país. E nós, como donos de casa que enxugam o chão onde torneira com problema no vedante está pingando, em vez de trabalhar para consertá-la, apenas repetimos o trabalho dia após dia.


Dou graças a Deus pelos que estão enxugando o chão, enquanto a torneira continua com problema. Oro, entretanto, para que consigamos enxergar as causas do problema (espirituais, existenciais, sociais, familiares, enfim) e nos empenhemos, também, na solução delas.


Abraços do seu pastor,

Sistema Único de Saúde - 17.07.12 - 86/100 dias de oração pelo Brasil

Não sou especialista em sistema de saúde, nem me detive em estudar o assunto. O que direi a seguir é fruto de observação de caso e diálogo com usuários. Abro espaço, então, para que se sintam ainda mais à vontade para criticar e fazer ajustes ou reparos no que colocarei.

O sistema de saúde dos Estados Unidos tem estado no centro das discussões políticas daquele pais há anos. Uma de suas marcas é a não existência de hospitais públicos gratuitos (da mesma forma que não existe universidade pública gratuita). Em princípio, todos pagam pelos serviços utilizados. Para alguem não desembolsar pelo pagamento de serviços recebidos nos hospitais, é preciso que comprove sua incapacidade de pagamento
de acordo com requisitos legais, mediante documentação e entrevistas concedidas a assistentes sociais .

A filha de um casal amigo passou mal e  foi levada ao hospital municipal de Broward, no sul da Flórida. Passou 2 ou 3 dias sob exames rigorosos. Ao final constatou-se que era um rotavirus. Após receber alta, as contas começaram a surgir. Cada médico, laboratórios, enfim, que participou do processo enviou sua fatura que, somadas, ficaram em torno de 9 mil dólares. O pai foi atendido pela assistente social e, por não atender os requisitos legais, teria que pagar. Poderia negociar a quantidade de parcelas para quitar as dívidas com cada credor (médicos, laboratórios, enfim), mas teria que pagar.

Detalhe: ninguém deixa de ser atendido. Se alguém chega enfermo, primeiro vem o atendimento, depois se fala em pagamento. Se não pagar, o sistema judiciário é mais ágil e as leis duras com o devedor.

O modelo dinamarquês, por exemplo, tem suas diferenças. Há saúde pública e gratuita. Os impostos no país giram em torno de 50%, mas o atendimento é de qualidade.

Tenho algumas informações desses dois paises porque tenho filhos morando em ambos (e já morei por pouco tempo no primeiro). O que há em comum entre o modelo norte-americano e o dinamarquez é que, em geral, a pessoa é atendida com respeito nos hospitais, especialmente se compararmos com o que vemos nas portas de hospitais públicos no Brasil. Talvez seja esse nosso principal diferencial negativo em relação aos paises citados, em que pese as diferenças na economia.

Temos o SUS. Há, portanto, um sistema montado. Deduzimos que dinheiro parece não ser o nosso problema. As notícias de superfaturamentos, corrupção e até mesmo de recursos devolvidos a órgãos federais por não terem sido utilizados indicam que o problema não é, primeiramente, a falta de dinheiro. Também não acredito que a incompetência técnico-adminitrativa seja o maior problema. Acredito que o desrespeito ao próximo, manifesto de diversas maneiras, inclusive na forma como se trata o dinheiro, a coisa público, é o eixo central do nosso problema. Quando existe respeito, existe boa vontade, disposição para superar-se obstáculos.

Faz parte, porém, de nossa cultura, a burrice (com todo respeito aos burros) de tratar as pessoas não somente pelo que têm, mas, pior, pelo que parecem ter. Digo burrice porque, da mesma forma como tratamos aqui, onde detemos o poder, seremos tratados ali, onde outro detém o poder. A lógica é simples: se cada um se empenhar em tratar o outro com respeito, todos seremos tratados igualmente com respeito. O problema é que o coronelismo está introjetado culturalmente em nossas mentes e a maioria absoluta da população vive em condições precárias, se comparadas com a dos que concentram os benefícios resultantes do trabalho. Por isso, nos tratamos uns aos outros como vermes, ainda que façamos isso com um lindo sorriso no rosto.

Tenho insistido nesses 86/100 dias de oração pelo Brasil que devemos orar primeiramente por nós mesmos, não como vítimas, mas pela nossa insistência em não admitirmos que as coisas são como são porque incutiram em nós que devemos ser da turma do deixa disso. Não reagimos, não erguemos nossa voz. Não lutamos. Sofremos, fazemos piadas e até murmuramos críticas, nas rodas íntimas, contra quem ousa manifestar-se. Nosso grande sonho parece ser ocupar um espaço de poder, para fazer com os dependentes de nós, o mesmo que fazem conosco.

Ou destrambelhamos, se for a última alternativa, a engrenagem estabelecida, pensando em construir outra que seja justa e adequada às necessidades e ao bem comum, ou continuaremos sendo aqui, vítimas, ali, agressores; aqui, vítimas, ali, agressores; aqui, vítimas, ali; agressores; aqui, vítimas, ali agressores, sempre rindo ou lamentando, nos extremos da vida.

Abraços do seu pastor,

terça-feira, 17 de julho de 2012

Paz no Trânsito - 16.07.2012 - 85/100 dias de oração pelo Brasil

O trânsito anda caótico. Digo, não anda nem caótico. A causa seria o fato do Brasil, diferentemente dos paises europeus, ter optado por facilitar a cada morador a compra do seu próprio carro, em lugar de investir em transporte público de qualidade. Mas não é so isso. Há também a falta de investimento em novas vias de acesso, novas tecnologias e até mesmo em engenharia de trânsito. Tudo sob a justificativa de falta de recursos, em meio a tantas denúncias de corrupção.

Entretanto, há outro elemento que faz com que o trânsito seja caótico: a falta de educação. Não uso a expressão "falta de educação" no sentido negativo usado para agredir verbalmente uma pessoa grosseira, sem "etiqueta". Refiro-me à falta de priroirzação em investimento na educação pública. O que está acontecendo na Bahia é o maior exemplo dos últimos anos. Já há 100 dias, quase 1/3 do ano escolar, nossas crianças não sabem o que é um banco escolar.

Esse problema é nosso.

Não adianta aproveitar o caso para criticar o Partido dos Trabalhadores que lidera a coligação que governa o Estado. Fazer isso é tirar o foco do problema, é politizar, e "urnificar" o problema. Primeiro, porque a falta de priorização na educação é um problema de todos os governantes do pais, com raríssimas excessões. Não é de agora que se trata mal o cidadão, tratando mal a educação, as estruturas onde ela se desenvolve e os profissionais que fazem com que ela aconteça. Segundo, porque o mesmo ocorre nas igrejas. Foi-se o tempo que investir em educação era prioridade nas igrejas. O investimento é no aumento de frequentadores e na captação de receitas, usando-se para isso todo tipo de atrativo.

No caso batista, há até que defenda que nossos colégios devem evangelizar mais. Além do sentido teologicamente distorcido que se dá ao termo evangelização ou mesmo do propósito nem sempre "celestial" dado a ele, isso indica a falta de respeito que os que defem isso têm à natureza e finalidade das escolas e, pior, à sua importância para o desenvolvimento de uma sociedade.

A falta de paz no trânsito, passa também pela falta de educação e a falta de educação não é problema de um governo, mas de todos nós. O problema é que nós agimos como "ovelhas levadas ao matadouro", silenciamos diante da malversação do dinheiro do nosso trabalho que também chamamos de dinheiro público; transferimos a responsabilidade, através de voto sem reflexão, para governantes que são o retrato de nossa cara no que se refere ao valor dado à educação e ainda criticamos os professores, cuja luta não é somente por melhores salários, mas, simbolicamente, por um olhar novo sobre esta área da vida que é essencial a todos nós.

Se queremos paz no trânsito, comecemos orando por nós mesmo e por nossa postura frente à política, a educação e, inclusive, ao signficado de nossa fé para os dias de hoje.

Abraços do seu pastor,

Plantação de Novas Igrejas em Áreas Urbanas - 15.07.2012 - 84/100 dias de oração pelo Brasil

Não sei se em sua cidade ocorreu fenômeno semelhante ao ocorrido no Recife, no início da década dos 90. Em face do baixo índice de oferta de emprego, cresceu de forma espantosa a quantidade de carrinhos de "cachorro-quente" em "furgões" da Fiat. Em cada 50 mts da  Avenida Boa Viagem, por exemplo, havia um desses carros cercado de pessoas bebendo e comendo cachorro-quente. Foi uma febre ou, como diriam outros, uma veradeira peste.

Fenômeno semelhante ocorreu em relação ao surgimento de igrejas. Descobriu-se que alugar uma sala, com meia dúzia de cadeiras de plástico e um púlpito, colocar uma placa com o nome de "Igreja tal" e era o suficiente. Em questão de dias um público se reunia, ofertas eram levantadas e ninguém se preocupava com o que era feito com elas, nem ninguém se interessava com os fundamentos do que se pregava, desde que palavras de ânimo e de promessas fossem repetidas. Se o dono do ponto estava ali apenas levantando seu sustento, e daí?

Assim, em cada cado de esquina surgiu uma igreja, a maioria usando a, até então, forte marca "evangélica" ou até mesmo "batista", sem nada a ver com o que elas significaram ao longo dos anos. A associação de tais igrejas a ponto comercial não se dava somente pelo levantamento de dinheiro sem qualquer prestação de contas, mas também pelo surgimento de uma ao lado da outra, como o comércio faz em relação a produtos comuns - venda auto-peças, produtos eletrônicos, etc...

Na Avenida Caxangá, tida com a mais longo em linha reta do país, a Assembléia de Deus resolveu concorrer com a Renascer, a Universal e a internacional da Graça e alugou diversos pontos, colocando nelas sua marca centenária, em letras garrafais.

Aos críticos respostas prontas eram dadas: "melhor um ponto de pregação do que um ponto de venda de bebida alcoólica". Outros, com ares de espiritualidade e conhecimento bíblicos declaravam:"Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade;   Estes o fazem por amor, sabendo que aqui me encontro para a defesa do evangelho.  Aqueles pregam Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que me podem causar sofrimento enquanto estou preso.
Mas, que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro." (Fl 1.16-18)

Sobre a vida de quem planta igreja com quem planta batata (ou se plantava antigamente, antes do agronegócio) não tenho nada a declarar. Que o Senhor os julgue. Mas que isso trouxe danos profundos ao evangelho de Jesus Cristo, disso não temos dúvidas. Basta avaliar o perfil e tipos de compromissos do neo-evangélico brasileiro.

Entretanto, a despeito disso, plantar igrejas, não somente é algo bom como necessário. Precisa-se apenas ter clareza das motivaçõe e dos objetivos que se pretende alcançar, a fim de verificar se são compatíveis com os ensinos e propósitos mais claros e aceitos dos evangelhos. Plantar igrejas desconsiderando a vida e ensinos de Jesus, pode significar a multiplicação de cegos dirigentes de cegos. Pode tão somente servir aos interesses daqueles que querem que nada mude espiritual e eticamente na vida das pessoas e da sociedade, contrariando o que lemos nos evangelhos.

Criticar o que está sendo feito de errado, mas não mover uma palha para fazer ou cooperar para que se faça o que consideramos certo, também não leva a lugar algum. O importante é, cientes dos equívocos que se tem cometido, trabalhar para que acertos prevaleçam na plantação de igrejas, colaborando assim para que muitas vidas sejam salvas (no sentido mais profundo da palavra), restauradas e o nome de Deus seja glorifica em sua criação.

Abraços do seu pastor,

sábado, 14 de julho de 2012

Avivamento Missionário - 14.07.12 - 83/100 dias de oração pelo Brasil

Avivar é recuperar, restaurar a vida. Avivamento missionário deveria ser a capacidade de recuperar, de restaurar a missão. Digo deveria, pois a história recente indica que resumimos missão ao trabalho da proclamação de uma mensagem com efeitos sobre uma palavra - a palavra alma - e não sobre uma pessoa - o ser humano e sua vida multidimensional - com repercussões somente em outro tempo e local, o futuro, o céu.

A lógica do paradigma predominante de avivamento é um individuo "ganhando" mais um indivíduo, que "ganha" mais um indivíduo, que "ganha" outro indivíduo", que "ganha" mais um indíviduo ...

Além disso, a missão que pretendemos avivar, não é a missão dos atos de Jesus. O paradigma que se busca recuperar é o dos atos dos apóstolos. Uma coisa é estudar a vida de Jesus, seu caráter e ensinos e orar e trabalhar para que isso seja restaurado em nós; outra, tomar a vida dos apóstolos para avivá-la em nós. 


A diferença é que, os atos dos apóstolos, conquanto estejam relacionados à missão de Jesus, são uma manifestação inicial e incompleta do que a convivência de Jesus fez nos discípulos. Em Jesus vemos a manifestação completa da missão a ser avivada. Daí os primeiros discípulos terem investido tempo no registro da vida de Jesus e na reflexão teológica sobre ela, registros conhecidos hoje como Novo Testamento.

A questão é que o paradigma "atos dos apóstolos" é mais facilmente adaptável ao mundo em que vivemos do que o paradigma "Jesus". Os atos dos apóstolos evidenciam ação com resultados imediatos em termos de números de decididos e de igrejas. Os atos de Jesus evidenciam trabalho artesanal, de burilamento de vidas, com efeitos mais demorados, porém profundos, extensos e duradouros.

Somos a sociedade da velocidade, do descartável. Nos empenhamos na pressa para obter resultados na proclamação e "descartarmos" pessoas tão logo elas declarem crer. Crendo, basta que os novos declarantes memorizem que a missão deles é levar outros a declararem que crêem. Alcançado esse objetivo, seu único trabalho com o declarante é que ele memorize que deve reproduzir uma única ação: levar outro a declarar o mesmo.

 Nesse estágio a missão com o novo declarante, novo decidido ou crente novo, terminou e ele já pode ser "descartado", ou seja, ser deixado só, na missão de conquistar novos declarantes. O importante é que o resultado - pessoas declarando que crêem - se multiplique.

Os apóstolos conviveram pelo menos 3 anos com Jesus, aprendendo com seus exemplos e palavras, o sentido do viver, os valores com os quais deveriam estar comprometidos e as ações que deveriam ser desenvolvidas em favor do próximo.

  No avivamento missionário em evidência, investir tempo conhecendo a vida e ensinos de Jesus é desnecessário e até prejudicial ao modelo reprodutivo em série. Evidência disso é que, no processo de identificação de avivamento raramente se inclui o verbo preparar. Preparar é apenas um detalhe que se resume em aprender técnicas que nos ajudem a levar mais e mais pessoas a "declararem" a fé em Jesus.

Investimento pesado, portanto, é feito na mobilização para envolvimento de pessoas e levantamento de recursos e capacitação para a reprodução, visando resultados imediatos. Não há tempo, nem dinheiro a perder com estudo, exceto se for de técnicas de resultados imediatos. 

Investimos em Coentro, não em Carvalho.

Sonho com um avivamento missionário. Ele gira em torno do conhecimento e vivência da vida de Jesus. Se desdobra em pessoas apaixonadas e comprometidas com Jesus, agindo segundo seus dons onde estão inseridas no cotidiano. Sua ação é, primeiramente testemunhal e, como teria dito São Francisco de Assis, se necessário, usando palavras.

Testemunho de vida em primeiro lugar.

No testemunho dos 72, ao retornarem do estágio missionário, não foi evidenciada a quantidade de decididos. Diante da manifestação empolgada com o poder do nome de Jesus ("Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome".(Lc. 10:17)), eles ouviram de Jesus: "alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus". O fato a ser enfatizado é a alegria de pertencerem e serem norteados por Deus.

 Gosto de movimentos, eles me empolgam e coopero da forma que tenho aprendido e crido. Gosto mais ainda, quando estão a serviço do testemunho e não somente do anúncio da vida de Jesus. Por isso, o avivamento missionário para o qual me convido e te convido-o a orar é o que visa restaurar, recuperar a vida amorosa de Jesus em nós e sua presença iluminadora em indivíduos e estruturas de sustentação da vida.

Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Amor à Palavra - 13.07.12 -82/100 dias de oração pelo Brasil

A palavra é essencial à vida. No sentido de informação, ela é a materia prima da existência. Porém, quando se fala em "Amor à Palavra", tema da oração proposta no livro "100 dias que impactarão o Brasil", ela ganha sentido técnico. Portanto, não se refere a qualquer palavra, mas à Bíblia, sinônimo de Palavra de Deus na tradição cristã.

Todos sabemos que a palavra de Deus não se resume à Bíblia. A própria Bíblia nos informa que Deus falou a Abraão, 430 anos antes de Moisés (Gal. 3:17), quando não havia um único texto das Escrituras Hebraicas. Fala também de outras formas de comunicação usadas por Deus, quando declara:   "Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas,
mas nesses últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo." (Heb. 1:1-2)

Deus não se calou. Ele continua falando e usa as maneiras que julga necessárias. Deus é soberano.

Porém, não somente porque Paulo afirma
que as Escrituras foram inspiradas (ao escrever a Timóteo por volta de 65-67 depois de Cristo, portanto em torno de 25 anos antes do fechamento oficial do canon do, por nós chamado, "Velho Testamento"), mas também porque a história tem comprovado o impacto positivo dos textos bíblicos, tanto em indivíduos, quanto em coletividades e até mesmo na cultura humana, acreditamos que a Bíblia é uma coleção de textos inspirados por Deus.

Contra fatos, argumentos contrários se enfraquecem.

Os cristão podem se dividir quanto a forma de interpretar a Bíblia, mas há quase unanimidade em sua inspiração e autoridade.

Não sou bibliólatra, mas pertenço ao grupo que crê na inspiração e reconhece a autoridade da Bíblia.

Independente de questões teológicas, não poderia deixar de declarar meu amor às Escrituras. Elas trouxeram até mim a vida e os ensinos de Jesus. O meu caráter foi todo moldado a partir da vida deste homem. Ele foi a referência usada por meus pais para me ensinarem os melhores caminhos da vida. Poderia até negar a Jesus, mas, mesmo que eu quisesse, jamais poderia deixar de reconhecer o impacto dele na construção da minha personalidade.

Até aqui não o neguei e me empenho em ser cristão, não no sentido político-doutrinário da palavra, mas na busca por identificar-me com a vida e ensino de Jesus, disponíveis nos evangelhos.

Não consigo ser pastor sem a Bíblia. Os membros das igrejas por onde passei podem testificar que ela sempre foi o livro texto de minhas mensagens e estudos.

Também não consigo viver sem estudá-la. Ela é o ponto de partida em minhas buscas por respostas a questões existenciais presentes em minha alma.

Por isso, sem fazer coro ao discurso e à política fundamentalista em torno da Bíblia, seria desonesto comigo mesmo se não declarasse a relação amorosa que mantenho com ela, desde que ouvi as primeiras referencias a ela pelos lábios de meus pais.

Reconheço que amadureci, palavras ganharam significados alternativos e construi novos referenciais de interpretação. Mas ela continua sendo o centro de minhas reflexões teológicas e o ponto de partida para as escolhas que tenho feito na vida.

Sobretudo, amo a "Palavra" por ser o único documento existente que revela a vida e ensinos de Jesus.

Amo a "Palavra", porque amo a Jesus. Porque ele é a palavra que se fez carne e habitou entre nós. Ele é a chave que uso para abrir fendas que me ajudam a enxergar, quando me deparo com pontos escuros, cheios de mofo até, deste livro.


Embora seja o mais criticado, mais combatido em toda a história da humanidade e até abusado por ignorância ou falta de escrúpulo, é o mais lido e que maior impacto tem causada à vida humana.

Por isso amo a Palavra.

Abraços do seu pastor,


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Multiplicação de Discípulos - 12.07.12 - 81/100 dias de oração pelo Brasil

Não sou, nem poderia ser contrário à multiplicação de discípulos, seja porque isso contrariaria um imperativo de Jesus (e já preguei 35 mensagens sobre Imperativos de Jesus nesse semestre), seja porque acredito na educação ou seja porque a compreensão do "para que" do discipulado recomendado por Jesus traz sentido à minha vida.

Em relação à multiplicação tenhos alguns pontos de reflexão em torno dos quais norteio minha vida, minha prática ministerial.

A multiplicação, como compreendida no contexto empresarial no qual vivemos, pode ser valorizada pelo número em si e pelo resultado econômico-financeiro, político ou mesmo em termos de prestígio social e até de autoestima que proprociona aos que lideram a multiplicação.

Mesmo reconhecendo que não há qualidade fora de quantidade, isto é, a qualidade não é algo abstrato (ainda que brote abstratamente em nós), não se produz discípulos como se faz em linha de produção em série. Não se produz discipulos como se seduz um consumidor. Não se produz  discipulo com armas de quem conquista o território de um inimigo.

Discipulado é uma experiência na qual somos facilitadores para que outros, através da convivência conosco, aprendam sobre a vida de Jesus e procurem encarná-la. Ser discipulador, portanto, não é ser guru, muito menos proprietário de uma mensagem. É ser veiculo de uma vida, a vida de Jesus, a ser vivida e compartilhada.

Não sou contrário a doutrinas. Elas servem para nortear nossas vidas. Funcionam como uma espécie de espinha dorsal do ser. Mas, multiplicar discípulo é muito mais, e em alguns casos até diferente, de ensinar definições de conceitos. É multiplicar sentimentos, pensamentos, comportamentos identificados na vida de Jesus.

Sair às ruas, ir de porta em porta, divulgando uma mensagem não é errado. Milhares de pessoas vão às ruas, por exemplo, em defesa de seus interesses profissionais ou ideológicos. Errado é limitar evangelização a isso. Ir ao encontro de pessoas é uma manifestação de desejo de vê-las conhecendo o Jesus que conhecemos e que mudou o sentido de nossas existências, mas sempre deve ser visto - "o ir às ruas" - como um possível ponto de partida de uma caminhada que deve se concretizar em relacionamentos nos quais a vida e ensinos de Jesus prevalecem.

Tenho dificuldade com a associação da expressõão "multiplicar discipulos" com "povoar o céu". Multiplicar discipulos é multiplicar o número de pessoas desejosas de viver em comunhão com Deus, no aqui e no agora, sendo sal e luz através do que se é, dos conhecimentos que se construir em qualquer área da vida. É multiplicar o número de pessoas que querem viver e construir estilos e estruturas de vida saudáveis. O céu é sobremesa, isto é, algo que vem depois do prato principal que é a experiência de comunhão com Deus, pela confiança em sua graça manifesta em Jesus Cristo. É um equívoco desejar "ir ao céu" pra não ter mais problemas. Desejamos isso, por representar comunhão ainda maior com Deus e viver ainda mais sob o domínio de sua vontade.

Ninguém deseja a multiplicação de corruptos, de pessoas que tratam o outro como objeto descartável, que constroem e usam estruturas para subjugar, explorar, oprimir, adoecer seus semelhantes. Queremos a multiplicação de pessoas com perfil oposto ao dessas. Cremos que o perfil de Jesus é o que desejamos para nossas vidas e que seus ensinos - adequadamente interpretados - devem se tornar concretos nas relações interpessoais e nas estruturas sociais.

Essa multiplicação de discípulos é a que persigo. Se desconsiderar isso me sinto um proselitista (Mt. 23.15), um cego guiando outro cego (Mt. 15:14), como disse Jesus a respeito dos fariseus ou um simples político ou empresário da religião.

Abraços do seu pastor,