sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Úteis, todos somos; inocentes, jamais.

O chato de ter sido expulso do Jardim do Éden é ter que conviver com o conhecimento do bem e do mal, da esquerda e da direita, não ou sim respectivamente, sabendo que úteis todos somos; inocentes, jamais. 

Davi quiz escapar com o famoso: “Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança.” (Salmos‬ ‭131:1-2‬). 

O fato, porém, é que ele -Davi - era o grande dentre os seus, detinha o poder, dava as ordens e quando estava para morrer, não exitou em aconselhar Salomão: vida para os meus aliados; aos adversários, morte. Se não sabe, leia (especialmente as frases em maiúsculo): 

Quando se aproximava o dia de sua morte, Davi deu instruções ao seu filho Salomão: “Estou para seguir o caminho de toda a terra. Por isso, seja forte e seja homem. Obedeça ao que o Senhor, o seu Deus, exige: ande nos seus caminhos e obedeça aos seus decretos, aos seus mandamentos, às suas ordenanças e aos seus testemunhos, conforme se acham escritos na Lei de Moisés; assim você prosperará em tudo o que fizer e por onde quer que for, e o Senhor manterá a promessa que me fez: ‘Se os seus descendentes cuidarem de sua conduta e se me seguirem fielmente de todo o coração e de toda a alma, você jamais ficará sem descendente no trono de Israel’. 

"VOCÊ SABE MUITO BEM O QUE JOABE, filho de Zeruia, ME FEZ; o que fez com os dois comandantes dos exércitos de Israel, Abner, filho de Ner, e Amasa, filho de Jéter. Ele os matou, derramando sangue em tempos de paz; agiu como se estivesse em guerra, e com aquele sangue manchou o seu cinto e as suas sandálias. Proceda com a sabedoria que você tem e NÃO O DEIXE ENVELHECER E DESCER EM PAZ À SEPULTURA

"MAS SEJA BONDOSO COM OS FILHOS DE BARZILAI, de Gileade; admita-os entre os que comem à mesa com você, pois ELES ME APOIARAM quando fugi do seu irmão Absalão

 “Saiba que também está com você Simei, filho de Gera, o benjamita de Baurim. ELE LANÇOU TERRÍVEIS MALDIÇÕES CONTRA MIM no dia em que fui a Maanaim. Mas depois desceu ao meu encontro no Jordão e lhe prometi, jurando pelo Senhor, que não o mataria à espada. Mas, agora, NÃO O CONSIDERE INOCENTE. Você é um homem sábio e saberá o que fazer com ele. APESAR DE JÁ SER IDOSO, FAÇA-O DESCER ENSANGUENTADO À SEPULTURA”. 

Então Davi descansou com os seus antepassados e foi sepultado na Cidade de Davi. Ele reinou quarenta anos em Israel: sete anos em Hebrom e trinta e três em Jerusalém. Salomão assentou-se no trono de Davi, seu pai, e o seu reinado foi firmemente estabelecido.” (1 Reis‬ ‭2:1-12‬). 

Úteis, todos somos; inocentes, jamais.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O jogo político e a corrupção

Meus amigos. Toda escolha que fazemos tem repercussão política. Toda escolha que fazemos beneficia ou prejudica os interesses de um lado.

Considerando que há bandidos em todos os partidos você pode calcular qual partido será mais ou menos beneficiados pela quantidade bandidos que você sabe ter em um ou outro.

(Ter bandido não é o único critério para escolha partidária, claro. A escolha partidária depende da cosmovisão que temos em relação aos interesses da coletividade e das consequências que a implementação das políticas do partido terá para o todo, no tempo e no espaço)

Além disso, nossas escolhas são como num jogo de xadrez. Como repercutirão duas, três, quatro rodadas depois é hipotética. Pode ser que acertamos ou não. Portanto, no jogo político não há como precisar quem será mais ou menos prejudicado, apenas levantar hipóteses.

Por isso, entendo que, embora saibamos que nossas escolhas repercutirão em benefício ou prejuizo de algum partido que tenha mais ou menos bandidos em seus quadros, a decisão a meu não deve ser apenas como se estivéssemos participando de um jogo político.

Entendo que devemos ter em mente quais condutas são mais benéficas ou prejudiciais ao estabelecimento da justiça social, ao bem estar da coletividade e não titubear em nossa escolha.

Há um jogo político em curso, sempre há, e podemos até ser acusados de estarmos sendo inocentes úteis em favor deste ou daquele lado. Mas não é isso que deve nortear nossa escolha. O importante é que você tenha claro em sua mente se acredita que a corrupção deve ser tolerada ou não; ter consciência das repercussões políticas, inclusive nos relacionamentos interpessoais, e ter coragem para posicionar-se.

A primeira decisão é: sou a favor ou contra a corrupção?

A segunda é: estou consciente ou não das repercussões políticas da minha escolha?

A terceira é: agirei movido pela conveniência política ou pela convição ética?

Isso não é moralismo, é inteligência a serviço da sobrevivência de todos numa visão de longo prazo.

E aí, está pronto a decidir?

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Uma carta que mexeu com meu coração

Salvador, 14/10/2016.

Amado Pastor Edvar,
A minha fidelidade e o meu amor o acompanharão...”Salmo 89:24
Dirijo-me ao senhor nesse momento com triste sentimento de perda: a nossa igreja está perdendo o seu pastor e eu, na qualidade de membro dessa igreja, sinto-me frustrada, decepcionada, vendo-o partir.
 Eu, que acreditava na sua permanência na Igreja Batista da Graça por muitos e muitos anos, que sempre o vi como o pastor ideal, sempre revestido de compreensão, delicadeza, simpatia e de grande respeito pelo seu rebanho, fui pega de surpresa e, estupefata, ainda me recuso a aceitar sua renúncia. 
       Somos testemunhas do como o senhor cuidou de suas ovelhas, guiando-as com a  dignidade dos sábios e lucidez cristã, com a autonomia e a autoridade que o cargo lhe conferia, à semelhança dos profetas e homens de Deus.
Com o senhor, vislumbramos um mundo mais transparente, mais verdadeiro, despido de preconceitos; aprendemos a ler também a Bíblia nas suas entrelinhas e assim perceber adimensão dos seus personagens bíblicos com seus erros e acertos; vimos a importância da leitura contextual e o perigo da leitura literal dos textos; descobrimos a necessidade das interpretações bíblicas mais atualizadas e enriquecedoras para compreensão do comportamento humano. E mais, muito mais ficou em nós fortalecendo e embelezando a nossa alma de cristãos.
Ficaremos, doravante, sem seus belos sermões carregados de vida, de otimismo, perdão e amor. Não mais desfrutaremos da sua palavra, despida  daqueles velhos chavões já desgastados,daquelas críticas destituídas de conhecimento e informações que humilham e desprezam grupos de pessoas vítimas de opressão.
Obrigada, pastor! A Igreja Batista da Graça aprendeu muito com a sua mensagem renovadora, provida deautenticidade, senso de justiça e, sobretudo, de coragem para proferi-la. Deu o seu recado; disse a que veio.
Pessoalmente, deixo registrada minha gratidão. Por favor, recomende-me carinhosamente à Gláucia e receba meu abraço e de minha família.
O seu rebanho está chorando, pastor. Sentirá a sua faltapois ainda está a precisar muito das suas lições. 
Fraternalmente em Cristo,
Ellen  

P.S. Em tempo, externo minha solidariedade pelo falecimento da  senhora sua mãe. 


sábado, 19 de novembro de 2016

Sofrendo com o Garotinho


Em seu livro, O Foco, Daniel Goleman dedica um capítulo intitulado  "a triade da empatia". Refere-se à "empatia cognitiva", "empatia emocional" e "preocupação cognitiva". Trata da empatia que nos leva a compreender a dor do outro, a nos unirmos à dor do outro e a nos preocuparmos com o outro, respectivamente.

Segundo ele, "o circuito de empatia foi projetado para momentos em que estamos frente a frente com o outro".

"Um lado mais sombrio da empatia cognitiva emerge quando alguém a utiliza para identificar a fraqueza de uma pessoa e tira vantagem disso. Essa vantagem caracteriza sociopatas, que usam a empatia cognitiva para manipular outrem".

Ele mostra como o contato visual gera uma conexão emocional e une os cérebros dos envolvidos. Mostra também como, quando assimilamos os sinais faciais, vocais e outros indícios de emoções, entramos em sintonia com a pessoa.

Quando vi a cena envolvendo Garotinho, ainda no twitter, antes de viralizar e ir à TV, fui tocado pela fala da filha, em meio ao choro: "meu pai não é bandido". Fui tocado também pela humanidade de um homem poderoso esperneando como uma criança diante da punição por erro grave e, de repente, percebi que havia esquecido tantos males atribuidos a ele durante os anos de poder em desfavor de milhões de seres humanos.

Depois disso, de volta à realidade, pus-me a pensar em como equilibrar o sentimento de empatia com a necessidade de justiça.

Pior é que, no contexto político, cada um usa a emoção que sentiu e o conhecimento que tem de como o outro reage emocionalmente, para tirar proveito político de imediato ou do que possa vir a ocorrer consigo próprio ou com seus aliados quando e estão na mira da PF, do MPF, da RFB  e do Poder Judiciário

As vezes lemos um texto extremamente racional que nos tira do foco anterior que nos movia frente a uma situação, sem sabermos que, antes da escrita racional, com linguagem acadêmico-científica até, houve no autor um mover emocional, como bem explicita Rubem Alves, que tb era psicanalista, na introdução do seu livro Protestantismo e Repressão (relançado como Religião e Repressão).

Passada, então, a euforia da transferência de Garotinho para o Complexo Prisional de Bangu, é hora de reavaliar nossas emoções frente a realidade de corrupção, seja em que grau e de que natureza for, e de todos os males que ela causa a milhões de brasileiros e continuar lutando para que vilões não sejam transformados em vítimas e "tudo continue como dantes no quartel de Abrantes".

Lembremo-nos: uma coisa é o fato, outra, a interpretação do fatos e outra ainda, a aplicação política do fato, que visa tirar proveito para si ou para aliados.



domingo, 16 de outubro de 2016

A Cristolândia no Programa da Sabrina

Ontem assisti uma parte do Programa da Sabrina. Sério. 

Sempre que vejo testemunhos relacionados ao Ministério Cristolândia, lembro-me da história do jovem, o escritor e as Estrelas-do-Mar.

"Era uma vez um escritor que morava em uma praia tranqüila, próximo a uma colônia de pescadores. 

Todas as manhãs ele caminhava à beira do mar para se inspirar e, à tarde, ficava em casa escrevendo. 

Certo dia, caminhando pela praia, viu um vulto ao longe que parecia dançar. Ao chegar perto, reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia, para, uma a uma, jogá-las de volta ao oceano, para além de onde as ondas quebravam. 

"Por que você está fazendo isto?", perguntou o escritor. 

"Você não vê?", explicou o jovem, que alegremente continuava a apanhar e jogar as estrelas ao mar, "A maré está vazando e o sol está brilhando forte... elas irão ressecar e morrer se ficarem aqui na areia." 

O escritor espantou-se com a resposta e disse com paciência: "Meu jovem, existem milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Você joga algumas poucas de volta ao oceano, mas a maioria vai perecer de qualquer jeito. De que adianta tanto esforço, não vai fazer diferença?" 

O jovem se abaixou e apanhou mais uma estrela na praia, sorriu para o escritor e disse: "Para esta aqui faz....", e jogou-a de volta ao mar. 

Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, nem sequer dormir. 

Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem, uniu-se a ele, e, juntos, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao mar."

Sei um pouco da problemática das drogas e as causas de diversas naturezas que a envolve, como as psicológicas, existenciais, políticas, econômicas, espirituais, etc. 

Sei um pouco também das discussões e teorias que giram em torno da recuperação de dependentes  químicos, sejam psicológicas, psiquiátricas, filosóficas ou religiosas. 

Por isso sei o quanto muitos entendem que essa é uma luta sistemicamente já perdida e, por isso, todo o investimento financeiro, organizacional, de tempo ou de pessoal, feito pelas igrejas batistas seria em vão. 

Concordo. O problema sistêmico não será resolvido somente através do que os batistas estão fazendo, mas que está fazendo diferença para milhares de indivíduos, suas famílias e amigos, isso está.

Por isso, ao assistir o Programa da Sabrina nessa noite, agradeci muito a Deus por projetos como o da  Missão Batista Pelourinho, do CRERÁ, do Metanóia, do Desafio Jovem e da Cristolândia que, se não têm solução para o problema das drogas no país, têm sido solução para o problema de milhares de pessoas.

Parabéns a líderes como Aurizer Sena, Décio Pimentel, Jorge Alonso, Cristiano Robson, Fernando Brandão, Paulo Eduardo Gomes Vieira e tantos outros que têm dedicado energia, conhecimento, tempo, dinheiro, patrimônio neste ministério desafiador.

Parabéns a todos que têm orado, ido "às ruas" ou contribuído com dinheiro ou outros bens em favor desta causa.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Eu, moralista?

Quanto mais o tempo passa, mais me convenço do quão ignorante sou. 

Exemplo: comprei uma mesa de jantar, paguei com dinheiro que juntei como fruto do meu trabalho. Fiz tudo na forma da lei, tanto na maneira de fazer dinheiro com meu trabalho, quanto na de efetuar a compra. Tudo na forma da lei.

Daí, alguém entrou na minha casa e levou minha mesa, isto é, roubou...

Entrei com uma ação judicial pra rever minha mesa de jantar e, por isso, comecei a ser classificado, pra não dizer xingado, como moralista.

O juiz que analisou o processo, concluiu que fui roubado e, por isso passou a ser chamado de moralista.

Já o cara que invadiu minha casa, levou minha mesa de jantar passou a ser classificado como vítima do moralismo.

Estou com um nó na cabeça... O imoral sou eu ou quem roubou minha mesa de jantar?

Se eu entrar na sua casa, estuprar sua mãe, sua esposa ou sua filha, você se verá como moralista porque defende que eu seja penalizado? Se o juiz me condenar por isso, você concorda que ele seja classificado pejorativamente como moralista?

Me ajuda nesta minha ignorância. Tô falando sério. Alguém pode me esclarecer?

sábado, 8 de outubro de 2016

O Lago de Garça


Anteontem o lago estava triste.
Anteontem o lago estava frio.
Anteontem o lago estava em silêncio.
Anteontem o lago estava vazio.

 Anteontem o lago não tinha música.
 Anteontem o lago descoloriu.
 Anteontem o lago não tinha festa.
 Anteontem o lago estava sombrio.

 Anteontem o lago não tinha gente.
 Anteontem o lago preferia ser rio.
 Anteontem o lago estava parado.
 Anteontem o lago estava por um fio.

sábado, 1 de outubro de 2016

Tudo bem?


Me perguntam se estou bem.
Eu respondo: bem...
Bem é um estado que medimos pela média.
Se nada nos vai mal, dizemos estar bem.
Se a expectativa é tudo estar como gostaríamos, dizemos: bem...

Geralmente quem nos pergunta se estamos bem não o faz literalmente.
Geralmente quando respondemos que estamos bem, não o fazemos literalmente.
Geralmente, pergunta e resposta sâo apenas um veículo de comunicação oral.
Eu finjo que estou interessado em você.
Você corresponde ao meu fingimento dando-me 3 letras de atenção: bem.

E ai de quem se atreve a ir além na pergunta ou na resposta.
Se te perguntam se você está bem e você passa a contar sua situação, quem perguntou geralmente esboça um sorriso, balbucia "é a vida" e anuncia que tem um compromisso ou olha pro relógio que é quase a mesma coisa.

Nós é que precisamos perguntar a nós mesmos se estamos bem.
Há algo nos incomodando?
Há algo que sentimos falta?
Há algo nos entristecendo?
Cabe a nós encontrarmos respostas e buscarmos soluções.

Em tempo: Se encontrar alguém, cujo tom de voz na pergunta "tudo bem?" passar o sentimento de empatia, aproveite, mas não abuse. Isso é raro. Fale tudo que puder, atento a se a pessoa está ouvindo somente tudo que puder. Se conseguir equlibrar isso, pode ter encontrado um amigo... Aí a conversa é outra...