quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vou com Dilma, vou com 13 !!!

Quando eu era pastor no Recife, fui convidado para um almoço no Club Internacional, com Garotinho, então candidato à presidência. Fui por questão de educação e relacionamento. Ele era, então, apresentado como homem de Deus, professor de Escola Bíblica, com história de vida lançada em livro, etc. e eu todo desconfiado.

Claro, mantive minhas posições políticas não movidas por discurso religioso (não confundir com razões espirituais), segui com Lula e hoje vejo o mesmo candidato Garotinho concorrendo graças à liminar, aguardando julgamento por Ficha Suja. Não o julgo, apenas menciono o fato para lembrança dos mais antigos e conhecimento dos mais novos.

Por isso, em que pese o meu respeito sincero por Marina,
em quem cheguei a pensar em votar, cuja folha de serviços a qualifica para presidência e, se eleita, me deixaria feliz também, decidi dar meu voto para Dilma.

O PT não representa tudo o que acredito e até contraria uma ou outra crença minha, especialmente em termos de papel do Estado cuja abrangência ainda não está clara para mim, mas é, a meu ver, o que melhor responde às necessidades mais gritantes do Brasil, neste momento, como por exemplo a de justiça social.

Dia 3, vou com Dilma!

Paschoal Piragine e Silas Malafaia na cerimônia em que o Governo Lula assina lei sobre liberdade religiosa. (Pause 1:46 / 3:21)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A iniquidade dos candidatos, dos partidos, dos pastores e de todos nós!


Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.
O problema é que hierarquizamos os pecados.
Os nossos, geralmente, são mais aceitáveis

Os dos outros geralmente são inaceitáveis.

Os do meu candidato são aceitáveis.
Os do adversário são "iniquidade".


Se você está publicando os pecados de uma pessoa, sua intenção é ajudá-la ou difamá-la?
Se está difamando, está sendo um pecador pior, pois conhece os ensino de Jesus sobre isso, mas não segue.

Lembre:se "todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus" (Rom. 3.23)



 
Pela Bíblia, nem os pastores escapam. 

Leia:
 "São cães devoradores, insaciáveis. São pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria." (Is. 56.11)

 Portanto, assim diz o Senhor, Deus de Israel, aos pastores que tomam conta do meu povo: "Foram vocês que dispersaram e expulsaram o meu rebanho, e não cuidaram dele. Mas eu vou castigar vocês pelos seus maus procedimentos", declara o Senhor. (Jer. 23.2)

 "Contra os pastores acende-se a minha ira, e contra os líderes eu agirei." (Zac. 10.3)

Você acha certo dizer que um pastor é mais iníquo do que o outro com base nesses textos?

O partido de MARINA SILVA sempre defendeu, em seu programa de governo, a liberação da MACONHA, do aborto, fim do serviço militar obrigatório, criação de “ecotaxas” para coibir o consumo de gasolina e a produção de automóveis.

É honesto eu esconder isso só porque Marina se declara evangélica?

 
Há iniquidade em todos os candidatos, partidos, em você e em mim!

Se está difamando uma pessoa com fins políticos, isso o torna menos pecador do que a difamada?

Se for honesto, ou pare de repassar listas com "pecados" alheios ou mostre os "pecados" de todos, como fez o político-evangelista abaixo!

...

 A "iniquidade" em todos os partidos

Por Carlos Apolinário


"O ilustre pastor Silas Malafaia, em seu programa de televisão do dia 11 de setembro de 2010, sugeriu aos seus telespectadores que assistissem ao vídeo do pastor Paschoal Piragine, que faz afirmações contra o PT e pede aos internautas para não votarem em candidatos desse partido. O pastor Paschoal Piragine diz que eles são a favor do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Como evangélico há 51 anos e evangelista da Assembléia de Deus, gostaria que meus irmãos de fé fizessem uma reflexão sobre algumas informações:

1º) Eu tenho tomado posições claras contra o PL 122, o casamento gay e todos os privilégios dados a esse movimento. Para confirmar, basta acessar o meu site – www.carlosapolinario.com.br – e ler os artigos e entrevistas que registram as minhas posições.

2º) É bom lembrar que, em todos os partidos, existem pessoas a favor do aborto e do chamado casamento gay.

3º) José Serra, quando era prefeito de São Paulo, criou a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (CADS), órgão institucionalizado pelo prefeito Gilberto Kassab, em 19 de janeiro de 2008. Serra, quando governava São Paulo, assinou o decreto nº 55.588, de 17 de março de 2010, que permite o uso de nomes sociais por funcionários do Estado. Por exemplo, se um homem com o nome João quiser colocar em seu crachá de funcionário o nome Marieta, ele pode. Segundo o jornal Mensageiro da Paz (edição de setembro de 2010), órgão oficial da Assembléia de Deus presidida pelo eminente pastor José Wellington Bezerra da Costa, José Serra é a favor da união civil homossexual e da adoção de crianças por homossexuais. Também de acordo com o Mensageiro da Paz, Serra, quando era ministro da Saúde, editou a Norma Técnica que permitiu que os hospitais conveniados com o SUS praticassem abortos pela primeira vez no Brasil.

4º) Marina Silva, segundo o jornal Mensageiro da Paz (também na edição de setembro de 2010), é a favor da legalização civil das uniões homossexuais. “Marina defende que homossexuais que vivem como ‘casais’ tenham direito à herança conjunta, plano de saúde conjunto e direitos civis como qualquer casal”, diz o Mensageiro da Paz. Sobre a adoção de crianças por homossexuais, ela declara não ter posição. Em relação ao aborto, pretende transferir a decisão para os eleitores, com a promessa de realizar um plebiscito.

5º) Geraldo Alckmin, como governador, sancionou a lei 10.948. de 5 de novembro de 2001, de autoria de um deputado do PT e aprovada por unanimidade na Assembléia Legislativa de São Paulo e que tem o objetivo de penalizar qualquer instituição acusada de discriminar gays. Segundo essa lei, a empresa acusada de discriminação contra homossexuais poderá ser multada e ter o seu alvará de funcionamento cassado.

6º) Gilberto Kassab, como prefeito de São Paulo, enviou o projeto de lei nº 359/07, que tramita na Câmara Municipal de São Paulo e é praticamente uma versão municipal do PL 122/06, em tramitação no Congresso Nacional.

Ao expor esses dados, não tenho a intenção de defender o PT ou acusar os demais candidatos. Faço isso apenas em defesa da verdade. Porque se nós, para votarmos no dia 3 de outubro, levarmos em consideração apenas posições que tratam do aborto e do homossexualismo, conforme as informações, entre outras, publicadas no Mensageiro da Paz, teremos que votar em branco."

sábado, 25 de setembro de 2010

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

Por Leonardo Boff

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.
 

Esta história de vida, me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa.
Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública.

São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, em que se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula.

Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo.

Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceitual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros.

De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa se fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, a melhorar de vida, enfim.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome.

Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil.

Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. 
A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela Veja faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais, não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista? Ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

We who believe in freedom cannot rest



"Ella's Song", based on the life and writings of Ella Jo Baker, the intellectual and spiritual mentor of the Student Non-violent Coordinating Committee (SNCC).

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes
We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

Until the killing of black men, black mothers' sons
Is as important as the killing of white men, white mothers' sons

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

That which touches me most is that I had a chance to work with people
Passing on to others, that which was passed on to me

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

To me young people come first, they have the courage where we fail
And if I can but shed some light, as they carry us through the gale

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

The older I get the better I know that the secret of my going on
Is when the reins are in the hand of the young, who dare to run against the storm

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

Not needing to clutch for power, not needing the light just to shine on me
I need to be one in a number, as we stand against tyranny

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

Struggling myself don't mean a whole lot, I've come to realize
That teaching others to stand and fight is the only way my struggle survives

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

I'm a woman who speaks in a voice and I must be heard
At times I can be quite difficult, I'll bow to no man's word.

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

sábado, 18 de setembro de 2010

Fazer missões


Somos o que somos porque nos relacionamos, nos percebemos, nos enxergamos, nos ouvimos, nos tocamos, nos comunicamos. No outro nos vemos e existimos. Por isso, com o outro trocamos palavras, afetos e experiências. Na troca, nos construímos e reconstruímos durante toda a caminhada da vida.


Compartilhamos nosso saber em todas as áreas da existência visando uma caminhada individual e coletiva mais feliz. Trocamos conhecimentos e experiências nas áreas da saúde, economia, lazer, transporte, comunicações, enfim, em todas as áreas que afetam nosso ser no mundo.


Não poderia ser diferente, portanto, na área espiritual. Nela também temos necessidades a serem atendidas e experiências e conhecimentos a serem compartilhados. A esse compartilhar damos o nome de “missão”, na linguagem religiosa.


Por ser algo essencial à existência, por haver manifestações inequívocas dos profundos prejuízos que a falta de cuidado com esta dimensão da vida causa à individualidade e a coletividade, temos o forte impulso de buscarmos permanentemente respostas para nossas inquietações. Quando as encontramos, não resistimos ao desejo de dividir não somente com os que nos cercam, mas também com os que estão distantes de nós.

Claro que diferentes motivações podem brotar, quando nos unimos a outras pessoas com experiências semelhantes e nos organizamos institucionalmente em grupos chamados de igrejas para aprofundar e difundir tais experiências e conhecimentos. Se não ficarmos atentos, tais motivações podem sufocar as razões que nos levaram a nos unirmos.


Exemplo disso é quando a igreja passa a ser um empreendimento meramente econômico, visando aumentar sua receita e patrimônio ou movimento político, visando impor seu modo de ver a vida a todos os demais seres.


É inevitável que elementos da economia ou da política transpareçam em nossas ações, pois a vida é fruto de um conjunto de sistemas que se interrelacionam. Porém, precisamos ter clareza de qual é a motivação central de nossa existência institucional, a fim de não a sufocarmos.


Nossa motivação nos impulsiona a fazer missões a partir do que somos e a apoiar outros a fazerem missões, a partir do que são. É a partir da visão de que temos diferentes dons que entendemos o agir missionário de cada pessoa no mundo.


Isso deve nos levar a entender que fazer missões não é uma atividade na qual a igreja é vista como uma empresa de pesca competindo para provar sua capacidade de pescar mais do que empresas da mesma natureza e até, se possível, pescar peixes da concorrente. Fazer missões é compartilhar o que somos e temos visando ajudar na construção de uma vida mais feliz a partir do que cremos ser revelação divina para sua criação.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A influência cristã na política e o posiconamento do Pr. Paschoal Piragine sobre as eleições 2010

"Meios imorais não justificam fins morais, pois os fins preexistem nos meios" (Martin Luther King Jr.)

Ao publicar neste blog diversas opiniões sobre as palavras do Pr. Paschoal Piragine, da PIB de Curitiba - palavras fundamentadas num vídeo de imagens que emocionam (como a Globo faz com suas novelas e filmes para ampliar a presença do espiritismo no Brasil) e não numa hermenêutica bíblica - meu objetivo foi enfatizar o pensamento, buscando o equilíbrio com o sentimento no trato de assunto da maior relevância para nossas vidas.

O vídeo, como as imagens de filmes e novelas com ideologia espírita, atrai por si só, daí os textos publicados serem de críticas - para trazer à reflexão - e não de apoio irrestrito. 

Claro é, portanto, que os textos pareçam mais em defesa do PT. Isso ocorre não pelo PT em si, mas por ter sido ele - o PT -  o grande "demonizado" do discurso que segue ao vídeo de imagens fortes. 

(Não nego que o fato de ter um amigo, líder batista e do PT em Alagoas, concorrendo com chances, a vice-governador do seu Estado e de ter entre os meus candidatos na Bahia, dois batistas filiados ao PT aumentaram ainda mais meu interesse no debate)

Não foi fácil, até aqui, selecionar os comentários enviados à luz deste norte (chamada à reflexão para equilibrar com a emoção do vídeo), uma vez que os sentimentos afloram num período pré-eleitoral e muitas agressões e acusações são enviadas pelas centenas de pessoas que têm visitado este blog diariamente. 

Também não tem sido fácil separar a pessoa do Paschoal Piragine do papel de ícone que ele passou a exercer nessa história. Meu sentimento cristão e o respeito que tenho pela pessoa e colega de ministério entram em permanente conflito com a postura que ele passou a representar. 

A dimensão que o vídeo dele tomou, fez com que o debate deixasse de ser em torno de uma pessoa bondosa, piedosa e respeitada que é o Piragine e passasse a ser em torno do que ele passou a representar,  pela idéia mais polêmica de sua fala que não é sua posição sobre aborto, pedofilia ou homossexualismo, mas a partidarização e demonização decorrentes da interpretação dada a citação - a meu ver ideológica e infeliz - do PT.

A condição de ícone, parece-me, foi por ele assimilada, na medida em que mantém o discurso na página de sua igreja na internet e nenhuma nota de esclarecimento, mantendo ou reconsiderando algo da fala foi publicada.


Assim, o Piragine passou a ser atacado por simbolizar uma postura partidária contrária ao PT e às conquistas sócio-econômicas alcançadas sob a liderança deste partido, assim como Lula é atacado ou aplaudido por tudo o que ocorre de mau ou bom no país, mais pela representação da função que exerce do que pelo demérito ou mérito pessoal de suas ações.
No meu caso, portanto, cada vez que refiro-me ao Piragine, não está em minha mira sua pessoa, mas o ícone que ele representa (perdoem-me a redundância) nesta polêmica.

Compatibilizar pensamento e sentimento nem sempre é fácil, da mesma maneira que é difícil a fala prevalecer sobre imagens. Imagens iludem. De qualquer modo, publico o vídeo que segue, cujo mérito, a meu ver, é trazer uma possibilidade de reflexão em torno da relação religião e política.

Sei que o ícone Barach Obama também suscita aproximação e aversão, como todo ícone, seja em termos políticos, seja em termos religiosos. Peço-lhe, entretanto, que invista um pouco do seu tempo ouvindo sua fala, pois ela expressa minha forma de relacionar política e religião, como batista que defende o princípio histórico de defesa de Estado leigo.



Entenda o problema clicando em:

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

PRONUNCIAMENTO DA ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL - ELEIÇÕES 2010

                A Aliança de Batistas do Brasil vem por meio deste documento reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania. A paixão pela liberdade faz com que, como batistas, sejamos um povo marcado pela pluralidade teológica, eclesiológica e ideológica, sem prejuízo de nossa identidade. Dessa forma, ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.

Em nome da liberdade e da pluralidade batistas, portanto, a Aliança de Batistas do Brasil torna pública sua repulsa a toda estratégia político-religiosa de “demonização do Partido dos Trabalhadores do Brasil” (doravante PT). 

Nesse sentido, a intenção do presente documento é deixar claro à sociedade brasileira duas coisas: (1) mostrar que tais discursos de demonização do PT não representam o que se poderia conceber como o pensamento dos batistas brasileiros, mas somente um posicionamento muito pontual e situado; (2) e tornar notório que, como batistas brasileiros, as idéias aqui defendidas são tão batistas quanto as que estão sendo relativizadas.

1. A Aliança de Batistas do Brasil é uma entidade ecumênica e dedicada, entre outras tarefas, ao diálogo constante com irmãos e irmãs de outras tradições cristãs e religiosas. Compreendemos que tal posicionamento não fere nossa identidade. Do contrário, reafirma-a enquanto membro do Corpo de Cristo, misteriosamente Uno e Diverso. 

Assim, consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil. Vigoraria aí o princípio apontado por Rubem Alves (1987, p. 27-28) de que “em tempos difíceis os inimigos fazem as pazes”? 

Com o exposto, desejamos fazer notória a separação entre os interesses ideológicos de tais coalizões e os valores radicados no Evangelho. Por não representarem a prática cotidiana de grande fração de pastores e igrejas batistas brasileiras, tais coalizões deixam claro sua intenção e seu fundo ideológico, porém, bem pouco evangélico. Logrado o êxito buscado, as igrejas e os pastores batistas comprometidos com as coalizões “antipetistas” dariam continuidade à prática ecumênica e ao diálogo fraterno com a Igreja Católica, assim como com as demais denominações evangélicas e tradições religiosas brasileiras? Ou logrado o êxito perseguido, tais igrejas e pastores retornariam à postura de gueto e proselitismo que lhes marcam histórica e tradicionalmente?
 
2. Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniqüidade”. 

Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). 

Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?).

Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós. 

Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição. 

Estranhamos que tais discursos não considerem nossos códigos penal e tributário como iniqüidades institucionalizadas. Os exemplos de como a iniqüidade está radicalmente institucionalizada entre nós são tantos que seriam extenuantes. Certamente para quem se domesticou a ver nas injustiças sociais de nosso Brasil um fato “natural”, ou mesmo como a “vontade de Deus”, nada do mencionado antes parece ser iníquo. Infelizmente! 

3. Como entidade identificada com o rigor da crítica e da autocrítica, desejamos expressar nosso descontentamento com a manipulação de imagens e de informações retalhadas, organizadas como apelo emocional e ideológico que mais falseia a realidade do que a apreende ou a esclarece. 

Textos, vídeos, e outros recursos de comunicação de massa, devem ser criteriosamente avaliados. Os discursos difamatórios tais como os que se dirigem agora contra o PT quase sempre se caracterizam por exemplos isolados recortados da realidade. Quase sempre, tais exemplos não são representativos da totalidade dos grupos e das ideologias envolvidas. 

Dito de forma simples: uma das armas prediletas da difamação é a manipulação, que se dá quase sempre pelo uso de falas e declarações retiradas do contexto maior de onde foram emitidas. 

Em lugar de estratégias como essas, que consideramos como atentados à ética e à inteligência das pessoas, gostaríamos de instigar aos pastores, igrejas, demais grupos eclesiásticos e civis, o debate franco e aberto, marcado pelo respeito e pela honestidade, mesmo que resultem em divergências de pensamento entre os participantes.

4. A Aliança de Batistas de Brasil é uma entidade identificada com a promoção e a defesa da vida para toda a sociedade humana e para o planeta. Mas consideramos também que é um perigo quando o discurso de defesa da vida toma carona em rancores de ordem política e ideológica. 

Consideramos, além disso, como uma conquista inegociável a laicidade de nosso estado. Por isso, desconfiamos de todo discurso e de todo projeto que visa (re)unir certas visões religiosas com as leis que regem nossa sociedade. A laicidade do estado, enquanto conquista histórica, deve permanecer como meio de evitar que certas influências religiosas usurpem o privilégio perante o estado, e promova assim a segregação de confissões religiosas diferentes. 

É mister recordar uma afirmação de um dos grandes referenciais teológicos entre os batistas brasileiros, atualmente esquecido: “Os batistas crêem na liberdade religiosa para si próprios. Mas eles crêem também na igualdade de todos os homens. Para eles, isso não é um direito; é uma paixão. Embora não tenhamos nenhuma simpatia pelo ateísmo, agnosticismo ou materialismo, nós defendemos a liberdade do ateu, do agnóstico e do materialista em suas convicções religiosas ou não-religiosas” (E. E. Mullins, citado por W. Shurden).   

Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo. Não reza a maior parte das Histórias Eclesiásticas a convicção de que a derrota do Cristianismo consistiu justamente em seu irmanamento com o Império Romano? Impor a influência de nossa fé por meio das leis do estado não é afirmar a fraqueza e a insuficiência do Evangelho como “poder de Deus para a salvação de todo o que crê”? 

No mais, em regimes democráticos como o estado brasileiro, existem mecanismos de participação política e popular cuja finalidade é a construção de uma estrutura governamental cada vez mais participativa. Foi-se o tempo em que nossa participação política estava confinada à representatividade daqueles em quem votamos.

5. A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social. 

Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: 

na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do estado; 

na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes

nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; 

nas propostas e lutas em favor da reforma agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; 

no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; 

e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria. 

Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicado. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc. 

É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”. 

Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.

Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade.  Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes, que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.

Maceió, 10 de setembro de 2010.
Pastora Odja Barros Santos – Presidente
Aliança de Batistas do Brasil
...

sábado, 11 de setembro de 2010

Médico, membro da PIB de Curitiba e o posicionamento do Pr. Paschoal Piragine sobre as eleições 2010

"Tenho recebido seus mailings e leio-os regularmente e são deveras interessantes.

Sou membro da PIB Curitiba e fui durante 2 anos Coordenador Estadual da Saúde da Mulher no Paraná e chefe de gabinete do secretário da saúde. Sou médico ginecologista com 25 anos de experiência e durante 12 deles chefe de residência. Ferrenho guerreiro contra o aborto a ponto de já ter sido interpelado pelo Presidente do CRM quando disse que médico que faz aborto é assassino e fere o código de ética porque juramos defender a vida.

Sem mais lero-lero meu objetivo é dizer que o vídeo do Pr Paschoal não é hipocrisia porque o conheço bem e ele não é hipócrita.
Mas, é um amontoado de besteiras e total desconhecimento dos fatos o que inclusive não condiz com o pr Paschoal que conheço que é em geral um estudioso de tudo. Foi muito mal assessorado neste caso e muito infeliz.

Conheço bem a política do PT pois sofri com eles 3 anos. O partido do governo aqui é o PMDB e eu ajudei o secretário de saúde deste partido pela amizade pessoal que tínhamos. Sequer me filiei a partido mesmo sendo pressionado pelos irmãos a concorrer a algum cargo. Mas fomos "obrigados" a acomodar o PT em alguns cargos chaves e posso falar bem sobre a política e o pensamento deles.


Abaixo reproduzo um e-mail sobre o assunto que enviei ao meu amigo pr A... que está em .... Ele representa minha opinião sobre esta manifestação do meu pastor. Penso que mais que discussões sobre o que ele falou, deveríamos discutir o papel da igreja hoje.

No amor de Cristo,
Gleden Teixeira Prates

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Meu querido ...

Perdi as contas de quantos e-mails com este filme recebi. Assisti com cuidado diversas vezes e a cada uma destas vezes fico mais pasmo. Poucas vezes vi uma manifestação tão infeliz. Eu não enviei este e-mail que estou redigindo agora para ninguém. Mas, como tu é um amigo especial e como geralmente ouves com prudência as ponderações e muitas vezes até mesmo muda de opinião depois de uma boa argumentação, estou escrevendo a ti. Será um e-mail longo.

O principal motivo de eu ter ficado "pasmo" reside justamente no fato de quem originou o e-mail. O pr Paschoal é na minha opinião um dos maiores líderes cristãos de nosso país da atualidade. Mas, com esta manifestação foi muito infeliz sob todos os aspectos, inclusive, e aí talvez esteja seu maior erro, sob o ponto de vista espiritual.

Ao mostrar aquele vídeo ele deixava claro a condenação a práticas como liberalização do aborto, união homossexual, infanticídio de índios com defeitos físicos, pornografia, pedofilia, violência doméstica, etc. Tudo até aí mais que perfeito. O erro foi afirmar que o PT apóia tudo isso. Erro ao meu ver mais grave ainda quando vem de um pastor e ainda mais de um pastor Paschoal que deve ser sempre comprometido com a verdade.

Como toda pessoa sabe, estas práticas existem de longa data e fazem parte de um sistema meticulosamente arquitetado por satanás e que foi muito bem alertado na Palavra de Deus que sobreviria nos últimos tempos. Portanto não é nenhuma surpresa nem novidade. Pelo contrário, trata-se da confirmação das Palavras de Deus. Isso é profético e mais do que medo ou receio deveria despertar em todos nós regozijo.


A questão é que durante 2 anos convivi diretamente com os radicais do PT e portanto conheço em detalhes o que pensam e o programa de cada um dos itens mencionados pelo nosso pastor e posso te afirmar que ele está terrivelmente enganado. Penso assim porque não imagino que esteja mal intencionado ao fazer afirmações, algumas delas mentirosas.

Dei de frente com muitos do PT porque eles são radicais em suas posições. Posso te garantir que ninguém é tão contra a violência contra a mulher como eles. Por diversas vezes reuni-me com "as feministas" do PT que queriam, delegacia da mulher em todas as cidades do Paraná e queriam ambulatórios médicos também em todas para atendimento imediato de casos de estupro e disponibilização de "coquetel contra DST". Este é um trabalho do PT.

A questão da pedofilia então nem se fala.
Eles tem isso no programa de governo deles e o pastor esqueceu de ler antes de dizer as inverdades. Na manifestação o pastor dá entender que o infanticídio promovido pelos índios é apoiado pelo PT. Muita infelicidade. A política indígena foi estabelecida pela Funai muito antes do PT estar no poder e até mesmo do terrível FHC. E esta política preve a liberdade do índio nos seus usos, costumes e tradições e que as leis do homem branco dentro do seu contexto não se aplicam. Mas, sou testemunha porque enviamos equipes para as aldeias do Paraná, de como o PT (ou a ala da saúde do PT) queira implantar postos de saúde e modificar a legislação do índio. Posso te afirmar que foi o primeiro governo que tratou deste assunto com seriedade.

Claro que no fundo eles estavam de olho nos votos que poderiam obter ao melhorar a condição do índio, mas isso faz parte. Levamos até mesmo o programa do leite para as crianças que foi iniciativa de nossa gestão na saúde para dentro das aldeias do Paraná por força do PT.

Quando se fala de drogas, quem quer liberar as mesmas não é o PT. Quando falamos deste assunto vemos que um dos maiores expoentes do PSDB, o senhor Fernando Henrique é quem quer liberar. Ou podemos ver no maior nome do PV, partido da nossa irmã Marina, o senador Gabeira como o grande incentivador por exemplo da maconha. Então não é justo associar ao PT às drogas.


Quando falamos de "descriminilização" do aborto e casamento gay aí sim podemos atribuir culpa ao PT. São sim 2 bandeiras deles. Mas, os maiores expoentes do PSDB já se manifestaram a favor de ambos. O maior expoente do PV já se manifestou a favor do casamento gay. Nestes pontos talvez o único partido que tem uma posição mais rígida e condizente com o que nós cristãos pensamos é o DEM.

Diante disso eu penso que teria um efeito muito melhor se o pastor desse sua opinião sobre em "quem" votar, não em quem não votar atribuindo a estes inverdades. Quem entende um pouco do assunto enxerga a passionalidade e a falta de conhecimento nas manifestações e isso é ruim pois pode inclusive gerar críticas contra nós (que já ouvi) e até mesmo processo. Oxalá tivesse permanecido calado por mais 30 anos. Política é para políticos. Quem não entende deve ficar de fora. Falo isso com a experiência de 3 anos envolvido 24hs por dia nesta área. Na verdade eu poderia falar muito mais sobre isso mas não vou tomar teu tempo.

Mas aí eu pergunto: vamos supor que elegêssemos um presidente evangélico e uma bancada majoritariamente evangélica. No que isso poderia ajudar sobre estes temas? Seria possível um decreto presidencial e a partir daí não teríamos mais homossexuais? Ou seria possível um decreto presidencial para declarar homossexualismo doença e que requer tratamento? Ou o fato de podermos falar abertamente sobre isso traria cura a estes indivíduos ou impediria que "novos" surgissem? Ou por um projeto de lei acabaríamos com o aborto? Ou conseguiríamos derrotar as drogas? Ou os maridos passariam a amar suas esposas e não mais as machucariam porque uma lei disse que deveria ser assim?
Não meu amigo. Nada disso. Não é pela força, pela lei, mas sim pela Graça. Pode ser o presidente do "capeta" ou o congresso do "demo", se Deus operar ninguém segura a transformação.

Precisamos na verdade refletir que temos a cada dia mais homossexuais em nossas igrejas, mais ainda, alguns deles filhos de nossos líderes. As drogas estão proliferando no meio do povo de Deus. A promiscuidade sexual é quase fato consumado no meio de nosso povo. Aborto no meio cristão?? Poderia te enumerar vários com nomes. RG e CPF. A pedofilia tem atingido as filhas de nossos irmãos. E o que é o pior, o agressor é o próprio pai, alguns que se dizem nossos irmãos. Pesquisa numa grande igreja evangélica de nossa cidade mostrou que 60% dos homens da mesma acessavam pornografia. Um presidente evangélico não mudará isso.

Não adiantaria o presidente ou o congresso legislar, continuariam ocorrendo da mesma forma. E sabe porque isso meu amigo? Porque estas pessoas que têm praticado estes atos têm visto o pecado nos seus pais e nos seus líderes. E estes modelos nenhum decreto ou falta de decreto consegue sobrepujar. Enquanto a igreja desvia seu foco e passa a preocupar-se com política e outras áreas menos importantes, tira o foco do seu alvo que é a restauração do homem.

Por isso A... seria bom demais se viesse mesmo o julgamento sobre a iniquidade que foi referida no vídeo. Seria muito bom a mordaça e não podermos mais falar abertamente (aliás a lei da mordaça foi proposta por Paulo Maluf não pelo PT). Até mesmo porque com toda a liberdade que experimentamos não estamos conseguindo os resultados. Isso dentro da própria igreja o que dirá lá fora. Continuamos sendo agentes secretos de Jesus. E quando falamos ou mostramos Ele... deixa pra lá. Melhor nem falar o que temos mostrado porque dá vergonha.

Vamos imaginar o pior cenário para a igreja do Brasil que seria a perda total de liberdade. Não pode pregar, não pode apontar o pecado, não poder mais falar que Jesus é o filho de Deus, etc. A..., creio que daí seria a Glória da igreja. Talvez seja justamente isso que estejamos precisando no Brasil mais do que nunca. Porque daí o joio seria removido do nosso meio. Já imaginou nós dois presos como Paulo porque pregamos o evangelho? Ou quem sabe torturado e morto como nossos irmãos do passado que foram jogados aos leões porque falamos a plenos pulmões para a Glória de Deus que homossexualismo é pecado? Ah A..., seria maravilhoso. Aí sim estaríamos vivendo e morrendo por Jesus. Eu penso meu amigo que é isso que a igreja precisa. Uma pressão tal que a faça acordar e olhar para o que de fato tem sentido para Deus.

Aliás, o que será que Jesus faria? Será que ele apoiaria um discurso destes? Logo ele que deixou claro que a lei deveria ser c umprida? Ou será que hoje Ele mudaria de opinião e se candidataria a Presidente? Não seria o caso de orarmos pelos nossos líderes como a bíblia fala ao invés de querermos trocar eles? O problema A... é que nossa fé anda pequenininha demais. E discursos ou manifestações como estas são uma prova disso. Porque se nossa fé fosse o que Deus espera de dela, então oraríamos apenas e esperaríamos para ver o milagre que Deus faria convertendo todos estes líderes e fazendo-os servir a Ele.


Infelizmente A..., com muita tristeza escutei este discurso. Um discurso passional e infeliz. Demorou 30 anos para falar. Mas, como dizem as crianças de hoje: "foi mal". Note que está sendo proposto o mesmo que os gays propuseram naquela passeata. "Vamos nos unir e votar contra......" Minha Bíblia diz que não é pela força, mas sim pelo espírito. Eu ainda creio no poder da oração e por isso não me importo quem estará lá pois creio num Deus que é capaz de mudar o coração deste e mais ainda o coração de todo um povo. Continuo acreditando que este país será outro quando todas as famílias passarem por um encontro de casais. Simples assim.

Grande abraço meu pastor amigo e durma com um barulho destes.

P.S. - pela primeira vez na minha vida não tenho nenhum adesivo no meu carro e não estou fazendo campanha nenhuma. A única pessoa para quem tenho pedido votos é para senador e chama-se Gustavo Fruet (do PSDB e que é a favor da união gay, ou melhor, como ele diz, da legalização da união estável entre homossexuais).

Gleden Teixeira Prates
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Wellington Santos e o posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr. sobre as eleições 2010

por Wellington Santos

Querido Geter

Parabéns pelos esclarecimentos. Confesso que fiquei profundamente triste com as palavras e o vídeo apresentado na PIB de Curitiba pelo Pr. Paschoal Piragine. Triste pelo fato de não saber julgar direito se é desinformação política e ou maldade ideológica.

Fiquei surpreso em ver o ex-presidente da CBB falando em união com os bispos da CNBB para lutar contra a  iniquidade. Até ontem os pastores que defendiam esta união para lutar contra a ditadura, pela reforma agrária, por justiça social e outros temas de interesse do nosso povo, eram taxados de ecumênicos e descriminados pelas lideranças batistas. Até porque estes mesmos que agora defendem a união com a CNBB ontem diziam que ecumenismo era um sinal do anti-cristo.

Fiquei triste em ver que política, que até então era coisa do Diabo, tornou-se coisa de Deus e da igreja que "se preocupa" com os valores do evangelho. Até então estes líderes mantinham-se "longe" dos temas políticos, longe dos temas políticos que lhes incomodam e denunciam sua omissão diante dos assassinatos de negros, pobres, homossexuais, menores abandonados, trabalhadores rurais sem terra (Eldorado dos carajás), etc. Que preocupação.

Fiquei triste de ver que só agora o Pr. Paschoal Piragine e outros estão vendo iniquidade institucional. Não viram nenhuma iniquidade nas inúmeras mortes da ditadura militar no Brasil, nunca viram iniquidade nos governos de Sarney, Collor, Itamar e principalmente de FHC. Em que Brasil estes estavam vivendo. Respondo, no Brasil dos ricos e que não conhecem as dores do nosso povo de perto.

Fiquei triste de ver o Pr. Paschoal jogando todos os parlamentares sérios do PT e compromissados com a vida e a luta por dignidade nesta pátria, sendo tratados pessoas sem nenhuma responsabilidade. Dizem hoje que o PT é satanista, pedófilo e outras misérias mais. Pensei que este tempo já tinha passado. Esperava um debate mais democrático e inteligente. 

Fico triste por ver que o nome de Deus continua sendo usado para manipular e assustar as pessoas. Engraçado: quando declaro meu apoio a partidos de luta histórica de esquerda, quando declaro meu apoio a luta dos trablhadores sem terra (MST, CPT, MLST, etc), quando vou as ruas lutar por justiça, denunciar mortes, cobrar políticas públicas que beneficiem o povo, não sou tratado como homem de Deus, falando em nome de Deus e preocudao com os valores do evangelho que defendem a vida. Quando usam o púlpito para declarar posição contra partidos e posições de caráter moral e sexual, estão falando em nome de Deus.

Fico triste de continuar vendo a partir destes pastores e líderes religiosos que a única coisa que pode mover a mão de Deus contra uma nação é a forma como este povo trata suas questões sexuais. Fome, falta de moradia, latifundio, acumulo de riqueza, miséria, idolatria ao poder e ao dinheiro, desigualdade social, injustiças de todo tipo, etc. não incomodam o coração de Deus.

Quero declarar a quem interessar possa: Não creio neste evangelho piegas nem neste Deus manipulável que se preocupa mais com a sexualidade da sua criação do que com a dignidade com que sua criação está vivendo.

Sei que quem sabe usar bem as palavras e manipular as imagens serão aplaudidos. Sei que posso execrado pelas lideranças que como bem afirmou o Pr. Paschoal (30 anos sem se manifestar...), vivem num Brasil de outras preocupações que não são as minhas pessoais nem o que move meu coração ministerial. Talvez por não concordar com estes posicionamentos não seja mais crente, cristão e tampouco pastor. Se a forma de ser respeitado como tal é assinando em baixo com as palavras do dileto pastor, prefiro abrir deste respeito.

Desculpe me alongar, não gosto de usar este espaço para dialogar. Respeito o direito do Pr. Pachoal manifestar sua opinião, indago apenas uma coisa: O contraditório será apresentado por quem na PIB de Curitiba?

Quero ser respeitado, tenho 19 anos de ordenação no ministério pastoral batista. Fui presidente 3 vezes da Convenção Batista Alagoana, fui membro da JUMOC durante três anos, sou pastor da IBP desde 1993. Porque coloco isto para
tod@s que irão ler este desabafo. Pelo simples fato de declarar durante toda minha vida apoio ao movimentos sociais que lutam em defesa da justiça neste país e sempre ser tratado como aloprado pela direita conservadora da minha denominação. Aloprados são os que denunciaram anos a fio as estruturas de poder que andaram de braços dados com a ditadura e outros meios carregados de iniquidade. Estes que defendem a família e a moralidade são homens de Deus cheio do temor e assim se manifestam com toda autoidade. Chega de hipocrisia.
Abraços,

*Igreja Batista do Pinheiro
Maceió-Alagoas


PS.:
Estranho este profeta só ter aparecido agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados pela omissão. 
Estranho tbm que este profeta fale em nome do grupo que produziu o vídeo, que tem por trás o Rodovalho, bispo dos "profetas" que colocaram dinheiro na cueca em Brasília e depois fizeram uma oração ao "senhor". 
Estranho tbm que este profeta não denuncie a fome, o acumulo de riqueza e de terras no Brasil (Isaías 5:8), a pedofilia no meio do clero católico e entre pastores protestantes e a miséria. 
Estranho tbm que este profeta só agora percebe iniquidade nas instituições governamentais. Nunca tinha visto antes no governo de FHC com a venda da Vale e a compra do congresso para aprovar a reeleição. 
Estranho que este profeta não tenha visto iniquidade no regime militar que levou o presbitério e outras instâncias denominacionais a entregarem seus pares (Rubem Alves, Richard Shaul, Rev, Wriht, entre outros que ou foram mortos ou tiveram que sais do país as pressas naquele período.

Por estas e outras meu dileto pastor e amigo, que ouso discordar do título de profeta para aqueles que só se lembram de ser profetas quando lhes é interessante.
Abraços,
Pr. Wellington Santos


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Gracias A La Vida - Mercedes Sosa

Em tempos de mensagens que visam embaçar nossos olhos, com informações falsas, beligerantes, nada como agradecer pela capacidade de enxergar, de distinguir!




Gracias a la Vida
de Violeta Parra ( Tradução de FL)

Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me dois olhos que, quando os abro
perfeitamente distingo o preto do branco
e no alto céu, o seu fundo estrelado
e nas multidões, o homem que eu amo.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o ouvido que, em toda a amplitude,
grava, noite e dia, grilos e canários
martelos, turbinas, latidos, chuviscos
e a voz tão terna do meu bem amado.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o som e o abecedário
e, com ele, as palavras com que penso e falo
mãe, amigo, irmão e luz iluminando
a rota da alma de quem estou amando.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me a marcha dos meus pés cansados
com eles andei por cidades e charcos,
praias e desertos, montanhas e planícies
pela tua casa, tua rua e teu pátio.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o coração que todo se agita
quando vejo o fruto do cérebro humano,
quando vejo o bem tão longe do mal,
quando vejo no fundo do teus olhos claros.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o riso e deu-me o pranto
assim eu distingo a felicidade da tristeza,
os dois materiais de que é feito o meu canto
e o canto de todos, que é o meu próprio canto
.
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Esther Lemos e o posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr. sobre as eleições 2010



 Prezado Pr. Paschoal,
Venho manifestar meu espanto e ao mesmo tempo minha decepção quanto ao seu posicionamento frente às eleições 2010, realizada no púlpito de seu ministério e registrada no site da Primeira Igreja Batista da Curitiba da qual é pastor e ao mesmo tempo presidente.

Sou membro da Igreja Batista Central em Toledo PR, também filiada à Convenção Batista Brasileira. Recebi este conteúdo via e-mail, o qual por sinal está circulando como vento!

Um dos valores mais caros mantidos pela instituição Batista não apenas no Brasil, que vem nos últimos anos sendo absolutamente destruído por nossas lideranças religiosas, tem sido a democracia e o princípio democrático da separação Igreja e Estado.

No início de sua manifestação afirmou que em 30 anos de ministério nunca realizou o que fez neste dia (não sei a data exata pois no vídeo não expressa, mas entendo que deva ser agosto/2010). Até então posso dizer que era uma liderança lúcida que não tinha sucumbido às tramas da luta pelo poder político no nosso país.

Não quero entrar no conteúdo da sua manifestação e das outras lideranças religiosas que se uniram num movimento nacional “para impedir que a iniquidade seja institucionalizada em forma de lei”. 
Mas me causa indignação saber que a mesma manifestação não foi referente a “iniquidade” naturalizada diante da pobreza de milhões de brasileiros e brasileiras e a respectiva exigência de leis que suprimam de nosso país a desigualdade social.

Diante de tal dissonância num contexto complexo e nebuloso de perpetuação da injustiça social, fiquei “arrasada” em ouvir e ver tal discurso, no dia de ontem (02 de setembro de 2010). 
Sua voz ecoou diante de milhares de cidadãos(ãs) que, talvez no único espaço que ainda resistia à massificação, buscam sinceramente autonomia e desenvolver o livre pensamento ao mesmo tempo recebendo orientação espiritual para suas ações no mundo presente.

A referência ao Partido dos Trabalhadores foi absolutamente infeliz e tendenciosa. Realizada por alguém que revelou publicamente desconhecer a luta histórica de uma organização da sociedade civil que, com todas as adversidades de qualquer organização humana, buscou agregar e tem colocado como projeto para a sociedade brasileira o fim das desigualdades. 
Obviamente projeto que não é compartilhado por todos. Porém, muitos cristãos como eu, ao longo dos anos de democratização de nosso país, encontraram como cidadãos e cidadãs deste mundo, o espaço para fazerem valer a luta pela justiça social e pela paz. Projeto que a igreja brasileira, especialmente de tradição Batista, insistindo no princípio da separação Igreja e Estado, optou em não se posicionar publicamente, orientando a livre associação de seus membros. Para nossa realidade uma decisão sábia! 
No contexto atual, em plena campanha eleitoral no país, a manifestação pública de seu posicionamento deve ser denunciada como uso deste espaço para outros fins que não os propostos pela natureza da organização da qual é presidente. Não entendo que tenha sido irrefletida, mas fruto de uma decisão pessoal ou talvez compartilhada pelo grupo dirigente da PIB Curitiba.

Diante do fato, no mínimo espero uma reparação pública tendo em vista nossa tradição denominacional ou, diante de sua inexistência, a capitulação do princípio democrático de separação Igreja/Estado e da luta histórica de constituição de um Estado laico no país.

Com todo o respeito que tenho à nossa organização denominacional, manifesto esta solicitação desejando que tenhamos lucidez e discernimento para de fato fazermos diferença e influirmos nos rumos de justiça e paz da sociedade por nós constituída.
Respeitosamente,
Esther Lemos

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