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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Fui eleito, e agora? (Convenção Batista Baiana)



“No essencial, unidade. No não essencial, liberdade. Em tudo, o Amor.” 

                                                                              (Agostinho)

Não almejava a presidência, mas decidi não dizer não, em caso de indicação. Não almejava, porque não sou de ocupar cargo pelo cargo.  Não tenho vocação para “rainha Elizabeth” e sei o que ela – a presidência - significaria diante da agenda pastoral na Igreja Batista da Graça. Mas, não disse não porque acompanho com olhos clínicos a caminhada da CBBA e sei, por experiência e formação, que poderia contribuir para potencializar suas estruturas.

Fui eleito, e agora? Agora vamos caminhar norteados pelos seguintes princípios e metas iniciais:

1)      Respeito à liberdade. Em termos de princípios, sou batista à moda antiga. No Novo Testamento, a liberdade é colocada como sinônimo de salvação. Ela fez parte da visão estratégica de Jesus (Lc. 4.19); é uma vocação (Gal 5.13); é indicação da presença do Espírito do Senhor na igreja (II Cor. 3:17) e deve ser exercida visando o serviço amoroso ao próximo (Gal. 5:13).

Além disso, documentos disponíveis, por exemplo, em “ 4 frágeis liberdades” de Walter B. Shurden, comprovam o respeito dos batistas à liberdade: a) de reconhecimento da autoridade e interpretação da Bíblia; b) do indivíduo, seus pensamentos e crenças; c) da igreja local, seu vínculo com Jesus, sua autonomia e espírito de cooperação; d) de religião para todos;

2)      Defesa da cooperação. Não menos presente no Novo Testamento e na história dos batistas, a cooperação é essencial à vida humana e, portanto, à vida da Igreja. Os princípios, doutrinas, eclesiologia, patrimônio e qualificação da liderança, são resultado de cooperação. Não existe cooperação entre membros de uma igreja local que não esteja vinculada à cooperação com membros de outras igrejas. Uma igreja que quebra este princípio está colocando uma corda em seu próprio pescoço.

Cada batista coopera livremente com sua igreja e cada igreja, livremente com as demais partes da denominação e do reino de Deus.  Isso se dá de 3 formas: a) através da oração; b) através do know-how, do que cada um conhece e sabe fazer, e c) através do suporte financeiro.  Uma igreja que não se norteia por essas três possibilidades está ensinando a seus membros, com seu exemplo, que elas não são essenciais. Por isso, os membros poderão fazer o mesmo em relação a ela, sem que tenha autoridade para reprová-los.

3)       Incentivo à transparência – Quando oramos e dividimos conhecimentos, ambos – oração e conhecimento – continuam sob nosso controle.  O dinheiro, entretanto, ao ser entregue, sai do nosso controle e passa a ser controlado por outrem. Daí esperarmos que seja administrado de maneira democrática, transparente, disciplinada e austera.

Quem administra recursos financeiros de igreja ou outras instituições denominacionais deve fazê-lo de forma transparente. É direito do administrador, ser fiscalizado e um dever seu, ser transparente. Quem administra dinheiro alheio, além de ser honesto precisa parecer honesto.

Tudo que uma instituição denominacional faz com o dinheiro que recebe deve ser publicado com tal transparência que qualquer pessoa possa olhar e enxergar, com facilidade, como as coisas estão do outro lado. Todo investimento feito em funcionamento organizacional, construção, manutenção ou conservação patrimonial e em pessoal deve tornar-se público. Transparência deve ser regra geral. Sigilo, exceção baseada em critérios transparentes. Se nos envergonhamos de algo, que o “algo” seja corrigido e não escondido.

Com base nesses princípios, nos primeiros seis meses trabalharemos em torno de 3 metas:
a)      Saneamento financeiro. Levantaremos detalhadamente a situação nesta área, especialmente dívidas. Definiremos um orçamento de custeio para 12 meses baseado nas obrigações legais, contratuais e acordos denominacionais, separado do de investimento. Adotaremos o necessário para que, na medida da urgência possível, deixemos de usar empréstimos bancários e paguemos em dia nossos credores;
b)      Plano de Transparência. Usaremos a página da CBBA na internet para possibilitar a qualquer pessoa acesso à vida de todas as instituições da Convenção. Se não for conveniente a publicação de algo, isso será  exceção criteriosa e publicamente definida. Nesse caso, a informação deverá estar disponível à diretoria, aos líderes oficialmente reconhecidos pela convenção e aos membros de igreja devidamente autorizados por ela. Não deverá haver sigilo absoluto em hipótese alguma. Na democracia, a transparência é a mais eficaz arma contra a malversação dos recursos e corrupção;
c)      Reestruturação organizacional – Considerando já existir um GT de avaliação das estruturas e um processo em andamento de reforma estatutário-regimental, defenderemos estruturas bem definidas em termos estratégicos, táticos e operacionais, com atribuições claras e sem superposições; que possibilitem a agilidade dos processos sem risco à integridade doutrinária e patrimonial e com descentralização e alternância no poder. Entenda-se poder como fruto das atribuições delegadas pela Assembléia aos ocupantes de cargos ou funções e não propriedade intrínseca de seus ocupantes por critérios contrários à vida e ensinos de Jesus (Mc 10.44; Jo 13:14).

Essas intenções serão perseguidas, sem prejuízo às atividades essências da Convenção e mais caras ao povo batista. Por estarem amparadas em princípios da Palavra de Deus, as desejaremos com ardor.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Missões, missão e nossa cooperação

Nos acostumamos ao longo das décadas com a palavra missões. Nunca pesquisei sobre a razão da palavra no plural. Não sei se quem a cunhou tinha em mente a idéia da diversidade da missão, pois missão inclui adorar, viver em comunhão, ensinar sobre a vida e ensinos de Jesus, anunciar Jesus às pessoas e servir como manifestação da presença de Jesus em nossos corações.

O fato é que, históricamente, sempre que ouvi a palavra missões, ela não foi associada aos 5 componentes da missão da igreja, tal qual encontramos abundantemente no Novo Testamento. Antes, enfatizava somente o elemento do anúncio e, pior, um anúncio com efeitos somente no pós-morte. Assim, fazer missões tornou-se sinônimo de ir para algum lugar distante, onde nenhum templo ou organização da denominação se fazia presente para, alí, ser plantanda uma igreja.

A partir de determinada época associou-se a esta ação, o trabalho de assistência social. Essa associação era entendida de duas maneiras: 1) o trabalho social seria uma isca para atrair necessitados e assim fisgá-lo para a fé; 2) o trabalho social seria uma manifestação de amor e, portanto, não deveria ser reduzido à isca. Ainda hoje, alguns apresentam conflito em torno de qual seria a posição mais adequada.

Mesmo tendo incluido as demais áreas da missão, citadas inicialmente, ainda cometemos um sério pecado. Se imaginarmos a missão como tendo 5 pernas, a do anúncio da mensagem é maior em tamanho diametralmente oposto ao das demais. A consequência é que fazemos missões mancando.

A Convenção Batista Baiana, por exemplo, mantem um Colégio em Jaguaquara, uma escola de cursos de curta duração em Salvador, um seminário de teologia em Feira de Santana, com uma extensão em Salvador, alguns programas voltados para jovens e mulheres (com ênfase em evangelização e sensibilização para o sustento missionário), além de organizações voltadas para o ensino voltado para o funcionamento religioso das igrejas e desenvolvimento musical. Entretanto, a atenção e recursos investidos, oriundos das igrejas, tem uma concentração no sustento de missionários.

Claro que o missionário é figura estratégica e dificilmente deixaria de ser o alvo principal dos investimentos das igrejas. Porém, se não ajustarmos o tamanho das pernas da missão, não somente no discurso, mas sobretudo na prática, andaremos com a mesma dificuldade que alguém, com deficiência física nas ou em uma das pernas, apresenta.

É muito bom sabermos que a oferta que estamos levantando neste mes de julho se somará à oferta de centenas de outras igrejas de todo o Estado da Bahia. É com ela que poderemos continuar fazendo tanta coisa boa que até aqui tem sido feito em favor da salvação, restauação e edificação de vidas. Melhor ainda será contribuirmos com a visão integral do ser humano e, portanto, enfatizando todas as áreas necessárias ao pleno desenvolvimento das vidas por nós alcançadas.

Desafio, então, cada pessoa, a não somente orar e oferecer seus conhecimentos para serem usados em favor do desenvolvimento do Reino de Deus, mas também a contribuir financeiramente para que a falta de recursos financeiros não seja obstáculo ao pleno cumprimento da missão.

sábado, 16 de junho de 2012

Unidade e Cooperação entre as Igrejas e Organizações - 16.06.12 - 55/100 dias de oração pelo Brasil

Unidade e cooperação, eis dois importantes elementos na caminhada das igrejas.

 Da unidade, considero importante destacar que não é sinônimo de uniformidade. Pelo contrário, sempre que um dos lados envolvidos na unidade entende que a manutenção dela depende da uniformidade no modo de ser, sentir, pensar ou agir, misteriosamente ela se fragiliza e até se rompe. 

Isso ocorre porque quem acredita na uniformidade nunca é altruista o suficiente para abrir mão do seu modo de ser, e encaixar-se no modo de ser alheio. Pelo contrário, sempre se acha, narcisicamente, o dono da verdade, o espiritual, o bem intencionado, "o salvador da pátria". Portanto, o outro que se corrija, que abra mão do seu modo de pensar e sentir e se conforme. Daí o slogan da ditadura militar: "Brasil, ame-o  ou deixe-o". A manifestação do amor, porém, tinha que ser de uma única forma: a dos militares.

 Unidade pressupõe um acordo para concordar em discordar. Somos diferentes. Podemos e até devemos dialogar sobre nossas diferenças, seus efeitos sobre a vida de ambos e até mesmo das instituições das quais fazemos parte, mas isso com respeito, lealdade, sem politicalha e autoritarismo. Como não abrimos mão do nosso modo de ser em favor do modo do outro e, geralmente, para fazer prevalecer nosso jeito, "os fins justificam os meios", adeus unidade! 

Unidade e cooperação não se separam. A cooperação é necessária sempre que reconhecemos pelo menos duas coisas: 1) o outro tem algo que preciso e não tenho; 2) o que o outro e eu temos é insuficiente para alcançarmos o que ambos desejamos. Como essas duas coisas fazem parte do cotidiano da vida, o espírito de cooperação e a disposição para cooperar precisam estar sempre presentes em nós. Se o que um deseja é diferente do outro, a cooperação é afetada. Daí a necessidade constante de diálogo.

  Falando particularmente da cooperação existente entre igrejas batistas e suas convenções, ela se dá de pelo menos 3 maneiras: 1) através da oração; 2) através do know-how de membros das igrejas; 3) através da doação financeira. 

Cooperar com oração parece fácil, mas a impressão que temos é que nem todos as partes envolvidas de fato oram pela cooperação denominacional. Isso porque, se a própria oração (aqui entendida como comunhão com Deus na qual  ambos os envolvidos - Deus e o ser humanao - ouvem e falam) é retrato de cooperação, por que há quem se beneficie do resultado da cooperação, mas não demonstra esforçar-se para fazê-la acontecer? 

Por know-how, refiro-me a doação que membros das igreja fazem do seu "saber-como" em favor do funcionamento eficiente e eficaz da Convenção. O funcionamento de uma Convenção exige múltipla variedade de conhecimentos e, portanto, uma igreja coopera sempre que, pelo menos um de seus membros, dedica voluntariamente parte do seu tempo, energia e conhecimentos para a manutenção e expansão dos objetivos da Convenção. 

Quanto a cooperação financeira, ela ocorre através de contriuições regulares e ofertas especiais das igrejas, pois a cooperação é entre igrejas. 

(Merece acompanhamento e reflexão cuidadosos, as contribuições que saem diretamente dos membros das igrejas para os cofres da Convenção ou um dos seus órgãos ou entidades, pelos motivos e desdobramentos possíveis. Mas isso é assunto para outra reflexão). 

Um dos elementos fragilizadores da cooperação nesta área é o fato de haver uma tendência, em nós dirigentes, de fazermos o máximo, com uma qualidade técnico-profissional excepcional, quando se trata de obter os recursos, mas de "incompetência" profunda, quando se trata de prestar contas com transparência, dos recursos obtidos. (Linguagem didática, propositalmente exagerada, claro!)

Isso produz insatisfação, manifesta ou através de discursos ou da redução e até suspenção da contribuição financeira. 

 Há quem acredite que isso se resolve adotando-se medidas restritivas que forcem a contribuição, em vez de examinar  com dedicação as causas mais profundas. Não resolve, apenas cria uma cooperação conflitante, artificial e frágil.  

Nesse espírito, oremos pela unidade e pela cooperação entre igrejas e organizações, a fim de que cada parte avalie seus anseios, práticas, qualidades, disposição e disponibilidade visando atingir os objetivos almejados. 

Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Projetos Sociais das Igrejas - 01.06.12 - 40/100 dias de oração pelo Brasil

Meu entendimento e interesse pela atuação social da igreja nasceram com a minha chegada ao STBNB, em 1979.

Das palavras incentivadoras do Pr. Harald Schaly, em sala de aula, mostrando ser absurdo uma igreja investir tanto dinheiro em construção para os prédios serem utilizados uma ou duas vezes por semana, brotaram minhas primeiras idéias e imagens do que poderia ser feito.


Coerente com seus ensinos, em 1973 a Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, havia criado a Creche Raio de Sol e a mantinha em parceira com organização alemã gerenciada no Brasil pela "Amparo ao Menor Carente - AMENCAR", projeto que abrigava 200 crianças, das 7 da manhã às 5 da tarde, com atividades lúdicas e educacionais e alimentação.


Interessar-me pela ação política demorou mais alguns meses. Foi surgindo de conversas sob as mangueiras e da leitura de Jesus Cristo Libertador, de Leonardo Boff, primeiro livro que retirei da biblioteca do STBNB, para entender o assunto. Não tinha idéia de quem seria o autor. Foi uma escolha pelo título.


De lá pra cá, com maior ou menor intensidade, sempre me interessei pelo assunto.


Na Igreja Batista do Pinheiro, Maceió, igreja já em processo avançado de engajamento social, incentivamos a criação do Projeto Oasis que envolvia uma série de atividades na área. Na Igreja Batista Emanuel, em 1987, encontrei a Creche funcionando e assim permaneceu. Deixei a Emanuel para dirigir o Colégio Americano Batista e, ao voltar, 8 anos depois, a igreja, sob a presidência do Pr. Josias Bezerra, havia iniciado uma transição em suas ações sociais, em função de que encerrou a Creche e iniciou outros tipos de serviços. Nesse período incentivamos a criação do "Núcelo de Atuação Social Emanuel - NASCE", para facilitar parcerias com poderes públicos.


Na Flórida, em face do contexto social, esta área foi menos priorizada, mas a decisão de vir para Salvador também sofreu influência do trabalho social desenvolvido pela Igreja que criou, em 1974, sob a presidência do Pr. Djalma Torres, o "Centro Comunitário Batista da Graça - CECOM", hoje C.C. B. Clériston Andrade.


Na Convenção Batista Brasileira, fiz parte do Comitê de Ação Social (órgão que, até então, ainda engatinhava no cumprimento de suas atribuições regimentais, como todos os demais)


Hoje, 33 anos depois, tenho consolidado em mim, tanto os pressupostos bíblico-teológicos para o envolvimento da igreja nesta área, quanto uma boa experiência em organizações e palestras sobre o assunto que me deixam muto à vontade para lidar com ele.


Trago uma firme convicção, inclusive bíblico-teológica, de que Deus não criou o mundo visando interessar-se apenas em tirar a "alma" de cada indivíduo do inferno e colocá-la no céu, no futuro. Deus achou muito bom tudo que criou, amou sua criação e nos desafia a sermos sal e luz deste mundo.


As formas de cada indivíduo ou igreja exercer esse papel podem variar, mas deixar de agir é uma heresia bíblico-teológica. Agir, em termos sociais, não é uma escolha, é um imperativo da vida e ensinos de Jesus. Decidir atuar ou não, como se o social fosse um nicho de mercado no qual se investe ou se deixa de investir em função de tradição ou experiência ou valor que agregaria ao empreendimento religioso, é um tremendo equivo. É uma demonstração de que somos regidos pelas leis do mercado e não pelo evangelho de Jesus.


Em tempos nos quais igrejas se transformaram em empreendimentos regidos pelo quantativismo, pela disputa de mercado, pela conquista de prestígio e poder, tempos nos quais há quem trate o social como uma arapuca para "pegar almas" e, até, para conquistar votos em período de eleições, o grande desafio é espelhar-se em Jesus.


Oremos, então, para que Deus desperte seu povo, a fim de que compreendamos que atuação social não é uma alternativa, é expressão do amor de Deus presente em nós.


Abraços do seu pastor,



Em tempo: em 1980, participei da implantação e trabalhei como tesoureiro do Projeto Social da Igreja Batista Imperial (Eli Fernandes de Oliveira) em parceira com a Visão Mundial

sábado, 14 de abril de 2012

A questão do Conselho Fiscal em Instituições Batistas

Em setembro do ano passado produzi um texto sobre "Processo de elaboração de estatuto para igrejas batistas" . Um dos tópicos nele destacados tem a ver com a importância do Conselho Fiscal. Na ocasião os dirigentes d'O Jornal Batista entenderem que não deveriam publicá-lo, por isso disponibilizei-o na internet (através de http://vigiai.net/news.php  e em meu blog) .

Recentemente O Jornal Batista (Nº 9, de 26.02.12) dedicou uma página toda a  republicação de texto do Pr Isaias Lins, publicado anteriormente no Site "Vigiai" com teor fortemente desfavovável, ainda que não explicitado, à existência de Conselho Fiscal (ao enfatizar que sua existência não é uma imposição legal, que alguns conselheiros extrapolam em suas atribuições e agem de forma maliciosa e que a presunção de inocência não é observada).

O assunto, ao ser repercutido n'O Jornal Batista da CBB,  passou a idéia de que CONSELHO FISCAL é um problema generalizado, quando o texto retrata uma questão especifica e pontual entre parte dos dirigentes da Convenção Batista Baiana e parte do membros do Conselho fiscal desta convenção.

Ainda que reconheça os conflitos existentes, visível nas últimas assembléias da Convenção Batista Baiana e o desconforto que isso representa
e mesmo não estando em cargos nem de direção, nem de Conselho Fiscal na CBBA, defendi em plenário na Assembléia de Teixeira de Freitas que a instituição CONSELHO FISCAL é boa, necessária e deve ser preservada a despeito de problemas pontuais.

Nesse sentido produzi o texto que segue e enviei a'O Jornal Batista, por entender a importância do assunto para as  igrejas batistas, num país em que igrejas evangélicas são constantemente atacadas na mídia por problemas na área fianceira, além dos próprios problemas que a falta de fiscalização acarreta em qualquer organização. 

Sabendo, entretanto, que O Jornal Batista recebe muitos textos e presumindo que a probabilidade dele ser publicado a curto prazo poderia ser reduzida, coloco-o aqui para conhecimento.

Caso entenda que o assunto seja relevante, por favor reencaminhe-o, via e-mail, a fim de que as di-versas opiniões possam ser conhecidas. 
A questão do Conselho Fiscal em Instituições Batistas
Edvar Gimenes de Oliveira
Pastor da Igreja Batista da Graça, Salvador,  BA

Já havia lido o artigo do Pr. Isaias Lins – como geralmente faço com seus textos - quando foi publicado pela primeira vez na internet. Agora, ao lê-lo novamente na republicação feita pel’O Jornal Batista senti-me motivado a pensar um pouco mais sobre o assunto e expor minhas primeiras considerações.

Declaro inicialmente que, se não me trai a memória já não tão jovem, não faço nem nunca fiz parte de Conselho Fiscal em instituições denominacionais. Mas, sou um defensor de tais conselhos.

Um Conselho Fiscal não está acima do bem e do mal. Pode até ser que, eventualmente, algum de seus componentes, em alguma organização, aja maliciosamente, mas isso seria exceção. Se algum componente de Conselho extrapolar as atribuições, que se corrija o erro pontual, mas jamais enfraqueçamos a instituição Conselho Fiscal.

Tenho agradecido a Deus a existência de Conselho Fiscal nas instituições por mim presididas, especialmente quando seus componentes são profundamente meticulosos. Na I. B. da Graça, ele responde diretamente à Assembléia. O Conselho Diretor tem o direito de tomar conhecimento prévio, mas não de interferir no parecer. Isso aumenta sua credibilidade junto aos membros e nos ajuda a aperfeiçoar a qualidade do trabalho realizado na área financeira. Se alguém agir comprovada e objetivamente com maldade, que seja julgado pela maldade.

Minha limitada mente, não consegue me ajudar a ver os prejuízos que um administrador bem intencionado, interessado em fazer o melhor com a melhor das intenções, de forma transparente, possa ter. A intenção e o empenho histórico do dirigente dedicado e honesto são o mais eficiente antídoto contra eventuais desgastes políticos e emocionais que o administrador possa sofrer nas mãos de fiscal malicioso. As palavras de Pedro podem ser utilizadas nesse caso: “Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis;” (I Pd 3.14)

O Conselho Fiscal existe não para proteger ou prejudicar o administrador, mas para preservar a instituição de falhas técnicas causadoras de prejuízos ou de pessoas, inclusive boas, que, eventualmente, sucumbem à forte tentação exercida pelo dinheiro.

Poderia contar aqui casos emblemáticos que vivenciei em organizações batistas, praticados inclusive por membros de igrejas, de falsificação de assinatura, roubo de alimento de cantina, inserção em boleto de desconto de mensalidade escolar para amigos, acréscimo de horas-extras indevidas em folha de pagamento, desvio de cheques de dízimos e ofertas, enfim.

Não sendo ilegal a adoção do Conselho Fiscal, os motivos para sua existência ou não em uma organização batista devem ser avaliados não por razões particulares, mas pelos benefícios gerais à instituição e aos interesses de seus mantenedores.

Não nos enganemos: a discriminação no trato de igrejas, vejam só, ao lado dos interesses de partidos políticos, no Código Civil, não foi de todo boa à causa evangélica. A igreja que pastoreio tem sido visitada por fiscais da Receita Federal já por duas vezes (e em nenhuma delas, irregularidade foi encontrada). Incomoda, mas louvo a Deus e desejo que fiscalização desse tipo possa ser feita um dia em todas as instituições do país, especialmente nas públicas. Quando o assunto é dinheiro, a administração dele não deve ser regida por sentimentos ou falsos pressupostos, mas por critérios objetivos, aplicados a todos os que nela estão envolvidos.

A presunção de inocência ou de culpa jamais deve ser usada como critério para adotar-se ou não um Conselho Fiscal. Ela não é absoluta, ainda que seja constitucional. Há correntes da teologia, por exemplo, que defendem a presunção de culpa como inerente ao ser humano desde seu nascimento. Há milhares de pessoas – empobrecidas em sua maioria - que são presas e assim permanecem por decisão judicial antes mesmo de serem julgadas. Onde fica a presunção constitucional de inocência?

Uma instituição define ter um Conselho Fiscal não pela presunção de que o administrador A ou B é ou pode ser culpado, mas porque a história comprova que dinheiro é uma das mais fortes tentações humanas e a relação indevida com ele ocorre, inclusive em organizações religiosas.

O casuísmo, portanto, jamais deve reger a definição de ter-se ou não um Conselho Fiscal.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mensagem aos batistas brasileiros

Mensagem apresentada à Assembléia da Convenção Batista Brasileira, reunida em Niterói, em Janeiro de 2011
A ARDENTE EXPECTAÇÃO DA CRIAÇÃO 
por Josué Mello Salgado*

“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” Romanos 8:19
INTRODUÇÃO:
A Escritura Sagrada afirma no texto lido: “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus”. Toda a criação vive sob a ardente expectação, da apaixonada expectativa, de que aqueles que são chamados filhos de Deus pensem, falem e ajam como legítimos filhos de Deus! Que os filhos de Deus reproduzam em suas ações o caráter divino! Que aja coerência de vida com o nome que levamos!
A experiência na presidência da CBB nestes dois anos foi para mim semelhante à do profeta Isaías: Primeiramente fez-me perceber de forma mais clara a impureza dos meus próprios lábios em comparação com a Santidade de Deus e desejar ardentemente para mim o toque purificador e perdoador da brasa viva do altar. Uma responsabilidade como a da presidência de uma denominação com mais de 1.500.000 de pessoas fez-me refletir mais profundamente sobre as minhas próprias fraquezas e como um presidente, até mais do que um pastor, precisa servir de exemplo para os outros. Fui inspirado pelo ensino de Lucas 12:48 – “a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”. Senti que à grande responsabilidade dada, correspondeu uma grande tarefa ética pessoal. Li uma vez de Fidel Castro a afirmação que deixar de fumar charutos era o último desafio que ele se impunha para ser exemplo para os cubanos. Não sei se ele cumpriu o desiderato, nem se a enfermidade que o tirou do poder foi consequência do não cumprimento do desafio, mas me impressionou a consciência da posição do líder.
Em segundo lugar a experiência na presidência da CBB fez-me também ver mais de perto certas, chamemos assim, impurezas dos lábios da nossa denominação e desejar ardentemente para ela o toque purificador e perdoador da brasa viva do altar. Microorganismos patogênicos não são vistos a olho nu, só com olhar microscópico. Certas fraquezas da denominação não são tão visíveis ao grande público ou detectáveis através de relatórios ou discursos triunfalistas. Elas, contudo estão aí presentes minando o nosso testemunho como filhos de Deus. Um dia uma jaqueira centenária amanheceu caída e morta no Seminário do Norte. Ninguém se apercebeu, mas bichos a comiam por dentro.
Quero mencionar aqui sete aspectos que chamaram a minha atenção nesses dois anos de presidência e que exigem de nós uma tomada de posição ao lado de Deus, como filhos de Deus.
Precisamos pois ser imitadores de Deus, como filhos amados (Efésios 5:1), isso é o que significa a ardente expectação da manifestação dos filhos de Deus!
Como agem genuínos filhos de Deus?
1)FILHOS DE DEUS SÃO PROTAGONISTAS PROATIVOS NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.
Esta assembleia convencional reveste-se de um significado paradigmático, tanto pelo contexto histórico das chuvas torrenciais que açoitam com violência pelo menos quatro estados brasileiros e principalmente o Rio de Janeiro, quanto pela “coincidência” do tema proposto: vida plena e meio ambiente; uma proposta batista de revisão da nossa relação com o meio ambiente. A criatura humana está perplexa com a dimensão dos chamados “desastres naturais”. Os números no estado do rio são alarmantes, quase mil mortos, milhares de desabrigados e desalojados.
O que vemos não são meros desastres naturais, são a consequência direta de comissões e omissões humanas. Não se pode culpar apenas a natureza pelos desastres naturais. Há anos atrás o jornalista Joelmir Beting fez uma afirmação paradigmática: A NATUREZA NÃO SE DEFENDE, ELA APENAS SE VINGA. Como ignorar a (ir-)responsabilidade dos governos, quase sempre apenas reativos e não proativos? No último dia de votação efetiva na Câmara dos Deputados, o plenário aprovou o projeto de aumento de 61,83% nos salários dos próprios parlamentares, de 133,96% no valor do vencimento do presidente da República e de 148,63% no salário do vice-presidente e dos ministros de Estado. A Auditoria Cidadã da Dívida ao comentar a situação das cidades brasileiras devastadas revelou que o Orçamento Geral da União (OGU) de
2010 reservou 442,5 milhões para o programa “Prevenção e Preparação para Desastres”, dos quais foram gastos apenas 13 milhões (2,97%) até 25 de dezembro de 2010. Infelizmente o Governo passou a desqualificar os números denunciados pela Auditoria Cidadã porque desta vez não pode se referir a herança recebida... O que mais nos surpreende é que o Rio sofre com os efeitos de tempestades desde 1700, de acordo com registros de jornais na época, e ano após ano os governos se recusam a investir nessa área. Contudo, como ignorar a teimosia dos próprios cidadãos que decidem, talvez por falta de melhores opções, viver perigosamente ocupando irregularmente áreas de risco? Como ignorar a relação irrefletida do ser humano com o meio ambiente? Mas sobretudo, como ignorar a presença pecaminosa do povo de Deus no mundo? Refiro-me a pecado no sentido de errar o alvo de Deus para nós. Como ignorar uma presença no mundo sem um sentido lato de missão que não seja apenas a de salvar almas para o céu, mas de guardar, observar, obedecer TODAS AS COISAS que Jesus ensinou (Mateus 28:20)? Como em Ezequiel 22:24ss não se pode culpar apenas a natureza pelos desastres ambientais, governo, povo e igrejas têm sua parcela de culpa. A nossa tarefa durante a assembleia seria fazer o nosso mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
Quando Deus criou o ser humano e o colocou no jardim do éden, ordenou claramente um desenvolvimento sustentável do planeta: “E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” Gênesis 2:15. Nem lavrar sem guardar, nem guardar sem lavrar. Vê-se por aqui que a responsabilidade ecológica não foi uma invenção humana moderna, foi uma ordenança divina antiga.
Que desta assembleia e durante todo este ano saíamos para ser protagonistas de um desenvolvimento sustentável do nosso meio-ambiente.
2)FILHOS DE DEUS NÃO DESFEREM “FOGO AMIGO”
“Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros”. Gálatas 5:15
Fogo amigo é o tiro acidental contra as próprias forças ou amigos durante a tentativa de envolver as forças inimigas, especialmente quando esta resulta em ferimentos ou morte.
Tenho visto muito fogo amigo no meio denominacional.
Não sei de onde surgiu a idéia absurda que a denominação precisa de oposição para melhorar. Infelizmente a necessária e salutar crítica aos processos e ações denominacionais foi transmudada em bloco de oposição e oposição em bloco. Diferencio claramente a oposição da crítica. A oposição fundamenta-se em críticas gratuitas e apressadas, é niilista, inflexível, sem conhecimento de causa e ordinariamente parte de posições antagônicas que tentam assim conquistar espaços não conquistados legitimamente. A crítica ainda que obstinada e implacável avalia minuciosamente o objeto, considera as variáveis, é construtiva, saudável necessária e urgente. Nenhuma instituição progride ou perdura sem interlocutor ou contraponto.
Irmãos nós estamos no mesmo barco, lutamos contra um inimigo comum, e não uns contra os outros, não contra a denominação, não contra a obra de Deus. “Pois não é contra carne e sangue que temos de lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes” Efésios 6:12. É verdade que esses principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, e hostes espirituais da iniquidade marionetam muitos de nós para destruir a obra que Deus está realizando. A crítica ataca os processos errôneos, a oposição ataca pessoas e representam muitas vezes uma posição de “combate contra Deus” como alertou Gamaliel (Atos 5:39).
Quando não fazemos parte da solução e só queremos fazer parte do problema, então irmãos estamos desferindo fogo amigo absolutamente mortal. Estamos matando a denominação e suas instituições!
Amados irmãos uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir. Ou nos focamos realmente o nosso inimigo, ou a denominação não subsistirá.
Que cessemos de desferir fogo amigo em nossa denominação. Que cessemos de atirar em nós mesmos.
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3)FILHOS DE DEUS SÃO PROFETAS, NÃO POLÍTICOS
“O profeta que teve um sonho, que conte o sonho; e aquele em quem está a minha palavra, que fale a minha palavra, com verdade. Que tem a palha com o trigo? -- diz o SENHOR.” Jeremias 23:28.
Não gosto de política! Essa é uma expressão usada por muitos que fundamentam assim a sua postura apolítica, i.e, "que ou aquele que não se interessa por política ou por ela tem aversão" (Dicionário Houaiss). Contudo, a expressão pode ser usada em um outro sentido, que, paradoxal e aparentemente, envolve sim participação, e às vezes até militância política. O significado da expressão depende do sentido da palavra!
Das diversas definições da palavra política duas se destacam: 1) política é a arte de bem governar os povos. Neste sentido, i.e,. como arte de bem governar, o conceito é positivo e fundamenta a conhecida afirmação aristotélica: "o homem é um animal político." Dessa política eu gosto e procuro "participar" e não tentar ser "apolítico", embora não goste da militância.
Mas política também pode ser: 2) astúcia, ardil, artifício e esperteza. Há aqueles que fazem política usando de negociações e negociatas, artifícios, manobras, conchavos, lobbys, mentiras e até usando as leis, encontrando nelas brechas! Infelizmente tal "política" vem sendo usada na sociedade de um modo geral, por vezes nas denominações religiosas e até em igrejas. É dessa política que não gosto, nem jamais gostarei, até porque não tenho tal habilidade nem quero desenvolvê-la. Talvez porque não sou político, mas profeta! O instrumento do político é a habilidade, a astúcia; o do profeta é o "assim diz o Senhor".
Os anabatistas proibiam a qualquer de seus membros exercerem cargos públicos. Eles levavam a separação entre igreja e estado muito a sério. Na verdade eles só admitiram entrar na política para implantar um estado teocrático, que acabou sendo um fiasco. Temo que em nossa denominação estejamos cada vez mais distantes do ideal anabatista; estamos flertando cada vez mais com o poder. E é por isso que creio firmemente que deixamos de lado a nossa vocação profética. Todas as vezes que alguma palavra profética se levantou em nosso meio foi fortemente criticada.
Destaco três temas abordados nos últimos tempos para os quais precisamos de coragem profética: aborto, lei da homofobia e laicidade do Estado. Quanto ao aborto, após o assunto ser levantado nas últimas eleições, setores governamentais procuraram minimizar posições claramente assumidas de descriminalização. A então candidata chegou a afirmar que é contra o aborto porque é uma violência contra a mulher, quando o aborto principalmente é uma usurpação da prerrogativa divina sobre a vida, e é principalmente uma violência contra a vida. Poucos perceberam que o nº 190 do Diário Oficial da União - Seção 3, pg. 88 no dia 4.10.2010, publicava um termo aditivo de prorrogação ao termo de cooperação entre a União Federal (Ministério da Saúde) e a Fundação Oswaldo Cruz (RJ) para "Estudo e Pesquisa para Despenalisar o Aborto no Brasil". Precisamos reafirmar profética e biblicamente que somos contra o aborto!
Sobre a lei de homofobia (PL-122), em tramitação no Congresso, poucos também se deram conta da crescente divulgação de atos de violência contra homossexuais. Condenamos todo ato de violência contra o ser humano (por isso somos contra o aborto) e defendemos o direito inerente da pessoa humana de liberdade de escolha. E contudo não se pode aceitar que em nome da luta contra a violência contra homossexuais as igrejas seja criminalizadas. Que, a liberdade deles, não tire a nossa de continuar crendo na Bíblia Sagrada, e de continuar a pregar a palavra, botando o dedo nas feridas da nossa sociedade.
Quanto à laicidade do Estado, o governo federal desferiu um golpe na liberdade religiosa ao aprovar e sancionar o Acordo Brasil-Vaticano. Disfarçado sob o manto de um acordo entre Estados, o Estado Brasileiro e o Estado do Vaticano, privilegiou-se uma religião, obviamente não oferecendo o mesmo privilégio a todas as outras religiões. Voltou-se, de certa forma, à religião oficial no Brasil, desmobilizada pela Constituição de 1889. Não é do meu conhecimento qualquer pronunciamento ou voto contrário de nossos parlamentares contra esse absurdo. No dia 12 de julho, em Sessão Especial no Senado Federal para homenagear a Igreja Memorial Batista pelo seu cinquentenário falei a apenas três senadores presentes sobre a necessidade da manutenção
do Estado laico e da liberdade religiosa. Afirmei a eles: Senhores Senadores, queremos continuar a ser uma igreja livre, num estado livre!
Que sejamos mais proféticos e menos políticos.
4)FILHOS DE DEUS VENCEM OS SEUS PRECONCEITOS
O dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define preconceito como uma opinião ou sentimento concebido ou assumido sem exame crítico, sem conhecimento abalizado, em consequência de generalização apressada ou imposta pelo meio.
Nós batistas temos reproduzido sem maiores reflexões vários preconceitos do nosso meio no correr da nossa história: há preconceito racial – Devo lembrar que muito desse preconceito teve os seus teólogos que provavam com a Bíblia na mão ser o negro designado por Deus para ser inferior e subalterno. Se alguém duvida que haja preconceito racial também em nosso meio recomendo a leitura do livrinho publicado pelo ISER, o Negro Evangélico. Há também entre nós o preconceito social, do rico contra o pobre, das igrejas ricas contra as igrejas pobres, das igrejas grandes contra as igrejas pequenas, e (pasmem) das igrejas pequenas contra as igrejas grandes, há o preconceito regional, sulistas contra nordestinos, paulistas contra baianos. E, contudo o que está mais evidente no tempo presente é o preconceito de gênero, contra a mulher e isto ficou muito evidente no horizonte da discussão sobre consagração de mulheres ao ministério pastoral batista. Muitas das argumentações contrárias deixam claramente evidente o preconceito contra a mulher: há uma desigualdade ontológica ou pelo menos funcional entre homem e mulher, a mulher foi criada para ser auxiliar do homem. Em muitas das argumentações percebe-se claramente a idéia da superioridade do homem em comparação à mulher e da inferioridade da mulher em comparação ao homem. Notem contudo que não estou dizendo que quem é contra a consagração de mulheres ao ministério pastoral pastoral batista seja preconceituoso, mas que muitos que são contrários, o são por puro preconceito contra a mulher.
Para confrontar bíblicamente o preconceito contra a mulher precisamos de uma teologia bíblica da mulher.
A TEOLOGIA DA CRIAÇÃO DESAUTORIZA A SUBALTERNAÇÃO DA MULHER AO HOMEM. Em Gênesis 2:18: “Disse mais o Senhor Deus: não é bom ao ser humano ser só; far-lhe-ei um socorro que lhe corresponda como uma imagem do outro lado do espelho” (tradução livre - Gênesis 2. 18).
Homem e mulher, mulher e homem foram criados por Deus como iguais ontológica e funcionalmente. Foram criados à imagem e semelhança de Deus (pouco menor do que Deus), coroados de honra e de glória, incumbidos de uma missão dada por Deus a ambos e dados um ao outro não como um auxiliar subalterno e inferior, foram dados um ao outro como auxílio e socorro.
É preciso lembrar que a subalternação da mulher em relação ao homem não é fruto da teologia da criação, mas da teologia da queda. "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" Gênesis 3:16. O problema é que há muitos que subordinam sua visão e ação sobre a mulher não à teologia da criação, mas à teologia da queda.
A TEOLOGIA DA REDENÇÃO PRECEITUA A ISONOMIA ENTRE HOMEM E MULHER. Essa subalternação de um ser criado ao outro identificada na teologia da queda representa uma ruptura da igualdade desejada e criada por Deus. Em sua oração sacerdotal Jesus orou “para que todos sejam um”. A oração de Jesus era uma expectativa, um desejo, um sonho. Paulo escrevendo aos Gálatas 3:28, disse: “porque todos vós sois um”. A expectativa de Jesus parece ter sido realizada na Galácia. E Paulo parece oferecer uma razão para tanto: "Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus." Em Cristo afirmou Paulo não há homem nem mulher, porque todos são um. Ou dito de outra forma: "Todavia, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher" (1 Coríntios 11:11). A subalternação na queda deve ser superada na redenção, na igreja.
Há contudo dois textos que trazem alguma dificuldade para nós: a) "As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja" 1 Coríntios 14:34-36, b) "A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão (dedicação, devoção). Pois não permito que a mulher ensine (didasko), nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio" 1 Timóteo 2:11, 12.
Contudo a Tito (2:3) Paulo escreve: “As mulheres idosas (gr. presbutidas), semelhantemente, que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem (kalo–didaskalous)”. Sem entrar no mérito do uso do termo PRESBUTIDAS obviamente da mesma raiz de presbíteros, Paulo diz que elas devem ensinar, ser boas mestras (Lutero). Enquanto em Timóteo ele diz que não permitia que a mulher ensinasse na igreja, aqui ele diz que as mulheres idosas deviam ensinar, e ensinar bem. É bom lembrar que no único texto do NT em que a palavra pastor (POIMEN), aparece se referindo a líderes na igreja e mesmo assim no plural é Ef. 4.11. Aqui o título é pastores-mestres (POIMENAS KAI DISDAKALOUS).
Sobre as mulheres na igreja aprendemos que: Foi Maria de Nazaret a que deu à luz e educou ao menino Jesus; foi Maria de Magdala a primeira a ver o Senhor ressuscitado; foram quatro mulheres as que, de todos os discípulos, estiveram ao lado da cruz. Priscila com seu marido Aquila era uma mestra apreciada na igreja primitiva, uma mestra que guiou a Apolo no conhecimento da verdade (Atos 18:26). Evodia e Sintique, apesar das desavenças, eram mulheres que trabalharam no evangelho (Filipenses 4:2-3). Felipe, o evangelista, tinha quatro filhas que eram profetizas (Atos 21:9). Paulo considerava com alta honra a Loide e Eunice (2 timóteo 1:5), e muitos nomes de mulheres são mencionados com alta estima em Romanos 16.
Tanto o pano de fundo Judaico quanto grego era que a mulher não era uma pessoa, mas uma coisa. Assim as orientações paulinas procuravam enfrentar uma situação concreta em um contexto social concreto, com leis claras e definidas (como também ordena a lei). Não devemos ler estas passagens como uma barreira à tarefa e serviço da mulher dentro da igreja, devemos fazê-lo á luz do pano de fundo judaico e da situação em uma cidade grega. Todos são aptos para servir a Cristo, Deus quer usar a todos.
A teologia da criação, a teologia da queda e a teologia da redenção devem nos levar a superação de todo o preconceito contra a mulher, de qualquer diminuição de sua dignidade e funcionalidade dentro da igreja e diante de Deus.
Que aos pés da cruz vençamos os nossos preconceitos raciais, sociais, regionais e de gênero.
5)FILHOS DE DEUS RESOLVEM OS SEUS CONFLITOS BIBLICAMENTE
“Ousa algum de vós, tendo uma queixa contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Para vos envergonhar o digo. Será que não há entre vós sequer um sábio, que possa julgar entre seus irmãos? Mas vai um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos? Na verdade, já é uma completa derrota para vós o terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?” 1 Coríntios 6:1,
“O mal que mais ameaça o cristianismo não é o anti-cristianismo, mas o sub-cristianismo”!
Depois do famigerado arrombamento da PIB de Goiânia para a realização de um casamento fora dos normativos internos daquela igreja e determinado por uma juíza ímpia, eu não imaginava que veria o que temos visto em nossa denominação, uma verdadeira paranoia querelante. De todos os estados ouvimos a mesma coisa, membros de igreja que não querem viver a vida cristã pelos ditames da Palavra de Deus leva os outros às varas criminais deste país (igrejas, e até a CBB) e isto perante juízes ímpios que não conhecem sequer as determinações bíblicas.
Meus irmãos Daniel foi condenado pela lei dos medos e dos persas “que não se pode revogar” (Daniel 6:12) porque desobedeceu ao interdito estabelecido pelo edital de Dario. Note ele foi condenado pela lei dos medos e dos persas, mas com certeza não pela lei de Deus. Não estou pregando aqui uma desobediência às leis, mas afirmando que a lei de Deus, a Palavra de
Deus não pode estar para nós abaixo das leis humanas! A Bíblia ensina o caminho para resolver os conflitos: a) Auto-exame – contrição, arrependimento, confissão e restituição, b) Alter-exame – exame do outro, c) Admoestação em particular, d) Admoestação comunitária, e) Sofrimento do dano!
Quem não quer viver pela Bíblia que saia da igreja!
Que busquemos resolver os nossos conflitos entre nós e aos pés da cruz e se não formos contemplados em nossas percepções pessoais, que soframos o dano!
6)FILHOS DE DEUS GUARDAM-SE ISENTOS DA CORRUPÇÃO DO MUNDO
“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;” Filipenses 2:14-15.
Em pesquisa divulgada pela Transparência Internacional na quinta-feira, 9 de dezembro, apontando o nível de percepção da corrupção em todo o mundo, um dado chamou a atenção: em seis anos, a percepção de que a corrupção afeta as instituições religiosas quase dobrou! Em outras palavras: as pessoas tomaram consciência que as instituições religiosas não são tão santas quanto dizem ser ou deveriam ser!
Amados irmãos, lembro-me de muitos anos atrás ler uma reportagem no Jornal Batista que falava de um executivo da denominação ter contratado vários membros da família para atuarem em funções na organização dirigida por ele. O que já me surpreendia na época, ainda um jovem, era que a reportagem falava da benção de toda a família trabalhar na obra denominacional: não era benção, era nepotismo mesmo! E já soava estranho a mim um jovem funcionário público.
A pesquisa divulgada pela Transparência Internacional não deve ser novidade para nós. Em muitas áreas temos visto a corrupção do mundo penetrar em nossas instituições.
No passado no embate com o movimento pentecostal éramos conhecidos pelo foco na ética, na lisura, e os pentecostais eram conhecidos pelo foco na experiência sensitiva, o que gerava neles um certo relaxamento na ética. Era comum ouvir as experiências espirituais profundas visivelmente mentirosas. O importante era mostrar o poder! Ou como escreveu Sammy Tippit: Buscava-se o poder de Deus, mais que o Deus do poder. Temo que hoje, por causa da idolatria do crescimento e dos números, tenhamos relaxado na ética flertando muitas vezes com líderes carismáticos, com evidente fraqueza moral e ética.
Têm-se notícias, muitas vezes advinda do espanto da sociedade secular, da corrupção, do tráfico de influência, da malversação da coisa denominacional, do enriquecimento ilícito, das propinas etc...
Que nos guardemos isentos da corrupção do mundo e sejamos de fato astros no mundo!
7)FILHOS DE DEUS VALORIZAM TODA A OBRA DE DEUS E A OBRA DE DEUS TODA
Quero recontar uma história bíblica usando-a como uma alegoria: os filhos de Rebeca. Isaque o filho da promessa (Abraão) tinha quarenta anos quanto tomou por mulher a Rebeca. Rebeca era estéril e Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu a gêmeos: Esaú e Jacó. “Cresceram os meninos; e Esaú tornou-se perito caçador, homem do campo; mas Jacó, homem sossegado, que habitava em tendas. Isaque amava a Esaú, porque comia da sua caça; mas Rebeca amava a Jacó” (Gênesis 25:27-28). Rebeca teve dois filhos, gêmeos, mas amava apenas um, aquele que era “sossegado”, que não exigia maiores cuidados e preocupações. As ações de Rebeca visaram sempre superproteger Jacó, em detrimento dos cuidados de mãe também a Esaú. Quero entender tal história por alegoria. Rebeca, a mãe, é a denominação batista. Esaú o filho, mal ou não amado, é a área de formação ministerial, os seminários. Jacó o filho sossegado, e amado são as juntas missionárias.
As juntas missionárias têm sido chamadas e tratadas equivocadamente de “meninas dos olhos da denominação”. É curioso que a expressão “menina do olho” seja aplicado à pupila do olho. Agora notem para termos visão não podemos só cuidar bem da pupila, mas também da
retina, do nervo ótico, enfim de todo o globo ocular. E notem de nada aproveitará uma pupila bem cuidada e saudável com um coração parado!
Tal tratamento diferenciado me faz perguntar se, as outras áreas da denominação, não são também importantes e essenciais para a existência sadia da denominação.
Em 2009 tínhamos como tema “O Aperfeiçoamento dos Santos: Descobrindo e Capacitando Líderes”. Tal tema traz uma percepção programática importante para o aperfeiçoamento dos santos: é preciso descobrir e capacitar líderes. Tais ações, entretanto devem conduzir naturalmente ao envio para que o ciclo se feche num todo harmônico, integral e sucessivo: descobrir, capacitar e enviar.
Como partes de um todo harmônico e integral descobrir, capacitar e enviar precisam receber o mesmo enfoque, a mesma ênfase, o mesmo investimento sob pena de sofrermos nanismo em uma ação em contrapartida à elefantíase em outra. É preciso conjugar os três verbos com a mesma força! Já foi o tempo em que no Brasil batista se dizia que antes de sermos testemunhas na “Judéia”, “Samária” e até “os confins da terra” era preciso ser testemunhas primeiro na nossa “Jerusalém”. O consenso hoje é que se faz necessária uma ação testemunhal concomitante, simultânea, coerente. Fazemos Missões Mundiais com a mesma paixão que Missões Nacionais e Missões Locais e Estaduais! É chegado o tempo em tenhamos a mesma paixão para capacitar que temos tido para descobrir e enviar.
Os batistas brasileiros temos investido significativamente na captação e descoberta de vocações. Os grandes e pequenos congressos missionários têm gerado um contingente considerável de vocações. Não há crise vocacional na denominação. Temos conjugado bem o verbo descobrir!
Nos últimos dois anos nomeamos e comissionamos cerca de 300 novos missionários para os campos de missões nacionais e mundiais, sem contar de missões estaduais. Os batistas brasileiros somos pródigos no envio e para isso levantamos vultosas ofertas nos dias especiais. Somos a segunda força missionária mundial e isso nos leva a conclusão: Temos conjugado bem o verbo enviar!
Lamentavelmente não podemos dizer o mesmo quando o verbo é capacitar! O dia especial para levantamento de ofertas para as casas de formação ministerial no mês de novembro não tem hoje qualquer apelo junto às nossas igrejas, às nossas lideranças, aos nossos corações. Dizemos que os seminários são importantes para a denominação, mas não o demonstramos com nossas afirmações e ações! Tratamos os seminários como empresas que devem dar lucro e se auto-sustentarem. Falta-nos paixão na conjugação do verbo capacitar! Pelo menos falta-nos a mesma paixão com que conjugamos os verbos descobrir e enviar! Como denominação ainda não descobrimos que preparo e envio são duas faces da mesma moeda!
Alguns argumentarão que o problema da nossa pouca paixão pelo verbo capacitar, pela educação teológica, é culpa dos próprios seminários mau gerenciados! Eu perguntaria como reagimos na crise de gestão que se abateu sobre a JMN em 2005, um endividamento acima dos 4 milhões? Parte dessa concepção decorre de uma visão reducionista da crise financeira que se abate há anos sobre os seminários administrados pela CBB. Os três seminários têm uma receita operacional abaixo das despesas. Reduzimos tudo a uma má gestão, mas há pelo menos três fatores responsáveis por essa situação: a) Modelo importado de difícil gestão. O modelo de campus enormes trazido pelos nossos irmãos norte-americanos era baseado no modelo de Richmond, regado a dólares não só para a aquisição de grandes áreas, mas também para o sustento de professores-missionários não remunerados por aqui, além da facilidade de conseguir verbas para cobrir os gap orçamentários. Quando as contas apertavam o Dr. David Mein ligava para os EUA e imediatamente chegavam ofertas dolarizadas para o Seminário do Norte. Os professores hoje são praticamente todos nacionais e devem receber por suas aulas, não há mais a mesma facilidade em receber ofertas de fora. B) Concorrência Interna. A abertura de instituições de ensino teológico (IET) estaduais, associacionais e eclesiásticas trouxe a redução significativa de matrículas para os seminários administrados pela CBB. C) Má Gestão. A competência na área de gestão impõe-se hoje sobre os Seminários administrados pela CBB. Além disso, precisamos responsabilizar os maus gestores por suas más gestões! Precisamos
disponibilizar instituições saudáveis e sustentáveis aos gestores e cobrar deles responsabilidade fiscal e financeira, à luz de sua competência para tal.
Para a missão precisamos de preparação e, se queremos realizar a missão nacional e mundial com egressos dos seminários que tenham um rosto batista não multifacetário e confuso, mas homogêneo, traçado pela visão nacional e não setorizada então os seminários administrados pela CBB precisam receber de nós um melhor tratamento. Penso que precisamos encarar o preparo e o envio como duas faces da mesma moeda.
Se vamos continuar a ter “menina dos olhos” da denominação entre as áreas de atuação, é melhor que esta assembleia delibere estrategicamente em matar e enterrar de vez o resto do corpo, que em alguns casos, está na UTI há muito. Será lamentável, mas pelo menos agiremos coerentemente com a nossa atitude.
Que valorizemos toda a obra denominacional como Deus valoriza, sem “menina dos olhos” entre todo o olho. Que superemos nossa “gagueira” missiológica. Que conjuguemos com toda a força todos os verbos da missão: descobrir, capacitar e enviar.
CONCLUSÃO:
Li que certo general ao encontrar no seu exército um soldado homônimo, mas com sérios problemas morais e de indisciplina decretou: OU MUDA DE ATITUDE OU MUDA DE NOME!
“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus”.
Que desta assembleia e durante todo este ano saíamos para ser protagonistas de um desenvolvimento sustentável do nosso meio-ambiente.
Que cessemos de desferir fogo amigo em nossa denominação. Que cessemos de atirar em nós mesmos.
Que sejamos mais proféticos e menos políticos.
Que aos pés da cruz reconheçamos, enfrentemos e vençamos os nossos preconceitos raciais, sociais, regionais e de gênero.
Que busquemos resolver os nossos conflitos entre nós e aos pés da cruz e se não formos contemplados em nossas percepções pessoais, que soframos o dano!
Que nos guardemos isentos da corrupção do mundo e sejamos de fato astros no mundo!
Que valorizemos toda a obra denominacional como Deus valoriza, sem “menina dos olhos” no meio de todo o olho, de todo o corpo. Que superemos nossa “gagueira” missiológica. Que conjuguemos com toda a força todos os verbos da missão: descobrir, capacitar e enviar.
Ouçamos a exortação bíblica: 1“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;” Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz 9 (porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade), 10 aprovando o que é agradável ao Senhor. 11 E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as. 12 Porque o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é torpe. 13 Mas todas essas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. 14 Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Efésios 5:1, 8-14
A maior contribuição ecológica que podemos fazer é corresponder e superar a ardente expectação da criação: de que nós chamados filhos de Deus pensemos, falemos e ajamos como legítimos filhos de Deus! Que aja coerência de vida com o nome que levamos

* Pastor da Igreja Memorial Batista de Brasília e ex-presidente da Convenção Batista Brasileira

domingo, 18 de julho de 2010

A “advocracia” batista


Há uns dois anos, durante uma reunião do Conselho Geral da Convenção Batista Brasileira, no Rio de Janeiro, diante de uma situação jurídica, comentei rindo com dois advogados, líderes destacados da denominação, sentados à minha frente, que escreveria um texto sobre a “advocracia batista”. Um deles, brincando, respondeu: “não mexe com a gente”. Demorou, mas escrevi!


A “advocracia” batista


A democracia batista, nesses 400 anos, já venceu a “patriarcracia”, a “sacerdotecracia”, a “apostolocracia”, a “gerontocracia”, a “episcocracia”, a “poimencracia”, a "diaconocracia" e agora, ao que algumas evidências indicam, terá que lutar contra a “advocracia". Não por causa da legítima e saudável necessidade de orientação técnico-jurídica, em face da complexidade da relação entre nossas decisões políticas e suas possíveis implicações jurídicas, mas pelo oportunismo político inerente a todos nós, porém exagerado e antiético em alguns.


É que alguns, quando não querem cumprir a vontade soberana do povo batista reunido em Assembléia, usam do artifício do parecer jurídico, geralmente fornecido por advogados por eles nomeados, para advogar causas do seu interesse em vez de esclarecer, imparcialmente, pontos duvidosos.


Como as atas das reuniões de alguns órgãos, para serem aprovadas, precisam de parecer de comissão jurídica, até quando um assunto contrário aos seus interesses é aprovado, eis que uma nova oportunidade de debate surge, com pareceres que deturpam o deliberado.


Pastor e advogado


O problema se agrava quando dirigentes, além de pastor e bacharel em direito, são também narcisistas. Nessa condição,  proclamam sua lucidez superior, sua divina e inquestionável autoridade para interpretar “a lei maior”, a Bíblia, acima de qualquer outro simples mortal; usam toda a influência psico-política que a função pastoral exerce e maximiza sua portabilidade da carteira de filiado à OAB para proferir sentenças, sim, sentenças, não pareceres, em relação a tudo.


Diante desses, que enfiem o rabo entre as pernas todos os seus “interlocutores”, se não quiserem correr o risco de serem lançados na fogueira da marginalização (via difamação), bem ao estilo da Santa Inquisição, ou, no bom “advoguês”, se não quiserem “ser processados” – antiga ameaça usada por dominadores de cultura coronelista, para amedrontar gente empobrecida e ignorante.



A necessidade de assessoria jurídica


Não que seja errado contar com uma assessoria jurídica, nem que a colaboração dos irmãos da área do direito seja dispensável. Pelo contrário, a contribuição de bons advogados, especialmente honestos, verdadeiros, crentes sérios e não mero clientes de banco (de igreja) é essencial em nossas Assembléias. O que não podemos deixar continuar acontecendo é a absolutização de pareceres de indivíduos ou grupos de advogados, sob a alegação de que se trata de “parecer técnico” (leia-se sentença), como se isso significasse, necessariamente, neutralidade política.


Neutralidade política?


Neutralidade política é uma posição que não existe. Nem mesmo nas sentenças da magistratura existe neutralidade política. Todas as nossas palavras, sejam manifestas através de linguajar técnico ou popular, produzem efeitos e, portanto, a elas subjaz interesse político, mesmo que seja o de ficar omisso. Omissão e neutralidade são igualmente posicionamentos políticos.


O sentido verbal da advocacia


Advogar – em seu sentido verbal - não é prerrogativa de bacharéis da área do direito, sejam eles atuantes na iniciativa privada, sejam eles funcionários públicos pagos com dinheiro do nosso trabalho. Advogar é uma possibilidade inerente a todos os seres humanos. Todos nós fomos dotados da capacidade de defender nossos interesses. O que se pode discutir é se estamos devidamente qualificados para advogar todas as causas e se estamos socialmente autorizados, através das leis, para o seu exercício nos tribunais do Poder Judiciário.


Qualificação para advogar


Em relação à qualificação, claro é que isso depende do tempo investido por cada um no estudo das leis. Destaco no estudo, porque encontramos pessoas com diploma de Bacharel em Direito que, além de não terem sido estudiosas na faculdade, não mais investiram em leitura depois de receber o diploma, a carteira da OAB ou serem aprovadas num concurso para ser funcionário público do Poder Judiciário.


Por outro lado, há pessoas que nunca foram ao banco da faculdade de direito, mas, como autodidatas, estudam séria e profundamente os assuntos do seu interesse; nunca entraram numa faculdade de direito, não tem carteira da OAB, mas defendem seus direitos como ninguém. É o caso de Jesus em relação aos pecadores, na linguagem didatica usada por João (I Jo. 2.1).


Autorização para advogar


Quanto à autorização para advogar nos tribunais, esta é uma matéria definida pela lei de cada país. Há causas que não exigem presença de advogado e que o próprio interessado, se julgar-se capaz, pode preparar a defesa de seus interesses. Há outras em que o cidadão sequer pode comparecer à presença do juiz se não estiver acompanhado de um profissional do direito, devidamente habilitado na forma da lei.


Destaque-se ainda que a exigência de advogado definida em lei é fruto, como toda legislação, tanto de estudos sérios e profundos em defesa do interesse democrático da cidadania, quanto de lobbies profissionais em defesa de interesses corporativos e até casuísticos.


Fóruns do Poder Judiciário e Assembléias Batistas


Se há exigência da presença de advogados na maioria dos fóruns do Poder Judiciário, o mesmo não ocorre nas assembléias democráticas dos batistas. Nas assembléias, cada membro-mensageiro é advogado e a sentença é proferida pelo voto da maioria dos presentes. Assim, a razão para contarmos com o auxílio de advogados em nossas assembléias visa tão somente estarmos cientes do cumprimento ou não das leis do país e não para sermos subjugados por alguns, cuja desonestidade é visível, conquanto membros de igrejas.


Sentenças da Assembléia e Sentenças do Poder Judiciário


Parecer de assessoria jurídica sempre será parecer. Cabe ao plenário dar a sentença, pelo voto de aprovação ou rejeição ao parecer, podendo orientar-se ou não por ele. Se o assunto for controvertido e a sentença do plenário ao parecer provocar prejuízos claros de qualquer natureza – seja à instituição, seja aos interesses particulares dos integrantes -, que se busque recuperar o prejuízo através de sentença do Poder Judiciário, na forma da lei. Afinal, não pregamos, nós batistas, corroborando com Paulo, que a autoridade – inclusive a do Poder Judiciário – foi instituída por Deus (Rom. 13.1,5) e está a serviço de Deus (Rom. 13.6)?


O que não pode continuar acontecendo é a soberania das assembléias estar subordinada à interpretação que um advogado ou mesmo um grupo deles, dá aos textos da lei. Sim, falo de interpretação porque, na maioria dos casos, chama-se de “parecer jurídico” uma mera interpretação de texto. Não existe interpretação técnica desvinculada de algum tipo de posicionamento político, explicito ou implícito, objetivo ou subjetivo.


Prerrogativa de interpretação de textos


Interpretação de texto também não é prerrogativa de bacharéis em direito. Pressupõe-se que todos que passam pelos bancos de uma escola são ensinados a interpretar textos desde quando são ensinados a ler, até porque toda leitura, sem exceção, é uma interpretação. Além disso, diversas outras atividades profissionais – além das do Direito - exigem especialidade em interpretação de textos, inclusive o pastorado.


Precisamos, portanto, entender melhor o conceito “interpretação de texto” tanto quanto “parecer jurídico”, “parecer técnico”, “manipulação política”, pois todos estão relacionados ao exercício da advocacia e são direcionados para um objetivo que interessa ou, no mínimo, salta inconscientemente, como um ato falho, aos olhos de quem dá o parecer.


Consideração final


Já identifiquei 5 magistrados e uma infinidade de advogados na igreja à qual sirvo como pastor. Já trabalhei em mais de uma dezena de comissões de reforma de Estatuto ou Regimento Interno, de igrejas ou instituições batistas, ao lado de excelentes advogados. A alguns deles devoto uma admiração imensa, seja pela competência técnico-profissional, seja pelo caráter, pela maneira respeitosa, amorosa, sem empáfia, como tratam seus semelhantes. Esses compreenderão e certamente se aliarão ao espírito deste texto: o de coibir aqueles que estão transformando nossa democracia em “advocracia”; que, escondendo-se atrás de um título, um diploma ou carteira da OAB, semeiam a usurpação, tratam nossa gente como feudos de ignorantes, destruindo um dos principais pilares das instituições batistas que é a soberania democrática de suas assembléias.

domingo, 4 de julho de 2010

87ª Assembléia Anual da Convenção Batista Baiana realizada em 2010

Depois de 8 horas viajando de carro, chegamos a Vitória da Conquista, cidade próxima à divisa entre Bahia e Minas Gerais. A temperatura, como se esperava, estava muito baixa para quem está acostumado aos padrões do nordeste. A sensação térmica chegou a 9 graus. 

Curtindo o frio e instalados no centro da cidade, nos preparamos e fomos para a 1ª "sessão" da 87ª Assembléia Anual da Convenção Batista Baiana. Assim fizemos a cada dia, até sexta-feira, uma vez que, "afônico" em função de choque térmico, retornamos no sábado pela manhã, não participando da sessão de encerramento, no sábado à noite.

As reuniões aconteceram numa quadra coberta com muita abertura lateral, fato que fez com que sentíssemos o máximo de frio prossível. A Igreja hospedeira - Igreja Batista Bethelem - sob a liderança do Pr. Sérgio Costa, empenhou-se em fazer o melhor possível e agradecemos a Deus por isso.

As atividades de cada período do dia

Os períodos da manhã foram dedicados ao estudo bíblico. O Pr. Luis Sayão fez uma exposição do livro de Rute, procurando nos aproximar da realidade dos tempos em que o mesmo foi escrito, através do aprofundamento das informações contidas no texto e confrontando o tempo presente com princípios contidos num livro que geralmente é citado apenas em cerimônias de casamento.

Nas reuniões noturnas ouvimos diversos oradores que, dentro da proposta de cada programação, procuraram sensibilizar, alertar e desafiar o povo batista ao aprofundamento do compromisso em áreas diversas da vida.

As reuniões das tardes de quarta a sexta foram reservadas para assuntos deliberativos. Nelas, as organizações e instituições da Convenção apresentaram seus relatórios. 

A apresentação dos relatórios

Confesso meu incômodo com essa parte da programação. Parece-me que algo precisa ser feito com urgência em nossa denominação.  Não fica claro qual seria o objetivo de tais relatórios. Como nenhuma de nossas organizações tem um planejamento organizacional, não há como avaliar seu desenvolvimento. Trabalhamos com discurso e não com dados e as informações dadas representam aquilo que quem prepara o relatório deseja que saibamos e não o que de fato precisamos saber. 

O que de fato precisamos saber é se a organização piorou, estagnou ou melhorou em relação aos dados do relatório da assembléia anterior e como estariam em relação a metas estabelecidas. Mas como fazer isso se não temos metas nem dados ou se eles - os dados -  são publicados de maneira que não favorece uma análise profunda, comparativa e rápida? Como fazer isso se não temos um plano de metas? Assim, os relatórios não servem para avaliação, nem para marketing, muito embora essa segunda opção parece ser a motivação de alguns dos que apresentam relatórios.

Vale salientar que isso não é um problema apenas nosso, na Bahia. Parece ser um problema nacional. Até mesmo a CBB padece deste pecado.

Dados financeiros

Salvo melhor atenção, a área com algum dado apresentado de maneira adequada foi a financeira. 

O Indice de Liquidez Corrente (que relaciona bens e direitos das organizações com suas obrigações e indica a "capacidade de pagamento da empresa no curto prazo sem levar em conta os estoques") é calculado com base em unidade de real. Ele indica o quanto em dinheiro a organização dispõe para cada real de compromisso a ser saldado no curto prazo. Os nove gráficos, salvo melhor atenção, repito, apresentados pelas organizações apontam que aproximadamente 10% delas estão negativas e pioriando; 20% estão negativas e melhorando; 35% estão positivas e melhorando e 35% estão positivas e piorando.

Isso quer dizer que quase metade das organizações terminaram o ano apresentando resultados financeiros piores em relação ao final do ano anterior.

Claro que este não é o único indicador de avaliação, mas é o único que foi disponibilizado. Se fossem disponibilizados outros indicadores, poderíamos avaliar mais rapidamente os relatórios, os discursos dos apresentadores seriam mais agradáveis e nos sentiríamos mais atentos.

Momentos de tensão

Dois momentos de tensão (além do tradicional referente ao preenchimento das vagas nos conselhos) marcaram as sessões deliberativas. O primeiro foi  em relação ao Conselho Fiscal. Por razões que não vêm ao caso, o Conselho Fiscal preparou seu relatório, mas o Conselho da CBBA não tomou conhecimento prévio do mesmo, como determina o Regimento Interno. 

Além disso, o conteúdo do relatório extrapolou as atribuições regimentais do Conselho Fiscal, o que, se regimentalmente estava errado, na prática foi altamente positivo para o plenário que teve acesso a um retrato da realidade administrativa das organizações.

O problema é que não somente um tempo foi reservado no programa para apresentação do referido relatório, mas também seu conteúdo foi publicado no Livro do Mensageiro. O relatório não pode ser apreciado pelo plenário, implicando na não aprovação das contas de todas as organizações.

O segundo momento de tensão ficou para a sessão de eleição da diretoria, pela seguinte razão:

O artigo 14 do Regimento Interno diz: "A diretoria da Convenção será composta de presidente, 1º, 2º e 3º vice-presidentes; 1º,2º e 3º secretários eleitos para um período de dois (2) anos, VEDADA A REELEIÇÃO DOS MEMBROS DA DIRETORIA PARA TERCEIRO MANDATO CONSECUTIVO

O problema foi a divergência de interpretação.

Um parecer da Comissão Jurídica apresentado ao plenário, interpretava que a proibição de reeleição seria para o mesmo cargo. Uma outra tese foi levantada defendendo a proibição para qualquer cargo. A primeira tese permitia a permanência eterna de um convencional na diretoria, num sistema de rodíizio nos cargos; a segunda, defendia a proibição após dois mandatos, gerando alternância, como no caso da presidência da República do Brasil.

(Na Convenção Batista Brasileira a regra diz: "O mandato da diretoria eleita será de dois anos, sem direito à reeleição no período subsequente" (Art 8º, & 1º). A interpretação vigente é que nenhum mensageiro pode continuar na diretoria por mais de um mandato seguido, nem mesmo mudando o cargo).

Depois de muito debate, a questão foi submetida ao plenário e 2/3 dos presentes entenderam que a segunda tese - a de que uma pessoa não pode ficar indefinidamente na diretoria - prevaleceu. 


Apesar disso, o presidente, por razões que somente ele e Deus sabem, decidiu não obedecer a decisão do plenário, permitindo que um mensageiro que já estava na diretoria há pelo menos dois mandatos concorresse e fosse reeleito ilegalmente à luz da decisão interpretativa do plenário.

Pessoalmente pressenti, como parte do plenário, que, se insistíssimos, poderíamos provocar um acirramento tal, com consequências danosas imprevisíveis e irreparáveis. Optei pelo silêncio consciente, pelo mal menor.

(É importante que se destaque que a discussão não ocorreu motivada por um suposto desejo de mudança, muito menos porque qualquer pessoa eventualmente atingida pela regra não fosse qualificada para estar na diretoria. O debate se deu pelo cumprimento do espírito da regra que seria o princípio da alternância)

Candidato único a presidente

Como somente um candidato disponibilizou-se a concorrer à presidência, o escrutíneo foi dispensado na forma da alínea III, do & 1º, Art. 14º do Regimento e o candidato foi eleito, sem votação, totalmente dentro da legalidade.

Mês de Missões Estaduais

Acredito que tais tensões ainda que desagradáveis têm seu lado criativo e serão superadas na caminhada. Agora, como líderes, devemos pensar nos missionários que estão nos campos, nos desafios que temos diante de nós e fazermos o melhor neste mês de julho, dedicado ao levantamento de oferta para o sustento daqueles que estão em frentes pioneiras.