sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Uma igreja com rosto bereano

Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (At. 17:11)


Ser uma igreja com rosto bereano é o caminho para o desenvolvimento de vidas saudáveis (ou santas, se preferirem a linguagem bíblico-sacerdotal) em todas as suas dimensões. Precisamos, porém,esclarecer o que significa uma igreja com esse perfil.

Beréia, hoje Véria, era uma cidade, não uma igreja, localizada na Macedônia. Seus moradores – os bereanos - ficaram conhecidos, por sua busca pela verdade dasEscriturasEssa, porém, não é a marca número um desta comunidade. Pelo menos não no livro de Atos, onde ela é citada.

A busca pela verdade bíblica, como marca,  ganhou destaque em face da necessidadede afirmação e divulgação da ideologia protestante, sustentada mais enfaticamente desde os tempos de Lutero, cujos fundamentos incluía a expressão “Sola Scriptura.(Os demais pilares da Reforma Luterana eram: Sola fideSolus Christus, Sola Gratia,Solo Deo Gloria).

Reconhecer que a ênfase à utilização das Escrituras como parâmetro não era sua marca principal, não diminui a importância delas para os bereanos. Apenas escalona os fatos registrados em Atosenfatizando em primeiro lugar, aquilo que, de fato, foi enfatizado em primeiro lugar, quando da caracterização dos cidadãos desta cidade.

Ao colocar as coisas em seus devidos lugares, reconhece-se que o respeito e acolhimento ao outro é o elemento de destaque e só depois vem a busca, nãoobsessão, pela verdade das Escrituras. Essa ordem sequencial tem o mérito dedesqualificar atitudes fundamentalistas geradoras de doenças tanto na igreja, quanto na sociedade em geral.

A referência bíblica, citada em epígrafe, destaca como marca principal dos bereanos,o fato de serem mais nobres do que os cidadãos de tessalônica. Esta nobreza foi reconhecida porque os bereanos receberem de bom grado a pregação de Paulo,enquanto os Tessalônica, como lemos em Atos 17:1-9, receberam com atitudesgrosseiras, más. A postura, portanto, dos cidadãos de ambas as cidades, foiantagônica.

Em Tessalônicaa reação à pregação de Paulo foi: inveja, tumulto, mentira, culminando com prisão, bem diferente do que ocorreu entre os bereanos. Os deTessalônica eram tão fundamentalistas que, sabendo que Paulo estava pregando naBeréia, foram pra lá criar tumulto, fato que fez com que Paulo precisasse sairescoltado da cidade.

Fica evidente, então, que a razão número um da nobreza dos bereanos era sua capacidade de respeitar e dialogar em torno das Escrituras (que, então, ainda não eram canonizadas, nem compiladas como hoje).

Com esta observação, as Escrituras continuam sendo o eixo em torno do qual a fé eraconceitualmente elaborada pelos bereanos. Porém, o foco da nobreza do grupo deixa de ser uma ideologia obsessiva pela “verdade bíblica”, nos termos e tons quefundamentalistas utilizam essa expressão e passa a ser a capacidade de acolher,respeitar e dialogar com o outro, cujas ideias são diferentespostura totalmenteestranha à dos fundamentalistas tessalonicenses.

Assim sendo, uma igreja com rosto bereano é aquela que demonstra capacidade para acolher, ouvir e dialogar em torno das Escrituras, de maneira honesta, saudável e nãoobsessiva, como ocorreu com cidadãos tessalonicenses. Esse é o rosto que queremos ter.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Em defesa da liberdade, mas ... (A propósito do atentado contra o Jornal francês Charlie Hebdo)

Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. (I Pd 2:15-16)
“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” (Gal. 5:13)
Quem semeia vento colhe tempestade; quem semeia o mal recebe maldade e perde todo o poder que possuía.” (Pv 22:8)

Nesses últimos dias, o atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo tornou-se manchete em toda a mídia do planeta. Com ele, o tema liberdade voltou ao debate porque a razão do atentado teria sido uma reação de fundamentalistas islâmicos às charges publicadas pelo jornal, visando conscientemente desmoralizar Maomé e a religião.

No Brasil, a mídia aproveitou-se do fato e enfatizou o viés “liberdade de expressão” como maneira de confundir a cabeça do povo brasileiro. Digo confundir porque, segundo se publica, haveria doisinteresses escondidos atrás desse discurso midiáticoaparentemente filosófico: 1) a elevada concentração das verbas publicitárias do país nas mãos de 4 ou 5 famílias proprietárias de grandes conglomerados de comunicação; 2) o envolvimento de políticos detentores de mandato (senadores, deputados, vereadores, governadores e prefeitos), na condição de proprietários totais ou parciais de empresas de comunicação, contrariando dispositivo constitucional.

Percebe-se, então, que por detrás do belo discurso “liberdade de expressão”, o que de fato existiria seria a defesa de interesses político-econômicos.

Assim sendo, a fim de não nos tornarmos “bois de piranha”, devemos observar que há pelo menos 3 motivos distintos, por detrás do tema “regulamentação da mídia” no Brasil: recursos publicitários, manutenção de poder político-econômico e o princípio filosófico da liberdade de expressão.

Liberdade é tema caro aos batistas, primeiro, porque, na maioria das vezes que aparece no Novo Testamento, tal palavra está associada à salvação. Depois, porque ela foi uma das razões mais fortes ao surgimento desta denominação, no século XVII. Daí a importância, necessidade até, de nos mantermos vigilantes, em defesa dela.

É interessante que as manifestações de solidariedade em favor do Jornal Charlie Hebdoforam massivas. A expressão francesa “Je suis Charlie” ganhou o mundo de maneira espontânea. Mas, mesmo em meio à dor de familiares, amigos e compatriotas dos 17 mortos em torno do atentado, alguns optaram por se posicionarem criticamente ao jornal. Suas críticas giraram em torno da linhaagressiva, ofensiva e desrespeitosa, adotada pelo jornal em relação, por exemplo, à religião em geral, especialmente à islâmica, e ao homossexualismo, postura que teria alimentado tal barbárie.

Diante disso percebemos que a grande questão em torno da qual nossas reflexões deveriam girar, diferentemente do que a mídia brasileira enfatizou, não seria em torno do direito à liberdade de expressão, mas à forma, à motivação, àresponsabilidade no uso da liberdade.

Curiosamente, justamente por não ter atentado para ensinos como os dos textos sagrados dos cristãos e do judaísmo, publicados no início, o Jornal teria recebido como retorno, de maneira brutal, aquilo que plantou. Lamentavelmente.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Visão Estratégica da Igreja Batista da Graça.SSA: seria a hora de repensar?


Nossa Missão:
“Anunciar Cristo através de atitudes, palavras e ações”
Nossa Visão Estratégica:
“Queremos ser uma igreja acolhedora, contemporânea e distribuída em pequenos grupos; comprometida com o discipulado cristão visando transformações individuais e sociais; que valoriza a família com prioridade para crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais”

Em dezembro de 2008, portanto há 6 anos, definimos a Visão Estratégica acima. Ela procurava retratar resumidamente o que almejávamos fazer para refletir aquilo que acreditamos ser a razão de nossa existência: “anunciar Cristo através de atitudes, palavras e ações”.

Geralmente a Visão Estratégica deve ser avaliada anualmente, podendo ser modificada ou não à luz dos resultados alcançados e da nova realidade percebida. Porém, por razões diversas isso não ocorreu nesse período, mas entendemos que isso pode e deve ser feito agora.

Uma vez que concluímos todo um processo de reestruturação organizacional, administrativo-operacional, jurídica e estamos na reta final da patrimonial, o momento é mais do que propício, exige até, que façamos uma avaliação do que se tornou ou não realidade em nossas ações e quais seriam as razões e os efeitos disso à luz da visão vigente.

Diante do exposto, acredito que é hora de cada membro da igreja participar do confronto entre o almejado e o realizado, o permanente e o transitório, a realidade e o que temos feito como igreja, na atual visão.

Assim, na próxima reunião do Conselho dialogaremos sobre a elaboração de um cronograma para tratar de uma agenda que poderá ser:

1.    Reflexão do que vem a ser Missão e Visão;

2.    Avaliação feita pelos Conselhos de Áreas Ministeriais da visão vigente, da realidade e do que deveríamos almejar em relação às suas respectivas áreas: administração, adoração, atuação social, comunhão, ensino, pastoral e proclamação;

3.    Realização de seminário para debater o resultado do trabalho de cada Conselho Ministerial;

4.    Formação de um GT para: 1) apresentar quais seriam as metas a serem almejadas para determinado período de tempo; 2) propor uma declaração de visão que, em poucas palavras, retrate o que desejamos ser.

5.    Finalizar um Plano Geral de Ação que norteará a Igreja no próximo período de tempo, por ela determinado.

Nesse espírito, pedimos aos conselheiros e demais membros da Igreja que estejam refletindo sobre o assunto, a fim de que, na próxima reunião, em 15 de janeiro, dialoguemos sobre o tema e ratifiquemos ou retifiquemos a agenda acima visando definir os rumos que serão adotados.