quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Unção, ensino e Bíblia - I João 2:27

“Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou.” (1 João‬ ‭2:27‬)

Não são poucos os que nos apresentam cotidianamente, alternativas de caminhos de vida, em termos religiosos, filosóficos, enfim. São caminhos apresentados tanto por quem caminha contra ou em paralelo a nós, quanto até por quem caminha institucionalmente ao nosso lado.

Porém, sabemos o caminho a seguir e isso não é fruto de apologética. Apologética é necessária a racionalistas, a quem precisa sustentar-se em provas, vivendo, portanto, por vista e não por fé. Não seguimos Jesus porque na Bíblia está escrito: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vem ao pai senão por mim" (Jesus). Ou "Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Pedro). Isso seria fundamentar a fé em um livro, não em uma pessoa. A Bíblia é essencial, mas por causa da pessoa de Jesus.

O fundamentalismo teológico surgiu como contraponto ao iluminismo, na tentativa de racionalizar a experiência espiritual usando linguagem e metodologia científica. Não conseguiu, entretanto, produzir pessoas melhores - pelo contrário - do que as que seguem Jesus pelo sentido espiritual e existencial gerado pela fé e pela convicção interior, inclusive com base em observação exterior, de que seguir as atitudes de Jesus nos eleva como seres criados à imagem e semelhança de Deus. Sem desmerecer a importância do ensino das Escrituras para nossas vidas, ATÉ PORQUE SÃO ELAS QUE DE JESUS TESTIFICAM, é a unção que nos sustenta no caminho, diz João.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Enganadores - I João 2:26

“Escrevo estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar.” (1 João‬ ‭2:26‬)

Todos nós nos enganamos, isto é, cometemos erros seja por ignorância, falta de atenção, zelo excessivo, paixão ou limitações outras. Isso não elimina as consequências naturais do erro cometido, mas pode atenuar aquelas que são passíveis de punição.

Não só nos enganamos, mas também acabamos por enganar aqueles que, seja por imposição hierárquica, seja por aceitarem nossa liderança, seguem pelos caminhos que abrimos sem a devida reflexão e reação. Façamos, portanto, diferença entre os que se enganam e enganam agindo com boa-fé e aqueles que enganam agindo com má-fé, com segundas intenções.

Se todos nos enganamos ou estamos sujeitos a ser enganados, estudar os assuntos e os comportamentos humanos nos ajudam a diminuir os riscos de sermos vítimas de enganos ou de nos tornarmos enganadores. Por outro ângulo, se não posso julgar as intenções dos enganadores, posso, estando atento, estudando, reduzir o risco de enganar-me. Este é o papel intencional das Escrituras joaninas: ajudar-nos a não sermos enganados. Nem enganar, diria eu.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Promessa de vida eterna - I João 2:25

“E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.” 
(1 João‬ ‭2:25‬)

Em João, repito, o conceito "vida eterna" tem a ver com uma qualidade de vida cujo início se dá não após a morte do corpo, mas a partir da plantação da semente do evangelho no coração.  Essa foi a vida prometida por Jesus quando declarou: ““Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”  (João‬ ‭3:16‬)

Porque Jesus prometeu por amor, amorosamente, nós que dizemos nele confiar, que nos autodenominamos seus seguidores, seus discípulos, nos com-prometemos a amar. Porque a vida prometida por Jesus decorre do amor de Deus, nós também nos com-prometemos a conviver em amor e dele deixar brotar nossas atitudes, palavras e ações. 

Se vivemos numa cultura na qual promessas não são valorizadas, comprometer-se também não é um produto em alta. Talvez disso decorra a qualidade muito moralista - com todo respeito a moral -, mas pouco amorosa dos compromissos de parte barulhenta dos que se apresentam nas mídias como humildes porta-vozes, advogados e únicos proprietários da "palavra de Deus".

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Conservar - I João 2:24


“Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai.” (1 João‬ ‭2:24‬)

Nem tudo que ouvimos desde a nossa infância deve ser conservado, nem tudo que ouvimos desde a nossa infância deve ser rejeitado. Não é o rótulo de antiguidade ou de modernidade que torna uma coisa boa ou ruim. 

Entre tudo o que foi dito no passado e está sendo dito no presente estamos nós, com o poder e a liberdade de julgar e decidir entre o que deve ser conservado e o que deve ser rejeitado em cada contexto no qual estivermos inseridos. Contamos com um coração e um cérebro dados por Deus, além do auxílio do Espírito Santo, da vida e ensinos de Jesus, dos "céus que proclamam a glória de Deus", das Escrituras que revelam a interação do divino com o humano, enfim, para julgarmos e decidirmos.

Essencial é não abrirmos mão da boa notícia de que em Jesus, não no catolicismo, no protestantismo, no pentecostalismo ou qualquer outro ismo, a graça e a verdade divinas se materializaram. Ou, como escreveu João: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João‬ ‭1:14‬). Disso não devemos abrir mão.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Deus e (m) Jesus - I João 2:23

“Todo o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai." (1 João‬ ‭2:23‬)

Falando de Jesus, João inicia seu evangelho dizendo: “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens.” (João‬ ‭1:1-4‬).

Relatando o momento em que Jesus se despede dos discípulos, João descreve Tomé perguntando-lhe sobre o caminho. Ao responder Jesus identifica-se como sendo Deus dizendo: "ninguém VEM ao pai senão por mim" e reafirma que quem o conhece, conhece o Pai. Filipe, então, pede que ele lhes mostre o Pai, ao que ele responde: "Quem me vê, vê o pai" (Jo 14).

Para João, portanto, Jesus encarnava Deus, claro, naquilo que podemos e necessitamos conhecer para que nossa vida encontre sentido e se fortaleça na fé, na esperança e no amor. Daí sua afirmação: dizer não a Jesus é dizer não a Deus, confessar a Jesus é confessar a Deus. 

domingo, 8 de outubro de 2017

Mentiroso - I João 2:22

“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho." (1 João‬ ‭2:22‬)

"“Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era seu costume. E levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito: 'O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor'. Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele; e ele começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”.” (Lucas‬ 4:16-21)

“Chegando Jesus à região de Cesareia de Filipe, perguntou aos seus discípulos: “Quem os outros dizem que o Filho do homem é?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas”. “E vocês?”, perguntou ele. “Quem vocês dizem que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Respondeu Jesus: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não foi revelado a você por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus.” (Mateus‬ ‭16:13-17)

Jesus é o Cristo, o ungido de Deus. Essa era a narrativa dos primeiros discípulos de Jesus. Essa, portanto, foi, tem sido e continuará sendo a verdade anunciada pela igreja de Jesus. Qualquer narrativa que nega isso é falsa, é mentirosa e quem a narra não é digno de confiança, é mentiroso. 

sábado, 7 de outubro de 2017

Verdades - I João 2:21

“Não escrevo a vocês porque não conhecem a verdade, mas porque a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade.” (1 João‬ ‭2:21‬)

Verdade tem a ver com narrativa, tem a ver, portanto, com a relação entre um fenômeno (por exemplo, o evento Jesus) e a descrição desse fenômeno (a narrativa dos que, por exemplo, com Jesus estiveram). Quanto maior for a aproximação ao fenômeno, no tempo e no espaço; quanto mais atenta, acurada, a percepção em relação a tal fenômeno e mais profunda a consciência que a pessoa tem de suas emoções frente ao fenômeno, maior a probabilidade dela descrever, narrar o fenômeno tal qual ocorreu e sua verdade ser crível.

Essa verdade experiencial pode ou não ser igual a verdade histórica, pois essa é resultado não da experiência direta do narrador, mas de sua capacidade de juntar informações, abstrair e elaborar uma narrativa do fenômeno, com base em descrições diversas, narradas por terceiros sobre um fenômeno. E ambas - a verdade experiencial e a histórica - podem ser diferentes da verdade política - a meu ver a menos confiável - pois essa está menos interessada em descrever o fenômeno como se deu e mais a quem sua narrativa beneficia ou prejudica em termos de manutenção ou perda do poder sobre pessoas e coisas.

A leitura da carta de João nos faz perceber que havia um conflito de verdades na comunidade. Havia a verdade dos que com Jesus estiveram, que cotidianamente com ele conviveram e foram impactados por sua vida e uma outra narrativa que negava elementos essenciais do evento Jesus tal qual a comunidade conhecia. João, claro, relembrava os leitores da verdade que conheciam, mostrando a falácia das narrativas divergentes. Esse conflito de verdades sempre nos acompanhará.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Unção e conhecimento - I João 2:20

“Mas vocês têm uma unção que procede do Santo e todos vocês têm conhecimento.” (1 João‬ ‭2:20‬)

Unção era um ato cerimonial simbólico do judaísmo - tipo imposição de mãos na ordenação ao ministério pastoral ou o mergulho nas águas batismais protestantes - cujo característico era o derramamento de óleo sobre a cabeça de pessoa reconhecida oficialmente para o exercício sacerdotal.

Como linguagem figurada, a expressão bíblica foi maximizada pelo pentecostalismo, passando a ser usada para caracterizar alguém cujas qualidades carismáticas sobressaltavam aos olhos comunitários em reuniões marcadas por emoção e catarse.

Em João, "unção" - reconhecimento comunitário - e "conhecimento" deixam de ser exclusividade de uma elite religiosa ou "espiritual" e passam a ser reconhecidos como marcas de todos os comprometidos com o Cristo de Deus (ungido de Deus), Jesus de Nazaré - fonte da nossa unção -, uma vez que nele, todos se tornam sacerdotes com livre acesso a Deus, sem necessidade de intermediários, sejam pessoas ou instituiçôes.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Anticristos saem e ficam - I João 2:19

“Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos.” (1 João‬ ‭2:19‬)

Não pode sair do nosso meio quem em nosso meio não esteve. Estiveram entre os primeiros discípulos, estão entre nós e estarão entre os que depois de nós vierem. Não nos iludamos pensando que anticristos fizeram parte somente das igrejas primitivas. Eles também, repito, estão entre nós e, talvez, nem sairão.

E mais: sair do nosso meio não é indicação de que se é um anticristo. Pelo contrário, embora sair não seja recomendável, há quem saia justamente porque pessoas com traços de anticristo não só permanecem, mas também ocupam funções e cargos na igreja, exercendo influência doentia sobre a comunidade.

Porém, querer identificar quem poderia ser anticristo entre nós, na igreja, não é uma escolha saudável. Melhor é conhecermos o caráter do Cristo, do ungido de Nazaré, e, movidos pela graça, sob a ação do Espírito Santo, nos empenharmos em nos identificar com ele e amorosamente ajudarmos os demais da igreja a fazerem o mesmo.

domingo, 1 de outubro de 2017

Moralidade seletiva (A propósito das repercussões de mostras de museus em POA e SP)

Respeito o direito daqueles que estão protestando contra algumas expressões "artísticas" apresentadas recentemente em museus de Porto Alegre e São Paulo. 

Também não se afinam - tais expressões - ao meu gosto estético. 

Também tenho minhas dúvidas quanto a teleologia pedagógica e sua ideologia ética. 

Também exige a ativação de neurônios bem acima dos que possuo para desencadear minha capacidade de abstração e de reflexão filosófica. 

Sinto-me um analfabeto artístico frente ao nível de abstração dos que conseguem apreciar tais expressões. 

Sem trocadilhos, sinto-me mais pro garoto que gritou: "o rei está nu", do que para os súditos que paparicavam: "bela camisa, fernandinho".

Mas, como já dizia minha avó, "uns gostam dos olhos; outros, da ramela". O que seria de nós se não fosse assim?

Fico, entretanto, observando as manifestações de protesto, especialmente de pessoas, igrejas e pastores com os quais mantenho vínculos afetivos e organizacionais e meus botões cerebrais são automaticamente acionados exigindo de mim respostas. 

Por exemplo: 1) por que tanto reagimos se tão avesso somos a artes em nossas igrejas ou pouco investimos nelas? 2) Por que reagimos apenas em relação à moral e silenciamos sobre ética? 3) Por que a moral sexual provoca reação e as morais econômica, política, religiosa e ecológica, por exemplo, não nos sensibilizam e silenciamos sobre elas em nossos púlpitos? 4) Seria, nosso silêncio, por traumas psicológicos, medo político ou pobreza intelectual?

Responda-me: O que causa mais dano às famílias brasileiras? Uma exposição de arte na qual meia dúzia de quem tem um pouco mais de dinheiro e teve acesso à escolaridade bem acima da média pode ver ou taxas de juros extorsivas que empobrecem os já pobres tirando das famílias o acesso à saúde, segurança, educação ou ao transporte? Uma exposição de arte ou leis injustas que aumentam as desigualdades sociais, provocando violência desenfreiada?

Estava pensando no seguinte, em termos bíblicos, como nossa moralidade é seletiva:

1. Quem silencia deve gostar da imoralidade dos juros de 400% aa no Brasil, a despeito do que nos declara este Salmo: “Senhor, quem habitará no teu santuário? Quem poderá morar no teu santo monte? Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo; que de coração fala a verdade e não usa a língua para difamar; que nenhum mal faz ao seu semelhante e não lança calúnia contra o seu próximo; que rejeita quem merece desprezo, mas honra os que temem o Senhor; que mantém a sua palavra, mesmo quando sai prejudicado; que não empresta o seu dinheiro visando a algum lucro nem aceita suborno contra o inocente. Quem assim procede nunca será abalado!” (Salmos‬ ‭15:1-5‬)

2. Quem silencia deve gostar da imoralidade do fato de 6 brasileiros acumularem fortuna (herança) igual a de 100 milhões (CEM MILHÕES) de conterrâneos seus, a despeito do que nos disse Jesus: ““Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus‬ ‭6:19-21‬)

3. Quem silencia deve gostar da imoralidade do tratamento dado a imigrantes refugiados em muitos países ricos do planeta, a despeito do que nos diz as Escrituras: “Pois o Senhor, o seu Deus, é o Deus dos deuses e o Soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e temível, que não age com parcialidade nem aceita suborno. Ele defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e roupa. Amem os estrangeiros, pois vocês mesmos foram estrangeiros no Egito.” (Deuteronômio‬ ‭10:17-19‬)

4. Quem silencia deve gostar da imoralidade de ítens, especialmente da discriminação desfavorável aos empobrecidos, das reformas trabalhista e previdenciária ou mesmo do REFIS que está sendo aprovado no Congresso, a despeito do que diz o profeta: “Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!" (Isaías‬ ‭10:1-2‬)

É triste constatar essa moralidade seletiva, de quem se esgoela diante da moral sexual e silencia, quando não se delicia, diante da imoralidade política, econômica, religiosa ou ecológica, por exemplo, que estão sendo estampadas diariamente nas páginas dos jornais.

sábado, 30 de setembro de 2017

Anticristos em nós

“Filhinhos, esta é a última hora e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora." (1 João‬ ‭2:18‬)

Não sou afeito a escatologia. Nada, nada contra quem goste. Já investi tempo estudando o tema em seus aspectos políticos, doutrinários e literários, mas decidi priorizar aquilo que estivesse a meu alcance mudar. Oriento-me pelas palavras de Jesus: “Não compete a vocês saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade.” (Atos‬ ‭1:7‬)

Também não sou simpático a personificação do anticristo. A política religiosa e o marketing de guerra que declara líderes religiosos que não os da minha tribo como anticristos é de uma ignorância ou ma-fé brutal. Essa postura cheira "trave em meus olhos, cisco nos olhos alheios".

Prefiro estar atento a traços de anticristos que podem brotar em minha vida e na vida do grupo religioso com o qual me identifico. Isso ajuda-me a ser um discípulo mais saudável, pois reconhecendo-os, posso superá-los. E traços de anticristos sempre surgem em e entre nós. Quem tem olhos pra ver, que veja...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Permanente e transitório - I João 2:17

“O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." (1 João‬ ‭2:17‬)

Eis um bom critério a ser considerado em momentos de decisōes, especialmente naquelas que impactam nossas vidas e as de terceiros: conferir o que as desencadeia em nossos corações,  seus efeitos e  durabilidade.

Isso não significa abandonar por completo as experiências que, sabemos, são ainda mais passageiras do que a própria vida, mas conferir se o custo-benefício justifica e se não poderíamos viver os resultados semelhantes sem maiores riscos de prejuízo a nós e a outros.

Decisões movidas à cobiça - desejo acentuado, descontrolado, cego - geralmente entram em conflito com propósitos divinos. Elas estão constantemente à nossa porta, mas a nós compete controlá-las. Podemos até decidir, trocando o permanente pelo transitório, mas não sem consciência dos riscos envolvidos e das possíveis más consequências que precisaremos assumir.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Cobiça e ostentação - I João 2:16

“Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.” (1 João‬ ‭2:16‬)

A narrativa do Gênesis nos diz que Deus, ao criar o mundo, disse que ele era muito bom e João declara que ele o amou tanto a ponto de enviar seu filho para salvá-lo. Há, porém, neste mundo, manifestações humanas que representam desvio de propósito ou pecado, numa linguagem religiosa, e "não provém do pai".

A cobiça e ostentação "não provém do pai". A cobiça é o desejo descontrolado, desmedido, que nos torna cegos às consequências dos nossos atos, que nos impede de perceber os malefícios a nós mesmos, ao outro, à coletividade, que nos faz romper os limites do eticamente aceitável para saciar-se.

A ostentação é a manifestação daquilo que não condiz com a realidade humana, é o domínio da aparência sobre a essência, é uma distorção que nos impede de construir com solidez as bases de sustentação de nossas vidas. Por isso e por outros, cobiça e ostentação "não provém do pai" e devem ser rejeitadas.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Correndo por fora

Correndo por fora

Edvar Gimenes de Oliveira

O transitório de sua vida não me encanta
Não inventei a roda que se casa com seu chão
Muito menos quero provar que ela é quadrada 
E que você vive uma doce ilusão.

Não me interessa permanecer em sua sala.
Aparências não embalam o meu ser
Minha pele já experimentou do sangramento.
Para mim as rugas produzem mais prazer.

Fique aí sentado diante da platéia
Engane-se como se detivesse o poder.
Envenene-se com a fama que te suga.
Seu prestígio se apagará no entardecer.

Estou fora do jogo que você participa.
Recuso-me a ser espetáculo na boca de leões.
Prefiro vender pipoca à galera
A ser passatempo de ridículos barrigudões.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Amor ao mundo - I João 2:15

“Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai, não está nele.” (1 João‬ ‭2:15‬)

É comum indagarmos: se João registrou que Jesus disse que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna", por que agora ele nos desafia a não amarmos o mundo?

A questão poderia estar na concepção de mundo, definido sob ângulos diferentes, tais como aspecto físico, universal, humano, sistêmico ou ético. Porém, essa forma de entender parece-me não ser coerente com a realidade, nem com a declaração do autor do Gênesis que, na narração da criação afirma: "E viu Deus que TUDO era muito bom".

Parece-me que o melhor foco seria na palavra amor, pois quando amamos, amamos o ser que se nos apresenta em seu todo, mas somos capazes de distinguir aspectos que merecem atenção quanto ao nosso envolvimento afetivo ou de apoio. Assim, deveria ser alvo do nosso amor, tudo aquilo que contribui para o desenvolvimento da vida saudável e de resistência, o que desvirtua a criação divina.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Dicas para vitória - I João 2:14

“Filhinhos, eu escrevi a vocês porque conhecem o Pai. Pais, eu escrevi a vocês porque conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu escrevi a vocês, porque são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece, e vocês venceram o Maligno.” (1 João‬ ‭2:14‬)

No ciclo da vida, via-de-regra somos filhos, jovens e pais ou, filhas, jovens e mães. Na vida espiritual, o mesmo pode ocorrer: nascemos, amadurecemos e reproduzimos.

Como e se esse ciclo espiritual vai se concretizar na vida de cada um, isso é incerto, mas é prometido a todos - mulheres e homens. Basta apenas que se siga as dicas presentes no texto: a) conhecer Deus, naquilo que ele se revela, b) conhecer a Jesus, aquele em quem Deus revela o que precisamos para ter vida abundante e c) permitir que a "palavra de Deus" - Jesus, o logos, o sentido, a palavra que se fez carne - permaneça em nossas vidas.

No ciclo biológico, nem todos se desenvolvem de maneira igual ou experimentam a plenitude do que marca culturalmente cada fase. O mesmo ocorre em nosso desenvolvimento espiritual. Daí, embora criemos paradigmas de vida vitoriosa e alguns, com base neles, até se sintam derrotados, o fato é que, em Cristo, cada um a seu modo, em suas circunstâncias, deve celebrar, pois sua vitória está garantida.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Eu por mim mesmo

Eu por mim mesmo

Vejo-me como pastor, 
Não enganador,
Acusador,
Ou juiz de pessoas.
Muito menos como empresário da religião.

De Deus, 
Empenho-me apenas para ser servo, 
Jamais advogado.

Tenho lado, o lado de Jesus de Nazaré.
Quando, porém, meu galo canta,
Resta-me dizer: "tu sabes que eu te amo".
E dele, que não é 
Fundamentalista, 
Intolerante, 
Arrogante,
Nem regido pelo marketing das aparências,
Pelo carreirismo ministerial,
Ou conivente-dependente dos poderes eclesiásticos,
Ouço: "Apascenta minhas ovelhas".

Na vida,
Decidi não me reger
Pelo que me falta,
Pelo que fui,
Pelo que não fui,
Pelo que poderia ser, 
Muito menos
Pelo que poderia ter sido.
Tão somente sou grato pelo que sou.
Administro o que tenho hoje.
Trabalho pelo que precisarei amanhã.

Interfiro naquilo que está a meu alcance.
No que dependo de terceiros, 
Reflito, 
Oro,
Ora ajo,
Ora reajo
Ora observo,
Ora descanso.

Porque sou gente,
Sinto minhas alegrias,
Meus medos,
Minhas tristezas,
Minhas raivas,
Meus amores.
Sou tentado.
Fico ansioso.
Confio.
Espero.
Prossigo.
Vivo meus prazeres
E minhas dores.

Sou sábio ou esperto?
Sou ingênuo ou perspicaz?
Sou opaco ou transparente?
Sou eu?


Edvar Gimenes de Oliveira

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ser vitorioso - I João 2:13

“Pais, eu escrevo a vocês porque conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu escrevo a vocês porque venceram o Maligno.” (1 João‬ ‭2:13‬)

Todos almejam ser vitoriosos naquilo que se propõem a fazer. Ninguém, em sã consciência, pensa em sua própria vida ou envolve-se em um projeto visando ser derrotado. Se é assim na vida como um todo, não poderia ser diferente em sua dimensão espiritual, em particular.

Independente do significado que João pretendeu dar às expressões "pais" e "jovens" - se condição de vida ou estágio espiritual -, inegável é que, segundo a fé cristã e a experiência de muitos nela, inclusive minha, conhecer a Jesus é essencial para alcançarmos vida vitoriosa.

"Ser vitorioso", quando relacionado a Jesus, não tem o mesmo significado dado por quem não prioriza o espiritual. Esses creem que o que evidencia vitória é o acúmulo de bens, de poder, de prestígio social. Em Jesus,  porém, ser vitorioso é ser capaz de amar, de dar-se em favor de causas coletivas, especialmente ligadas a pessoas marginalizadas e, por isso, de vencer o maligno em seus múltiplos formatos de manifestação.

domingo, 27 de agosto de 2017

Perdoados - I João 2:12

“Filhinhos, eu escrevo a vocês porque os seus pecados foram perdoados, graças ao nome de Jesus.” (1 João‬ ‭2:12‬)

Há um sentimento de culpa saudável. É aquele que serve como luz de alerta sempre que nos damos conta de termos feito algo nocivo à vida. Quando aparece, melhor é reconhecer o erro, avaliar as razões do cometimento, elaborar meios e firmar propósito para não repetí-lo. Se afetou terceiros, procurar a pessoa, pedir perdão e fazer os reparos possíveis.

Há quem experimente sentimento de culpa patológico. Esses não conseguem experimentar perdão. Vivem a angústia de quem não se perdoa. Precisam de ajuda terapêutica. Há os psicopatas que não experimentariam sentimento de culpa, segundo especialistas. Afundam em seus erros, prejudicando quem os atrapalhem em seus planos.

A todos, entretanto, a graça divina foi disponibilizada. Ninguém precisa carregar "ad aeternum" o peso, as dores, de seus desvio, de seus erros, de seus pecados. Foi para isto que Jesus morreu, teologicamente falando: para que nossos pecados fossem perdoados e pudéssemos recomeçar, sem as angústias que eles nos fazem sentir, sem a exploração e opressão de instituições religiosas pecaminosas.

sábado, 26 de agosto de 2017

Perdidos - I João 2:11

“Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram.” (1 João‬ ‭2:11‬)

Sinto-me um ET nas discussões entre calvinistas e arminianos sobre salvação. É que me convenci, primeiro, de que há textos bíblicos que amparam ambas as posições. Depois, de que há decisões divinas - como esta questão bíblico-teológica -  sobre as quais não temos controle e nada que fizéssemos poderia alterá-la. 

Por melhores que sejam a ordenação dos textos bíblicos, a racionalização do pensamento ou a citação do que disseram "grandes" teólogos, não somos capazes de alterar um plano ou uma decisão de Deus. Então, melhor é cuidarmos daquilo que podemos mudar e, no mais, confiar na soberania divina. Fora isso, percebo muito uso ideológico da religião, desfile de egos e masturbação teológica.

Há, porém, um tipo de perdido - gente que "não sabe para onde vai" -  cuja situação podemos ajudar a mudar. É a daquele que odeia. A presença do ódio no coração indica a ausência de comunhão com Deus e com os semelhantes. E a ausência de comunhão indica a presença de perdição. Portanto, se conseguirmos ajudar alguém a amar mais e odiar menos, ajudaremos a dissipar as trevas da perdição e a brilhar a luz da comunhão - que proporciona salvação tanto no aqui e agora quanto no lá e depois -. E a humanidade agradece.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Seres das luzes - I João 2:10

“Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço.” (1 João‬ ‭2:10‬)

Ao longo dos anos, convencionou-se dentro de muitas igrejas que "pedra de tropeço" - expressão cunhada por Jesus - seriam comportamentos contrários à moral evangélica estabelecida, isto é, a costumes definidos como pecaminosos, sem uma avaliação mais aprofundada da teologia bíblica ou das causas históricas que os fundamentassem.

À luz dessa compreensão, costumes como ir a cinema, frequentar "festas mundanas", cantar "músicas do mundo", mulheres usar calças compridas, determinadas maquiagens ou bijuterias, por exemplo, eram denunciados por alguns como obstáculos ao bom testemunho da igreja, à conversão de pessoas ao evangelho. Tais práticas eram condenadas e seus praticantes, em alguns casos, até excluidos da igreja.

Claro que há comportamentos que, por serem comprovadamente nocivos ao indivíduo e à coletivudade, depõem contra o testemunho cristão. Entretanto, a própria oração de Jesus nos ensina que o que leva pessoas a se converterem ao evangelho é a percepção que têm da comunhão amorosa genuina existente entre os discípulos de Jesus. Daí a contundência joanina: quem ama permanece na luz, ié, está na comunhão. A vida de quem ama não produz tropeço ao bem viver das e entre as pessoas.

sábado, 19 de agosto de 2017

Seres das trevas - I João 2:9

“Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas.” (1 João‬ ‭2:9‬)

As redes sociais tornaram possível a percepção do ódio antes apenas latente em alguns corações. Ele estava lá, mas emergia somente esporadicamente em momentos de conflitos iterpessoais isolados. Agora, esse sentimento tenebroso ganhou voz, visibilidade, e o que tem vindo à tona fede.

O fedor do ódio atinge nossas narinas através dos olhos. Torpedos violentos da podridão, de coraçöes antes aparentemente bondosos, atingem vidas distantes de si, através de simples toques dos dedos. Entrincheirados no conforto da casa, do escritório ou em veículos de transporte, gente de "esquerda" que sequer sabe o que é ser "esquerda" agride gente de "direita" que sequer sabe o que é ser "direita", e vice-versa, alguns até em nome de "Jesus, o Cristo", demonstrando não saber ou, quem sabe,  por saber o que significa "Jesus, o Cristo".

Através das palavras que escrevemos ou repercutimos, revelamos ou escondemos quem de fato somos. Nos declaramos de Deus, mas agredimos o próximo. Nos assentamos nos bancos das igrejas, mas demonstramos espírito belicoso na internet. Afirmamos ser da luz, mas nosso fazer apresenta indícios de  que podemos ser seres das trevas.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mensagem contemporânea - I João 2:8

“No entanto, o que escrevo é um mandamento novo, o qual é verdadeiro nele e em vocês, pois as trevas estão se dissipando e já brilha a verdadeira luz.” (1 João‬ ‭2:8‬)

O novo não era novidade. Era mandamento muito bem conhecido dos leitores. Na verdade era mandamento antigo. Se não era novo, como o próprio escritor declarou, por que, numa aparente contradição, o que não era novo de repente passa a ser?

A diferença era que, embora sendo o mesmo mandamento, o primeiro estava "no papel"; o segundo, na vida. Na vida de Jesus e de seus seguidores, a palavra que era antiga tornou-se nova. Era original e tornou-se contemporânea. Cumpriu seu objetivo apontando uma nova situação de amizade.

Quando a palavra de Jesus é encarnada, quando a mensagem sai do texto e ganha vida em nossos corações, brilha a luz da comunhão, da verdade, da justiça, inclusive social, dissipam-se as trevas da confusão, dos conflitos patológicos. E a mensagem original se torna contemporânea, bem diante dos nossos olhos.

domingo, 13 de agosto de 2017

Mensagem original - I João 2:7

“Amados, não escrevo a vocês um mandamento novo, mas um mandamento antigo, que vocês têm desde o princípio: a mensagem que ouviram.” (1 João‬ ‭2:7‬)

O que movia o coração de João em sua palavra à igreja não era ser original no sentido de criatividade. Era ser original no sentido cronológico, isto é, naquilo que, desde o princípio, estava presente na vida e ensinos de Jesus e que todos já haviam ouvido.

Não se tratava de mandamento novo, mas de algo que já fazia parte da cultura de fé dos leitores. Isso indica que a solução para o bem estar individual e coletivo estava bem diante deles, à disposição, bastando tão somente que a utilizassem como base dos relacionamentos, que a levassem a sério e a priorizassem nas escolhas.

Esse, portanto, é um tipo de mensagem conservadora que merece ser conservada por não ser uma manifestação excêntrica, covarde ou egoista de quem a proclama, mas por ser solidamente testada e fundamentada, cujos efeitos seriam bons para todos por atender aos interesses de bem-estar da coletividade.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Coerência - I João 2:6

“aquele que afirma que permanece nele deve andar como ele andou.” (1 João‬ ‭2:6‬)

A última parte do verso 2:5 - "Desta forma sabemos que estamos nele:" - não deveria, salvo melhor juizo, ter sido separada do 2:6, pois é a ele que ela está, gramaticalmente, vinculada. Quer saber se está em Jesus? Seja coerente, ande como ele andou.

Há quem leve o desafio ao pé da letra e imagina que isso significaria andar à pé, num barco ou num burrico, de sandálias, de vila em vila, enfim, apenas adotando costumes da cultura na qual Jesus estava inserido. Isso, além da possibilidade de uma boa dose de excentrismo, não retrata o que importa, de fato, ao sermos desafiados a imitar Jesus ou nos identificarmos com ele.

O que importa é, em nosso contexto sócio-histórico, nos relacionarmos com as coisas e com as pessoas regidos pelas mesmas atitudes que regeram a vida de Jesus, segundo lemos nas Escrituras Sagradas: atitudes  acrisoladas no amor.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Crente mentiroso - I João 2:4

“Aquele que diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele.” (1 João‬ ‭2:4‬)

"De perto ninguém é normal", escreveu Caetano Veloso, defendendo, em "vaca profana", que todos trazemos em nós a capacidade para o bem e para o mal. Admitir isso não é para muitos, mas é essencial a quem deseja, com sinceridade, acertar na vida. Só se torna melhor quem é capaz de reconhecer seu pior e se dispõe a trabalhar para superá-lo.

Há, porém, quem opte por viver "de mentirinha".  Sob os holofotes age de uma maneira; nos bastidores, doutra. É óbvio que, como se diz, ser pouco sincero é um perigo, ser sincero demais é fatal. Administrar nossos erros e acertos envolve questão de segurança pessoal. Ser mentiroso, hipócrita, entretanto, é extremamente nocivo para si e para quem o rodeia.

Nenhum de nós é perfeito. Mas dizer-se conhecedor de Jesus e não se empenhar a amar - mandamento 1 de Jesus - é incoerência, é agir como mentiroso, desrespeitando a si mesmo, ao semelhante e ao próprio Deus. Se há verdade em nós, se conhecemos a Jesus, seu primeiro efeito é obedecê-lo no que ele mais viveu e ensinou: amar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Obediência à palavra - I João 2:5

“Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele:” (1 João‬ ‭2:5‬)

Minha relação com a Bíblia é de reconhecimento, intimidade e gratidão. Nela medito diariamente. Os que me ouvem pelos púlpitos por onde passo sabem que minhas prédicas são preferencialmente textuais ou expositivas. Sinto-me, portanto, confortável para chamar a atenção à interpretação equivocada da expressão  "palavra" como sinônimo de Bíblia nos textos sagrados. Considero esse uso ignorância histórico-teológica ou conveniência político-psicológica.

Considero essencial que cada vez que a expressão "palavra" aparece na Bíblia, tenhamos conviccão de que o sentido é ou não técnico, como sinônimo de Escrituras, e a quais Escrituras se referia no contexto, de acordo com a cronologia da formação da Bíblia. Isso evita generalizações equivocadas, uso desonesto para com o ouvinte e ideologias político-religiosas opressoras, além de aumentar a precisão hermenêutica e nos preservar do mero papel publicitário de colportores.

"Se alguém obedece a sua palavra" ou "não obedece aos seus mandamentos", no texto de João, por exemplo, refere-se aos ensinos de Jesus e não tecnicamente à Bíblia, aos 10 mandamentos, etc. Essa ênfase não desvaloriza a Bíblia, não contraria nossa crença no pressuposto teológico da inspiração divina de seus autores, pelo contrário, possibilita maior precisão no ensino, focaliza nossa obediência àquele a quem entregamos nossa vida, nos remete a usar Jesus como crivo, como chave hermenêutica, em nossas leituras bíblicas, pois ele é o Senhor, a ele entregamos nossas vidas e dele somos servos.

domingo, 6 de agosto de 2017

Conhecer Jesus - I João 2:3

“Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos.” (1 João‬ ‭2:3‬)

Quando Jesus foi interrogado sobre qual seria o maior dos mandamentos ele respndeu: “ ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’.
E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.” (Mateus‬ ‭22:37, 39-40‬)

Curioso, porém, é não reconhecermos e enfatizarmos o final da resposta: "Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Por não prestarmos atenção às palavras de Jesus, nossas ações e pregações são desfocadas e equivocadas. Nos combatemos e nos machucamos pelos sintomas, quando a causa deveria mover nossa atenção e energia.

Jeus foi explícito e imperativo: "O meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros como eu os amei.” (João‬ ‭15:12‬). O que me impressiona é: por que, se está tão claro, não praticamos? A resposta foi dada por João: não conhecemos Jesus. Digo eu: conhecemos muito declarações doutrinárias, pactos religiosos explícitos e silenciosos, política denominacional, mas Jesus, que declaramos ser nosso Senhor e Salvador, passamos a impressão que não.

sábado, 5 de agosto de 2017

Propiciação - I João 2:2

“Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.” (1 João‬ ‭2:2‬)

Tenho conhecimento das críticas ao fato de proclamarmos o derramamento de sangue, por Jesus, como meio de remissão de pecados. Anacronismo à parte, a narrativa da crucificação de Jesus no madeiro e as aplicações teológicas posteriores apresentam pelo menos dois aspectos que merecem destaque.

O primeiro é a representação da manifestação da graça de Deus, que põe fim à necessidade de todo tipo de esforço humano de querer agradá-lo através de sacrifícios. Sejam os sacrifícios de animais das experiências judaicas às mantidas hoje por algumas religiões de origem afro; sejam as necessidades de promessas em alguns catolicismos; sejam os extorquimentos de "dízimos" reativados em cultos neo e pós pentecostais ou mesmo as práticas de ativismo religioso de alguns protestantismos, a propiciação de Jesus põe fim a tudo isso como meio de agradar a Deus.

Além disso, a propiciação universaliza a fé em Jesus, possibilitando que indivíduos de qualquer cultura, inclusive religiosa, de qualquer parte do mundo, experimentem libertação das angústias que suas culpas lhes impõem. Em vez de negar o pecado, abrindo caminhos para cada um "fazer o que lhe der na telha", porta de entrada do inferno existencial, a propiciação de Jesus reafirma o pecado, retira o poder opressivo ou destruidor dos caminhos institucionais e aponta uma solução graciosa, eficaz e libertadora, pela fé.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Proclamação da santidade - I João 2:1

“Meus filhinhos, escrevo a vocês estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” (1 João‬ ‭2:1‬)

Quando ouvi, pela primeira vez, que Jesus, ao morrer na cruz do Calvário, teria pago os pecados que havíamos cometido no passado, no presente e também os que cometeríamos no futuro, o primeiro pensamento que me ocorreu foi que estávamos livres para pecar. 

Somente depois fui compreender que, quando somos possuídos pela graça divina, nosso prazer não está em pecar, mas em fazer o que é saudável. Aprendi que Deus disponibiliza ferramentas para nos auxiliar nisso, tais como seu Espírito Santo e sua "palavra", que iluminam nossos corações e nossos pés para que trilhemos por caminhos de saúde e não de enfermidade, de vida e não de morte.

Mais importante, ainda, foi saber que, por sua graça, sabendo que somos limitados e sujeitos a pecar, dispomos de seu filho Jesus, como advogado, intercedendo por nós em nossas fraquezas e não de um juiz com dedo em riste, pronto a nos senteciar com uma condenação. Assim, um prazer conciente e não um sentimento doentio de medo e culpa passou a dirigir minhas escolhas cotidianas, alimentando a paz em meio às aflições das tentações.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Deus mentiroso - I João 1:10

“Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós." ‭‭(1 João‬ ‭1:10‬)

O Deus que se revela em Jesus é digno de confiança. Aquilo que através dele nos é revelado sobre o ser humano retrata o que o ser humano é. Aquilo que nos é revelado sobre as consequências de nossas escolhas retrata aquilo que nos tornaremos segundo as escolhas que fizermos. Mentira não caracteriza a "personalidade" divina.

Aquilo que a história de mulheres e homens com ele, registrada na Bíblia, revela sobre o caráter da humanidade é aquilo que a humanidade é, em todas as épocas e lugares. E o que é comum a todas as pessoas é sua condição de pecadoras, isto é, de seres desviados, seja pela comunhão quebrada com Deus, seja pela quebra de códigos de ética.

Negar isso é o mesmo que negar a fidelidade divina; é transformar Deus em mentiroso; é transparecer que sua palavra não está em nós. Isso se torna ainda mais danoso quando, desconsiderando que João estava escrevendo à igreja, agimos como se pecadores fossem os outros, não nós, e nos transformamos - como igreja -  em tribunais da vida alheia, repito, como se pecadores fossem os outros.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Confissão - I João 1:9

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça." (1 João‬ ‭1:9‬)

Confissão é ato terapêutico. Negar pecado pode produzir efeitos negativos, inclusive em nossos corpos. Davi, o rei de Israel, experimentou isso. Ele disse: “Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim; minhas forças foram-se esgotando como em tempo de seca." (Sal. 32:3-4).

Confissão é ato restaurador de nossa saúde quando brota do fundo de nossa alma, como reconhecimento do maleficio que representa para si ou para terceiros. Se for apenas para agradar pregadores chantagistas ou rituais de instituição religiosa, pouco valor tem. No máximo abranda provisoriamente o sentimento de culpa (remorso) sem gerar uma nova mentalidade (arrependimento) diante do erro.

Confissão diante de Deus não gera provas contra nós, não exige pagamentos, muito menos nos deixa endividados. Basta estarmos sendo sinceros no reconhecimento e na disposição para mudar (arrependimento = metanóia, no grego = mudança de mentalidade) que a promessa de perdão se cumprirá. Nisso podemos confiar, pois Deus é fiel e justo. Daí a decisão de Davi: "Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: “Confessarei as minhas transgressões, ao Senhor ”, e tu perdoaste a culpa do meu pecado.” (Salmos‬ ‭32:5‬).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Pecado - I João 1:8

“Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.” (1 João‬ ‭1:8‬)

Podemos não gostar da palavra "pecado", podemos substituí-la por outras mais palatáveis que não nos remetam ao universo religioso, mas não podemos fugir do fato de que, qualquer que seja o nome usado, o fenômeno está em nós e  entre nós e não reconhecê-lo e combatê-lo produz consequências negativas.

Improbidade, injustiça, infração, falta, por exemplo, são alguns sinônimos e significam algum tipo de atitude, palavra ou acão cujo cometimento traz prejuizo de alguma natureza à pessoa, ao próximo, ao interesse público ou a um meio ambiente favorável ao bom desenvolvimento da vida.

Não é saudável, portanto, não admitirmos que somos pecadores; que não poucas vezes, seja conscientemente ou não, "erramos o alvo" (significado de pecado que, no grego, é amartia); que nos desviamos de objetivos desejáveis. Reconhecer, admitir o fato, nos torna verdadeiros, o que é pré-condição para uma vida individual e coletivamente saudável (ou santa na linguagem sacerdotal).

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O outro em comunhão - I João 1:7

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (1 João‬ ‭1:7‬)

O Deus que se revela em Jesus é um Deus plural. Assim ele se revela quando se convida a criar em Gen. 1:26 (Façamos...) e quando cria a humanidade em Gen. 1:27 (...homem e mulher...), assim ele se afirma, ao orar pela humanidade reconciliada: "para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João‬ ‭17:21‬).

Ele, que está na luz sendo plural, na pluralidade nos desafia a sermos luz com os outros, como ele. Se na filosofia de J.P. Sarte "o inferno são os outros", na teologia do Deus que se revela em Jesus "os outros" são parceiros de manifestação da presença luminosa divina que se manifesta em comunhão.

Na comunhão com Deus - não PRIMEIRAMENTE na observância de dogmas, na participação de eventos religiosos de sociabilidade ou na adesão à instituição que os produz - nossas vidas são "desinfernizadas" e o outro, um irmão, como nós, em processo de purificação em Jesus.

domingo, 30 de julho de 2017

Comunhão coerente - I João 1:6

“Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.” (1 João‬ ‭1:6‬)

Não somos computadores. Tanto nossas limitações quanto as limitações e diferenças de percepção e de memória do outro, além da multiplicidade de realidades que nos cercam, envolvem-nos em situações que aumentam as possibilidades de sermos classificados como incoerentes. 

Temos, entretanto, memória e percepção suficientes para nos mantermos conscientemente coerentes dentro de um nível saudável para nós e para os que nos cercam. Sabemos, portanto, que estamos sendo incoerentes sempre que defendemos uma coisa e vivemos outra diferente. A própria consciência nos acusa disso.

Se digo, por exemplo, que estou em comunhão com Deus, essa comunhão também deve ser buscada em relação ao semelhante. Se isso não ocorre, a incoerência fica caracterizada, pois é na comunhão com o outro que a comunhão com Deus se autentica. Essa incoerência significa o mesmo que estarmos em trevas ou, numa outra linguagem, vivendo uma mentira. 

sábado, 29 de julho de 2017

O Deus da Comunhão - I João 1:5

“Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma.” (1 João‬ ‭1:5‬)

João ouviu muitas mensagens de Jesus. Ele mesmo disse que não registrou todas, mas as essenciais ao exercício da fé. Comunhão era assunto essencial e ele registrou: ““Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti...” (João‬ ‭17:20-21‬)

Agora ele fala de Deus como o Deus da comunhão. Sim, pois como a sequência da leitura de sua carta nos indica, luz e trevas têm a ver com andar ou não em comunhão. Ser luz é ser capaz de enxergar o outro, de amá-lo e de, com o outro, andar em comunhão. Deus é luz. Deus é comunhão. Deus é a luz da comunhão.

Quando Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas", no contexto da mulher que poderia ser apedrejada por ter sido pega em adultério, não referia-se à moralidade, mas à capacidade de enxergar o outro, perdoá-lo, e com ele construir comunhão, em vez de apedrejá-lo. Quem não é capaz de enxergar o outro, mas apenas conceitos para enquadrá-lo e condená-lo, não é capaz de amá-lo, de aceitá-lo e, com ele, caminhar em comunhão.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Proclamação da alegria - I João 1:4

“Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa.” (1 João‬ ‭1:4‬)

Há quem faça uso da "palavra" para produzir  reação rápida dos ouvintes ou leitores aos apelos. Enchem o público alvo de sentimentos como medo ou culpa para arrancar decisões espetaculosas regadas à lágrimas, cujos resultados são tão duradouros quanto flores do campo. Porém, gerar medo ou sentimento de culpa não é finalidade da proclamação do evangelho.

Gerar medo ou culpa são formas de manipulação usadas por quem busca resultados imediatos para impressionar. É a mesma tática de propaganda usada por determinadas empresas para vender seus produtos. Até conseguem compradores "desavisados", mas com nível zero de fidelidade ao produto.

A proclamação do evangelho dispensa manipulação. Sua essência - diferente do evangeliquez de empreendimentos religiosos - atende necessidades reais e profundas da alma humana. Quem a ouve, responde positivamente, pois ela não ilude com promessas de riso fácil ou ausência de aflições ou ainda, muito menos, com exigências desumanas. Antes, gera alegria, um tipo de experiência produzida pela presença graciosa de Deus, inclusive em meio a vales da sombra da morte.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Proclamação da comunhão - I João 1:3

“Proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.” (1 João‬ ‭1:3‬)

As polarizações ideológicas de natureza política, econômica, social, religiosa, teológica, enfim, estão cada vez mais visíveis. O espírito bélico por detrás de nomenclaturas intelectualizadas como direita, esquerda, centro, liberal, progressista, conservador, moderado, fundamentalista, calvinista, arminiano, reformado, são pontas de icebergs dos muros que nos separam.

Conquanto diferentes em natureza e grau, os conflitos sempre existiram, inclusive onde haviam "dois ou três" reunidos com Jesus ou em seu nome. Tiago, João e os discípulos disputando lugares de prestígio; judeus de fala grega e de fala hebraica em Jerusalém; Paulo e Barnabé decidindo viagens missionárias;  irmãs da igreja filipense; João e Diótrefes, enfim, são exemplos disso.

Cientes desse potencial humano para conflitos, a finalidade de produzir comunhão da proclamação das igrejas merece ênfase. O "para que" da proclamação - gerar comunhão - precisa muito ser mais acentuado. Se a comunhão não for a ideologia norteadora da proclamação da igreja, a própria existência dela - igreja - pode produzir efeitos opostos aos de sua edificação por Jesus.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Vida eterna (II) - I João 1:2:

“A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada.” (1 João‬ ‭1:2‬)

Se a vida eterna se manifestou, foi vista e dela pode-se testemunhar, isso indica , mais uma vez, que ela deve ser tratada não somente como uma expectativa futura, mas também como uma possibilidade presente. Por ser uma realidade já constatada no passado, em Jesus, ela pode ser narrada no presente como guia de nossas vidas.

Se a vida eterna, que estava com o criador, manifestou-se em Jesus, já não há necessidade de especulações, muito menos floreamentos, sobre como seria a vida "no céu" e, muito menos, quem iria "para o céu". A vida " no céu" é a vida plena em Jesus. Vai "encontrar-se no céu", quem se encontra com Jesus.

Se a vida eterna manifestou-se na vida de Jesus, disso decorre que o querigma, a proclamação da igreja, é a vida "de Jesus" e "em Jesus". O didaquê, o discipulado promovido pela igreja, é o da identificação de cada um com a vida de Jesus, encarnação da vida eterna, manifesta por Deus a nós. 

domingo, 23 de julho de 2017

Palavra da vida (II) - I João 1:1

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam—isto proclamamos a respeito da Palavra da vida.” (1 João‬ ‭1:1‬)

A proclamação do evangelho não é, primeiramente, a proclamação de um texto, mas de uma pessoa, ainda que a fonte mais antiga e segura de informação e o meio mas comum e objetivo disponível sobre esta pessoa, e de mediação com ela, seja um texto. 

O texto em si, entretanto, não é suficiente. Para que o texto cumpra sua finalidade, a manifestação do espirito é essencial, pois o texto também é capaz de matar, mas o espírito de vivificar. Portanto, texto e espírito devem caminhar em harmonia na proclamação. 

Quando texto e espírito andam de mãos dadas, a "palavra de Deus" ganha seu mais profundo sentido: a pessoa de Jesus, o verbo, a palavra, o sentido, que se fez carne e habitou entre nós. Nele encontramos liberdade do legalismo, do antinomismo e do anomismo. Jesus, portanto, é a palavra da vida que proclamamos.

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Espíritos graciosos - Filipenses 4:23

“A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês. Amém.” (Filipenses‬ ‭4:23‬)

Se há um conceito que precisa ser resgatado na vida da igreja, esse conceito é graça. Não como chave de disputas desrespeitosas entre calvinistas e arminianos, nas quais essa palavra comumente passa distante do seu significado, mas como motivadora nos relacionamentos interpessoais dos crentes, nas denúncias dos desvios alheios e na proclamação do caminho de salvação.

Desejar que "a graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês" exige que se reconheça Jesus como um ser, acima de tudo, que se caracteriza como gracioso. Mas, se o foco da fé cristã não for o conhecimento da pessoa de Jesus, suas atitudes, sua ética, sua escala de valores e prioridades, como poderia a graça ser reconhecida?

Se reconhecemos Jesus como sendo gracioso e desejamos que essa graça se faça presente na vida da igreja, faz-se necessário que nos empenhemos em ser agentes de graça, sentindo, pensando, agindo e falando graciosamente. Sem Jesus como foco de  interesse, em vez de generosidade prevalecerá a inveja, em vez de paz reinará a briga, em vez de graça, a desgraça. E o "amém" não será a palavra final.

domingo, 16 de julho de 2017

Santos no palácio - Filipenses 4:22

“Todos os santos enviam saudações, especialmente os que estão no palácio de César.” (Filipenses‬ ‭4:22‬)

Santos e palácios raramente combinam. É que palácios são sede de poder, riqueza e bacanais, elementos com os quais a ótica dos santos difere daqueles que neles reinam. Os que reinam nos palácios geralmente dominam pessoas e organizações em favor de si e dos seus e, se necessário, matam os divergentes.

Santos são amorosos, aguerridos, compassivos, empáticos, justos, solidários e enxergam o outro como semelhante, empenhando-se sempre para que todos tenham oportunidade de alcançar vida digna. São mais propensos a dar a própria vida do que tirá-la de alguém. Sentem  prazer possibilitando que o outro supere suas dores e tenha suas necessidades supridas.

Quando santos entram em palácios, não o fazem para se tornar reis-déspotas, mas servos-subversivos. Não podendo negar suas naturezas, sempre estarão procurando um jeito de utilizar poder e riqueza em favor de todos, especialmente dos mais necessitados. Que muitos santos nos saúdem dos palácios.

sábado, 15 de julho de 2017

Missão da igreja e discipulado

Compartilho esta palavra sobre missão das igrejas no mundo, girando em torno da idéia de fazer discípulos que são, fazem  e falam baseados nas atitudes, na ética e nos compromissos de Jesus.

Se você puder investir um tempo para ouví-la e der um retorno, especialmente naquilo que discorda ou não está claro, eu agradeceria. Isso me ajudaria a tratar do assunto de maneira melhor no meu ministério pastoral e nas prédicas e preleções que faço.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Todos os santos - Filipenses 4:21

“Saúdem a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo enviam saudações." (Filipenses‬ ‭4:21‬)

Na cultura religiosa brasileira, podemos destacar pelo menos três tipos de santos: 1) os que são aprendizes em sua religião, ensinados por um chamado "pai"; 2) os que são reconhecidos em sua religião depois de mortos, por bem feito extraordinário e transformados em intercessores perante Deus; 3) os que são declarados santos em sua religião durante sua vida, mesmo sem méritos pessoais, por confiarem no ministério sacrificial de Jesus Cristo.

A definição do conceito "santo" também pode se dar de pelo menos 3 maneiras: 1)  alguém dotado de poder especial; 2) alguém que se dedica exclusivamente a causas religiosas; 3) alguém que cultiva vida saudável em si e pelos outros, em todas as dimensões, movido pela comunhão com Jesus de Nazaré.

A compreensão da fé como sendo inclusiva, ié, que "em Cristo Jesus" os seres humanos - homens e mulheres - são recolocados em situação de igualdade essencial, reconhecidos como criados a imagem e semelhança de Deus, abrindo-lhes o caminho para uma vida saudável, em todas as suas dimensões - corporal, espiritual, emocional, política, econômica, enfim - tem sido abraçada por mim como a que melhor supre nossas necessidades.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Glórias a Deus - Filipenses 4:20

“A nosso Deus e Pai seja a glória para todo o sempre. Amém.” (Filipenses‬ ‭4:20‬)

Deus não precisa de bajulação, portanto não precisa de bajuladores. Elogio, louvor a Deus, é um desejo humano, não uma necessidade divina. Daí Paulo declarar: "Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas.” (Atos‬ ‭17:25‬).

É legìtimo que cada comunidade de fé defina suas manifestaçōes litúrgicas à luz de suas crenças, valores culturais e manifestaçōes estéticas que conseguiu desenvolver. Ridículo é ver pessoas discutindo a respeito de qual estilo de música ou liturgia agrada mais a Deus ou, pior, brigando em torno do "louvor". 

Dar glórias a Deus só faz sentido quando é fruto de reconhecimento sincero da extraordinariedade da vida e não de tentativas inúteis de manipulação divina ou de barganha com Deus. Quando uma pessoa é impactada pela glória de Deus, sua primeira reação é silenciar, encantada. ““O Senhor, porém, está em seu santo templo; diante dele fique em silêncio toda a terra”.” (Habacuque‬ ‭2:20‬).

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Riqueza essencial - Filipenses 4:19

“O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.” (Filipenses‬ ‭4:19)

Jesus, o Cristo, armazena em si as riquezas essenciais de natureza espiritual que Deus disponibiliza para que a humanidade tenha suas necessidades supridas. São essas riquezas que determinam o valor que damos às pessoas, às coisas materiais, ao meio ambiente, enfim,  e a maneira como nos relacionamos com eles.

Quem com Jesus se relaciona, se identifica com suas atitudes e as cultiva, nutrido pela graça, está no caminho para lidar com dinheiro, sexo e poder. Esses três elementos agrupam em si os maiores desafios que todos enfrentamos, ainda que em graus e circunstâncias diferentes, e estão na raiz dos conflitos que nos aterrorizam.

Desafios econômicos, políticos, emocionais, sociais, estruturais, enfim, sempre existirão. Quando, porém, são enfrentados por pessoas cujas atitudes - traduzidas em ética - se harmonizam com as presentes na vida de Jesus, produzem resultados mais favoráveis aos interesses coletivos e ao bem estar comum.

domingo, 9 de julho de 2017

Ofertas ou ofertantes? (II) - Filipenses 4:18

“Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. São uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus." (Filipenses‬ ‭4:18‬)

Se há um tipo de oferta agradável a Deus, provavelmente há uma desagradável. Essa poderia ser a proveniente de ofertantes cuja motivação não fosse abençoar um necessitado ou apoiar uma causa ético-espiritualmente reconhecida como necessária ao bem comum.

Também poderia não ser oferta agadável a Deus aquela cujo meio de levantamento tenha sido movido por sentimentos de disputas partidaristas ou de empoderamento político do doador. Embora somente Deus possa dizer o que lhe agrada, podemos deduzir, à luz do que ele revelou de si mesmo, o que lhe agradaria ou não.

Cabe a cada um avaliar motivos e finalidades das ofertas nas quais se envolve e julgar-se à luz dos valores espirituais que regem o reinado de Deus, visando dar o melhor de si, seja em quantidade ou qualidade. E, se é o beneficiário, que avalie o significado de "necessidade" para si, a fim de que não se torne um peso desnecessário aos outros.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ofertas ou ofertantes? (I) - Filipenses 4:17

“Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês.” (Filipenses‬ ‭4:17‬)

É claro que as palavras de Paulo, neste capítulo, são um excelente meio para fundamentar levantamento de ofertas para causas do reino desenvolvidas pelas igrejas em nossos dias. Entretanto, parece-me, o foco de Paulo não era as ofertas, mas os ofertantes.

Ao destacar as ofertas, Paulo (que no decorrer da carta também destaca atitudes equivocadas dos filipenses que os deixavam em situação de DÉBITO), com o caso destaca mais uma atitude positiva que aumentava o CRÉDITO daquela igreja. Era isto que ele procurava: aumentar o crédito deles, não arrancar mais ofertas.

Nossa história é um balanço contábil. Nela registramos aquilo que aumenta nossos créditos ou débitos. Somos nós, atravez de atitudes, palavras e ações, que determinamos se haverá mais crédito ou débito registrado. Paulo estava valorizando o crédito da igreja. Isso é muito importante nestes dias, quando alguns cristãos enfatizam os "débitos" das igrejas nas mídias (mais para ficar bem na fita com opositores do que para ajudar na correção) e pouco ou nada falam de seus créditos.

Ajuda-remuneração - Filipenses 4:16

“pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade.” (Filipenses‬ ‭4:16‬)

Por que a igreja ajudava financeiramente o apóstolo Paulo? A resposta seria porque ele se dedicava à pregação do evangelho. Se esse era o fato, não seria o caso de ajudarmos financeiramente  membros de igrejas que hoje também trabalham incansáveis nas causas do reino?

Paulo "fazia tendas" para auferir renda e sustentar-se, mas as viagens constantes, a dedicação às pessoas (igrejas-povo) e à escrita, além do tempo na prisão, reduziam, suponho, sua possibilidade de ganhos. Daí a necessidade de complemento que só poderia vir daqueles que acreditavam na importância do trabalho feito por ele.

O fato em si, de alguém desenvolver tarefas na igreja, não justifica remuneração, exceto se for essencial ao seu funcionamento, exigir tempo que impeça a pessoa de auferir renda própria, exigir qualificação técnica específica ausente nos demais irmãos ou impor custos fora da normalidade à pessoa. Considere-se ainda que hoje, além da "igreja-povo",  existe a "igreja-instituição" pelas imposições legais de movimentação financeiro-contábil, patrimonial, trabalhista e previdenciária, que exigem mais tempo e qualificação de alguns para cumprí-las.