quarta-feira, 10 de junho de 2015

Com qual dos sistemas da sociedade você colabora mais?


O corpo humano pode ser dividido em oito sistemas principais: cardiovascular, respiratório, digestório, nervoso, sensorial, endócrino, excretor, urinário. Cada um tem seus próprios órgãos e, no bom funcionamento deles, a vida do corpo é mantida. Se um órgão funciona mal, o sistema é prejudicado e o corpo todo sofre. Com a sociedade não é diferente.

 

A exemplo do corpo, a sociedade – conjunto de pessoas que em tese vivem em torno de interesses básicos comuns e objetivos que lhes garantam viver com melhor qualidade de vida – também se divide em sistemas. São múltiplos e podemos citar alguns exemplos como: sistema familiar, educacional, religioso, de saúde, de lazer, político e econômico. Cada um desses gira em torno de subsistemas (habitacional, previdenciário, bancário, hospitalar, rodo-ferroviário, comunicação, etc) cuja importância pode variar em cada tempo e lugar.

 

Os sistemas não foram determinados por Deus, pelo menos não no sentido como determinamos as coisas. Eles surgem da necessidade dos seres humanos. A Bíblia – livro que norteia a vida do sistema religioso de origem judaico-cristã – não apresenta um único modelo de sistema. Ela não é um manual de funcionamento de sistemas, como alguns afirmam. Ela nem mesmo faz análise e recomendações para o bom funcionamento de um modelo de sistema, na forma como um trabalho acadêmico produzido para tal finalidade faria.

 

A Bíblia descreve como os relacionamentos humanos se deram no emaranhado de sistemas das sociedades de então, com ênfase no sistema religioso. Ela mostra como os valores espirituais cultivados determinaram a qualidade de vida individual e social, seja na dimensão horizontal, seja na vertical, e como os sistemas, especialmente, repito, o religioso, sofreram alteração ao longo da história nela contida, trazendo benefícios ou prejuízos aos seus cidadãos.

 

A Bíblia aponta o caminho a ser seguido por cada indivíduo, caminho personificado em Jesus Cristo, que, levado a sério, influencia não somente o próprio indivíduo, mas os sistemas nos quais está inserido. Na linguagem bíblica, esse caminho produz salvação. Fora dele, caminhamos à perdição.

 

A salvação, então, não está na repetição de modelos encontrados em determinado tempo e local descritos na Bíblia, mas no comprometimento com a vida e ensinos de Jesus que têm se demonstrado universais. Daí sua oferta de “salvação” para “todos”.

 

Ninguém é capaz de conhecer e operar em todos os sistemas da sociedade, mas todos somos capazes de contribuir para o funcionamento de pelo menos um. Ainda que todos afetem nossas vidas e possamos nos envolver com mais de um deles, é essencial que sejamos capazes de enumerar, por ordem de prioridade, quais deles são alvo não somente de nosso interesse, mas também de nossas ações.

 

Quando cada um decide viver em harmonia com a vida e ensinos de Jesus, seja qual for o sistema social com o qual ele mais contribua, sua vida fará diferença positiva em favor desse sistema. Quando, porém, idolatramos um sistema, abdicando de criticá-lo, contribuímos para o seu definhamento. A crítica puramente emocional aos sistemas pouco ajuda. É preciso que haja racionalidade, que haja intencionalidade de oferecer contribuição para que sejam aperfeiçoados e cumpram melhor suas finalidades.

 

Às vezes idolatramos um sistema simplesmente porque o funcionamento dele alimenta nossas necessidades individuais relacionadas, por exemplo, a sustento financeiro, prestígio e poder. Isso faz com que transformemos a manutenção desse sistema não em função do benefício que produz à coletividade, mas do benefício que dele advém apenas para nós, individualmente. Nesse caso, a manutenção do sistema passa a ocorrer em função de interesses particulares ou corporativos e não da coletividade.

 

A tese que defendo é que a qualidade de relação mantida com Jesus Cristo é determinante naquilo que nos motiva a manter um sistema. Foi ele que nos ensinou, por exemplo, que “quem quiser salvar a própria vida, perdê-la-á”. Contribuir para o bom funcionamento de um sistema, seja em termos operacionais, seja em termos dos valores espirituais que regem nossas operações, torna-se benéfico para todos. Se for para todos, será para o indivíduo, mas se for só para o indivíduo, em algum momento esse mesmo indivíduo começará ser prejudicado.

 

Com qual sistema da sociedade você tem contribuído? Que valores espirituais norteiam sua ação nele? Que influência a pessoa de Jesus de Nazaré exerce sobre suas atitudes, palavras e ações relacionadas aos sistemas da sociedade?

1 comentários:

Anônimo 17 de junho de 2015 00:26  

Excelente texto!