sábado, 30 de agosto de 2014

Declaração ao Povo Batista Baiano

Declaro, a quem interessar, que a Igreja Batista Graça e a Convenção Batista Baiana, ambas por mim presididas neste momento, são instituições com natureza democrática de governo, formada por indivíduos e igrejas autônomas, que respeitam a liberdade de pensamento e de crença. 

Por isso, seus membros - no caso da IBG - e seus filiados - no caso da CBBA - têm responsabilidades com elas nos termos dos seus estatutos e não em termos de opção político-partidária. 

Assim sendo, ambas reconhecem a pluralidade política e a liberdade de seus membros/filiados de escolherem partidos e candidatos que atendam sua cosmovisão de mundo e sua compreensão espiritual. 

Desejamos que, na medida em que se aproxima o dia das eleições, membros e filiados também se aproximem mais e mais do amor que professamos e se respeitem mais e mais nas diferentes escolhas que fizerem

O período eleitoral passará, mas a unidade construída em Cristo Jesus deve permanecer, pois ele - não um partido político ou candidato - é a razão da nossa existência e esperança, o parâmetro ético para nossas escolhas de vida, inclusive as políticas. 

Portanto, ratifico, por reconhecer o direito inalienável de cada individuo, que nenhum membro de igreja ou instituição filiada à Convenção deve se sentir constrangido diante das escolhas político-partidárias, seja deste presidente, seja de quaisquer de suas lideranças eclesiástico-denominacionais.

sábado, 23 de agosto de 2014

Sua vocação, a igreja e a Convenção Batista

Deus vocaciona indivíduos. Assim nos demonstra a história. Ele os vocaciona para uma missão, um ministério. As missões e os ministérios são múltiplos. Podem manter-se os mesmos por toda uma vida ou podem sofrer variações na trajetória. Mas, como disse, a história aponta que Deus vocaciona indivíduos e, diante do chamado, cada um responde da melhor maneira que suas circunstâncias permitem.

Todos somos vocacionados a viver a vida de tal forma que, em todas as suas dimensões, ela se desenvolva de maneira saudável, ou, numa linguagem sacerdotal, santa. Daí sermos chamados em Cristo para viver em comunhão com Deus, demonstrando isso em todas as áreas de atuação.

Nosso chamado não se restringe, portanto, ao desenvolvimento de atividades no campo da religião. Deus nos chama para sermos sal e luz na saúde, na economia, na educação, no lazer, enfim, e também na religião. Seja, porém, para qual área for o nosso chamado, ele deve ser desenvolvido tendo Jesus como parâmetro.

O dinheiro, conquanto seja necessário, não deve reger nosso chamado, ser senhor de nossas vidas. Não é em função dele que desenvolvemos nossa vocação. Ele é necessário, mas não preenche as necessidades mais profundas de nossa existência. Deus deve ser o Senhor de nossas vidas no desenvolvimento de nossa vocação e tudo o que temos e somos deve ser vivido de acordo com os valores do seu Reino, em favor da vida.

A sociedade tem mecanismos de preparação dos indivíduos para o exercício de suas vocações que, geralmente, não inclui o preparo espiritual. Cientes de que isso causa danos à vida, especialmente na convivência humana, à igreja cabe investir no preparo de seus membros a fim de que suas ações sejam norteadas pelo compromisso com o Reino de Deus.

À Igreja, como agência cuja missão visa primeiramente (não exclusivamente) o fortalecimento da dimensão espiritual da vida, cabe redobrar seus esforços para que a espiritualidade ocupe prioridade em nossa escala de valores, ajudando vocacionados ao ministério do desenvolvimento espiritual, a se prepararem da melhor maneira possível.

A despeito, entretanto, do papel da igreja, o vocacionado não deve responsabilizá-la pelo desenvolvimento ou não de sua vocação de preparar-se e  dedicar-se com exclusividade ao seu chamado espiritual. A ele cabe procurar os meios adequados para cumprir o chamado que move seu coração, pois ele prestará contas a Deus do seu chamado.

À igreja, pela natureza de sua missão, cabe reconhecer o vocacionado e apoiá-lo no desenvolvimento do seu chamado. Ela não deve ser confundida com uma empresa que oferece preparo visando contar com mão de obra qualificada para disputar e manter seu espaço no mercado. Embora a igreja precise de pessoas preparadas para o bom funcionamento de suas estruturas, ela não deve perder de vista sua natureza espiritual e sua missão no mundo e não girar em torno de si mesma.


À igreja cabe ajudar o vocacionado no preparo e sustento, a fim de que ele cumpra da melhor maneira possível, mas se a igreja falhar nesse papel, cabe ao vocacionado encontrar maneiras de desenvolver a sua vocação. O chamado é dele.

O Essencial na Cooperação Batista

"Não importa a igreja que tu és,
Se aos pés do Calvário tu estás,
Se o teu coração é igual ao meu,
Dá-me a mão e meu irmão serás"

Já dizia Rubem Alves que o povo cantou a Reforma Protestante antes de entendê-la. Isso ratifica a importância da música como veículo de idéias e estimula-nos a investir mais nesta importante área de nossas igrejas. Meu objetivo, porém, não é falar de música, mas da letra de uma música que influenciou minha vida mais do que eu poderia imaginar.

Era final dos anos 60 e, criança, ouvia minha mãe cantando: "Não importa a igreja que tu és, se aos pés do calvário tu estás, se o teu coração é igual ao meu, dá-me a mão e meu irmão serás". Daí pra frente cantei-a durante a adolescência, sem saber que ela era fruto do surgimento de novas denominações religiosas, bem como uma ferramenta para facilitar a aceitação delas, pelos membros das chamadas igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, metodistas, congregacionais, etc.).

Hoje entendo não somente a importância estratégica dela para os objetivos das igrejas emergentes, mas também seu significado para além da superfície das palavras.

Ela, primeiramente, me estimula a entender, diferenciar e classificar as coisas e as idéias em torno de: é muito importante para o desenvolvimento do Reino? Ou: é importante? Ou: é pouco importante? Ou: é sem importância?

Creio que a Convenção Batista Baiana dará um salto de qualidade e de velocidade no cumprimento de sua missão, se cada líder, cada igreja, diante do que nos diferencia usasse essas perguntas. Há situações em que, parece-me, investimos muito do nosso tempo e energia naquilo que é sem importância significativa para o Reino.

Depois, a letra me fez pensar que devemos diferenciar o essencial do acidental. De tudo que devemos guardar, guardemos o nosso coração, pois ele é essencial à vida, diria o sábio bíblico. Como igreja, no que é acidental somos diferentes, mas somos iguais no que é essencial. Todos fomos criados para amar, todos somos pecadores, todos morreremos, todos prestaremos contas a Deus e Ele nos julgará segundo sua reta justiça e não seguindo as percepções de cada um. Não nos esqueçamos dessa essência.

Finalmente, ela aponta o essencial na vida de uma igreja: estar efetivamente aos pés do calvário. Isto é, viver humilde e submissamente à pessoa de Jesus, o Cristo.

Um livro que marcou a vida de muitos da minha geração foi "Em seus passos, o que faria Jesus?". Através da leitura dele, a centralidade de Jesus ganhou importância em minha vida. Descobri que o essencial na fé cristã é conhecer e continuar conhecendo a vida, o caráter, os ensinos de Jesus e, movido por sua amorosa graça, empenhar-nos em nos identificarmos com ele não para alcançar uma salvação futura, mas por termos sido salvos por ele já neste presente tempo.

Conhecer doutrinas é importante, mas, MAIS importante é conhecermos Jesus e procurarmos ser um fiel retrato de sua vida em nossas relações com as coisas e as pessoas.

O essencial na cooperação batista ou em nossa caminhada como Convenção Batista Baiana, é focarmos no Jesus da desprezível Nazaré, que caminhava com pecadores, lavava os pés de seus amigos e abençoava seus inimigos.

Se isso for levado graciosamente a sério, alimentaremos a real motivação para nos reunirmos e contribuirmos. De mãos dadas pensaremos, planejaremos, executaremos e avaliaremos a caminhada denominacional. Com corações alegres e generosos contribuiremos com orações, conhecimentos, tempo e dinheiro para o avanço do evangelho do Reino no coração de cada pessoa em nossa cidade,  estado, país e mundo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Minhas desconfianças com o manifesto da Convenção Batista Brasileira e as eleições 2014

Li desconfiado, a manifestação subscrita por nosso querido presidente e por nosso não menos querido Diretor Executivo da Convenção Batista Brasileira – CBB -, a respeito do DECRETO N.8.243, DE 23 DE MAIO DE 2014. Em que pese todo respeito que não somente devo, mas tenho a eles, não poderia deixar de ‘manifestar minhas desconfianças ao manifesto’.

 

Li desconfiado, primeiro porque fala em nome da denominação. Sabemos que denominação é um termo amplo que ultrapassa as fronteiras de uma Convenção. Denominação envolve todo o universo batista no caso, incluindo, portanto, as igrejas da CBB e todas as instituições batistas que não são da CBB. Entretanto, o presidente está autorizado a pronunciar-se, na forma do Estatuto e Regimento Interno, apenas em nome da instituição que preside e não de todos os que se utilizam do nome ”Batista”.

 

Li desconfiado, porque não tenho conhecimento de que pelo menos um debate foi promovido por algum órgão da CBB, no qual o referido decreto – de maio de 2014 - tenha sido exposto por pelo menos duas opiniões diferentes, a fim de sabermos o que ele tem de bom e o que ele tem, de fato, de preocupante.

 

Li desconfiado porque O Jornal Batista, salvo engano, não o publicou – refiro-me ao decreto - para conhecimento dos batistas, nem o colocou em debate, a fim de ouvir opiniões diferentes sobre ele, como seria próprio de uma Convenção democrática e plural. Diga-se de passagem, quantos dos nossos líderes leram o referido decreto?


Li desconfiado, não porque defenda o decreto ou, muito menos, porque votei na atual Presidente da República e ela é candidata à reeleição. Na verdade, não formaria minha opinião sobre o decreto por via da opinião da “grande imprensa”, pois sua oposição ao governo é tão sistemática e contundente que é difícil não perceber o tendencionismo. Quanto às eleições de outubro, já tenho certeza de em quem não votarei, mas ainda estou avaliando qual das alternativas restantes atenderia meus critérios de decisão. Confesso que o critério de alternância e a candidatura Eduardo-Marina me fazem refletir.

 Li desconfiado porque o pronunciamento está sendo divulgado paralelamente ao pronunciamento de Arolde de Oliveira (PSD-RJ), o qual usa o pronunciamento da CBB para criticar o governo no microfone da Câmara.  Arolde Oliveira é batista, Deputado Federal desde 1983, empresário na área de comunicação no Rio e  foi Secretário de Transportes de César Maia. Seu partido usufrui das benesses do poder no plano federal, participando da base aliada, mas, no Rio de Janeiro, é oposição ao PT nas eleições locais. Seu discurso, como pode ser assistido, associa o governo brasileiro – ao qual seu partido deu sustentação em plano federal -  à “ditadura bolivariana” (diga-se, visão da Venezuela na ótica de parte da imprensa), e refere-se a uma tal “Bala de Prata a ser acionada em outubro” (Aécio Neves?).

Li desconfiado porque o pronunciamento acontece a pouco mais de 60 dias das eleições. Esse filme já vi antes. Estão lembrados da eleição passada quando o PT foi demonizado pelo então presidente da CBB (eleitor em um estado cujo governo é do PSDB e, portanto, oposição ao PT)? Por que escolhemos nos pronunciar às vésperas de uma eleição – como se fez sobre a questão homossexual em eleições passadas contra o PT - quando existe um movimento midiático orquestrado pela oposição (natural em qualquer democracia) desvalorizando o governo atual? Por que não nos pronunciamos sobre tantos problemas seríssimos que têm ocorrido no Brasil ao longo desses anos e de diversos governos? Fico desconfiado de que, mais uma vez, o nome CBB esteja sendo instrumentalizado politicamente, fato lamentável.

 

Não sei quem foram os mentores do texto, nem em que momento ele e o discurso de Arolde se encontraram, mas que estou desconfiado, isso estou!


xxx

Entenda a disputa eleitoreira em torno do decreto lendo:





"O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcelo Lavennère, que é da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, também defendeu a edição do decreto. Segundo ele, o instrumento atende à preocupação mundial de salvar a democracia. Para ele, há uma fratura no sistema eleitoral, e o decreto é um meio para recuperar a democracia. “A oposição ao decreto é ideológica e também eleitoreira. Apelo aos parlamentares para fazerem trabalho junto aos seus colegas e ajudar na aprovação do decreto presidencial”, conclamou."
http://www.capitalteresina.com.br/noticias/politica/gilberto-carvalho-defende-decreto-sobre-politica-nacional-de-participacao-social-19702.html

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Minha passagem pela Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem (Parte 2 - entrevista sobre o NASCE)

(Compartilho na íntegra esta entrevista feita por Juliana Outtes, para a Revista EMANUEL de Julho de 2014, da Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, igreja a qual servi como pastor em dois momentos: junho de 1987 a outubro de 1992 e dezembro de 2000 a junho de 2003. Ela trata da minha relação com o Núcleo de Atuação Social Cristã Emanuel - NASCE -, criado em minha segunda passagem como pastor daquela Igreja).

1. Pastor, qual a sua história com a ação social cristã?


Meu interesse pelo assunto foi despertado aos 20 anos, quando cheguei ao STBNB. Leituras, diálogos, ampliação do conhecimento da realidade social do país, aprofundamento no conhecimento bíblico-teológico despertaram em mim o interesse pela dimensão social do evangelho, pois até então a expressão da minha fé girava em torno do futuro - céu-inferno - da alma de cada ser humano.


No Seminário aprendi com solidez sobre o interesse de Deus pelo ser humano integral, por todas as dimensões da vida e passei a construir uma visão integral do evangelho. Fui aluno de Harald Schaly, ex-pastor da Emanuel, o qual nos sensibilizava muito para esta área ministerial da Igreja.


Também trabalhei tanto nas pesquisas preliminares de campo quanto no desenvolvimento do Projeto TransCoque, desenvolvido pela então Igreja Batista da Rua Imperial em parceria com a Visão Mundial.


Já no primeiro ministério, em Maceió, me envolvi em ações de responsabilidade social, tanto nas de assistência e de serviço quanto nas de ação; tanto aprofundando trabalhos desenvolvidos pela Igreja Batista do Pinheiro quanto participando da criação de outros.


O mesmo fiz na minha primeira e segunda passagens pelo pastorado da Emanuel.


Além disso, tenho colaborado como preletor sobre o assunto em diversos estados da federação; fiz parte do Comitê de Ação Social da Convenção Batista Brasileira e tive participação ativa na criação da Câmara Setorial de Ação Social nas assembléias dessa Convenção.


Tenho também incentivado a manutenção do Centro Comunitário da Igreja Batista da Graça, Salvador, no qual funciona posto de saúde em convênio com a Secretaria Municipal de Saúde; Balcão de Justiça e Cidadania em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia; cursos para 500 alunos em parceira com o Instituto Federal da Bahia e PRONATEC; escolinha de futebol de salão, karatê e capoeira; club de mães e da terceira idade e, agora, estamos construindo uma cozinha-refeitório com equipamento profissional para cursos de empreendedorismo na área de alimentos, além de outros.


Nesses dois anos na presidência da Convenção Batista Baiana elevamos o tema da responsabilidade social a uma posição de destaque, dedicando uma das noites das Assembléias a esta temática.


2. Como se deu sua atuação no NASCE?


Para falar do NASCE é preciso que nos lembremos de algo da história da Emanuel. Dois pontos distiguiram a Emanuel das demais igrejas do Recife nas primeiras décadas de sua existência: 1) a realização de um fortíssimo trabalho em lingua inglesa, tanto culto quanto escola Bíblica, sob a liderança do casal missionário Glenn e Audrey Swidegood; 2) A existência da Creche Raio de Sol, criada no pastorado de Harald Schaly que achava absurdo as salas das igrejas ficarem a semana inteira desocupadas.


A Creche funcionava em parceira com a Kindernothilfe, sediada na cidade de Duisburg, Alemanha, e com a DIACONIA, tendo como intermediária no Brasil a organização Amparo ao Menor Carente - AMENCAR - e abrigava diariamente 200 crianças, das 7 às 17 hs. Além disso, auxiliava financeiramente famílias empobrecidas da então favela Ilha do Destino.


Com o fim das parcerias, a Emanuel decidiu, em 1993, sob a liderança do Pr. Josias Bezerra, que a Creche deveria ser encerrada e novas formas de atuação social desenvolvidas.


Quando retornei à Emanuel, em dezembro de 2000, a igreja mantinha sua visão social através de diversas ações, com destaque para atendimento odontológico. Nesse contexto entendemos ser necessário a criação de uma organização com personalidade jurídica própria a fim de possibilitar parcerias com instituições públicas e privadas.


Criamos então o NASCE, convidamos a Profa Delaine Melo, Assistente Social, para dirigí-lo, reformamos totalmente a parte do prédio que vai do refeitório ao escritório do NASCE, construimos novas salas para atendimento médico e psicológico e desenvolvimento de outras ações e construimos a quadra-estacionamento da Igreja na perspectiva de comunhão e de espaço para atuação social com atividades esportivas para crianças empobrecidas.


3. O que ela trouxe de experiência para a sua vida?


Aprendi que quando acreditamos firmemente em um ideal, quando o coração está dominado por um interesse real pelo próximo, colocamos a experiência, o conhecimento, os recursos que temos à disposição do Reino e, sob a orientação de Deus, somos capazes de realizar obras duradouras para manifestação do nosso amor ao semelhante.


4. O sr. acha que, atualmente, as pessoas dentro da igreja valorizam esse trabalho?


Creio que o que ocorre dentro da igreja é um retrato do que o ocorre fora dela. Não deveria ser assim, mas é. Nossas crianças estão sendo educadas para serem consumidoras e não cidadãs.


Investimos muito pensando no que nossos filhos precisarão ter e não no que precisarão ser. A febre do consumo, a valorização da grife se reflete dentro da igreja. O ser cliente prevalece sobre o ser crente. Participamos da igreja muito mais pensando em receber do que em dar, atitude diametralmente oposta ao ensino de Jesus quando diz que mais bem aventurado é dar do que receber.


Contribuir para atividades sociais muita vez parece ser mais manifestação de desencargo de consciência do que expressão de amor. Assim vejo, de maneira geral, o que ocorre dentro das igrejas, à luz de discursos que ouço e leio na mídia "evangélica".

5. O que é preciso para se estar mais atento à dor e à necessidade do outro?



Amor, consciência de justiça social, sobretudo real e genuina identificação com a pessoa de Jesus. Ser menos religioso e mais discípulo de Jesus, ser menos liturgia e mais adoração. Isso é obra do Espirito Santo de Deus. Nosso papel é insistir em sermos fiéis a Jesus, orar e sensibilizar, respeitando, claro, os dons de cada um, pois cada um manifesta sua atenção ao próximo com os recursos espirituais, emocionais e intelectuais que desenvolveu.

6. Que diferença há entre a ação social e a ação social cristã?



Na ação em si não vejo diferença. Ação Social é uma ação de cidadania e nós cristãos também somos cidadãos desta terra. Todos, em tese, devemos ter interesse pela predominância da justiça social, da solidariedade, da fraternidade. Todos ganham quando esses valores afloram, todos perdem quando são desprezados. O Brasil os desprezou por séculos e todos temos colhido resultados nocivos.


Há diferença na motivação. Há  quem realize atividades sociais como terapia ocupacional. O foco é em si mesmo. Há quem as realize como estratégia de marketing. O foco é o aumento da clientela. Há quem as realize para evitar o colapso social. O foco é a manutenção do status quo. Há quem as realize para aumentar o eleitorado. O foco é político. Há quem as realize visando a libertação, o bem estar do outro. Esse deve caracterizar  as desenvolvidas por cristãos.


Outra diferença poderia ser no empenho. Nós cristãos deveríamos nos empenhar muito mais, pois somos estimulados por Jesus a sermos sal da tera e luz do mundo; a termos fome e sede de justiça;  a sermos humildes, reconhecendo que somos essencialmente iguais e assim por diante.


7. Muita gente diz que gostaria de ajudar, mas não tem tempo. O que o sr. diria a esses irmãos?


Acredito que a responsabilidade social é de todos. Uns dão peixes, outros ensinam a pescar e outros ensinam porque os rios produzem mais ou menos peixes e porque uns têm mais e melhores equipamentos de pesca do que outros, possibilitando acúmulo e concentração violentamente desproporcionais.


Assim sendo, todos podem fazer algo. Talvez nem todos disponham de tempo para participar das atividades desta área na igreja, inclusive porque a igreja gira em torno de sete eixos diferentes que consomem tempo (adoração, administração, comunhão, ensino, proclamação, pastoral e responsabiliade social). Porém,  o importante é que todos sejam sensibilizados e estimulados a servirem, seja através de qual área for, sem perder de vista o ser humano integral.


8. O sr. já foi ajudado por algum programa de atuação social?


 Tenho lembrança da infância quando a Prefeitura da cidade de Garça, SP, onde nasci, mantinha programa de distribuição de alguns alimentos básicos às familias. Lembro-me de que isso era muito bem vindo em nossa casa, formada por pais e 8 filhos.


Também fui alvo da generosidade de irmãos, quando estudei no seminário, creio que fruto do incentivo da igreja aos membros, à manisfestação de amor ao próximo.


9. As pessoas que são ajudadas por programas e/ou pessoas da igreja passam a ter outra visão de Deus e das instituições religiosas?


No mínimo elas são levadas a pensar na razão que levaria alguém a dividir com elas, num mundo em que subtrair do outro, amparado ou não pelo sistema, predomina. Se deixamos a pessoa saber que estamos dando um copo d'água em nome do Senhor, certamente ela se interessará por conhecer este Senhor.


O que não entendo como correto é usar a ação como moeda de troca: eu te ajudo e você passa a participar da minha igreja. Quem faz o bem movido pelo amor de Deus, simplesmente faz, sem esperar retorno para si ou sua tribo.


10. Num mundo tão democrático como o atual, parece cada vez mais difícil falar do amor de Deus. O sr. acha que a ação social cristã torna mais fácil pregar o evangelho? Por quê?


Bem, conta-se que São Francisco de Assis teria ido a uma vila, acompanhado de um noviço, aprendiz de evangelista. Chegaram ao lugar, conversaram com muita gente e retornaram. O noviço teria perguntado: por que o senhor não falou do evangelho. A isso ele teria respondido: preguemos o evangelho. Se preciso for, usemos palavras.


Ainda que vivamos numa sociedade plural, na qual a diversidade de pensamentos religiosos é crescente, as pessoas continuam sendo sensíveis à manifestações de amor. João diz que a prova de que passamos da vida velha para a nova é o amor.


Então, amar é a solução para o fim do esvaziamento de igrejas, para o retorno ao crescimento, mesmo numa sociedade religiosamente plural.


Nesse sentido, o exercício de nossa responsabilidade social é uma fortíssima autenticação da nossa mensagem, se não for a mais forte. E, sem  dúvida, aumenta em muito a credibilidade e receptividade da mensagem que anunciamos.


11. De que forma os pais podem incluir a ajuda ao próximo na educação dos filhos?


Com seus exemplos, manisfestando altruismo, participando de ações em prol do bem estar coletivo; chamando a atenção dos filhos para as condições de vida dos empobrecidos pelo sistema que não não trata todos com igualdade, inclusive na oferta de oportunidades; dialogando sobre o assunto com eles, mas sobretudo, ensinando-lhes que Deus é amor e por isso devemos amar.

12. Sabemos que os adolescentes e jovens têm muito vigor, mas, muitas vezes, não participam desse tipo de atividade. Como fazer para incentivá-los a ajudar as pessoas que precisam?



A adolescência é a fase de maior sensibilidade para as injustiças sociais e para o envolvimento em causas idealistas. A questão, repito, é que há uma massificação para o consumo, uma inversão na escala de valores ético-espirituais e isso tem sido pouco abordado na igreja.


Nós, igreja, estamos tão preocupados com o crescimento numérico, financeiro e patrimonial que temos nos esquecido de priorizar a qualidade de vida humana. A ênfase na estética litúrgica tem sufocado o desenvolvimento da ética espiritual.


Acredito que se chamarmos os adolescentes para dialogar sobre a realidade adversa de milhares de pessoas na mesma idade deles e  colocarmos em debate maneiras objetivas de minimizar a situação certamente eles se envolverão. Isso, entretanto, depende em parte da visão daqueles que definem as ênfases a serem priorizadas na vida da igreja.


13. O que muda na vida de alguém que se dedica a praticar os ensinamentos de Cristo com atos concretos na vida do outro?


As pessoas que assim agem se humanizam mais; descobrem que não estão sós nos sofrimentos que a vida impõem; encontram sentido para viver e isso lhes traz paz e alegria interior; a sensação de utilidade e de dever cumprido revigora suas energias e, sobretudo, sentem-se verdadeiramente cooperadoras de Cristo, pois sabem que naquele dia - o dia do juizo - ele nos dirá: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que foi preparado para vocês desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ “O Rei responderá: ‘Digo a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’." (Mateus 25:34-40 NVI)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A primeira reunião da diretoria 2014-2016 da Convenção Batista Baiana

Hoje tivemos a primeira reunião da diretoria da CBBA, com a presença do Secretário Geral. Foi um sentimento totalmente positivo passar quase 4 horas compartilhando as percepções de cada um sobre a última Assembléia, realizada em Itabuna, levantando o que houve de melhor e o que precisa ser melhorado na próxima, em Ipiau.

Também conversamos longamente sobre a elaboração do Plano Geral que incluirá Missão, Visão, Valores, objetivos estratégicos (longo prazo); objetivos táticos (desdobramento do estratégico pelos örgãos executivos e auxiliares, bem como pelas gerências subordinadas à Secretaria Geral); objetivos operacionais (execução dos táticos por cada órgão e gerências); além de orçamento e calendário.

As definições estratégicas serão propostas a partir de dados fornecidos pelas lideranças das associações, referentes às necessidades das igrejas. (Posteriormente faremos consultas diretamente às igrejas).

Conversamos sobre o formato da próxima reunião do Conselho, da necessidade de entendermos como funcionará em função da reforma dos estatutos.  (Conversaremos com os dirigentes dos örgãos, gerências e das associações, pois os relatórios deles serão mediados pelos comites perante o Conselho).

Ainda tratamos de problemas específicos relacionados a pessoal, que precisavam de parecer da diretoria, e iniciamos uma reflexão sobre a Campanha de Missões Estaduais.

Enfim, foi muito bom investir quase todo o tempo olhando para o futuro, em vez de ter que apagar fogo. Estamos convictos de que bons momentos estão reservados para o povo batista na Bahia.

Neste sábado, com a ajuda de um arquiteto e um especialista em agricultura e paisagismo, estudaremos projetos de reformas da piscina, de alojamentos, bem como de um mutirão de limpeza do CENTRE.

Em setembro, faremos a sondagem do terreno da ESCOLA BATISTA KATE WHITE, passo inicial para definições do projeto da nova sede da CBBA, onde funcionará, além da EBKW, o Seminário batista, a Secretaria Geral e instituições batistas parceiras. Trata-se de projeto estratégico para o desenvolvimento do trabalho denominacional na Bahia.

A reunião do Conselho será nos dias 1,2 e 3 de setembro. Ore pela Convenção e não discorde em silêncio. Procure-nos e ajude no avanço do evangelho em nosso Estado.