sexta-feira, 23 de junho de 2017

Pensamentos - Filipenses 4:8

“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” (Filipenses‬ ‭4:8‬)

O que pensamos, juntamente com o que sentimos, determina como nos comportamos. Daí a importância desse texto que não é, em hipótese alguma, um estímulo à repressão do pensamento. Até porque, a experiência prova: quanto mais o reprimimos ou tentamos negá-lo, mais força ele ganha e nos angustia.

Admitir o pensamento, analisar as possíveis causas dele "não sair de nossa cabeça", certificar-se de seus efeitos no mundo objetivo e administrá-lo com tranquilidade, é a atitude mais adequada. Se você não pode, como teria dito Lutero, impedir que um pássaro pouse em sua cabeça, pode impedí-lo de fazer ninho. Portanto, administrá-lo,  não reprimí-lo, é papel nosso.

Não compete a terceiros, então, gerenciar, muito menos controlar, nossos pensamentos. Cabe somente a nós avaliar e cuidar do que se passa em nossa mente. O que o texto bíblico nos fornece são critérios norteadores, balizadores, que nos ajudam a decidir quais devem ser alimentados e quais evitados, para o nosso bem e dos que nos cercam.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Paz de Deus - Filipenses 4:7

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” (Filipenses‬ ‭4:7‬)

A paz de Deus, à luz desta carta, não parece decorrer pura e simplesmente de uma atividade mística - embora a mística seja parte inseparável da fé - mas de uma relacão de obediência mantida com o senhor Jesus, como obediente ele foi à sua missão.

O conhecimento das atitudes mantidas por Jesus em sua missão - amabilidade, alegria, humildade, serviço, etc - e a disposição para desenvolver em si essas mesmas atitudes, são geradores de pessoas em paz consigo mesmas e de relacionamentos caracterizados pela paz, denominada por Paulo como "paz de Deus".

Essa paz é, primeiramente,  uma experiência do indivíduo que  confia em Jesus - não em preceitos impostos por religião instituiconalizada - e o tem como seu modelo de atitudes. E, depois, uma experiência entre indivíduos, isto é, uma paz comunitária. Finalmente, parece exceder o entendimento por ser baseada na graça, não na tradição vigente.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Sociedade ansiosa - Filipenses 4:6

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.” (Filipenses‬ ‭4:6‬)

Vivemos em uma sociedade que nos convence da necessidade de termos o que não necessitamos, que nos aterroriza com notícias que maximizam nossa insegurança no presente, que desvaloriza e desestrutura os vínculos familiares de cuidado mútuo que nos sustentam, e cria horizontes previdenciârios nebulosos, tudo para nos vender seus produtos, enriquecendo seus fabricantes. Tornamo-nos assim, por essas e outras, uma sociedade ansiosa.

A ansiedade que, até determinado grau, traz consigo aspectos positivos e nos impulsiona para conquistas, acaba se tornando um transtorno que atinge milhões de pessoas dependentes de medicamentos da bilionâria industria farmacêutica.

Em que pese nossa gratidão pela saída medicamentosa que alivia a dor, ainda que angustie o bolso, a recomendação bíblica atinge frontalmente um dos pilares da ansiedade ao nos estimular a inverter nossos valores espirituais - o que era lucro passa a ser cocô -, a aprender a conviver adequadamente com a realidade e a depositar nossa confiança no Senhor, "pela oração e súplicas, e com ação de graças.".

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Famosos pelo amor - Filipenses 4:5

“Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor.” (Filipenses‬ ‭4:5‬)

Pense em uma recomendação contida na Bíblia que deveria ser a mais enfatizada pelas igrejas em todos os tempos e lugares, mas de maneira especial em nossos dias. Essa é justamente a de que nossa amabilidade deveria ser conhecida por todos. Porém não é isso que parece estar acontecendo.

A deduzir do que lemos nas redes sociais ou em determinados documentos eclesiásticos, o que tem se tornado conhecido de parcela significativa das igrejas é, por exemplo, o desrespeito às pessoas e a consequente intolerância que isso acarreta, um moralismo desvinculado de ética, o pedantismo e a hipocrisia religiosos, a alienação frente ao sofrimento alheio, o silêncio diante da corrupção econômico-financeira que corrói a vida e a conivência com poderes opressores.

A amabilidade que se manifesta no interesse pela construção de relacionamentos saudáveis em todas as dimensões da vida  humana, tem ficado distante de ser motivo de fama da igreja. É hora de focarmos nossa atenção nessa recomendação paulina e voltar a viver e cantar canções como: "Lado a lado haveremos todos de trabalhar, lado a lado haveremos todos de trabalhar, uns aos outros honrando vamos nos respeitar. Pelo amor conhecido é o cristão, pelo amor. Pelo amor conhecido é o cristão".

domingo, 18 de junho de 2017

Fonte de alegria - Filipenses 4:4

“Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!” (Filipenses‬ ‭4:4‬)

Somos espiritual, emocional, politicamente, enfim, aquilo de que nos alimentamos. Se nos alimentarmos de justiça, construimos sociedades de paz. Se nos alimentarmos de disputas, construimos praças de guerra. Se nos alimentarmos de graça, nos tornamos pessoas alegres. Se nos alimentarmos de rancor, nos tornamos poços de amargura. Não seremos diferentes daquilo de que nos alimentarmos.

Se estamos insatisfeitos ou infelizes com nossas vidas, é essencial conferir a fonte do alimento com que estamos nos nutrindo. Da mesma forma como "quem semeia para a sua carne da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito do Espírito colherá a vida eterna." (Gálatas‬ ‭6:8‬), assim ocorre também em relação à fonte de alimentos de nossas almas.

A comunhão sincera com o Senhor Jesus - não com uma instituição religiosa - é fonte de superação da inveja, da ambição egoista e dos rituais religiosos que nos dividem e nos entristecem e fonte que alimenta nossa disposição para amar e servir, gerando em nós e entre nós a alegria. Daí a recomendação de Paulo: “Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!”

sábado, 17 de junho de 2017

Companheiro leal - Filipenses 4:3

“Sim, e peço a você, leal companheiro de jugo, que as ajude; pois lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida.” (Filipenses‬ ‭4:3‬)

Companheiro é figura rara, numa cultura em que as relações interpessoais importam somente pelos benefícios que delas se pode extrair e não pelo que a elas também se pode dar. Ajudar alguém, pelo prazer de ajudar, sem condicionar ao recebimento de benefícios político-materiais, parece tornar-se cada dia mais difícil e estranho.

Mais raro ainda é encontrar companheiros que sejam leais, isto é, pessoas nas quais se pode confiar, que não agem traiçoeiramente, que não te exporão ao ridículo ou, como se diz popularmente, não te puxarão o tapete. Difícil inclusive dentro de comunidades de fé pela falta de clareza nos valores espirituais cultivados ou pela simples inversão deles.

Todos precisamos de ajuda, seja em favor de si, seja em favor de uma causa que abraçou. Paulo estava recorrendo a alguém que pudesse ajudar na equação de um conflito entre pessoas que conheciam o evangelho e por ele lutava, mas que não estavam conseguindo viver em harmonia. Pedia ajuda por ter um companheiro classificado como leal. Que bom!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Harmonia - Filipenses 4:2

“O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em harmonia no Senhor.” (Filipenses‬ ‭4:2‬)

Harmonia é o que todos desejamos. Ela estimula a produção de serotonina, causando sensação de prazer, de bem estar. Embora desejada, seja em nossa vida interior, nos relacionamentos interpessoais e na convivência sócio-ecológica, experimentá-la é um desafio constante, simplesmente porque a vida é, por sua constituição, potencialmente dissonante.

Conflitos são inerentes a todos os relacionamentos. A quantidade e qualidade de variáveis que envolvem as relações humanas são tantas - sentimentos, pensamentos, cheiros, sons, espaços, tempos, temperaturas, climas, interesses, valores, palavras, gostos, dores, etc. - que não seria exagero afirmar que a harmonia é um milagre. Conflitos, porém, geram stress, estimulam a produção do cortisol, da adrenalina e da noradrenalina que, exagerados, adoecem o corpo.

Conflitos na igreja não é privilégio só da sua igreja. Ele sempre esteve presente em todas, de todas as épocas e lugares. A solução apresentada por Paulo para minimizar conflitos e maximizar a harmonia é colocar Jesus como eixo comum. Como em uma roda de bicicleta, quanto mais nos afastamos do eixo, mais nos afastamos uns dos outros e vice-versa. Com Jesus os conflitos não desaparecerão, mas deixarão de ser patológicos, doentios.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Desafio consistente - Filipenses 4:1

“Portanto, meus irmãos, a quem amo e de quem tenho saudade, vocês que são a minha alegria e a minha coroa, permaneçam assim firmes no Senhor, ó amados!” (Filipenses‬ ‭4:1‬)

Todos passamos por experiencias que colocam em xeque nossa fé. Elas podem afetar nosso modo de pensar ou sentir e prejudicar nossa relação com Deus, com as pessoas e com a vida em suas múltiplas dimensões. 

Nessas horas, ouvir palavras de ordem como "não desista" ou "fique firme", faz bem. Mas, mais importante é contar com alguém que nos ama, nos respeita e efetivamente quer o nosso bem, para nos ajudar a compreender a experiência, digerí-la e superá-la de maneira saudável.

A igreja filipense passava por experiências desafiadoras que envolviam doutrina e ética, afetando sua alegria e comunhão. Paulo apontou os problemas, analisou-os, indicou a solução e desafiou-a a permanecer firme. O desafio não foi vazio. Seu conteúdo foi consistente e continua sendo válido ainda hoje.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Poder para mudar - Filipenses 3:21

“Pelo poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do seu domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao seu corpo glorioso.” (Filipenses‬ ‭3:21‬)

Há esperança para você e para mim. Isso porque há um poder maior interessado em transformar nossas vidas. É o mesmo poder que atuou em Jesus de Nazaré.

Não se angustie, portanto, diante dos desafios de sua vida pessoal, nem desanime diante dos gigantescos problemas sociais que assustam-nos nas sociedades.

Relacione-se em confiança com Jesus de Nazaré, inspire-se nas atitudes dele como norte para sua vida e estará no caminho saudável, ainda que por vezes pedregoso e íngreme, que vale a pena trilhar.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Acerte seu alvo

Decidir é fundamental.

Foque em um alvo principal e atire.

Ninguém leva VANTAGEM em todos os detalhes de uma decisão ACERTADA, nem DESVANTAGEM em todos os detalhes de uma decisão ERRADA. 

O importante é acertar o alvo principal e estar pronto para administrar os efeitos colaterais benéficos e maléficos que sempre ocorrerão.

Diferente da "Lei de Gerson", o importante é acertar o alvo principal e não levar vantagem em tudo sempre.

Esqueça. Jamais alguém leva vantagem em tudo o que decide fazer. Importante é ter clareza do alvo principal e o máximo de clareza possível dos efeitos negativos decorrentes de querer atingí-lo. Se acertar o principal compensa, pra si e para os que te cercam, dispare.

Se conseguir acertar o alvo principal, regozije-se. Quem se guia pelas possíveis perdas menores, jamais  avança na vida.

Se errar o alvo principal, "tente outra vez". Mas antes, estude melhor, treine mais e então vá à luta novamente. "Desesperar, jamais". Desistir, então, fora de cogitação!

Quem tem medo de errar, medo de perder, medo de sofrer, está despreparado pra vencer. O alvo principal, nesse caso, deve ser vencer a fobia, o medo do medo. 

Não tenha dúvida de que vale a pena transformar a vitória sobre o medo em alvo principal, pois enquanto o medo não for derrotado o amor não floresce e sem amor, nenhum alvo vale a pena.

xxx

Se o medo for o seu caso, eis o caminho que encontrei para vencê-lo.

“Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. 

Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. 

Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. 

No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 João‬ ‭4:15-19‬)

Lembre-se sempre:

“Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.” (2 Timóteo‬ ‭1:7‬)

Cidadania: origem e valor - Filipenses 3:20

“A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” (Filipenses‬ ‭3:20‬)

Assim como o reinado é de Deus, também dele advém nossa cidadania. É do seu trono, usando aqui uma imagem bíblico-monárquica, que brotam os valores espirituais que devem reger direitos e deveres norteadores de nossas vidas neste planeta.

A afirmação paulina, portanto, não deve ser entendida como um discurso alienante que desconsidera a cidadania no aqui e agora. Suas palavras assim foram proferidas em função de posicionamento oposto a esse dentre os filipenses, isto é, de considerar somente o aqui e agora e desconsiderar o lá e depois, postura essa que gerava atitudes, palavras e ações nocivas no presente.

O aqui e o lá, o agora e o depois, devem estar integrados na construção de nossa cidadania. A negação ou supervalorização de um em detrimento, em prejuizo, do outro desqualifica nossa caminhada comum gerando igrejas e outras sociedades doentias, caracterizadas por desamor, injustiças, desrespeito, corrupção, enfim.

domingo, 11 de junho de 2017

Perdidos - Filipenses 3:19

“O destino deles é a perdição, o seu deus é o estômago, e eles têm orgulho do que é vergonhoso; só pensam nas coisas terrenas.” (Filipenses‬ ‭3:19‬)

Invejosos, movidos a disputas sem ética, presos ao aqui e agora; egoistamente ambiciosos, falsos, sádicos, intimidadores, vaidosos, queixosos e dados a serem servidos. Assim eram alguns da igreja filipense, à luz da carta paulina.

A essência do problema, porém, parece-me, não seriam esses característicos. Em toda igreja, de todas as épocas e lugares, marcas como essas são encontradas em maior ou menor grau. Nós somos esse poço de contradições.

Problema seria se considerarem pertencentes a Deus em função de uma cirurgia corporal executada em ritual religioso, rejeitando assim a vida de Jesus e sua ressurreição. Com isso, afastavam-se da ação amorosa de Deus e da possibilidade de libertação. 

sábado, 10 de junho de 2017

Lágrimas - Filipenses 3:18

“Pois, como já disse repetidas vezes, e agora repito com lágrimas, há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo.” (Filipenses‬ ‭3:18‬)

É triste, talvez por isso Paulo tenha ido às lágrimas, mas nem todos os inimigos da cruz estão fora da convivência eclesiástica. Antes, reúnem-se com os membros da igreja, como se dela fossem um, mas suas condutas negam a fé no sacrifício de Jesus na cruz.

Para alguns da igreja filipense, a cruz de cristo era, na prática, um detalhe. Suas vidas não eram regidas pela fé na graça divina, mas por regras religiosas. Não eram cristocêntricos, mas ensimesmados. Não se conduziam por Jesus como referencial de caráter, mas por tradições político-institucionais.

Na versão atual dessa postura, a cruz de Cristo foi trocada por  uma seletiva, mas não menos corporal, cultura bíblico-judaica. Interpretações de um livro, movidas por conveniências político-ideológicas, ocupou o lugar de Jesus. A vida e ensinos do mestre foram substituídos por interesses de iluminadas mentes obscurecidas e sensíveis corações empedernidos.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Conduta padrão - Filipenses 3:17

“Irmãos, sigam unidos o meu exemplo e observem os que vivem de acordo com o padrão que apresentamos a vocês.” (Filipenses‬ ‭3:17‬)

A leitura isolada ou distorcida desse texto poderia levar-nos a pensar em Paulo como um sujeito arrogante que tem a petulância de colocar-se a si mesmo como padrão moral de conduta. O conhecimento, entretanto, daquilo que ele vinha abordando nos revela um caráter diametralmente oposto.

A conduta que ele nos convida a imitá-lo seria : 1) desenvolver atitudes de servo, a exemplo de Jesus; 2) entregar-se, pela fé, à graça divina, em vez de apoiar-se em rituais religiosos; 3) empenhar-se na identificação plena com Jesus, inclusive no sofrimento; 4) ser humilde para admitir que não atingiu seu objetivo espiritual, mas mantém-se decidido a alcançá-lo.

Alegra-me o detalhe de que, na igreja de Filipos, havia mais gente que já vivia esse padrão de conduta. Porém, a leitura ao avesso - afora o que pode ser lido no início da carta -, indica também que nem todos se enquadravam nesse modelo. Como em nossas igrejas isso não é diferente, perguntei-me: com qual dos dois grupos me identifico?

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Julgamento da chapa Dilma/Temer: autoridade do texto legal e do julgador

Vez por outra paro pra ver o julgamento da chapa Dilma/Temer pelo TSE. Algumas impressões:

1. O texto (legal) não tem vontade própria. Presta-se a servir como referência, como rota de discurso, àqueles que têm o poder de interpretar e decidir;

2. O texto (legal) não se impõem isoladamente, como critério de julgamento. Relacionamentos interpessoais, histórico individual, conveniências político-pessoais, interesses eleitoriais e econômicos, enfim, se sobrepõem ao texto;

3. Tanto o texto (legal) quanto os fatos que poderiam condenar ou absolver se tornam secundários frente à vontade preexistente do julgador. O resto é tão somente um jogo de palavra, um exercício linguístico, uma espécie até de masturbação jurídica, um jogo de sena "pra inglês ver". No final, cada um já sabe o que quer movido por razões do "coração" que a própria razão "desconhece" ou não.

4. O texto (legal) continua dependendo do argumento de autoridade (comum na idade média) para se impor, fato observado no valor que se dá ao pensamento, à doutrina elaborada por figuras poderosas, reconhecidas pelo mundo acadêmico, político, enfim, figuras que fazem parte do mundo significativo de quem julga.

Mutatis mutandis, na teologia...

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Vivendo pela graça - Filipenses 3:16


“Tão somente vivamos de acordo com o que já alcançamos.” (Filipenses‬ ‭3:16‬)

Em Jesus alcançamos a libertação do legalismo farisaico por estarmos sob a égide da graça. Por seu espírito, vivemos convencidos de que todo e qualquer esforço de nossa parte, seria vão no sentido de estabelecer comunhão com Deus. É debaixo dessa graça alcançada pela fé em Jesus que somos desafiados a viver, inclusive nossos relacionamentos.

Entender isso não me parece difícil. Difícil tem sido compatibilizar graça e praxis cotidiana. Isso porque há um entendimento errôneo de que viver pela graça seria sinônimo de ausência de limites ético-morais. A graça, entretanto, não é uma porta de acesso a uma vida no pecado; antes, caminho de acesso à libertação dele. Quem a experimenta deseja conhecer e viver de acordo com propósitos divinos e não fora deles, em TODAS as dimensões da vida.

Aplicar essa graça à conduta diária, em casos concretos, é um desafio. Contar com uma regra para todos os casos seria mais fácil. Sem regra, a liberdade de PODER escolher parece a condenação de TER que escolher a qual se referia J.P. Sartre. Porém, quando reina a consciência da graça, aprendemos a dar o melhor de nós, sempre, por sermos movidos pela graça e não para sermos merecedores dela, até porque se mérito houvesse, graça não haveria, se errar não pudéssemos, condenados já estaríamos.





terça-feira, 6 de junho de 2017

Visão unificada - Filipenses 3:15

“Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e, se em algum aspecto, vocês pensam de modo diferente, isso também Deus esclarecerá.” (Filipenses‬ ‭3:15‬)

Duas visões podem ser identificadas na igreja de Filipos: a visão dos que se moviam pela inveja e disputas e a visão dos que se guiavam pelo serviço, inspirados nas atitudes de Jesus. 

A meu ver, o objetivo central da carta aos filipenses é ajudar a igreja a compreender que maturidade espiritual se mede pela capacidade e disposição de servir. Vendo as coisas pelo ângulo do serviço, a alegria desejada repetidas vezes na carta, reinaria na comunidade.

Diferenças de percepções são inevitáveis em um grupo, mas quando o espírito de serviço prevalece sobre o de inveja e disputas, os modos diferentes de perceber a realidade são mais facilmente esclarecidos e equacionados, pois nessa direção está o agir de Deus.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Alvo sublime - Filipenses 3:14

“prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses‬ ‭3:14‬)

Não enxergo alvo mais sublime na vida do que o de querermos nos identificar com Jesus. Não no sentido de ser o senhor dos senhores ou salvador do mundo, mas no de ser o servo abnegado, capaz de trocar a busca de glórias pelo serviço amoroso aos que necessitam.

Esse é um alvo que, por maior que seja nosso empenho, sempre estará no horizonte. Estamos sempre caminhando em direção a ele, mas parece-nos sempre distante. As tentações da estrada são grandes e vez por outra sucumbimos.

Entretanto, a simples predisposição de viver a vida de olho nele provoca efeitos colaterais positivos nos relacionamentos que construimos na trajetória. Apesar da sensação de parecer-nos  distante, o fato é que, até sem percebermos,  simplesmente alvejá-lo deixa rastros positivos em todos pelas quais passamos.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Comunhão "sem cera" - Filipenses 3:12


“Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus. (Filipenses‬ ‭3:12‬)

Há muito aprendi que mentimos quando dizemos ser menos do que somos, tanto quanto quando dizemos ser mais. E, também, que é sinal de humildade, isto é, de ter os pés no chão, de ser realista, reconhecermos que não estamos prontos, que sempre há um caminho a ser percorrido em relação à "maturidade", à "medida da plenitude de Cristo".

Não fomos alcançados por Cristo para ficarmos sentados em bancos de igreja "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar". Nem em quatro paredes como ovelhas no curral em processo infinito de engorda. Antes, fomos alcançados para sermos pessoas melhores, mais amáveis, justas, honestas, solidárias, enfim, em todas as dimensões do cotidiano da vida.

Lembro-me sempre do que disse Martin Luther King Jr.: "Nós não somos o que gostaríamos de ser. Nós não somos o que ainda iremos ser. Mas, graças a Deus, não somos mais quem nós éramos". Isso é ter lembrança do passado, compreensão do presente e visão do futuro baseada numa comunhão "sem cera", sem verniz, sem máscaras, com Jesus. Comunhão que se manifesta na busca contínua de relacionamentos saudáveis com o mundo que nos cerca.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Portas abertas

Portas Abertas

By Edvar Gimenes de Oliveira

Quando uma porta se fecha
É só uma porta que se fecha
Não é a vida que a fecha

A vida tem muitas portas
Nas mãos de Deus, infinitas chaves
Quando uma porta se fecha
É só uma porta que se fecha
Não é a vida que a fecha

Mãos fecham portas
Mãos abrem portas
Os donos das mãos são donos de suas mãos
Nenhum deles é dono de todas as portas
Quando uma porta se fecha
É só uma porta que se fecha
Não é a vida que a fecha

Quando uma porta se fecha
Primeiro eu fecho meus olhos...
... e agradeço.
Depois abro-os ainda mais...
... e olho.
Olho pra frente e pra traz
Olho pra cima e pra pra baixo
Olho pra todos os lados
Porque quando uma porta se fecha
É só uma porta que se fecha
Não é a vida que a fecha

De que tipo é o coração
De quem pra mim uma porta fechou?
Pode ser de uma boa pessoa, mas sem uma boa visão
Pode ser de uma má pessoa à vingança dando vazão
Pode ser de uma pessoa covarde, em busca de proteção
Pode ser de uma pessoa sábia, ensinando-me uma lição
Todas podem fechar portas
Mas sempre existe uma brecha
Porque quando uma porta se fecha
É só uma porta que se fecha
Não é a vida que a fecha

Dizer que o coração não dói
Que uma lágrima não rola
Que o peito não aperta
Quando uma porta se fecha
É enganar-se a si mesmo
É negar o sentimento
É recalcar a emoção
É tentar fugir do sofrimento
Por isso, assuma a dor
Até grite, se for necessário
Mas jamais se desanime
Muito menos se desespere
Pois quando uma porta se fecha
É só uma porta que se fecha
Não é a vida que a fecha.

Então, vai ficar aí parado
Lamentando o leite derramado
Choramingando infeliz
À procura de um culpado?
Repense sua postura
Dê um primeiro passo
Continue acreditando
Sai em busca de outro espaço
Lance-se como uma flecha
Pois quando uma porta se fecha
É só uma porta que se fecha
Não é a vida que a fecha.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Ressurreição - Filipenses 3:11


“para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos.” (Filipenses‬ ‭3:11‬)

Há coisas que somos capazes de entender como funcionam, mas incapazes de saber porquê funcionam. A capacidade de cada um entender e se satisfazer com o porquê, também. "Você precisa saber aquilo que você pode ser capaz de entender e de se fazer entender e aquilo que você não pode" (Richard Feynman).

Alguns defendem apologéticamente a ressurreição pela adrenalina que a disputa política em torno da autoridade das Escrituras gera.  Outros consideram essencial que ela seja sustentada em método e linguagem científica. Há os que se satisfazem com uma percepção existencial ou psicológica da ressurreição. Outros, nem se ocupam com o que vai ou se vai acontecer algo após a morte deste corpo, vivendo dissolutamente ou satisfazendo-se com a graça de viver o aqui e agora.

Se você perguntar o porquê de Paulo almejar alcançá-la, parece-me provável que seria pela possibilidade de rever o Senhor e com ele estar eternidade afora. Se a questão for o porquê de defendê-la, ele foi claro: sem ela ficaria sem sentido sustentar uma disciplina ética. Se não há ressurreição, declarou, "comamos e bebamos que amanhã morreremos" e fim. Sem julgamento e recompensas, cada um que faça o que der na telha, consigo e com o outro.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O essencial - Filipenses 3:10

“Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte” (Filipenses‬ ‭3:10‬)

Lendo esse desejo de Paulo, lembrei-me das palavras de Soren Kierkgaard, em seu extraordinário livro "As obras do amor". Ele diz: "a árvore é reconhecida pelos frutos; pois é claro que a árvore também se deixa reconhecer pelas folhas, o fruto, porém, é o sinal essencial". Nosso modo de ser igreja, porém,  passa a impressão de nos contentarmos mais com as folhas do que com o fruto.

Desejar conhecer a Cristo, isto é viver uma relação íntima com ele, deveria ser também nosso maior desejo, pois ele é a essência da nossa fé. Mas assumir as consequências disso é tão absurdamente fora dos paradigmas que norteiam nossa sociedade que optamos pelas folhas.

As folhas, porém, em que pese sua importância, não são o  essencial da fé. Essencial é Cristo, encarnação do amor de Deus. O esquecimento disso nos torna insípidos ou lâmpadas sob baldes, pra usar expressões do próprio Jesus, e nossas vidas acabam não sendo diferentes, nem fazendo diferença, nas sociedades iníquas das quais participamos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Sem culpa na presença de Deus - Filipenses 3:9

“e SER ENCONTRADO NELE, não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé.” (Filipenses‬ ‭3:9)

Necessitamos do divino muito mais do que publicamente admitimos. Ensaiamos os mais convincentes discursos e papéis a fim de que, no palco da vida, representemos pessoas fortes. Quando, porém, os holofotes se apagam e nos encontramos conosco mesmos, nossos corações se sentem em solidão existencial, em falta de sentido.

Essa sensação de vazio em nossos corações nos leva a clamarmos por um "deus" desconhecido. Nessa busca, nos perdemos em rituais religiosos, em moralismos irrefletidos e nos apegamos a valores equivocados visando aplacar sentimentos desconfortáveis que atormentam nossas almas.

Diante do insucesso, ou vivemos hipocritamente, usando máscaras, ou aceitamos que nossos feitos são vãos, ineficazes, e nos entregamos à graça divina. Essa é uma entrega pela fé. Quando confiamos na força do amor e da graça divinos presentes em Jesus, encontramos o logos - sentido - eterno, o elo que faltava, o bem supremo e nossas vidas ganham autenticidade. Assim, ganhamos força ao assumirmos a fraqueza e nos engrandecemos ao assumirmos a pequenez, alcançando  paz na plena humanidade.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Transição


Estamos indo 
E não há como voltar
Mesmo que apague o passado
Não da para retornar

Cada segundo é um começo
Cada segundo é um passado
Cada começo uma esperança
Cada passado uma lembrança

A lembrança é uma lição
A esperança, uma intenção
São o passado recomeçando
Dentro de um coração

O coração pulsa ansioso
O coração pulsa aliviado
Aliviado pelo que passou
Ansioso pelo que não chegou

Entre alívio e ansiedade
A vida continua batendo
Os passos continuam firmes
Mesmo com os pés doendo

E de passado e esperança
De lição e intenção
Entre alívio e ansiedade
Vivemos uma emoção.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A supremacia de Jesus (II) - Filipenses 3:8

“Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo” (Filipenses‬ ‭3:8‬)

Esterco é uma tradução que não expressa a idéia que Paulo transmite. Esterco nos remete a algo util. Já a palavra usada, no grego, refere-se a fezes humanas. Ou seja, a parte que o corpo  elimina, cujo odor e contaminação a torna repugnante. 

Paulo está dizendo que tudo o que ele perdeu tem o valor de fezes humanas "comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus".  A diferença, entretanto, entre Paulo e alguns de nós cristãos-evangélicos é que a supremacia de Jesus na história dele é prática, concreta e não apenas um discurso, uma reflexão teológica sem consequências práticas.

Esse pequeno detalhe - a falta de supremacia prática de Jesus - é a causa de, embora sermos muitos a nos declararmos "cristãos", "evangélicos", no país, não se perceber diferença nos valores espirituais que regem nossas relações interpessoais e sociais, nem se refletir nas estruturas de nossas sociedades, inclusive religiosas. "Somos cristãos teóricos e ateus práticos". Somos barulhentos e irrelevantes. Enquanto isso, o país afunda na corrupção.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A supremacia de Jesus (I) - Filipenses 3:7

“Mas o que para mim era lucro passei a considerar como perda, por causa de Cristo.” ‭‭(Filipenses‬ ‭3:7‬)

Era lucrativo para Paulo viver em plena conformidade com a estrutura religiosa vigente. Ser um benjamita, circuncidado dentro do prazo e ter escolhido unir-se à mais poderosa denominação religiosa de sua época e lugar - os Fariseus - com zelo e rigor, era-lhe vantajoso.

Tudo isso, porém, perdeu valor. Seu encontro místico com Jesus de Nazaré, no caminho de Damasco, tocou profundamente sua alma. Sua experiência com a graça de Deus mudou tão profundamente sua compreensão de espiritualidade que seus valores sofreram uma inversão.

Sou sempre grato por aquilo que a estrutura religiosa que me abriga proporcionou-me e me proporciona. Retribuo dando o meu melhor por ela e através dela. Isso significa manter-me lembrado, e aos que dela participam, que a pessoa de Jesus, sua vida e ensinos, são a razão de nossa existência e esperança. Significa que, em tudo o que fizermos, devemos tê-lo como referência. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Preconceito



Vc já teve a experiência de ter forte rejeição a uma instituição e, de repente, ouve uma mensagem do líder dela e Deus fala profundamente ao seu coração? Ou ter um pastor pelo qual vc tem profunda admiração espiritual e, de repente, tem uma experiência decepcionante com ele?

Experimentei isso de maneira marcante e tenho agradecido profundamente a Deus por isso, pois encarei as experiências como um sinal da graciosidade de Deus para com os rumos da minha vida. 

Mas Pedro respondeu: “De modo nenhum, Senhor! Jamais comi algo impuro ou imundo!”  A voz lhe falou segunda vez: “Não chame impuro ao que Deus purificou” (Atos 10:14‭-‬15)



Tudo é nada (III) - Filipenses 3:6

“quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível.” (Filipenses‬ ‭3:6‬)

Para religiosos, inclusive cristãos, talvez aqui esteja o maior desafio de mudança de vida, dentre os apresentados por Paulo em sua lista de valores que precisou abrir mão pela supremacia de Jesus de Nazaré em sua vida. Abrir mão da identidade histórico-pessoal é fácil, mas abrir mão do zelo e do legalismo é, para religiosos, um horror. 

É fácil admirar Paulo por ter trocado seu zelo e legalismo por Jesus. O problema é que não enxergamos e, quando enxergamos não admitimos, que os cristianismos (inclua-se aqui os batistismos), por conterem semelhanças de natureza com os judaismos (inclua-se aqui o farisaismo), também podem produzir verdadeiros terroristas político-religiosos, em nome do zelo (pela "sã doutrina", pela "palavra") e da lei (comumente chamada de verdade).

O zelo e o legalismo nos dão a falsa sensação de aceitação da parte de Deus e nos coloca numa falsa zona de conforto. Falsa, porque é  zona de des-graça. Eles nos fazem dizer como o Fariseu: "Graças te dou, ó pai, porque não sou como os demais...", em vez de dizer como o publicano: "Deus, tem misericórdia de mim, pecador..." (Lc 18:9-14). Esquecem-se de que "Deus se opõem aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes" (I Pd. 5:6).

terça-feira, 16 de maio de 2017

Tudo é nada (II) - Filipenses 3:5

“circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à Lei, fariseu;” ‭‭(Filipenses‬ ‭3:5‬)

Todos nós trazemos em nossa identidade histórico-pessoal coisas das quais nos orgulhamos. São elementos positivos, reconhecidos em nosso mundo significativo, que fazem com que enchamos os pulmões e estufemos o peito quando a eles nos referimos.  A lembrança deles faz com que levantemos a cabeça, pisemos firme e sigamos adiante em nossos propósitos.

Paulo cita o fato de ter sido circuncidado rigorosamente dentro do prazo original; de pertencer a uma tribo de elite dentre as 12 de Israel e ainda ser membro da mais forte e rigorosa denominação religiosa de seus dias. Se alguém tinha motivos para se orgulhar, esse alguém seria ele. Mas, como ele vai escrever, isso tudo perdeu o valor diante do encontro que teve com Jesus de Nazaré.

Você e eu podemos ter uma história de pertencimento religioso fantástica, dentro de um grupo denominacional religioso recheado de feitos reconhecidos socialmente, mas se isso não servir para reafirmar e evidenciar a supremacia de Jesus de Nazaré nas mais simples atitudes, palavras e ações do nosso cotidiano, ela de nada valerá.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Tudo é nada (I) - Filipenses 3:4

“embora eu mesmo tivesse razões para ter tal confiança. Se alguém pensa que tem razões para confiar na carne, eu ainda mais:” (Filipenses‬ ‭3:4‬)

Um ex-professor do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil - STBNB dizia sob as mangueiras que, se juntássemos o conhecimento dos 12 discípulos de Jesus, isso não representaria metade do conhecimento de Paulo.

Paulo tinha motivos de sobra para confiar em si mesmo. O que ele era e sabia  lhe colocava em situação superior à daqueles que impunham a necessidade de circuncisão - tipo operação de fimose por razões religiosas -  mesmo após o conhecimento do que Jesus Cristo fizera na cruz do calvário.

Certa vez, Paulo apresentava uma defesa a Agripa quando  Festo gritou: "Estas louco, Paulo, as muitas letras te fazem delirar". (Há muita gente delirando com poucas letras). Paulo não delirava. Ele apenas declarava sua confiança plena em Jesus, pois sabia que, nada do que fôssemos ou fizéssemos seria suficiente para tornar-nos o que a graça de Deus pode fazer em nossa vida.

domingo, 14 de maio de 2017

Circuncisão espiritual - Filipenses 3:3

“Pois nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus, que nos gloriamos em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne,” (Filipenses‬ ‭3:3‬)

Símbolos, por definição etmológica, são elementos que unem, aproximam, enquanto diabolos, são elementos que separam, afastam, como bem diferenciou Leonardo Boff. Um problema com símbolos se dá quando nos apegamos a eles,  como um fim em si mesmos, em vez de nos apegarmos à realidade que através deles se quer expressar.

A circuncisão - símbolo de aliança com Deus - exercia tanta força sobre os judeus que, mesmo conhecendo a Jesus, muitos deles não conseguiam libertar-se dela. Paulo, então, ensina que a verdadeira aliança com Deus não era firmada em uma mutilação na própria carne, no orgão genital.

O que caracteriza a verdadeira aliança com Deus é a operação feita pelo Espirito Santo na alma humana, transformando-a em totalmente confiante no sacrifício de Cristo na cruz e não em sacrifício pessoal ou feito no próprio corpo, como alguns insistiam. “Porque em Cristo Jesus nem circuncisão nem incircuncisão têm efeito algum, mas sim a fé que atua pelo amor." ‭‭(Gálatas‬ ‭5:6‬).

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Cuidado - Filipenses 3:2

“Cuidado com os “cães”, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão!” (Filipenses‬ ‭3:2‬)

Há pessoas que imaginam igrejas como grupos nos quais não existem ou não deveria existir conflitos, por isso, quando começam a participar de uma e se deparam com situações dessa natureza, se afastam. Há aquelas que participam e foram adestradas a agir como se igreja fosse um conjunto de pessoas celestiais, transformando igrejas em sepulcros caiados.

Igrejas, entretanto, também abrigam "cães", pessoas que praticam o mal e religiosos apenas de aparência, sejam as atuais, sejam as míticas primitivas. Jesus tratou desse assunto: “Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu. Os servos do dono do campo dirigiram-se a ele e disseram: ‘O senhor não semeou boa semente em seu campo? Então, de onde veio o joio?’ “ ‘Um inimigo fez isso’, respondeu ele. “Os servos lhe perguntaram: ‘O senhor quer que o tiremos?’ “Ele respondeu: ‘Não, porque, ao tirar o joio, vocês poderiam arrancar com ele o trigo.” (Mateus‬ ‭13:26-29‬).

Podemos evitar a presença de pessoas maldosas nas igrejas? Não! Mas conviver com elas exige saúde, paciência e sabedoria. O recomendável é que sejamos cuidadosos. Nos relacionarmos com elas de maneira "simples como as pombas, mas prudente como serpentes". Se não tomarmos cuidado, em vez de ajudá-las, elas nos adoencem e contaminam a igreja toda.

A propósito de provas e convicções - uma história particular e o caso Tomé


I.

O ano era 1980 ou 1981. Naquela noite de terça-feira, voltava da então Igreja Batista da Rua Imperial, no Recife, onde liderava um estudo bíblico para jovens. 

Era mais de 22 horas e pouco depois de passar pelo portão de entrada do campus do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, vi que estava acontecendo uma partida do campeonato interno de futebol de salão promovido pelo então Grêmio Acadêmico Salomão Ginsburg - GASG quando a energia elëtrica acabou.

Fui direto para o alojamento que ficava ao lado do Edifício de Música, sobre a Biblioteca, hoje salas de aula e gabinetes de professores.

Em alguns minutos uma brincadeira começaria. No escuro, baldes d'água começaram a ser derramados sobre os que voltavam da quadra, quando chegavam ao pé da escada. A partir daí, cada um, das dezenas de alunos que naquele alojamento residiam, usava sua criatividade e ousadia para molhar os demais.

Na manhã seguinte, quando as portas dos quartos se abriram para o café da manhã, o corredor exalava um cheiro insuportável. A irmã Maria José foi fazer a limpeza diária e, impressionada com o mal cheiro, chamou o tesoureiro de então, Edir Félix, pessoa de confiança do Dr. David Mein, Reitor, que estava viajando. 

Como deveria, o Reitor foi informado do ocorrido e convocou uma reunião com os alunos, às 22 hs, na récem inaugurada sala Charles Dickson, que fica no térreo do então referido alojamento.

O reitor dirigiu a reunião, os fatos foram narrados, o motivo do mal cheiro foi esclarecido - um balde com objetos orgânicos que iria para o lixo também foi jogado no corredor - e a conversa terminaria com um mini sermão e uma orientação: todos podem voltar para o alojamento, exceto os que participaram da brincadeira.

Os alunos se entreolharam, um a um foram saindo, restando dois ou três na sala. O reitor pegou as folhas que estavam em suas mãos, batendo-as suavemente, na vertical, sobre a mesa, organizando-as e proferiu a sentença: - amanhã, passem pela manhã na reitoria para assinar uma suspensão de quinze dias.

Chocados, clamamos, literalmente, por clemência e justificamos: houve excesso, é verdade, mas não houve dano moral ou material na brincadeira (de mal cheiro, diga-se de passagem, agora!). Como explicaríamos tão dura pena às igrejas que nos enviaram ao seminário e àquelas nas quais trabalhávamos como seminaristas? Além disso, não fomos os únicos a brincar. Dentre os que se retiraram, se não todos, quase todos com certeza, participaram de alguma forma.

Diante do último argumento, ele pediu que chamássemos todos de volta. Um a um foram entrando na sala, ocupando seus lugares e uma nova palavra foi dada: - recebi a informação que outros alunos, além dos que ficaram, participaram da brincadeira (de mal cheiro, acrescento agora). Todos poderão retornar ao alojamento, exceto os que participaram. E acrescentou: aqueles que participaram, mas insistirem em não assumir, serão sempre olhados por seus colegas como mentirosos. (Naquela época não havia o instituto da delação premiada).

Meia dúzia ficaram na sala, portanto dobrou o número dos que assumiram, mas, dentre os que deixaram o rescinto, alguns ainda assim não tiveram coragem de assumir. 

Contra esses não tínhamos provas, mas tínhamos convicção. Por isso, mesmo não participando da condenação institucional que viria, estariam condenados como mentirosos e covardes por aqueles que, repito, não tinham provas, mas tinham convicção.

O diálogo com o reitor continuou, a pena foi negociada e abrandada e, ao final, ficou estabelecido que assinaríamos uma carta de reconhecimento dos excessos cometidos, a qual ficaria por 15 dias afixada no mural oficial da reitoria, nomcorredor pincipal. E assim foi.

Comigo guardo até hoje a cópia original da carta-sentença e as lições de uma brincadeira de mal cheiro. Mais do que isso, nesses dias de Operação "Lavajato", reafirmo a lição de que, se juridicamente, convicções sem provas, podem não resultar em condenação, certamente, em termos ético-relacionais, convicões, em que pese as cautelas necessárias, continuam tendo sua importância.

II.

Jesus, provas  e convicções
“Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. Os outros discípulos lhe disseram: “Vimos o Senhor!” Mas ele lhes disse: “Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei”. 

Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “Paz seja com vocês!” 

E Jesus disse a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia”. Disse-lhe Tomé: “Senhor meu e Deus meu!” 

Então Jesus lhe disse: “Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram”.” (João‬ ‭20:24-29‬)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

De volta a Jesus (II) - Filipenses 3:1

“Finalmente, meus irmãos, alegrem-se no Senhor! Escrever de novo as mesmas coisas não é cansativo para mim e é uma segurança para vocês.” (Filipenses‬ ‭3:1‬)

Sentimos necessidade de repetir - sem cansaço - o combate às mesmas coisas, quando pessoas que amamos insistem em cometer os mesmos erros ou estão sendo induzidas a eles.

Se Paulo escrevesse às igreja de hoje, certamente tocaria na mesma tecla, pois manifestações da mesma natureza são facilmente identificadas. TEMOS TROCADO O SENHOR JESUS DE NAZARÉ, seus ensinos e exemplos de vida POR OUTROS REFERENCIAIS que desqualificam o caráter cristão individual e prejudicam a harmonia e o bem estar comunitários.

Veremos nos versos subsequentes que a tentativa de imposição da circuncisão à igreja seria o eixo da divisão. Hoje, vários biblicismos, batistismos, calvinismos e outros "ismos" mal colocados estão desviando a atenção que deveria ser exclusiva de Jesus, em diversas igrejas. Daí a contemporaneidade do convite para que retornemos a nos alegrar no Senhor.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Existe algum Epafrodito entre nós? - Filipenses 2:30

“porque ele quase morreu por amor à causa de Cristo, arriscando a vida para suprir a ajuda que vocês não me podiam dar.” (Filipenses‬ ‭2:30‬)

Sejamos honestos: quem de nós arrisca a vida "por amor à causa de Cristo" hoje? Parece serem poucos os cristãos que perguntam o que, de fato, Jesus Cristo tem a ver com as causas (leia-se ideologias político-teológico-religiosas) que abraçam e pelas quais se engalfinham com os que pensam diferente. 

Se isso não bastasse, na era do Facebook, selfies e holofotes, seguir a Cristo está mais pra celebrações catárticas ou shows enfumaçados com aplausos, assovios e urros ou eventos em espaços acessíveis a uma minoria com mais dinheiro ou reuniões de burocrátas da fé, tudo movido a sons eletrizantes, imagens e frases elaboradas de acordo com as mais modernas estratégias de marketing empresarial.

Arriscar a vida (nem falo da física, mas mais da social, por exemplo, correndo o risco de marginalização dentro do seu mundo sócio-significativo) para manifestar amor ao próximo, fazendo por alguém aquilo que a maioria não poderia (no caso de Epafrodito e os Filipenses) ou não se dispõe (no nosso caso, parece-me), é raridade. Sejamos honestos: existe algum Epafrodito entre nós?

terça-feira, 9 de maio de 2017

Honrar abnegados. A quem honra, honra - Filipenses 2:29

“E peço que vocês o recebam no Senhor com grande alegria e honrem homens como este,” (Filipenses‬ ‭2:29‬)

Um paradigma teológico distorcido foi introjetado em minha mente e me acompanhou até pouco tempo atrás. Veio através de impactante mensagem baseada nas palavras: “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’.”” (Lucas‬ ‭17:10). Por esse paradigma, manifestações de reconhecimento público por serviços prestados seriam equivocadas.

É fato que há pessoas que, por razões erradas e até doentias, vivem em busca de reconhecimento. Os Fariseus eram um exemplo e isso deveria ser desestimulado (Mt 6:1-4). Essas pessoas, porém, não devem servir de justificativa, muito menos de obstáculo para deixarmos de honrar aquelas que, ABNEGADAMENTE, servem ao próximo de maneira amorosa.

Epafrodito foi um cristão abnegado. Honrá-lo por isso, numa comunidade na qual alguns se destacavam por "inveja e rivalidade", era pedagogicamente essencial. Dar honra a quem merece honra seria uma maneira de reafirmar padrões de conduta comunitária saudáveis que, sendo seguidos, beneficiariam a coletividade. "A quem honra, honra" (Rom. 13:7). Paulo ensinou. Paulo praticou.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Presenças que alegram - Filipenses 2:28

“Por isso, logo o enviarei, para que, quando o virem novamente, fiquem alegres e eu tenha menos tristeza.” (Filipenses‬ ‭2:28‬)

Há pessoas em nossas igrejas - exceções, é verdade -  que agem com tal maldade (e continuam assim a despeito de todo esforço para ajudá-las) que, sem mais esperança, oramos para que sejam promovidas à glória celestial. Isso seria bênção pra elas e alegria para os que ficam. 

Epafrodito não era desse tipo. Seu adoecimento gerou apreensão na vida dos filipenses e Paulo declara que, se ele tivesse morrido, isso seria motivo de "tristeza sobre tristeza". Ao enviá-lo de volta, Paulo - que parecia gostar muito dele - se consolava com a alegria que isso produziria aos filipenses.

As vezes, gerar tristeza é necessário.  Aprendemos isso com Paulo aos Corintios: "Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. (2 Coríntios‬ ‭7:9‬). Melhor, porém, é nos empenharmos para sermos sempre benquistos pela alegria - não necessariamente pelo riso - que nossa presença produz aos que nos cercam.

domingo, 7 de maio de 2017

Adoecemos - Filipenses 2:27

“De fato, ficou doente e quase morreu. Mas Deus teve misericórdia dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.” (Filipenses‬ ‭2:27‬)

É desagradâvel, mas adoecemos. Estamos todos expostos a vírus e bactérias aos quais nosso organismo reage, ora resistindo, ora cedendo, mas sempre sujeitos à enfermidades. Em que pese o fato de diversas variáveis, inclusive espirituais, nos tornarem mais ou menos sucetíveis, mente aquele que ensina que a fé - pior, cargo ou função eclesiástica - nos torna imunes à doenças.

Quando adoecemos, sofremos nós, sofrem os que nos cercam. Sofremos pelo impacto em si que a enfermidade produz e pela consciência de que outros sofrem por nós. Quem conosco convive sofre com o nosso sofrimento e sofre com a alteração de sua rotina. Com doença, ganham apenas os empresários e profissionais da saúde, os charlatões e políticos corruptos.

Portanto, cuidar da saúde deve ser prioridade. Atenção, alimentação adequada, exercícios físicos, descanso, sono, são elementos a serem permanentemente observados. Avaliar se estamos nos protegendo, fazendo a nossa parte, precede qualquer rito, experiência ou dependência religiosos. No mais, de graça e misericórdia divinas e de solidariedade humana, todos, em última análise, dependemos.

sábado, 6 de maio de 2017

Você é o missionário

Nesse início de madrugada de sábado fui dormir pensando em Willam Carey, o pai das missões modernas. Assistir o filme, neste momento em que tenho refletido devocionalmente na vida missionária de Epafrodito (Fil 2:25-30) me fez sonhar e sair cedo da cama em meio ao frio deste início de maio para refletir e orar.

Carey era sapateiro e teve uma visão. Visão é uma experiência mística não necessáriamente desvinculada do natural. É mística porque brota com força, dentro de nós; nos domina de maneira incontrolável; exige ser elaborada e traduzida numa linguagem; é compartilhada; submete-se aos exigentes crivos de terceiros e vai se tornando realidade na medida em que damos passos concretos em direção a sua realização.

Visão não é uma receita, mas um script, um roteiro. Carey deixou a Inglaterra para pregar o evangelho. Em sua visão ele se via literalmente pregando. Para ele isso significava, inicialmente, parar diante de pessoas, abrir a Bíblia, discursar um plano sistematizado de salvação e esperar pessoas respondendo favoravelmente aos desafios da Palavra por ele expostos.

Essa porém era uma receita, um modelo, um paradigma que ele carregou consigo. Mas, ao deparar-se com a realidade, a receita não produziu os efeitos imaginados. O ser humano era humano, mas a India não era a Inglaterra, as pessoas não eram as mesmas, a cultura não era a mesma, os desafios não eram os mesmos.

Ele tinha uma visão porque era sensível a voz de Deus falando ao seu coração. Essa sensibilidade possibilitou que ele enxergasse as reais necessidades do povo e agisse de maneira flexivel. Em vez de insistir no velho receituário que permeava sua mente quando do recebimento da visão, ele foi capaz de reelaborar a missão, ajustar a visão, sem perder o foco que era levar ao povo o conhecimento do plano de Deus e as implicações disso - inclusive horizontais - a partir do aqui e agora.

Perdeu filho, perdeu a esposa e, se julgássemos sua história usando valores da nossa cultura (diga-se de passagem um erro técnico, pois história se julga com os valores da época na qual se desenrolou), poderia se dizer que era um louco que sacrificou a família por uma visão.

Porém, em meio a erros e acertos, o fato é que sua vida fez diferença em uma cultura bonita que, como todas, era composta também por elementos nocivos à vida, à humanidade.

O Deus que moveu o coração de Carey continua movendo corações em nossos dias. Seja aqui onde estamos, seja ali ou acolá, o fato é que a humanidade enfrenta desafios próprios de sua época e lugar e é essencial que haja pessoas com visão e senso de missão para interferir e ajudar na construção de novos rumos.

Sim, precisamos de missionários. Não de marionetes a serviço de instituições ideologizadas politicamente que se submetem a interesses corporativos, empresariais, alheios à sua realidade, às suas necessidades. Não de missionários ventriloquos fiéis a discursos elaborados por quem oprime e explora o semelhante.

Precisamos de missionários que tenham visão de seres humanos livres e autônomos que acreditam na cooperação mútua e não na dominação de uns sobre outros. Missionários capazes de ler a realidade que o cerca e até de trilhar por caminhos não percorridos, movidos pelo desejo de ver, em Cristo, uma nova e positiva realidade brotar para o bem comum e não só de alguns, inspirada na pessoa de Jesus de Nazaré.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Missionário de carne e osso - Filipenses 2:26

“Pois ele tem saudade de todos vocês e está angustiado porque ficaram sabendo que ele esteve doente.” (Filipenses‬ ‭2:26‬)

Missionário tornou-se mito para alguns membros de igreja. Isso porque deixou de ser condição de todo cristão pra ser título, função ou cargo de alguns. Por falta de consciência de missão, muitos não conseguem perceber o missionário como sendo sua "imagem e semelhança", seu semelhante.  A mitologização é tal que é tratado como se não fosse gente de carne e osso.

Paulo, porém, demitologiza esse ser ao revelar que o missionário Epafrodito sentia saudade dos filipenses e se angustiava por saber que esses seus irmãos souberam que ele esteve doente.

Sim, missionário adoece. Missionário sente saudade. Missionário se angustia. Missionário sofre quando sabe do sofrimento de seus irmãos missionários que o enviaram. Missionário é gente como a gente porque missão é missão de gente. De gente de carne e osso, de crentes solidários e não de seres lendários. 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Igreja Missionária - Filipenses 2:25

“Contudo, penso que será necessário enviar de volta a vocês Epafrodito, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas, mensageiro que vocês enviaram para atender às minhas necessidades.” (Filipenses‬ ‭2:25‬)

Uma igreja pode enviar dinheiro para agências missionárias, organizar viagens missionárias, manter múltiplos pontos de pregação, fazer belas liturgias encorajando o 'fazer missões', impressionar pessoas pela imagem missionária que criou em torno de si, mas isso pode ser apenas aparência. O que leva uma igreja a fazer jus ao título de igreja missionária é a sua compaixão.

Igreja missionária é aquela que enxerga necessidades vitais, inclusive daqueles que se dedicam como instrumentos nas mãos de Deus para suprí-las, e empenha-se para solucioná-las. É aquela que reconhece a importância do sustento econômico-financeiro, mas também dos aspectos humanos destacados por Paulo, de fraternidade, cooperação e solidariedade, supridos pelos filipenses através do envio de Eprafodito.

Foi a compaixão que levou Jesus a enxergar o desamparo, a aflição e a falta de rumo da multidão e a orientar-nos a rogar a Deus por mais pessoas dispostas a suprir tais necessidades. (Mt 9:35-38). Portanto, se há um sentimento que precisa ser valorizado e estimulado na vida de uma igreja, esse é o de compaixão. Uma igreja compassiva, inevitavelmente será uma igreja missionária.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Estar com virtuosos e fracos - Filipenses 2:24

“confiando no Senhor que em breve também poderei ir.” (Filipenses‬ ‭2:24)

A igreja primitiva de Filipos, como todas as igrejas em todas as épocas e lugares, tinha virtudes e fraquezas. Paulo, como ninguém, as conhecia muito bem e era capaz de dar nome a cada uma delas, até porque, dar nomes corretos é passo essencial para interagirmos com realidades da vida.

Conquanto reconhecesse também as fraquezas, isso não alterava o afeto que ele nutria. (As fraquezas de alguém não devem ser motivo para desprezarmos a pessoa). Pelo contrário, seu cuidado aumentava, pois sabia que os que manifestam fraquezas precisam de apoio e não desprezo, para poder superá-las.

Daí ele, não somente escrever à igreja para orientá-la, desejar enviar Timóteo para pastoreá-la, mas ele mesmo querer estar com ela. Na relação com virtuosos e fracos sua vida seria abençoada e abençoadora. Por isso, não apenas monitorava a própria situação, mas confiava que o Senhor possibilitaria a ele a oportunidade de estar com os filipenses.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

É ele... - Filipenses 2:23

“Portanto, é ele quem espero enviar, tão logo me certifique da minha situação,” (Filipenses‬ ‭2:23‬)

Um dos momentos mais especiais na vida de uma igreja ou de uma organizacão denominacional batista, quando está definindo um nome para ocupar um cargo de liderança, é quando, depois de longo processo, diz: é ele (a) e, pelo voto, elege a pessoa considerada certa para ocupar a vacância. Mas não são poucas as que erram. 

Erram porque não ouvem a voz de Deus. “O Senhor, contudo, disse a Samuel: “Não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração”.” (1 Samuel‬ ‭16:7‬). Em outras palavras, erram porque não são criteriosas ou, quando são, os critérios adotados são escalonados de maneira invertida: os valores político-empresariais  se sobrepõem aos espirituais.

Quando Paulo disse "é ele quem espero enviar",  o fez com base em avaliação acurada, comparando com o caráter de servo humilde, amoroso, sincero, solidário e justo de Jesus. Se o caráter de Jesus não é priorizado a igreja ou organizaçåo denominacional não pode esperar colher frutos espirituais. Ela até poderá ser bem sucedida em objetivos quantitativos, mas qualitativamente ficará a desejar. A aparência será muito bonita, exatamente como a de luxuosos sepúlcros.

domingo, 30 de abril de 2017

Ministério como serviço - Filipenses 2:22

“Mas vocês sabem que Timóteo foi aprovado porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai.” (Filipenses‬ ‭2:22‬)

A vida é feita de provas. Percebendo ou não, a todo instante somos submetidos a experiências que, dependendo de nossa performance, nos habilitam ou não ao degrau seguinte. A sobrevivência evidencia que estamos vencendo os testes. Na vida ministerial não é diferente.

Ser capaz de servir talvez seja o maior desafio que temos em nossa vida. É portanto o principal sinal de maturidade espiritual. Isso porque tendemos a querer ser servido e, para isso, somos capazes de atropelar os mais elementares códigos de conduta comunitária. Não por acaso, após narrar os problemas de alguns filipenses, Paulo os confronta com o perfil servo de Jesus.

Timóteo foi aprovado para o ministério não primeiramente pelo conhecimento doutrinário, mas porque serviu. Depois, porque fez isso ao lado de alguém que servia, por isso tinha autoridade para examiná-lo, aprovando-o ou reprovando-o. Se "quem não vive para servir, não serve para viver", quem não exerce o ministério movido pelo servir, não serve para exercer o ministério.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Interesseiros ou interessados? - Filipenses 2:21

“pois todos buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo.” (Filipenses‬ ‭2:21‬)

Interesses todos temos. Todos focamos nossa disposição em algo, até mesmo inconscientemente. Porém, o que atrai a atenção de uns não é o mesmo que atrai a atenção de outros. Geralmente, nossa atenção é atraida por aquilo que beneficia primeiramente a nós mesmos.

Cuidar primeiro do que nos interessa não é uma postura errada. “Em caso de despressurização as mascaras de oxigênio cairão automaticamente. Caso esteja acompanhado de alguém que necessite de sua ajuda, coloque sua máscara primeiro para em seguida ajudá-lo.”. Nessas curcunstâncias a prática é correta. O problema é quando, em seguida, não ajudamos o outro.

Quando nos esquecemos da regra de ouro: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles façam a vocês" (Mateus‬ ‭7:12‬), ou ainda do: "Ame o seu próximo como a si mesmo" (Mateus‬ ‭22:39‬), ensinados por Jesus, agimos exatamente como Paulo denunciou como sendo atitude errada dos filipenses: ser interesseiros, não interessados.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pastor raro - Filipenses 2:20

“Não tenho ninguém que, como ele, tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês,” (Filipenses‬ ‭2:20)

Um dos grandes desafios que enfrentamos no exercício da liderança dominacional é o da indicação de alguém para assumir pastorado de  igreja. Lembro-me de que, há muitos anos, fui procurado por um lider, pedindo-me informação a respeito de um colega de ministério. Fiquei em situação bastante difícil, pois o que sabia a respeito da conduta pessoal dele era tão grave que não me permitia avalizar a indicação.

Sou dos que creem que a imensa maioria dos pastores, no círculo denominacional do qual participo, procura levar a sério o desenvolvimento do caráter, da conduta e de competências técnicas básicas para o bom exercício da missão e leva seu trabalho com sincero interesse pelas pessoas. Parece-me, entretanto, ser crescente o número daqueles cujo interesse é exclusivamente no sustento próprio e na cultura do prestígio, da fama e do poder.

Parece-me, também, cada dia mais raro, encontrar pastor sinceramente interessado no bem estar das pessoas. Isso não ocorre apenas no meio pastoral. Estamos inseridos em uma cultura individualista, na qual o interesse pelo bem estar público está em segundo plano. Trata-se de profundo equívoco coletivo que precisa ser revisto, sob pena de amargarmos, cada dia mais, experiências dolorosas tanto como igreja, quanto como sociedades em geral.