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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Justiça Social no Brasil - 28.07.12 - 97/100 dias de oração pelo Brasil


Todos queremos justiça social, desde que a chegada dela não implique em alterar nosso status quo. Isso porque justiça social implica não somente em justa distribuição de renda, mas também de oportunidades, para que se tenha acesso à informação, aos cargos e funções decisórias, à educação, saúde, segurança, habitação e a transporte, por exemplo. 

No caso da igreja, a grande questão da não inclusão do tema justiça social em sua lista de prioridades, se deve ao fato de que não há como agir nesse campo sem que as diferenças político-econômicas se evidenciem, sem que os constrangimentos das desigualdades venham à tona e sem que se corra o risco de perder determinados privilégios.

Se tem dúvidas quanto isso, passe a observar quais são os temas relacionados à vida social que são abordados por nós. Pegue qualquer revista ou jornal de qualquer denominação evangélica ou até mesmo faça um levantamento dos temas sociais abordados em congressos denominacionais e verificará que eles têm algo em comum: tratam de temas que não colocam a igreja em rota de colisão com os poderes políticos e econômicos estabelecidos. Até mesmo quando nos envolvemos na busca por um lugar nos parlamentos ou em cargos executivos eletivos, o fazemos pensando em ter alguém que defenda nossos interesses e não em pessoas que tenham visão pública e entendimento ético consistente.

Optamos por tratar das questões do corpo, não porque seja o mais importante da vida humana, mas por sua generalidade e, consequentemente, por combater-se questões que não alteram as relações de poder estabelecidas (apenas aumentam a culpa individual e força-se uma maior dependência sacerdotal para que ela seja perdoada). O que discuto aqui, não é a importância da ética da corporalidade, mas a "exclusivização", absolutização até, dela em nossos discursos e ações, em detrimento das demais áreas, especialmente as políticas e econômicas.

Entretanto, não há como agir em prol da justiça social, sem que as relações de poder sejam revistas. E para serem revistas é preciso que sejam analisadas, avaliadas. E para que isso ocorra, é preciso relacionar teoria a casos concretos. E fazer essa relação, nos coloca em rota de colisão. Daí, repito, rarissimamente termos acesso, nos meios denominacionais evangélicos, a temas relacionados à ética na economia e na política, em linguagem "popular".

O que significa pra nós "orar pela Justiça Social no Brasil"? Um desencargo de consciência? Um ajuste à imagem institucional? Queremos mesmo nos envolver para que algo seja mudado?

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Democracia, liberdade de Imprensa e Religiosa - 26.07.12 - 95/100 dias de oração pelo Brasil

Enganam-se aqueles que acreditam que democracia, liberdade de imprensa e de religião são temas consolidados que, portanto, não devem merecer nossa atenção.  Na verdade, sempre haverá conspiração contra, simplesmente porque são relacionados a uma das maiores dificuldades humanas: lidar com o poder.

A luta pelo poder é constante. É algo a ser decidido a cada momento de nossas vidas. E as três áreas citadas não ficam fora disso, muito pelo contrário.


Há, por exemplo, defensores da democracia, desde que ela lhes favoreça. No momento em que a prática da democracia diminua seu poder para manter sua vida do jeito que acredita que deveria ser, que venha a ditadura.


Democracia não é somente o direito que temos de eleger nossos representantes ou aqueles que vão dirigir os rumos da sociedade em que vivemos. É também participar das escolhas de quem vai concorrer aos cargos; é ter acesso à todas as informações relacionadas ao uso do dinheiro que pagamos em impostos para manutenção da boa qualidade de nossas vidas; é poder interferir quando algum dirigente não faz aquilo para o que foi eleito; é poder lutar para que a justiça e a solidariedade prevaleçam em todos os tipos de relacionamentos sociais, por exemplo. Nesse sentido, a democracia brasileira é um bebe.

A democracia batista, tão decantada em nossos livros e discursos, não fica atrás. Somos um retrato do meio no qual estamos inseridos e, a despeito das afirmações teóricas que fazemos sobre o assunto, ainda não somos, seja nas igrejas ou instituições denominacionais, aquilo que poderia ser chamado de modelo de democracia que desejamos para o pais.


Isso se dá também na "imprensa batista".  Nela também não somos aquilo que discursamos ou que elogiamos em determinados momentos da história. A liberdade de imprensa ocorre desde que seja para elogiar dirigentes, fortalecer a propaganda daquilo que nós dirigentes acreditamos ser o melhor ou, pelo menos, para não tocar em pontos nevrálgicos do funcionamento da máquina. Exatamente como acontece na imprensa brasileira.


A imprensa é um campo de futebol onde, de um lado estão seus dirigentes, do outro, aqueles que discordam deles. Do outro lado das 4 linhas, esclareço, pois dentro delas, é como pelada de amigos para arrecadar fundos.


A internet está democratizando a informação, mas há países que a tem sob controle. E não pensem que no nosso não exista quem queira controlá-la!!! Controlar a imprensa é controlar a informação e controlar a informação é deter o poder.


Quanto a liberdade de religião, somos defensores dela, desde que seja para divulgar nossas crenças. Uma "despretenciosa" proposta apresentada na última assembléia da Convenção Batista Brasileira, definindo que nossos seminários deveriam passar a imagem de que são conservadores, demonstra bem a atenção que a liberdade de religião merece. Hoje a idéia aparentemente inocente é apenas fortalecer a imagem de conservadores (há quem enxergue virtude em abrigar-se sob rótulos ou tira proveito disso, sem aprofundar seus significados políticos na história). Amanhã define-se "piedosamente" quem pode ser considerado conservador. No final, resta a fogueira para quem for classificado pelos detentores do poder da "santa inquisição", como não sendo conservadores.


Visitei, sábado passado, "El Museu de la Inquisicion", em Córdoba, Espanha. Sai meio que deprimido com o que vi. A fogueira pareceu-me sobremesa, diante dos instrumentos usados para torturar "hereges". Ler como cada um era usado e em que casos era aplicado fez minha alma doer. Sai ainda mais convencido da importância de lutarmos pela liberdade religiosa, inclusive nos arraiais batistas. Precisamos orar e vigiar para não permitirmos, sob que motivos forem, que a liberdade de pensamento e crença seja ameaçada, dentro e fora da denominação em nosso país. A ausência dela já causou muito dano ao longo da história.


Abraços do seu pastor,

Funcionário Público - 25.07.12 - 94/100 dias de oração pelo Brasil

Orar pelos funcionários públicos é orar por uma parcela significativa da população. Há fontes que indicam que são 12% do total de empregos do país. São alguns milhões de pessoas, pagas com dinheiro do nosso trabalho recolhido através de impostos, que trabalham para fazer funcionar uma imensa máquina chamada Brasil.
Da qualidade do trabalho que desenvolvem, depende muito a qualidade de vida que experimentamos.

Orar por eles, é também orar por nós. Não somente porque é difícil encontrar uma família no Brasil que não tenha um, mas porque dependemos profundamente deles. Basta fazermos uma análise superficial do nosso dia a dia e identificaremos cada ponto no qual a ação de um deles determina a continuidade de nossas atividades.

Critica-se muito a quantidade de funcionários públicos no Brasil. Não acredito que nosso problema seja quantidade. O problema é a qualidade, fato que ocorre não somente na área pública. O problema na área pública é que, por tratar-se de emprego cujo grau de estabilidade é muito maior do que na empresa privada, há um abuso e desrespeito proporcional à tal estabilidade de parte dos contratados.


Falo de parte porque há muito funcionário público, seja do Executivo, Legislativo ou Judiciário, que trabalha com seriedade e da o seu melhor em seu cargo. Muita vez não faz melhor porque o próprio sistema ou quem o dirige não é de boa qualidade.


Há também áreas da administração pública na qual a qualidade dos serviços é reconhecida. Curiosamente, a de maior destaque é a da arrecadação financeira. A Receita funciona com uma eficiência que merece destaque. Se a eficiência da saúde, da educação e segurança, por exemplo, fosse semelhante à da Receita Federal, seríamos um país de primeira.


A pergunta que fica é: por que a Receita conseguiu este padrão e as demais áreas não? Se ela funciona bem, por que as outras não? Ficam essas perguntas para nossa reflexão, neste momento de oração pelos Funcionários Públicos.


Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Crianças e Adolescentes Exploradas Sexualmente - 23.07.12 - 92/100 dias de oração pelo Brasil

Comecemos orando pelas famílias próximas de nós. Digo isso porque boa parte da exploração sexual começa dentro de casa e de casa de gente que não aparenta ser exploradora. É praticada por pais, tios, irmãos mais velhos ou amigos íntimos da família. E o dano que isso causa é incalculável.

Um dia desses li algumas críticas contra Xuxa por ter confessado publicamente que foi abusada no início da adolescência, mas não falou de suas fotos pornográficas, nem dos filmes dos quais participou contracenando eroticamente com crianças. E daí? Se ter feito coisa errada na vida servir de impecilho para reconhecermos erros, todos teríamos que silenciar em muitas áreas. Já ouvi pastores combatendo ferozmente a leitura de revistas pornográficas, mas já as tinha lido; combatendo ferozmente o namoro misto, mas eles mesmos namoraram; combatendo ferozmente o "ficar", mas aprontaram muito com namoradas. Porque são incoerentes, eles não servem de exemplo para nós. Se eles silenciarem, também não. A questão é: o ato denunciado é nocivo? Se sim, apoiemos a denúncia.


A denúncia é o ponto. A incoerência seria ponto de outro tópico. Se colocá-los juntos enfraquece a denúncia, tratemos cada um sepadaramente.


Se Xuxa não disse tudo de sua vida ou se o que disse foi usado para alavancar audiência, isso não nega o fato de que, o abuso sexual de crianças e adolescentes deve ser combatido e todas as iniciativas que servirem para consicientizar-nos disso devem ser valorizadas.


Só quem já presenciou a dor de alguém que desabafa um abuso sexual sofrido, sabe o quanto é importante nos posicionarmos contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. É de doer o coração. Causa profunda indignação.


Na verdade, devemos ser contra qualquer tipo de abuso. Abuso de autoridade. Abuso econômico. Abuso religioso. E tantos outros, além do sexual. Mas  abuso de criança e adolescente deve mercer cuidado especial, pelas limitações próprias de suas idades.


Oremos e lutemos, por todos os meios ao nosso alcance, contra a exploração sexual de crianças e adolescentes!


Abraços do seu pastor,

sábado, 21 de julho de 2012

Instituições que trabalham com crianças - 21.07.12 - 90/100 dias de oração pelo Brasil

Há quem defenda que não seja papel da igreja trabalhar com crianças empobrecidas ou em situação de risco. Defendem que cabe ao Estado cuidar das questões sócio-economicas do país. À igreja, dizem, cabe o papel de cuidar das almas (no sentído medieval da palavra, não psicológico ou mesmo bíblico-teológico). A igreja, dizem, deve cuidar do futuro, impedindo que pessoas vão morar no inferno, trabalhando para que aceitem ir morar no céu.

Este tipo de compreensão é fruto muito mais de alinhamento político-ideologico com o poder político e econômico do que reflexão sobre a vida e ensinos de Jesus. Além disso, coloca seus defensores na mesma condição do sacerdote e do levita, da Parábola do Bom Samaritano.


Entendo que, em primeiro lugar, compete aos
pais trabalharem para que seus filhos tenham boas condições de vida. A responsabilidade número um, portanto, é dos pais. Entretanto, os pais não vivem numa ilha. Suas vidas são fruto de todo um contexto sócio-cultural. A educação e condições de vida que receberam e a cosmovisão de mundo que desenvolveram se deram num contexto em que há pessoas de todo tipo. Pelo fato de ser característico do ser humano, a luta pelo poder sobre o outro, a defesa de interesses particulares em detrimento dos públicos, a competição sem ética, sempre haverá quem acumule muito (dinheiro e poder) e quem fique sem nada. O desequilíbrio social torna-se realidade, se não houver elemento atento e regulador.

Nesse contexto, além dos pais nem sempre conseguirem dar o que não lhes foi dado, há também circunstâncias de vida que tornam desfavoráveis a estabilidade familiar. Uma enfermidade, um desemprego, um acidente, enfim, uma série de fatores contribue para que famílias estejam sujeitas a problemas e nem sempre consigam recuperar a condição de oferecer aos filhos o que eles necessitam.


Cabe então, ao
Estado, criar ambiente favorável à vida  de todos os cidadãos, especialmente das crianças. Ele deve adotar políticas que favoreçam o equilíbrio das famílias e assim elas possam cuidar bem de seus filhos, de nossas crianças.

Só é aceitável o Estado criar instituições e designar recursos para ajudar crianças em situações excepcionais. Via-de- regra, ele deve oferecer à família, condições favoráveis ao seu desenvolvimento, a fim de que ela não precise receber esmolas do Estado. Quando, entretanto, o desequilíbrio está estabelecido, como é o caso do nosso pais, é óbvio que o Estado precisa intervir visando recuperar as condições necessárias ao desenvolvimento autônomo de cada família. Que caminho técnico usar é o X da questão. Daí as diferenças ideológicas nos modelos econômicos que cada país adota.


Onde as
igrejas entram nisso?  As igrejas, atentas à realidade que as cerca, não podem passar de fininho como se nada estivesse acontecendo. Há um problema social com nossas crianças, ou seja, a quantidade de problemas está acima do nível considerável aceitável e o Estado não está dando conta de sua parte, seja porque razões forem.

Nesse caso, não só a igreja, mas todas as pessoas e instituições devem se mobilizar. Mobilizar-se através de atuação política mais contundente, visando otimizar a administração da coisa pública e do uso dos recursos disponíveis; trabalhar para reduzir a probabilidade de corrupção e estender as mãos - ofercendo assistência e educação - aos que são vítimas de um sistema social que não oferece condições para que o cidadão tenha acesso a educação, saúde, transporte, habitação, renda, etc..


As igrejas podem, então, fazer um bom papel, dando o peixe nos casos de emergência; ensinando a pescar, nos casos em que a integridade da pessoa não está em risco e conscientizar sobre as causas dos rios não estarem produzindo peixe em quantidade suficiente ou de alguns conseguirem mais peixes do que outros.


Vibro cada vez que vejo uma igreja fazendo algo pelas crianças. Cada uma deve encontrar sua forma de cooperar, dentro dos recursos financeiros, humanos, estruturais que dispuser. O que não podemos é ficar dando ouvido a uma teologia alienante, cujos defensores transformam igrejas apenas em nicho para vender seus livros e suas conferências "teológicas", a pretexto de fidelidade à palavra de Deus.


Fidelidade à palavra de Deus é amar ao próximo como a si mesmo, é não deixar que seja feito com as crianças dos outros aquilo que não gostaríamos que fosse feito com nossas crianças.


Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Crianças -"Não as impeçais"! - 20.07.12 - 89/100 dias de oração pelo Brasil

Crianças são seres humanos.
Em estágio de vida diferente dos adultos, mas seres humanos.
Responsabilidades diferentes dos adultos, mas seres humanos.
Reações diferentes dos adultos, mas seres humanos.
Isso parece óbvio, mas não para todos e em todos os tempos. Nos tempos de Jesus, como as mulheres, elas não eram contadas. Isso indicava que não tinham o mesmo valor que os homens. Daí os discípulos dificultarem o acesso de uma mulher a Jesus que, além disso, queria levar uma criança para ser abençoada.
Jesus, quebrando mais um paradigma, reage: "não as impeçais".

"Não as impeçais" não é o mesmo de "deixem que façam o que quiserem". Significa que seus direitos devem ser reconhecidos. No caso de Jesus, os discípulos lhes negava o direito de serem abençoadas.


Por que elas não poderiam sequer ser abençoadas por Jesus? Porque Jesus era por demais importante, bastante assediado por adultos e, sendo elas seres de segunda classe, não deveriam incomodá-lo. Esse era o pensamento por detrás da decisão deles. Errado, mas assim a cultura foi introjetada em suas mentes. (Preservar a cultura é algo bom, desde que os valores que elas apresentam sejam saudáveis ao indivíduo e à sociedade como um todo).


Jesus via de outra forma.

As crianças são frágeis, mas seres humanos.
Não desenvolveram a capacidade física para se defenderem, mas seres humanos.
Não têm autonomia econômica para sobreviverem, mas seres humanos.
Não têm pensamento amadurecido para decidirem, mas seres humanos.
Não têm maturidade emocional para se autocontrolarem plenamente, mas seres humanos.
Sim, seres humanos que merecem todo o nosso respeito e cuidado.

Portanto, as palavras de Jesus precisam ser vistas não somente como um incentivo à evangelização de crianças, no sentido de proporcionarmos a elas o direito de conhecerem um evangelho que lhes garante uma salvação no futuro, mas também o evangelho que reconhece e, por isso, valoriza seus direitos de serem salvas das maldades e equívocos humanos no presente.


Não as impedí-las de ir a Jesus, para ouvirem e conhecerem, por exemplo, o "sermão do monte" que lhes ensina direitos e deveres conferidos por Deus, para viverem a vida de maneira saudável. Conhecerem, portanto, não só o direito ao céu, mas à vida, em todas as dimensões, como manifestação da graça e do amor divinos.


Abraços do seu pastor,

terça-feira, 17 de julho de 2012

Paz no Trânsito - 16.07.2012 - 85/100 dias de oração pelo Brasil

O trânsito anda caótico. Digo, não anda nem caótico. A causa seria o fato do Brasil, diferentemente dos paises europeus, ter optado por facilitar a cada morador a compra do seu próprio carro, em lugar de investir em transporte público de qualidade. Mas não é so isso. Há também a falta de investimento em novas vias de acesso, novas tecnologias e até mesmo em engenharia de trânsito. Tudo sob a justificativa de falta de recursos, em meio a tantas denúncias de corrupção.

Entretanto, há outro elemento que faz com que o trânsito seja caótico: a falta de educação. Não uso a expressão "falta de educação" no sentido negativo usado para agredir verbalmente uma pessoa grosseira, sem "etiqueta". Refiro-me à falta de priroirzação em investimento na educação pública. O que está acontecendo na Bahia é o maior exemplo dos últimos anos. Já há 100 dias, quase 1/3 do ano escolar, nossas crianças não sabem o que é um banco escolar.

Esse problema é nosso.

Não adianta aproveitar o caso para criticar o Partido dos Trabalhadores que lidera a coligação que governa o Estado. Fazer isso é tirar o foco do problema, é politizar, e "urnificar" o problema. Primeiro, porque a falta de priorização na educação é um problema de todos os governantes do pais, com raríssimas excessões. Não é de agora que se trata mal o cidadão, tratando mal a educação, as estruturas onde ela se desenvolve e os profissionais que fazem com que ela aconteça. Segundo, porque o mesmo ocorre nas igrejas. Foi-se o tempo que investir em educação era prioridade nas igrejas. O investimento é no aumento de frequentadores e na captação de receitas, usando-se para isso todo tipo de atrativo.

No caso batista, há até que defenda que nossos colégios devem evangelizar mais. Além do sentido teologicamente distorcido que se dá ao termo evangelização ou mesmo do propósito nem sempre "celestial" dado a ele, isso indica a falta de respeito que os que defem isso têm à natureza e finalidade das escolas e, pior, à sua importância para o desenvolvimento de uma sociedade.

A falta de paz no trânsito, passa também pela falta de educação e a falta de educação não é problema de um governo, mas de todos nós. O problema é que nós agimos como "ovelhas levadas ao matadouro", silenciamos diante da malversação do dinheiro do nosso trabalho que também chamamos de dinheiro público; transferimos a responsabilidade, através de voto sem reflexão, para governantes que são o retrato de nossa cara no que se refere ao valor dado à educação e ainda criticamos os professores, cuja luta não é somente por melhores salários, mas, simbolicamente, por um olhar novo sobre esta área da vida que é essencial a todos nós.

Se queremos paz no trânsito, comecemos orando por nós mesmo e por nossa postura frente à política, a educação e, inclusive, ao signficado de nossa fé para os dias de hoje.

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Região Centro-Oeste: Clame Pelo Coração do Brasil - 02.07.12 - 71/100 dias de oração pelo Brasil

Ao parar neste dia para orar pela região Centro-Oeste do Brasil, 3 motivos vêm à minha mente:1) O centro da formalização dos rumos político-econômicos do país; 2) O problema ecológico; 3) O problema agrário.

Em relação ao primeiro, destaco a expressão "formalização", pois, se é lá que, através de leis, a vida econômica e política do Brasil é direcionada, sabemos bem que as decisões reais são tomadas nos círculos de poder econômico espalhados (nem tanto espalhados, devido ao fato de sermos uma das piores concentrações de renda do mundo) pelo território nacional.


Embora no Brasil a profissão de "lobista" não seja legalizada (e isso alimenta ainda mais a corrupção), os políticos eleitos em geral cedem aos interesses daqueles que detém o poder econômico. Os interesses do povo ganham relevância somente se, de quebra, produzirem benefícios aos que manobram a massa do capital.


Ao orar pela região Centro-Oeste, oro também por nós, pra que levantemos nossos olhos para enxergarmos, nossa voz para protestarmos, nossas pernas e braços para reagirmos.


Quanto ao segundo, não há como orar pelo Centro-Oeste sem pensar na importância da região para o ecosistema do Planeta. Parte da floresta Amazônica, o serrado (com sua riqueza de biodiversidade e a nascente de importantes rios brasileiros) e o pantanal matogrossense são essenciais à vida de todos nós. Orar pelo Centro-Oeste é pedir que os que lá habitam tenham a compreensão de que "do Senhor é a terra" e nós somos seus administradores. Sem isso, o deus "mamon" destruirá a todos nós em nome do enriquecimento sem sustentabilidade.


Em relação ao terceiro, temos na região Centro-Oeste uma concentração do que há de mais especializado em pecuária e agronegócio, especialmente do milho, soja e algodão e, não por acaso, parte significativa da concentração de ocupação de terra por movimentos socioterritoriais camponeses. Trata-se de tema que afeta nossas vidas, mesmo morando à distância.


Orar por esta região, portanto, é orar para que os que levam o evangelho e os que por ele são alcançados tenham uma visão integral do ser humano e, movidos pelos valores do reino de Deus, ajam em favor da vida abundante, completa, razão da vinda do nosso Senhor Jesus Cristo.


Abraços do seu pastor,

sábado, 16 de junho de 2012

Unidade e Cooperação entre as Igrejas e Organizações - 16.06.12 - 55/100 dias de oração pelo Brasil

Unidade e cooperação, eis dois importantes elementos na caminhada das igrejas.

 Da unidade, considero importante destacar que não é sinônimo de uniformidade. Pelo contrário, sempre que um dos lados envolvidos na unidade entende que a manutenção dela depende da uniformidade no modo de ser, sentir, pensar ou agir, misteriosamente ela se fragiliza e até se rompe. 

Isso ocorre porque quem acredita na uniformidade nunca é altruista o suficiente para abrir mão do seu modo de ser, e encaixar-se no modo de ser alheio. Pelo contrário, sempre se acha, narcisicamente, o dono da verdade, o espiritual, o bem intencionado, "o salvador da pátria". Portanto, o outro que se corrija, que abra mão do seu modo de pensar e sentir e se conforme. Daí o slogan da ditadura militar: "Brasil, ame-o  ou deixe-o". A manifestação do amor, porém, tinha que ser de uma única forma: a dos militares.

 Unidade pressupõe um acordo para concordar em discordar. Somos diferentes. Podemos e até devemos dialogar sobre nossas diferenças, seus efeitos sobre a vida de ambos e até mesmo das instituições das quais fazemos parte, mas isso com respeito, lealdade, sem politicalha e autoritarismo. Como não abrimos mão do nosso modo de ser em favor do modo do outro e, geralmente, para fazer prevalecer nosso jeito, "os fins justificam os meios", adeus unidade! 

Unidade e cooperação não se separam. A cooperação é necessária sempre que reconhecemos pelo menos duas coisas: 1) o outro tem algo que preciso e não tenho; 2) o que o outro e eu temos é insuficiente para alcançarmos o que ambos desejamos. Como essas duas coisas fazem parte do cotidiano da vida, o espírito de cooperação e a disposição para cooperar precisam estar sempre presentes em nós. Se o que um deseja é diferente do outro, a cooperação é afetada. Daí a necessidade constante de diálogo.

  Falando particularmente da cooperação existente entre igrejas batistas e suas convenções, ela se dá de pelo menos 3 maneiras: 1) através da oração; 2) através do know-how de membros das igrejas; 3) através da doação financeira. 

Cooperar com oração parece fácil, mas a impressão que temos é que nem todos as partes envolvidas de fato oram pela cooperação denominacional. Isso porque, se a própria oração (aqui entendida como comunhão com Deus na qual  ambos os envolvidos - Deus e o ser humanao - ouvem e falam) é retrato de cooperação, por que há quem se beneficie do resultado da cooperação, mas não demonstra esforçar-se para fazê-la acontecer? 

Por know-how, refiro-me a doação que membros das igreja fazem do seu "saber-como" em favor do funcionamento eficiente e eficaz da Convenção. O funcionamento de uma Convenção exige múltipla variedade de conhecimentos e, portanto, uma igreja coopera sempre que, pelo menos um de seus membros, dedica voluntariamente parte do seu tempo, energia e conhecimentos para a manutenção e expansão dos objetivos da Convenção. 

Quanto a cooperação financeira, ela ocorre através de contriuições regulares e ofertas especiais das igrejas, pois a cooperação é entre igrejas. 

(Merece acompanhamento e reflexão cuidadosos, as contribuições que saem diretamente dos membros das igrejas para os cofres da Convenção ou um dos seus órgãos ou entidades, pelos motivos e desdobramentos possíveis. Mas isso é assunto para outra reflexão). 

Um dos elementos fragilizadores da cooperação nesta área é o fato de haver uma tendência, em nós dirigentes, de fazermos o máximo, com uma qualidade técnico-profissional excepcional, quando se trata de obter os recursos, mas de "incompetência" profunda, quando se trata de prestar contas com transparência, dos recursos obtidos. (Linguagem didática, propositalmente exagerada, claro!)

Isso produz insatisfação, manifesta ou através de discursos ou da redução e até suspenção da contribuição financeira. 

 Há quem acredite que isso se resolve adotando-se medidas restritivas que forcem a contribuição, em vez de examinar  com dedicação as causas mais profundas. Não resolve, apenas cria uma cooperação conflitante, artificial e frágil.  

Nesse espírito, oremos pela unidade e pela cooperação entre igrejas e organizações, a fim de que cada parte avalie seus anseios, práticas, qualidades, disposição e disponibilidade visando atingir os objetivos almejados. 

Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Paz no campo - 15.06.12 - 54/100 dias de oração pelo Brasil

Ainda trago na memória o período em que famílias de sítios de Garça, SP, deixaram pra trás casas, trabalhos, amigos, igrejas, enfim, rumo aos centros industriais.

Perdi diversos amigos de infância que, em meados da adolescência, decidiram "fazer a vida" onde as oportunidades pareciam maiores, o trabalho menos penoso do que na agricultura, o acesso à educação superior e a bens de consumo mais fáceis, e as promessas de retorno financeiro melhores.

Claro que, como todo mundo passou a agir igual, as cidades industriais tiveram o número de habitantes multiplicados numa velocidade não acompanhada pelos investimentos necessários em todas as áreas (educação, saúde, saneamento, transporte, pavimentação, segurança, habitação...).

Para alguns, o sonho dourado enferrujou e favelou.

No afã de atender as necessidades dos grandes centros, por causa das industrias, investia-se mais nas metrópoles e menos no "campo", fato que agravava as condições de vida no interior. Pessoas que não deixariam suas origens motivadas por mais dinheiro, sucumbiam diante da necessidade de melhor educação ou atendimento médico, por exemplo.

Os governos que acordaram diante dos efeitos colaterais nocivos de tal política, descentralizaram geograficamente os investimentos, especialmente em saúde e educação, fato que tornou mais atraente a permanência e, em alguns casos, o retorno ao interior. Os que não, contribuíram para que a vida das pessoas, especialmente a das empobrecidas, continuasse desconfortável, tanto pela pela falta de soluções para seus problemas, quanto pela necessidade de busca por elas - soluções - nas grandes cidades.

Nos estados em que a agricultura e a pecuária passaram a ser tratadas como negócio lucrativo a vida no interior voltou a ser atraente. O interesse pela produção estimulou governos a investirem em energia elétrica para todos, especialmente em função dos empreendimentos agrícolas. Estradas passaram a ser abertas ou asfaltadas para escoar a produção. Escolas começaram a ser construídas para atender a demanda de mão de obra qualificada para suprir demandas empresariais do agro-negócio e seus derivados.

Se é verdade que os moradores também ganharam com isso, verdade também é que, em algumas regiões, enquanto uns acumulavam propriedades imensas,
muitos ficaram sem terra, sem teto, sem ter, sequer, de onde tirar o pão de cada dia. A gula de alguns fez (e ainda faz em algumas regiões do país) com que invadissem terras públicas, desmatassem sem qualquer critério e passassem a oprimir quem vivia da agricultura de subsistência, explorando-os ou expulsando-os da terra onde nasceram.

O conflito no campo, portanto, não começou porque organizações tidas como de esquerda surgiram e passaram a mobilizar pessoas, mas porque as políticas adotadas sempre foram em benefício de poucos, em detrimento da maioria. Essa maioria somente era olhada se isso resultasse em benefícios para a minoria. As organizações sociais apenas deram visibilidade a problemas que "passavam despercebidos", porque alguém ganhava com a situação.

E as igrejas com isso?

As igrejas podem contribuir com a paz no campo, levando um evangelho domesticador; que ensina a troca de infernos presentes por um céu escatológico; que propõe paz ao coração fechando os olhos às injustiças sociais; alienando o indivíduo da presente vida

ou

podem levar o evangelho integral que não nega dimensões futuras, nem presentes da vida; que não nega a verticalidade nem a horizontalidade da fé; que não nega a espiritualidade, nem a materialidade da vida; que reconhece todos os seres humanos como criados a imagem e semelhança de Deus  e que, portanto, todos têm direito à vida digna, construída sob valores do reino, tais quais o amor, solidariedade, justiça, cooperação, etc..

A contribuição das igrejas, portanto, para a paz no campo, depende dos valores que abraçam e se eles são pautados na vida de Jesus ou na construção doutrinária ideologizada, como parcela significativa delas sempre fez, beneficiando politicamente alguns com seu discurso,
em troca das migalhas que caem de suas mesas, em detrimento da imensa maioria .

Oremos pela paz no campo, mas não nos esqueçamos de que ela deriva da justiça social, utopia que não deve ser abandonada, pelo contrário, deve servir de norte, de horizonte para nossa caminhada nesta vida.


Abraços do seu pastor,

terça-feira, 12 de junho de 2012

Comunidades Carentes - 12.06.12 - 51/100 dias de oração pelo Brasil


Todos nós somos carentes, todos necessitamos de algo. Necessitamos de afeto, cuidado, atenção, vestuário, paz, alimento, habitação, graça divina e humana, enfim. Antes, então, de orar por comunidades carentes, precisamos definir: "carentes de que"? Dependendo da resposta, a composição da comunidade pela qual estamos orando hoje, pode mudar.


Sugiro que pare por um instante e responda pra si mesmo: qual é a minha maior carência? Respondeu? Responda também: essa minha carência representa um caso isolado, específico, ou constitui-se, digamos, uma questão "social"? Você conhece algum movimento, por menor que seja, do qual essa carência seja o centro? Se não sabe, arrisque procurar em redes sociais. A probabilidade de encontrar é grande!


Aproveite, então, este momento de oração, para fazer um levantamento das possíveis causas de sua carência e, depois, dos caminhos possíveis para superá-las!


No imaginário de grande parte da população, falar em comunidades carentes é falar a respeito de pessoas empobrecidas pelos sistemas, sem acesso à educação, a trabalho, a saneamento básico, à alimentação adequada, à segurança, à saúde ou  a transporte, por exemplo. Isso porque, tais comunidades tornaram-se comuns, especialmente nas grandes cidades. Tão comuns que muita gente nem se sente mais incomodada. Ver tais comunidades tornou-se rotina e convivemos com isso como se a situação fosse fruto de determinação divina ou simplesmente, de indisposição
para o trabalho dos que delas participam.


Na verdade, sabemos que não é bem assim.


Se partíssemos da estaca zero em direção à plena qualidade de vida, colocando diante de todos as mesmas condições e oportunidades, claro que ainda assim haveria pessoas com diferentes padrões de vida, por uma série de variáveis. Porém, nossa luta não é para que todos tenham o mesmo, mas para que todos tenham as mesmas oportunidades e condições de escolher o que lhes é necessário para viver de maneira digna.


Como não estamos partindo da estaca zero, devemos nos lembrar de que, no decorrer da história, todos os sistemas de vida - religioso, político, econômico, educacional, enfim - são resultado do predomìnio, muita vez abusivo, de alguém sobre alguém. Nessa disputa para fazer prevalecer determinada vontade, meios nem sempre éticos foram usados. Daí que os sistemas sempre beneficiam e beneficiarão mais uns do que outros.


Quem nasce em famílias "desfavorecidas" pelos sistemas,  acaba pagando caro,
por sequer ter idéia clara do que seja vida digna. Enquanto uns falam em milhões com muita naturalidade, a imensa maioria fala em centavos com muita ansiedade. O problema é que, "como nenhum homem é uma ilha", os que conseguem se beneficiar dos sistemas também vão sendo encurralados e suas vidas passam a se desenvolver dentro de uma gaiola de ouro. De ouro, mas gaiola.


A razão espiritual - não mística ou religiosa - é a base de tudo. A atenção a ela não deve ser somente de instituições religiosas. Na verdade, instituições religiosas muita vez corroboram, confirmam, abonam a degradação da espiritualidade.  Porém, como ela - a razão espiritual - afeta não só os individuos, mas também as estruturas por eles construídas através da luta pelo poder e dinheiro, o trabalho pela restauração do espíritual no indivíduo é essencial, mas, desprezar processo semelhante nas estruturas que cooperam para o agravamento das carências humanas, é um equívoco.

E mais: esta luta não tem fim. Cada geração deve estar atenta e lutar para que princípios como amor, justiça, solidariedade, honestidade, transparência, por exemplo, prevaleçam.

Orar por comunidades carentes deve ser, então, uma oportunidade para pensarmos não somente em como ajudá-as no atendimento de suas necessidades visíveis, mas também para pensar no que podemos fazer para modificar as causas invisíveis (pra imensa maioria). Isso envolve predisposição ético-espiritual, vontade política e uma boa dose de competência técnica.


Quem se dispõe?
 
Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Vereadores e Líderes de Associações e Comunidades - 08.06.12 - 47/100 dias de oração pelo Brasil

“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.” (I Tim. 2.1-2)


Há uma dimensão da vida humana cujo índice de rejeição está tão elevado que não desejamos sequer orar pelos que nela atuam: a política. O exercício do poder sem o devido respeito e valorização ao significado da palavra autoridade, presente entre parcela significativa dos que exercem cargos eletivos, tem feito com que não acreditemos em “políticos”, nem queiramos nos envolver com a política, seja ela partidária ou comunitária.

 Podemos apontar duas razões para isso: 1) poucos dos que se elegem o fazem visando trabalhar para que “tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda piedade e dignidade”(II Tim. 2.1-2); 2) por entendermos, equivocadamente, que a presença de cristãos na política seja inadequada em face da corrupção.

 O problema é que essa aversão à participação política consciente faz com que os cargos sejam ocupados por quem não leva as implicações do evangelho a sério. Pior ainda, por coerência à crença na Bíblia, somos constrangidos a nos sujeitarmos a governantes e autoridades (Tt 3.1) cuja conduta é incompatível com a ética que defendemos para todos. 

Além disso, justamente porque desprezamos a participação política, nos tornamos despreparados para o exercício da cidadania e presas fáceis de candidatos que enxergam igrejas e demais estruturas denominacionais como currais eleitorais.

 Com a ajuda de líderes que transformam eventos religiosos em palanques, somos iludidos por alguns que se dizem defensores de interesses evangélicos, mas, muita vez, se posicionam de maneira oposta aos desafios do evangelho.

Sabemos que, através de debates, acordos e votação, são aprovadas leis que afetam interesses públicos e regem nossas vidas. Então, da liberdade de ir e vir, de pensar, crer e falar, passando pela qualidade da água, comida, roupas, transporte, energia elétrica, educação, saúde, enfim, tudo sofre influência determinante da política por nós desprezada.

Quando Israel foi derrotado pelos moradores de Aí e a liderança pôs-se a orar, Deus disse a Josué: “"Levante-se! Por que você está aí prostrado?... "Vá, santifique o povo!”” (Js. 7.10,12). Isso quer dizer que Deus quer oremos pelos vereadores, líderes de associações e comunidades, pelos que estão investidos de autoridade, mas não em detrimento, em prejuizo, da ação.

 E bom que desejemos uma nação santa, isto é, saudável. É muito bom que, em oração, estejamos focados nessa busca. Será melhor ainda que, sob a orientação divina, nos levantemos para agir.

Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aplicação dos Recursos Públicos - 06.06.12 - 45/100 dias de oração pelo Brasil

Dos 12 meses de trabalho que realizamos por ano, 5 são para gerar receitas para o Estado. Em outras palavras: quem ganha 12 mil por ano, entrega o equivalente a 5 mil para ser administrado pelo governo. Não percebemos isso porque, no Brasil, os impostos - exceto, por exemplo, o IPTU e IPVA -  estão embutidos nos valores das compras de produtos ou serviços que fazemos (e, alguns, algumas empresas recolhem de nós, mas não repassam às Receitas).

Assim, por falta de noção, quando muito, rimos dos casos de corrupção e dizemos: não tem jeito não, no Brasil foi e sempre será assim. E continuamos trabalhando para sustentar e até enriquecer corruptos.

É importante orar pela melhoria do uso desses recursos, que nos custam em torno de 1100 horas de trabalho por ano, pois nos comprometemos com aquilo pelo que oramos. Depender de Deus, porém, para que uma mudança ocorra, parece-me um equívoco, pois isso coloca sobre os ombros dEle,
retirando dos nossos, a responsabilidade pela malversação do dinheiro que entregamos ao governo, para ser administrado em favor da sociedade, especialmente dos menos favorecidos (ou empobrecidos) pelo sistema.

Se alguém deve ser responsabilizado pela malversação do dinheiro público, esse alguém somos nós. Nós não exercemos nossos direitos de cidadania. Sequer lutamos por mudanças nas leis ou pela aplicação adequada delas ou, ainda, por mudança no processo de julgamento dos que descumprem as leis, para que seja transparente, justo, rápido e exemplar. Somos passivos e rotulamos de esquerdistas, revolucionários, rebeldes, revoltados e outros adjetivos mais, os que trocam o silêncio, a omissão, pelo grito, pela ação.


Sequer temos coragem de lutar pela transparência na aplicação do dinheiro público das igrejas locais e das convenções batistas (apresentar Balanço Patrimonial anualmente não atende ao quesito transparência). Sim, o discurso de alguns que declaram que o dinheiro das igrejas e das convenções são de Deus, tem aparência de piedade, de espiritualidade, mas se tornam um meio de não reconhecermos que ele também é público e sua aplicação deve ser transparente.


Se não somos capazes de cobrar transparência na aplicação dos recursos das igrejas, das convenções e instituições batistas (e de todas as igrejas), que moral nós temos para chegar diante de Deus em oração, pedindo a ele que, num toque de mágica, transforme a realidade da corrupção, malversação dos recursos públicos do país?


Lamentamos o caso Demóstenes Torres, Cachoeira e sua gang, mas sequer estamos acompanhando como tem sido a postura dos senadores eleitos por nós. Temos televisão transmitindo ao vivo as CPIs e Assembléias do Congresso. Isso nos interessa? Temos meios eletrônicos que facilitam a manifestação de opinião aos senadores por nós eleitos. Será que faremos uso disso, por exemplo, quando da decisão da cassação ou não do Senador pego em corrupção?


A falta de consciência e interesse de quem trabalha para sustentar o sistema e a falta de iniciativa dos que são eleitos para administrar os recursos são a causa da malversação dos recursos públicos, sejam religiosos, condominiais, municipais, estaduais ou federais.


A qualidade de vida do povo brasileiro também passa pela transparência da informação de como os recursos são aplicados. Isso possibilita não só maior fiscalização, mas também debates em torno do que, de fato, deve ser prioridade.


Oremos sobre o assunto, mas não transfiramos a Deus, aos políticos ou a quem quer que seja a responsabilidade pela corrupção. Ela é, primeiramente nossa!


Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Deputados e Senadores - 03.06.12 - 42/100 dias de oração pelo Brasil

Neste 42º dia de oração pelo Brasil, no qual somos desafiados a orar por Deputados e Senadores, gostaria de recomendar que, em vez de orar por Deputados e Senadores de uma maneira geral, comece orando pelos Deputados (1 estadual e 1 federal)  e  2 Senadores nos quais você votou na última eleição, mesmo que não tenham sido eleitos.

Você se lembra os nomes deles? Se não se lembra, acaba de ser reprovado em um importante ítem de cidadania.


Se somos reprovados nisso, nossa oração perderá o sentido, sabe por quê? Porque, se nem me lembro em quem votei, isso evidencia que não dou valor ao que fiz. Se não dou valor ao que fiz, por que Deus deveria responder algum tipo de pedido que fizermos nesse sentido?  Se não somos capazes de valorizar e fazer o que deve ser valorizado e feito, porque Deus faria algo em nosso lugar?


Todas as áreas de nossa vida sofrem influência das decisões que Deputados e Senadores tomam ou deixam de tomar. Portanto, ignorância ou desinteresse político são palavras que não podem fazer parte de nosso vocabulário.


Claro que sei o quanto estamos decepcionados com o Congresso Nacional. Claro que sei que o comportamento de parcela significativa de Deputados e Senadores não dignifica suas funções. Claro que sei, também, que o sistema eleitoral brasileiro possibilita a eleição de políticos não necessariamente pela quantidade de votos que recebeu, mas pela quantidade de votos que seus partidos receberam. Sabemos de muitas coisas que são desfavoráveis ao nosso interesse pela política partidária. Nem por isso devemos tirar de nossos ombros a responsabilidade, no mínimo em relação aos nomes que ratificamos nas urnas dentre os indicados pelos partidos.


Faça um exercício de memória e ore pelos Deputados e Senadores nos quais votou. Depois ore por todos os que foram eleitos para nos representarem no Congresso Nacional.


Abraços do seu pastor,

sábado, 2 de junho de 2012

Nordeste, o desafio que clama: "Quem me valerá"? - 02.06.12 - 41/100 dias de oração pelo Brasil

Já declarei meu amor pelo nordeste, em texto disponível neste blog. Porém, são os mais de 30 anos vividos na região, tendo nascido e criado no interior paulista (e Gláucia no interior do Amazonas), e recebido várias consultas para exercer o ministério em outros lugares, que atestam o que declaro nesse texto. Aqui nasceram nossos dois filhos e somos, portanto, nordestinos por opção.

Na condição de pastor e atuando em cargos e funções de liderança denominacional, conheço todas as suas capitais (morei em 3 delas) e uma infinidade de cidades pelos interiores
da região, exceto de dois estados. Posso dizer, portanto, do que há de belo e do que há de doloroso produzido muito mais pela postura ético-político-administrativa das lideranças do que pela índole da população (e muito menos pela idolatria, como certo professor norte-americano tentou nos convencer).

Convivi com a religiosidade do sudeste brasileiro, inclusive observando as romarias feitas, por exemplo, a Aparecida do Norte, por isso me incomoda as referências, geralmente condenadoras, pejorativas até, quando o assunto é nordeste.


 Pouco se fala da "pobreza religiosa" e das lendas que também permeiam o imaginário de habitantes de regiões interioranas dos estados mais ricos econômico-financeiramente.

O tom usado por alguns, quando se referem a um tipo de religião presente na Bahia não é o mesmo quando a referência é ao Rio Grande do Sul, onde a presença deste tipo de prática religiosa é até maior.

Alguns nem se dão conta de que o viés ideológico-cultural em nós introjetado, movido por preconceito econômico-financeiro, fala mais alto do que a realidade.
E nós, do lado de cá, ouvimos, pouco avaliamos, pouco reagimos. 

Já desenvolvi ojeriza a vídeos que usam a condição empobrecida na qual muitos vivem, visando levantar oferta sem objetivo claro e inequívoco de intervir em tal condição. Chega de oferecer a convivência com um inferno presente em troca de um céu futuro. A questão aqui não é a teologia do céu ou do inferno, mas a psicologia temporal e a ideologia política que tem norteado a visão resumida na frase: a desgraça presente do outro não merece atenção, em face da glória celestial futura.

O Deus revelado em Jesus quer que tenhamos vida plena, sem exclusão ou supervalorização de quaisquer de suas dimensões
, caracterizada por amor, justiça, comunhão, solidariedade. A definição de uma escala de valores dessas dimensões visando omissão na defesa da importância e ação em favor de alguma delas é diabólica.

Hoje, ao orarmos pelo nordeste, reflitamos diante de Deus sobre como nossos pensamentos, sentimentos e ações podem ser usados para ajudar na mudança da qualidade de vida desta região
, pelo menos em nosso raio de influência, pois ela também faz parte do mundo amado por Deus.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

"Brasília, Capital da Esperança" - 30.05.12 - 38/100 dias de oração pelo Brasil



Neste 38º dia de oração pelo Brasil, nossos corações estão voltados para Brasília, a capital do Brasil.

Com um projeto inicial para 60.000 habitantes, hoje abriga em torno de 2, 5 milhões de pessoas, das quais, em torno de 50% não são originalmente de lá. Com uma maioria inicial originária de Minas e Goiás, hoje, segundo informações, a maioria dos que pra lá se mudam é de estados do nordeste. Brasília apresenta muitos aspectos favoráveis àqueles que lá residem, mas também tem seus problemas.

Entretanto, incluir Brasília como alvo de orações hoje, não se deve apenas ao fato de ser uma cidade, mas por ser a capital do país. De lá, em tese, saem as decisões que mais diretamente afetam a população brasileira
, oriundas dos poderes legislativo, executivo e judiciário.

Sua identificação como "capital da esperança"
, conforme registro feito pelo Pr. Josué Mello Salgado, em texto publicado no roteiro  "100 dias que impactarão o Brasil", vem  de "hino mais popular e mais interpretado" sobre a cidade.

Num certo sentido ser "capital da esperança" é verdadeiro, pois de lá se espera decisões que tragam benefício para o povo brasileiro. Porém, a cultura de esperar que melhorias das condições de vida se deem em função de iniciativa dos que governam o país é um dos grandes equívocos que temos cometido como brasileiros. A história comprova que parcela significativa, daqueles que nós enviamos para Brasília através do nosso voto, para trabalhar em favor do povo brasileiro, trabalha em favor de si mesmos, de interesses de grupos e até de organizações criminosas, segundo temos visto tão acentuadamente nesses dias através das mídias.

Além disso, precisamos desenvolver a cultura de que os governantes são eleitos para administrar os interesses públicos do país e não para serem nossos padrinhos ou despachantes. Deles devemos cobrar que cumpram suas atribuições, na forma da lei. Pela melhoria de nossa vida, individual e coletivamente, somos nós que devemos lutar, inclusive politicamente, em vez de esperar com a mão estendida, como pedintes, soluções do "pai governo".

Não seria heresia, então, usar aqui as palavras de Pedro:
"Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para agir; estejam alertas e coloquem toda a esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo for revelado." (I Pd. 1.13)

 A razão de nossa esperança, portanto, deve ser a graça de Deus manifesta em Jesus Cristo. Ela é "âncora da alma, firme e segura" (Heb. 6.19) e não nos decepciona (Rom. 5.5).

Preparemos-nos, pois, "
para responder a qualquer pessoa que (nos) pedir a razão da esperança que há em (nós)" (I Pd. 3.15). E oremos pelos moradores de Brasilía, especialmente por aqueles cujas atribuições lhes conferem poder para tomar decisões que influenciam os rumos de nossas vidas e do país, para melhor ou para pior.

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Analfabetismo - 28.05.12 - 36/100 dias de oração pelo Brasil

Uma música que marcou minha vida a partir do final da década de 70, foi publicada sob o número 552 do "Hinário Para o Culto Cristão", produzido e vendido pela Convenção Batista Brasileira.

É pouco conhecida e cantada em nossos cultos.

Como "definiu-se" que atuação social não é o "nosso nicho de mercado" denominacional, ocupação com questões sociais acaba sendo, para alguns, apenas estratégia de "missões" (o que exatamente se quer dizer com esta palavra?).

O hino toca no problema do analfabetismo, não de maneira romântica, mas em uma de suas mais sérias implicações. Leia:

Que estou fazendo se sou cristão

Letra: João Dias de Araújo
Música: Décio Emerique Lauretti


"Que estou fazendo se sou cristão,
Se Cristo deu-me total perdão?
Há muitos pobres sem lar, sem pão,
Há muitas vidas sem salvação.
Meu Cristo veio pra nos remir,
O homem todo, sem dividir:
Não só a alma do mal salvar,
Também o corpo ressuscitar.


Há muita fome no meu país,
Há tanta gente que é infeliz,
Há criancinhas que vão morrer,
Há tantos velhos a padecer.
Milhões não sabem como escrever,
Milhões de olhos não sabem ler:
Nas trevas vivem sem perceber
Que são escravos de um outro ser.
 
Que estou fazendo se sou cristão,
Se Cristo deu-me o seu perdão?
Há muitos pobres sem lar, sem pão,
Há muitas vidas sem salvação.
Aos poderosos eu vou pregar,
Aos homens ricos vou proclamar
Que a injustiça é contra Deus
E a vil miséria insulta os céus."


O problema do analfabetismo, colocado nessa música, não são apenas os prejuizos sofridos pelas pessoas nesta condição, tais como não saber ler a linha do ônibus ou um aviso de perigo ou uma receita médica, ou a Bíblia, por exemplo; nem o fortalecimento da baixa-autoestima, pelo preconceito social do qual o analfabeto é vítima;  nem, ainda, o fato de não poder competir por uma vaga no mercado de trabalho que ofereça melhores condições, enfim. O destaque é: "Nas trevas vivem sem perceber que são escravos de outro ser".

O analfabetismo, seja ele em relação à escrita, à leitura ou  à politica, torna-nos presas fáceis de pessoas e sistemas autoritários, exploradores, opressores. Analfabeto, então, não é somente quem não sabe ler ou escrever, mas quem não sabe interpretar o que lê e nem tem noção das consequências, inclusive políticas, de sua condição.

Tenho observado, por exemplo, o processo de analfabetismo teológico a que estão sendo submetidas algumas escolas de formação ministerial da denominação batista, nos últimos anos. A impressão que tenho é que, para alguns, seminário de teologia deve ser escola técnica de formação de mão de obra qualificada para atender as exigências do mercado religioso-denominacional, especialmente relacionada a quantitativismo.

A pretexto de combater o que chamam de "academicismo" ou um suposto inimigo chamado "liberalismo" (você sabe a extensão e alternativas de significado dessa palavra?), nossas escolas de formação teológica estão sob pressão, parece que, para serem transformadas em "Escola Bíblica Dominical' (com todo respeito à EBD) um pouco mais equipada, com professores remunerados e objetivos mais tecnicamente específicos. Gente que pensa, exceto se o pensamento não divergir, não é bem vinda.

Oremos então, pelo fim do analfabetismo em suas diversas formas de manifestar-se, visando possibilitar a todos, a participação na construção de uma vida melhor com Deus e com os semelhantes, em todas as dimensões. E nos comprometamos com aquilo pelo que oramos.
Abraços do seu pastor,

sábado, 26 de maio de 2012

Libertar o Brasil da corrupção e dos negócios ilícitos - 26.05.12 - 34/100 dias de oração pelo Brasil

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom." ( Mateus 6:24)

Não acredito que se possa combater a corrupção, em termos espirituais, sem entendimento e obediência às palavras de Jesus a respeito da nossa relação com o dinheiro. Entendo que a compreensão das palavras de Jesus - "Não podeis servir a Deus e a Mamon" - é a chave que modifica todo o sentido de nossa existência e afeta nossos relacionamentos com as pessoas, as coisas e o meio ambiente.

Qualquer pessoa que aprofunde o entendimento sobre o significado de tais palavras e as leve a sério concordará com Robert Kiyosaki e Sharon Lechter
,  paradoxalmente capitalistas conhecidos pelo livro "Pai Rico, Pai Pobre", pelo menos quando afirmam que devemos controlar o dinheiro e não ser controlados por ele.

Ainda que a ideologia não seja a mesma, as palavras deles clareiam uma idéia essencial das palavras de Jesus: controlará nossa vida quem for reconhecido por nós como nosso Deus.

Corrupto é a pessoa que, na prática, definiu que o dinheiro é o deus de sua vida. Não importa quanto tenha, nem que malefícios isso possa causar à sua vida, à humanidade ou ao meio ambiente. Não importa a ética ou as leis de uma sociedade. O importante é ter, seja qual for o preço a ser pago, pois o dinheiro é o deus de sua vida e sobre ela exerce pleno controle.

Isso, entretanto, não significa que, para resolvermos a questão da corrupção, nada mais precise ser feito senão "evangelizar", visando a conversão de cada indivíduo ao "senhorio de Deus".

Por esse raciocínio, não seria necessário nos ocuparmos com a elaboração, manutenção e aplicação de leis para garantir uma infinidade de direitos humanos. Bastaria um constante e ininterrupto processo de  "evangelização" e tudo se resolveria.

Significa que, em que pese o reconhecimento de que a base espiritual dos nossos problemas seja a ausência de reconhecimento do senhorio, da autoridade de Deus sobre nossas vidas e que a evangelização (não confundir com a  conquista de adeptos religiosos interessados somente em fugir do fogo do inferno para em viver em ruas de ouro e cristal nos céus) seja o caminho para que nossa relação com Deus se modifique, outras ações são necessárias, em termos sociais. Sem tais ações, os efeitos maléficos da insubmissão a Deus destruirão a vida.

Penso que o combate à corrupção deve passar por um permanente processo evangelizador visando levar pessoas a conhecerem, reconhecerem e se comprometerem com os valores espirituais personificados em Jesus, bem como por uma ação política determinada das pessoas que reconhecem o "senhorio de Deus", personificado em Jesus, no sentido de desenvolverem leis, estruturas organizacionais e sistemas de controle que minimizem os efeitos maléficos que o "Senhorio da riqueza", personificado no dinheiro, exerce sobre a vida humana.

Leis como a de responsabilidade fiscal e do acesso à informação, bem como projetos de lei
, em discussão no Congresso Nacional, como o que regulamenta o lobby político (as ações visando influenciar os poderes públicos); que institue o financiamento público de campanha, acabando legalmente com o financiamento privado e o que criminaliza as empresas que participam de atos de corrupção são iniciativas que visam aumentar a transparência e as penalidades, para tornar a vida em sociedade mais saudável, minimizando os efeitos do "senhorio do dinheiro".

Neste dia em que estamos orando para "libertar o Brasil da corrupção e dos negócios ilícitos", não podemos deixar de rever
, diante de Deus, nossa teologia, bem como nossa ética. Isso é essencial na construção de uma vida melhor, de um país melhor.

Abraços do seu pastor,
Edvar

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Hospitais - Motivo constante de nossa intercessão -- 25.05.12 - 33/100 dias de oração pelo Brasil

Certo dia, ainda no final da adolescência, Dona Nena, minha mãe, perguntou-me se eu visitaria determinada pessoa que estava hospitalizada. Respondi declarando não gostar de ir a hospital. Ela replicou perguntando: mas, você não vai ser pastor?

Claro que me senti chantageado. Como querer ser pastor e não gostar de ir a hospital?

Desde então, em vez de desenvolver o gosto de ir a hospital, descartei a idéia de que poderia ser um pastor completo (ideal de adolescente!). Passei a trabalhar em função de um alvo mais modesto: fazer o meu melhor visando ser um bom pastor.

Se, então, me ouvir dizendo que vou a hospital com prazer, tenha certeza: estarei mentindo. Vou porque minha presença pode ser boa - e geralmente é - para alguém. Ou porque precisei pra mim mesmo!

Penso que profissional de saúde deve gostar de saúde, gostar de gente mas, de hospital, apenas mais do que pessoas como eu. Enquanto a maioria das pessoas vai a hospital por necessidade, geralmente sofrendo, profissional de saúde vai, ou para realizar seu sentido de "vocação", ou por consciência de missão, ou para "fazer" seu sustento, ou, o que o faria muito mais feliz, por todas as razões anteriores.

Condições favoráveis à saúde diminuem a probabilidade, mas não elimina a possibilidade de se precisar de hospital. Por isso, se meu sentimento desfavorável a hospital aumenta em mim a valorização de sua importância, minha admiração pelos profissionais que nele atuam se dá pelo reconhecimento da importância humana e relevância social do trabalho nele desenvolvido.

Afirmar aqui que a priorização da saúde pública no Brasil não faz parte da agenda da quase totalidade daqueles que os partidos políticos indicam e nós ratificamos pelo voto, seria repetitivo. Por isso, neste dia, devemos sim, orar pelos hospitalizados e pelos profissionais que atuam nos hospitais, mas também e, sobretudo, por nós mesmos, para que nos empenhemos mais no sentido de sermos cidadãos mais conscientes.

Isso significa não somente ser mais cuidadoso na hora de votar, mas também mais informado e engajado, por todos os meios, em lutas que tornem o Brasil mais saudável, em todas as áreas, inclusive, portanto, na de saúde e, especificamente, no cuidado com os hospitais.

Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 24 de maio de 2012

CPI do Demóstenes, Cachoeira & Cia

Ontem conversava com um amigo e irmão na fé sobre a CPI do Demóstenes, Cachoeira & Cia. 

 Lamentava profundamente, pelo que representa, simbólicamente, a presença de  Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, atuando como advogado do denunciado como maior criminoso do Brasil presente na mídia nos últimos dias.


Compreendo que o profissional do direito se sustenta do que recebe para defender os interesses de seus clientes e não para defender a ética, a moral ou a justiça, como valores abstratos. 

Reconheço, também que qualquer individuo tem o direito de contratar advogado para defender seus direitos. 

Percebo, inclusive, o componente inibidor que o ex-ministro representa para nossos políticos, por conhecer como poucos os esgotos do poder. 

Até causa indignação, o componente circense e marqueteiro de uma CPI e o tratamento de "bobos da corte" dado por alguns dos "nossos representantes" a nós, cidadãos-eleitores (vide Vaccarezza). 

Ainda assim, lamento e fico indignado...