terça-feira, 11 de junho de 2013

O vai e vem da vida (Nossa gratidão a Odílio e Marina pelo bem que nos fizeram)

Quando adolescente, viajei muito de trem, especialmente em intercâmbios de jovens pelo interior de São Paulo. Gostava da Estação Ferroviária, tanto que, muita vez, ia até ela de bicicleta só para ver o movimento. Ali observava a reação das pessoas, os abraços apertados, os risos estampados no rosto, as lágrimas derramadas, as cabeças colocadas do lado de fora das janelas, as mãos que se levantavam dando adeus e até a indiferença daqueles que apenas passavam no trem sem qualquer vínculo com as pessoas da estação.

O pregador, no Eclesiastes, disse que há tempo para tudo na face da Terra. Dentre os exemplos mencionados, bem que poderia ter incluído que há tempo de chegar e tempo de partir, pois isso também é parte destacada de nossa caminhada de vida.

Milton Nascimento e Fernando Brandt colocaram muito bem em poesia esta experiência que nos faz “sorrir e chorar” quando compuseram:

“Todos os dias é um vai e vem
a vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar 
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
são só dois lados
da mesma viagem
O trem que chega
é o mesmo trem da partida
A hora do encontro
é também despedida”

Um dia Odílio e Marina chegaram. Alegramos-nos ao recebê-los, enquanto nossos irmãos da PIB de Maceió choraram por perdê-los. Agora, enquanto a IB do Farol, também em Maceió, se alegra por recebê-los, nós aqui ficamos,  chorando a perda.

Assim é a vida. O mesmo fato que gera riso, pode também gerar lágrimas. Tudo depende de como nosso coração se posiciona em relação a ele. O importante é não ter medo de rir ou de chorar. É saber que “pode a tristeza durar todo o anoitecer, mas a alegria, ela vem ao amanhecer”. É reconhecer, portanto, que a vida é cíclica e que nenhum momento deve ser encarado de maneira absoluta. Nem a dor da partida, nem a alegria da chegada são absolutas. Assumi-las, portanto, vivendo-as na intensidade necessária parece-nos a atitude adequada.

A consciência do ir e vir da vida e da dor e alegria que eles produzem devem nos ajudar a viver da melhor maneira possível os relacionamentos que a vida nos oferece. Os atritos são inevitáveis, pois não há relacionamento que não seja conflituoso, mas, como disse o autor bíblico, “tanto quanto possível, vivam em paz com todas as pessoas”.


Com Odílio e Marina vivemos a diversidade de experiências que a vida proporciona, mas, sem dúvida, as prazerosas foram em quantidade muito maior e, justamente por isso, as lágrimas da despedida são proporcionais a elas. Daí, nossa gratidão a Deus por tê-los tido conosco nesses pouco mais de sete anos.

 

3 comentários:

Coro Cristo em Canto da IBG-Ba 12 de junho de 2013 15:51  

Sabias palavras Pastor...
Gosto muito dos seus textos, sempre tão expressantes, claros e "retos"...
Bem que poderia aproveitar o embalo do blog e escrever um livro (As reflexões de Edvar), seria um bom titulo....rsrsrsrs
Abraços e que Deus continue abençoando abundantemente nossas vidas!!
Cleo Nunes

Rodolfo Seifert 14 de junho de 2013 21:41  

Apesar de estar longe, por acompanhar a igreja que aprendi a amar nos curto período em que estive na Boa Terra em 2008, digo: Odílio vai nos fazer falta!
Que o Deus da Graça o abençoe, querido Odílio!
Rodolfo

Rodolfo Seifert 14 de junho de 2013 21:41  

Apesar de estar longe, por acompanhar a igreja que aprendi a amar nos curto período em que estive na Boa Terra em 2008, digo: Odílio vai nos fazer falta!
Que o Deus da Graça o abençoe, querido Odílio!
Rodolfo