quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Último e-mail enviado à Igreja Batista da Graça, em 2014

Olá, tudo bem?

Não poderia deixar de utilizar este meio - e-mail - que faz parte do nosso ministério na IB da Graça.SSA há quase 10 anos (embora tenha perdido um pouco de sua força para as redes sociais) para desejar-lhe um ótimo 2015.

Não sei como foi para sua vida, o ano que hoje finda; se no balanço final as experiências agradáveis superaram ou não as desagradáveis. Mas sei que, o fato de estar lendo esta mensagem, é sinal de que foi vitorioso em mais um período de tempo, num mundo cheio de obstáculos. 

Você sobreviveu, você está vivo e isso é o que importa.

É sabido que as variáveis que nos levam à vitória são múltiplas. Algumas dependem de nossas escolhas quanto a atitudes a serem cultivadas, ações a serem implementadas ou palavras a serem proferidas. Outras dependem de fatores externos sobre os quais não temos controle. É sabido, entretanto, que se cultivarmos adequada e cuidadosamente nossas atitudes, nossa espiritualidade, estaremos melhor preparados para enfrentar e superar os fatores externos.

Assim, na qualidade de pastor, não poderia encerrar 2014 sem desejar que, em 2015, você invista mais em sua vida espiritual. 

Faça isso lendo e retendo o que é bom; lendo a Bíblia, especialmente a vida e ministério de Jesus. 

Faça isso investindo mais tempo em oração. 

Faça isso ouvindo mais. 

Faça isso refletindo sobre a realidade que te cerca. 

Faça isso agindo, em todos os momentos, em favor do bem, ainda que eventualmente decida de forma equivocada. 

Faça isso integrando-se ao corpo de Cristo em uma igreja local e agindo coletivamente em favor do cultivo da adoração, da salvação e edificação de vidas. 

Faça isso lançando-se mais em novas experiências que ofereçam perspectivas de crescimento espiritual.

Faça isso tendo coragem para admitir que você pode estar mais errado do que a igreja da qual faz parte ou do universo de pessoas com as quais se relaciona. 

Faça isso usando a prerrogativa que tem de duvidar da qualidade das escolhas que fez em 2014, visando iniciar mudanças, mudando primeiramente a si mesmo, com a finalidade de escrever uma história melhor em 2015.

Enfim, faça isso pondo fim ao blá-blá-blá que te fez ficar girando em torno de si mesmo, das mesmas lenga-lengas, impedindo que hoje, além de poder identificar alguma mudança significativa em si mesmo ocorrida em 2014, percebe também que nenhuma contribuição deu para que a vida fosse mais saudável para outros. 

Decida-se, então, investir em uma espiritualidade que é fruto de oração e contemplação, mas que conduz à atitudes, palavras e ações relevantes.

Já falei demais, por isso convido-o a estar na Igreja Batista da Graça, neste 31.12, pontualmente às 22 hs, para dar um passo concreto em direção à priorização de sua vida espiritual sobre as não menos importantes demais dimensões de sua vida.

Vá lá com o espirito de gratidão, com simplicidade de coração, pensando em adorar a Deus e não em assistir pirotecnias que muito pouco, talvez, contribuirão para seu crescimento espiritual.

Mas, se por razões que te satisfazem espiritualmente não puder estar lá, desejo daqui um maravilhoso 2015, debaixo da vontade de Deus, pois ela é boa, agradável e perfeita!

Abraços do seu pastor,

-- 

Nunca tive uma desilusão


Nunca tive uma desilusão

Edvar Gimenes de Oliveira

Uns com ela se revoltam,
outros por ela se consomem
Há quem a ela engula
e até há quem a ela encobre
Cada um lida com ela
Como suporta seu coração
Mas ninguém pode dizer:
Nunca tive uma desilusão

Cada um à sua maneira
Lida com essa expressão
Uns dela fazem piada
Outros se entregam à solidão
Há quem em lágrimas nade
Há quem experimente a sequidão
Há quem por ela se mate
Como fruto de depressão
Mas ninguem pode dizer,
Sorrindo ou com muito rancor,
Metido ou envergonhado:
Nunca tive uma desilusão

Pode ser com uma grande idéia
Pode ser com uma forte paixão
Pode ser com uma crença
Pode ser com a profissão
Pode ser com um mui amigo
Pode ser com a seleção
Pode ser com uma fantasia
Pode ser com um partidão
Pode ser com alguém da família
Pode ser com a religião
Mas ninguém pode dizer:
Nunca tive uma desilusão


Sim, é certo que ela existe
Mesmo sendo uma ilusão
É candidato a desiludido
Quem idolatra a convicção
Quem superou a ingenuidade
Quem assume a imperfeição
Quem admite o engano
Sofre menos a decepção
Quanto mais, porém, acredita
E aposta na perfeição
Não perde por esperar
A angústia da frustração
Então aceite, seu desiludido,
Esta sua real condição
Desça do sapato alto
Encoste seus pés no chão
Acabe com essa história
Supere essa confusão
De dizer como um mitomaníaco:
Nunca tive uma desilusão

SEMPRE É HORA DE AGRADECER. Manifeste seu afeto!

Sempre temos algo para agradecer a alguém. É uma forma de incentivar atitudes, palavras e ações que sejam favoráveis à manutenção ou desenvolvimento de uma boa qualidade de vida. Àqueles que dizem que isso – fazer o bem - não é mais do que obrigação, digo que obrigação de um lado não anula a gratidão do outro, pelo contrário, se complementam. Sentimento de dever é a atitude de quem faz; de gratidão, de quem se beneficia.

Assim, o sentimento de reconhecimento do bem que o outro faz através de manifestações de gratidão é um dos que mais merecem nossa atenção, que mais merecem ser cultivados em qualquer sociedade, em todas as épocas e lugares. Não por acaso o escritor bíblico declara: “E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.” (Colossenses 3:15).

Nesse sentido, gratidão deve ser uma atitude, um modo de ser, um estilo de vida, uma vez que, dos menores ou conscientemente imperceptíveis atos do cotidiano àqueles que se diferenciam pela extraordinariedade, todos merecem um gesto de gratidão.

Como pastor, tenho muito a agradecer à Igreja. Foi um ano em que a ausência de conflitos doentios foi predominante. Digo predominante porque, se concebemos igreja como hospital e nela não for identificada a presença de enfermidade, algo está errado. Igreja é feita de gente e se há gente enferma, isso se manifestará no cotidiano. Refiro-me, portanto, ao fato da soma das enfermidades de cada um de nós não terem se tornado um problema, digamos, social, na vida comunitária.

Caminhamos em paz, administramos os conflitos rotineiros, vimos vidas sendo modificadas pela fé em Jesus, pelo compromisso com o evangelho; vimos dezenas de pessoas sendo batizadas; vimos a igreja investindo em missões, seja através do sustento de missionários plantadores de igrejas, seja através do investimento em responsabilidade social (ultrapassamos os alvos missionários); vimos o cuidado com o ensino bíblico às diversas faixas etárias; vimos a música sendo bem utilizada para inspiração, edificação, consolo e proclamação.

Além disso, vimos a igreja abraçando a requalificação do seu patrimônio, não pelo patrimônio em si, embora isso seja necessário, mas pelas possibilidades que isso abrirá para o desenvolvimento ministerial. A construção de uma nova cozinha-refeitório sintetiza bem o que queremos dizer. Somos profundamente gratos àqueles que foram fiéis na entrega mensal de seus dízimos, àqueles que, indo além, fizeram doações de ofertas avulsas, possibilitando a finalização desta obra.

Não poderia deixar de agradecer de maneira especial ao Eri - Erivaldo da Silva Bouças - que doou seu conhecimento, suas experiências e energias na complexa retirada do palco de concreto da laje do auditório e em toda a reforma da cozinha e construção do refeitório. Nossa gratidão a ele retrata nossa gratidão a arquitetos, engenheiros, membros e agregados em geral que deram algo de si para que as coisas acontecessem nesse ano de 2014. Recebam, pois essas palavras, como manifestação do nosso afeto.

-- 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Depende de quem rouba, do quanto se rouba e de quem se beneficia

De repente lembrei-me do vídeo no qual Lula confessa suas bravatas em torno dos números para impressionar seus ouvintes. (http://youtu.be/M5bOtqmvJHE).

Lembrei-me disso porque Ricardo Semler escreveu um texto intitulado "Nunca se roubou tão pouco", referindo-se a roubalheira descoberta na Operação "Lava Jato"(http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/196552-nunca-se-roubou-tao-pouco.shtml), no que foi contestado por Gravatai Merengue (http://www.implicante.org/blog/semler-diz-que-hoje-roubam-menos-na-petrobras-mas-seu-atual-socio-ja-presidiu-a-empresa-19992001/).

Números pra cá, números pra lá, parece que roubar nada tem a ver com ética. Quem olha pelo ângulo ético é rotulado pejorativamente, pleonasticamente falando, de moralista ou perfeccionista.

Nesse caso, roubar é apenas um problema matemático-político. Ou seja, o mais importante não é se se rouba ou se deixa de roubar, mas o peso político da quantidade do roubo.

Todo mundo rouba, em todas as intituições, inclusive religiosas, se rouba. Então, quem rouba menos, tem "meu" apoio, especialmente se for uma reencarnação de  Robin Hood ou se, como se atribui a velhas figuras de destaque da história política brasileira, "rouba mas faz", parece dizer-se.

É isso.

Ou não.

Depende dos efeitos políticos e de quem se beneficia.





segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

É Natal, manifeste seu afeto!

                                   "Só sabemos fazer o que foi feito conosco.
Só conseguimos tratar bem aos demais se fomos bem tratados.
Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.
Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.
Se só fomos odiados, só sabemos odiar.
Se só fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho.
Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba.”
(J.A. Gaiarsa, apresentando “Carícia Essencial” de Roberto Shinyashiki)

É Natal, não importa se a data é 25 de dezembro. Pela tradição, essa data se caracteriza pela intensificação da confraternização, da reconciliação, da atenção dispensada, do reconhecimento, da manifestação de afeto. Que bom que temos uma data na qual tais manifestações são lembradas, ratificadas, revigoradas.

Não por acaso tudo isso ocorre na data que simboliza o nascimento de Jesus, manifestação do amor de Deus pela humanidade. O natal é Deus se confraternizando, se reconciliando com a humanidade; é Deus manifestando atenção e afeto à sua criação, através da palavra, do sentido que “se fez carne e habitou entre nós”: JESUS.

Todos já nos acostumamos a dizer e ouvir que “Dia das Mães é todo dia”; “Dia dos Pais é todo dia”; “Dia dos Namorados é todo dia” e, portanto, “Dia de Natal é todo dia”. Concordo, exceto se tal expressão tenha como ideologia a desvalorização de uma data especial. É que a vida é feita de uma multiplicidade tão grande de situações, ideias, sentimentos, que nem sempre conseguimos dar, todos os dias, a atenção que cada um deles merece. Então, um dia no qual somos todos convidados a nos lembrarmos de uma situação, ideia ou sentimento, específicos, faz bem.

É Natal. Ele nos indica que, em Jesus de Nazaré, o amor de Deus se manifestou à humanidade e, por isso, devemos fazer o mesmo com o nosso semelhante. Todos os dias, é verdade, inclusive no Natal. Se o mercado se aproveita da situação para lucrar mais, e daí? Ele sempre vai se aproveitar de tudo que envolve nossas vidas para lucrar.

Você acredita que haja algo que se possa fazer nesta vida sem que, por detrás, alguém esteja lucrando? Porque escrevo este texto, alguém está lucrando algo; porque você leu, também! Se decidirmos parar de fazer tudo o que serve de fonte de lucro para alguém a vida parará, quer gostemos ou não.

Imagine, então, se deixarmos de manifestar nosso afeto só porque alguém está ganhando dinheiro com isso. Aí sim o dinheiro terá danificado nossas vidas, terá derrotado nossa espiritualidade. O que podemos fazer é não relacionar manifestação de afeto com custo financeiro do produto utilizado como meio. A qualidade do afeto não deve ser avaliada pelo preço do produto, muito menos pelo gosto de quem recebe, mas pelo sentimento de quem dá. Infeliz é a pessoa que, ao receber um presente, não é capaz de sentir e compreender o que o outro está dizendo com tal ato. Há muito já perdeu a capacidade de relacionar-se, de amar e ser amada.


E à Igreja? Como manifestaremos nosso afeto a este coletivo de pessoas que aceitaram o amor de Deus em Jesus, do qual somos parte? Use sua criatividade. Manifeste seu afeto!

Renovando a liderança da Igreja Batista da Graça.SSA

Investimento em lideranças é uma de nossas maiores necessidades, seja nas igrejas, convenções batistas ou no país. Há
uma carência de pessoas comprometidas com ideais e qualificadas para estar à frente de grupos.

Em nossa igreja não é diferente. Há quase dois anos, conversando com o Pr. Nilton Marcelino, pastor da juventude, falávamos
dessa necessidade. Observávamos que a média de idade do Conselho de Ministros e da Diretoria estava muito acima da faixa
de idade predominante em nossa igreja e, muito acima, ainda, da faixa da juventude que é 13 a 35 anos.

 Nas últimas reuniões de ministros temos indagado: se eu morresse hoje, quem estaria qualificado para assumir o cargo
que ocupo?

 Na Convenção Batista Baiana o quadro não é muito diferente. Por isso, uma das idéias que estão sendo postas para
reflexão seria uma cláusula regimental que exigisse a inclusão de pessoas, homens e mulheres, com idade inferior a 30 anos,
a cada renovação do 1/3 dos Conselhos. Isso porque, se o cargo não faz um líder, um líder amadurece, se aperfeiçoa, no cargo,
pois liderança acima de aprendizado teórico é oportunidade de vivência, de exercício.

 Diante disso, temos pelo menos duas fortes razões para investir e liderança: 1) a necessidade do mundo; 2) a necessidade
de continuidade das ações da igreja.

 Temos muitos cargos que exigem liderança em empreendimentos públicos ou privados, mas estão sendo ocupado por
pessoas que, embora possam ter formação técnica na área, não se demonstram preparadas para trabalhar em equipe, motivando-a
a alcançar os objetivos necessários com alegria.
 O despreparo é visível não somente em termos de capacidade de estimular motivações, de domínio técnico sobre o
caminho a ser percorrido rumo a alvos, mas também de ter visões que objetivem o interesse público e, sobretudo, conduta
ético-moral direcionada para a saúde de todos, em todas as dimensões.

 Lamentavelmente, a quantidade de pessoas que ocupam cargos de liderança visando tão somente satisfazerem necessidades
próprias (prestígio, poder, usufruto de benesses) parece ser maior do que por aqueles que tem a visão dos interesses
comuns e trabalham visando o bem da coletividade.

 A fábula de La Fontaine, embora tenha uma finalidade moral explicita ao final, também serve para nos mostrar o
quanto precisamos de pessoas dispostas a correrem risco em favor dos interesses comuns e o quanto é necessário investir no
preparo delas. Ei-la:

 "Há muito, muito tempo, os Ratos reuniram-se em assembleia para decidirem em conjunto o que fazer em relação ao
seu inimigo comum: o Gato. Depois de muito conversarem, um jovem rato levantou-se e apresentou a sua proposta:

- Estamos todos de acordo. O perigo está na forma silenciosa como o inimigo se aproxima de nós. Se conseguíssemos ouvi-lo,
podíamos escapar facilmente. Por isso, proponho que lhe coloquemos um guizo no pescoço.

 A assembleia recebeu estas palavras com entusiasmo. Foi então que um Rato Velho se levantou e perguntou:

- E quem é que vai colocar o guizo no pescoço do Gato?

 Os ratos começaram a olhar uns para os outros, e não houve nenhum que se oferecesse para levar a cabo semelhante
tarefa. Então o Rato Velho, terminou, dizendo:
- Propor uma solução é fácil, o difícil é pô-la em prática."

 Estamos vendo uma necessidade e precisamos agir para supri-la. Assim, pretendemos investir em seminários, palestras,
trazendo pessoas com experiência e conhecimento em áreas diversas de liderança para serem ouvidas mas, sobretudo, criando
espaços para que novas pessoas, especialmente pessoas mais novas, possam exercitar liderança. Isso fará muito bem à
igreja, às convenções batistas e à sociedade como um todo.

Fica, desde já, o desafio à liderança da Igreja. 

Por que uns são generosos e outros avarentos com sua igreja?

“Então Maria pegou um frasco de nardo puro, que era um perfume caro, derramou-o sobre os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos. E a casa encheu-se com a fragrância do perfume.”
“"Por que este perfume não foi vendido, e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários".”Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava tirar o que nela era colocado” (João 12:3,5,6)

Participar de cultos é fácil. Ser membro de igreja é fácil. Levantar a mão em público declarando crer em Jesus é fácil. Defender teses sobre teologia, religião, ética, etc é fácil. Cantar ou tocar nos cultos é fácil. Até manifestar compromisso com Jesus Cristo no cotidiano é fácil. Tudo é fácil, dependendo do tipo de experiência vivido com Deus, de como ela afetou nossas vidas, do valor que damos a ela.

Um homem doou uma oferta elevadíssima em dinheiro para determinada igreja. Ao ser questionado sobre a sensatez de seu ato retrucou: “você sabe quanto vale ter perdido um filho para o mundo das drogas e, quando não acreditava mais ser possível, poder abraçá-lo novamente, totalmente transformado, porque a igreja, movida pelo amor de Deus, o ajudou a se libertar?”.

A questão de sermos generosos (pessoas cujos interesses próprios não dominam absolutamente sobre suas vidas) ou avarentos (pessoas cujo dinheiro ou bens, mesmo em pequena quantidade, são o deus de suas vidas), tem a ver com o valor dado ao amor de Deus, ao significado do que Jesus fez e a importância disso em nossas vidas.

Ser generoso é extremamente fácil para quem experimentou de maneira contundente o amor de Deus ou é sensível e capaz de avaliá-lo, ainda que abstratamente.

Àqueles, porém, que não se deixaram tocar por um ato amoroso divino, dar um centavo para que outros sejam alcançados por manifestações de amor é um sacrifício violento. Para esses, seus interesses estão acima de tudo. Todo relacionamento só tem valor se proporcionar a eles algum benefício, de preferência de graça. O medo, não o amor, rege suas decisões quando o assunto é dar.

Para eles, graça tem o mesmo sentido de desgraça, pois sempre é usada como justificativa para reter pra si, para não dar, para jamais dividir com alguém ou ir além do que se define padrão de cooperação. A desculpa ou a avaliação míope de que a igreja não tem necessidade, de que seria “rica”, é apenas discurso de avareza.


Contribuir ou não, financeiramente, para o desenvolvimento ministerial da igreja não tem a ver com poder aquisitivo, mas com o poder que o medo, o egoísmo, a avareza, exercem sobre nossas vidas. Onde reina o amor, reina a confiança, a fidelidade, o altruísmo e a cooperação.

Cada vez que chega dezembro, me pergunto: como pode uma pessoa declarar-se crente em Jesus Cristo e passar um ano inteiro sem participar com um centavo no sustento do ministério da igreja? Como pode uma pessoa que é abençoada um ano inteiro pelas ações da igreja passar em branco no que se refere ao seu sustento? Se ela participa de algo promovido pela igreja é porque, no mínimo, isso produz algum bem em sua vida.

Conversando com um dinamarquês que não frequentava igreja, perguntei-lhe sobre o porquê de ser dizimista. Sua resposta foi: “acredito na importância da igreja para a sociedade”. Simples. E nós, o que nos move a contribuir ou deixar de contribuir?


A pergunta constante da Igreja Batista da Graça.SSA

Fui criado num tempo e local em que as opções de igrejas para evangélicos giravam em torno de meia dúzia. Como havia uma distinção muito mais clara daquilo que as diferenciava doutrinariamente, uma vez definida aquela da qual participaríamos, ficávamos sem outra alternativa na mesma cidade. Assim, ou havia envolvimento a despeito do que não se gostava ou não havia envolvimento algum.

Hoje as coisas são bem diferentes e melhor. Em termos religiosos a cidade funciona como uma gôndola de supermercado. As opções são tão múltiplas quanto às matizes das cores. Há igrejas para todos os gostos e desgostos, por isso, as razões que levam uma pessoa a participar de determinada igreja variam muito.

Idealmente diríamos que uma pessoa deveria participar de uma igreja por ter tido uma experiência com Deus em Jesus Cristo e, a partir dela e dele, desenvolver uma compreensão tal do ensino bíblico sobre igreja que jamais deixaria de participar de uma delas, seja com ou sem nome; com ou sem CNPJ; com ou sem sede própria; com ou sem estrutura organizacional, e assim por diante.

O fato, porém é que vivemos num tempo em que o sentimento fala mais alto. Nele, o mais importante é a pessoa sentir-se bem, diz-se. Jesus Cristo é só um detalhe. Porque Jesus é só um detalhe o que sabemos a respeito dele e sua igreja, na única fonte disponível, a Bíblia, torna-se irrelevante. Importante é o que sinto no ajuntamento religioso e o significado que dou à experiência, diz-se.

É claro que sentir-se bem é importante na escolha de uma igreja, mas não é o único, muito menos o mais importante motivo para sermos igreja. Se Jesus Cristo tem algo a ver com nossa vida, no mínimo nos espelhamos em suas atitudes, palavras e ações para vivermos ou não em comunhão, em igreja. Todas as demais razões ou sentimentos devem passar pelo crivo da nossa relação com ele. Assim, a primeira pergunta que uma pessoa deve fazer-se ao pensar em participar de uma igreja é: o que tenho a ver com Jesus ou o que Jesus tem a ver comigo?

Não ter resposta a essa pergunta não é, de modo algum, impeditivo para participar-se de um culto, mesmo que regularmente. Ouvir palavras de quem busca em Deus ensinamentos para o bem viver é sempre melhor do que ensurdecer-se. Deve, porém saber que, se a igreja da qual participa entende o significado bíblico do ser cristão, sua vida sempre será confrontada com a mesma pergunta feita por Pilatos: “o que farei de Jesus chamado Cristo?”.


Desejo que essa seja a pergunta constante da Igreja Batista da Graça.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Alo Terezinha

Quando era professor de Ética Cristã, exigia que, nos seminários a serem apresentados, as duas posições extremas sobre determinado assunto fossem defendidas diante da classe com o mesmo ardor. Se o tema era aborto, divórcio, enfim, que a opinião dos favoráveis fosse defendida com a mesma intensidade da dos contrários.

Essa era uma maneira de contribuir para a conscientização da necessidade de diálogo, da convivência pacífica, da compreensão de que, como grafou Leonardo Boff, "cada ponto de vista é a vista de um ponto", da importância de se ouvir os dois lados, da caminhada em direção à autonomia de pensamento.

Sou defensor da caminhada cooperativa e solidária, do empenho pelo respeito mútuo, mas avesso ao espírito de rebanho, de "porcorativismo".

Se bato a cabeça, e bato muito, bato com a minha cabeça e não com a dos outros, ainda que pondere sobre a opinião alheia. É que sei por muitas experiências que quando bato, só eu sinto realmente a minha dor. Que eu faça, então, jus a ela!


Então, buzine à vontade na minha "Linha do Tempo", sabendo que ao final, te agrade ou desagrade, vou decidir pela minha cabeça e não pelo volume ou quantidade de buzinadas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Preferia a alternância, mas ela não ocorreu.

Preferia a alternância, mas ela não ocorreu. Paciência.

Votar na contramão da minha própria história eleitoral foi pra mim o grande desafio. A alternância, o voto em símbolo, o espírito de cardume, a aparência de intelectualidade, a espiritualidade seletiva, as bravatas, a rejeição, os rótulos, os discursos destituidos de conexões mínimas com a factibilidade retrospectiva ou perspectiva, os fantasmas do medo, enfim, foram mais fáceis de serem enfrentados, pois são pontos em adiantado processo de superação, seja através de reflexões teóricas, seja em processos de psicanálise. Decidir, repito, modificar um histórico eleitoral linear, foi o maior desafio. (Digo histórico eleitoral, pois o difiro de histórico político-ideológico. Mas esse seria um outro assunto).

Termino o domingo feliz.

Feliz porque consegui vencer a mim mesmo, ao reafirmar a liberdade para seguir  o que minha consciência, coração, razão sinalizaram.

Feliz porque se o segundo mandato #Dilma for melhor (acho difícil pela piora, pra ela, no perfil do Congresso) em quesitos essenciais, estruturantes, ótimo para todos, até porque não me declarei antiisso ou antiaquilo; se não - se for pior - poderei lembrar-me de que, juntamente com 54,70% dos eleitores brasileiros (soma dos que optaram por anular, deixaram branco ou votaram em Aécio, fora os 21,10% que optaram por não ver o desfile com as "roupas novas") percebi que a rainha estava, aos meus olhos, seminua no mínimo e não deixei de gritar -  o Rei está nu - em meio a multidão dos 51,64% que, sem demérito ou juizo de valor, não enxergaram o que ou como enxerguei.

Continuarei minha luta e minhas ações na mesma linha e direções que caracterizam minha caminhada, com acertos e erros, fazendo o melhor à luz do que consigo enxergar, com meus próprios olhos.

Que Deus abençoe #Dilma, manifestando assim sua graça e misericórdia para com este povo sofrido.

domingo, 26 de outubro de 2014

Meu voto e a Igreja Batista Graça, SSA

Agradeço a Deus pela Igreja Batista da Graça e sua reação às minhas escolhas eleitorais.

Durante os aproximadamente 10 anos que a pastoreio, sempre deixei minha preferência eleitoral ser conhecida. Nesses anos todos, aqueles que não votaram em candidato do PT à presidência sabiam em quem eu votava. Nunca nenhum deles me desrespeitou por isso e vice-versa.

Nesses últimos 60 dias, quando deixei que soubessem que, pela primeira vez, não votaria em candidato à presidência do PT, tenho sido, da mesma forma, respeitado pelos eleitores da Dilma, membros da IBG.

Não separo minha vida espiritual das demais áreas da minha vida, mas sempre procuro diferenciar os espaços das minhas manifestações.

Nos cultos não manifesto minhas preferências eleitorais, pelo menos não conscientemente. Quando preciso usar uma ilustração do universo político, procuro deixar claro que não se trata de ataque ao usado como ilustração. Em meu blogger, twitter ou linha do Tempo do Facebook expresso com toda a liberdade a que tenho direito como cidadão.

Adoto esta postura por uma simples razão: nos cultos vão pessoas de todas as matizes ideológicas em busca, em tese, de aproximação com Deus. Lá, anuncio princípios que creio serem da Palavra de Deus e fica para cada um a responsabilidade de aplicá-los em suas escolhas concretas.

Não é o caso desta Linha do Tempo, do Twitter ou Blogger. Nesses vêm aqueles que querer saber o que digo ou faço. Vêm porque querem. 
Ficam porque querem. Se não quiserem têm duas opções:


1. Fazem um comentário contrário ao meu modo de pensar (sem agredir-me, claro, pois não sou masoquista. Se agredir, deleto);
2. Deixam minha lista de amigos ou deixam de ler o que publico.

Sempre fiz esta distinção. Se é a melhor ou pior, o juízo é de cada um. Mas sempre agi assim.

Por isso, na Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió, podia-se identificar claramente a pluralidade de posicionamentos.

Por isso, na Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, podia-se identificar claramente a pluralidade de posicionamentos.

Por isso, na Igreja Batista da Graça, em Salvador, na qual hoje pastoreio, pode-se identificar claramente a pluralidade de posicionamentos.

E assim será até que me convença a mudar. E posso mudar. A vida me foi dada por Deus e sou livre pra fazer escolhas. Liberdade é graça de Deus, é minha salvação em Cristo Jesus. Sempre me empenharei para exercitá-la graciosamente.

Desta feita decidi alternar. Não vou com a candidata do PT.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Quando bate a solidão (18.10.1998)

Quando bate a solidão e a sensação de se estar só domina o coração,
O vazio invade a vida, tudo ao redor transforma-se em deserto
E a existência fica sem significado,
A conclusão a que chegamos é tenebrosa e assustadora:
Não vale a pena viver!

Quando bate a solidão e a sensação de se estar só domina o coração,
A madrugada parece não ter fim, o trabalho fica enfadonho,
O amor fica doloroso,
A esperança se iguala ao vento,
A conclusão a que chegamos é tenebrosa e assustadora:
Não vale a pena amar!

Quando bate a solidão e a sensação de se estar só domina o coração,
A realidade torna-se insuportável, a fantasia se transforma em carrasco,
E o sonho vira ilusão utópica,
A conclusão a que chegamos é tenebrosa e assustadora:
Não vale a pena sonhar!

Quando bate a solidão e a sensação de se estar só domina o coração,
A pessoa amada fica distante, o passado vira fumaça,
O futuro é apenas escuridão, o presente fica indefinido,
E o tempo torna-se insuportável,
A conclusão a que chegamos é tenebrosa e assustadora:
Não vale a pena esperar!

Quando bate a solidão e a sensação de se estar só domina o coração,
O sono desaparece, a música entedia,
A tristeza passa a ser o oxigênio,
E a desconfiança, o sangue que rega a vida,
A pergunta que fazemos é tenebrosa e assustadora:
Vale a pena ter fé?

Quando bate a solidão e a sensação de se estar só domina o coração,
Perguntas tenebrosas e assustadoras surgem com emoção:
Vale a pena viver?
Vale a pena amar?
Vale a penas sonhar?
Vale a pena esperar?
Vale a pena ter fé?
Vale a pena?

Vale a pena, pois a solidão é uma ilusão necessária
que se desfaz na realidade incontestável:
Deus está presente!

(Escrita em outubro de 1998, em função de mensagem produzida sobre a vida de Elias e publicada no Boletim 41 ANO V, da Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, PE, em 18/10/1998)

sábado, 4 de outubro de 2014

Cuba, USA e PT: símbolos e realidades

Há momento na vida que nos guiamos por símbolos, pela dificuldade de lidarmos com a realidade. O amadurecimento nos leva a, paulatinamente, sermos capazes de diferenciar símbolo de realidade e administrá-los.

Na política há casos emblemáticos. Cuba, USA e PT são exemplos.

Cuba. Uma é a Cuba simbólica, outra a real.

A simbólica é aquela que representa em nosso imaginário a resistência de um povo empobrecido diante de um enriquecido do planeta; a resistência da "colônia" ao império; a luta entre David e Golias. Isso a torna admirável àqueles que, reconhecendo a profunda e injusta desigualdade, veem nela o que deveria estar presente na vida de todos: a luta por justiça social, a capacidade de resisitir, símbolo que eu também admiro.

A realidade porém, retrata elementos que não são tão admiráveis. Um deles, pra minha personalidade, é a impossibilidade do exercício da liberdade de iniciativa, da liberdade de ir e vir, do controle estatal sobre a privacidade.

Conheço pessoas cujo discurso é ferrenho em defesa dos direitos individuais, da dignidade humana, da liberdade de escolha, mas quando falam de Cuba suas línguas travam, seus olhos se fecham e tudo que elas conseguem fazer é aplaudir a Ilha que, para elas, NÃO parece ser a Ilha da fantasia. É.

USA. Um é o país simbólico, outro o real.
O simbólico é aquele em que as coisas funcionam. A justiça é ágil, o bem-estar social e a ética predominam, a cidadania individual é respeitada, o acesso aos bens materiais que torna a vida mais confortável é mais "fácil", a liberdade individual é respeitada. Esses elementos eu também admiro.

A realidade, porém, nos apresenta elementos discutíveis. A coisificação do ser, o massacre impiedoso fora de suas fronteiras quando seus interesses são afetados, a massificação ideológica através do marketing, são exemplos que questiono.

Conheço pessoas cujo discurso em defesa dos USA imaginário é tão forte que tornam-se incapazes de perceber que também há elementos nocivos no modelo de vida predominante que precisam ser questionados.

PT. O partido do imaginário e o real.
Aqui parece ser desnecessário entrar em detalhes. Apenas dizer que ocorre o mesmo. Para uns o PT é idolatrado como Deus, para outros, ridicularizado como o cão. Enquanto isso não for administrado em nossas cabeças seremos regidos pelo mesmo princípio que regeu a ditadura militar brasileira: Brasil, ame-o ou deixe-o.

Pra mim, PT não é Deus, nem demônio. É um partido que não tem controle sobre minha mente e coração. Eu o controlo em minha mente e coração, não o inverso. Esse fato me deixa livre para apoiá-lo e criticá-lo sempre que eu assim entender e não porque pessoas de quem gosto e admiro querem.

Nessas eleições presidenciais não o quero mais no cargo máximo. O real venceu o imaginário. Ponto. Vou com Marina 40. E tenho o maior respeito por quem pensa diferente e vai com Levy Fidelix. Já dizia minha avó: uns gostam do olho, outros do remelo e gosto não se discute, no máximo se dialoga e se respeita!

Sim, vou com Marina, 40

Não sou Juiz, não sou Promotor Publico, não sou da Polícia Federal, muito menos sou imune a pecados.

Sou um cidadão não filiado a partido (e isso não é virtude), que abomina os governos Dilma, Lula e FHC por não terem se empenhado por uma reforma político-eleitoral.

Sou um convencido de que todas as benesses de governos para com os empobrecidos os tornam dependentes se não houver reformas estruturais que deem a eles autonomia para participarem dos processos de escolha de seus dirigentes, poder para retirar os maus representantes e acesso pleno à informação. Isso exige muito mais do que alguns reais mensalmente em suas contas, anos após anos, em que pese crer ser um bom meio transitório em meio à fome e à injustiça social epidêmicas no país.

Sou um cidadão que acreditou que um segundo mandato seria necessário para Lula fazer tais reformas, mas ele não fez; um terceiro mandato para o PT fazer isso com Dilma, mas não fez. Hoje acredito que seria burrice de minha parte dar uma quarta chance.

Se isso não bastasse, a lista de corrupção nos faz perder o fôlego. E não estou falando da corrupção de terceiros, descobertas pela Polícia Federal. Refiro-me à que envolve membros do Partido. (Jamais me esquecerei de como o ex-diretor da Polícia Federal foi mandado pra china, ops, Portugal, sob pressão de Gilmar Mendes, "coincidentemente" quando a PF descobriu um irmão de Lula envolvido em falcatruas). Refiro-me aos conchavos com Sarney (MA ou AP?), Collor (AL), Renan (AL) Malluf (SP), Barbalho (PA) ...

Não, não tenho a ilusão de que com Marina, em um passe de mágica, tudo será diferente, mas, como nossas decisões levam em conta o histórico da pessoa, já sei, pelo histórico, porque não devo manter o PT ou reconduzir o PSDB à presidência.

Marina é a via alternativa para continuar lutando pelo pão que cada um deve ser capaz de colocar sobre a mesa e não por migalhas que deixam cair em nossas contas, sim migalhas em relação aos montantes da corrupção que dirigentes derramam em suas contas.

Se está esquecido, de uma olhada nesta lista: https://pt-br.facebook.com/karlmarxdadepressao/posts/261163790748690

Amanhã, 5.10.2014, vou com Marina, 40.

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Temas da reforma político-eleitoral que não avançam
1 – Sistemas Eleitorais
1.1 Sistema majoritário. 
1.2 Sistema proporcional 
1.2 Sistema misto 
2 - Financiamento eleitoral e partidário 
3- Suplência de senador 
4- Filiação partidária e domicílio eleitoral 
5- Coligação na eleição proporcional 
6- Voto facultativo 
7- Data da posse dos Chefes do Poder Executivo 
8- Cláusula de desempenho 
9 - Fidelidade partidária 
10 – Reeleição e Mandato 
11 – Candidatura avulsa

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

She is the besta, ops, the best !


Ela escolheu um candidato diferente do meu.

Pra encerrar a briga venho a público reconhecer que:

O dela é melhor pq eu não sei escolher.

O dela é melhor pq ela é mais inteligente.

O dela é melhor pq ela é mais bem informada.

O dela é melhor pq ela mais lúcida.

O dela é melhor pq ela é mais sábia.

O dela é melhor pq ela é mais afinada com Jesus de Nazaré.

O dela é melhor pq ela é mais capaz de fazer análises abrangentes de conjuntura.

O dela é melhor pq só ela está ao lado de intelectuais divinos.

O dela é melhor pq só ela está ao lado dos empobrecidos, injustiçados...

O dela é melhor pq só ela está ao lado de gente abnegada, altruísta,  misericordiosa...

O dela é melhor pq só ela está ao lado de gente capaz de enxergar os erros, os equívocos, as maldades das religiões e denunciá-las.

O dela é melhor pq só a compreensão teórica, de administração e de governo dela, das questões sócio-político-economicas, resolverá as injustiças sociais.

O dela, seja quem for seu candidato, é e sempre será o melhor, pois she is the besta, ops, the best!

sábado, 30 de agosto de 2014

Declaração ao Povo Batista Baiano

Declaro, a quem interessar, que a Igreja Batista Graça e a Convenção Batista Baiana, ambas por mim presididas neste momento, são instituições com natureza democrática de governo, formada por indivíduos e igrejas autônomas, que respeitam a liberdade de pensamento e de crença. 

Por isso, seus membros - no caso da IBG - e seus filiados - no caso da CBBA - têm responsabilidades com elas nos termos dos seus estatutos e não em termos de opção político-partidária. 

Assim sendo, ambas reconhecem a pluralidade política e a liberdade de seus membros/filiados de escolherem partidos e candidatos que atendam sua cosmovisão de mundo e sua compreensão espiritual. 

Desejamos que, na medida em que se aproxima o dia das eleições, membros e filiados também se aproximem mais e mais do amor que professamos e se respeitem mais e mais nas diferentes escolhas que fizerem

O período eleitoral passará, mas a unidade construída em Cristo Jesus deve permanecer, pois ele - não um partido político ou candidato - é a razão da nossa existência e esperança, o parâmetro ético para nossas escolhas de vida, inclusive as políticas. 

Portanto, ratifico, por reconhecer o direito inalienável de cada individuo, que nenhum membro de igreja ou instituição filiada à Convenção deve se sentir constrangido diante das escolhas político-partidárias, seja deste presidente, seja de quaisquer de suas lideranças eclesiástico-denominacionais.

sábado, 23 de agosto de 2014

Sua vocação, a igreja e a Convenção Batista

Deus vocaciona indivíduos. Assim nos demonstra a história. Ele os vocaciona para uma missão, um ministério. As missões e os ministérios são múltiplos. Podem manter-se os mesmos por toda uma vida ou podem sofrer variações na trajetória. Mas, como disse, a história aponta que Deus vocaciona indivíduos e, diante do chamado, cada um responde da melhor maneira que suas circunstâncias permitem.

Todos somos vocacionados a viver a vida de tal forma que, em todas as suas dimensões, ela se desenvolva de maneira saudável, ou, numa linguagem sacerdotal, santa. Daí sermos chamados em Cristo para viver em comunhão com Deus, demonstrando isso em todas as áreas de atuação.

Nosso chamado não se restringe, portanto, ao desenvolvimento de atividades no campo da religião. Deus nos chama para sermos sal e luz na saúde, na economia, na educação, no lazer, enfim, e também na religião. Seja, porém, para qual área for o nosso chamado, ele deve ser desenvolvido tendo Jesus como parâmetro.

O dinheiro, conquanto seja necessário, não deve reger nosso chamado, ser senhor de nossas vidas. Não é em função dele que desenvolvemos nossa vocação. Ele é necessário, mas não preenche as necessidades mais profundas de nossa existência. Deus deve ser o Senhor de nossas vidas no desenvolvimento de nossa vocação e tudo o que temos e somos deve ser vivido de acordo com os valores do seu Reino, em favor da vida.

A sociedade tem mecanismos de preparação dos indivíduos para o exercício de suas vocações que, geralmente, não inclui o preparo espiritual. Cientes de que isso causa danos à vida, especialmente na convivência humana, à igreja cabe investir no preparo de seus membros a fim de que suas ações sejam norteadas pelo compromisso com o Reino de Deus.

À Igreja, como agência cuja missão visa primeiramente (não exclusivamente) o fortalecimento da dimensão espiritual da vida, cabe redobrar seus esforços para que a espiritualidade ocupe prioridade em nossa escala de valores, ajudando vocacionados ao ministério do desenvolvimento espiritual, a se prepararem da melhor maneira possível.

A despeito, entretanto, do papel da igreja, o vocacionado não deve responsabilizá-la pelo desenvolvimento ou não de sua vocação de preparar-se e  dedicar-se com exclusividade ao seu chamado espiritual. A ele cabe procurar os meios adequados para cumprir o chamado que move seu coração, pois ele prestará contas a Deus do seu chamado.

À igreja, pela natureza de sua missão, cabe reconhecer o vocacionado e apoiá-lo no desenvolvimento do seu chamado. Ela não deve ser confundida com uma empresa que oferece preparo visando contar com mão de obra qualificada para disputar e manter seu espaço no mercado. Embora a igreja precise de pessoas preparadas para o bom funcionamento de suas estruturas, ela não deve perder de vista sua natureza espiritual e sua missão no mundo e não girar em torno de si mesma.


À igreja cabe ajudar o vocacionado no preparo e sustento, a fim de que ele cumpra da melhor maneira possível, mas se a igreja falhar nesse papel, cabe ao vocacionado encontrar maneiras de desenvolver a sua vocação. O chamado é dele.

O Essencial na Cooperação Batista

"Não importa a igreja que tu és,
Se aos pés do Calvário tu estás,
Se o teu coração é igual ao meu,
Dá-me a mão e meu irmão serás"

Já dizia Rubem Alves que o povo cantou a Reforma Protestante antes de entendê-la. Isso ratifica a importância da música como veículo de idéias e estimula-nos a investir mais nesta importante área de nossas igrejas. Meu objetivo, porém, não é falar de música, mas da letra de uma música que influenciou minha vida mais do que eu poderia imaginar.

Era final dos anos 60 e, criança, ouvia minha mãe cantando: "Não importa a igreja que tu és, se aos pés do calvário tu estás, se o teu coração é igual ao meu, dá-me a mão e meu irmão serás". Daí pra frente cantei-a durante a adolescência, sem saber que ela era fruto do surgimento de novas denominações religiosas, bem como uma ferramenta para facilitar a aceitação delas, pelos membros das chamadas igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, metodistas, congregacionais, etc.).

Hoje entendo não somente a importância estratégica dela para os objetivos das igrejas emergentes, mas também seu significado para além da superfície das palavras.

Ela, primeiramente, me estimula a entender, diferenciar e classificar as coisas e as idéias em torno de: é muito importante para o desenvolvimento do Reino? Ou: é importante? Ou: é pouco importante? Ou: é sem importância?

Creio que a Convenção Batista Baiana dará um salto de qualidade e de velocidade no cumprimento de sua missão, se cada líder, cada igreja, diante do que nos diferencia usasse essas perguntas. Há situações em que, parece-me, investimos muito do nosso tempo e energia naquilo que é sem importância significativa para o Reino.

Depois, a letra me fez pensar que devemos diferenciar o essencial do acidental. De tudo que devemos guardar, guardemos o nosso coração, pois ele é essencial à vida, diria o sábio bíblico. Como igreja, no que é acidental somos diferentes, mas somos iguais no que é essencial. Todos fomos criados para amar, todos somos pecadores, todos morreremos, todos prestaremos contas a Deus e Ele nos julgará segundo sua reta justiça e não seguindo as percepções de cada um. Não nos esqueçamos dessa essência.

Finalmente, ela aponta o essencial na vida de uma igreja: estar efetivamente aos pés do calvário. Isto é, viver humilde e submissamente à pessoa de Jesus, o Cristo.

Um livro que marcou a vida de muitos da minha geração foi "Em seus passos, o que faria Jesus?". Através da leitura dele, a centralidade de Jesus ganhou importância em minha vida. Descobri que o essencial na fé cristã é conhecer e continuar conhecendo a vida, o caráter, os ensinos de Jesus e, movido por sua amorosa graça, empenhar-nos em nos identificarmos com ele não para alcançar uma salvação futura, mas por termos sido salvos por ele já neste presente tempo.

Conhecer doutrinas é importante, mas, MAIS importante é conhecermos Jesus e procurarmos ser um fiel retrato de sua vida em nossas relações com as coisas e as pessoas.

O essencial na cooperação batista ou em nossa caminhada como Convenção Batista Baiana, é focarmos no Jesus da desprezível Nazaré, que caminhava com pecadores, lavava os pés de seus amigos e abençoava seus inimigos.

Se isso for levado graciosamente a sério, alimentaremos a real motivação para nos reunirmos e contribuirmos. De mãos dadas pensaremos, planejaremos, executaremos e avaliaremos a caminhada denominacional. Com corações alegres e generosos contribuiremos com orações, conhecimentos, tempo e dinheiro para o avanço do evangelho do Reino no coração de cada pessoa em nossa cidade,  estado, país e mundo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Minha passagem pela Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem (Parte 2 - entrevista sobre o NASCE)

(Compartilho na íntegra esta entrevista feita por Juliana Outtes, para a Revista EMANUEL de Julho de 2014, da Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, igreja a qual servi como pastor em dois momentos: junho de 1987 a outubro de 1992 e dezembro de 2000 a junho de 2003. Ela trata da minha relação com o Núcleo de Atuação Social Cristã Emanuel - NASCE -, criado em minha segunda passagem como pastor daquela Igreja).

1. Pastor, qual a sua história com a ação social cristã?


Meu interesse pelo assunto foi despertado aos 20 anos, quando cheguei ao STBNB. Leituras, diálogos, ampliação do conhecimento da realidade social do país, aprofundamento no conhecimento bíblico-teológico despertaram em mim o interesse pela dimensão social do evangelho, pois até então a expressão da minha fé girava em torno do futuro - céu-inferno - da alma de cada ser humano.


No Seminário aprendi com solidez sobre o interesse de Deus pelo ser humano integral, por todas as dimensões da vida e passei a construir uma visão integral do evangelho. Fui aluno de Harald Schaly, ex-pastor da Emanuel, o qual nos sensibilizava muito para esta área ministerial da Igreja.


Também trabalhei tanto nas pesquisas preliminares de campo quanto no desenvolvimento do Projeto TransCoque, desenvolvido pela então Igreja Batista da Rua Imperial em parceria com a Visão Mundial.


Já no primeiro ministério, em Maceió, me envolvi em ações de responsabilidade social, tanto nas de assistência e de serviço quanto nas de ação; tanto aprofundando trabalhos desenvolvidos pela Igreja Batista do Pinheiro quanto participando da criação de outros.


O mesmo fiz na minha primeira e segunda passagens pelo pastorado da Emanuel.


Além disso, tenho colaborado como preletor sobre o assunto em diversos estados da federação; fiz parte do Comitê de Ação Social da Convenção Batista Brasileira e tive participação ativa na criação da Câmara Setorial de Ação Social nas assembléias dessa Convenção.


Tenho também incentivado a manutenção do Centro Comunitário da Igreja Batista da Graça, Salvador, no qual funciona posto de saúde em convênio com a Secretaria Municipal de Saúde; Balcão de Justiça e Cidadania em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia; cursos para 500 alunos em parceira com o Instituto Federal da Bahia e PRONATEC; escolinha de futebol de salão, karatê e capoeira; club de mães e da terceira idade e, agora, estamos construindo uma cozinha-refeitório com equipamento profissional para cursos de empreendedorismo na área de alimentos, além de outros.


Nesses dois anos na presidência da Convenção Batista Baiana elevamos o tema da responsabilidade social a uma posição de destaque, dedicando uma das noites das Assembléias a esta temática.


2. Como se deu sua atuação no NASCE?


Para falar do NASCE é preciso que nos lembremos de algo da história da Emanuel. Dois pontos distiguiram a Emanuel das demais igrejas do Recife nas primeiras décadas de sua existência: 1) a realização de um fortíssimo trabalho em lingua inglesa, tanto culto quanto escola Bíblica, sob a liderança do casal missionário Glenn e Audrey Swidegood; 2) A existência da Creche Raio de Sol, criada no pastorado de Harald Schaly que achava absurdo as salas das igrejas ficarem a semana inteira desocupadas.


A Creche funcionava em parceira com a Kindernothilfe, sediada na cidade de Duisburg, Alemanha, e com a DIACONIA, tendo como intermediária no Brasil a organização Amparo ao Menor Carente - AMENCAR - e abrigava diariamente 200 crianças, das 7 às 17 hs. Além disso, auxiliava financeiramente famílias empobrecidas da então favela Ilha do Destino.


Com o fim das parcerias, a Emanuel decidiu, em 1993, sob a liderança do Pr. Josias Bezerra, que a Creche deveria ser encerrada e novas formas de atuação social desenvolvidas.


Quando retornei à Emanuel, em dezembro de 2000, a igreja mantinha sua visão social através de diversas ações, com destaque para atendimento odontológico. Nesse contexto entendemos ser necessário a criação de uma organização com personalidade jurídica própria a fim de possibilitar parcerias com instituições públicas e privadas.


Criamos então o NASCE, convidamos a Profa Delaine Melo, Assistente Social, para dirigí-lo, reformamos totalmente a parte do prédio que vai do refeitório ao escritório do NASCE, construimos novas salas para atendimento médico e psicológico e desenvolvimento de outras ações e construimos a quadra-estacionamento da Igreja na perspectiva de comunhão e de espaço para atuação social com atividades esportivas para crianças empobrecidas.


3. O que ela trouxe de experiência para a sua vida?


Aprendi que quando acreditamos firmemente em um ideal, quando o coração está dominado por um interesse real pelo próximo, colocamos a experiência, o conhecimento, os recursos que temos à disposição do Reino e, sob a orientação de Deus, somos capazes de realizar obras duradouras para manifestação do nosso amor ao semelhante.


4. O sr. acha que, atualmente, as pessoas dentro da igreja valorizam esse trabalho?


Creio que o que ocorre dentro da igreja é um retrato do que o ocorre fora dela. Não deveria ser assim, mas é. Nossas crianças estão sendo educadas para serem consumidoras e não cidadãs.


Investimos muito pensando no que nossos filhos precisarão ter e não no que precisarão ser. A febre do consumo, a valorização da grife se reflete dentro da igreja. O ser cliente prevalece sobre o ser crente. Participamos da igreja muito mais pensando em receber do que em dar, atitude diametralmente oposta ao ensino de Jesus quando diz que mais bem aventurado é dar do que receber.


Contribuir para atividades sociais muita vez parece ser mais manifestação de desencargo de consciência do que expressão de amor. Assim vejo, de maneira geral, o que ocorre dentro das igrejas, à luz de discursos que ouço e leio na mídia "evangélica".

5. O que é preciso para se estar mais atento à dor e à necessidade do outro?



Amor, consciência de justiça social, sobretudo real e genuina identificação com a pessoa de Jesus. Ser menos religioso e mais discípulo de Jesus, ser menos liturgia e mais adoração. Isso é obra do Espirito Santo de Deus. Nosso papel é insistir em sermos fiéis a Jesus, orar e sensibilizar, respeitando, claro, os dons de cada um, pois cada um manifesta sua atenção ao próximo com os recursos espirituais, emocionais e intelectuais que desenvolveu.

6. Que diferença há entre a ação social e a ação social cristã?



Na ação em si não vejo diferença. Ação Social é uma ação de cidadania e nós cristãos também somos cidadãos desta terra. Todos, em tese, devemos ter interesse pela predominância da justiça social, da solidariedade, da fraternidade. Todos ganham quando esses valores afloram, todos perdem quando são desprezados. O Brasil os desprezou por séculos e todos temos colhido resultados nocivos.


Há diferença na motivação. Há  quem realize atividades sociais como terapia ocupacional. O foco é em si mesmo. Há quem as realize como estratégia de marketing. O foco é o aumento da clientela. Há quem as realize para evitar o colapso social. O foco é a manutenção do status quo. Há quem as realize para aumentar o eleitorado. O foco é político. Há quem as realize visando a libertação, o bem estar do outro. Esse deve caracterizar  as desenvolvidas por cristãos.


Outra diferença poderia ser no empenho. Nós cristãos deveríamos nos empenhar muito mais, pois somos estimulados por Jesus a sermos sal da tera e luz do mundo; a termos fome e sede de justiça;  a sermos humildes, reconhecendo que somos essencialmente iguais e assim por diante.


7. Muita gente diz que gostaria de ajudar, mas não tem tempo. O que o sr. diria a esses irmãos?


Acredito que a responsabilidade social é de todos. Uns dão peixes, outros ensinam a pescar e outros ensinam porque os rios produzem mais ou menos peixes e porque uns têm mais e melhores equipamentos de pesca do que outros, possibilitando acúmulo e concentração violentamente desproporcionais.


Assim sendo, todos podem fazer algo. Talvez nem todos disponham de tempo para participar das atividades desta área na igreja, inclusive porque a igreja gira em torno de sete eixos diferentes que consomem tempo (adoração, administração, comunhão, ensino, proclamação, pastoral e responsabiliade social). Porém,  o importante é que todos sejam sensibilizados e estimulados a servirem, seja através de qual área for, sem perder de vista o ser humano integral.


8. O sr. já foi ajudado por algum programa de atuação social?


 Tenho lembrança da infância quando a Prefeitura da cidade de Garça, SP, onde nasci, mantinha programa de distribuição de alguns alimentos básicos às familias. Lembro-me de que isso era muito bem vindo em nossa casa, formada por pais e 8 filhos.


Também fui alvo da generosidade de irmãos, quando estudei no seminário, creio que fruto do incentivo da igreja aos membros, à manisfestação de amor ao próximo.


9. As pessoas que são ajudadas por programas e/ou pessoas da igreja passam a ter outra visão de Deus e das instituições religiosas?


No mínimo elas são levadas a pensar na razão que levaria alguém a dividir com elas, num mundo em que subtrair do outro, amparado ou não pelo sistema, predomina. Se deixamos a pessoa saber que estamos dando um copo d'água em nome do Senhor, certamente ela se interessará por conhecer este Senhor.


O que não entendo como correto é usar a ação como moeda de troca: eu te ajudo e você passa a participar da minha igreja. Quem faz o bem movido pelo amor de Deus, simplesmente faz, sem esperar retorno para si ou sua tribo.


10. Num mundo tão democrático como o atual, parece cada vez mais difícil falar do amor de Deus. O sr. acha que a ação social cristã torna mais fácil pregar o evangelho? Por quê?


Bem, conta-se que São Francisco de Assis teria ido a uma vila, acompanhado de um noviço, aprendiz de evangelista. Chegaram ao lugar, conversaram com muita gente e retornaram. O noviço teria perguntado: por que o senhor não falou do evangelho. A isso ele teria respondido: preguemos o evangelho. Se preciso for, usemos palavras.


Ainda que vivamos numa sociedade plural, na qual a diversidade de pensamentos religiosos é crescente, as pessoas continuam sendo sensíveis à manifestações de amor. João diz que a prova de que passamos da vida velha para a nova é o amor.


Então, amar é a solução para o fim do esvaziamento de igrejas, para o retorno ao crescimento, mesmo numa sociedade religiosamente plural.


Nesse sentido, o exercício de nossa responsabilidade social é uma fortíssima autenticação da nossa mensagem, se não for a mais forte. E, sem  dúvida, aumenta em muito a credibilidade e receptividade da mensagem que anunciamos.


11. De que forma os pais podem incluir a ajuda ao próximo na educação dos filhos?


Com seus exemplos, manisfestando altruismo, participando de ações em prol do bem estar coletivo; chamando a atenção dos filhos para as condições de vida dos empobrecidos pelo sistema que não não trata todos com igualdade, inclusive na oferta de oportunidades; dialogando sobre o assunto com eles, mas sobretudo, ensinando-lhes que Deus é amor e por isso devemos amar.

12. Sabemos que os adolescentes e jovens têm muito vigor, mas, muitas vezes, não participam desse tipo de atividade. Como fazer para incentivá-los a ajudar as pessoas que precisam?



A adolescência é a fase de maior sensibilidade para as injustiças sociais e para o envolvimento em causas idealistas. A questão, repito, é que há uma massificação para o consumo, uma inversão na escala de valores ético-espirituais e isso tem sido pouco abordado na igreja.


Nós, igreja, estamos tão preocupados com o crescimento numérico, financeiro e patrimonial que temos nos esquecido de priorizar a qualidade de vida humana. A ênfase na estética litúrgica tem sufocado o desenvolvimento da ética espiritual.


Acredito que se chamarmos os adolescentes para dialogar sobre a realidade adversa de milhares de pessoas na mesma idade deles e  colocarmos em debate maneiras objetivas de minimizar a situação certamente eles se envolverão. Isso, entretanto, depende em parte da visão daqueles que definem as ênfases a serem priorizadas na vida da igreja.


13. O que muda na vida de alguém que se dedica a praticar os ensinamentos de Cristo com atos concretos na vida do outro?


As pessoas que assim agem se humanizam mais; descobrem que não estão sós nos sofrimentos que a vida impõem; encontram sentido para viver e isso lhes traz paz e alegria interior; a sensação de utilidade e de dever cumprido revigora suas energias e, sobretudo, sentem-se verdadeiramente cooperadoras de Cristo, pois sabem que naquele dia - o dia do juizo - ele nos dirá: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que foi preparado para vocês desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ “O Rei responderá: ‘Digo a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’." (Mateus 25:34-40 NVI)