quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Afirmação de humanidade - Filipenses 1:21

  “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.” (Filipenses‬ ‭1:21‬)

Isso não é afirmação de religiosidade, muito menos negação das multiplas dimensões que compõem nossa existência. Não é  declaração de candidato a eremita ou a monge. É uma declaração de norte, de sentido, de valores, de filosofia de vida, de humanidade.

Não significa, portanto, que a pessoa que faz tal declaração não mais vivenciará, por exemplo, sua ludicidade, sua sexualidade ou suas atividades econômicas, profissionais, financeiras, políticas, enfim.  Pelo contrário, as viverá em sua plenitude, buscando formas mais saudáveis - santas na linguagem sacerdotal - de experimentá-las, de expressá-las, de cumprí-las.

Significa, sobretudo, que o Cristo passou a ser o valor máximo de sua existência, o bem supremo, o eixo em torno do qual gira sentimentos, pensamentos, palavras e ações. Quem entende isso, empenha-se para acertar, mas não se maltrata quando errar, pois descobriu que viver em Cristo é poder respirar graça até em meio à desgraça. E, se morrer, está no lucro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Determinação essencial

“Aguardo ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado. Ao contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida, quer pela morte;” (Filipenses‬ ‭1:20‬)

Determinada é a pessoa que tem clareza dos objetivos que desejar alcançar e empenha-se, investindo todos  os recursos e instrumentos disponíveis, visando atingi-los.

Se, porém, formos determinados, mas nos esquecermos da "determinação essencial", ao atingirmos o alvo nos sentiremos como cantava Raul Seixas: "eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado. Porque foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto "E daí?""

Essencial é deixarmos que o Cristo - o ungido de Deus, o Jesus de Nazaré - torne-se grande dentro de nós. (Pra mim, esse é o melhor sentido de "engrandecer a Cristo". Alguns, equivocadamente, o confundem com bajular Jesus, especialmente através de repetições superficiais, inclusive musicais, em liturgias). Quanto mais permitimos que ele cresça em nós e através de nós, mais  nos sentimos realizados naquilo que é essencial (e em tudo mais) na vida: ser.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Certeza da vitória

"pois sei que o que me aconteceu resultará em minha libertação, graças às orações de vocês e ao auxílio do Espírito de Jesus Cristo.” (Filipenses‬ ‭1:19‬)

Na década de 70, Juarez de Azevedo escreveu "Ateu já era", visando a juventude universitária. Ele termina o livro falando de uma conversa com alguém que indagava se ele não se sentia no prejuizo diante da possibilidade de não existir céu ou inferno.

Usando a linguagem da Loteria Esportiva, ele respondeu dizendo que marcou triplo. Qualquer que fosse o resultado ele seria ganhador, pois o que fazia ou deixava de fazer não estava vinculado ao que ganharia ou perderia no futuro.

Paulo não tinha "bola de cristal" pra conhecer seu futuro, mas já sabia que, independente do resultado de sua condição de prisioneiro,  se sairia vitorioso. Isso porque sua vitória não estava vinculada aos acontecimentos agradáveis ou desagradáveis que o cercavam, mas ao motivo de sua prisão, Jesus Cristo. Ele sabia que, seu coração estando em harmonia com o de Jesus, qualquer que fosse o resultado, ele seria vitorioso.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O dinheiro e os conflitos de interesses nas igrejas e convenções batistas

Um grande desafio cooperativo-financeiro na igreja e entre igrejas que participam de programas cooperativos com outras em nossos dias é a utilização do dinheiro como forma de pressão frente aos conflitos de interesses.

É triste ver um membro de igreja usando seu dízimo como instrumento de pressão quando seus interesses pessoais não são atendidos pela igreja da qual faz parte.

É triste ver uma igreja usando sua oferta mensal do Plano Cooperativo como instrumento de pressão quando os interesses de seus lîderes são contrariados em decisões da Convenção.

Talvez, na base disso, esteja a falta de clareza quanto a quem, de fato, é o senhor de nossas vidas, se Deus ou o dinheiro, como desafiou-nos Jesus: ““Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.” (Mateus‬ ‭6:24‬).

Talvez precisemos deixar mais claro quais são, de fato, os interesses que nos unem como igreja e Convenção, a fim de verificarmos se tais interesses são realmente os interesses vinculados ao Reino de Deus, como manifestos na vida e ministério de Jesus, ou se outros interesses estão se sobrepondo a eles.

Se divergências existem, que sejam equacionadas atravës de diálogo honesto e não de mecanismos de força, de imposição.

Todo relacionamento é conflituoso, por isso precisamos ser criteriosos também na escolha de meios a serem utilizados na solução deles. Faz-se necessário uma reflexão sobre os princípios éticos que nos norteiam no diálogo e até nos enfrentamentos que decorrem de nossas inevitâveis diferenças geradoras de conflitos.

Quando leio um texto como o que segue e vejo igrejas usando o dinheiro como argumento, como forma de pressão, diante de divergências entre seus líderes e líderes denominacionais em relação ao Presidente da República, questiono-me a respeito de quem, de fato, é o Senhor de quem nessa história.

Talvez estejamos precisando de mais Pedros entre nós pra dizer: “Pereça com você o seu dinheiro! Você pensa que pode comprar o dom de Deus com dinheiro? Você não tem parte nem direito algum neste ministério, porque o seu coração não é reto diante de Deus. Arrependa-se dessa maldade e ore ao Senhor. Talvez ele perdoe tal pensamento do seu coração, pois vejo que você está cheio de amargura e preso pelo pecado”.” (Atos‬ ‭8:20-23‬)

http://www.christianitytoday.com/gleanings/2017/february/trump-advisers-church-withholds-donation-sbc-graham-moore.html

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Motivos versus palavras - Filipenses 1:18

“Mas que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro. De fato, continuarei a alegrar-me,” (Filipenses‬ ‭1:18‬)


Só Deus é capaz de julgar as intenções do coração. Elas são tão subjetivas e complexas que nem sempre a própria pessoa sabe nominar, com precisão, os motivos de determinadas ações suas. Pode-se supor, com base em evidências, quais seriam as intenções alheias e até usar isso como discurso político para fortalecer ou destruir, para absolver ou condenar alguém. Afirmar categoricamente, entretanto, é arriscado.

Os motivos de cada um, conquanto sejam importantes, pertencem, a priori, a cada um. O que cada um sente ou pensa é determinante para si. Por serem subjetivos, sentimentos e pensamentos não transformados em ação, não podem atingir de maneira objetiva a vida de outrem. Isso não retira a importância de refletirmos e falarmos sobre eles - os motivos -, mas em dadas situações, melhor é deixá-los em segundo plano.

Deixar as motivações de lado não significa concordar com elas ou dobrar-se a elas ou, muito menos, desistir de denunciá-las. Significa apenas admitir que, diante da complexidade do assunto, o que merece atenção primeira, são os fatos objetivos, as ações, as palavras proferidas, pois esses sim alteram objetivamente os rumos da realidade. Nesse sentido, o melhor é descartar os motivos dos pregadores e o focar na palavra sobre o Cristo de Deus, o Jesus de Nazaré, a razão da nossa alegria.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Pregadores ambiciosos - Filipenses 1:17

“Aqueles pregam Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que me podem causar sofrimento enquanto estou preso.” (Filipenses‬ ‭1:17‬)

Ter ambição é virtude quando significa desejo determinado de alcançar objetivos. Nesse sentido, precisamos sempre mais de pesoas que tenham objetivos claros e saudáveis e que sejam ambiciosas para alcançá-los. O poeta cristão escreveu um bom exemplo e cantávamos muito antigamente nos cultos batistas: "Eis a minha ambição: ter e sentir, senhor, mais gratidão e mais amor" (366 HCC).

Ambição também tem um significado pejorativo quando o que se busca é o poder pelo poder, a fama pela fama, o prestígio pelo prestígio, a riqueza pela riqueza, enfim. Em outras palavras: quando não há sinceridade, pureza, naquilo que se almeja. A motivação e a finalidade não são boas para todos.

Quando um pregador da palavra de Deus é pejorativamente ambicioso, seu discurso até parece fazer-nos bem, mas o resultado a médio e longo prazo é ruim, pois o que ele busca não é o bem do ouvinte, mas somente o seu próprio. Ninguém faz algo pensando só no outro. O problema é quando pensa só em si. A ambição, nesse caso, é egoista.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pregadores por amor - Filipenses 1:16

“Estes o fazem por amor, sabendo que aqui me encontro para a defesa do evangelho.” (Filipenses‬ ‭1:16‬)

Todo pregador - não apenas pastores que ocupam púlpito, mas também os demais pretensos cristãos que compartilham a fé - antes de abrir a boca deveria perguntar a si mesmo: é por amor que proferirei esta palavra?

A análise do discurso, que envolve todos os  elementos nos quais a "fala" de uma pessoa se circunscreve, nos ajuda a perceber qual é a força motriz de uma mensagem. Tons de voz, expressões corporais, palavras usadas, enfim, retratam aos mais atentos os sentimentos, as atitudes, os pensamentos que compõem a mensagem. O todo, não só as palavras, veicula a mensagem.

Perguntar-se a si mesmo se o amor é o distintivo da mensagem a ser proferida não tem o poder mágico de eliminar outras razões do coração, até porque, como já disse o filósofo, "o coração tem razões que a própria razão desconhece". Mas ela - a pergunta - é um gatilho que desperta a consciência para aquilo em torno do qual deve girar a vida, a mensagem da vida: o amor.

Motivos da pregação - Filipenses 1:15

“É verdade que alguns pregam Cristo por inveja e rivalidade, mas outros o fazem de boa vontade.” (Filipenses‬ ‭1:15‬)

São tantos os "evangelhos", quanto diversificados são os motivos de quem os prega. Paulo não só reconhecia isso, mas também já reagia, em seu tempo, amaldiçoando os que anunciavam "outro evangelho", diferente do ensinado por ele (Gal. 1). 

Trigo e joio não é uma metáfora que retrata o que ocorre apenas em uma comunidade. Ela também indica o que acontece dentro de cada pregador. Em todos há motivações múltiplas, inclusive não tão boas, que se misturam e disputam se impor nas pregações.

Na pregação alheia, dizem alguns, a "inveja e rivalidade" podem prevalecer,  não na nossa. Impressionamos ouvintes, pessoas se manifestam favoravelmente aos apelos, arrancamos elogios da platéia. Porém, o ouvinte Deus que perscruta corações...


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Influência da determinação - Filipenses 1:14

“E os irmãos, em sua maioria, motivados no Senhor pela minha prisão, estão anunciando a palavra com maior determinação e destemor.” (Filipenses‬ ‭1:14‬)

Agimos com maior determinação quando algo faz muito sentido para nós. Agimos quando temos convicção de que aquilo é necessário, é o melhor a ser feito e o custo-benefício justifica até eventuais riscos envolvidos, mesmo não sendo o caminho que gostaríamos de percorrer.

Quando alguém age com determinação e destemor, a ponto de correr riscos pelo que crê, seu exemplo influencia especialmente aqueles cuja motivação interior ainda não está consolidada e dependem de uma "inspiração" externa.

Se cremos naquilo que fazemos e demonstramos isso através de ações objetivas, sem dúvidas outras pessoas serão contagiadas e seguirão pelo mesmo caminho. Discurso consegue tocar no sentimento das pessoas e até provocar reações instintivas, mas não o suficiente para mobilizá-las a agirem contínua e conscientemente por si mesmas. Ações que comprovem e promovam convicções sim.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Não apodreça parado - Filipenses 1:13

“Como resultado, tornou-se evidente a toda a guarda do palácio e a todos os demais que estou na prisão por causa de Cristo.” (Filipenses‬ ‭1:13‬)

Li, em 2000, o livreto "Quem mexeu no meu queijo". Trata-se de uma fábula que leva os leitores a repensarem suas atitudes frente a situações de mudanças que nos atingem sem que estivéssemos preparados para enfrentá-las. Defende a idéia de que a paralisação frente ao novo nada gera de novo, portanto, uma ação, seja qual for, é melhor do que a paralisação.

Ninguém inclui uma prisão como projeto para mudança de vida, muito menos espera que em uma delas alguma coisa boa possa ocorrer. Mas, se uma dada circunstância nos levou a ela, melhor do que o lamento, o desespero ou a depressão é encontrar um sentido que nos ajude a agregar valor à vida e assim superar a adversidade em vez de sucumbir a ela. 

Num campo de concentração, Viktor Frankl (Em busca de um sentido) desenvolveu sua logoterapia que salvou muitos judeus e continua ajudando muita gente a ter uma vida melhor hoje. Na prisão, José do Egito tornou-se auxiliar do carcereiro e conselheiro de seus companheiros. Na prisão, Paulo tornou Jesus conhecido à guarda do palácio, abrindo caminho para o evangelho em Roma. Portanto, quando se deparar inesperadamente com algo ruim, "faça do limão uma limonada". Paralisar-se em torno de lamentação só piora as coisas. Reveja sua atitude, AJA em alguma direção e o fôlego voltará. Não apodreça parado.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sermão pastoral versus anseio congregacional

Vc, pastor, já se perguntou se aquilo que vc anseia para "sua igreja" é o mesmo que "sua igreja" anseia quando vai ouví-lo?

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Pense e responda uma de cada vez as perguntas que seguem e depois tire suas conclusões se a pergunta em epígrafe procede:

1. Poderia um pastor pregar o que Deus tem para sua igreja se não conhece os anseios dos corações dos que o ouvem? ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez

2. Poderia a palavra de um pastor ser fruto de um coração vaidoso, orgulhoso, egoista, materialista, religiosamente politizado ou você acredita que esse nunca é o caso de nenhum pastor? ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez

3. Você acredta que todo pastor investe tempo em oração sincera em busca de conhecer o coração de Deus e o coração dos membros de sua igreja antes de preparar um sermão? ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez

4. Poderia um pastor estar com o coração focado no crescimento numérico e patrimonial da instituição, com base em técnicas e estratégias de crescimento humanos, movido pelo desejo de agradar líderes denominacionais vendedores de produtos para crescimento da igreja, enquanto tudo o que os membros desejam é apenas viver em comunhão com Deus e manifestar amor aos que os cercam?  ( ) Sim ( ) Não (  ) Talvez

5. Poderia ser o caso de todos os pastores serem pessoas puríssimas que não expressam em nenhum momento palavras que não estariam afinadas com a vontade de Deus para um povo que o busca de coração?  ( ) Sim ( ) Não (  ) Talvez

6. Estariam os que colocaram em suspeição a indagação partindo do pressuposto de que todos os pastores são seres divinos e todos os que o ouvem, diabólicos?  ( ) Sim ( ) Não (  ) Talvez

7. Estariam todos os membros da igreja tão distantes de Deus e todos os pastores tão perto que o que ele prega e o que eles buscam seria diametralmente opostos?  ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez

8. Seria possível os membros da igreja estarem em mais comunhão com Deus do que seus pastores?  ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez

Se vc respondeu pelo menos um sim ou um talvez às perguntas acima, a pergunta que encabeça o post merece reflexão e resposta mais profunda de cada pastor que vai ocupar o púlpito hoje.

Se vc respondeu não para todas as perguntas, sugiro que peça a Deus que te ajude a conhecer o coração e a vida de alguns pastores, inclusive o meu,  fora do templo, no dia-dia.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O progesso do evangelho - Filipenses 1:12

“Quero que saibam, irmãos, que aquilo que me aconteceu tem, ao contrário, servido para o progresso do evangelho.” (Filipenses‬ ‭1:12‬)

Faz-se necessário repetir a diferença entre progresso do evangelho e progresso dos evangélicos. Uma coisa é o  significado etmológico  de evangélico, outra o contextual. A visibilidade que empresários da fé deram à marca evangélico e a quantidade de pessoas que aderiram a ela causam a impressão de que o evangelho está progredindo. Porém, por haver fraude na mensagem, tal progresso é um ilusionismo maligno.

Progresso do evangelho tem sim a ver com o aumento de visibilidade e de quantidade, mas visibilidade do caráter de Jesus de Nazaré em quantidade de pessoas cujas vidas se tornam "sal da terra e luz do mundo",  influênciando positivamente todas as dimensões das vidas com as quais se relacionam.

Quando se tem compromisso com Jesus, tudo que acontece, incluindo, portanto, situações de adversidade, repercute a favor do progresso do evangelho, pois o foco do discípulo não é colocado na situação, mas em Jesus, com quem está comprometido.