segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

As chamas - ou a grande chama - do amor

Raya, Ahava e Dod

domingo, 7 de fevereiro de 2010

ETNIA & RELIGIOSIDADE Quando a imprensa perpetua estereótipos

 Por Rosiane Rodrigues
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=575FDS007
Jornalistas são pessoas. Por mais distanciamento e olhar crítico, os "operadores da imprensa" são produtos da sociedade em que vivem. Parece óbvio, mas observar em que contexto social nasceram e cresceram editores e repórteres é o primeiro passo para entender por que a maioria esmagadora dos veículos de comunicação presta um desserviço à liberdade religiosa no Brasil. E por que, mesmo diante de afirmações perturbadoras, somos tentados – e levados! – a jogar a opinião pública a perpetuar preconceitos e promover a discriminação.

Há pouco mais de um mês, o país se chocou com os casos das agulhas. Duas crianças – uma na Bahia e outra no Maranhão – teriam sido alvo de rituais macabros, conduzidos por sacerdotes de matriz africana. Dezenas de agulhas foram introduzidas nos corpos das vítimas. Um outro caso, em São Paulo, há cerca de duas semanas, dava conta de uma mulher que assassinou a empregada porque queria lhe tomar a filha recém-nascida. O corpo da jovem foi encontrado com uma vela na boca e sinais de violência. O fato foi atribuído a um ritual de magia negra, orientado por um pai de santo (?) que chegou a prestar depoimento na delegacia.

O interessante dos três casos é que nenhum sacerdote – seja da umbanda, do candomblé, do catimbó, do omolokô, Xangô de Minas – tenha sido ouvido ou consultado. Salvo o jornal Meia Hora (RJ), que após publicar na capa a manchete "Patroa mata empregada em ritual de magia negra", sobre o assassinato ocorrido em São Paulo, ouviu um sacerdote de matriz africana que definiu o caso como um crime bárbaro que absolutamente não tinha ligação com qualquer prática da umbanda e do candomblé. A entrevista com o religioso saiu na edição seguinte, sem o mesmo destaque.

Ancestralidade e lógica familiar
Mas, por que ouvir uma fonte que parece nada ter a ver com a notícia? Primeiro para ter certeza de que os acusados são realmente sacerdotes ou adeptos de algum segmento da religiosidade afrobrasileira. Segundo para saber o que pensam "pais e mães de santo" a respeito dos episódios. É uma lógica simples: ou todos os jornalistas são profundos conhecedores da religiosidade afrobrasileira e por isso autorizados a afirmar a veracidade e origem do sacerdote e suas práticas ou estão faltando mães de santo no país. Não creio em nenhuma das duas hipóteses.

E este é o "xis" da questão. Quem, se não os próprios sacerdotes e adeptos das religiões de matriz africana, pode ratificar a origem de um sacerdote? Quem, se não os próprios ciganos, pode afirmar a ascendência de alguém que lê cartas? Não basta um cocar na cabeça para ser índio. Assim como roupas brancas e "farofas em alguidares" não bastam para titular quem quer que seja como "pai ou mãe de santo". A estruturação organizativa das comunidades que prescindem de ancestralidade possui uma lógica diferente. Seus praticantes precisam necessariamente pertencer a uma comunidade ou família. Na natureza não há geração espontânea. Para ser pai é necessário ter sido filho. E todo sacerdote ancestral (ialorixá, ogan, babalorixá, pajé, baba de umbanda) tem responsabilidade para com seus iniciados.

Digamos que as notícias fossem um pouco diferentes. Os acusados dos crimes se declarassem como padres da Igreja Ortodoxa ou freiras da Ordem do Sagrado Coração de Maria. O que fariam meus colegas? A resposta seria simples, se não fosse cruel. Ligariam imediatamente para o bispo da igreja ou para a madre do convento e checariam se os acusados são membros daquelas instituições. Até porque, chocados, pensariam que este não é um comportamento digno de um verdadeiro religioso. E – claro! – descreveriam detalhadamente todas as sanções que o sacerdote – se realmente o fosse! – sofreria, além de registrar a indignação de toda comunidade. O fato é que igrejas e outras ordens religiosas são organizadas por uma hierarquia vertical, fáceis de ser acessadas. Algo muito diferente do que acontece com as religiões e etnias que pautam suas tradições pela ancestralidade e lógica familiar.

"Um Cristo louro de olhos azuis"
Há pouquíssimo tempo, se esconder e clamar por justiça divina eram as únicas opções dos seguidores das religiões de matriz africana. Com intuito de garantir suas estratégias de sobrevivência, religiosos e grupos étnicos se inviabilizaram – por séculos! – do ponto de vista da mobilização social e representação institucional. E, a verdade é que, poucos se sentem seguros o suficiente para lidar com jornalistas em situações tensas. A grande maioria se amua em seu cantinho e se sente incapaz de instigar as redações a terem um novo olhar sobre esses conflitos. Mas, mesmo a dificuldade de consultar fontes confiáveis não pode servir de argumento para que uma informação não seja honestamente apurada.

Mais que elucubrar possibilidades, percebam que é impensável para qualquer um que uma freira assassine uma mulher para lhe tomar seu bebê ou que um padre oriente um fiel a introduzir agulhas no próprio filho. Mas, por que tendemos a acreditar que aberrações como essas são possíveis de acontecer com seguidores da umbanda e candomblé? Por que não duvidamos que sacerdotes afrobrasileiros se utilizam de seres humanos em rituais macabros? De que tipo de gente estamos falando? É de gente que faz o mal, que tem pacto com demônios e que por isso se tornam assassinos frios e bestiais? Ou de pessoas religiosas, pais e mães de famílias, cidadãos comuns em busca de sua religação com o Criador, com liturgias e especificidades próprias?

Levamos para as redações uma gama inimaginável de (pré)conceitos que nem nós mesmos sabemos. Somos todos nascidos, criados e formados numa sociedade que ao colocar em prática suas idéias de dominação, perseguiu a religiosidade dos descendentes de escravos por 500 anos e que se pensa religiosa e filosoficamente a partir de conceitos europeizados do Cristo "loiro de olhos azuis" e do primitivismo das sociedades ancestrais. A partir desta reflexão superficial, não é difícil entender o porquê de não nos preocuparmos em apurar sumariamente os dados que chegam às redações.

O princípio do contraditório
Nem sequer nos perguntamos: será que existe uma religião ou grupo étnico que sobreviva por meio de assassinatos e bestialidades? O que pensam os adeptos e sacerdotes desses segmentos quando alguém, se intitulando religioso ou membro da comunidade, assassina, rouba ou estupra num suposto ritual? Isso é prática religiosa? Ciganos roubam, mesmo, crianças? Muçulmanos são treinados para explodir bombas? Umbandistas enfiam agulhas em bebezinhos?

Assim também fica fácil entender a lógica utilizada por segmentos fundamentalistas que – possuidores de centenas de canais de rádios e TVs – alicerçaram suas doutrinas e liturgias calcadas na demonização do conteúdo simbólico das comunidades ancestrais. As igrejas neopentecostais apenas reforçam os conceitos aos quais fomos subjetiva e culturalmente doutrinados a aceitar. Desde os tempos da Coroa ouvimos que os rituais ciganos, africanos e indígenas são primitivos, praticados por seres sem almas – e, por que não? – acometidos de doenças mentais e pouco inteligentes. É por isso que o trabalho de "evangelização" da intolerância (desenvolvido por bispos, pastores e apóstolos) nos púlpitos eletrônicos é tão eficaz.

A sociedade brasileira conhece muito pouco de suas origens e ignora conceitos elementares de segmentos que foram (e são) primordiais para a sua construção. Religiosos e comunidades étnicas acreditam que fazer valer o princípio do contraditório em notícias de crimes envolvendo supostas práticas ritualísticas é, ao mesmo tempo, diminuir o nosso próprio desconhecimento relativo aos grupos minoritários e informar genuinamente – sem correr o risco de sedimentar e perpetuar preconceitos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Angra dos Reis e Porto Príncipe

Os olhos do Brasil estavam voltados para Angra dos Reis, talvez a mais badalada cidade, pelas celebridades e elite, do litoral brasileiro. A cidade foi fortemente atingida por chuvas, dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas.

Eis que, de repente, a imprensa reduz drasticamente as informações sobre Angra e passa a falar de Porto Príncipe, no Haiti. Segundo algumas fontes, em torno de 212.000 pessoas teriam morrido vítimas de fortíssimo terremoto, além da destruição de toda a cidade, deixando milhões de pessoas literalmente na rua.

Se nos sensibilizava saber da dor de compatriotas de Angra, por que o foco passou a ser Porto Príncipe? Simplesmente porque a diferença entre os dois casos é notável. A magnitude do terremoto e a extrema miséria na qual vive a população haitiana simplesmente soterram o drama de Angra dos Reis.

Em outras palavras, não só o número de vítimas, mas suas condições sociais e a realidade econômica dos dois países que abrigam tais cidades são diametralmente opostas.

Enquanto a renda per capta de Angra dos Reis era, em 2003, de R$ 9.913,00, a de Porto Príncipe, em 1998 era de R$ 700,00 (em torno de 80 vezes inferior a dos Estados Unidos). 80% da população vivem abaixo da linha da pobreza. Mais da metade sobrevive com pouco mais de R$ 50,00 por mês.

Isso significa que, o valor gasto corriqueiramente num restaurante por um casal brasileiro de classe média baixa é o mesmo que mais da metade da população do Haiti dispõe para alimentação, transporte, saúde, educação, lazer, vestuário, etc, durante 30 dias.

Um pastor amigo da Florida, cuja igreja há anos ajuda o povo haitiano, dizia-me certa vez que se os Estados Unidos resolvessem colocar uma fábrica de bolas de beisebol no Haiti, provavelmente a miséria caminharia para o fim. A questão é que a grande bandeira da maioria das igrejas, num país em que mais de 90% da população se declara “cristã”, tem sido tão somente a salvação do inferno futuro, sem se interessar pelo fato de milhões, no presente, já experimentarem o inferno da injustiça social.

Por isso, não podemos nos espantar quando o pastor pentecostal Pat Robertson declara que a catástrofe teria sido fruto de um pacto que os haitianos teriam feito com o diabo para se libertarem dos franceses. Esse discurso é subproduto da teologia obscurantista ensinada em destacados seminários e reproduzida nas igrejas, bem como da política adotada por parte de nossas lideranças cristãs, de boicotar iniciativas que estimulem o envolvimento social das igrejas.

Angra e outras cidades brasileiras estão sofrendo. Nada, porém, se compara à história de Porto Príncipe. Daí a importância de não só levantarmos ofertas, mas também continuarmos lutando para que valores do Reino de Deus brilhem em nós, em nossos relacionamentos e estruturas que dão sustentação às nossas vidas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

As várias fomes da Marina, por José Bessa Freire

Ai, ai meu Deus!/ O que foi que aconteceu/ Com a música popular brasileira?

Por José Bessa Freire*

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.

Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.

Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana. Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.

Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados. De um lado, reforçam a idéia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política. A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio.

Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel/ (...) Deus do céu!/ Como ela é maldosa!

Nenhum dos dois ­ nem Caetano, nem Rita ­ têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.

A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito de roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?

O mapa da fome

A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.

Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.

Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.

A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever. Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.

Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT. Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco, quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.

Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal. Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.

Tudo vira bosta

Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que ­ na voz de Rita Lee ­ a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta”.

Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música ­ “Se Manca” ­ dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.

Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas ­ “Você vem” ­ ela faz autocrítica antecipada, confessando: Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem… e faz piada. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você.

A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.

Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e cossenos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?

Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, il péte de santé. O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil.

Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.

Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.

P.S.: Uma leitora cricri, mas competente, que está fazendo doutorado em São Paulo (e a tese, quando é que sai?) me lembra que a FAPEAM e a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Amazonas constituem o lado sério da atual política estadual, responsável, em 2007, pela primeira lei de mudanças climáticas no Brasil.

* O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)

domingo, 31 de janeiro de 2010

90ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira

Para quem ainda não sabe, a Igreja Batista da Graça, SSA, faz parte do rol cooperativo da Convenção Batista Brasileira. Isso significa que nos unimos em comunhão a outras igrejas batistas para fins de cooperação em todas as áreas ministeriais das igrejas.

Anualmente tais igrejas se reúnem, representadas por parcela de seus membros, a fim de examinar e aprovar os relatórios das organizações da Convenção, serem inspiradas e desafiadas a aprofundarem a fidelidade espiritual e experimentarem a comunhão cristã.

A última assembléia aconteceu em Cuiabá com mais de 1000 mensageiros e transcorreu num clima de harmonia. As reuniões noturnas e parte das sessões matutinas foram inspirativas, com diversas mensagens desafiadoras e expressões de adoração através da música.

Em relação aos relatórios das organizações, por definição regimental foram examinados através de câmaras setoriais. As câmaras de educação ministerial, educação religiosa, missionária e ação social, aconteceram no sábado, 23, à tarde.

De uma maneira geral destaco a ascensão da Junta de Missões Nacionais. Quanto as demais, percebo a JMM caminhando, a Jumoc dando sinais de vida, outras se movimentando sem clareza de objetivos e os seminários do Sul e do Norte em situação de crise administrativo-financeira.

Particularmente me senti muito feliz vendo funcionar, pela primeira vez, a Câmara de Ação Social, inclusive com relatório do departamento de Ação Social do Conselho que agora conta com um diretor de tempo integral. Isso fez reascender a esperança de maior estímulo às igrejas no cumprimento do seu papel social.

Fui a Cuiabá com dois assuntos em mente: a filosofia e formato dos relatórios e a constituição do Conselho Editorial d’O jornal Batista. Entretanto, um novo assunto surgiu ao chegar lá, relacionado às pastoras batistas o que me fez deixar o assunto OJB para outra ocasião.

Em relação aos relatórios, foi aprovada a criação de um GT da Transparência Batista para estudar filosofia e formato de relatório que os torne mais tecnicamente transparente. Farei parte deste GT juntamente com outros quatro líderes, representando cada uma das cinco regiões geo-políticas do país.

Quanto às pastoras, creio que se fez justiça àquelas que já haviam sido aceitas pelas ordens estaduais, antes de 2007, quando ficou definido que pastoras não seriam aceitas. 

 
A próxima assembléia acontecerá em Niterói, em janeiro de 2011.

Grupo de Trabalho - GT - da Transparência Batista


Compartilho com os batistas e com todos os cidadãos brasileiros interessados na questão da transparência em nossas instituições públicas, o documento que gerou a criação de um GT que estudará a filosofia e formato dos relatórios das organizações executivas e auxiliares da Convenção Batista Brasileira, visando torná-los ainda mais tecnicamente transparente.

Agradeço aos líderes de diversas regiões do país que, acreditando na proposta, subscreveram o documento, possibilitando que fosse examinado pela Comissão de Assuntos Especiais e aprovado pela 90 Assembléia Anual da CBB, reunida em Cuiaba.
Eis a composição do GT:

Valseni José Pereira Braga (MG) - relator



Wagner Afrâniou Goulart (DF)


Edvar Gimenes Oliveira (BA)


Vanias Mendonça (AM)


Lourenço Stelio Rega (SP)

Tecerei novos comentários ao assunto posteriormente.
  xxx
À Comissão de Assuntos Especiais da 90 Assembléia da CBB


Assunto: GT da transparência batista


Os convencionais signatários deste documento, vêm, na forma do Estatuto e Regimento da CBB, submeter a esta magna assembléia, as seguintes considerações e proposições:


Considerando que, para que se tenha conhecimento da realidade das organizações executivas e auxiliares da CBB através dos relatórios, esses precisam ser tecnicamente transparentes;


Considerando a impossibilidade dos mensageiros das igrejas cooperadoras da CBB  de apresentarem recomendações eficientes e eficazes às organizações (ou mesmo contribuir para um planejamento organizacional – estratégico, tático e operacional) se não houver dados comparativos referentes a determinado período;


Considerando a impossibilidade dos mensageiros das igrejas cooperadoras da CBB, de tomarem decisões sólidas sem informações objetivas e transparentes;


Considerando que as exigências contidas no Art. 54 do Regimento Interno, não são claras quanto às informações que precisam ser dadas, para que a Assembléia tenha condições efetivas de conhecer a realidade das organizações;


Considerando que o formato dos atuais relatórios privilegia mais relatos de atividades do que de dados, em alguns casos até sem relação objetiva e clara com a missão e visão estratégica das organizações e da própria CBB;


Considerando a ausência, nos relatórios apresentados à CBB, de dados comparativos com anos anteriores para que se possa avaliar o desenvolvimento das organizações;


Considerando as experiências negativas na área econômico-financeira, nos últimos anos (Juerp, Jumoc, Juratel, OJB, JMN, STBSB e STBNB), sem que os mensageiros das Assembléias dispusessem de informações objetivas para que, a tempo, pudessem recomendar medidas necessárias;


Propomos:


1.       Que a diretoria da CBB nomeie, nesta assembléia, um GT da transparência batista, composto de 5 membros sem vínculos empregatícios com instituições da Convenção, para reavaliar filosofia e forma dos atuais relatórios e propor, na próxima assembléia, um novo formato de relatório que corrija as deficiências supramencionadas;



2.       Que na elaboração do novo relatório, o GT defina os dados essenciais (de finanças, patrimônio, pessoal, produção editorial, atividades gerais, etc.) que cada organização deve apresentar e o período de tempo, para efeito de comparação;



3.       Que, ao resultado deste trabalho, o GT de uma redação adequada à inclusão no Regimento Interno da CBB; 



4.       Que na próxima convocação da Assembléia seja incluída a reforma da cláusula regimental referente ao relatório das organizações.


Cuiabá, 23 de janeiro de 2010