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domingo, 30 de janeiro de 2011

Como endireitar um esquerdista

por Frei Betto *
 
"Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar-se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social. Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros.

Ser esquerdista - patologia diagnosticada por Lênin como "doença infantil do comunismo" - é ficar contra o poder burguês até fazer parte dele.

O esquerdista é um fundamentalista em causa própria. Encarna todos os esquemas religiosos próprios dos fundamentalistas da fé. Enche a boca de dogmas e venera um líder. Se o líder espirra, ele aplaude; se chora, ele entristece; se muda de opinião, ele rapidinho analisa a conjuntura para tentar demonstrar que na atual correlação de forças...

O esquerdista adora as categorias acadêmicas da esquerda, mas iguala-se ao general Figueiredo num ponto: não suporta cheiro de povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só lhe parece concreto na hora de cabalar votos. Então o esquerdista se acerca dos pobres, não preocupado com a situação deles, e sim com um único intuito: angariar votos para si e/ou sua corriola. Passadas as eleições, adeus trouxas, e até o próximo pleito!


Como o esquerdista não tem princípios, apenas interesses, nada mais fácil do que endireitá-lo. Dê-lhe um bom emprego. Não pode ser trabalho, isso que obriga o comum dos mortais a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um desses empregos que pagam bom salário e concedem mais direitos que exige deveres. Sobretudo se for no poder público. Pode ser também na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista se sinta aquinhoado com um significativo aumento de sua renda pessoal.


Isso acontece quando ele é eleito ou nomeado para uma função pública ou assume cargo de chefia numa empresa particular. Imediatamente abaixa a guarda. Nem faz autocrítica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função de poder, produz a imbatível alquimia capaz de virar a cabeça do mais retórico dos revolucionários.


Bom salário, função de chefia, mordomias, eis os ingredientes para inebriar o esquerdista em seu itinerário rumo à direita envergonhada - a que age como tal mas não se assume. Logo, o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troca a cachaça pelo vinho importado, a cerveja pelo uísque escocês, o apartamento pelo condomínio fechado, as rodas de bar pelas recepções e festas suntuosas.


Se um companheiro dos velhos tempos o procura, ele despista, desconversa, delega o caso à secretária, e à boca pequena se queixa do "chato". Agora todos os seus passos são movidos, com precisão cirúrgica, rumo à escalada do poder. Adora conviver com gente importante, empresários, ricaços, latifundiários. Delicia-se com seus agrados e presentes. Sua maior desgraça seria voltar ao que era, desprovido de afagos e salamaleques, cidadão comum em luta pela sobrevivência.

 Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, a cooptação, as maracutaias operadas com esperteza (embora ocorram acidentes de percurso. Neste caso, o esquerdista conta com o pronto socorro de seus pares: o silêncio obsequioso, o faz de conta de que nada houve, hoje foi você, amanhã pode ser eu...).

Lembrei-me dessa caracterização porque, dias atrás, encontrei num evento um antigo companheiro de movimentos populares, cúmplice na luta contra a ditadura. Perguntou se eu ainda mexia com essa "gente da periferia". E pontificou: "Que burrice a sua largar o governo. Lá você poderia fazer muito mais por esse povo."


Tive vontade de rir diante daquele companheiro que, outrora, faria um Che Guevara sentir-se um pequeno-burguês, tamanho o seu aguerrido fervor revolucionário. Contive-me, para não ser indelicado com aquela figura ridícula, cabelos engomados, trajes finos, sapatos de calçar anjos. Apenas respondi: "Tornei-me reacionário, fiel aos meus antigos princípios. E prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles."
"

* Frei dominicano. Escritor.
  Fonte: Agência de Informação Frei Tito para a América Latina - ADITAL, 19 de outubro de 2007.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

We who believe in freedom cannot rest



"Ella's Song", based on the life and writings of Ella Jo Baker, the intellectual and spiritual mentor of the Student Non-violent Coordinating Committee (SNCC).

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes
We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

Until the killing of black men, black mothers' sons
Is as important as the killing of white men, white mothers' sons

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

That which touches me most is that I had a chance to work with people
Passing on to others, that which was passed on to me

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

To me young people come first, they have the courage where we fail
And if I can but shed some light, as they carry us through the gale

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

The older I get the better I know that the secret of my going on
Is when the reins are in the hand of the young, who dare to run against the storm

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

Not needing to clutch for power, not needing the light just to shine on me
I need to be one in a number, as we stand against tyranny

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

Struggling myself don't mean a whole lot, I've come to realize
That teaching others to stand and fight is the only way my struggle survives

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

I'm a woman who speaks in a voice and I must be heard
At times I can be quite difficult, I'll bow to no man's word.

We who believe in freedom cannot rest
We who believe in freedom cannot rest until it comes

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Gracias A La Vida - Mercedes Sosa

Em tempos de mensagens que visam embaçar nossos olhos, com informações falsas, beligerantes, nada como agradecer pela capacidade de enxergar, de distinguir!




Gracias a la Vida
de Violeta Parra ( Tradução de FL)

Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me dois olhos que, quando os abro
perfeitamente distingo o preto do branco
e no alto céu, o seu fundo estrelado
e nas multidões, o homem que eu amo.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o ouvido que, em toda a amplitude,
grava, noite e dia, grilos e canários
martelos, turbinas, latidos, chuviscos
e a voz tão terna do meu bem amado.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o som e o abecedário
e, com ele, as palavras com que penso e falo
mãe, amigo, irmão e luz iluminando
a rota da alma de quem estou amando.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me a marcha dos meus pés cansados
com eles andei por cidades e charcos,
praias e desertos, montanhas e planícies
pela tua casa, tua rua e teu pátio.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o coração que todo se agita
quando vejo o fruto do cérebro humano,
quando vejo o bem tão longe do mal,
quando vejo no fundo do teus olhos claros.
.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me o riso e deu-me o pranto
assim eu distingo a felicidade da tristeza,
os dois materiais de que é feito o meu canto
e o canto de todos, que é o meu próprio canto
.
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Saudade

Sinto saudade de não sei bem o que
O sentimento chega não sei de onde
Vai crescendo
Vai tomando conta
Vai dominando
E dominado fico me perguntando:
Saudade de quem?
Do que?
De quando?
De onde?

Sinto saudade por que parti?
Sim, parti tantas vezes,
De tantas pessoas,
De tantos lugares,
De tantos sentimentos
Que foram ficando pra trás
Mas nem tanto.
E, como nossa sombra,
Ora aumenta,
Ora diminui,
Ora desaparece,
E novamente aparece,
E melancolicamente floresce

Sinto saudade por que perdi?
Sim, perdi o afeto de pessoas de quem gostava
Que partiram para muito longe
Que partiram mesmo estando perto
Que partiram, sem ter partido
Mas a lembrança insiste em trazer à tona
Momentos de risos espontâneos
De abraços apertados
De lágrimas solidárias
De conversas demoradas
Cuja ausência produz um abismo
Profundo
Escuro
Doloroso

Sinto saudade de não sei bem o que.
O sentimento chega não sei de onde
Sinto saudade porque parti
Sinto saudade porque perdi
E vou curtindo
E vou sentindo
E vou pensando
E vou chorando
E vou seguindo
E vou vivendo
E esperando
E revivendo
E revive
E revi
E re
E...
(Copyright @, 2010 Edvar Gimenes de Oliveira)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ajuntamento - Jorge Camargo

Há fenômenos para os quais não encontramos explicação imediata. Refiro-me, agora, ao fato de que não consigo ouvir/cantar esta música sem que minha voz embargue e meus olhos encham-se de lágrimas. É algo sobre o qual não tenho controle (e como me sinto feliz hoje, cada vez que me vejo diante de situações sobre as quais não tenho controle, diferentemente do passado, quando agia como se fosse necessário ter tudo sob controle para sentir-me feliz!).

Seria, o motivo do choro, a junção de uma boa melodia, com uma boa harmonia, com uma boa execução, com uma boa letra? Seria pela letra que é uma oração? Seria porque a oração expressa, de ponta a ponta, algo que acredito e de que necessito? Seria pela profunda consciência de dependência que ela retrata? Seria por lembranças do passado, por “memórias emocionais” como, por exemplo, pela associação entre ela e momentos especiais que vivi na Igreja Emanuel, onde a cantei pela primeira vez? Seria pela consciência de pecado, presente na vida do pastor e igreja, que se maximiza nos ajuntamentos que chamamos culto?

Não sei, mas não importa. Como gosto de cantar, de ouvir musica e não me envergonho de chorar tenho todos os motivos pra continuar ouvindo-a.

E que rolem as lágrimas!!!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Eu só peço a Deus, de Mahatma Gandhi



Poema de Mahatma Gandhi
Intrepretação: Beth Carvalho e Mercedez Sosa


Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q’eu queria


Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria


Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente


Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente


Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente


Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente




Interpretação: Mercedez Sosa

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Línguas afiadas, ouvidos de bonecos

“Na época áurea de Hollywood, duas mulheres disputavam ferrenhamente o posto de fofoqueira mais poderosa da América: Louella Parsons (1881-1972) e Hedda Hopper (1885-1966) (J.G.Couto, Carta Capital, 4.11.09 )

Famílias se dividem, igrejas perdem o brilho, partidos se repartem, pessoas ficam desempregadas, desesperadas e estigmatizadas, relacionamentos são prejudicados simplesmente pelo poder destruidor da palavra.

Não se trata, portanto, de tema de segunda categoria. É assunto que merece atenção.


Pessoas de língua afiada brotam como erva daninha em qualquer ajuntamento humano. Frustradas, com complexo de inferioridade, não imaginam que podem superar, através de caminhos saudáveis, os traumas impostos pela vida. Humilhar, acreditam, seria o antídoto para o sentimento de humilhação que carregam. Destruir a imagem alheia abafa a dor de seus abalos.


Não nos enganemos. As mais poderosas línguas afiadas não se caracterizam por falar muito. Pelo contrário, falam pouco, sem serem notadas. Não falam abertamente em grande grupo. Preferem a “boca miúda”, o “pé de ouvido”. Escolhem cuidadosamente a quem falar. Sabem como espalhar um boato, uma difamação, correndo o mínimo possível de risco de serem descobertas.

Como ventríloquos, seus maiores aliados são os ouvidos de bonecos.


Quem dá ouvido a fofocas, revigora o linguarudo. Repassando informação sem certificar-se, sem ouvir o outro lado, reage exatamente do jeito que o produtor de fofocas espera. Por isso, a postura de quem dá ouvidos é tão danosa quanto a de quem tem língua afiada. Quem tem ouvidos de boneco pode ser classificado de fofoqueiro passivo.

É claro que há situações em que não há como fugir. Por uma questão de educação aguardamos o fim da “conversa”. Na esperança de não perder o relacionamento, evitamos confrontar a peçonhenta pessoa e nos retiramos.


Se, entretanto, quisermos ajudar tais pessoas, o melhor caminho é levá-las a perceberem as causas de tal postura, os sentimentos que as levam a serem intrigantes. Caso não nos sintamos preparados para isso, o melhor é não levarmos a sério o que elas dizem e, em último caso, nos afastarmos delas.


Nas igrejas, línguas afiadas e ouvidos de bonecos encontram no ativismo religioso, no conhecimento bíblico, na aparência de espiritualidade, ótimos esconderijos. Portanto, se nosso interesse é cooperar com a construção e manutenção da comunhão, prestemos atenção para não bebermos "água doce" de fonte salgada.



As palavras
Sérgio Pimenta

As palavras não dizem tudo

Mesmo que o tudo seja facíl de dizer
Com certeza fala bem melhor o mudo
Se sua atitude manifesta o que crê.

Compromisso submisso omisso
Ou faz o que fala ou se cala de uma vez
Que não venha sobre si justo juizo
Pois terrivel coisa é cair nas mãos do rei

Mesma lingua que abençoa amaldiçoa
Mesma lingua canta um hino e traz divisão
não pode da mesma fonte o doce e amargo
se Cristo habita de fato no coração

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

I Never lost My Praise - Brooklyn Tabernacle Choir



I've lost
Perdi
Some good friends
Alguns bons amigos
Along life's way
Ao longo do caminho da vida.
Some loved ones departed
Alguns partiram
In heaven to stay
Para o céu.
But thank god
Mas agadeço a Deus
I didn't lost everything
Pois não perdi tudo.
I've lost faith in people
Perdi a fé em pessoas
Who said they cared
Que diziam cuidar de mim,
In time of my crisis
mas em meus tempos de crise
They were never there
não estavam lá.
But in my disappointment
Porém, em minhas frustrações,
In my season of pain
Em meus tempos de dor,
One thing never wavered
Numa coisa nunca hesitei
One thing never changed
Numa coisa nunca mudei

Chorus:
I never lost my hope
Nunca perdi a esperança
I never lost my joy
Nunca perdi a alegria
I never lost my faith
Nunca perdi a fé
But most of all
E, acima de tudo,
I never lost my praise
Nunca deixei de louvar

My praise still here
Meu louvor está aqui
My praise still here
Meu louvor está aqui


I've let some blessings
Deixei algumas bênçãos
Slip away
escapar
When i lost my focus
Quando perdi meu foco
And went astray
E me desviei.
But thank god
Mas, graças a Deus
I didn't lost everything
Não perdi tudo.
I lost possessions
Perdi bens
That were so dear
Tão queridos.
I lost some battles
Perdi algumas batalhas
Walking in fear
Caminhando apreensivo.
But in the midst
Mas em meio
Of my struggles
Aos meus conflitos,
In my season of pain
Em meus tempos de dor
One thing never wavered
Numa coisa nunca hesitei
One thing never changed
Numa coisa nunca mudei

(chorus)
Praise, praise, praise
Praise, praise
Most of all
I never lost my praise

My praise still here
My praise still here

Não perca a esperança

O sol está fortíssimo neste início de manhã, como é próprio nesta estação do ano, e os pássaros estão fazendo uma festa nas mangueiras do Marista, ao lado do meu apartamento. Isso me fez incluí-lo – o sol - em meu momento de devoção, pensando em como ele pode ser usado como símbolo de esperança quando o céu está carregado de nuvens escuras.




Então me pus a pensar em pessoas que usaram o “astro maior” como símbolo de esperança.


Para Renato Russo, cantor popular já falecido, diante da adversidade da situação, não se pode perder a esperança. Ele canta:


“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei. Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã. Espera que o sol já vem”

Kleber Lucas, cantor popular gospel, também canta sua esperança:

“Eu sei que para além das nuvens
O Sol não deixou de brilhar só porque a terra escureceu”

Ambos, através da poesia e da música, usam o sol como imagem que alimenta a esperança quando a situação nos impede de enxergarmos uma seta que indique a saída.

A solução apresentada pelos dois, entretanto, é diferente.


R. Russo apresenta a autoconfiança como porta ao afirmar:


“Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo.
Quem acredita sempre alcança”


K. Lucas apresenta Deus como razão de sua esperança:


“Eu vou seguir com fé
Com meu Deus eu vou
Para a rocha mais alta que eu
Eu sei pra onde vou
Como águia vou
Nas alturas sou filho de Deus”


Como cristão, minha inclinação “natural” seria descartar a proposta de R. Russo e seguir com K. Lucas, pois a maldição, sobre aqueles que depositam a confiança "no Homem", é popularmente apresentada citando-se as palavras do profeta Jeremias:


“Maldito é o homem que confia no Homem e faz da carne o seu braço e aparta o seu coração do Senhor” (Jer. 17.5).


Porém, a radicalidade - ou Deus ou o homem – não é a alternativa profética. O texto não diz: ou uma, ou outra, mas uma - a fé no Homem - em detrimento da outra - a fé em Deus.

É claro que, se a única opção fosse escolher uma das duas, optar pelo criador parece mais sensato, pela consicência de nossas limitações e pela crença na divindade de Deus.


Penso, entretanto, que as duas coisas – autoconfiança e confiança em Deus – são elementos essenciais diante da adversidade. Penso também, que nossa autoconfiança aumenta extraordináriamente quando confiamos que não estamos sós neste universo frio – a despeito dos milhares de sóis - e infinito.


Quer palavra mais rica em esperança do que a do profeta Malaquias:


“Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria.” (Ml. 4.2)


Interessante que, antes dessa afirmação, o profeta está prenunciado que dias maus estão por vir:


“Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo.” (Ml. 4.1)


Mas completa que, com os dias maus, virá o sol da justiça para os que respeitam ao Senhor.


Por isso, não vejo porque escolher entre confiar em Deus ou em si mesmo. Acredito, como Jeremias, que o problema está na autoconfiança que exclui Deus, não na autoconfiança que brota da comunhão com Deus.

Portanto:




Se nuvens escuras estão à nossa frente, lembremo-nos de que:


“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.” (Lam. 3.21-24)



"Vindo sombras escuras nos caminhos teus
oh, não te desanimes, canta um hino a Deus!
Cada nuvem escura arco-íris traz
quando em teu coração reinar perfeita paz.

Se o viver é de lutas, cheio de amargor,
mostra afeto aos aflitos, age em seu favor.
E de tudo o que sofres tu te esquecerás;
fruirás muitas bênçãos se tiveres paz.

Vem após longa noite a aurora matinal,
fica o céu mais brilhante após o temporal.
A esperança não percas, tudo vencerás;
fugirão as tristeza se tiveres paz."
(Bentley DF.Ackley (1872-1958) - Lizzie De Armond (estribilho))


sábado, 3 de outubro de 2009

O país que quero deixar para meus filhos

Talvez você me ache um profundo ingênuo
pelo fato de acreditar que um dia possamos
viver num país mais justo e solidário.

Se eu citar sociedades que conseguiram construir
relacionamentos marcados por maior liberdade e segurança
e índices menores de violência e corrupção
você apresentará uma série de argumentos para justificar
o porque delas conseguirem e nós não,
tentando matar a faisca de esperança
que ainda brilha em meu coração.

Insisto, entretanto, com a minha teimosia,
em afirmar que não podemos perder a esperança
e muito menos deixar de lutar.

Provavelmente os que são da minha geração
não tenham o privilégio de ver.

Porém, quem sabe,
se lutarmos com toda a nossa força
com toda a nossa inteligência
 contando com o mais importante
que é a confiança naquele que nos criou
e com a força daquele que nos convence
dos nosso desvios
e nos ajuda a a seguir pelo caminho certo,
pelo menos deixaremos algo melhor para os nossos filhos.

Se cada um tentar fazer algo
usando as ferramentas que tem em mãos
os conhecimentos que construiu
as energias que acumulou
influenciando os que estão em seu raio de ação,
manteremos viva a chama da esperança
que deve nortear nossa caminhada.

Quando ouço canções como a "Lindo País"
não as relaciono a um país futuro, extraterrestre.
Para mim, elas retratam anseios do coração
de pessoas que acreditam que uma vida melhor é possível.

Por favor, não pense que estou aqui discutindo teologia
e desacreditando a esperança cristã numa vida além túmulo.
Não, não estou discutindo isso.
Estou tentando dizer que letras como estas
são anseios de cada coração.

Todos desejamos uma vida melhor.
Todos sonhamos com um mundo de paz, justiça, solidariedade.
Se este país existe em nossos almas
é para que nos inspiremos nele
e trabalhemos no sentido de realizá-lo.

Quero convidar você a ouvir esta canção
pensando no país que você pode ajudar a construir
para nosso filhos, netos, bisnetos.
Outros já conseguiram.
Então, nós também podemos.

Podemos pensar nisso não somente para o Brasil.
Podemos pensar para todos os povos.
Por que não?

Vamos nos unir.
Vamos lutar contra a corrupção
Contra o consumismo insustentável
Contra o materialismo ilusório
Vamos fazer diferente
Vamos fazer diferença
Vamos acreditar e lutar

Comece ouvindo a letra desta música com outros ouvidos.
Tenha coragem de mudar o paradigma que instalaram em nossas mentes.
Pense na letra, repito, como anseios da alma
que podem ser realizados aqui e agora
como em muitos outros lugares já é realidade.

Esperança. sim, não perca a esperança.
Fé, sim, não perca a fé.
Amor, sim, não desista de amar.
Lute, sim, não deixe de lutar.
Não estamos sozinhos.
Deus criou o mundo bonito e assim deseja que ele seja.
Então, não estamos sós.
Temos ao nosso lado o idealizador de tudo isso.
Vamos em frente.
Vamos juntos!


Tu és fiel

"Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo." (II Tim. 2.13)


domingo, 27 de setembro de 2009

Eu sei que o meu redentor vive

By Nicole C. Mullen

"Who taught the sun where to stand in the morning?

and Who told the ocean you can only come this far?
and Who showed the moon where to hide 'til evening?
Whose words alone can catch a falling star?
Well I know my Redeemer lives
I know my Redeemer lives:
Let all creations testify
Let this, life within me cry
I know my Redeemer lives, yeah.
The very same God that spins things in orbit
runs to the weary, the worn and the weak
And the same gentle hands that hold me when I'm broken
They conquered death to bring me victory
Now I know my Redeemer lives
I know my Redeemer lives
Let all creations testify
Let this life within we cry
I know my Redeemer, He lives
To take away my shame
And He lives forever, I'll proclaim
That the payment for my sin
Was the precious life He gave
But now He's alive and
There's an empty grave.
And I know my Redeemer lives
I know my Redeemer lives
Let all creations testify
Let this life within me cry
I know my Redeemer,
I know my Redeemer
I know my Redeemer lives
I know my Redeemer lives
I know that I know that I know that I know that
I know my redeemer lives
Because He lives I can face tomorrow
I Know I know
He lives He lives yeah, yeah
I spoke with him this morning
He lives He lives, the tomb is empty,
He lives I gotta tell everybody "


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Por ti darei minha vida


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Auto-crítica ao movimento Missão Integral da Igreja

Confesso que me intrigam algumas percepções que tenho tido ao longo desses anos do movimento, com o qual me identifico e que norteou meus 26 anos de pastorado, conhecido como Missão Integral da Igreja. Minha relação com ele começou no final da década de 70, quando cheguei ao seminário, através de alguns professores em sala de aula, e, também, pelas relações eclesiásticas e interdenominacionais que mantinha em função de atividade na liderança de juventude.

Para os que não têm afinidade com o assunto, esclareço que o principal pilar do movimento é a compreensão de que o ser humano é multidimensional e suas necessidades, portanto, não são apenas em relação ao futuro, mas também ao presente.


Tal compreensão parece óbvia. Qualquer pessoa com conhecimentos medianos entende que a vida humana é composta de múltiplas dimensões como, por exemplo, espiritual, material, social, política, emocional e por aí vai.


A teologia, porém, que até então sustentava nossa prática evangelizadora, olhava para o ser humano como se fosse apenas espiritual e que as demais dimensões não tinham importância. Mais do que isso, além de perceber apenas a dimensão espiritual do indivíduo, a ênfase exclusiva era sobre o local onde se passaria a eternidade, se no céu ou no inferno.


Nesse contexto, o movimento enfatiza a compreensão teológico-eclesiológica que vinha sendo discutida desde a década de 60 e que ganha impulso em 1974, no Congresso Internacional de Evangelização, realizado em Lausanne, compreensão que advoga que uma igreja saudável não é aquela que existe exclusivamente para proclamar o evangelho, mas aquela que enfatiza igualmente, em seu seio, a adoração, a comunhão, a educação, a proclamação e o serviço.



(Diga-se de passagem duas coisas: 1) a definição de cada um desses cinco conceitos apresenta N variações; 2) Rick Warren, ao plantar a Saddleback Church, em 79, na Califórnia, hoje muito conhecida pelos “propósitos”, implementou tal visão eclesiológica na estrutura de sua Igreja).


O mérito do movimento foi resgatar a compreensão de que o ser humano é multidimensional e vive não somente em função do futuro, mas também do aqui e agora. Assim, o evangelho deveria apresentar respostas não somente para os diversos tempos – passado, presente e futuro - em torno dos quais a existência humana gira, mas também para as diversas necessidades que a humanidade experimenta.


O que me intriga?

Intriga-me a percepção de que teríamos saído de um extremo e caído noutro. Se antes a preocupação era exclusiva com o futuro, agora só nos preocupamos com o presente; se o espiritual dominava nossas atenções, agora ele foi descartado e nossas preocupações são puramente materiais.


O discurso em favor dos empobrecidos tem desconsiderado, não poucas vezes, as razões espirituais que também estão incluídas nas causas, atendo-se somente nas econômicas e políticas. Isso dá a entender que o ser humano, a quem antes eram apresentadas respostas somente para sua vida espiritual, deixou de ser um ser espiritual e agora é alvo somente de preocupações materiais.


Assim, a missão que anteriormente não era cumprida integralmente por enfatizar somente o espiritual, continua sendo cumprida parcialmente, apenas mudando o foco para o político, o econômico ou o ecológico, por exemplo.


Ouço poucos pensadores ligados ao movimento que emitem opinião sobre angústias espirituais que se manifestam na vida de enriquecidos e empobrecidos e, muito menos, que agem no sentido concreto de ajudar pessoas a encontrarem o caminho da vida mediante a confiança na graça divina manifesta no Cristo. Chego a pensar que Cristo passou a ser apenas uma figura de linguagem, uma metáfora, um meio para se alcançar finalidades políticas.


O fenômeno conversão religiosa, rarissimamente tratado, não o é como uma realidade que redireciona a existência de indivíduos, mas, quando muito, apenas na perspectiva dos efeitos sociais. Assim fazendo, ainda que se enfatize uma revisão de valores no que se refere à relação com o material, a impressão que fica é que o evangelho resume-se a relações econômico-sociais.


Se antes a missão era considerada parcial e, portanto, precisava ser ampliada para ser integral, hoje, por ter desprezado aspectos importantes da fé, como o mistério, a mística, as necessidades da alma, a missão, parece-me, continua sendo tratada de maneira parcial.


Compreendo que a quantidade de cristãos que têm uma visão integral da missão ainda está longe da desejada, porém, acredito que, se nós que enxergamos a integralidade do ser, desprezarmos quaisquer das dimensões humanas em nossas palavras e ações, nos tornamos passíveis das mesmas críticas que fizemos àqueles que, como eu, só se preocupavam com o céu, com o futuro da alma.


Será que estou equivocado e o que me intriga não procede?

sábado, 5 de setembro de 2009

Lembranças da infância em Garça

Música é como perfume: tem o poder de escarafunchar os recônditos da memória, adentrando por entre móveis empilhados e empoeirados nos quartos escuros da vida, cheios de teias de aranha, cheiro de mofo, barulho de ratos, nos quais garimpamos medrosa, meticulosa e cuidadosamente, buscando preciosidades que possam produzir fortes e inacabáveis orgasmos.


Não importa se é considerada brega ou xique; se é bem ou mal interpretada; se a harmonia foi feita com boa qualidade técnica ou não. Quando ela penetra nossos ouvidos, vai logo ressuscitando lembranças; remetendo-nos a tempos distantes e fazendo com que cada partícula do nosso ser seja irrigada por fortes sentimentos.


É o caso da música MEU PRIMEIRO AMOR, de Herminio Gimenez, José Fortuna e Pinheirinho Jr.. Quando começo a ouvi-la sou instantaneamente trasladado para a Rua Carlos Ferrari, em Garça, onde vivi quando tinha em torno de 6 anos.

A rua não era asfaltada. As luzes dos postes eram acesas e apagadas por um profissional que ia, dia após dia, de poste em poste, com uma vara longa, ligando ou desligando uma chave. Nela também passava o “véio tarado”. Diziam que ele morava na Rua Bahia, famosa por ser uma zona de meretrício. Quando ele aparecia, a criançada corria pra dentro de casa.


Nessa rua vivi experiências inesquecíveis. Lembro-me, por exemplo, do dia em que o caminhão que recolhia lixo parou em frente a minha casa. Assim que percebi que ele sairia, dependurei-me na rabeira, mas nem tive tempo de deliciar-me com a aventura. Eis que meu pai aparece, agarra-me fortemente, leva-me para um canto e me dá uma boa surra. Recolhi-me num quarto da casa, morrendo de vergonha das pessoas que nos visitavam, fiz xixi nas calças e nunca mais ousei aquele tipo de peraltice.

As visitas do padre da lambreta, se não me engano por ocasião do nascimento do meu irmão Edson, também me ocorrem quando se abrem os arquivos daquele período. Conquanto fôssemos batistas, bom relacionamento com padres e freiras ficaram em minha mente.


Nada, porém, se compara à lembrança do dia em que dona Nena estendia roupas num varal improvisado na calçada. Ela trabalhava eenquanto eu e mais dois ou três meninos, planejávamos o que fazer com uma colméia instalada numa árvore. Ao acabar de estender as roupas, ela convidou-me a entrar e alertou-me do perigo que corria com as abelhas. Excitado, porém, com mais uma aventura, não me dei conta de que, de repente, um dos meninos atirou uma pedra na casa das abelhas e nem tive tempo de correr. Quando dei por mim, já não sabia mais o que fazer se não gritar desesperadamente, pedindo por socorro.


Claro, uma febre tomou conta de mim e, paparicado pelas irmãs mais velhas, fiquei acamado sem que uma mosca pudesse se aproximar.


A casa era de madeira escura e o telhado não era forrado. Como eu era pequeno, ela me parecia gigante. Quando meu pai chegava do trabalho, corria recebê-lo no portão e o acompanhava até um tanque, no fundo do quintal, onde ele lavava os braços com sabão.


Certa vez perguntei-lhe porque ele passava sabão até os cotovelos. Ele disse que era pra matar os bichinhos que estavam nos braços. Se não se lavasse, eles escorregariam até o garfo da comida, entrariam em seu corpo pela boca causando doenças. Até hoje, cada vez que lavo as mãos, lembro-me da história dos bichinhos escorregando braços abaixo.


Diariamente eu acordava ao som de música sertaneja tocada no rádio da casa vizinha, acompanhada de um cheiro delicioso de café que meu pai preparava antes de sair para o trabalho. Na cama eu permanecia sob os cobertores, observando raios de sol que penetravam por entre frestas da parede ou do telhado que não tinha forro, trazendo luz para dentro do quarto escuro e frio.


Daí minha saudade ao ouvir esta música.



Saudade, palavra triste
Quando se perde um grande amor,
Na estrada longa da vida
Eu vou chorando a minha dor
Igual a uma borboleta
Vagando triste por sobre a flor
Teu nome sempre em meus lábios
Irei chamando por onde for
Você nem sequer se lembra
De ouvir a voz desse sofredor
Que implora por seus carinhos
Só um pouquinho do seu amor
Meu primeiro amor
Tão cedo acabou,
Só a dor deixou
Nesse peito meu
Meu primeiro amor
Foi como uma flor
Que desabrochou e logo morreu
Nesta solidão, sem ter alegria
O que me alivia são meus tristes... ais...
São prantos de dor
Que dos olhos caem
É porque bem sei
Quem eu tanto amei
Não verei...
Jamais...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Oração de São Francisco - Fagner e Joana

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Beatriz

Já é quase meia noite e aproveitei pra ouvir um pouco mais está música extraordinária de Edu Lobo e Chico Buarque.
Fiquei sensibilizado ao ouví-la hoje, no auditório de nossa Igreja, acompanhada por coreografia feita por uma deficiente física, numa cadeira de rodas.
Já em casa, ouvi diversas interpretações disponíveis e fiquei em dúvidas sobre qual colocaria aqui pois, seja pela voz dos intérpretes, seja pelo arranjo e acompanhamento instrumental, a escolha não é tão fácil.
Optei por Ana Carolina, talvez pelo violão e tom da voz.
Se você tiver um tempinho, relaxa e ouça.

Olha

Será que ela é moça

Será que ela é triste

Será que é o contrário

Será que é pintura

O rosto da atriz

Se ela dança no sétimo céu

Se ela acredita que é outro país

E se ela só decora o seu papel

E se eu pudesse entrar na sua vida


Olha

Será que ela é de louça

Será que é de éter

Será que é loucura

Será que é cenário

A casa da atriz

Se ela mora num arranha-céu

E se as paredes são feitas de giz

E se ela chora num quarto de hotel

E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz

Me ensina a não andar com os pés no chão

Para sempre é sempre por um triz

Aí, diz quantos desastres tem na minha mão

Diz se é perigoso a gente ser feliz


Olha

Será que é uma estrela

Será que é mentira

Será que é comédia

Será que é divina

A vida da atriz

Se ela um dia despencar do céu

E se os pagantes exigirem bis

E se o arcanjo passar o chapéu

E se eu pudesse entrar na sua vida

..........

Atendendo consideração, segue interpretação alternativa com Milton Nascimento.

sábado, 15 de agosto de 2009

Healing Grace

Senhor, Santo Senhor

Que tirou o desespero e
pôs prazer em seu lugar

Senhor, santo Senhor

Sou grato por sua graça

Sua graça mudou meu viver

De muitas maneiras


Quando pensei chegar ao fim

Você esperava lá por mim

Posso ver que há coisas boas

Que só a dor pode trazer


Senhor, Santo Senhor

Que tirou o desespero e pôs prazer em seu lugar

Senhor, santo Senhor

Sou grato por sua graça

Sua graça mudou meu viver

De muitas maneiras

Avançando pro futuro

o trabalho vou fazendo

Sabendo que estou perdoado

E aceito por você.

Senhor, santo Senhor

Agradeço por sua graça

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Campanha antifumo

sábado, 1 de agosto de 2009

Graça em arte e adoração (2008)

Arte e adoração sempre andaram juntas. Mesmo reconhecendo que adoração, antes de tudo, é um sentimento de encantamento diante do esplendor da vida que nos leva a uma atitude de prostração, de humildade diante do absoluto, a força de tal sentimento é tão extraordinária que há um incontido desejo de materializá-lo.

Assim, ao longo da história da humanidade, em todas as épocas e lugares, seres humanos têm interagido com a realidade e tentado, digamos, “copiar” o Criador, no que se refere à capacidade de criar. Numa inequívoca manifestação de que somos sua imagem e semelhança, transformamos a criação em objetos, imagens, sons que retratam a beleza e a complexidade da vida.

A busca pelo aperfeiçoamento de nossas criações em todas as áreas, tem como referência a natureza que está ao nosso alcance e, num certo sentido, a arte é uma forma de nos sentirmos em harmonia com aquele que a criou. Assim, podemos dizer que, mesmo inconscientemente, cada vez que nos envolvemos no labor artístico estamos indicando um anseio espiritual de afinidade com o ser que é autor da vida.

É fato que, por maior e mais aperfeiçoada que seja a genialidade criativa humana, a arte é insuficiente para estabelecer de maneira plena e satisfatória nossa comunhão com o Eterno. Daí a iniciativa divina que, numa manifestação de graça, vem até nós em Cristo Jesus, preenchendo tal lacuna. E nós, agraciados, respondemos com mais adoração, através da arte do viver.

“Graça em Arte e Adoração” é uma oportunidade de nos capacitarmos um pouco mais na arte do viver e do expressar sentimentos espirituais. Neste espírito, registramos em nome da Igreja Batista da Graça, nossa alegria por sua participação.