sábado, 19 de agosto de 2017

Seres das trevas - I João 2:8

“Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas.” (1 João‬ ‭2:9‬)

As redes sociais tornaram possível a percepção do ódio antes apenas latente em alguns corações. Ele estava lá, mas emergia somente esporadicamente em momentos de conflitos iterpessoais isolados. Agora, esse sentimento tenebroso ganhou voz, visibilidade, e o que tem vindo à tona fede.

O fedor do ódio atinge nossas narinas através dos olhos. Torpedos violentos da podridão, de coraçöes antes aparentemente bondosos, atingem vidas distantes de si, através de simples toques dos dedos. Entrincheirados no conforto da casa, do escritório ou em veículos de transporte, gente de "esquerda" que sequer sabe o que é ser "esquerda" agride gente de "direita" que sequer sabe o que é ser "direita", e vice-versa, alguns até em nome de "Jesus, o Cristo", demonstrando não saber ou, quem sabe,  por saber o que significa "Jesus, o Cristo".

Através das palavras que escrevemos ou repercutimos, revelamos ou escondemos quem de fato somos. Nos declaramos de Deus, mas agredimos o próximo. Nos assentamos nos bancos das igrejas, mas demonstramos espírito belicoso na internet. Afirmamos ser da luz, mas nosso fazer apresenta indícios de  que podemos ser seres das trevas.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mensagem contemporânea

“No entanto, o que escrevo é um mandamento novo, o qual é verdadeiro nele e em vocês, pois as trevas estão se dissipando e já brilha a verdadeira luz.” (1 João‬ ‭2:8‬)

O novo não era novidade. Era mandamento muito bem conhecido dos leitores. Na verdade era mandamento antigo. Se não era novo, como o próprio escritor declarou, por que, numa aparente contradição, o que não era novo de repente passa a ser?

A diferença era que, embora sendo o mesmo mandamento, o primeiro estava "no papel"; o segundo, na vida. Na vida de Jesus e de seus seguidores, a palavra que era antiga tornou-se nova. Era original e tornou-se contemporânea. Cumpriu seu objetivo apontando uma nova situação de amizade.

Quando a palavra de Jesus é encarnada, quando a mensagem sai do texto e ganha vida em nossos corações, brilha a luz da comunhão, da verdade, da justiça, inclusive social, dissipam-se as trevas da confusão, dos conflitos patológicos. E a mensagem original se torna contemporânea, bem diante dos nossos olhos.

domingo, 13 de agosto de 2017

Mensagem original - I João 2:7

“Amados, não escrevo a vocês um mandamento novo, mas um mandamento antigo, que vocês têm desde o princípio: a mensagem que ouviram.” (1 João‬ ‭2:7‬)

O que movia o coração de João em sua palavra à igreja não era ser original no sentido de criatividade. Era ser original no sentido cronológico, isto é, naquilo que, desde o princípio, estava presente na vida e ensinos de Jesus e que todos já haviam ouvido.

Não se tratava de mandamento novo, mas de algo que já fazia parte da cultura de fé dos leitores. Isso indica que a solução para o bem estar individual e coletivo estava bem diante deles, à disposição, bastando tão somente que a utilizassem como base dos relacionamentos, que a levassem a sério e a priorizassem nas escolhas.

Esse, portanto, é um tipo de mensagem conservadora que merece ser conservada por não ser uma manifestação excêntrica, covarde ou egoista de quem a proclama, mas por ser solidamente testada e fundamentada, cujos efeitos seriam bons para todos por atender aos interesses de bem-estar da coletividade.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Coerência - I João 2:6

“aquele que afirma que permanece nele deve andar como ele andou.” (1 João‬ ‭2:6‬)

A última parte do verso 2:5 - "Desta forma sabemos que estamos nele:" - não deveria, salvo melhor juizo, ter sido separada do 2:6, pois é a ele que ela está, gramaticalmente, vinculada. Quer saber se está em Jesus? Seja coerente, ande como ele andou.

Há quem leve o desafio ao pé da letra e imagina que isso significaria andar à pé, num barco ou num burrico, de sandálias, de vila em vila, enfim, apenas adotando costumes da cultura na qual Jesus estava inserido. Isso, além da possibilidade de uma boa dose de excentrismo, não retrata o que importa, de fato, ao sermos desafiados a imitar Jesus ou nos identificarmos com ele.

O que importa é, em nosso contexto sócio-histórico, nos relacionarmos com as coisas e com as pessoas regidos pelas mesmas atitudes que regeram a vida de Jesus, segundo lemos nas Escrituras Sagradas: atitudes  acrisoladas no amor.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Crente mentiroso - I João 2:4

“Aquele que diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele.” (1 João‬ ‭2:4‬)

"De perto ninguém é normal", escreveu Caetano Veloso, defendendo, em "vaca profana", que todos trazemos em nós a capacidade para o bem e para o mal. Admitir isso não é para muitos, mas é essencial a quem deseja, com sinceridade, acertar na vida. Só se torna melhor quem é capaz de reconhecer seu pior e se dispõe a trabalhar para superá-lo.

Há, porém, quem opte por viver "de mentirinha".  Sob os holofotes age de uma maneira; nos bastidores, doutra. É óbvio que, como se diz, ser pouco sincero é um perigo, ser sincero demais é fatal. Administrar nossos erros e acertos envolve questão de segurança pessoal. Ser mentiroso, hipócrita, entretanto, é extremamente nocivo para si e para quem o rodeia.

Nenhum de nós é perfeito. Mas dizer-se conhecedor de Jesus e não se empenhar a amar - mandamento 1 de Jesus - é incoerência, é agir como mentiroso, desrespeitando a si mesmo, ao semelhante e ao próprio Deus. Se há verdade em nós, se conhecemos a Jesus, seu primeiro efeito é obedecê-lo no que ele mais viveu e ensinou: amar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Obediência à palavra - I João 2:5

“Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele:” (1 João‬ ‭2:5‬)

Minha relação com a Bíblia é de reconhecimento, intimidade e gratidão. Nela medito diariamente. Os que me ouvem pelos púlpitos por onde passo sabem que minhas prédicas são preferencialmente textuais ou expositivas. Sinto-me, portanto, confortável para chamar a atenção à interpretação equivocada da expressão  "palavra" como sinônimo de Bíblia nos textos sagrados. Considero esse uso ignorância histórico-teológica ou conveniência político-psicológica.

Considero essencial que cada vez que a expressão "palavra" aparece na Bíblia, tenhamos conviccão de que o sentido é ou não técnico, como sinônimo de Escrituras, e a quais Escrituras se referia no contexto, de acordo com a cronologia da formação da Bíblia. Isso evita generalizações equivocadas, uso desonesto para com o ouvinte e ideologias político-religiosas opressoras, além de aumentar a precisão hermenêutica e nos preservar do mero papel publicitário de colportores.

"Se alguém obedece a sua palavra" ou "não obedece aos seus mandamentos", no texto de João, por exemplo, refere-se aos ensinos de Jesus e não tecnicamente à Bíblia, aos 10 mandamentos, etc. Essa ênfase não desvaloriza a Bíblia, não contraria nossa crença no pressuposto teológico da inspiração divina de seus autores, pelo contrário, possibilita maior precisão no ensino, focaliza nossa obediência àquele a quem entregamos nossa vida, nos remete a usar Jesus como crivo, como chave hermenêutica, em nossas leituras bíblicas, pois ele é o Senhor, a ele entregamos nossas vidas e dele somos servos.

domingo, 6 de agosto de 2017

Conhecer Jesus - I João 2:3

“Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos.” (1 João‬ ‭2:3‬)

Quando Jesus foi interrogado sobre qual seria o maior dos mandamentos ele respndeu: “ ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’.
E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.” (Mateus‬ ‭22:37, 39-40‬)

Curioso, porém, é não reconhecermos e enfatizarmos o final da resposta: "Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Por não prestarmos atenção às palavras de Jesus, nossas ações e pregações são desfocadas e equivocadas. Nos combatemos e nos machucamos pelos sintomas, quando a causa deveria mover nossa atenção e energia.

Jeus foi explícito e imperativo: "O meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros como eu os amei.” (João‬ ‭15:12‬). O que me impressiona é: por que, se está tão claro, não praticamos? A resposta foi dada por João: não conhecemos Jesus. Digo eu: conhecemos muito declarações doutrinárias, pactos religiosos explícitos e silenciosos, política denominacional, mas Jesus, que declaramos ser nosso Senhor e Salvador, passamos a impressão que não.

sábado, 5 de agosto de 2017

Propiciação - I João 2:2

“Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.” (1 João‬ ‭2:2‬)

Tenho conhecimento das críticas ao fato de proclamarmos o derramamento de sangue, por Jesus, como meio de remissão de pecados. Anacronismo à parte, a narrativa da crucificação de Jesus no madeiro e as aplicações teológicas posteriores apresentam pelo menos dois aspectos que merecem destaque.

O primeiro é a representação da manifestação da graça de Deus, que põe fim à necessidade de todo tipo de esforço humano de querer agradá-lo através de sacrifícios. Sejam os sacrifícios de animais das experiências judaicas às mantidas hoje por algumas religiões de origem afro; sejam as necessidades de promessas em alguns catolicismos; sejam os extorquimentos de "dízimos" reativados em cultos neo e pós pentecostais ou mesmo as práticas de ativismo religioso de alguns protestantismos, a propiciação de Jesus põe fim a tudo isso como meio de agradar a Deus.

Além disso, a propiciação universaliza a fé em Jesus, possibilitando que indivíduos de qualquer cultura, inclusive religiosa, de qualquer parte do mundo, experimentem libertação das angústias que suas culpas lhes impõem. Em vez de negar o pecado, abrindo caminhos para cada um "fazer o que lhe der na telha", porta de entrada do inferno existencial, a propiciação de Jesus reafirma o pecado, retira o poder opressivo ou destruidor dos caminhos institucionais e aponta uma solução graciosa, eficaz e libertadora, pela fé.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Proclamação da santidade - I João 2:1

“Meus filhinhos, escrevo a vocês estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” (1 João‬ ‭2:1‬)

Quando ouvi, pela primeira vez, que Jesus, ao morrer na cruz do Calvário, teria pago os pecados que havíamos cometido no passado, no presente e também os que cometeríamos no futuro, o primeiro pensamento que me ocorreu foi que estávamos livres para pecar. 

Somente depois fui compreender que, quando somos possuídos pela graça divina, nosso prazer não está em pecar, mas em fazer o que é saudável. Aprendi que Deus disponibiliza ferramentas para nos auxiliar nisso, tais como seu Espírito Santo e sua "palavra", que iluminam nossos corações e nossos pés para que trilhemos por caminhos de saúde e não de enfermidade, de vida e não de morte.

Mais importante, ainda, foi saber que, por sua graça, sabendo que somos limitados e sujeitos a pecar, dispomos de seu filho Jesus, como advogado, intercedendo por nós em nossas fraquezas e não de um juiz com dedo em riste, pronto a nos senteciar com uma condenação. Assim, um prazer conciente e não um sentimento doentio de medo e culpa passou a dirigir minhas escolhas cotidianas, alimentando a paz em meio às aflições das tentações.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Deus mentiroso - I João 1:10

“Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós." ‭‭(1 João‬ ‭1:10‬)

O Deus que se revela em Jesus é digno de confiança. Aquilo que através dele nos é revelado sobre o ser humano retrata o que o ser humano é. Aquilo que nos é revelado sobre as consequências de nossas escolhas retrata aquilo que nos tornaremos segundo as escolhas que fizermos. Mentira não caracteriza a "personalidade" divina.

Aquilo que a história de mulheres e homens com ele, registrada na Bíblia, revela sobre o caráter da humanidade é aquilo que a humanidade é, em todas as épocas e lugares. E o que é comum a todas as pessoas é sua condição de pecadoras, isto é, de seres desviados, seja pela comunhão quebrada com Deus, seja pela quebra de códigos de ética.

Negar isso é o mesmo que negar a fidelidade divina; é transformar Deus em mentiroso; é transparecer que sua palavra não está em nós. Isso se torna ainda mais danoso quando, desconsiderando que João estava escrevendo à igreja, agimos como se pecadores fossem os outros, não nós, e nos transformamos - como igreja -  em tribunais da vida alheia, repito, como se pecadores fossem os outros.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Confissão - I João 1:9

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça." (1 João‬ ‭1:9‬)

Confissão é ato terapêutico. Negar pecado pode produzir efeitos negativos, inclusive em nossos corpos. Davi, o rei de Israel, experimentou isso. Ele disse: “Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim; minhas forças foram-se esgotando como em tempo de seca." (Sal. 32:3-4).

Confissão é ato restaurador de nossa saúde quando brota do fundo de nossa alma, como reconhecimento do maleficio que representa para si ou para terceiros. Se for apenas para agradar pregadores chantagistas ou rituais de instituição religiosa, pouco valor tem. No máximo abranda provisoriamente o sentimento de culpa (remorso) sem gerar uma nova mentalidade (arrependimento) diante do erro.

Confissão diante de Deus não gera provas contra nós, não exige pagamentos, muito menos nos deixa endividados. Basta estarmos sendo sinceros no reconhecimento e na disposição para mudar (arrependimento = metanóia, no grego = mudança de mentalidade) que a promessa de perdão se cumprirá. Nisso podemos confiar, pois Deus é fiel e justo. Daí a decisão de Davi: "Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: “Confessarei as minhas transgressões, ao Senhor ”, e tu perdoaste a culpa do meu pecado.” (Salmos‬ ‭32:5‬).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Pecado - I João 1:8

“Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.” (1 João‬ ‭1:8‬)

Podemos não gostar da palavra "pecado", podemos substituí-la por outras mais palatáveis que não nos remetam ao universo religioso, mas não podemos fugir do fato de que, qualquer que seja o nome usado, o fenômeno está em nós e  entre nós e não reconhecê-lo e combatê-lo produz consequências negativas.

Improbidade, injustiça, infração, falta, por exemplo, são alguns sinônimos e significam algum tipo de atitude, palavra ou acão cujo cometimento traz prejuizo de alguma natureza à pessoa, ao próximo, ao interesse público ou a um meio ambiente favorável ao bom desenvolvimento da vida.

Não é saudável, portanto, não admitirmos que somos pecadores; que não poucas vezes, seja conscientemente ou não, "erramos o alvo" (significado de pecado que, no grego, é amartia); que nos desviamos de objetivos desejáveis. Reconhecer, admitir o fato, nos torna verdadeiros, o que é pré-condição para uma vida individual e coletivamente saudável (ou santa na linguagem sacerdotal).

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O outro em comunhão - I João 1:7

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (1 João‬ ‭1:7‬)

O Deus que se revela em Jesus é um Deus plural. Assim ele se revela quando se convida a criar em Gen. 1:26 (Façamos...) e quando cria a humanidade em Gen. 1:27 (...homem e mulher...), assim ele se afirma, ao orar pela humanidade reconciliada: "para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João‬ ‭17:21‬).

Ele, que está na luz sendo plural, na pluralidade nos desafia a sermos luz com os outros, como ele. Se na filosofia de J.P. Sarte "o inferno são os outros", na teologia do Deus que se revela em Jesus "os outros" são parceiros de manifestação da presença luminosa divina que se manifesta em comunhão.

Na comunhão com Deus - não PRIMEIRAMENTE na observância de dogmas, na participação de eventos religiosos de sociabilidade ou na adesão à instituição que os produz - nossas vidas são "desinfernizadas" e o outro, um irmão, como nós, em processo de purificação em Jesus.

domingo, 30 de julho de 2017

Comunhão coerente - I João 1:6

“Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.” (1 João‬ ‭1:6‬)

Não somos computadores. Tanto nossas limitações quanto as limitações e diferenças de percepção e de memória do outro, além da multiplicidade de realidades que nos cercam, envolvem-nos em situações que aumentam as possibilidades de sermos classificados como incoerentes. 

Temos, entretanto, memória e percepção suficientes para nos mantermos conscientemente coerentes dentro de um nível saudável para nós e para os que nos cercam. Sabemos, portanto, que estamos sendo incoerentes sempre que defendemos uma coisa e vivemos outra diferente. A própria consciência nos acusa disso.

Se digo, por exemplo, que estou em comunhão com Deus, essa comunhão também deve ser buscada em relação ao semelhante. Se isso não ocorre, a incoerência fica caracterizada, pois é na comunhão com o outro que a comunhão com Deus se autentica. Essa incoerência significa o mesmo que estarmos em trevas ou, numa outra linguagem, vivendo uma mentira. 

sábado, 29 de julho de 2017

O Deus da Comunhão - I João 1:5

“Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma.” (1 João‬ ‭1:5‬)

João ouviu muitas mensagens de Jesus. Ele mesmo disse que não registrou todas, mas as essenciais ao exercício da fé. Comunhão era assunto essencial e ele registrou: ““Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti...” (João‬ ‭17:20-21‬)

Agora ele fala de Deus como o Deus da comunhão. Sim, pois como a sequência da leitura de sua carta nos indica, luz e trevas têm a ver com andar ou não em comunhão. Ser luz é ser capaz de enxergar o outro, de amá-lo e de, com o outro, andar em comunhão. Deus é luz. Deus é comunhão. Deus é a luz da comunhão.

Quando Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas", no contexto da mulher que poderia ser apedrejada por ter sido pega em adultério, não referia-se à moralidade, mas à capacidade de enxergar o outro, perdoá-lo, e com ele construir comunhão, em vez de apedrejá-lo. Quem não é capaz de enxergar o outro, mas apenas conceitos para enquadrá-lo e condená-lo, não é capaz de amá-lo, de aceitá-lo e, com ele, caminhar em comunhão.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Proclamação da alegria - I João 1:4

“Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa.” (1 João‬ ‭1:4‬)

Há quem faça uso da "palavra" para produzir  reação rápida dos ouvintes ou leitores aos apelos. Enchem o público alvo de sentimentos como medo ou culpa para arrancar decisões espetaculosas regadas à lágrimas, cujos resultados são tão duradouros quanto flores do campo. Porém, gerar medo ou sentimento de culpa não é finalidade da proclamação do evangelho.

Gerar medo ou culpa são formas de manipulação usadas por quem busca resultados imediatos para impressionar. É a mesma tática de propaganda usada por determinadas empresas para vender seus produtos. Até conseguem compradores "desavisados", mas com nível zero de fidelidade ao produto.

A proclamação do evangelho dispensa manipulação. Sua essência - diferente do evangeliquez de empreendimentos religiosos - atende necessidades reais e profundas da alma humana. Quem a ouve, responde positivamente, pois ela não ilude com promessas de riso fácil ou ausência de aflições ou ainda, muito menos, com exigências desumanas. Antes, gera alegria, um tipo de experiência produzida pela presença graciosa de Deus, inclusive em meio a vales da sombra da morte.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Proclamação da comunhão - I João 1:3

“Proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.” (1 João‬ ‭1:3‬)

As polarizações ideológicas de natureza política, econômica, social, religiosa, teológica, enfim, estão cada vez mais visíveis. O espírito bélico por detrás de nomenclaturas intelectualizadas como direita, esquerda, centro, liberal, progressista, conservador, moderado, fundamentalista, calvinista, arminiano, reformado, são pontas de icebergs dos muros que nos separam.

Conquanto diferentes em natureza e grau, os conflitos sempre existiram, inclusive onde haviam "dois ou três" reunidos com Jesus ou em seu nome. Tiago, João e os discípulos disputando lugares de prestígio; judeus de fala grega e de fala hebraica em Jerusalém; Paulo e Barnabé decidindo viagens missionárias;  irmãs da igreja filipense; João e Diótrefes, enfim, são exemplos disso.

Cientes desse potencial humano para conflitos, a finalidade de produzir comunhão da proclamação das igrejas merece ênfase. O "para que" da proclamação - gerar comunhão - precisa muito ser mais acentuado. Se a comunhão não for a ideologia norteadora da proclamação da igreja, a própria existência dela - igreja - pode produzir efeitos opostos aos de sua edificação por Jesus.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Vida eterna (II) - I João 1:2:

“A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada.” (1 João‬ ‭1:2‬)

Se a vida eterna se manifestou, foi vista e dela pode-se testemunhar, isso indica , mais uma vez, que ela deve ser tratada não somente como uma expectativa futura, mas também como uma possibilidade presente. Por ser uma realidade já constatada no passado, em Jesus, ela pode ser narrada no presente como guia de nossas vidas.

Se a vida eterna, que estava com o criador, manifestou-se em Jesus, já não há necessidade de especulações, muito menos floreamentos, sobre como seria a vida "no céu" e, muito menos, quem iria "para o céu". A vida " no céu" é a vida plena em Jesus. Vai "encontrar-se no céu", quem se encontra com Jesus.

Se a vida eterna manifestou-se na vida de Jesus, disso decorre que o querigma, a proclamação da igreja, é a vida "de Jesus" e "em Jesus". O didaquê, o discipulado promovido pela igreja, é o da identificação de cada um com a vida de Jesus, encarnação da vida eterna, manifesta por Deus a nós. 

domingo, 23 de julho de 2017

Palavra da vida (II) - I João 1:1

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam—isto proclamamos a respeito da Palavra da vida.” (1 João‬ ‭1:1‬)

A proclamação do evangelho não é, primeiramente, a proclamação de um texto, mas de uma pessoa, ainda que a fonte mais antiga e segura de informação e o meio mas comum e objetivo disponível sobre esta pessoa, e de mediação com ela, seja um texto. 

O texto em si, entretanto, não é suficiente. Para que o texto cumpra sua finalidade, a manifestação do espirito é essencial, pois o texto também é capaz de matar, mas o espírito de vivificar. Portanto, texto e espírito devem caminhar em harmonia na proclamação. 

Quando texto e espírito andam de mãos dadas, a "palavra de Deus" ganha seu mais profundo sentido: a pessoa de Jesus, o verbo, a palavra, o sentido, que se fez carne e habitou entre nós. Nele encontramos liberdade do legalismo, do antinomismo e do anomismo. Jesus, portanto, é a palavra da vida que proclamamos.

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Espíritos graciosos - Filipenses 4:23

“A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês. Amém.” (Filipenses‬ ‭4:23‬)

Se há um conceito que precisa ser resgatado na vida da igreja, esse conceito é graça. Não como chave de disputas desrespeitosas entre calvinistas e arminianos, nas quais essa palavra comumente passa distante do seu significado, mas como motivadora nos relacionamentos interpessoais dos crentes, nas denúncias dos desvios alheios e na proclamação do caminho de salvação.

Desejar que "a graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês" exige que se reconheça Jesus como um ser, acima de tudo, que se caracteriza como gracioso. Mas, se o foco da fé cristã não for o conhecimento da pessoa de Jesus, suas atitudes, sua ética, sua escala de valores e prioridades, como poderia a graça ser reconhecida?

Se reconhecemos Jesus como sendo gracioso e desejamos que essa graça se faça presente na vida da igreja, faz-se necessário que nos empenhemos em ser agentes de graça, sentindo, pensando, agindo e falando graciosamente. Sem Jesus como foco de  interesse, em vez de generosidade prevalecerá a inveja, em vez de paz reinará a briga, em vez de graça, a desgraça. E o "amém" não será a palavra final.

domingo, 16 de julho de 2017

Santos no palácio - Filipenses 4:22

“Todos os santos enviam saudações, especialmente os que estão no palácio de César.” (Filipenses‬ ‭4:22‬)

Santos e palácios raramente combinam. É que palácios são sede de poder, riqueza e bacanais, elementos com os quais a ótica dos santos difere daqueles que neles reinam. Os que reinam nos palácios geralmente dominam pessoas e organizações em favor de si e dos seus e, se necessário, matam os divergentes.

Santos são amorosos, aguerridos, compassivos, empáticos, justos, solidários e enxergam o outro como semelhante, empenhando-se sempre para que todos tenham oportunidade de alcançar vida digna. São mais propensos a dar a própria vida do que tirá-la de alguém. Sentem  prazer possibilitando que o outro supere suas dores e tenha suas necessidades supridas.

Quando santos entram em palácios, não o fazem para se tornar reis-déspotas, mas servos-subversivos. Não podendo negar suas naturezas, sempre estarão procurando um jeito de utilizar poder e riqueza em favor de todos, especialmente dos mais necessitados. Que muitos santos nos saúdem dos palácios.

sábado, 15 de julho de 2017

Missão da igreja e discipulado

Compartilho esta palavra sobre missão das igrejas no mundo, girando em torno da idéia de fazer discípulos que são, fazem  e falam baseados nas atitudes, na ética e nos compromissos de Jesus.

Se você puder investir um tempo para ouví-la e der um retorno, especialmente naquilo que discorda ou não está claro, eu agradeceria. Isso me ajudaria a tratar do assunto de maneira melhor no meu ministério pastoral e nas prédicas e preleções que faço.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Todos os santos - Filipenses 4:21

“Saúdem a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo enviam saudações." (Filipenses‬ ‭4:21‬)

Na cultura religiosa brasileira, podemos destacar pelo menos três tipos de santos: 1) os que são aprendizes em sua religião, ensinados por um chamado "pai"; 2) os que são reconhecidos em sua religião depois de mortos, por bem feito extraordinário e transformados em intercessores perante Deus; 3) os que são declarados santos em sua religião durante sua vida, mesmo sem méritos pessoais, por confiarem no ministério sacrificial de Jesus Cristo.

A definição do conceito "santo" também pode se dar de pelo menos 3 maneiras: 1)  alguém dotado de poder especial; 2) alguém que se dedica exclusivamente a causas religiosas; 3) alguém que cultiva vida saudável em si e pelos outros, em todas as dimensões, movido pela comunhão com Jesus de Nazaré.

A compreensão da fé como sendo inclusiva, ié, que "em Cristo Jesus" os seres humanos - homens e mulheres - são recolocados em situação de igualdade essencial, reconhecidos como criados a imagem e semelhança de Deus, abrindo-lhes o caminho para uma vida saudável, em todas as suas dimensões - corporal, espiritual, emocional, política, econômica, enfim - tem sido abraçada por mim como a que melhor supre nossas necessidades.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Glórias a Deus - Filipenses 4:20

“A nosso Deus e Pai seja a glória para todo o sempre. Amém.” (Filipenses‬ ‭4:20‬)

Deus não precisa de bajulação, portanto não precisa de bajuladores. Elogio, louvor a Deus, é um desejo humano, não uma necessidade divina. Daí Paulo declarar: "Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas.” (Atos‬ ‭17:25‬).

É legìtimo que cada comunidade de fé defina suas manifestaçōes litúrgicas à luz de suas crenças, valores culturais e manifestaçōes estéticas que conseguiu desenvolver. Ridículo é ver pessoas discutindo a respeito de qual estilo de música ou liturgia agrada mais a Deus ou, pior, brigando em torno do "louvor". 

Dar glórias a Deus só faz sentido quando é fruto de reconhecimento sincero da extraordinariedade da vida e não de tentativas inúteis de manipulação divina ou de barganha com Deus. Quando uma pessoa é impactada pela glória de Deus, sua primeira reação é silenciar, encantada. ““O Senhor, porém, está em seu santo templo; diante dele fique em silêncio toda a terra”.” (Habacuque‬ ‭2:20‬).

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Riqueza essencial - Filipenses 4:19

“O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.” (Filipenses‬ ‭4:19)

Jesus, o Cristo, armazena em si as riquezas essenciais de natureza espiritual que Deus disponibiliza para que a humanidade tenha suas necessidades supridas. São essas riquezas que determinam o valor que damos às pessoas, às coisas materiais, ao meio ambiente, enfim,  e a maneira como nos relacionamos com eles.

Quem com Jesus se relaciona, se identifica com suas atitudes e as cultiva, nutrido pela graça, está no caminho para lidar com dinheiro, sexo e poder. Esses três elementos agrupam em si os maiores desafios que todos enfrentamos, ainda que em graus e circunstâncias diferentes, e estão na raiz dos conflitos que nos aterrorizam.

Desafios econômicos, políticos, emocionais, sociais, estruturais, enfim, sempre existirão. Quando, porém, são enfrentados por pessoas cujas atitudes - traduzidas em ética - se harmonizam com as presentes na vida de Jesus, produzem resultados mais favoráveis aos interesses coletivos e ao bem estar comum.

domingo, 9 de julho de 2017

Ofertas ou ofertantes? (II) - Filipenses 4:18

“Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. São uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus." (Filipenses‬ ‭4:18‬)

Se há um tipo de oferta agradável a Deus, provavelmente há uma desagradável. Essa poderia ser a proveniente de ofertantes cuja motivação não fosse abençoar um necessitado ou apoiar uma causa ético-espiritualmente reconhecida como necessária ao bem comum.

Também poderia não ser oferta agadável a Deus aquela cujo meio de levantamento tenha sido movido por sentimentos de disputas partidaristas ou de empoderamento político do doador. Embora somente Deus possa dizer o que lhe agrada, podemos deduzir, à luz do que ele revelou de si mesmo, o que lhe agradaria ou não.

Cabe a cada um avaliar motivos e finalidades das ofertas nas quais se envolve e julgar-se à luz dos valores espirituais que regem o reinado de Deus, visando dar o melhor de si, seja em quantidade ou qualidade. E, se é o beneficiário, que avalie o significado de "necessidade" para si, a fim de que não se torne um peso desnecessário aos outros.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ofertas ou ofertantes? (I) - Filipenses 4:17

“Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês.” (Filipenses‬ ‭4:17‬)

É claro que as palavras de Paulo, neste capítulo, são um excelente meio para fundamentar levantamento de ofertas para causas do reino desenvolvidas pelas igrejas em nossos dias. Entretanto, parece-me, o foco de Paulo não era as ofertas, mas os ofertantes.

Ao destacar as ofertas, Paulo (que no decorrer da carta também destaca atitudes equivocadas dos filipenses que os deixavam em situação de DÉBITO), com o caso destaca mais uma atitude positiva que aumentava o CRÉDITO daquela igreja. Era isto que ele procurava: aumentar o crédito deles, não arrancar mais ofertas.

Nossa história é um balanço contábil. Nela registramos aquilo que aumenta nossos créditos ou débitos. Somos nós, atravez de atitudes, palavras e ações, que determinamos se haverá mais crédito ou débito registrado. Paulo estava valorizando o crédito da igreja. Isso é muito importante nestes dias, quando alguns cristãos enfatizam os "débitos" das igrejas nas mídias (mais para ficar bem na fita com opositores do que para ajudar na correção) e pouco ou nada falam de seus créditos.

Ajuda-remuneração - Filipenses 4:16

“pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade.” (Filipenses‬ ‭4:16‬)

Por que a igreja ajudava financeiramente o apóstolo Paulo? A resposta seria porque ele se dedicava à pregação do evangelho. Se esse era o fato, não seria o caso de ajudarmos financeiramente  membros de igrejas que hoje também trabalham incansáveis nas causas do reino?

Paulo "fazia tendas" para auferir renda e sustentar-se, mas as viagens constantes, a dedicação às pessoas (igrejas-povo) e à escrita, além do tempo na prisão, reduziam, suponho, sua possibilidade de ganhos. Daí a necessidade de complemento que só poderia vir daqueles que acreditavam na importância do trabalho feito por ele.

O fato em si, de alguém desenvolver tarefas na igreja, não justifica remuneração, exceto se for essencial ao seu funcionamento, exigir tempo que impeça a pessoa de auferir renda própria, exigir qualificação técnica específica ausente nos demais irmãos ou impor custos fora da normalidade à pessoa. Considere-se ainda que hoje, além da "igreja-povo",  existe a "igreja-instituição" pelas imposições legais de movimentação financeiro-contábil, patrimonial, trabalhista e previdenciária, que exigem mais tempo e qualificação de alguns para cumprí-las.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Generosidade e visão estratégica - Filipenses 4:15

“Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês;” (Filipenses‬ ‭4:15‬)

Há dois tipos de ajuda pessoal que merecem atenção da igreja. Um, é a ajuda a pessoas em situação particular de adversidade econômico-financeira, classificado como de natureza social; outro, a ajuda a alguém que abre mão da produção econômico-financeira para sustento próprio a fim de dedicar-se à promoção do evangelho, classificado como investimento estratégico.

O primeiro tipo - ajuda social -  exige compaixão e lucidez, para avaliar o quadro de alguém que se apresenta necessitado. Compaixão, para ser capaz de colocar-se no lugar da pessoa, de sentir suas dores e motivar-se a ajudar. Lucidez para não ser enganado por aqueles que agem de má-fé visando subtrair dinheiro da igreja.

O segundo tipo - investimento estratégico - exige visão das necessidades humanas e reconhecimento da seriedade e qualidades de pessoas vocacionadas que se propõem a dedicar-se ao suprimento dessas necessidades. A igreja filipense parece ter sido pioneira, por sua generosidade e visão, a investir estrategicamente em Paulo, exemplo que merece ser reconhecido e seguido.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Um apelo aos pastores sobre política

Quando ouço ou leio um pastor defendendo que a mensagem do evangelho é apenas pra vida após a morte do corpo, alienando sua igreja, com seus ensinos, da participação nas questões político-econômico-sociais ou, pior, criticando e difamando os colegas que, diferente dele, estimulam os crentes a exercerem a cidadania integral (espiritual, emocional, artística, econômica, política, social...), fico me perguntando:
1. Ele é ignorante?
2. Ele é covarde?
3. Ele teme os que comandam (não necessariamente os que ocupam os cargos) seu sistema religioso-denominacional?
4. Ele está agindo de má-fé para explorar os membros da igreja?
5. Ele tem consciência de que o seu salário faz parte de um sistema político-econômico e não religioso-celestial?
6. Ele sabe que os dízimos dos membros da igreja nascem da produção deles dentro do sistema econômico e não do religioso-celestial?
7. Ele sabe que  o paletó, a gravata, a camisa, a calça, a cueca, as meias, os sapatos que ele usa nascem na produção econômica e não religioso-celestial?
8. Ele sabe que o aluguel da casa dele, a roupa, a comida, os estudos dos seus filhos, o transporte, tudo, enfim, em torno do qual sua vida gira, é fruto da atividade econômica dos membros da igreja  e não de atividade religioso-celestial?
9. Ele sabe que a própria atividade religiosa que ele dirige faz parte da máquina econômica ao produzir bíblias, livros, partituras, instrumentos musicais, púlpitos, bancadas, cadeiras, equipamentos eletrônicos, de som, de ceia, de batismos, gerando emprego, renda, lucro aos que nela trabalham?
10. Ele sabe que a programação da igreja dele alimenta serviços de hotelaria, acampamentos, salões de festas, centros de convenções, empresas de transportes viários, aéreos, marítimos,  etc, etc, etc, elementos que fazem a economia girar, gerando salários e, desses, dízimos que são entregues, inclusive para que ele receba seu salário?
11. Ele, que só fala do céu, aliena a igreja e critica seus colegas é ignorante, covarde ou de ma-fé, quando não vê que a economia não funciona apenas em torno da iniciativa de cada um, mas sob leis do Estado?
12. Ele sabe que essas leis não caem do céu, mas são fruto de embates políticos entre fortes interesses divergentes ou, quando convergentes, têm representado mais os interesses de quem as faz - os vereadores, deputados e senadores - ou de quem financia a campanha eleitoral de quem as faz, inclusive contra os interesses do povo?

Pastor, meu colega, se você não se sente preparado ou não fala sobre isso com sua igreja com medo dos poderosos da política religioso-denominacional, partidária ou econômica, pelo menos coloque-se em ORAÇÃO diante de Deus e DECIDA não enganar os membros de sua igreja ou criticar seus colegas. Isso já é um grande passo.

Um dia você estará diante de Deus para prestar contas do seu ministério e, acredito, muito menos do que a quantidade de pessoas que te ouviu dominicalmente ou do que a quantidade de eventos eclesiástico-denominacionais nos quais você falou ou assistiu, ou ainda menos do que a quantidade de dinheiro que você colaborou para que sua igreja levantasse para sustentar "a obra", você prestará contas da alienação e difamação que promoveu e da covardia que não superou, prejudicando a vida abundante que Jesus veio trazer a este mundo.

A vida dos membros de sua igreja, futura e presente, é do interesse de Deus. Todas as dimensões da vida dos membros de sua igreja - não só a espiritual - fazem parte do interesse de Deus. Não foi o diabo quem nos criou como seres artísticos, políticos, econômicos, sociais, emocionais, etc.. Isso nós lemos nas Escrituras e vemos na vida de Jesus.

Peça, então, ao Espírito Santo de Deus que tê de coragem, que ilumine a sua mente e que encha seu coração de honestidade, empatia e compaixão pra não alienar, iludir ou enganar os membros de sua igreja e, assim, possa dizer ao final de cada etapa de trabalho que realiza o mesmo que Paulo disse:  "Vocês sabem como vivi todo o tempo em que estive com vocês, desde o primeiro dia em que cheguei à província da Ásia. Servi ao Senhor com toda a humildade e com lágrimas, sendo severamente provado pelas conspirações dos judeus. Vocês sabem que NÃO DEIXEI DE PREGAR A VOCÊS NADA QUE FOSSE PROVEITOSO, mas ensinei tudo publicamente e de casa em casa. Testifiquei, tanto a judeus como a gregos, que eles precisam converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus." (Atos‬ ‭20:18-21‬).

Pense nisso, meu colega!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Interesse pelo outro (II) - Filipenses 4:14

“Apesar disso, vocês fizeram bem em participar de minhas tribulações.” (Filipenses‬ ‭4:14‬)‬‬

É comum, diante de nossas aflições, nos empenhamos em solucionar o problema sem ajuda alheia. Admitir a situação adversa e buscar a superação por meios próprios é uma maneira de reafirmar a autonomia. Recusar ajuda, entretanto, não é uma postura adequada. 

Recusar ajuda pode ser sinal de arrogância,  sentimento que não é benéfico nem pra quem está em aflição, nem à construção de relacionamentos interpessoais saudáves. Pior ainda é tratar com desprezo uma manifestaçåo de generosidade. Daí Paulo, embora tenha aprendido a adequar-se a quaisquer situações, reconhecer a importância da solidariedade filipense.

Participar das aflições alheias, ajudando em sua superação, é um ato de bondade. Aceitar a ajuda é uma maneira de valorizar uma ação necessária em sociedades nas quais, por razões que não vem ao caso, se gera cada dia mais pessoas indiferentes a quem está ao redor.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Poder - Filipenses 4:13

“Tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses‬ ‭4:13‬)

A relação com Jesus não é uma redoma que nos envolve em um mundo de prosperidade e conforto, isolado das duras e dolorosas realidades que caracterizam a vida terrena. Tanto a vida e os ensinos de Jesus sobre perseguições e aflições, quanto nossa própria experiência de prosperidade e empobrecimento, saúde e doença, satisfação e insatisfação, demonstram isso.

"Tudo posso", nada tem a ver com poder para viver tudo, muito menos somente, o que se sonha ou se deseja. "Tudo posso" tem a ver com poder para conviver com o nada ter e até com tudo que não se deseja ter. Portanto, quem se propõe a seguir Jesus (não pastores da falsa prosperidade) não se alimenta de ilusões.

O que a vida em Jesus alimenta é a confiança na graça e no poder soberanos de Deus, é a esperança na ressurreição, é a reorientação de nossa escala de valores espirituais e a promessa de capacidade para enfrentar com coragem adversidades inerentes à humanidade. Foi por Jesus que Paulo disse: “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece." (Filipenses 4:12-13)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Ter - Filipenses 4:12

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” (Filipenses‬ ‭4:12‬)

Viver contente não é viver sorrindo, mas saber enfrentar de maneira adequada, sem "perder a graça", as "bi-polaridades" relacionadas ao TER, as quais estamos sujeitos na vida. É que, em torno do TER e do NÃO TER gira nosso cotidiano. (Não por acaso, a economia é o centro de nossas ocupações). 

TER comida, água, abrigo, roupa, ruas, transporte, companhia, enfim, em quantidade e qualidade que atenda nossas necessidades, ocupa esforços humanos individuais e coletivos. Essas necessidades se agravam ou melhoram, dependendo do critério que rege a escolha de cada um, se físico, emocional, político, social, etc.

O TER tem poder estruturador e desestruturador em nossas vidas. 
Quem não é capaz de se relacionar com o ele, não está preparado para viver. Por isso, lidar com o TER é um aprendizado que merece atenção. Paulo APRENDEU o segredo.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Adaptação - Filipenses 4:11

“Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância." (Filipenses‬ ‭4:11‬)

Necessidades, todos temos. Precisar de ajuda, todos precisamos. A questão é que, diante de necessidades, o primeiro caminho trilhado por alguns é sempre buscar ajuda e isso também tem um preço. Quem escolhe essa atitude é semelhante a quem opta por buscar empréstimos quando as despesas se tornam maiores do que as receitas. É uma saída, mas há um preço: juros.

Paulo parece ter aprendido o caminho inverso. Em vez de depender da ajuda externa, optou por fazer cortes nas despesas. Isso é capacidade de adaptação. É um aprendizado e também tem um preço. Se também tem um preço, qual seria a vantagem? A vantagem é não tornar-se dependente - e doente - por falta de alternativa. 

Receber ajuda não é problema. Até pode ser uma oportunidade de fazer feliz a pessoa que quer ajudar. Mas, se não há quem ajude ou se quem ajuda o faz pensando em um retorno emocional, político ou financeiro caro, ser capaz de ajustar a vida à realidade é sinal de inteligência, saúde, autonomia. Adaptação nesse caso não é conformismo, mas o preço da liberdade para reposicionar-se sem angustiar-se, sem tornar-se infeliz e adoecer.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Interesse pelo outro - Filipenses 4:10

“Alegro-me grandemente no Senhor, porque finalmente vocês renovaram o seu interesse por mim. De fato, vocês já se interessavam, mas não tinham oportunidade para demonstrá-lo.” (Filipenses‬ ‭4:10‬)

Igreja é formada por indivíduos cujos comportamentos não são uniformes, nem para o bem, nem para o mal. Quando uma igreja é identificada como comprometida, por exemplo, com proclamação, causas sociais, não siginifica que todos os membros (ou líderes) são comprometidos. Significa que uma maioria é comprometida (ou uma propaganda enganosa a torna assim conhecida).

O caso da igreja filipense não era diferente. Se assim não fosse, seria desnecessária esta recomendação inicial de Paulo: "Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses‬ ‭2:4‬). Havia em seu seio pessoas desinteressadas pelo outro ou até, noutro extremo, egoístas mesmo.

Mas, parece-nos, o grupo de altruístas predominava. Assim cremos, tanto pelo comportamento relacionado a Epafrodito, quanto a Paulo,  mencionados na carta. Isso deve ser cultivado por nós, valorizado e estimulado em nossas igrejas, pois uma das maiores necessidades em nossos dias é de pessoas com espírito público, que pensa no bem comum e não apenas em si.

domingo, 25 de junho de 2017

Modelo prático - Filipenses 4:9

“Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês.” (Filipenses‬ ‭4:9‬)

Nossa prática revela quais modelos norteiam nossas ações. É que, por detrás de tudo que sentimos, pensamos, falamos ou fazemos, existem modelos que em nós foram introjetados culturalmente desde o nosso nascimento, através das interações vividas com as realidades do cotidiano.

O modelo de atitudes de Jesus funciona como um contramodelo, uma espécie de contracultura positiva às culturas negativas presentes em nós e nos relacionamentos de diversas naturezas que caracterizam e prejudicam nossas vidas.

Paulo se empenhou em identificar-se com Jesus, por isso coloca-se como um modelo objetivo, presente, a ser seguido pela igreja, numa época em que o que se sabia de Jesus era via transmissão oral. Seu objetivo com isso era ajudar a igreja a ser, em seu viver diário,  uma manifestação da presença divina, tanto em si mesma quanto no mundo ao seu redor.

sábado, 24 de junho de 2017

Amigos

Amigos
(Estar no Recife, rever tantas pessoas amigas, abraçar e ser abraçado, ter a sensação de acolhimento, levou-me a colocar em palavras um pouco do meu sentimento)

Amigos são amigos
Nem precisam dizer que são
Nem precisam te chamar de amigos
Eles são, simplesmente são
São amigos, porque são.

Eles não estão conosco todas as horas
Mas quando deles precisamos
Com eles podemos contar todas as horas.

Eles não silenciam para nos agradar
Eles não silenciam para conflitos evitar
Quando sabem que precisamos ouvir
Ali estão para falar
E quando precisam nos ouvir
Ficam atentos sem recriminar.

Com eles nossos corações aceleram
Com eles nossos rostos relaxam
Com eles nossas lágrimas escorrem
Com eles nossos corpos se abraçam.
Com eles nossos lábios oram
Com eles nossas tristezas evaporam
Com eles nossas mãos agradecem
Com eles nossos pés se revigoram.
Com eles nossos rancores se derretem
Com eles nossas esperanças renascem
Com eles nossas almas se acalmam
Com eles nossa solidão desaparece.

Eles estão marginalizados?
E daí, caminhamos lado a lado!
Eles estão no auge da fama?
E dai, caminhamos lado a lado!
Eles estão endinheirados?
E daí, caminhamos lado a lado!
Eles pisaram na bola?
E daí, caminhamos lado a lado!
Eles estão endividados?
E daí, caminhanhamos lado a lado!
Eles cometeram pecado?
E daí, caminhamos lado a lado!
Eles estão em momento de graça?
E daí, caminhamos lado a lado!

Não estamos com eles pelo que ganhamos,
Nem estamos com eles pelo que perdemos.
Estamos com eles porque nos amamos
Estamos com eles porque acreditamos.
Acreditamos que a amizade
A verdadeira amizade
É caminho inigualável 
De produção de bem estar
De produção de felicidade.

Amigos também se entristecem
Amigos também se enraivecem
Amigos também se amedrotam
Mas a alegria de amigos, prevalece.
Porque só é capaz de ser amigo
Aqueles em quem o amor não adormece.

No vocabulário de amigos
Os sentimentos disparam
Com o apertar do gatilho.

O aperto da palavra dor
Dispara a  manifestação de solidariedade
O aperto da palavra solidão
Dispara o desejo de fazer companhia
O aperto da palavra vacilo
Dispara a oportunidade de reavaliação
O aperto da palavra alegria
Dispara a necessidade de celebração
Para cada palavra que um lado expressa
Do outro, dispara uma conexão.

Amigos não se abandonam
Amigos não se esquecem
A distância os separam
Mas a amizade permanece.
Ainda que não se comuniquem
E cinzas comecem a aparecer
Basta um sussurro da voz
Para uma brasa brilhar
Para uma labareda surgir
E o coração despertar
E a amizade renascer.

Até Jesus de Nazaré
Que teve poderes nas mãos
Que o mundo teve a seus pés
Que foi mestre de muita gente
Que da humanidade é salvador
Entre mandar e ser obedecido
E de servos ser o senhor
Optou por fazer amigos
Pois era movido a amor.
Preferiu a amizade
Dos que estavam ao seu redor
Preferiu chamar de amigos
Os que com ele seguiam
Pois de tudo neste mundo
Que contribui à felicidade
Nada há mais valioso
Do que uma boa amizade.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Pensamentos - Filipenses 4:8

“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” (Filipenses‬ ‭4:8‬)

O que pensamos, juntamente com o que sentimos, determina como nos comportamos. Daí a importância desse texto que não é, em hipótese alguma, um estímulo à repressão do pensamento. Até porque, a experiência prova: quanto mais o reprimimos ou tentamos negá-lo, mais força ele ganha e nos angustia.

Admitir o pensamento, analisar as possíveis causas dele "não sair de nossa cabeça", certificar-se de seus efeitos no mundo objetivo e administrá-lo com tranquilidade, é a atitude mais adequada. Se você não pode, como teria dito Lutero, impedir que um pássaro pouse em sua cabeça, pode impedí-lo de fazer ninho. Portanto, administrá-lo,  não reprimí-lo, é papel nosso.

Não compete a terceiros, então, gerenciar, muito menos controlar, nossos pensamentos. Cabe somente a nós avaliar e cuidar do que se passa em nossa mente. O que o texto bíblico nos fornece são critérios norteadores, balizadores, que nos ajudam a decidir quais devem ser alimentados e quais evitados, para o nosso bem e dos que nos cercam.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Paz de Deus - Filipenses 4:7

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” (Filipenses‬ ‭4:7‬)

A paz de Deus, à luz desta carta, não parece decorrer pura e simplesmente de uma atividade mística - embora a mística seja parte inseparável da fé - mas de uma relacão de obediência mantida com o senhor Jesus, como obediente ele foi à sua missão.

O conhecimento das atitudes mantidas por Jesus em sua missão - amabilidade, alegria, humildade, serviço, etc - e a disposição para desenvolver em si essas mesmas atitudes, são geradores de pessoas em paz consigo mesmas e de relacionamentos caracterizados pela paz, denominada por Paulo como "paz de Deus".

Essa paz é, primeiramente,  uma experiência do indivíduo que  confia em Jesus - não em preceitos impostos por religião instituiconalizada - e o tem como seu modelo de atitudes. E, depois, uma experiência entre indivíduos, isto é, uma paz comunitária. Finalmente, parece exceder o entendimento por ser baseada na graça, não na tradição vigente.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Sociedade ansiosa - Filipenses 4:6

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.” (Filipenses‬ ‭4:6‬)

Vivemos em uma sociedade que nos convence da necessidade de termos o que não necessitamos, que nos aterroriza com notícias que maximizam nossa insegurança no presente, que desvaloriza e desestrutura os vínculos familiares de cuidado mútuo que nos sustentam, e cria horizontes previdenciârios nebulosos, tudo para nos vender seus produtos, enriquecendo seus fabricantes. Tornamo-nos assim, por essas e outras, uma sociedade ansiosa.

A ansiedade que, até determinado grau, traz consigo aspectos positivos e nos impulsiona para conquistas, acaba se tornando um transtorno que atinge milhões de pessoas dependentes de medicamentos da bilionâria industria farmacêutica.

Em que pese nossa gratidão pela saída medicamentosa que alivia a dor, ainda que angustie o bolso, a recomendação bíblica atinge frontalmente um dos pilares da ansiedade ao nos estimular a inverter nossos valores espirituais - o que era lucro passa a ser cocô -, a aprender a conviver adequadamente com a realidade e a depositar nossa confiança no Senhor, "pela oração e súplicas, e com ação de graças.".

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Famosos pelo amor - Filipenses 4:5

“Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor.” (Filipenses‬ ‭4:5‬)

Pense em uma recomendação contida na Bíblia que deveria ser a mais enfatizada pelas igrejas em todos os tempos e lugares, mas de maneira especial em nossos dias. Essa é justamente a de que nossa amabilidade deveria ser conhecida por todos. Porém não é isso que parece estar acontecendo.

A deduzir do que lemos nas redes sociais ou em determinados documentos eclesiásticos, o que tem se tornado conhecido de parcela significativa das igrejas é, por exemplo, o desrespeito às pessoas e a consequente intolerância que isso acarreta, um moralismo desvinculado de ética, o pedantismo e a hipocrisia religiosos, a alienação frente ao sofrimento alheio, o silêncio diante da corrupção econômico-financeira que corrói a vida e a conivência com poderes opressores.

A amabilidade que se manifesta no interesse pela construção de relacionamentos saudáveis em todas as dimensões da vida  humana, tem ficado distante de ser motivo de fama da igreja. É hora de focarmos nossa atenção nessa recomendação paulina e voltar a viver e cantar canções como: "Lado a lado haveremos todos de trabalhar, lado a lado haveremos todos de trabalhar, uns aos outros honrando vamos nos respeitar. Pelo amor conhecido é o cristão, pelo amor. Pelo amor conhecido é o cristão".

domingo, 18 de junho de 2017

Fonte de alegria - Filipenses 4:4

“Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!” (Filipenses‬ ‭4:4‬)

Somos espiritual, emocional, politicamente, enfim, aquilo de que nos alimentamos. Se nos alimentarmos de justiça, construimos sociedades de paz. Se nos alimentarmos de disputas, construimos praças de guerra. Se nos alimentarmos de graça, nos tornamos pessoas alegres. Se nos alimentarmos de rancor, nos tornamos poços de amargura. Não seremos diferentes daquilo de que nos alimentarmos.

Se estamos insatisfeitos ou infelizes com nossas vidas, é essencial conferir a fonte do alimento com que estamos nos nutrindo. Da mesma forma como "quem semeia para a sua carne da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito do Espírito colherá a vida eterna." (Gálatas‬ ‭6:8‬), assim ocorre também em relação à fonte de alimentos de nossas almas.

A comunhão sincera com o Senhor Jesus - não com uma instituição religiosa - é fonte de superação da inveja, da ambição egoista e dos rituais religiosos que nos dividem e nos entristecem e fonte que alimenta nossa disposição para amar e servir, gerando em nós e entre nós a alegria. Daí a recomendação de Paulo: “Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!”

sábado, 17 de junho de 2017

Companheiro leal - Filipenses 4:3

“Sim, e peço a você, leal companheiro de jugo, que as ajude; pois lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida.” (Filipenses‬ ‭4:3‬)

Companheiro é figura rara, numa cultura em que as relações interpessoais importam somente pelos benefícios que delas se pode extrair e não pelo que a elas também se pode dar. Ajudar alguém, pelo prazer de ajudar, sem condicionar ao recebimento de benefícios político-materiais, parece tornar-se cada dia mais difícil e estranho.

Mais raro ainda é encontrar companheiros que sejam leais, isto é, pessoas nas quais se pode confiar, que não agem traiçoeiramente, que não te exporão ao ridículo ou, como se diz popularmente, não te puxarão o tapete. Difícil inclusive dentro de comunidades de fé pela falta de clareza nos valores espirituais cultivados ou pela simples inversão deles.

Todos precisamos de ajuda, seja em favor de si, seja em favor de uma causa que abraçou. Paulo estava recorrendo a alguém que pudesse ajudar na equação de um conflito entre pessoas que conheciam o evangelho e por ele lutava, mas que não estavam conseguindo viver em harmonia. Pedia ajuda por ter um companheiro classificado como leal. Que bom!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Harmonia - Filipenses 4:2

“O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em harmonia no Senhor.” (Filipenses‬ ‭4:2‬)

Harmonia é o que todos desejamos. Ela estimula a produção de serotonina, causando sensação de prazer, de bem estar. Embora desejada, seja em nossa vida interior, nos relacionamentos interpessoais e na convivência sócio-ecológica, experimentá-la é um desafio constante, simplesmente porque a vida é, por sua constituição, potencialmente dissonante.

Conflitos são inerentes a todos os relacionamentos. A quantidade e qualidade de variáveis que envolvem as relações humanas são tantas - sentimentos, pensamentos, cheiros, sons, espaços, tempos, temperaturas, climas, interesses, valores, palavras, gostos, dores, etc. - que não seria exagero afirmar que a harmonia é um milagre. Conflitos, porém, geram stress, estimulam a produção do cortisol, da adrenalina e da noradrenalina que, exagerados, adoecem o corpo.

Conflitos na igreja não é privilégio só da sua igreja. Ele sempre esteve presente em todas, de todas as épocas e lugares. A solução apresentada por Paulo para minimizar conflitos e maximizar a harmonia é colocar Jesus como eixo comum. Como em uma roda de bicicleta, quanto mais nos afastamos do eixo, mais nos afastamos uns dos outros e vice-versa. Com Jesus os conflitos não desaparecerão, mas deixarão de ser patológicos, doentios.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Desafio consistente - Filipenses 4:1

“Portanto, meus irmãos, a quem amo e de quem tenho saudade, vocês que são a minha alegria e a minha coroa, permaneçam assim firmes no Senhor, ó amados!” (Filipenses‬ ‭4:1‬)

Todos passamos por experiencias que colocam em xeque nossa fé. Elas podem afetar nosso modo de pensar ou sentir e prejudicar nossa relação com Deus, com as pessoas e com a vida em suas múltiplas dimensões. 

Nessas horas, ouvir palavras de ordem como "não desista" ou "fique firme", faz bem. Mas, mais importante é contar com alguém que nos ama, nos respeita e efetivamente quer o nosso bem, para nos ajudar a compreender a experiência, digerí-la e superá-la de maneira saudável.

A igreja filipense passava por experiências desafiadoras que envolviam doutrina e ética, afetando sua alegria e comunhão. Paulo apontou os problemas, analisou-os, indicou a solução e desafiou-a a permanecer firme. O desafio não foi vazio. Seu conteúdo foi consistente e continua sendo válido ainda hoje.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Poder para mudar - Filipenses 3:21

“Pelo poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do seu domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao seu corpo glorioso.” (Filipenses‬ ‭3:21‬)

Há esperança para você e para mim. Isso porque há um poder maior interessado em transformar nossas vidas. É o mesmo poder que atuou em Jesus de Nazaré.

Não se angustie, portanto, diante dos desafios de sua vida pessoal, nem desanime diante dos gigantescos problemas sociais que assustam-nos nas sociedades.

Relacione-se em confiança com Jesus de Nazaré, inspire-se nas atitudes dele como norte para sua vida e estará no caminho saudável, ainda que por vezes pedregoso e íngreme, que vale a pena trilhar.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Acerte seu alvo

Decidir é fundamental.

Foque em um alvo principal e atire.

Ninguém leva VANTAGEM em todos os detalhes de uma decisão ACERTADA, nem DESVANTAGEM em todos os detalhes de uma decisão ERRADA. 

O importante é acertar o alvo principal e estar pronto para administrar os efeitos colaterais benéficos e maléficos que sempre ocorrerão.

Diferente da "Lei de Gerson", o importante é acertar o alvo principal e não levar vantagem em tudo sempre.

Esqueça. Jamais alguém leva vantagem em tudo o que decide fazer. Importante é ter clareza do alvo principal e o máximo de clareza possível dos efeitos negativos decorrentes de querer atingí-lo. Se acertar o principal compensa, pra si e para os que te cercam, dispare.

Se conseguir acertar o alvo principal, regozije-se. Quem se guia pelas possíveis perdas menores, jamais  avança na vida.

Se errar o alvo principal, "tente outra vez". Mas antes, estude melhor, treine mais e então vá à luta novamente. "Desesperar, jamais". Desistir, então, fora de cogitação!

Quem tem medo de errar, medo de perder, medo de sofrer, está despreparado pra vencer. O alvo principal, nesse caso, deve ser vencer a fobia, o medo do medo. 

Não tenha dúvida de que vale a pena transformar a vitória sobre o medo em alvo principal, pois enquanto o medo não for derrotado o amor não floresce e sem amor, nenhum alvo vale a pena.

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Se o medo for o seu caso, eis o caminho que encontrei para vencê-lo.

“Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. 

Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. 

Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. 

No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 João‬ ‭4:15-19‬)

Lembre-se sempre:

“Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.” (2 Timóteo‬ ‭1:7‬)

Cidadania: origem e valor - Filipenses 3:20

“A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” (Filipenses‬ ‭3:20‬)

Assim como o reinado é de Deus, também dele advém nossa cidadania. É do seu trono, usando aqui uma imagem bíblico-monárquica, que brotam os valores espirituais que devem reger direitos e deveres norteadores de nossas vidas neste planeta.

A afirmação paulina, portanto, não deve ser entendida como um discurso alienante que desconsidera a cidadania no aqui e agora. Suas palavras assim foram proferidas em função de posicionamento oposto a esse dentre os filipenses, isto é, de considerar somente o aqui e agora e desconsiderar o lá e depois, postura essa que gerava atitudes, palavras e ações nocivas no presente.

O aqui e o lá, o agora e o depois, devem estar integrados na construção de nossa cidadania. A negação ou supervalorização de um em detrimento, em prejuizo, do outro desqualifica nossa caminhada comum gerando igrejas e outras sociedades doentias, caracterizadas por desamor, injustiças, desrespeito, corrupção, enfim.