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sábado, 30 de julho de 2011

Eu por mim mesmo

Me caço há décadas e não me pego
Me busco sempre, sempre precisa de explicação?
Olho pra dentro de mim e me enxergo menos do que gostaria.
Olho pra fora de mim e me identifico mais do que, dizem, deveria
Numa vez vejo o bem que aceito e me alegro
Noutra, vejo o mal que rejeito e me aceito
Me sinto a maior parte do tempo numa corda bamba
E na corda bamba da vida aprendi a me equilibrar
Na corda bamba da vida, rio
Na corda bamba da vida, choro
Na corda bamba da vida, sofro
Na corda bamba da vida, oro
Na corda bamba da vida, vivo por um fio
Na corda bamba da vida, não me fio
Na corda bamba da vida, estou preso por um fio
Na corda bamba da vida vivo porque confio
As vezes me sinto um nada
As vezes me sinto um tudo
Diante do extraordinário que é a vida
Encantado permaneço mudo
Há momentos nos quais sou mais sincero do que deveria
Há outros nos quais sou mais falso do que gostaria
Em alguns momentos não sou o que pareço ser
Em outros, apareço pra esconder meu ser
Se sentiu-se confundido comigo
Talvez, então, sejamos iguais, amigo!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mau presságio


É como se ela estivesse vindo
Bem devagarinho
A conta-gotas
Lenta e elegantemente

Pior de tudo, disfarçada
Dançando
Sorrindo
Cantando
Representando

Anunciada,
Mas silenciosa
Cheia de vida,
Mas escabrosa

Agiota,
Oferece-se pra ajudar
Revela-se pra aniquilar

O sentimento oscila
Rio
Choro
Canto
Gemo
Confio desconfiando

E ela continua vindo
Com braços abertos
Pra acariciar?
Para enforcar?
Pra nos levantar?
Para sepultar?

Olho espantado
Sentimento dividido
Coração palpitando
Fronte dilatando

Nem um passo pra frente
Nem um passo pra trás

Paralisado

Não há como fugir
Não há como evitar
Não há como fingir
Não há como escapar

Ela vai chegando
Ela vai se aproximando
Reajo gritando
Reajo chorando
Reajo questionando
Reajo lamentando
Mas ela vai nos derrubando
E nos abandonando

Segue esbelta,
Senhora de si
Senhora da vida
Senhora da morte
Senhora morte
copyright junho 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

AGORA

por Myrtes Mathias
 

Se queres dar-me uma flor,
faze-o antes que eu morra...
Se podes, hoje, fazer o milagre de um sorriso no rosto que chora,
não coloques flores sobre tumbas.
Se queres dar-me uma flor, faze-o agora.
Se podes dar um lar ao orfãozinho,
abrigo ao pobre que geme lá fora,
não encolhas a mão - Deus está vendo.
Se podes dar uma flor, faze-o agora.
Se conheces o eterno Caminho
Que leva ao templo onde a alegria mora,
Não guardes egoísta o teu segredo;
Se podes dar-me uma flor, faze-o agora.
Se podes dizer em uma frase linda,
algo que faça a tristeza ir embora,
dize-o enquanto posso agradecer sorrindo.
Se podes dar uma flor, faze-o agora.
Que farei eu das orações, das flores,
quando do mundo já não mais eu for?
Aos pés de Deus eu as terei tão lindas,
Que não precisarei do teu amor.
Não esperes o instante da partida.
Se queres me fazer feliz, faze-me agora.
Para que chorar de remorso e saudade?
Custa tão pouco a felicidade,
Dá-me uma flor antes que eu vá embora!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Algo dentro de mim que ninguém pode tirar

"Eu lhes digo, meus amigos: Não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Mas eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, eu lhes digo, esse vocês devem temer.” (Lc. 12.4-5)

“Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.”
(II Tim. 1.7)

Há algo dentro de mim que ninguém pode tirar
Há algo dentro de mim que ninguém pode matar
Há algo dentro de mim que ninguém pode anular
Há algo dentro de mim que ninguém pode apagar
Há algo dentro de mim que ninguém pode atingir

Há algo dentro de mim que ninguém é capaz de fazer:
É destruir minha capacidade de recomeçar, de renascer.

Alguém pode ser capaz de me difamar
Alguém pode ser capaz de me magoar
Alguém pode ser capaz de me humilhar
Alguém pode ser capaz de me desempregar
Alguém pode ser capaz de me fazer adoecer
Alguém pode ser capaz de me desestruturar
Alguém pode ser capaz dos meus amigos me separar
Alguém pode ser capaz de me marginalizar
Alguém pode ser capaz de me "processar"!

Mas há algo dentro de mim que ninguém é capaz de fazer:
É destruir minha capacidade de recomeçar, de renascer.

Alguém pode pensar ter me destruído, destruindo meu corpo
Alguém pode pensar ter me destruído, calando minha voz
Alguém pode pensar ter me destruído, menosprezando meus sonhos
Alguém pode pensar ter me destruído, destruindo minha reputação
Alguém pode pensar ter me destruído, destruindo a história que escrevi

Mas há algo dentro de mim que ninguém é capaz de fazer:
É destruir minha capacidade de recomeçar, de renascer.
Isso é graça divina e ninguém pode controlar
Copyright Edvar Gimenes de Oliveira
 xxx
Morning Has Broken  



Morning Has Broken Cat Stevens
Morning has broken, like the first morning
Blackbird has spoken, like the first bird
Praise for the singing, praise for the morning
Praise for the springing fresh from the world

Sweet the rain's new fall, sunlit from heaven
Like the first dewfall, on the first grass
Praise for the sweetness of the wet garden
Sprung in completeness where his feet pass

Mine is the sunlight, mine is the morning
Born of the one light, eden saw play
Praise with elation, praise every morning
God's recreation of the new day

A manhã se rompeu
Como a primeira manhã
O melro cantou
Como o primeiro pássaro
Louvor para o canto
Louvor para a manhã
Louvor para o nascimento recente
Do mundo

Doce é a chuva do novo outono
Iluminada pelo sol vindo do céu
Como o primeiro orvalho
Sob a primeira grama
Louvor para a doçura do jardim molhado
Brotado em completude
Por onde os pés dele passam

Minha é a luz do sol, minha é a manhã
Nascida de uma luz, o paraíso viu a diversão
Louve com entusiasmo, louve cada manhã
A recriação de Deus do novo dia

A manhã se rompeu
Como a primeira manhã
O melro cantou
Como o primeiro pássaro
Louvor para o canto
Louvor para a manhã
Louvor para o nascimento recente
Do mundo


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Gracias A La Vida - Mercedes Sosa

Em tempos de mensagens que visam embaçar nossos olhos, com informações falsas, beligerantes, nada como agradecer pela capacidade de enxergar, de distinguir!




Gracias a la Vida
de Violeta Parra ( Tradução de FL)

Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me dois olhos que, quando os abro
perfeitamente distingo o preto do branco
e no alto céu, o seu fundo estrelado
e nas multidões, o homem que eu amo.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o ouvido que, em toda a amplitude,
grava, noite e dia, grilos e canários
martelos, turbinas, latidos, chuviscos
e a voz tão terna do meu bem amado.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o som e o abecedário
e, com ele, as palavras com que penso e falo
mãe, amigo, irmão e luz iluminando
a rota da alma de quem estou amando.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me a marcha dos meus pés cansados
com eles andei por cidades e charcos,
praias e desertos, montanhas e planícies
pela tua casa, tua rua e teu pátio.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o coração que todo se agita
quando vejo o fruto do cérebro humano,
quando vejo o bem tão longe do mal,
quando vejo no fundo do teus olhos claros.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o riso e deu-me o pranto
assim eu distingo a felicidade da tristeza,
os dois materiais de que é feito o meu canto
e o canto de todos, que é o meu próprio canto
.
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Saudade

Sinto saudade de não sei bem o que
O sentimento chega não sei de onde
Vai crescendo
Vai tomando conta
Vai dominando
E dominado fico me perguntando:
Saudade de quem?
Do que?
De quando?
De onde?

Sinto saudade por que parti?
Sim, parti tantas vezes,
De tantas pessoas,
De tantos lugares,
De tantos sentimentos
Que foram ficando pra trás
Mas nem tanto.
E, como nossa sombra,
Ora aumenta,
Ora diminui,
Ora desaparece,
E novamente aparece,
E melancolicamente floresce

Sinto saudade por que perdi?
Sim, perdi o afeto de pessoas de quem gostava
Que partiram para muito longe
Que partiram mesmo estando perto
Que partiram, sem ter partido
Mas a lembrança insiste em trazer à tona
Momentos de risos espontâneos
De abraços apertados
De lágrimas solidárias
De conversas demoradas
Cuja ausência produz um abismo
Profundo
Escuro
Doloroso

Sinto saudade de não sei bem o que.
O sentimento chega não sei de onde
Sinto saudade porque parti
Sinto saudade porque perdi
E vou curtindo
E vou sentindo
E vou pensando
E vou chorando
E vou seguindo
E vou vivendo
E esperando
E revivendo
E revive
E revi
E re
E...
(Copyright @, 2010 Edvar Gimenes de Oliveira)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

É Natal

A árvore caiu 
O presente feriu
A notícia magoou
O blog sumiu


O portão se fechou 
O telefone calou
A cama partiu
O feijão se queimou


A visita chegou
O remédio dopou
O gato fugiu
O silêncio reinou



O sol se esvaiu
O teclado assumiu
A toalha dobrou
O talher engoliu

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Eu só peço a Deus, de Mahatma Gandhi



Poema de Mahatma Gandhi
Intrepretação: Beth Carvalho e Mercedez Sosa


Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q’eu queria


Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria


Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente


Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente


Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente


Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente




Interpretação: Mercedez Sosa

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Conselhos a um bêbado

Consolo na praia
Carlos Drummond de Andrade


Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.


Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humor?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.




Será que o bêbado seguirá os conselhos de Drummond?

domingo, 23 de agosto de 2009

Brincando com palavras


Paciência

Consciência da paz que silencia
Silêncio que exige harmonia
Ar que enche os pulmões e alivia

Via única pra vencer o dia-a-dia
Dia demorado que muita vez angustia
Ajustando o tempo à tirania

Tira a ansiedade da utopia
Piamente escrava da alegria

Alijando o grito que arrepia

Arrastada como letargia
Lentamente matando a agonia

Abafando o fogo que incendiaria

Incentivando a vida a ser poesia
Poedeira do advento de outro dia
Adiando o desejado sem fobia
Fomentando uma suave sinfonia

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Viver

Manhã, tarde e noite,
Manhã, tarde e noite,
Manhã, tarde e noite,
Manhã, tarde e noite...

Dia, mês e ano,
Dia, mês e ano,
Dia, mês e ano,
Dia, mês e ano...

Por que ser bom?
Por que ser mau?
Por que ser diferente?
Por que ser igual?

Experiências estranhas...
Sensações contraditórias...
Compromissos absurdos...
Sentido irracional...

Leis, regras, normas e costumes...
Liberdade, comunhão e consciência...
Correntes, cadeados, muros e arames...
Decisões, malícia e inocência...

11/06/98
Edvar Gimenes de Oliveira
Cpyright

Quando o Senhor nos fala

Quando o Senhor nos fala,
Algo novo acontece
Há mudanças em nossas vidas
Que nada pode evitar
Se nos dispomos a ouvir
Se nos dispomos a obedecer

Nem sempre temos certeza
De que Ele está falando
Mas se abrirmos o coração
As dúvidas se dissiparão
E firmes continuaremos andando
Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright

Nossas faces

Uma pessoa tem muitas faces.
A face que ri,
A face que chora,
A face cansada,
A face estressada

A face maquiada
A face amargurada
A face aflita,
A face culpada,

A face feliz
A face triste
A face pacífica
A face irritada

A face sonolenta
A face atenta
A face desconfiada
A face confiante

A face esperançosa
A face frustrada
A face disfarçada
A face estampada

Temos infinitas faces.
E elas simplesmente são
Aquilo que está no coração.
Podemos tentar disfarça-la,
Mas basta um minuto de desatenção
Para que ela revele o que realmente é,
O que predomina no coração,
Naquele momento de vida.

Temos faces que usamos para agradar,
Para cada tipo de pessoa,
Para cada tipo de situação
Assim, a face que ri se transforma
Na face raivosa, dependendo
de quem,
de onde,
de com quem,
de para que...

Nossas faces se metamorfoseiam
Conforme as expectativas que temos
Das expectativas alheias.

Nossa política pode determinar nossa face
Mas não pode mudar a verdade do coração.
E porque queremos usar faces adequadas
às pessoas e situações,
nos estressamos, nos desgastamos
e ela, espelho da alma, acaba revelando,
mesmo que não queiramos ou percebamos,
quem realmente somos.

Só há uma face bonita.
É a face do coração sincero.
Que não tem medo de aparentar o que é.
Que assume sua humanidade
E seus esteriótipos de beleza e feiura,
De sucesso e fracasso.
É quando a face retrara a realidade do coração
Que nos tornamos pessoas mais bonitas,
Ainda que, esteticamente,
Alguém não nos aprecie.

E quando assumimos que a face deve retratar nosso coração,
Ela se apresenta mais frequentemente feliz
E se torna mais perenemente bonita.
Se não agradar na primeira impressão,
Certamente agradará na convivência,
Pois a beleza do coração,
Que sobrevive ao sol,
à chuva,
ao frio
e ao calor,
À primavera,
ao verão,
ao outono
e ao inverno,
Nos torna mais agradáveis,
Mesmo quando a plastica do rosto,
Não mais oferecer resistência.
Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright

Idéias, patrimônio da humanidade

Idéias...
Não existe exclusividade;
São um patrimônio da humanidade:
Um pensa aqui...
Outro pensa ali...
E outro pensa acolá.
Idéias.
Não existe originalidade;
São um patrimônio da humanidade:
Alguém já pensou ontem;
Hoje serão pensadas por outrem.
E amanhã...
Idéias.
Não existem proprietários;
São um patrimônio da humanidade:
Um pensou e registrou;
Outro não leu - mas também já pensou.
Quantos pensaram sem registrar?
Idéias.
Não adianta alimentar a vaidade;
São um patrimônio da humanidade:
Quem pensa, tem!
Quem registra, ajuda!
Que lê, se enriquece!
Idéias.
Quem as produz, pensa com humildade,
Pois são um patrimônio da humanidade.
Bem elaboradas, são desencadeadoras,
Conseqüentes e motivadoras.
Idéias.
Estudá-las, é aperfeiçoar a vida;
É enriquecer o patrimônio da humanidade;
Aplicá-las, é modificar o mundo;
É construir uma nova realidade.

Informativo Americano Batista 18 de maio de 1994
Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright

Dona Maria

Antes do sol nascer,
ela acorda todo dia
e para o trabalho sai,
com a barriga vazia.
Lá no canavial,
com um facão afiado,
enriquece o usineiro,
em troca de algum trocado.

Ao anoitecer,
cansada de trabalhar,
ela retorna pra casa,
com uma esperança no olhar.
Nos lábios um riso amarelo,
o facão pendurado na mão,
lá vem a bóia-fria,
em cima de um caminhão.

Entra ano, sai ano,
todos os dias da vida,
vai e vem dona Maria,
vegetando, empobrecida.
Lenço velho na cabeça,
cabelos se embranquecendo,
rugas marcando o rosto
e ela sobrevivendo.

Setembro de 1997 - UFPE - Homenagem aos bóias-fria
Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright

Feliz Natal

Os caminhos das nossas vidas se cruzaram no passado,
rápida ou demoradamente, não importa...
Você levou um pouco de mim e
eu fiquei com um pouco de você.
E Ele - Jesus - foi a razão do nosso encontro.

Nas bifurcações da vida, nos distanciamos,
Mas, no coração, as marcas continuaram vivas.
E não importa o quão distantes estivermos, um do outro,
as lembranças continuarão vivas,
umas agradáveis, outras, desagradáveis, talvez,
mas lá estarão elas, sempre sinalizando,
sempre nos recordando que,
eu vivi na sua vida e
você viveu na minha vida;
eu cresci com a sua vida e
você cresceu com a minha vida e
sem que, talvez, tivéssemos consciência,
sem que, talvez, esta fosse a intenção,
eu aprendi algo com você e,
comigo, algo você aprendeu.

Hoje é natal.
Os nossos caminhos se cruzam novamente.
Mais tecnológico, mas não menos afetivo,
virtual, mas, paradoxalmente, profundamente real.
E ele - Jesus - novamente, é a razão do nosso encontro,
Afinal, "nele vivemos, e nos movemos e existimos";
Ele é o nosso natal.
Nosso Feliz Natal!
Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright

O pastor é um só

Na família sua presença é fundamental
como esposo, amigo e pai...
É a hora do lazer,
É a ajuda nos estudos,
É o cultinho doméstico.
É a companhia que dá segurança...

MAS O PASTOR É UM SÓ,
sua hora é de sessenta minutos,
sua semana é de sete dias,
seu dia é de vinte e quatro horas,
seu ano é de trezentos e sessenta e cinco dias...

Na igreja sua presença
é solicitada interminavelmente.
são as crianças, os adolescentes, os jovens,
as famílias, as uniões, os corais,
as formaturas, aniversários, casamentos,
os acampamentos e os funerais.
Todos se sentem prestigiados
quando ele se faz presente
e se não pode comparecer
com certeza alguém se ressente,

MAS O PASTOR É UM SÓ...

Na denominação as organizações são muitas
e todas contam com ele.
É a administração da obra denominacional,
são as infindáveis reuniões,
são os encontros, congressos...
são as outras igrejas,
as séries de conferências...
Todos se sentem prestigiados
quando ele se faz presente,
mesmo não sendo o orador...
e se esquecem que ELE É UM SÓ...
...e é pastor !

(Junho de 1995, a propósito dos que afirmam que pastores só vão aos congressos
se forem os oradores).
Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright

A mágoa

Ah! mágoa, esse sentimento profundo que corrói a alma;
que pressiona o coração querendo empurrá-lo para fora do peito;
que enrijece os músculos faciais;
que espreme os olhos exigindo que lágrimas brotem;
que embarga a voz, pressionando a garganta;
que nos faz desejar desaparecer da presença da vida
e nos empurra em direção ao solo
fazendo-nos sentir um nada.

Ah! mágoa, esse sentimento profundo que corrói a alma;
Que pressiona nossas pregas vocais querendo explodir um grito;
Que empurra nossos punhos em direção ao nada;
Que impulsiona nossas pernas rumo ao desconhecido,
Para não atingir em cheio aquele que nos magoou;
Que nos faz ficar cegos diante da realidade;
Que nos afasta de pessoas amigas,
E se transforma em amargura nociva, destruidora.

Ah! Mágoa. Até quando ficarás instalada dentro do peito?
O que esperas para se diluir e deixar que o alívio tome conta do coração?
Até quando suportarás a dor por aprisionar o perdão?
Até quando deixarás aflito quem te gerou
E farás infeliz aquele que te guardou?
Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright

Ser pastor

Ser pastor
é experimentar o gosto
de sentimentos opostos;
é estampar no rosto
a serenidade que
tranqüiliza o aflito
e deixa rolar a lágrima
que substitui o grito;
é sorrir, chorar,
se solidarizar.
Ser pastor
é viver momentos
de glória, de aplausos,
de reconhecimento;
é viver momentos
de desprezo, de críticas,
de esquecimentos;
é sentir o perfume
da rosa por ele cultivada;
é sentir a dor do espinho,
ver escorrer o sangue
e prosseguir na jornada.

Ser pastor
é sentir no púlpito
o peso da responsabilidade;
é fazer da alegria alheia
a sua própria felicidade;
é ouvir cada um
em suas ansiedades
e nem sempre ter alguém
para compartilhar suas
necessidades.

É ser pai,
ser amigo,
ser irmão;
é ter o poder
de influenciar uma multidão
e saber experimentar
o gosto da solidão.

Ser pastor
é não ter palavras
em algumas situações;
é emprestar os ouvidos
para desafogar corações;
é agir com doçura,
com firmeza (e até com dureza)
Movido pelo amor.
Isso é ser pastor.
Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright
(Acampamento Batista Silvânia, Aldeia , PE, 1993?)

A crise do ser

Não somos o que aparentamos,
nem somos o que pensamos que somos.
Para uns, somos o que outros dizem que somos;
Para outros, somos o que dizemos que somos.
Afinal, quem somos?

Uma coisa é o que nossos amigos dizem que somos,
Outra coisa é o que dizem nossos inimigos...
Uma coisa é o que dizem os que conosco convivem,
Outra coisa é o que dizem os que nos vêem esporadicamente.

O que fomos ontem, podemos não ser hoje,
E amanhã nem sabemos se seremos...
E nessa crise entre o que somos,
O que pensamos que somos,
o que outros pensam que somos,
e o que dizem que somos,
continuamos a viver,
acreditando que somos
ou tentando ser!
Será que somos?

Edvar Gimenes de Oliveira
Copyright