domingo, 30 de abril de 2017

Ministério como serviço - Filipenses 2:22

“Mas vocês sabem que Timóteo foi aprovado porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai.” (Filipenses‬ ‭2:22‬)

A vida é feita de provas. Percebendo ou não, a todo instante somos submetidos a experiências que, dependendo de nossa performance, nos habilitam ou não ao degrau seguinte. A sobrevivência evidencia que estamos vencendo os testes. Na vida ministerial não é diferente.

Ser capaz de servir talvez seja o maior desafio que temos em nossa vida. É portanto o principal sinal de maturidade espiritual. Isso porque tendemos a querer ser servido e, para isso, somos capazes de atropelar os mais elementares códigos de conduta comunitária. Não por acaso, após narrar os problemas de alguns filipenses, Paulo os confronta com o perfil servo de Jesus.

Timóteo foi aprovado para o ministério não primeiramente pelo conhecimento doutrinário, mas porque serviu. Depois, porque fez isso ao lado de alguém que servia, por isso tinha autoridade para examiná-lo, aprovando-o ou reprovando-o. Se "quem não vive para servir, não serve para viver", quem não exerce o ministério movido pelo servir, não serve para exercer o ministério.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Interesseiros ou interessados? - Filipenses 2:21

“pois todos buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo.” (Filipenses‬ ‭2:21‬)

Interesses todos temos. Todos focamos nossa disposição em algo, até mesmo inconscientemente. Porém, o que atrai a atenção de uns não é o mesmo que atrai a atenção de outros. Geralmente, nossa atenção é atraida por aquilo que beneficia primeiramente a nós mesmos.

Cuidar primeiro do que nos interessa não é uma postura errada. “Em caso de despressurização as mascaras de oxigênio cairão automaticamente. Caso esteja acompanhado de alguém que necessite de sua ajuda, coloque sua máscara primeiro para em seguida ajudá-lo.”. Nessas curcunstâncias a prática é correta. O problema é quando, em seguida, não ajudamos o outro.

Quando nos esquecemos da regra de ouro: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles façam a vocês" (Mateus‬ ‭7:12‬), ou ainda do: "Ame o seu próximo como a si mesmo" (Mateus‬ ‭22:39‬), ensinados por Jesus, agimos exatamente como Paulo denunciou como sendo atitude errada dos filipenses: ser interesseiros, não interessados.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pastor raro - Filipenses 2:20

“Não tenho ninguém que, como ele, tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês,” (Filipenses‬ ‭2:20)

Um dos grandes desafios que enfrentamos no exercício da liderança dominacional é o da indicação de alguém para assumir pastorado de  igreja. Lembro-me de que, há muitos anos, fui procurado por um lider, pedindo-me informação a respeito de um colega de ministério. Fiquei em situação bastante difícil, pois o que sabia a respeito da conduta pessoal dele era tão grave que não me permitia avalizar a indicação.

Sou dos que creem que a imensa maioria dos pastores, no círculo denominacional do qual participo, procura levar a sério o desenvolvimento do caráter, da conduta e de competências técnicas básicas para o bom exercício da missão e leva seu trabalho com sincero interesse pelas pessoas. Parece-me, entretanto, ser crescente o número daqueles cujo interesse é exclusivamente no sustento próprio e na cultura do prestígio, da fama e do poder.

Parece-me, também, cada dia mais raro, encontrar pastor sinceramente interessado no bem estar das pessoas. Isso não ocorre apenas no meio pastoral. Estamos inseridos em uma cultura individualista, na qual o interesse pelo bem estar público está em segundo plano. Trata-se de profundo equívoco coletivo que precisa ser revisto, sob pena de amargarmos, cada dia mais, experiências dolorosas tanto como igreja, quanto como sociedades em geral.

terça-feira, 25 de abril de 2017

A igreja como fonte de notícias animadoras - Filipenses 2:19

“Espero no Senhor Jesus enviar Timóteo brevemente, para que eu também me sinta animado quando receber notícias de vocês.” (Filipenses‬ ‭2:19‬)

Há notícias que nos abatem e há notícias que nos animam. Isso depende tanto dos fatos narrados quanto de quem narra os fatos. A maturidade e competência de quem noticia, seu nível de isenção e sua intensão política também influenciam nos efeitos que elas exercem sobre quem as recebe. 

Na igreja de Filipos havia líderes cujas motivações na realização do trabalho eram inveja e disputa. As notícias dessa igreja eram um retrato deles. Timóteo, cujo caráter pessoal e ministerial Paulo conhecia, gerava a expectativa de que, sob sua liderança, as relações internas da igreja seriam harmonizadas e se tornariam geradoras de boas notícias. 

O contexto, então,  no qual as palavras de Paulo estão inseridas, indica que sua expectativa por notícias animadoras não estava na forma como elas seriam narradas, mas no que e no como Timóteo, por seu caráter, trabalharia com os irmãos filipenses. Paulo acreditava que isso criaria uma nova realidade, um novo clima e, assim, em vez de notícias tristes, a vida da igreja seria, em si mesma, fonte de notícias animadoras.

sábado, 22 de abril de 2017

O imperativo da alegria - Filipenses 2:18

“Estejam vocês também alegres, e regozijem-se comigo.” (Filipenses‬ ‭2:18)

Alegria não se experimenta pela simples manifestação do desejo ou imposição de terceiros. Também não é fruto da coincidência de fatores variados favoráveis na vida de alguém. Há que defenda que isso seria felicidade. 

Alegria é uma experiência, uma vivência interior de quem se sente agraciado, que consegue perceber que até quando não tem, tem mais do que necessitava. Por isso não se amarga quando precisa correr atrás do prejuizo.

A vida fica mais leve quando convivemos ou nos deparamos com pessoas cujas circunstâncias lhes são dolorosamente adversas, mas, em vez de se lamentarem ou murmurarem, são capazes de dizer: “Estejam vocês também alegres, e regozijem-se comigo." Isso é exceção e ainda não sou uma. Mas prossigo para o alvo...


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Alegria na adversidade - Filipenses 2:17

“Contudo, mesmo que eu esteja sendo derramado como oferta de bebida sobre o serviço que provém da fé que vocês têm, o sacrifício que oferecem a Deus, estou alegre e me regozijo com todos vocês.” (Filipenses‬ ‭2:17‬)

Triste do seguidor de Jesus cuja alegria ministerial se prende tão somente a respostas positivas à sua mensagem, a circunstâncias favoráveis à sua caminhada de vida. Quem depende disso, rapidamente substitui o ser missionário pelo ser mercenário, pois será fiel à vontade dos clientes em vez de manter-se fiel à vontade de Deus.

Há circunstâncias nas quais, por mais fiéis que sejamos à vida e ensinos de Jesus, como modelo para nossas vidas e mensagens, joios brotam ao lado do trigo e experiências amargas se agigantam frentes aos prazeres que almejamos experimentar e proporcionar na missão.

"Contudo..." há que se predispor a estar alegre, mesmo quando a situação adversa quer se impor. Há que se ter clareza de que, ou escolhemos a alegria ou a amargura toma conta dos nossos corações. Escolher a alegria não é tão simples como girar uma chave, abrindo ou fechando uma porta, mas deve ser uma escolha indubitável, uma luz amarela que não para de piscar, para reger nossos pensamentos e sentimentos.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Palavra da vida - Filipenses 2:16

“retendo firmemente a palavra da vida. Assim, no dia de Cristo, eu me orgulharei de não ter corrido nem me esforçado inutilmente.” ‭‭(Filipenses‬ ‭2:16‬)

Nada há que justifique mais plenamente o ministério desenvolvido por um seguidor de Jesus do que a qualidade de vida que resulta desse ministério. A mais importante gratificação de um discípulo é poder sentir-se na presença de Deus com a consciência tranquila de que seu trabalho não foi ou não está sendo inútil nesse sentido.

Hoje, porém, além de destacarmos que a fonte geradora de vida é a palavra, também é essencial que não confundamos "palavra da vida" com "palavra da Bíblia". O Diabo usou texto bíblico na tentação de Jesus, mas sua palavra era "palavra da morte" e não "palavra da vida". A "palavra da Bíblia" para ser "palavra da vida" precisa ser entendida e aplicada à luz da vida e ensinos de Jesus. Jesus disse: "eu sou a vida". Ele é a palavra de Deus encarnada que produz vida.

Também se faz necessário entender que reter "firmemente a palavra da vida" não se trata, sem demérito, de memorização de textos da Bíblia, mas de encarnação da vida de Jesus na própria vida. É essa encarnação que evita que legalismos farisaicos ou interesses incompatíveis com o espírito do evangelho salvador, libertador, de Jesus, prevaleça em nossa pregação.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Estrelas em meio a trevas - Filipenses 2:15

“para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo,”
‭‭(Filipenses‬ ‭2:15‬)

Se há uma imagem de si mesma com a qual, como igreja, deveriamos nos identificar, essa é a de um laboratório. Laboratório como espaço de desenvolvimento de experiências que, sendo reproduzidas em outras áreas da sociedade, resultaria na qualidade de vida abundante descrita por Jesus (Jo. 10:10) como finalidade de sua presença entre nós.

Não me refiro à mera reprodução de moral sem reflexão, imposta historicamente por meio de manipulação, mas à busca consciente de ações movidas pela graça visando reproduzir o caráter amoroso, justo, solidário, honesto, integro, firme, enfim, de Jesus de Nazaré, em tudo o que se diz e se faz.

Se queremos brilhar como estrelas em meio a trevas, é essencial que, como congregação, nos estimulemos a desenvolver graciosamente a humildade, o esvaziamento de nós mesmos e a obediência à palavra de Deus encarnada e que, como instituição, nossas estruturas sejam lubrificadas pela vida de Jesus, a fim de que nossa presença seja percebida como fonte de esperança em uma sociedade corrompida, como se apresenta a do nosso querido país.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

As cidades e os relacionamentos

Vivi em Garça, Recife, Maceió, Coral Springs, Salvador e agora minha trilha é Campinas.

Não sinto falta dessas cidades pelos lugares nos quais nelas pude ir, mas pelas pessoas com as quais neles pude estar. 

Faz-me bem lembrar-me de cada uma delas e do que me proporcionaram em suas companhias. 

Importante são as memórias que delas carrego em mim.

Sou assim:

Sou assim:

Sou assim:
Quero ser melhor
Não melhor do que você
Muito menos melhor do que você deseja que eu seja
Quero ser melhor
Melhor porque assim minha vida pode melhorar
Melhor porque assim sua vida pode melhorar
Melhor porque assim nossas vidas podem melhorar

Sou assim:
Quero ter uma vida melhor
Não melhor tendo o máximo que o dinheiro possa comprar
Melhor tendo o necessário para celebrar
Celebrar a amizade
Celebrar a saúde
Celebrar a alegria
Celebrar a justiça
Celebrar a solidariedade
Celebrar a liberdade, o amor e a graça

Sou assim:
Quero ver sua vida melhor
Não melhor com base no que eu ache melhor
Melhor naquilo que você se sinta confortável
Melhor naquilo que você se sinta saudável
Melhor naquilo que você se sinta íntegro e confiavel

Sou assim:
Quero que você me ajude a ser uma pessoa melhor
Não querendo que eu seja sua imagem e semelhança
Não me tratando como se você fosse o "maduro" e eu a criança.
Mas fazendo-me sentir o pulsar do seu coração
Estendendo-me a mão sem com isso querer tirar minha liberdade de ação
Tratando-me como companheiro que apenas ajuda na direção

Queixas e discussões - Filipenses 2:14

“Façam tudo sem queixas nem discussões,” (Filipenses‬ ‭2:14)

Todos temos motivos para lamentar, todos temos arestas para aparar. As queixas decorrem de situações cujos resultados nos desagradam; as arestas, fruto da singularidade de cada individuo, das diferenças de interesses e valores, dos desníveis de condição, da necessidade de manifestação de poder, do egoísmo que nos torna inacapzes de reconhecer e sentir a dor alheia.

O problema da queixa é sua ineficácia, sua falta de objetividade. Quando muito ela dá alívio superficial, mas o queixoso não se atém à examinar causas, visualizar e buscar soluções. Apenas se satisfaz com a expressão do seu desgosto, num ato contínuo de autocomiseração e contaminação. Já nossas diferenças não se resolvem com disputas, mas com diálogos nos quais um procura ouvir e entender o ponto de vista do outro e ambos se dispõem a fazer concessões mútuas pelo bem comum.

Queixas e discussões não devem caracterizar o fazer cristão. Isso não significa que devem ser recalcadas. Antes, devem ser entendidas como possibilidade na caminhada, mas, uma vez expressas, devem ser solucionadas com boa vontade das partes, se necessário com ajuda de terceiros, mas, jamais, fazer parte da rotina de nossas vidas individuais ou comunitárias.

sábado, 15 de abril de 2017

Declaração de Imposto de Renda, corrupção e indignação

Robert Kiyosaki e Sharon L. Lechter, em "Pai rico, pai pobre", dizem algo como gostar de pagar impostos, pois isso indica que estão ganhando dinheiro.

Lembrei-me disso ao concluir minha declaração de imposto de renda, nessa sexta à noite.

Diferente deles, fico indignado. 

Antes era só por não ter saúde, educação ou segurança, por exemplo, de qualidade. Agora por conhecer um pouco mais detalhadamente a ponta do inceberg da absurdamente bem estruturada organização criminosa que suga o dinheiro do nosso trabalho, dos impostos que somos obrigados a pagar.

No final da declaração, calculei que entreguei 25% do que recebi em 2016 para um governo corrupto administrar em favor de seus interesses. Ou seja, trabalhei 3 meses, de 12, só para pagar impostos, para muito pouco de retorno. (Pegue o seu recibo de entrega da Declaração de Imposto de Renda, divida o valor pago em impostos pelo valor total que você recebeu, veja o percentual e sorria).

Isso sem falar de iptu, icms, ipi, ipva, pedágios, contribuições, etc, etc, etc...

Pior é quando me lembro das críticas que recebo, das portas que se fecham, porque, como pastor, defendo e estimulo o exercício político de nossa cidadania. A indignação só aumenta.

Ainda bem que meu coração está bem!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Uma resposta sobre o cristão e a política

Recebi, via áudio a palavra que segue e, pela relevância, compartilho, com minha resposta na sequência.

"Pastor, bom dia,

É, falar de Cruz, pastor. Nós precisamos falar mais de Cristo do que de política.

Sabe pastor, quantas pessoas em nossas igrejas estão deixando de falar com o outro simplesmente por questões que um tem um partido e o outro tem outro. É, chamar, ofender o outro de ladrão porque tem um pensamento ideológico diferente daquilo.

Enquanto Cristo não for Senhor, Senhor mesmo em sua plenitude, esse país vai sofrer muito e cada vez mais piorando. É um preço que está se pagando por seguirmos mais a homens do que a Deus."


Prezado Irmão, ouvi sua palavra.

Concordo que devemos falar mais de Jesus. Vou além: não só falar mais de Jesus, mas muito mais, falar daquilo que Jesus foi, fez e falou.

Se imitarmos Jesus naquilo que ele foi, fez e falou, falaremos mais de política, sem amargura, rancor ou ódio. Falaremos mais de política com amor, justiça, honestidade, solidariedade, enfim, valores presentes na vida, na fala de Jesus, tão em falta em nossas vidas e falas de "cristãos".

A solução, a meu ver, não seria substituir o "falar de política" pelo "falar de Jesus", mas falar de política com o coração e a voz de Jesus.

Assim falaríamos das políticas que adotamos em relação aos nossos corpos, nossos discursos, nossos casamentos, nossas famílias, nossos amigos, nossos irmãos na fé, nossos  semelhantes duferentes, nossos estudos, nossos trabalhos, nosso dinheiro, nosso tempo, nossa igreja, nossa cidade, nosso estado, nosso país, nosso planeta, enfim, das políticas que adotamos sobre nossa vida, à luz da vida daquele que dizemos ser senhor de nossa vida: Jesus.

Negar o discurso sobre política é negar a própria vida, pois a vida é feita de relações políticas.

Ou não é política o que marido e esposa fazem quando se sentam em torno de uma mesa pra elaborar as prioridades do orçamento famíliar? Ou não é política o que pais fazem quando se sentam com seus filhos para definir procedimentos que envolvem suas vidas? Ou não é política o que a igreja faz quando se reune em assembléia para votar seus assuntos ou eleger seus dirigentes?

Fazemos política o tempo todo, inclusive quando optamos por não participar de determinadas políticas. É a conveniência política, a avaliação que fazemos do que ganhamos ou perdemos, que nos leva a escolher participar ou nos ausentar desta ou daquela política.

É a mesma conveniência, a mesma análise de custo-benefício, que nos leva a falar ou silenciar sobre determinado assunto, em determinada circunstância ou lugar.

Isso é política.

Cada um escolhe a política que adotará de acordo com a competência ou coragem que acredita ter para participar.

E quando para para decidir em quais assuntos e ambientes se envolverá, está decidindo que política adotará. Esta escolhendo aquilo que lhe interessa de acordo com os sentimentos e valores que norteiam sua vida.

Fazer escolhas, portanto, é fazer política. Podemos gostar ou não das escolhas políticas que o outro faz ou da forma de fazer política que o outro faz. Isso também é uma posição política.

Quando criticamos as escolhas ou formas de fazer política do outro ou, pior, negamos o direito que ele tem de fazer as escolhas e a forma que faz, estamos, com a nossa postura política desejando que a nossa escolha e formas de fazer política prevaleça, mesmo não assumindo isso publicamente.

Desde o dia que escolhemos, conscientemente, seguir a Jesus, isso teve uma implicação política. Manter essa escolha com as consequências disso em todas as dimensões da vida é um desafio que temos que enfrentar diariamente.

Se não fosse sua graça e o poder do seu espírito, as coisas poderiam estar sendo bem pior. Mas precisamos continuar, não adotando a política de substituir  o "falar político" pelo "falar de Jesus", mas fazer e falar de política com o coração de Jesus.

Forte abraço,

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Deus, o motivo do nosso compromisso - Filipenses 2:13

“pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.” (Filipenses‬ ‭2:13‬)

O que nos motiva a continuar integrados numa comunidade de fé, no corpo de Cristo, em meio a deslealdade no trato, incoerência de conduta, especialmente de parte dos que ocupam cargos eclesiásticos? O que nos motiva a continuar firmes na fé evangélica, isto é, na fé fundamentada no evangelho de Jesus Cristo, em meio a tantos escândalos envolvendo pessoas públicas que se identificam como evangélicas? 

É comum atitudes de esfriamento com as coisas do Reino de Deus, de afastamento das ações comunitárias que visam manifestar a presença de Deus em nossas vidas e na da igreja da qual participamos, em nome dos deslizes cometidos por  membros ou líderes da igreja.

O que não podemos nos esquecer, porém, é que Deus é a razão da nossa fé e não as pessoas que nos cercam. Não devemos nos acomodar ao pecado, minimizando sua importância, muito menos dar a ele importância tal que seja capaz de sufocar a ação divina em nós. É ele, o Senhor, quem efetua em nós o querer e o realizar sua obra, não as pessoas e seus desvios.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A força da salvação - Filipenses 2:12

“Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor,” (Filipenses‬ ‭2:12‬)

Fomos salvos, estamos sendo salvos e seremos salvos. Salvação, portanto, não é algo que tem a ver apenas com o futuro, com uma recompensa em outro espaço geográfico. Esse não foi o foco dos ensinos de Jesus. Salvação é a experiência libertadora que a reconciliação com Deus, em Cristo Jesus, possibilita a partir do já e do aqui.

Salvação é algo a ser desenvolvido. Quem a experimenta, tem pressa em ver seus efeitos acontecendo em sua própria vida e na das comunidades passíveis de sua influência. Sabe que seus efeitos são universalmente benéficos e, por isso, não enxerga barreiras geográfico-culturais que impossibilitem seu avanço.

Salvação é algo tão forte no coração dos que estão em comunhão com Deus que seu desenvolvimento não depende da presença fiscalizadora de alguém para se concretizar. É algo que brota do interior, da consciência, contagiando até sem palavras, aqueles que convivem com quem por ela foi alcançado.

terça-feira, 11 de abril de 2017

3 diferentes leituras da narrativa da páscoa

São múltiplas as possibilidades de leitura e aplicação da narrativa da páscoa cristã, principal acontecimento dessa tradição de fé. Da teologia à política passando pela psicologia, por exemplo, ela é pedagogicamente rica e seus significados fortalecem nossa caminhada neste planeta.

Na leitura teológica, predomina Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A linguagem é uma analogia aos rituais de animais praticados em diversas religiões, inclusive na judaica, cujo derramamento de sangue era feito em favor da purificação de pecados. A crucificação de Jesus e o sangue derramado no madeiro põe fim à necessidade de rituais religiosos em favor da comunhão humana com o divino.

A ênfase nessa leitura é ao Cristo de Deus e sua aplicação se dirige predominantemente aos benefícios individuais da fé no sacrifício de Jesus. Tal fé produz alívio à alma das culpas produzidas pelos pecados individuais e possibilita ao que crê aguardar confiante pela salvação eterna no céu.

leitura política enfatiza o Jesus histórico, sua relação com os poderes estabelecidos e as consequências das posições que assumiu frente aos sistemas políticos que sustentavam o religioso estado vigente à época.

A postura crítica de Jesus ao principal partido religioso de então – os fariseus – e o confronto dos valores que a denominação religiosa abraçava, dos costumes que defendia, com os valores do Reino de Deus, resultaram na crucificação do homem de Nazaré. O argumento da força teria vencido a força do argumento.

Essa compreensão é pouco ou quase nunca destacada, não porque seja difícil de ser entendida ou porque não tenha realmente algo a ver com a realidade dos acontecimentos, mas porque relacionar a vida de Jesus, suas atitudes, palavras e ações, com o desfecho na cruz do Calvário, em seu aspecto político, tem a capacidade de gerar tensão profunda e constante entre igreja e sociedade.

É muito mais confortável, seja para igreja, seja para os seus dirigentes, desvincular os efeitos da vida de Jesus da realidade que os cerca e vincular seu ministério exclusivamente a um porvir glorioso, do que experimentar cotidianamente o dissabor de confrontar os valores que norteiam o funcionamento dos sistemas – políticos, econômicos, educacionais, religiosos, de saúde, segurança, transportes, etc - que sustentam a vida presente da coletividade e os benefícios que eles – os valores vigentes - trazem aos que conduzem tais sistemas.

leitura psicológica enfatiza a vitória da vida sobre a morte, alimenta a esperança humana diante dos desafios de todas as naturezas que se apresentam à caminhada neste mundo, revigorando nossas forças e alimentando nossa criatividade em busca perseverante de soluções que nos ajudem a não desistir de viver.

O cotidiano da vida neste lugar impõe desafios de toda ordem. Viver o aqui e agora implica enfrentar todo tipo de adversidade. Muita vez o sofrimento é tal que a esperança se esvai, o sentido desaparece. Nesse contexto, a narrativa do sofrimento, morte e ressurreição de Jesus reacende a chama que anima a alma e o desejo de continuar vivendo, movido pela fé de que, por mais difíceis que sejam as lutas, a vitória está reservada.

Há aqueles que se relacionam com o texto de maneira positivista e acreditam que somente uma verdade pode ser relacionada aos acontecimentos narrados. Há outros cuja relacão com o texto é de natureza estritamente pedagógica, para os quais o importante seriam as lições que podem ser tiradas e ensinadas em favor da vida. Alguém poderia perguntar: qual seria a leitura correta da narrativa da páscoa?



Pessoalmente entendo que todas as leituras são benéficas e se complementam, pois as Escrituras nas quais a história de Jesus – portanto a narrativa da páscoa - está inserida demonstram de maneira clara que o amor de Deus é por sua criação em todas as dimensões e todos que buscam viver em comunhão com o criador, personificado em Jesus, hão de entender que a vida de Jesus, do nascimento à ressurreição, são uma estrondosa manifestação de vida, de esperança, sem exclusão de qualquer de suas dimensões.

Testemunho eficaz - Filipenses 2:11

“e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Filipenses‬ ‭2:11‬)

Todo aquele que reconhece Jesus como Senhor e Salvador deseja que outras pessoas também tenham oportunidade de assim conhecê-lo. Não se trata de querer impor uma religião e suas estruturas doutrinárias, organizacionais, políticas e ideológicas, mas de compartilhar os benefícios individuais e coletivos da experiência com Jesus e obediência aos seus ensinos.

Entretanto, tal desejo não tem sido suficiente para alterar a realidade como poderia. Isso se deve ao fato de dizermos "senhor, senhor", mas não nos empenharmos em viver o que ele ensina, em boa parte do tempo e em parcela significativa de nossas atitudes, palavras e ações.

Se desejamos ver pessoas com joelhos dobrados, confessando Jesus como senhor e glorificando a Deus em suas vidas, é essencial que as atitudes que adotamos sejam as mesmas de Jesus e não as dos que anunciam o evangelho movidos por invejas e rivalidades, como Paulo escreveu aos Filipenses.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Xô, amargura III (Quando o racionalismo teológico é de fachada)

Hoje à tarde estava pensando nos quatro caminhos que Peter Scazzero recomenda em "O líder emocionalmente saudável", para enfrentarmos nossas sombras e dediquei um pouco mais de atenção a um deles que é "dominar seus sentimentos dando-lhes nomes".

Pensei mais nesse porque acompanho a reação racional, filosófica até, exposta através de linguagem inteligente e lúcida, da parte de algumas pessoas contra, por exemplo, os batistas, os evangélicos, uma igreja específica ou até contra a fé cristã, mas, por conhecer um pouco a história dessas pessoas, sei que as palavras são apenas um verniz para esconder a razão real das duras - mesmo inteligentes - críticas, que é um profundo sentimento de amargura não resolvido.

(Críticas fazem bem, são necessárias, quando elaboradas e expostas não por amargura, mas pelo interesse no bem da parte criticada)

Quem nunca experimentou algum grau de amargura, que atire a primeira pedra. Todos vivemos situações em nossos relacionamentos familiares, eclesiásticos, profissionais, enfim, nos quais nos sentimos injustiçados. O sentimento de injustiça é, talvez, o maior causador de amargura.

O problema é que, se tais pessoas não têm oportunidade de refletir sobre seus próprios sentimentos, de reconhecê-los dando os devidos nomes, elas não conseguem administrá-los e superá-los. Isso, além de provocar problemas de diversas naturezas pra elas próprias, prejudica também a vida de tantas outras pessoas que, muita vez, nada têm a ver diretamente com o problema.

Confesso que gostaria de conversar com algumas dessas pessoas. Inclusive para compartilhar dos momentos de amargura pelos quais já passei e como fez bem a mim conseguir compreendê-los, reelaborá-los e não mais permitir que eles exercessem controle sobre mim. Também para ajudá-las a chamar seus sentimentos pelo nome, libertando-se de seus efeitos nocivos.

Estamos expostos a experimentar amargura, inclusive porque nos relacionamos e todo relacionamento é conflituoso. Saber que, admitindo a amargura, reconhecendo a razão de sua presença em nós e dando a ela o devido nome, podemos administrá-la melhor e atè superá-la, é muito importante.

E aí, alguma amargura?

Xô amargura I
http://blogdoedvar.blogspot.com.br/2009/08/xo-amargura-i-2004.html

Xô amargura II
http://blogdoedvar.blogspot.com.br/2009/08/xo-amargura-ii-2004.html

Joelhos dobrados - Filipenses 2:10

“para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra,” (Filipenses‬ ‭2:10‬)

Em busca de satisfazer necessidades emocionais e materiais imediatas, somos capazes de fazer aquilo que é nocivo a nós mesmos e aos outros, no curto, médio e longo prazo. Falta-nos sabedoria e paciência para reconhecer e agir de modo que prevaleça aquilo que é valorizado por Deus e não "pelos mercados".

Agir de acordo com valores do Reino de Deus pode colocar-nos em uma aparente desvantagem. Não raras vezes nós mesmos somos comparados ou nos comparamos com pessoas, cujas atitudes não refletem o caráter de Jesus, mas aparentam prestígio, dinheiro, poder ou sucesso.

Porém, a vida de Jesus - na mensagem de Paulo - nos estimula a vivermos com humildade e obediência diante de Deus, pois o caminho para que a vida seja exaltada em vez de aviltada é viver com os joelhos dobrado diante de Jesus e não das tentações da vida.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Exaltação da humanidade - Filipenses 2:9

“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome,” (Filipenses‬ ‭2:9‬)

Há atitudes que exaltam o ser humano. Não a exaltação que, ao distinguir alguém em grau superior, avilta os semelhantes ou os deixa em situação de oprimidos, mas a exaltação que coloca o exaltado em condições de proximidade tal do caráter divino que ratifica sua amorosidade semelhante à do criador.

A inveja e ambição egoistas são atitudes que aviltam a humanidade, que colocam o ser humano e a vida em comunidade em situação de conflito e risco de destruição. Elas obscurecem a imagem divina na humanidade. São, portanto, incompatíveis com o caráter de quem se declara discípulo de Jesus.

As atitudes adotadas por Jesus, responsáveis por sua exaltação, revela o caminho a ser percorrido por aqueles que querem ver a humanidade exaltada e não aviltada: humildade e obediência diante de Deus. Daí, por exemplo, a recomendação de Pedro: "Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido.” (1 Pedro‬ ‭5:6‬)

sábado, 1 de abril de 2017

Sou a favor da reforma da previdência

Sou a favor da reforma da previdência, mas de uma reforma através de amplo diálogo mostrando, com transparência e confiabilidade: os dados que caracterizam a situação previdenciária, quem perde mais ou menos no curto e médio prazo e como todos ganharão no longo prazo.

Sou contra a reforma apresentada porque faltam esses critérios processuais e o governo vigente não apresenta confiabilidade. Pelo contrário, age como um governo manipulador e autoritário movido por interesses explicitamente favoráveis à manutenção de um time de corruptos que queremos ver atrás das grades.

Obediência Radical - Filipenses 2:8

“E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Filipenses‬ ‭2:8‬)

Na cronologia da vida, primeiro obedecemos. Com o passar dos dias, porém, começamos a aprender o jogo do poder e iniciamos um processo de estratégias visando fazer prevalecer nossas necessidades e desejos. Desde então, conscientes ou não, vivemos envolvidos em situações corriqueiras ou excepcionais, nas quais a capacidade de mandar e obedecer é testada e usada contra ou a favor de nós mesmos ou da coletividade.

O que ganhamos ou perdemos, se pensamos só em nós, só no grupo ao qual pertencemos ou no bem de todos, se somos movidos por amor, alegria, tristeza, medo ou raiva, se torna essencial na definição do tipo de poder que exerceremos e o grau e natureza da obediência que desenvolveremos.

Quando o amor e a alegria dominam os corações das partes envolvidas no processo e o poder é exercido pensando no bem comum, entendemos o papel da obediência, conhecemos e confiamos em quem tem o poder de mandar e internalizamos de tal forma o nosso papel que, em vez de agir visando destruir a vida alheia, nos tornamos capazes de obedecer nossa voz interior e dar a própria vida em favor de outrém. Assim fez Jesus.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Comportamento adequado - Filipenses 2:7

“mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.” (Filipenses‬ ‭2:7‬)

Especialistas dizem que o comportamento humano é resultado da soma da herança genética e influencias ambientais. Não somos robôs. Fomos capacitados a ajustar nossa conduta de tal maneira que ela nos seja favorável, que aquilo que fazemos traga benefício e não prejuizo à nossa vida.

Freud disse que "quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda". A vida de Jesus, por outro ângulo, nos mostra que uma consciência profunda de missão também pode nos levar a mudar. O foco também é capaz de fazer com que deixemos as coisas que para trás ficam, fixemos o olhar no alvo e façamos os ajustes necessários para atingí-lo.

Abrir mão do senhorio pelo serviço, da divindade pela humanidade, foi uma atitude radical de Jesus, no dizer de Paulo, que deve servir-nos de referência às mudanças que precisamos implementar se quisermos construir ambientes favoráveis à salvação, preservação e desenvolvimento da vida em comunidade.

Línguas estranhas no altar


O templo era de uma tradicional igreja batista renovada do Recife. Como seminarista, fui pregar no culto da manhã. Antes do culto, no encerramento da EBD, o dirigente recitou:

"Uma cigana me disse
E eu creio ser assim:
Quem comigo fala dos outros,
Com os outros fala de mim".

Não era um alerta bíblico, mas cabia. Línguas de fogo deviam estar ardendo no altar...

domingo, 26 de março de 2017

Desapego - Filipenses 2:6

“que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;” (Filipenses‬ ‭2:6‬)

Sabe quando você realiza um trabalho que ganha notoriedade, que agrega valor à instituição a qual serve ou serviu e o crédito é dado a outra pessoa? O sentimento é de reagir e corrigir a informação, trazendo pra si o mérito ou amargurar-se e passar a destilar veneno, mesmo que à conta gotas.

A pessoa, porém, que tem consciência das consequências do apego àquilo que a engrandece perante a opinião pública e, em vez de apegar-se a isso, de fazer disso a razão de ser de sua vida ou ainda, de, através disso entrar em conflitos ou amargurar-se, trabalha com o coração para desapegar-se (não estou dizendo recalcar), certamente faz muito bem a si e aos que a cercam.

No famoso período da tentação de Jesus, ele foi desafiado a apegar-se à sua condição divina, transformando pedras em pães, desafiando a lei da gravidade ou apropriando-se dos reinos. Sua clareza de propósitos, porém, fez com que ele se desapegasse de sua condição divina e não se desviasse do foco de sua missão. Do que devemos nos desapegar para não perdermos nosso foco?

sábado, 25 de março de 2017

De volta a Jesus - Filipenses 2:5

“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus,” ‭‭
Filipenses‬ ‭2:5‬ 

Há dois movimentos que têm chamado minha atenção no meio evangélico. Um nos convida a voltarmos à Reforma; o outro, à Bíblia. Conquanto aparentem motivação virtuosa, ambos apresentam possibilidades tão amplas que precisamos definir a qual reformador ou a qual assunto da Bíblia devemos retornar.

Penso que uma chamada de volta à pessoa de Jesus, além de mais precisa, objetiva, é, também, mais coerente com a razão da fé cristã. É verdade que Jesus e a Bíblia são inseparáveis, pois se é fato que nossa fé está fundamentada em uma pessoa - Jesus - e não em um livro - Bíblia - é fato também que a única fonte que trata dessa pessoa é a Bíblia. Mas Jesus - seja o verbo, seja o histórico -  continua sendo Jesus e a Bíblia, Bíblia.

Diante das atitudes equivocadas apresentadas por irmãos Filipenses, descritas no capítulo 1, Paulo não age como vendedor de Bíblias e seus subprodutos. Ele vai direto ao ponto: a atitude de vocês deve ser como a de Jesus. Se você quer saber a que atitudes de Jesus ele se refere, acesse uma Bíblia, MAS foque seu interesse em Jesus.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Interesses dos outros - Filipenses 2:4

“Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses‬ ‭2:4‬)

Um dos caminhos que podemos utilizar para ordenar nossa escala de prioridades é classificar as alternativas em: 1) Muito importante; 2) importante; 3) pouco importante e 4) sem importância. Isso nos ajuda a concentrar a atenção, as energias, naquilo que efetivamente faz alguma diferença em nossa vida.

Definido o que é muito importante, isto é, aquilo que de fato interessa, que é significativo para nós, temos a tendência de nos esquecermos de que não somos uma ilha e que o que nos interessa afeta não somente a nós mesmos, mas também aos outros e vice versa.

Diante disso, a palavra nos ensina que a nossa atenção, o nosso foco, o nosso cuidado, não deve ser com aquilo que interessa somente a nós, mas também aos outros. Os nossos interesses devem ser defendidos, mas não somente os nossos. Os dos outros também devem fazer parte dos nossos cuidados, pois tudo o que fazemos ou deixamos de fazer impacta não somente a nossa vida, mas também a de quem nos rodeia.

sábado, 18 de março de 2017

Respeito ao outro - Filipenses 2:3

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vocês mesmos.”
‭‭(Filipenses‬ ‭2:3‬)

A Suécia é conhecida como o país no qual os direitos e deveres individuais são mais reconhecidos e as distâncias desses direitos e deveres, que desigualam as pessoas, são menores. Nem sempre foi assim. Isso é fruto do desenvolvimento de um cultura coletiva que reconhece o valor do ser humano, primeira e simplesmente, por ser humano e não pelo que a ele é agregado socialmente como títulos, atribuições sócio-políticas ou fama, por exemplo.

Isso é bastante diferente da cultura do "você sabe com quem está falando?" ou da cultura da supremacia do paletó e gravata, do jaleco branco ou outro uniforme, do cargo público, do bairro onde mora, da marca do carro que possui, etc. que é tão forte e nociva em nossas igrejas, instituições outras e em nosso Brasil.

"Considerem os outros SUPERIORES a vocês mesmos" é uma expressão muito forte que deve ser entendida como uma linguagem assim usada justamente para fazer contraponto às expressões não menos fortes: "ambição egoista" e "vaidade" (superficialidade), ambas prejudiciais a relacionamentos saudáveis, respeitosos, que devem ser estabelecidos com o outro.

sexta-feira, 17 de março de 2017

A propósito da Operação Carne Fraca

Comecei a trabalhar aos 15 anos em uma loja de materiais de construção. Aos 18, após servir o exército, fui trabalhar como auxiliar do Serviço de Inspeção Federal num frigorífico exportador, lá em Garça, que abatia 1200 bovinos por dia, na alta estação.

Havia um rodízio e a cada dia examinava uma parte dos animais abatidos. Cabeça (inclusive conferindo a idade do animal pelos dentes), lingua, intestino, coração, pulmão, fígado, rins, carcaça e um gânglio cujo nome não me lembro mais.

A qualquer sinal de contaminação ou de alguma suspeita de doença, o animal era remetido para uma inspeção final mais detalhada, inclusive com a presença de veterinário.

Lembro-me de que havia situações em que uma certa tensão acontecia entre inspetores e gerentes da empresa em função da equipe estar condenando mais a carne para consumo do que se gostaria. Mas o trabalho era feito com seriedade.

Desisti de trabalhar com carne pra trabalhar com espírito aos 20 anos. Tenho um filho vegano. Não consegui chegar a tanto.

Algo me fez lembrar dessa história hoje.

A alegria da unidade na diversidade - Filipenses 2:2

“completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.” (Filipenses‬ ‭2:2‬)

Vivemos um tempo no qual a diversidade é celebrada. Há um reconhecimento crescente de que o mundo criado por Deus tem como um dos pilares as diferenças entre os seres que, embora contados aos milhões, cada um tem suas próprias peculiaridades e identidades.

Nesse contexto, existem aqueles que, por trazerem em suas personalidades traços do narcisismo, trabalham por uma uniformidade na qual eles se apresentam como modelos, parâmetros, e neles todos devem se mirar e se igualar. Quem reage a isso é marginalizado e apedrejado.

O ensino da Palavra, porém, refere-se à "mesma forma", não ao "mesmo conteúdo". Uma forma de pensar e amar, que tem como origem o mesmo espírito, a mesma fonte de atitudes. Isso possibilita que, embora nossas palavras e ações sejam diferentes, a finalidade e o resultado sejam sempre favoráveis ao bem estar comum, produzindo alegria comunitária em vez de amargura e dor.

segunda-feira, 13 de março de 2017

11 dicas elementares para iniciantes na vida profissional

Estava estacionado na rua, no centro de Campinas, esperando minha esposa e resolvi gravar esse vídeo com 11 dicas elementares para iniciantes na vida profissional.
O ângulo da gravação e a não fixação do olhar na tela, se devem ao fato de não poder deixar o equipamento exposto, nem ficar desatento ao que  ocorria ao redor para não ser surpreendido por algum criminoso. Coisas do Brasil.   

Estar em Cristo - Filipenses 2:1

“Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão ...” (Filipenses‬ ‭2:1‬)

As implicações escatológicas do "Estar em Cristo" são uma promessa, um plus. O mais importante "neste corpo"  são os efeitos psíquicos e éticos que isso produz. Se alguém diz "estar em Cristo" e não apresenta sinais positivos de mudança, algo está errado em sua declaração de fé.  

No mínimo, "estar em Cristo" altera nossas motivações, nosso ânimo amoroso, nossa comunhão, nossa afeição e compaixão. Isso, embora não seja tudo o que a presença de Jesus pode fazer em nós, já é algo revolucionário, especialmente se compararmos com exemplos negativos de personalidades que se autodenominam evangélicas, no mundo eclesiástico, político e midiático brasileiro.

Não confunda "estar em Cristo" com "estar  em uma igreja". O que impacta o caráter não é sua presença em uma igreja - conquanto seja importante -, mas a presença do Jesus de Nazaré em sua vida. Ele altera o relacionamento com Deus, com as pessoas e com a natureza. Em uns isso é mais visível, em outros menos, mas em todos ocorrem mudanças em algum grau. É impossível ter intimidade com Jesus e continuar sendo a mesma pessoa.

sábado, 11 de março de 2017

Jovens vencidos, sinal fechado

"...Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens..." (Belchior)

Juventude não tem a ver com idade, tem a ver com sonhos. Idade remete a hormônios, energia; sonhos, a valores, visão de mundo.

O sinal não está fechado à juventude. Está fechado àqueles que não perderam a capacidade de sonhar. 

O sinal continua aberto àqueles que apenas carregam hormônios à flor da pele, mas deixaram de sonhar seus próprios sonhos, pois sua energia está a serviço dos sonhos daqueles que estão em casa "guardados por deus, contando o via metal".

O sinal continua aberto àqueles que sucumbiram diante das promessas do mercado.  

A esses basta que continuem conservadores e alimentadores do sistema como está montado. 

A esses basta que sejam conservadores dos modelos que premiam o trabalho de alguns em detrimento do da maioria. 

A esses basta que acreditem e sejam conservadores  da idéia de que os que acumulam pra si, o capital, são os mais competentes. 

A esses basta que acreditem, sejam conservadores nisso e disseminem a falsa idéia de que todos, dos 1% que concentram renda maior do que dos 99% restantes do planeta, são indivíduos que começaram do zero, como aquele caso do lixeiro que virou doutor e não herdeiros de fortunas, muitas das quais acumuladas pela corrupção do sistema ou pela exploração imoral do outro. 

O sinal continua aberto àqueles que são conservadores dessas idéias e, como prêmio, a eles estão garantidas as migalhas que caem das mesas poderosas.

O sinal está fechado para jovens, não importa a idade cronológica, que continuam acreditando em valores como amor, justiça, solidariedade, fraternidade e compaixão. 

O sinal está fechado para jovens que focam suas inteligências, energias, conhecimentos, experiências em lutas que beneficiam a si e também à coletividade. 

O sinal está fechado para jovens que continuam sonhando com uma sociedade includente, por isso levam a sério a recomendação dos apóstolos a Paulo - não se esqueça dos pobres - e a de Jesus - mais bem aventurado é dar do que receber. 

Para esses o sinal está fechado, pois são rotulados de comunistas, esquerdopatas, liberais, quando tudo o que desejam é levar a sério, em suas vidas, a vida de compaixão, justiça, solidariedade e amor de Jesus, se empenhando para traduzir valores em estruturas jurídicas e organizacionais eficazes em favor do bem comum.

Jovens vencidos pelo sinal fechado, mas mais que vencedores, por aquele que nos amou, “Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
‭‭(Romanos‬ ‭8:38-39‬). 

É a vitória do ser sobre o ter, para que o ter possa ser para todos não em termos de acúmulo, mas em benefício à vida neste planeta cujo desafio se multiplica pelo egoismo e materialismo idolatrado que é enfiado guela abaixo por ideologias diversas, algumas até em linguagem bíblica, sem Jesus.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Combate - Filipenses 1:30

“já que estão passando pelo mesmo combate que me viram enfrentar e agora ouvem que ainda enfrento.” (Filipenses‬ ‭1:30‬)

A natureza humana é a mesma e os combates de cada um têm semelhanças, independente da origem geográfica, cultural, econômico-financeira, acadêmica, religiosa, enfim. 

Nenhum ser humano expressa, muito menos é a expressão, apenas de elementos favoráveis. Há também os adversos. Portanto, ninguém é imune a combates. Todos travam em si e entre si algum tipo de combate, ainda que em graus e motivos diferentes, a fim de superar adversidades impostas em dadas circunstâncias.

Líderes não são imunes à adversidades e, portanto, não estão livres de enfrentamentos. Assim, não há privilegiados neste campo. Cada um pode enfrentar de maneira diferente, mas todos "estão passando pelos mesmos combates". Sabias, então, são as palavras de Pedro, adaptadas aqui: resistam, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos combates. (1 Pedro‬ ‭5:9‬).

terça-feira, 7 de março de 2017

Estranho privilégio - Filipenses 1:29

“pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele,” (Filipenses‬ ‭1:29‬)

Um dos hinos mais cantados nas igrejas batistas antes das tecnologias (cds, dvds, pen drives, data shows...) que possibilitaram a reprodução em massa de novas músicas para cultos dizia: "Que delícia é crer em Cristo, em seu nome confiar, aceitar os seus ensinos e as promessas desfrutar!  Oh, que gozo é crer em Cristo, ter certeza de perdão! Receber de Cristo mesmo vida, paz e salvação."

Todos queremos esse privilégio que crer em Cristo representa e proporciona. Estranho é o privilégio adicionado por Paulo: sofrer por Cristo. Estranho porque sofrer é uma experiência essencialmente indesejada. Embora seja inevitável à condição humana, evitá-lo é uma predisposição presente na vida de todos, exceto em masoquistas.

"Pare de sofrer", entretanto, não é proposta dos evangelhos. É enganação de comerciantes de má fé da religião. Jesus declarou: "no mundo tereis aflições". Além disso, o próprio Jesus também disse: ““Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.” (Mateus‬ ‭5:11‬). De sofrer, ninguém gosta, mas há causas pelas quais vale a pena e até um privilégio, estranhamente é. Jesus é a maior delas.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Oposição - Filipenses 1:28

“sem de forma alguma deixar-se intimidar por aqueles que se opõem a vocês. Para eles isso é sinal de destruição, mas para vocês, de salvação, e isso da parte de Deus;”
‭‭(Filipenses‬ ‭1:28‬)

Gosto de pensar que não é atitude inteligente esperar ausência de oposição. É claro que ninguém gosta de oposição desleal, desonesta, mas, independente disso, oposição é importante. Ela nos faz refletir com mais profundidade e prudência e, consequentemente, nos ajuda a evitar ações superficiais, se nossos propósitos forem bons.

Tem medo de oposição, aqueles cujas intenções não estão claras ou são más. Aqueles que têm convicção de que seus projetos estão afinados com valores do Reino de Deus, entenderão opositores como agentes de salvação, não de destruição, mesmo que tais opositores não se percebam assim, nem ajam visando o bem.

Nesse sentido, não devemos evitar oposições em nossa caminhada. Devemos respeitá-las e nunca subestimá-las. Intimidar-se, porém, jamais.

domingo, 5 de março de 2017

Cidadania - Filipenses 1:27

“Não importa o que aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo, para que assim, quer eu vá e os veja, quer apenas ouça a seu respeito em minha ausência, fique eu sabendo que vocês permanecem firmes num só espírito, lutando unânimes pela fé evangélica,” (Filipenses‬ ‭1:27‬)

Somos cidadãos deste mundo. Dizer isso seria desnecessário se não existissem os que apregoam uma teologia que nega a luta em defesa das necessidades de todos, neste corpo, neste mundo, e ensinam que a realização de necessidades atuais se dará apenas no "pós túmulo", no céu. 

Cidadania tem a ver com a consciência dos deveres e direitos que devemos desenvolver aqui e agora. Tem a ver com a luta amorosa e permanente empreendida visando a construção e manutenção de uma vida de qualidade saudável, em TODAS as dimensões, para TODOS que habitam este planeta. Não tem a ver, portanto, com deveres e direitos somente em um país, mas deveres e direitos humanos.

Esta cidadania deve ser exercida tendo como padrão o evangelho de Cristo. A fonte primária disponível de informação dele é o Novo Testamento.  Por haver focos e interpretações múltiplos, cada um pode e deve ir direto à fonte e, inspirado em Jesus de Nazaré, desenvolver sua cidadania no contexto onde vive. Esse é o único caminho para recuperarmos a credibilidade da "fé evangélica", em face do estelionato praticado por comerciantes da religião e pelos que usam a Bíblia não para libertar - salvar -, mas para controlar - opimir.

sábado, 4 de março de 2017

Influência - Filipenses 1:26

“a fim de que, pela minha presença, outra vez a exultação de vocês em Cristo Jesus transborde por minha causa.” (Filipenses‬ ‭1:26‬) 

O relacionamento humano é feito de inspiração. Inspiramos e somos inspirados continuamente, durante toda a nossa vida.  A influência que exercemos ou que exercem sobre nós se dá de maneira consciente, ativa, objetiva ou mesmo de maneira insconciente, passiva, subjetiva. O fato é que nenhum de nós está livre de influenciar e ser influenciado.

Pessoas conscientes disso procuram conhecer-se a si mesmas, os sentimentos e pensamentos que caracterizam suas atitudes, as palavras e ações que utiliza para expressá-las, a fim de influenciar a realidade a seu alcance. Também procuram ter clareza do padrão de humanidade que almeja a fim de que ele se torne visível em si e em todos os demais.

Jesus era o parâmetro da vida de Paulo. Ele o declarava como Senhor e Salvador, seu e da humanidade. Da reprodução de vidas semelhantes à de Jesus dependia a salvação da humanidade. Por isso seu desejo era que sua presença produzisse "exultação...em Cristo Jesus" na vida dos que o cercassem. O sentido de sua existência era causar o transbordamento da vida de Jesus na vida de quem com ele caminhasse.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Progresso e alegria na fé - Filipenses 1:25

“Convencido disso, sei que vou permanecer e continuar com todos vocês, para o seu progresso e alegria na fé,” ‭‭(Filipenses‬ ‭1:25‬)

 Ninguém pode afirmar que continuará vivo. Pode desejar que isso ocorra. Portanto, afirmar "que vou permanecer e continuar com todos vocês" é, a meu ver, um recurso linguístico usado para manifestar o amor sentido pelas pessoas a quem a palavra é dirigida. 

O desejo de continuar "no corpo" tinha uma finalidade missionária: o progresso e a alegria na fé. Essa finalidade merece destaque porque contrasta com a de alguns missionários cujo interesse é tão somente a "alma" alheia, pouco se importando e até combatendo os que se importam com a salvação da vida "no corpo". 

Somente quem cultiva uma fé cujas repercussões se fazem sentir a partir do aqui e agora e não somente do lá e depois, pode interessar-se em manter-se ao lado de outros para ajudá-los "em seu progresso e alegria na fé". Bem diferente de manter contato para enganar, manipular, tosquiar, controlar, oprimir, usar e abusar do outro, em nome da fé.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Altruísmo - Filipenses 1:24

“contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo.” (Filipenses‬ ‭1:24‬)

Há coisas que desejamos - como estar com Cristo fora do atual corpo, nas palavras de Paulo - pelo bem que, acreditamos, elas nos farão e há aquelas que escolhemos - como permanecer no atual corpo - pelo bem que elas farão a outros.  As duas proporcionam prazer, ainda que por caminhos diferentes. 

A escolha que fazemos retrata o que de fato tem mais força sobre nós, seja isso consciente ou não. No caso de Paulo, percebe-se que o sentimento missionário era muito forte. Exemplo disso, além de suas ações, são suas palavras aos efésios: “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. Em tudo o que fiz, mostrei a vocês que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber’.”” (Atos‬ ‭20:24, 35‬)

Esse tipo de sentimento, de consciência, que coloca os interesses alheios à frente dos próprios interesses  é um produto em falta. Daí, talvez, nossa dificuldade de construir sociedades mais solidárias, amorosas e justas. Daí, talvez, cada dia surgir mais igreja que é menos igreja. Daí, talvez, cada dia surgir mais pastor que é menos pastor. Daí, talvez, cada dia sugir mais ser humano que é menos humano.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Saudável pressão - Filipenses 1:23

“Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor;” (Filipenses‬ ‭1:23‬)


Certa vez a multidão que ouvia Jesus foi, por ele, encostada contra parede. Diante das palavras proferidas a debandada foi geral. Vendo que seus discípulos permaneceram, ele indagou se eles também não se retirariam. A resposta de Pedro entrou pra história: "pra quem iremos nós, se só tu tens palavras de vida eterna?". (Jo. 6).



Estar com Jesus é sempre a melhor opção para nossas vidas. Sentar-se aos seus pés para ouví-lo é, indiscutivelmente, a escolha desejável. Estar ao seu lado no "Monte da Transfiguração" enche os olhos, alimenta a alma. Porém, o que parece ser melhor para nossa vida, não é, necessariamente, o projeto melhor que ele tem para nós.



Estar com Jesus e servir em nome de Jesus são experiências distintas, mas que formam um círculo virtuoso. A pressão se dá entre escolher estar com ele, ISOLADO da realidade, e estar com ele, ENVOLVIDO na realidade. Feliz é a pessoa que experimenta essa saudável pressão, a pressão da devoção e do serviço. Se ela não existe, a existência está sem sentido.




domingo, 26 de fevereiro de 2017

Frutificar - Filipenses 1:22

“Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho. E já não sei o que escolher!” (Filipenses‬ ‭1:22‬)

Deixar o corpo é deixar pra trás o prazer, a dor, a alegria e a tristeza da comunhão com pessoas que amamos e pelas quais somos amados. É não mais poder interferir e abençoar, chorar e abraçar, rir e celebrar com elas. 

A vida no corpo é a realidade; fora dele, desejo, esperança, confiança. Nele - no corpo - os frutos podem ser mensuráveis, palpáveis, visíveis. Frutos que se concretizam nos valores espirituais desenvolvidos, na afetividade expressa, no prazer compartilhado, nas mãos estendidas, nos caminhos trilhados lado a lado, nos ouvidos emprestados, no abrigo cedido, no alimento cultivado...

Essa compreensão de vida, movida pelo objetivo de frutificar em favor do bem de todos, fortalece o desejo de se continuar vivendo neste corpo, a despeito da alternativa oferecida: estar com Cristo.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Afirmação de humanidade - Filipenses 1:21

  “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.” (Filipenses‬ ‭1:21‬)

Isso não é afirmação de religiosidade, muito menos negação das multiplas dimensões que compõem nossa existência. Não é  declaração de candidato a eremita ou a monge. É uma declaração de norte, de sentido, de valores, de filosofia de vida, de humanidade.

Não significa, portanto, que a pessoa que faz tal declaração não mais vivenciará, por exemplo, sua ludicidade, sua sexualidade ou suas atividades econômicas, profissionais, financeiras, políticas, enfim.  Pelo contrário, as viverá em sua plenitude, buscando formas mais saudáveis - santas na linguagem sacerdotal - de experimentá-las, de expressá-las, de cumprí-las.

Significa, sobretudo, que o Cristo passou a ser o valor máximo de sua existência, o bem supremo, o eixo em torno do qual gira sentimentos, pensamentos, palavras e ações. Quem entende isso, empenha-se para acertar, mas não se maltrata quando errar, pois descobriu que viver em Cristo é poder respirar graça até em meio à desgraça. E, se morrer, está no lucro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Determinação essencial - Filipenses 1:20

“Aguardo ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado. Ao contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida, quer pela morte;” (Filipenses‬ ‭1:20‬)

Determinada é a pessoa que tem clareza dos objetivos que desejar alcançar e empenha-se, investindo todos  os recursos e instrumentos disponíveis, visando atingi-los.

Se, porém, formos determinados, mas nos esquecermos da "determinação essencial", ao atingirmos o alvo nos sentiremos como cantava Raul Seixas: "eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado. Porque foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto "E daí?""

Essencial é deixarmos que o Cristo - o ungido de Deus, o Jesus de Nazaré - torne-se grande dentro de nós. (Pra mim, esse é o melhor sentido de "engrandecer a Cristo". Alguns, equivocadamente, o confundem com bajular Jesus, especialmente através de repetições superficiais, inclusive musicais, em liturgias). Quanto mais permitimos que ele cresça em nós e através de nós, mais  nos sentimos realizados naquilo que é essencial (e em tudo mais) na vida: ser.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Certeza da vitória - Filipenses 1:19

"pois sei que o que me aconteceu resultará em minha libertação, graças às orações de vocês e ao auxílio do Espírito de Jesus Cristo.” (Filipenses‬ ‭1:19‬)

Na década de 70, Juarez de Azevedo escreveu "Ateu já era", visando a juventude universitária. Ele termina o livro falando de uma conversa com alguém que indagava se ele não se sentia no prejuizo diante da possibilidade de não existir céu ou inferno.

Usando a linguagem da Loteria Esportiva, ele respondeu dizendo que marcou triplo. Qualquer que fosse o resultado ele seria ganhador, pois o que fazia ou deixava de fazer não estava vinculado ao que ganharia ou perderia no futuro.

Paulo não tinha "bola de cristal" pra conhecer seu futuro, mas já sabia que, independente do resultado de sua condição de prisioneiro,  se sairia vitorioso. Isso porque sua vitória não estava vinculada aos acontecimentos agradáveis ou desagradáveis que o cercavam, mas ao motivo de sua prisão, Jesus Cristo. Ele sabia que, seu coração estando em harmonia com o de Jesus, qualquer que fosse o resultado, ele seria vitorioso.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O dinheiro e os conflitos de interesses nas igrejas e convenções batistas

Um grande desafio cooperativo-financeiro na igreja e entre igrejas que participam de programas cooperativos com outras em nossos dias é a utilização do dinheiro como forma de pressão frente aos conflitos de interesses.

É triste ver um membro de igreja usando seu dízimo como instrumento de pressão quando seus interesses pessoais não são atendidos pela igreja da qual faz parte.

É triste ver uma igreja usando sua oferta mensal do Plano Cooperativo como instrumento de pressão quando os interesses de seus lîderes são contrariados em decisões da Convenção.

Talvez, na base disso, esteja a falta de clareza quanto a quem, de fato, é o senhor de nossas vidas, se Deus ou o dinheiro, como desafiou-nos Jesus: ““Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.” (Mateus‬ ‭6:24‬).

Talvez precisemos deixar mais claro quais são, de fato, os interesses que nos unem como igreja e Convenção, a fim de verificarmos se tais interesses são realmente os interesses vinculados ao Reino de Deus, como manifestos na vida e ministério de Jesus, ou se outros interesses estão se sobrepondo a eles.

Se divergências existem, que sejam equacionadas atravës de diálogo honesto e não de mecanismos de força, de imposição.

Todo relacionamento é conflituoso, por isso precisamos ser criteriosos também na escolha de meios a serem utilizados na solução deles. Faz-se necessário uma reflexão sobre os princípios éticos que nos norteiam no diálogo e até nos enfrentamentos que decorrem de nossas inevitâveis diferenças geradoras de conflitos.

Quando leio um texto como o que segue e vejo igrejas usando o dinheiro como argumento, como forma de pressão, diante de divergências entre seus líderes e líderes denominacionais em relação ao Presidente da República, questiono-me a respeito de quem, de fato, é o Senhor de quem nessa história.

Talvez estejamos precisando de mais Pedros entre nós pra dizer: “Pereça com você o seu dinheiro! Você pensa que pode comprar o dom de Deus com dinheiro? Você não tem parte nem direito algum neste ministério, porque o seu coração não é reto diante de Deus. Arrependa-se dessa maldade e ore ao Senhor. Talvez ele perdoe tal pensamento do seu coração, pois vejo que você está cheio de amargura e preso pelo pecado”.” (Atos‬ ‭8:20-23‬)

http://www.christianitytoday.com/gleanings/2017/february/trump-advisers-church-withholds-donation-sbc-graham-moore.html

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Motivos versus palavras - Filipenses 1:18

“Mas que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro. De fato, continuarei a alegrar-me,” (Filipenses‬ ‭1:18‬)


Só Deus é capaz de julgar as intenções do coração. Elas são tão subjetivas e complexas que nem sempre a própria pessoa sabe nominar, com precisão, os motivos de determinadas ações suas. Pode-se supor, com base em evidências, quais seriam as intenções alheias e até usar isso como discurso político para fortalecer ou destruir, para absolver ou condenar alguém. Afirmar categoricamente, entretanto, é arriscado.

Os motivos de cada um, conquanto sejam importantes, pertencem, a priori, a cada um. O que cada um sente ou pensa é determinante para si. Por serem subjetivos, sentimentos e pensamentos não transformados em ação, não podem atingir de maneira objetiva a vida de outrem. Isso não retira a importância de refletirmos e falarmos sobre eles - os motivos -, mas em dadas situações, melhor é deixá-los em segundo plano.

Deixar as motivações de lado não significa concordar com elas ou dobrar-se a elas ou, muito menos, desistir de denunciá-las. Significa apenas admitir que, diante da complexidade do assunto, o que merece atenção primeira, são os fatos objetivos, as ações, as palavras proferidas, pois esses sim alteram objetivamente os rumos da realidade. Nesse sentido, o melhor é descartar os motivos dos pregadores e o focar na palavra sobre o Cristo de Deus, o Jesus de Nazaré, a razão da nossa alegria.