quinta-feira, 25 de maio de 2017

O essencial - Filipenses 3:10

“Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte” (Filipenses‬ ‭3:10‬)

Lendo esse desejo de Paulo, lembrei-me das palavras de Soren Kierkgaard, em seu extraordinário livro "As obras do amor". Ele diz: "a árvore é reconhecida pelos frutos; pois é claro que a árvore também se deixa reconhecer pelas folhas, o fruto, porém, é o sinal essencial". Nosso modo de ser igreja, porém,  passa a impressão de nos contentarmos mais com as folhas do que com o fruto.

Desejar conhecer a Cristo, isto é viver uma relação íntima com ele, deveria ser também nosso maior desejo, pois ele é a essência da nossa fé. Mas assumir as consequências disso é tão absurdamente fora dos paradigmas que norteiam nossa sociedade que optamos pelas folhas.

As folhas, porém, em que pese sua importância, não são o  essencial da fé. Essencial é Cristo, encarnação do amor de Deus. O esquecimento disso nos torna insípidos ou lâmpadas sob baldes, pra usar expressões do próprio Jesus, e nossas vidas acabam não sendo diferentes, nem fazendo diferença, nas sociedades iníquas das quais participamos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Sem culpa na presença de Deus - Filipenses 3:9

“e SER ENCONTRADO NELE, não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé.” (Filipenses‬ ‭3:9)

Necessitamos do divino muito mais do que publicamente admitimos. Ensaiamos os mais convincentes discursos e papéis a fim de que, no palco da vida, representemos pessoas fortes. Quando, porém, os holofotes se apagam e nos encontramos conosco mesmos, nossos corações se sentem em solidão existencial, em falta de sentido.

Essa sensação de vazio em nossos corações nos leva a clamarmos por um "deus" desconhecido. Nessa busca, nos perdemos em rituais religiosos, em moralismos irrefletidos e nos apegamos a valores equivocados visando aplacar sentimentos desconfortáveis que atormentam nossas almas.

Diante do insucesso, ou vivemos hipocritamente, usando máscaras, ou aceitamos que nossos feitos são vãos, ineficazes, e nos entregamos à graça divina. Essa é uma entrega pela fé. Quando confiamos na força do amor e da graça divinos presentes em Jesus, encontramos o logos - sentido - eterno, o elo que faltava, o bem supremo e nossas vidas ganham autenticidade. Assim, ganhamos força ao assumirmos a fraqueza e nos engrandecemos ao assumirmos a pequenez, alcançando  paz na plena humanidade.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Transição


Estamos indo 
E não há como voltar
Mesmo que apague o passado
Não da para retornar

Cada segundo é um começo
Cada segundo é um passado
Cada começo uma esperança
Cada passado uma lembrança

A lembrança é uma lição
A esperança, uma intenção
São o passado recomeçando
Dentro de um coração

O coração pulsa ansioso
O coração pulsa aliviado
Aliviado pelo que passou
Ansioso pelo que não chegou

Entre alívio e ansiedade
A vida continua batendo
Os passos continuam firmes
Mesmo com os pés doendo

E de passado e esperança
De lição e intenção
Entre alívio e ansiedade
Vivemos uma emoção.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A supremacia de Jesus (II) - Filipenses 3:8

“Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo” (Filipenses‬ ‭3:8‬)

Esterco é uma tradução que não expressa a idéia que Paulo transmite. Esterco nos remete a algo util. Já a palavra usada, no grego, refere-se a fezes humanas. Ou seja, a parte que o corpo  elimina, cujo odor e contaminação a torna repugnante. 

Paulo está dizendo que tudo o que ele perdeu tem o valor de fezes humanas "comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus".  A diferença, entretanto, entre Paulo e alguns de nós cristãos-evangélicos é que a supremacia de Jesus na história dele é prática, concreta e não apenas um discurso, uma reflexão teológica sem consequências práticas.

Esse pequeno detalhe - a falta de supremacia prática de Jesus - é a causa de, embora sermos muitos a nos declararmos "cristãos", "evangélicos", no país, não se perceber diferença nos valores espirituais que regem nossas relações interpessoais e sociais, nem se refletir nas estruturas de nossas sociedades, inclusive religiosas. "Somos cristãos teóricos e ateus práticos". Somos barulhentos e irrelevantes. Enquanto isso, o país afunda na corrupção.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A supremacia de Jesus (I) - Filipenses 3:7

“Mas o que para mim era lucro passei a considerar como perda, por causa de Cristo.” ‭‭(Filipenses‬ ‭3:7‬)

Era lucrativo para Paulo viver em plena conformidade com a estrutura religiosa vigente. Ser um benjamita, circuncidado dentro do prazo e ter escolhido unir-se à mais poderosa denominação religiosa de sua época e lugar - os Fariseus - com zelo e rigor, era-lhe vantajoso.

Tudo isso, porém, perdeu valor. Seu encontro místico com Jesus de Nazaré, no caminho de Damasco, tocou profundamente sua alma. Sua experiência com a graça de Deus mudou tão profundamente sua compreensão de espiritualidade que seus valores sofreram uma inversão.

Sou sempre grato por aquilo que a estrutura religiosa que me abriga proporcionou-me e me proporciona. Retribuo dando o meu melhor por ela e através dela. Isso significa manter-me lembrado, e aos que dela participam, que a pessoa de Jesus, sua vida e ensinos, são a razão de nossa existência e esperança. Significa que, em tudo o que fizermos, devemos tê-lo como referência. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Preconceito



Vc já teve a experiência de ter forte rejeição a uma instituição e, de repente, ouve uma mensagem do líder dela e Deus fala profundamente ao seu coração? Ou ter um pastor pelo qual vc tem profunda admiração espiritual e, de repente, tem uma experiência decepcionante com ele?

Experimentei isso de maneira marcante e tenho agradecido profundamente a Deus por isso, pois encarei as experiências como um sinal da graciosidade de Deus para com os rumos da minha vida. 

Mas Pedro respondeu: “De modo nenhum, Senhor! Jamais comi algo impuro ou imundo!”  A voz lhe falou segunda vez: “Não chame impuro ao que Deus purificou” (Atos 10:14‭-‬15)



Tudo é nada (III) - Filipenses 3:6

“quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível.” (Filipenses‬ ‭3:6‬)

Para religiosos, inclusive cristãos, talvez aqui esteja o maior desafio de mudança de vida, dentre os apresentados por Paulo em sua lista de valores que precisou abrir mão pela supremacia de Jesus de Nazaré em sua vida. Abrir mão da identidade histórico-pessoal é fácil, mas abrir mão do zelo e do legalismo é, para religiosos, um horror. 

É fácil admirar Paulo por ter trocado seu zelo e legalismo por Jesus. O problema é que não enxergamos e, quando enxergamos não admitimos, que os cristianismos (inclua-se aqui os batistismos), por conterem semelhanças de natureza com os judaismos (inclua-se aqui o farisaismo), também podem produzir verdadeiros terroristas político-religiosos, em nome do zelo (pela "sã doutrina", pela "palavra") e da lei (comumente chamada de verdade).

O zelo e o legalismo nos dão a falsa sensação de aceitação da parte de Deus e nos coloca numa falsa zona de conforto. Falsa, porque é  zona de des-graça. Eles nos fazem dizer como o Fariseu: "Graças te dou, ó pai, porque não sou como os demais...", em vez de dizer como o publicano: "Deus, tem misericórdia de mim, pecador..." (Lc 18:9-14). Esquecem-se de que "Deus se opõem aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes" (I Pd. 5:6).

terça-feira, 16 de maio de 2017

Tudo é nada (II) - Filipenses 3:5

“circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à Lei, fariseu;” ‭‭(Filipenses‬ ‭3:5‬)

Todos nós trazemos em nossa identidade histórico-pessoal coisas das quais nos orgulhamos. São elementos positivos, reconhecidos em nosso mundo significativo, que fazem com que enchamos os pulmões e estufemos o peito quando a eles nos referimos.  A lembrança deles faz com que levantemos a cabeça, pisemos firme e sigamos adiante em nossos propósitos.

Paulo cita o fato de ter sido circuncidado rigorosamente dentro do prazo original; de pertencer a uma tribo de elite dentre as 12 de Israel e ainda ser membro da mais forte e rigorosa denominação religiosa de seus dias. Se alguém tinha motivos para se orgulhar, esse alguém seria ele. Mas, como ele vai escrever, isso tudo perdeu o valor diante do encontro que teve com Jesus de Nazaré.

Você e eu podemos ter uma história de pertencimento religioso fantástica, dentro de um grupo denominacional religioso recheado de feitos reconhecidos socialmente, mas se isso não servir para reafirmar e evidenciar a supremacia de Jesus de Nazaré nas mais simples atitudes, palavras e ações do nosso cotidiano, ela de nada valerá.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Tudo é nada (I) - Filipenses 3:4

“embora eu mesmo tivesse razões para ter tal confiança. Se alguém pensa que tem razões para confiar na carne, eu ainda mais:” (Filipenses‬ ‭3:4‬)

Um ex-professor do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil - STBNB dizia sob as mangueiras que, se juntássemos o conhecimento dos 12 discípulos de Jesus, isso não representaria metade do conhecimento de Paulo.

Paulo tinha motivos de sobra para confiar em si mesmo. O que ele era e sabia  lhe colocava em situação superior à daqueles que impunham a necessidade de circuncisão - tipo operação de fimose por razões religiosas -  mesmo após o conhecimento do que Jesus Cristo fizera na cruz do calvário.

Certa vez, Paulo apresentava uma defesa a Agripa quando  Festo gritou: "Estas louco, Paulo, as muitas letras te fazem delirar". (Há muita gente delirando com poucas letras). Paulo não delirava. Ele apenas declarava sua confiança plena em Jesus, pois sabia que, nada do que fôssemos ou fizéssemos seria suficiente para tornar-nos o que a graça de Deus pode fazer em nossa vida.

domingo, 14 de maio de 2017

Circuncisão espiritual - Filipenses 3:3

“Pois nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus, que nos gloriamos em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne,” (Filipenses‬ ‭3:3‬)

Símbolos, por definição etmológica, são elementos que unem, aproximam, enquanto diabolos, são elementos que separam, afastam, como bem diferenciou Leonardo Boff. Um problema com símbolos se dá quando nos apegamos a eles,  como um fim em si mesmos, em vez de nos apegarmos à realidade que através deles se quer expressar.

A circuncisão - símbolo de aliança com Deus - exercia tanta força sobre os judeus que, mesmo conhecendo a Jesus, muitos deles não conseguiam libertar-se dela. Paulo, então, ensina que a verdadeira aliança com Deus não era firmada em uma mutilação na própria carne, no orgão genital.

O que caracteriza a verdadeira aliança com Deus é a operação feita pelo Espirito Santo na alma humana, transformando-a em totalmente confiante no sacrifício de Cristo na cruz e não em sacrifício pessoal ou feito no próprio corpo, como alguns insistiam. “Porque em Cristo Jesus nem circuncisão nem incircuncisão têm efeito algum, mas sim a fé que atua pelo amor." ‭‭(Gálatas‬ ‭5:6‬).

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Cuidado - Filipenses 3:2

“Cuidado com os “cães”, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão!” (Filipenses‬ ‭3:2‬)

Há pessoas que imaginam igrejas como grupos nos quais não existem ou não deveria existir conflitos, por isso, quando começam a participar de uma e se deparam com situações dessa natureza, se afastam. Há aquelas que participam e foram adestradas a agir como se igreja fosse um conjunto de pessoas celestiais, transformando igrejas em sepulcros caiados.

Igrejas, entretanto, também abrigam "cães", pessoas que praticam o mal e religiosos apenas de aparência, sejam as atuais, sejam as míticas primitivas. Jesus tratou desse assunto: “Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu. Os servos do dono do campo dirigiram-se a ele e disseram: ‘O senhor não semeou boa semente em seu campo? Então, de onde veio o joio?’ “ ‘Um inimigo fez isso’, respondeu ele. “Os servos lhe perguntaram: ‘O senhor quer que o tiremos?’ “Ele respondeu: ‘Não, porque, ao tirar o joio, vocês poderiam arrancar com ele o trigo.” (Mateus‬ ‭13:26-29‬).

Podemos evitar a presença de pessoas maldosas nas igrejas? Não! Mas conviver com elas exige saúde, paciência e sabedoria. O recomendável é que sejamos cuidadosos. Nos relacionarmos com elas de maneira "simples como as pombas, mas prudente como serpentes". Se não tomarmos cuidado, em vez de ajudá-las, elas nos adoencem e contaminam a igreja toda.

A propósito de provas e convicções - uma história particular e o caso Tomé


I.

O ano era 1980 ou 1981. Naquela noite de terça-feira, voltava da então Igreja Batista da Rua Imperial, no Recife, onde liderava um estudo bíblico para jovens. 

Era mais de 22 horas e pouco depois de passar pelo portão de entrada do campus do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, vi que estava acontecendo uma partida do campeonato interno de futebol de salão promovido pelo então Grêmio Acadêmico Salomão Ginsburg - GASG quando a energia elëtrica acabou.

Fui direto para o alojamento que ficava ao lado do Edifício de Música, sobre a Biblioteca, hoje salas de aula e gabinetes de professores.

Em alguns minutos uma brincadeira começaria. No escuro, baldes d'água começaram a ser derramados sobre os que voltavam da quadra, quando chegavam ao pé da escada. A partir daí, cada um, das dezenas de alunos que naquele alojamento residiam, usava sua criatividade e ousadia para molhar os demais.

Na manhã seguinte, quando as portas dos quartos se abriram para o café da manhã, o corredor exalava um cheiro insuportável. A irmã Maria José foi fazer a limpeza diária e, impressionada com o mal cheiro, chamou o tesoureiro de então, Edir Félix, pessoa de confiança do Dr. David Mein, Reitor, que estava viajando. 

Como deveria, o Reitor foi informado do ocorrido e convocou uma reunião com os alunos, às 22 hs, na récem inaugurada sala Charles Dickson, que fica no térreo do então referido alojamento.

O reitor dirigiu a reunião, os fatos foram narrados, o motivo do mal cheiro foi esclarecido - um balde com objetos orgânicos que iria para o lixo também foi jogado no corredor - e a conversa terminaria com um mini sermão e uma orientação: todos podem voltar para o alojamento, exceto os que participaram da brincadeira.

Os alunos se entreolharam, um a um foram saindo, restando dois ou três na sala. O reitor pegou as folhas que estavam em suas mãos, batendo-as suavemente, na vertical, sobre a mesa, organizando-as e proferiu a sentença: - amanhã, passem pela manhã na reitoria para assinar uma suspensão de quinze dias.

Chocados, clamamos, literalmente, por clemência e justificamos: houve excesso, é verdade, mas não houve dano moral ou material na brincadeira (de mal cheiro, diga-se de passagem, agora!). Como explicaríamos tão dura pena às igrejas que nos enviaram ao seminário e àquelas nas quais trabalhávamos como seminaristas? Além disso, não fomos os únicos a brincar. Dentre os que se retiraram, se não todos, quase todos com certeza, participaram de alguma forma.

Diante do último argumento, ele pediu que chamássemos todos de volta. Um a um foram entrando na sala, ocupando seus lugares e uma nova palavra foi dada: - recebi a informação que outros alunos, além dos que ficaram, participaram da brincadeira (de mal cheiro, acrescento agora). Todos poderão retornar ao alojamento, exceto os que participaram. E acrescentou: aqueles que participaram, mas insistirem em não assumir, serão sempre olhados por seus colegas como mentirosos. (Naquela época não havia o instituto da delação premiada).

Meia dúzia ficaram na sala, portanto dobrou o número dos que assumiram, mas, dentre os que deixaram o rescinto, alguns ainda assim não tiveram coragem de assumir. 

Contra esses não tínhamos provas, mas tínhamos convicção. Por isso, mesmo não participando da condenação institucional que viria, estariam condenados como mentirosos e covardes por aqueles que, repito, não tinham provas, mas tinham convicção.

O diálogo com o reitor continuou, a pena foi negociada e abrandada e, ao final, ficou estabelecido que assinaríamos uma carta de reconhecimento dos excessos cometidos, a qual ficaria por 15 dias afixada no mural oficial da reitoria, nomcorredor pincipal. E assim foi.

Comigo guardo até hoje a cópia original da carta-sentença e as lições de uma brincadeira de mal cheiro. Mais do que isso, nesses dias de Operação "Lavajato", reafirmo a lição de que, se juridicamente, convicções sem provas, podem não resultar em condenação, certamente, em termos ético-relacionais, convicões, em que pese as cautelas necessárias, continuam tendo sua importância.

II.

Jesus, provas  e convicções
“Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. Os outros discípulos lhe disseram: “Vimos o Senhor!” Mas ele lhes disse: “Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei”. 

Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “Paz seja com vocês!” 

E Jesus disse a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia”. Disse-lhe Tomé: “Senhor meu e Deus meu!” 

Então Jesus lhe disse: “Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram”.” (João‬ ‭20:24-29‬)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

De volta a Jesus (II) - Filipenses 3:1

“Finalmente, meus irmãos, alegrem-se no Senhor! Escrever de novo as mesmas coisas não é cansativo para mim e é uma segurança para vocês.” (Filipenses‬ ‭3:1‬)

Sentimos necessidade de repetir - sem cansaço - o combate às mesmas coisas, quando pessoas que amamos insistem em cometer os mesmos erros ou estão sendo induzidas a eles.

Se Paulo escrevesse às igreja de hoje, certamente tocaria na mesma tecla, pois manifestações da mesma natureza são facilmente identificadas. TEMOS TROCADO O SENHOR JESUS DE NAZARÉ, seus ensinos e exemplos de vida POR OUTROS REFERENCIAIS que desqualificam o caráter cristão individual e prejudicam a harmonia e o bem estar comunitários.

Veremos nos versos subsequentes que a tentativa de imposição da circuncisão à igreja seria o eixo da divisão. Hoje, vários biblicismos, batistismos, calvinismos e outros "ismos" mal colocados estão desviando a atenção que deveria ser exclusiva de Jesus, em diversas igrejas. Daí a contemporaneidade do convite para que retornemos a nos alegrar no Senhor.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Existe algum Epafrodito entre nós? - Filipenses 2:30

“porque ele quase morreu por amor à causa de Cristo, arriscando a vida para suprir a ajuda que vocês não me podiam dar.” (Filipenses‬ ‭2:30‬)

Sejamos honestos: quem de nós arrisca a vida "por amor à causa de Cristo" hoje? Parece serem poucos os cristãos que perguntam o que, de fato, Jesus Cristo tem a ver com as causas (leia-se ideologias político-teológico-religiosas) que abraçam e pelas quais se engalfinham com os que pensam diferente. 

Se isso não bastasse, na era do Facebook, selfies e holofotes, seguir a Cristo está mais pra celebrações catárticas ou shows enfumaçados com aplausos, assovios e urros ou eventos em espaços acessíveis a uma minoria com mais dinheiro ou reuniões de burocrátas da fé, tudo movido a sons eletrizantes, imagens e frases elaboradas de acordo com as mais modernas estratégias de marketing empresarial.

Arriscar a vida (nem falo da física, mas mais da social, por exemplo, correndo o risco de marginalização dentro do seu mundo sócio-significativo) para manifestar amor ao próximo, fazendo por alguém aquilo que a maioria não poderia (no caso de Epafrodito e os Filipenses) ou não se dispõe (no nosso caso, parece-me), é raridade. Sejamos honestos: existe algum Epafrodito entre nós?

terça-feira, 9 de maio de 2017

Honrar abnegados. A quem honra, honra - Filipenses 2:29

“E peço que vocês o recebam no Senhor com grande alegria e honrem homens como este,” (Filipenses‬ ‭2:29‬)

Um paradigma teológico distorcido foi introjetado em minha mente e me acompanhou até pouco tempo atrás. Veio através de impactante mensagem baseada nas palavras: “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’.”” (Lucas‬ ‭17:10). Por esse paradigma, manifestações de reconhecimento público por serviços prestados seriam equivocadas.

É fato que há pessoas que, por razões erradas e até doentias, vivem em busca de reconhecimento. Os Fariseus eram um exemplo e isso deveria ser desestimulado (Mt 6:1-4). Essas pessoas, porém, não devem servir de justificativa, muito menos de obstáculo para deixarmos de honrar aquelas que, ABNEGADAMENTE, servem ao próximo de maneira amorosa.

Epafrodito foi um cristão abnegado. Honrá-lo por isso, numa comunidade na qual alguns se destacavam por "inveja e rivalidade", era pedagogicamente essencial. Dar honra a quem merece honra seria uma maneira de reafirmar padrões de conduta comunitária saudáveis que, sendo seguidos, beneficiariam a coletividade. "A quem honra, honra" (Rom. 13:7). Paulo ensinou. Paulo praticou.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Presenças que alegram - Filipenses 2:28

“Por isso, logo o enviarei, para que, quando o virem novamente, fiquem alegres e eu tenha menos tristeza.” (Filipenses‬ ‭2:28‬)

Há pessoas em nossas igrejas - exceções, é verdade -  que agem com tal maldade (e continuam assim a despeito de todo esforço para ajudá-las) que, sem mais esperança, oramos para que sejam promovidas à glória celestial. Isso seria bênção pra elas e alegria para os que ficam. 

Epafrodito não era desse tipo. Seu adoecimento gerou apreensão na vida dos filipenses e Paulo declara que, se ele tivesse morrido, isso seria motivo de "tristeza sobre tristeza". Ao enviá-lo de volta, Paulo - que parecia gostar muito dele - se consolava com a alegria que isso produziria aos filipenses.

As vezes, gerar tristeza é necessário.  Aprendemos isso com Paulo aos Corintios: "Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. (2 Coríntios‬ ‭7:9‬). Melhor, porém, é nos empenharmos para sermos sempre benquistos pela alegria - não necessariamente pelo riso - que nossa presença produz aos que nos cercam.

domingo, 7 de maio de 2017

Adoecemos - Filipenses 2:27

“De fato, ficou doente e quase morreu. Mas Deus teve misericórdia dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.” (Filipenses‬ ‭2:27‬)

É desagradâvel, mas adoecemos. Estamos todos expostos a vírus e bactérias aos quais nosso organismo reage, ora resistindo, ora cedendo, mas sempre sujeitos à enfermidades. Em que pese o fato de diversas variáveis, inclusive espirituais, nos tornarem mais ou menos sucetíveis, mente aquele que ensina que a fé - pior, cargo ou função eclesiástica - nos torna imunes à doenças.

Quando adoecemos, sofremos nós, sofrem os que nos cercam. Sofremos pelo impacto em si que a enfermidade produz e pela consciência de que outros sofrem por nós. Quem conosco convive sofre com o nosso sofrimento e sofre com a alteração de sua rotina. Com doença, ganham apenas os empresários e profissionais da saúde, os charlatões e políticos corruptos.

Portanto, cuidar da saúde deve ser prioridade. Atenção, alimentação adequada, exercícios físicos, descanso, sono, são elementos a serem permanentemente observados. Avaliar se estamos nos protegendo, fazendo a nossa parte, precede qualquer rito, experiência ou dependência religiosos. No mais, de graça e misericórdia divinas e de solidariedade humana, todos, em última análise, dependemos.

sábado, 6 de maio de 2017

Você é o missionário

Nesse início de madrugada de sábado fui dormir pensando em Willam Carey, o pai das missões modernas. Assistir o filme, neste momento em que tenho refletido devocionalmente na vida missionária de Epafrodito (Fil 2:25-30) me fez sonhar e sair cedo da cama em meio ao frio deste início de maio para refletir e orar.

Carey era sapateiro e teve uma visão. Visão é uma experiência mística não necessáriamente desvinculada do natural. É mística porque brota com força, dentro de nós; nos domina de maneira incontrolável; exige ser elaborada e traduzida numa linguagem; é compartilhada; submete-se aos exigentes crivos de terceiros e vai se tornando realidade na medida em que damos passos concretos em direção a sua realização.

Visão não é uma receita, mas um script, um roteiro. Carey deixou a Inglaterra para pregar o evangelho. Em sua visão ele se via literalmente pregando. Para ele isso significava, inicialmente, parar diante de pessoas, abrir a Bíblia, discursar um plano sistematizado de salvação e esperar pessoas respondendo favoravelmente aos desafios da Palavra por ele expostos.

Essa porém era uma receita, um modelo, um paradigma que ele carregou consigo. Mas, ao deparar-se com a realidade, a receita não produziu os efeitos imaginados. O ser humano era humano, mas a India não era a Inglaterra, as pessoas não eram as mesmas, a cultura não era a mesma, os desafios não eram os mesmos.

Ele tinha uma visão porque era sensível a voz de Deus falando ao seu coração. Essa sensibilidade possibilitou que ele enxergasse as reais necessidades do povo e agisse de maneira flexivel. Em vez de insistir no velho receituário que permeava sua mente quando do recebimento da visão, ele foi capaz de reelaborar a missão, ajustar a visão, sem perder o foco que era levar ao povo o conhecimento do plano de Deus e as implicações disso - inclusive horizontais - a partir do aqui e agora.

Perdeu filho, perdeu a esposa e, se julgássemos sua história usando valores da nossa cultura (diga-se de passagem um erro técnico, pois história se julga com os valores da época na qual se desenrolou), poderia se dizer que era um louco que sacrificou a família por uma visão.

Porém, em meio a erros e acertos, o fato é que sua vida fez diferença em uma cultura bonita que, como todas, era composta também por elementos nocivos à vida, à humanidade.

O Deus que moveu o coração de Carey continua movendo corações em nossos dias. Seja aqui onde estamos, seja ali ou acolá, o fato é que a humanidade enfrenta desafios próprios de sua época e lugar e é essencial que haja pessoas com visão e senso de missão para interferir e ajudar na construção de novos rumos.

Sim, precisamos de missionários. Não de marionetes a serviço de instituições ideologizadas politicamente que se submetem a interesses corporativos, empresariais, alheios à sua realidade, às suas necessidades. Não de missionários ventriloquos fiéis a discursos elaborados por quem oprime e explora o semelhante.

Precisamos de missionários que tenham visão de seres humanos livres e autônomos que acreditam na cooperação mútua e não na dominação de uns sobre outros. Missionários capazes de ler a realidade que o cerca e até de trilhar por caminhos não percorridos, movidos pelo desejo de ver, em Cristo, uma nova e positiva realidade brotar para o bem comum e não só de alguns, inspirada na pessoa de Jesus de Nazaré.