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domingo, 19 de agosto de 2012

Desenvolvimento Econômico do Brasil - 31.07.12 - 100/100 dias de oração pelo Brasil

Lembro-me dos anos do "milagre brasileiro", na década de 70. Era adolescente e, mesmo a filosofia da época sendo 'primeiro aumentar o bolo para depois distribuí-lo', experimentei os efeitos benéficos da fase. Foi nela que iniciei, aos 15 anos, minha vida de trabalhador remunerado. Ainda que sob ditadura e visão social a meu ver equivocada, algumas migalhas caíram da mesa...

Hoje vivemos um novo momento de crescimento econômico e o bolo está sendo dividido junto com ele. Em partes ainda pequenas, muito menores do que desejamos e necessitamos, mas seus benefícios podem ser percebidos. Desejamos que assim continue e se amplie até que os sinais de justiça social na área de distribuição de renda brilhe intensamente.

Nesse período de férias, almoçando na casa de uma família dinamarquesa, o hospedeiro destacava que a Dinamarca é uma grande classe média. Há problemas, como em qualquer meio humana, mas não se constituem o que chamamos de "problema social". Ainda em 2009, quando a crise mundial dava os primeiros sinais, o parlamento dinamarquês decidiu que o Estado investiria em obras estruturais para aquecer a economia e manter empregos. Hoje há grandes obras sendo realizadas em cada canto por onde se passa.

Dizia também que os níveis baixíssimos de corrupção favoreciam o desenvolvimento econômico do seu país. Atuando numa empresa multinacional que está iniciando suas atividades em São Paulo, já estava bem informado deste entrave ao desenvolvimento do Brasil. O triste é que todos sabemos disso, mas preferimos tirar nossa "casquinha", em vez de lutar para removê-la.

Diversos são os entraves ao mais rápido, sólido e profundo desenvolvimento do país. As deficiências na infraestrutura, nas estruturas institucionais e na qualificação técnico-educacional da população estão entre as mais citadas. Pouco se fala do perfil ético-moral que caracteriza parcela significativa de nossos dirigentes e da nossa passividade diante dele.

Qualquer grupo que deseja desenvolver-se, precisa não somente fazer um diagnóstico adequado da realidade, mas dispor-se a implementar o que for necessário para atingir seu objetivo. Se queremos ver o desenvolvimento econômico do Brasil, que busquemos conhecer sua realidade, os obstáculos a serem vencidos e, não somente agir em seu raio de influência e conhecimento, mas também unir-se a outros, inclusive de áreas diferentes, na busca de soluções que beneficiem a todos e não somente uma parcela dominante.

Abraços do seu pastor,

sábado, 11 de agosto de 2012

Mulheres Vítimas de Violência Doméstica - 27.07.12 - 96/100 dias de oração pelo Brasil

Há homens vítimas da violência doméstica? Certamente que sim, mas em proporções incomparáveis à sofrida pelas mulheres. A força bruta, o histórico predomínio econômico-financeiro, o desenvolvimento de uma cultura machista e o vigilante controle para sua manutenção, na qual a mulher se tornou uma ferramenta a serviço da comodidade do homem, um objeto para satisfazer suas necessidades sexuais, são alguns elementos que estão por detrás da violência contra a mulher.

E a igreja, o que tem a ver com isso? Lembro-me da experiência contada por uma amiga, Assistente Social, trabalhando numa Delegacia de Polícia. Uma mulher compareceu perante ela para  registrar uma ocorrência contra seu marido que a agrediu fisicamente. Ele a acompanhou. Enquanto ela era atendida pela delegada, ele ficou conversando com a Assistente Social. Evangélico, justificou a agressão em "bases bíblicas". Se a Bíblia determinou a submissão e a mulher desobedeceu, não lhe restou outra alternativa, senão a penalidade física.

O poder faz isso. Mal entendido e sentido, ele não permite que enxerguemos a possibilidade de convivência entre visões paralelas. Diálogo, portanto, não faz parte do seu vocabulário. Só deve haver uma visão de mundo, de realidade, dos fatos, enfim. Se não há afinidade, o outro é que está cego e, portanto, qualquer meio se torna válido para ajustar a pessoa divergente à minha verdade. Se não se ajusta ao meu modo de pensar através da força do argumento, que seja pela força física. Mas tem que se ajustar...

Não existe ser humano "naturalmente" submisso. Existem homens e mulheres que se ajustam à base da relação custo-benefício. Em outras palavras, ninguém se submete a ninguém por uma convicção ou prazer inerentes à sua natureza. A submissão sempre é resultado de conveniência. Avalia-se, consciente ou inconscientemente, o que se ganha ou se perde dependendo da postura adotada e, assim, adota-se um discurso, um comportamento, uma postura. Por isso, sempre que alguém se apresenta submisso sem que haja algum tipo de ganho que dê sentido à sua atitude, certamente há um processo de adoecimento emocional latente que, um dia, pode explodir de alguma forma geralmente negativa, no mínimo pra si mesmo.

Se há mulheres vítimas de violência é porque nós homens não aprendemos a lidar com o poder. A igreja colabora com isso sempre que defende a manutenção de qualquer tipo de relacionamento entre homens e mulheres, seja na família, na ministério eclesiástico, na vida profissional, enfim, que não seja movido por uma consciência de que ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus e, portanto, que não seja caracterizado por interdependência, diálogo, amor e mútua submissão.

A igreja contribui para a violência contra a mulher quando insiste em interpretar literalmente (prefiro popularmente) os textos que favorecem a manutenção do doentio status quo histórico-cultural masculino e não adota o mesmo critério para todos os textos bíblicos. (A incoerência em termos de critérios hermenêuticos e a principal evidência do machismo impregnado na cultura eclesiástica)

Há violência contra a mulher dentro de lares "cristãos", mesmo "evangélicos", e isso se dá de diversas maneiras, inclusive física. O que podemos fazer contra?

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Crianças que vivem nas ruas - 24.07.12 - 94/100 dias de oração pelo Brasil

Caminhávamos por uma das ruelas de Granada, Espanha, na semana passada e nos deparamos com uma mãe cigana, comum na região, tendo nos braços uma criança e pedindo ajuda. Ela expunha seu bebe como meio de sensibilizar os passantes, visando conseguir algum dinheiro. Não emito juizo de valor sobre a ação da referida mãe. Exceção em Granada, mas comum na realidade brasileira, serve como indicador de como crianças podem ser usadas. Se crescem sendo usadas para pedir dinheiro nas ruas, excepcionalmente poderão trilhar por caminhos melhores. Pelo contrário, a tendência é utilizar-se de meios piores para sobreviver.

A questão que me incomoda é geralmente ouvir pessoas dizendo da mãe: - olha aí, tão nova, poderia estar trabalhando, mas fica pelas ruas pedindo dinheiro. É certo que há pessoas que, por razões que não vêm ao caso, decidem ir às ruas pedir esmola, em vez de buscar trabalho. Mas é certo, também, que a maneira como a sociedade está estrutura e a maneira como se exerce o poder e se usa o dinheiro público são fábricas de pessoas nestas condições.


As crianças são sempre vítimas. Elas dependem de adultos saudáveis que lhes ofereçam condições de vida saudáveis, que lhes ensinem o caminho por onde trilhar, que lhes alimente de esperança, de confiança e lhes diga, com seus exemplos, que vale a pena amar, trabalhar, viver enfim, de maneira respeitosa consigo e com seu semelhante.


A questão de crianças nas ruas, portanto, não é um problema a ser resolvido exclusivamente por seus pais. Seus pais são os primeiros responsáveis por elas, mas se eles não tiverem acesso à renda que, por razões éticas, deve ser compartilhada de maneira socialmente justa, se não tiverem aesso à educação e saúde de qualidade; se não tiverem condições de usufruirem de habitação, segurança, transporte, enfim, de qualidade, não adianta reclamarmos da presença de crianças nas ruas e muito menos ter "pena" delas.


Se o evangelho que anunciamos não enxerga o corpo das pessoas, não visa suas vidas concretas e se elas são "vistas" apenas como uma substância a ser protegida do inferno futuro, um número a ser acrescentado numa relatório, numa relação de membros, num relatório financeiro, de nada adianta orarmos pelas crinças que vivem nas ruas.


Não seremos melhores do que a mãe que usa um bebe para pedir esmolas, se criarmos instituições para acolher crianças desamparadas apenas como jogada de marketing, para ter o que dizer na hora de levantar recursos financeiros junto aos membros das igrejas. Se não nos conscientizarmos de maneira clara, objetiva, inequívoca, que cooperar efetivamente para uma sociedade mais justa, deve ser uma filosofia ministerial permanente, constante, envolvendo assistência, serviço e ação social, não seremos em nada melhores do que a mãe citada no início desta reflexão.


Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Infanticídio de crianças indígenas - 22.01.12 - 91/100 dias de oração pelo Brasil

As vezes fico invocado com alguns defensores da cultura. São radicais contra a chegada do evangelho em tribos, pois isso, dizem, destrói a cultura indígena. Mas silenciam quando, por razões culturais, crianças são mortas nas tribos porque apresentam "deficiências" ou são "gêmeas" ou até mesmo mães são mortas por serem tidas como promíscuas, simplesmente porque seus filhos nasceram com anomalia, como descreve Eli Leão Catachuga, da etnia Ticuna, no livro "100 dias que impactarão o Brasil".

Concordo que há evangélicos e Evangélicos, religiosos e Religiosos, mas há alguns defensores da cultura que se igualam aos evangélicos do tipo que criticam, justamente por não serem capazes de discernir o trigo do joio no meio evangélico ou por serem preconceituosos, pois sabem que não são todos farinha do mesmo saco, mas insistem em generalizar.


Ora, todos sabemos que cultura é algo que se constrói, que se cultiva. Se constrói com base em crenças, pensamento, sentimento, valores, enfim. Mas se as crenças sofrem alteração com base em avaliações dos prejuizos que provocam à vida de indivíduos ou sociedades, a cultura tem mesmo que ser mudada.


Por mais que valorizemos a cultura de um povo, se há elementos nocivos, por que devemos silenciar? Por que não podemos influenciar na mudança? Se alguém está usando isso como meio de exploração, que se combata a exploração, não a possibilidade de se exercer mútua influência. A não ser que creiamos que não exite o saudável e o nocivo, o bom e o ruim, pois tudo é puramente uma questão cultural ou de ponto de vista. Se é isso, então a discussão deveria se dar em outro campo.


Claro que devemos orar pelas milhares de crianças brasileiras que não vivem em tribos indígenas e são mortas. Mas hoje, o foco são as crianças indígenas que nascem em tribos nas quais podem ser mortas por razões que nenhuma sociedade minimamente evoluida aceita mais. E se isso acontece em território brasileiro, sob nosso nariz, à despeito das proibições legais, silenciar por razões culturais é o cúmulo. Ou não?


Abraços do seu pastor,

sábado, 21 de julho de 2012

Instituições que trabalham com crianças - 21.07.12 - 90/100 dias de oração pelo Brasil

Há quem defenda que não seja papel da igreja trabalhar com crianças empobrecidas ou em situação de risco. Defendem que cabe ao Estado cuidar das questões sócio-economicas do país. À igreja, dizem, cabe o papel de cuidar das almas (no sentído medieval da palavra, não psicológico ou mesmo bíblico-teológico). A igreja, dizem, deve cuidar do futuro, impedindo que pessoas vão morar no inferno, trabalhando para que aceitem ir morar no céu.

Este tipo de compreensão é fruto muito mais de alinhamento político-ideologico com o poder político e econômico do que reflexão sobre a vida e ensinos de Jesus. Além disso, coloca seus defensores na mesma condição do sacerdote e do levita, da Parábola do Bom Samaritano.


Entendo que, em primeiro lugar, compete aos
pais trabalharem para que seus filhos tenham boas condições de vida. A responsabilidade número um, portanto, é dos pais. Entretanto, os pais não vivem numa ilha. Suas vidas são fruto de todo um contexto sócio-cultural. A educação e condições de vida que receberam e a cosmovisão de mundo que desenvolveram se deram num contexto em que há pessoas de todo tipo. Pelo fato de ser característico do ser humano, a luta pelo poder sobre o outro, a defesa de interesses particulares em detrimento dos públicos, a competição sem ética, sempre haverá quem acumule muito (dinheiro e poder) e quem fique sem nada. O desequilíbrio social torna-se realidade, se não houver elemento atento e regulador.

Nesse contexto, além dos pais nem sempre conseguirem dar o que não lhes foi dado, há também circunstâncias de vida que tornam desfavoráveis a estabilidade familiar. Uma enfermidade, um desemprego, um acidente, enfim, uma série de fatores contribue para que famílias estejam sujeitas a problemas e nem sempre consigam recuperar a condição de oferecer aos filhos o que eles necessitam.


Cabe então, ao
Estado, criar ambiente favorável à vida  de todos os cidadãos, especialmente das crianças. Ele deve adotar políticas que favoreçam o equilíbrio das famílias e assim elas possam cuidar bem de seus filhos, de nossas crianças.

Só é aceitável o Estado criar instituições e designar recursos para ajudar crianças em situações excepcionais. Via-de- regra, ele deve oferecer à família, condições favoráveis ao seu desenvolvimento, a fim de que ela não precise receber esmolas do Estado. Quando, entretanto, o desequilíbrio está estabelecido, como é o caso do nosso pais, é óbvio que o Estado precisa intervir visando recuperar as condições necessárias ao desenvolvimento autônomo de cada família. Que caminho técnico usar é o X da questão. Daí as diferenças ideológicas nos modelos econômicos que cada país adota.


Onde as
igrejas entram nisso?  As igrejas, atentas à realidade que as cerca, não podem passar de fininho como se nada estivesse acontecendo. Há um problema social com nossas crianças, ou seja, a quantidade de problemas está acima do nível considerável aceitável e o Estado não está dando conta de sua parte, seja porque razões forem.

Nesse caso, não só a igreja, mas todas as pessoas e instituições devem se mobilizar. Mobilizar-se através de atuação política mais contundente, visando otimizar a administração da coisa pública e do uso dos recursos disponíveis; trabalhar para reduzir a probabilidade de corrupção e estender as mãos - ofercendo assistência e educação - aos que são vítimas de um sistema social que não oferece condições para que o cidadão tenha acesso a educação, saúde, transporte, habitação, renda, etc..


As igrejas podem, então, fazer um bom papel, dando o peixe nos casos de emergência; ensinando a pescar, nos casos em que a integridade da pessoa não está em risco e conscientizar sobre as causas dos rios não estarem produzindo peixe em quantidade suficiente ou de alguns conseguirem mais peixes do que outros.


Vibro cada vez que vejo uma igreja fazendo algo pelas crianças. Cada uma deve encontrar sua forma de cooperar, dentro dos recursos financeiros, humanos, estruturais que dispuser. O que não podemos é ficar dando ouvido a uma teologia alienante, cujos defensores transformam igrejas apenas em nicho para vender seus livros e suas conferências "teológicas", a pretexto de fidelidade à palavra de Deus.


Fidelidade à palavra de Deus é amar ao próximo como a si mesmo, é não deixar que seja feito com as crianças dos outros aquilo que não gostaríamos que fosse feito com nossas crianças.


Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Moradores e Frequentadores das Cracolândias - 18.07.12 - 87/100 dias de oração pelo Brasil


Guaracy, parece que este era o nome da primeira pessoa usuária de drogas com a qual tive contato direto. À época, nós jovens da Igreja Batista de Garça, SP, colocávamos nos ombros uma caixa de som, empunhávamos a Bíblia e uma guitarra - acreditem, já toquei guitarra  -  e íamos à praça da cidade fazer o que era conhecido como "culto ao ar-livre". Depois, fazíamos um arrastão levando pessoas ao culto.

Guaracy era atento. Participou de cultos, chorava durante e depois. Tomou a decisão de iniciar uma nova vida seguindo a Jesus, mas não se libertava das drogas. Era filho de família tida como rica e, participar de igreja "protestante" era um desafio a mais a ser vencido. A última notícia que tive foi que ele teria morrido sem libertar-se das drogas.


Depois disso, já no Recife, acompanhei à distância a luta pela implementação do Desafio Jovem do Recife. Pr. Joel Bezerra, então seminarista e hoje presidente da Convenção Batista Baiana, era o nome que marcava, entre nós seminarista, o desafio de realizar este trabalho, num tempo em que o uso de drogas ainda não se constituia um problema social como hoje.


Hoje, drogas são um problema social. É difícil encontrar alguém que não tenha um familiar ou conhecido próximo que não seja vítima semimorta ou, no mínimo, usuário a caminho do matadouro. Todos conhecemos, de perto, os males que o uso de drogas produz na vida do indivíduo, da família e da sociedade em geral.


Cracolândia é a manifestação similar do que acontece na vida comercial e, agora também, na religiosa. Vendedores de produtos semelhantes se instalam na mesma rua, seja para comercializar carros, equipamentos de som ou a fé, por exemplo. Cracolândia, então, é a concentração do comércio numa mesma rua, numa mesma região. Da mesma forma como a religião se deixa levar, acriticamente, pelo modelo empresarial, o mesmo ocorre com o comércio das drogas. A diferença é que, no comércio de produtos vendidos legalmente, a evidência da presença dele é o enriquecimento dos comerciantes enquanto, no caso das drogas, é o apodrecimento dos consumidores.


Por razões que não vêm ao caso, o fato é que "cracolândias" (terras do crack e não Vila Belmiro) se espalham visivelmente pelo país. E nós, como donos de casa que enxugam o chão onde torneira com problema no vedante está pingando, em vez de trabalhar para consertá-la, apenas repetimos o trabalho dia após dia.


Dou graças a Deus pelos que estão enxugando o chão, enquanto a torneira continua com problema. Oro, entretanto, para que consigamos enxergar as causas do problema (espirituais, existenciais, sociais, familiares, enfim) e nos empenhemos, também, na solução delas.


Abraços do seu pastor,

terça-feira, 10 de julho de 2012

Aplicação dos Recursos Pessoais - 10.07.112 - 79/100 dias de oração pelo Brasil

Há quem enterre e há quem aplique seus recursos. Isso pode ser lido na Parábola dos Talentos (Mt. 25). Os que enterram não o fazem somente para garantir o que já têm ou para não perder no processo de aumentá-lo via investimento. Enterram também quando aplicam sem pensar no bem, inclusive no bem comum.

Aplicar pensando no futuro faz parte da história humana. José do Egito (Gen, 43,37) fez isso em período de vacas gordas, visando sobreviver em períodos de vacas magras. O Rico Insensato da Parábola (Lc. 12) fez o mesmo. A diferença é que José continuava confiando em Deus. Já o Rico, acreditava que sua vida se resumia ao ter e que o que havia acumulado era a garantia do seu futuro.  O grande problema do acúmulo é quando tiramos Deus do foco da nossa confiança e colocamos o que acumulamos no lugar dele.

O acúmulo em si, portanto, não é problema. Pode ser sinal de precaução, de conhecimento de que a vida não se resume somente ao tempo presente ou de que não queremos nos tornar pesados a alguém em situações de adversidade. Torna-se problema quando depositamos nossa confiança nele ou quando o usamos de maneira egoísta.

Paulo, na carta aos Efésios (4.28), fala como a nova vida em Cristo deveria se manifestar em nossos relacionamentos interpessoais.  Dentre outros, diz ele: "O que roubava não roube mais; antes trabalhe, fazendo algo útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade".
Observe a mudança radical da lógica de vida. Antes da experiência com Cristo, ficávamos na osciosidade esperando o resultado do trabalho alheio para roubá-lo; depois, passamos a gerar nosso sustento, trabalhando com as próprias mãos. Antes, tirávamos o que era do outro; depois, passamos a repartir com o outro.
João ensina o mesmo, em outras palavras, nos desafiando a usar nossos recursos também em favor do outro. Diz ele:
"Se alguém tiver recursos e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?" (I Jo.317).

Dividir, compartilhar, são palavras comuns na vida de quem tem uma experiência genuina com Deus, na vida de quem reconhece Jesus como senhor.

Um dos caso mais emblemáticos do Novo Testamento é o da igreja da macedônia. Era um povo empobrecido materialmente, mas, rico na graça de Deus, por isso fez questão de ajudar os irmãos da Judéia.
Veja o esboço sobre a
graça do dar ((II Cor. 8)

1. Deram em meio à tribulação (8:2)
2.  Deram em meio à pobreza (8.2)
3. Deram de acordo com as possibilidades (8.3)
4. Deram voluntariamente (8.3)
5.  Deram desejosos de participar (8.4)
6.  Deram movidos pela doação da própria vida (8:5)
7. Deram tendo Jesus como modelo (8.9)
8. Deram de acordo com o que tem não com o que não tem (8.12)
9. Deram não para apaziguar a mente, mas pela justiça (8:13)
               10.  Deram pela mútua solidariedade (8.14) 

Paulo aprendeu a generosidade com Jesus e, certamente, se alegrava muito ao ver que os macedônios aprenderam o mesmo. Leia o que ele disse: “Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: 'Há maior felicidade em dar do que em receber' ". (At. 20.35)

 Sabemos que em todo grupo social há pessoas preguiçosas ou de má-fe," que se aproveitam da generosidade alheia. Elas devem ser identificadas e seu comportamento não deve ser alimentado.
Sabemos também que o compartilhar não deve ser de forma emocional, sem reflexão.

O mesmo Jesus que foi compassivo, multiplicando o pão e alimentando a multidão, reagiu enfaticamente ao perceber a segunda intenção da multidão:   "A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna..." (Jo 6.26-27)

 Portanto, estar de olho nos maldosamente expertos e espertos, agindo de forma adequada com eles, administrando o que temos também com racionalidade, faz parte do exemplo dado por Jesus.

O importante é sabermos que todos nós temos tipo algum de recurso que pode ser compartilhado, seja de natureza econômica, psicológica, intelectual, física ou espiritual e que, nossos corações, devem ter como norte a generosidade e não a mesquinhez.

Será que estamos aplicando nossos recursos de maneria compatível com os ensinos do Jesus?

Abraços do seu pastor,

terça-feira, 3 de julho de 2012

Jovens Viciados em Drogas e Álcool - 03.07.12 -72/100 dias de oração pelo Brasil

Nesses 72 dias de oração pelo Basil, esta é a quarta vez que drogas aparece como tema. As 3 primeiras foram: 1) Dependência química, um desafio  ; 2) O gigante das drogas vencido pela oração; 3) Traficantes de drogas. No caso de hoje, o livro  "100 dias que impactarão o Brasil" traz um títiulo que faz distinção entre drogas e Álcool.

 A rigor, álcool é um tipo de droga. Como, porém, as palavras ganham sentido de acordo com uma variedade de fatores que caracterizam a vida social, na prática, quando se fala em drogas, a referência é a substâncias psicoativas cuja venda e consumo são ilegais. Porém, conquanto o uso e a venda sejam legais, o álcool deve ser visto como um tipo de droga.

 O tema drogas ocupa as páginas de revistas e jornais nesse final de semana, trazendo informações sobre o processo em andamento no governo do Uruguai de legalizar o comércio estatal de drogas. Calcula-se que, dos 3 milhões de habitantes daquele país, 5% são usuários de maconha. Com a nova lei, a venda de maconha seria uma prerrogativa estatal, podendo, cada cidadão, usar até 30 gramas por mes (ou mais se levar a ponta (conhecida também como bituca) que sobrou do cigarro comprado anteriormente).

 Os favoráveis acreditam que tal lei seria um golpe no crime organizado e afastaria as pessoas da possibilidade de se exporem ao uso de outros tipos de drogas oferecidos pelos traficantes na hora da compra. Os contrários apenas são incrédulos quanto a eficácia da lei em seu propósito. O problema é que o modelo de repreensão policial não tem funcionado e, então, do ponto de vista legal, seria uma experiência alternativa para se ver o que seria menos ruim.

 A história aponta que o ser humano sempre fez uso de drogas, especialmente para superar dores físicas e emocionais. A própria Bíblia, como já mencionei em um outro texto, trata o assunto por esta ótica  quando, por exemplo, "nos conselhos para o Rei Lemuel, o autor do livro de Provérbios aconselha: "Dê bebida fermentada aos que estão prestes a morrer, vinho aos que estão angustiados; para que bebam e se esqueçam da sua pobreza, e não mais se lembrem da sua infelicidade." " (Pv 31.6-7).  

Isso, porém, não deve ser entendido como uma autorização ao uso irresponsável. A regulamentação através de lei, definindo o que não pode ser produzido e vendido; o que pode ser produzido e vendido sobre controle médico ou o que pode ser produzido e vendido livremente, merece sempre estudos aprofundados, com base em dados colhidos cientificamente.

Em termos espirituais, o que se faz é uma busca pelas causas existenciais do uso, especialmente quando o usuário torna-se dependente, sem acompanhamento médico e refém do crime organizado. Nesse sentido, todo esforço feito visando ajudar tais pessoas são válidos.


 Ao orarmos por este que tem se tornado um grande problema social, peçamos sabedoria a Deus para entendermos adequadamente o assunto, seja em seus aspectos teóricos, seja em termos de seus efeitos práticos, a fim de que possamos dar respostas que sejam éticamente compatíveis com a fé que declaramos.

Abraços do seu pastor,

terça-feira, 26 de junho de 2012

Policiais e Agentes de Segurança Pública - 26.06.112 - 65/100 dias de oração pelo Brasil



Quando criança, lá em Garça, a única viatura de polícia da cidade era um JEEP todo preto e branco. Seja pelas cores ou por uma piada já à época preconceituosa, ela era conhecida como "corintiana". Quando um garoto queria assustar o outro gritava: "olha a corintiana!" e todos davam um jeito de se esconder, pelo medo de ser preso.

Cresci, o medo se foi, mas tornei-me uma pessoa empenhada em respeitar as leis, bem como os policiais e demais agentes de segurança pública. Lamento, então, quando vejo notícias de crianças sendo mortas por algum deles e de adultos os olhando não como alguém que é treinado e pago para garantir nossa segurança, mas como um adversário da população.

Lembro-me da admiração de meu filho quando compartilhava comigo que uma colega de escola, em Coral Springs, disse que se tornaria policial. Quantas crianças sonham com isso no Brasil? Esta falta de admiração é fruto de uma série de fatores, na maioria absoluta deles, alheios ao agir dos policiais. Eles, em sua quase totalidade, são pessoas  do bem que, com condições mínimas seja de remuneração, de capacitação ou de equipamentos para trabalhar, expõem suas vidas diuturnamente em nosso favor.

Se alguns agem favoravelmente diante de enriquecidos e de forma truculenta diante de empobrecidos, isso é um reflexo da cultura geral no país. Nos não olhamos as pessoas pelo que são, mas pelo que tem ou, pelo menos, parecem ter.

Hoje estamos aqui orando pelos policiais e agentes de segurança pública. São um dos segmentos que mais sofrem no sistema  público brasileiro que, por sua estrutura geral, nega o direito à vida de boa qualidade à maioria de seus participantes.

Lutar por uma sociedade melhor, significa também lutar para que o processo de seleção para o exercício dessas funções e as condições oferecidas para o trabalho sejam melhores. Significa trabalhar para que cada profissional desta área tenha acesso a Jesus, não como um protetor místico para momentos de conflito, mas como aquele que torna possível uma relação saudavel com Deus, como um referencial de vida no que se refere a valores a serem observados.

Abraços do seu pastor,

Crianças em situação de vunerabilidade - 25.06.12 - 64/100 dias de oração pelo Brasil

Dentre as muitas coisas que me chamavam a atenção, nas ruas do sul da Flórida, USA, uma eram as placas de trânsito em áreas residenciais com os dizeres: "cuidado com as nossas crianças". Outra eram os semáforos que, nos horários de saída ou entrada de alunos, reduziam drasticamente a velocidade dos carros nas ruas ao redor de escolas. Um outro exemplo eram os ônibus escolares. Quando paravam para uma criança descer, uma placa de PARE nele fixada se abria e todos os carros paravam até que ela se fechasse. Seja pelo respeito consciente, pelo ostensivo policiamento ou pelo valor das multas, o fato é que era perceptível a obediência dos motoristas.

Uma criança foi encontrada andando em um condomínio fechado de casas. Após isso, os pais, brasileiros, récem chegados àquele país, se viram com a polícia e, depois, durante algum tempo, passaram a receber regularmente a presença de assistente social com o objetivo de constatar se, de fato, a criança não havia saído de casa por maus tratos.

Não faço esta menção pelos motoristas, policiais ou assistentes sociais, mas pelas crianças. O cuidado com elas não era apenas um discurso, mas uma prática. A desobediência era efetivamente punida.

Por razões que não vem ao caso, a sociedade brasileira ainda está longe de ser uma sociedade cujos participantes se respeitam. O desrespeito é tanto com a criança, quanto com o idoso. Ele se manifesta nas relações eclesiásticas, nas relações acadêmicas, nas relações de consumo, na vida condominial, no trânsito, enfim.  E quando a lei é descumprida, o desrespeito se manifesta mais uma vez quando o pobre que cometeu a ilegalidade vai preso e o rico, aguarda em liberdade até o crime prescrever.

Não, não estou aqui querendo dizer que os Estados Unidos é tudo de bom e o Brasil tudo de ruim. Apenas quero dizer que há sociedades nas quais o respeito ao ser humano, especialmente às crianças é real. Por isso, há esperança para a sociedade brasileira, pois não somos seres inferiores. É verdade que a nossa "cordialidade" chega a ser burra a ponto de aceitarmos a opressão e a injustiça calados e, pior, fazendo piada em coro, desmoralizando quem reage. Somos, em geral, mau governados em todos os níveis de administração pública, especialmente nas questões relacionadas à educação, que é ponto essencial para uma mudança de mentalidade.

Não nos iludamos. Priorizar a criança, dando-lhe atenção e cuidado especial é muito importante, mas, se isso for feito como ação isolada, a criança crescerá e será contaminda pelo sistema. Somente se nos empenharmos a romper o sistema, em seus principais pontos de influência, conseguiremos alterar a realidade. Essa ruptura não pode ser apenas através de discursos, nem de atos isolados. Ações realizadas em conjunto, seja nas áreas espirituais, éticas, políticas, econômicas, enfim podem fazer com que algo bom aconteça e haja esperança para nossas crianças.

Começar pela ênfase na criança é essencial, pois ela é a parte mais vunerável. Mas ter a visão do todo e como cada parte influencia a outra é um aspecto que merece nossa reflexão e oração.

Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Poder Judiciário: A Busca Pela Justiça - 21.06.12 - 60/100 dias de oração pelo Brasil

O Poder Judiciário aumenta, a cada dia, sua visibilidade e deixa mais clara sua importância para a sociedade não somente em termos de justiça, mas também em termos políticos. Com o amadurecimento da democracia, liberdade de imprensa e fortalecimento das insituições fiscalizadoras, o povo vai percebendo mais nitidamente erros e acertos deste Poder.

Todos sabemos que ocorre com os que nele trabalham o mesmo que ocorre em qualquer atividade: há profissionais honestos e desonestos.
A presença de gente ruim em uma instituição não signfica que todos são ruins. Não podemos dizer que uma sociedade seja violenta, com base nas notícias de fatos ruins. Se as coisas boas que acontecem no cotidiano fossem noticiadas, veríamos que são em número infinitamente maior. O mesmo ocorre com o Poder Judiciário. Há muito profissional bom, honesto, fazendo seu trabalho fora dos holofotes. Pessoalmente, portanto, creio que a maioria é honesta.

Porém, quando avaliamos uma instituição, procuramos os erros, o que precisa ser melhorado,
sem desprezar os acertos, como faz um dentista quando olha nossos dentes. Essa é a única maneira não só de se manter as coisas nos eixos, mas também de se conseguir aperfeiçoamento. O fato, então, da mídia veicular casos escandalosos do Poder Judiciário (inclusive por interesses político-econômico de seus donos) não nos deve deixar desesperançados. Se bem entendido por nós, pode ajudar na melhoria do sistema.

Por mais que se diga que juiz não faz justiça, apenas julga causas à luz da lei, sabemos que, entre o que está escrito e o julgamento que se faz, por mais que haja determinação pela neutralidade, sempre há um ponto em que o sentimento do árbitro influencia. Como em qualquer interpretação, não é preciso conhecer a teoria de construção do conhecimento de Piaget para se saber que toda interpretação é resultado dos significados em nós introjetados culturalmente. Com o juiz não é diferente. O que nos preocupa e deve ser combatido é quando sua interpretação é fruto de corrupção. Isso, infelizmente, ganha cada dia mais espaço na imprensa. Como nossa vida financeira é, não por acaso, pouco transparente e fiscalizada, a corrupção corre solta e muita injustiça se comete.

Também, mesmo reconhecendo que juiz não julga pessoas, julga processos, acredito que isso não se dá de forma mecânica, puramente objetiva, sem um quê de intuição, de sentimento. A sobrecarga de processos, por exemplo, seja pela quantidade de causas ou pelas infinitas possibilidades de recursos e até mesmo o que ele pensa e sabe preliminarmente a respeito de quem advoga a causa, influenciam seu sentimento, sua predisposição, sua forma de julgar e o resultado final do seu trabalho.

O que penso é que, mesmo reconhecendo que o que norteia um juiz é a emissão de julgamento com base na lei e não em abstrações e que o que ele julga é o processo e não as pessoas envolvidas, esses princípios não são absolutos, nem os torna invulneráveis ou não influenciáveis.

Assusta-me a postura de dois ou três ministros da suprema corte brasileira. Também tenho críticas, como cidadão, ao funcionamento do sistema. Reconheço os prejuizos da lentidão nos julgamentos e os efeitos negativos disso na vida da sociedade. Por isso, oro e trabalho para influenciar, mesmo com poderes mínimos próprios da cidadania no Brasil, o aperfeiçoamento do sistema, "para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade
" (I tim 2.2).

Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Terceira Idade - 20.06.12 - 59/100 dias de oração pelo Brasil

Gosto do mandamento que diz: "Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá" (Ex. 20.12), pois ele também nos remete à questão da "terceira idade". O texto não visa orientar-nos  a tratar os pais com honra somente em caso de idade avançada, mas sabemos que a probabilidade deles precisarem de nós aumenta, à medida que a idade avança. Então, cuidar deles e ensinar os filhos a fazerem o mesmo é a melhor maneira de garantirmos o prolongamento da vida humana, inclusive a nossa.

Alguém poderia dizer: "esta não é a melhor motivação, pois traz em si uma dose elevada de egoísmo". Pode até ser, mas ter consciência de que um dia chegaremos lá e precisaremos de maior cuidado não deixa de ser uma boa motivação para cuidarmos bem dos que lá já chegaram. Se assim não fosse, Jesus não teria cunhado a idéia: "Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles". (Lc. 6.30) 

  Em maior ou menor grau, todos precisam de maior suporte na "Terceira Idade". Lembremo-nos: o avanço científico-tecnológico aumenta o tempo e melhora a qualidade de vida, mas não é capaz de paralisar o processo de envelhecimento e a realidade do fim desta vida, inclusive da minha e da sua.


Evidente que há razões, digamos, mais profundas para o respeito à "Terceira Idade". O respeito à vida e, especificamente, ao ser humano, por exemplo, é uma delas. Quanto mais aprendemos a respeitá-la, a valorizá-la em suas múltiplas manifestações, maior será nosso respeito a todas as pessoas.  Os idosos, entretanto, devem merecer destaque tanto pelo acúmulo de experiências e conhecimentos que beneficiam a trajetória humana, quanto pela própria condição de menor vigor e percepção que os caracteriza. 

A questão é que respeitar a vida não tem recebido a devida valorização, inclusive pelo espírito extremamente materialista que caracteriza nosso tempo. Estamos cada vez menos olhando o outro como criado a imagem e semelhança de Deus e cada vez mais como um competidor, uma ameaça, uma pedra em nosso caminho ou um objeto a nosso serviço.

Lembro-me de um dirigente de banco que, conversando comigo, depois de ter tomado "algumas", disse: "pastor, cheguei onde cheguei porque, cada vez que um cliente estava do outro lado da mesa em busca de empréstimo, eu pensava: este cara quer me roubar, preciso me cercar de todos os cuidados possíveis".

 Outro aspecto: não basta sermos ensinados a  valorizar a vida, a olhar o outro de maneira favorável, se as estruturas que sustentam a sociedade nos conduzirem em direção oposta.  Por exemplo: quanto menor a oferta de empregos e maior o número de pessoas necessitadas deles, mais o outro se torna uma ameaça. Respeito mútuo, portanto, é sim, uma questão de espiritualidade e de educação, mas acentua-se de acordo com a forma como a sociedade se estrutura.
Então, pouco adianta enfatizarmos o valor do idoso se não fomos ensinandos a respeitar o ser humano, nem desenvolvermos estruturas sociais nas quais a cooperação fale mais alto do que a competição, especialmente a competição sem ética.

Os idosos precisam de nossa atenção e é bom que haja interesse por suas necessidades e direitos, mas melhor será se houver investimento no direito de todos, em todas as fases da vida.

Oro por minha própria vida e convido-o também
a orar pela sua. Oremos e trabalhemos por estruturas sociais mais justas e amorosas. Oremos pela maneira como enxergamos o outro, com destaque para uma maior consciência da importância do cuidado com o idoso.

Abraços do seu pastor

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Paz no campo - 15.06.12 - 54/100 dias de oração pelo Brasil

Ainda trago na memória o período em que famílias de sítios de Garça, SP, deixaram pra trás casas, trabalhos, amigos, igrejas, enfim, rumo aos centros industriais.

Perdi diversos amigos de infância que, em meados da adolescência, decidiram "fazer a vida" onde as oportunidades pareciam maiores, o trabalho menos penoso do que na agricultura, o acesso à educação superior e a bens de consumo mais fáceis, e as promessas de retorno financeiro melhores.

Claro que, como todo mundo passou a agir igual, as cidades industriais tiveram o número de habitantes multiplicados numa velocidade não acompanhada pelos investimentos necessários em todas as áreas (educação, saúde, saneamento, transporte, pavimentação, segurança, habitação...).

Para alguns, o sonho dourado enferrujou e favelou.

No afã de atender as necessidades dos grandes centros, por causa das industrias, investia-se mais nas metrópoles e menos no "campo", fato que agravava as condições de vida no interior. Pessoas que não deixariam suas origens motivadas por mais dinheiro, sucumbiam diante da necessidade de melhor educação ou atendimento médico, por exemplo.

Os governos que acordaram diante dos efeitos colaterais nocivos de tal política, descentralizaram geograficamente os investimentos, especialmente em saúde e educação, fato que tornou mais atraente a permanência e, em alguns casos, o retorno ao interior. Os que não, contribuíram para que a vida das pessoas, especialmente a das empobrecidas, continuasse desconfortável, tanto pela pela falta de soluções para seus problemas, quanto pela necessidade de busca por elas - soluções - nas grandes cidades.

Nos estados em que a agricultura e a pecuária passaram a ser tratadas como negócio lucrativo a vida no interior voltou a ser atraente. O interesse pela produção estimulou governos a investirem em energia elétrica para todos, especialmente em função dos empreendimentos agrícolas. Estradas passaram a ser abertas ou asfaltadas para escoar a produção. Escolas começaram a ser construídas para atender a demanda de mão de obra qualificada para suprir demandas empresariais do agro-negócio e seus derivados.

Se é verdade que os moradores também ganharam com isso, verdade também é que, em algumas regiões, enquanto uns acumulavam propriedades imensas,
muitos ficaram sem terra, sem teto, sem ter, sequer, de onde tirar o pão de cada dia. A gula de alguns fez (e ainda faz em algumas regiões do país) com que invadissem terras públicas, desmatassem sem qualquer critério e passassem a oprimir quem vivia da agricultura de subsistência, explorando-os ou expulsando-os da terra onde nasceram.

O conflito no campo, portanto, não começou porque organizações tidas como de esquerda surgiram e passaram a mobilizar pessoas, mas porque as políticas adotadas sempre foram em benefício de poucos, em detrimento da maioria. Essa maioria somente era olhada se isso resultasse em benefícios para a minoria. As organizações sociais apenas deram visibilidade a problemas que "passavam despercebidos", porque alguém ganhava com a situação.

E as igrejas com isso?

As igrejas podem contribuir com a paz no campo, levando um evangelho domesticador; que ensina a troca de infernos presentes por um céu escatológico; que propõe paz ao coração fechando os olhos às injustiças sociais; alienando o indivíduo da presente vida

ou

podem levar o evangelho integral que não nega dimensões futuras, nem presentes da vida; que não nega a verticalidade nem a horizontalidade da fé; que não nega a espiritualidade, nem a materialidade da vida; que reconhece todos os seres humanos como criados a imagem e semelhança de Deus  e que, portanto, todos têm direito à vida digna, construída sob valores do reino, tais quais o amor, solidariedade, justiça, cooperação, etc..

A contribuição das igrejas, portanto, para a paz no campo, depende dos valores que abraçam e se eles são pautados na vida de Jesus ou na construção doutrinária ideologizada, como parcela significativa delas sempre fez, beneficiando politicamente alguns com seu discurso,
em troca das migalhas que caem de suas mesas, em detrimento da imensa maioria .

Oremos pela paz no campo, mas não nos esqueçamos de que ela deriva da justiça social, utopia que não deve ser abandonada, pelo contrário, deve servir de norte, de horizonte para nossa caminhada nesta vida.


Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Juventude Brasileira - Temos Timóteos, Faltam Paulos como o Apóstolo Paulo - 13.06.12 - 52/100 dias de oração pelo Brasil

Se quisermos entender a cabeça da juventude, prestemos atenção às músicas que ela  canta, populares ou evangélicas. No caso das evangélicas, percebemos, por exemplo, que na década de 60 eram bastante cristocêntricas; na de 70, bibliocêntricas;  no final da de 90, começam a ser mais antropocêntricas e hoje emite alguns sinais de estarem se tornando excêntricas. Genericamente falando, claro!

Observe dois exemplos de letras cantadas na década de 60.
I
“Combate”

Moços, declarai guerra contra o mal,
Exaltai a cruz do Salvador!
Firmes empunhai armas não carnais,
Sempre confiai em seu amor!

Todos juntos ao redor da cruz,
Prontos, firmes estejamos nós!
Sim, avante, alegres, corajosos,
Sempre ouvindo de Jesus a voz.

Mocos, avançai! Fortes vos tornais,
Se o valor da Causa conheceis.
Tremulante em luz, erguei o pendão,
Garantia de que vencereis!

Nosso Deus e Pai, ouve com favor!
Vem nos ajudar a combater!
E vencida, enfim, a luta final,
A coroa vem nos conceder.

 II
“Um Novo Mundo”

Jovens fortes chama-nos Jesus,
Para um mundo novo construir.
Trevas, que hoje tentam destruir,
Hão de ser clara luz,
Alvo resplendor!

Levantemos sobre a terra
Nossos braços libertados,
Ao serviço convocados
Por Jesus;
Pelos que são oprimidos,
Pelos que são perseguidos!
Eia! Que nós venceremos
No poder da cruz!

Ao combate, enquanto não soou
O momento em que há de raiar
Novo mundo, com Jesus, Senhor,
Onde a paz e o amor
Sempre hão de reinar.


Há uma variação na ideologia, mas o conteúdo geral, além de cristocêntrico, era mais combativo.

Se no passado houve quem lutasse contra o comunismo, o militarismo, o capitalismo, contra guerras, quantos, mais recentemente, se uniram pra lutar contra o neo-liberalismo (cujos danos vimos nos Estados Unidos e, como num efeito dominó, estamos vendo na Europa, sem falar dos danos que não ganharam espaço na mídia por serem desfavoráveis aos interesses dos grande conglomerados econômicos) ou contra o empobrecimento ou a corrupção, por exemplo. Em alguns segmentos evangélicos da juventude, se fala na luta contra o pecado (termo abrangente em seu sentido ético, de interpretação múltipla em termos morais, que acaba significando uma luta quase sem foco, de tão espiritualizada).

Houve um ensaio de uma luta organizada em favor do sexo somente após o casamento, inspirado numa iniciativa de batistas norte-americanos (nossa inspiração e regra de fé e prática (?) ), mas pouco ou nada se tem falado sobre o assunto, desde que as primeiras pesquisas sobre a eficácia do movimento começaram a ser publicadas nos Estados Unidos.

O combate ao uso de drogas, à exploração e abuso sexual  da criança ou ao mal trato ao meio ambiente ganharam espaço em alguns meios evangélicos, mas não sei se já podemos dizer que ganhou ou ganhará uma dimensão de causa coletiva objetiva.


Perdendo o sentido de luta por causas mais objetivas, a grande motivação parece ser cada um por si. Os ajuntamentos (pelo ajuntamento) de jovens, parecem pouco enfatizar a luta coletiva em favor de alguma manifestação objetiva do pecado na vida humana como violência, preconceito, discriminação, exclusão social, enfraquecimento dos relacionamentos, competição sem ética, etc.

Lutamos pela causa de Jesus, dizem alguns, como se ele nos inspirasse a somente uma causa ou como se houvesse só um tipo de Jesus em nossa cultura. Às vezes nem nos damos conta de que parecemos estar simplesmente lutando por um discurso religioso, um produto de mercado, cujo símbolo/marca é Jesus.

Percebo mais a luta pra se conseguir um bom emprego, um bom salário, um minuto de fama ... e ter. E muitos que conseguem isso em algum momento têm uma recaída a la Raul Seixas: "Eu que lutei tanto pra conseguir, agora me pergunto: e daí?"

Ao orar pela juventude, peçamos a Deus que nos ajude a ajudá-la a desejar conhecer mais a fundo a pessoa de Jesus não somente como o Salvador de suas almas do inferno escatológico, mas como inspiração, motivo maior, sentido do existir, razão de ser do nosso amor a Deus, ao semelhante, à vida. E que esse amor nos inspire a pensar, refletir, agir pelas causas divinas que produzem vida em abundância, razão da vinda de Jesus (Jo. 10.10).

Abraços do seu pastor,

terça-feira, 12 de junho de 2012

Comunidades Carentes - 12.06.12 - 51/100 dias de oração pelo Brasil


Todos nós somos carentes, todos necessitamos de algo. Necessitamos de afeto, cuidado, atenção, vestuário, paz, alimento, habitação, graça divina e humana, enfim. Antes, então, de orar por comunidades carentes, precisamos definir: "carentes de que"? Dependendo da resposta, a composição da comunidade pela qual estamos orando hoje, pode mudar.


Sugiro que pare por um instante e responda pra si mesmo: qual é a minha maior carência? Respondeu? Responda também: essa minha carência representa um caso isolado, específico, ou constitui-se, digamos, uma questão "social"? Você conhece algum movimento, por menor que seja, do qual essa carência seja o centro? Se não sabe, arrisque procurar em redes sociais. A probabilidade de encontrar é grande!


Aproveite, então, este momento de oração, para fazer um levantamento das possíveis causas de sua carência e, depois, dos caminhos possíveis para superá-las!


No imaginário de grande parte da população, falar em comunidades carentes é falar a respeito de pessoas empobrecidas pelos sistemas, sem acesso à educação, a trabalho, a saneamento básico, à alimentação adequada, à segurança, à saúde ou  a transporte, por exemplo. Isso porque, tais comunidades tornaram-se comuns, especialmente nas grandes cidades. Tão comuns que muita gente nem se sente mais incomodada. Ver tais comunidades tornou-se rotina e convivemos com isso como se a situação fosse fruto de determinação divina ou simplesmente, de indisposição
para o trabalho dos que delas participam.


Na verdade, sabemos que não é bem assim.


Se partíssemos da estaca zero em direção à plena qualidade de vida, colocando diante de todos as mesmas condições e oportunidades, claro que ainda assim haveria pessoas com diferentes padrões de vida, por uma série de variáveis. Porém, nossa luta não é para que todos tenham o mesmo, mas para que todos tenham as mesmas oportunidades e condições de escolher o que lhes é necessário para viver de maneira digna.


Como não estamos partindo da estaca zero, devemos nos lembrar de que, no decorrer da história, todos os sistemas de vida - religioso, político, econômico, educacional, enfim - são resultado do predomìnio, muita vez abusivo, de alguém sobre alguém. Nessa disputa para fazer prevalecer determinada vontade, meios nem sempre éticos foram usados. Daí que os sistemas sempre beneficiam e beneficiarão mais uns do que outros.


Quem nasce em famílias "desfavorecidas" pelos sistemas,  acaba pagando caro,
por sequer ter idéia clara do que seja vida digna. Enquanto uns falam em milhões com muita naturalidade, a imensa maioria fala em centavos com muita ansiedade. O problema é que, "como nenhum homem é uma ilha", os que conseguem se beneficiar dos sistemas também vão sendo encurralados e suas vidas passam a se desenvolver dentro de uma gaiola de ouro. De ouro, mas gaiola.


A razão espiritual - não mística ou religiosa - é a base de tudo. A atenção a ela não deve ser somente de instituições religiosas. Na verdade, instituições religiosas muita vez corroboram, confirmam, abonam a degradação da espiritualidade.  Porém, como ela - a razão espiritual - afeta não só os individuos, mas também as estruturas por eles construídas através da luta pelo poder e dinheiro, o trabalho pela restauração do espíritual no indivíduo é essencial, mas, desprezar processo semelhante nas estruturas que cooperam para o agravamento das carências humanas, é um equívoco.

E mais: esta luta não tem fim. Cada geração deve estar atenta e lutar para que princípios como amor, justiça, solidariedade, honestidade, transparência, por exemplo, prevaleçam.

Orar por comunidades carentes deve ser, então, uma oportunidade para pensarmos não somente em como ajudá-as no atendimento de suas necessidades visíveis, mas também para pensar no que podemos fazer para modificar as causas invisíveis (pra imensa maioria). Isso envolve predisposição ético-espiritual, vontade política e uma boa dose de competência técnica.


Quem se dispõe?
 
Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Transcopa - 07.06.12 - 46/100 dias de oração pelo Brasil

Uma das atividades ministeriais que têm nos trazido muita alegria nas últimas semanas é o início do funcionamento da Escolinha Esportiva do Centro Comunitário Batista Clériston Andrade - CECOM - da Igreja Batista da Graça. São 40 crianças que, sob a liderança de Celson Amorim da Encarnação e Oltânio Santana de Oliveira (vice-presidente do CECOM), estão desenvolvendo atividades esportivas, semanalmente, em nossa Quadra. Se o fato em si é importante, ele ganha ainda mais significado quando relembramos a história.

Quando pastor da Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, sonhei com uma quadra no estacionamento da Igreja, mas não tive oportunidade de usufruir pessoalmente ou concretizar um ministério nela. Sempre que pensava na possibilidade de tê-la, a comunhão da igreja e o desenvolvimento de atividades voltadas para crianças empobrecidas da periferia de Boa Viagem, eram os motivos principais. Porém, assim que o piso foi concluído, deixei o Recife e passei dois anos fora do Brasil. Ao chegar ao Salvador, visualizei o mesmo para o estacionamento da IBG/CECOM.


O mais interessante, porém, estava por vir.


Ainda estávamos na fase de trocar idéias com membros sobre o assunto, sem qualquer projeto arquitetônico ou das atividades a serem desenvolvidas, quando, após ter sido preletor do acampamento de jovens da IBG, no carnaval de 2009, o preletor, Pr. Jonson Tadeu, da I.B. do Trapiche, em Maceió, voltou à IBG. Na ocasião, falou-nos mais detalhadamente do projeto esportivo que desenvolvia em sua igreja e do trabalho na Coalisão Brasileira de Ministérios Esportivos ; deu-nos sugestões de como aproveitar melhor o espaço para a quadra no estacionamento e falou-nos, também, do projeto da CBE, já em fase de preparação, para atuar nas cidades sedes da Copa de 2014.


A partir daí, sob a liderança do Pr. Nilton Marcelino (empossado pastor de jovens em agosto de 2009), passamos a planejar a hospedagem da Conferência Internacional de Ministérios Esportivos, que ocorreria em nossa igreja, em janeiro de 2010. 


Curiosamente, nesse mesmo período, Celson Amorim (hoje coordenador do ministério de esportes da Igreja e voluntário do CECOM), capitão da Marinha e já envolvido com o CEFLAL 
(Centro de Formação de Líderes Para América Latina), estava se transferindo para Salvador e visitando a IBG.

Esses dois fatos - a vinda do Pr. Jonson e a chegada de Celson - passaram a ser vistos não como coincidência, mas como evidência de que Deus tinha muito mais a ver com isso do que pensávamos.


Visualizando a Copa de 2014 e as Olimpídas de 2016 e o que isso significaria em termos de investimentos em esportes e oportunidade de evangelização (no sentido amplo da palavra), passamos a trabalhar mais intensamente em torno da idéia. 


Em outubro de 2010 iniciávamos um projeto de reformas que mexeria profundamente na área externa do CECOM/IBG. A forma generosa como os membros da igreja reagiram com suas ofertas, confirmou ainda mais nossa convicção de que estávamos no caminho certo.

Mesmo em meio a turbulências vividas no final de 2010 e início de 2011, a igreja manteve-se focada no projeto. Hoje a quadra é realidade, crianças já estão sendo abençoadas com a Escolinha Esportiva (além da comunhão de membros, agregados e amigos); parcerias em função da Copa estão sendo analisadas pela presidência do CECOM e estamos atentos à direção dos ventos para aproveitar todas as possibilidades decorrentes dos eventos esportivos mundiais que serão realizados no Brasil nos próximos anos.


Para nós da IBG, a Copa é uma boa motivação e oportunidade de avanços no sentido de impactar a cidade com o evangelho de Jesus, mas nossa maior motivação são as crianças que, antes e depois da Copa, poderão ser abençoadas por um projeto sócio-esportivo-espiritual de manutenção relativamente baixa e impactos espirituais e sociais incalculáveis.


Por isso, ao orarmos hoje pela "Transcopa", agradeçamos pela resposta da IBG ao agir de Deus e, por cada vida que, de maneira direta ou indireta, possibilitou e continua possibilitando a concretização de tão importante momento de nossa história. Mais ainda: oremos pelo agir de Deus através de nós, especialmente em questões relacionadas à Copa do Mundo de Futebol, em 2014, que terá Salvador como uma de suas sedes.


Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Projetos Sociais das Igrejas - 01.06.12 - 40/100 dias de oração pelo Brasil

Meu entendimento e interesse pela atuação social da igreja nasceram com a minha chegada ao STBNB, em 1979.

Das palavras incentivadoras do Pr. Harald Schaly, em sala de aula, mostrando ser absurdo uma igreja investir tanto dinheiro em construção para os prédios serem utilizados uma ou duas vezes por semana, brotaram minhas primeiras idéias e imagens do que poderia ser feito.


Coerente com seus ensinos, em 1973 a Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, havia criado a Creche Raio de Sol e a mantinha em parceira com organização alemã gerenciada no Brasil pela "Amparo ao Menor Carente - AMENCAR", projeto que abrigava 200 crianças, das 7 da manhã às 5 da tarde, com atividades lúdicas e educacionais e alimentação.


Interessar-me pela ação política demorou mais alguns meses. Foi surgindo de conversas sob as mangueiras e da leitura de Jesus Cristo Libertador, de Leonardo Boff, primeiro livro que retirei da biblioteca do STBNB, para entender o assunto. Não tinha idéia de quem seria o autor. Foi uma escolha pelo título.


De lá pra cá, com maior ou menor intensidade, sempre me interessei pelo assunto.


Na Igreja Batista do Pinheiro, Maceió, igreja já em processo avançado de engajamento social, incentivamos a criação do Projeto Oasis que envolvia uma série de atividades na área. Na Igreja Batista Emanuel, em 1987, encontrei a Creche funcionando e assim permaneceu. Deixei a Emanuel para dirigir o Colégio Americano Batista e, ao voltar, 8 anos depois, a igreja, sob a presidência do Pr. Josias Bezerra, havia iniciado uma transição em suas ações sociais, em função de que encerrou a Creche e iniciou outros tipos de serviços. Nesse período incentivamos a criação do "Núcelo de Atuação Social Emanuel - NASCE", para facilitar parcerias com poderes públicos.


Na Flórida, em face do contexto social, esta área foi menos priorizada, mas a decisão de vir para Salvador também sofreu influência do trabalho social desenvolvido pela Igreja que criou, em 1974, sob a presidência do Pr. Djalma Torres, o "Centro Comunitário Batista da Graça - CECOM", hoje C.C. B. Clériston Andrade.


Na Convenção Batista Brasileira, fiz parte do Comitê de Ação Social (órgão que, até então, ainda engatinhava no cumprimento de suas atribuições regimentais, como todos os demais)


Hoje, 33 anos depois, tenho consolidado em mim, tanto os pressupostos bíblico-teológicos para o envolvimento da igreja nesta área, quanto uma boa experiência em organizações e palestras sobre o assunto que me deixam muto à vontade para lidar com ele.


Trago uma firme convicção, inclusive bíblico-teológica, de que Deus não criou o mundo visando interessar-se apenas em tirar a "alma" de cada indivíduo do inferno e colocá-la no céu, no futuro. Deus achou muito bom tudo que criou, amou sua criação e nos desafia a sermos sal e luz deste mundo.


As formas de cada indivíduo ou igreja exercer esse papel podem variar, mas deixar de agir é uma heresia bíblico-teológica. Agir, em termos sociais, não é uma escolha, é um imperativo da vida e ensinos de Jesus. Decidir atuar ou não, como se o social fosse um nicho de mercado no qual se investe ou se deixa de investir em função de tradição ou experiência ou valor que agregaria ao empreendimento religioso, é um tremendo equivo. É uma demonstração de que somos regidos pelas leis do mercado e não pelo evangelho de Jesus.


Em tempos nos quais igrejas se transformaram em empreendimentos regidos pelo quantativismo, pela disputa de mercado, pela conquista de prestígio e poder, tempos nos quais há quem trate o social como uma arapuca para "pegar almas" e, até, para conquistar votos em período de eleições, o grande desafio é espelhar-se em Jesus.


Oremos, então, para que Deus desperte seu povo, a fim de que compreendamos que atuação social não é uma alternativa, é expressão do amor de Deus presente em nós.


Abraços do seu pastor,



Em tempo: em 1980, participei da implantação e trabalhei como tesoureiro do Projeto Social da Igreja Batista Imperial (Eli Fernandes de Oliveira) em parceira com a Visão Mundial

sábado, 26 de maio de 2012

Libertar o Brasil da corrupção e dos negócios ilícitos - 26.05.12 - 34/100 dias de oração pelo Brasil

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom." ( Mateus 6:24)

Não acredito que se possa combater a corrupção, em termos espirituais, sem entendimento e obediência às palavras de Jesus a respeito da nossa relação com o dinheiro. Entendo que a compreensão das palavras de Jesus - "Não podeis servir a Deus e a Mamon" - é a chave que modifica todo o sentido de nossa existência e afeta nossos relacionamentos com as pessoas, as coisas e o meio ambiente.

Qualquer pessoa que aprofunde o entendimento sobre o significado de tais palavras e as leve a sério concordará com Robert Kiyosaki e Sharon Lechter
,  paradoxalmente capitalistas conhecidos pelo livro "Pai Rico, Pai Pobre", pelo menos quando afirmam que devemos controlar o dinheiro e não ser controlados por ele.

Ainda que a ideologia não seja a mesma, as palavras deles clareiam uma idéia essencial das palavras de Jesus: controlará nossa vida quem for reconhecido por nós como nosso Deus.

Corrupto é a pessoa que, na prática, definiu que o dinheiro é o deus de sua vida. Não importa quanto tenha, nem que malefícios isso possa causar à sua vida, à humanidade ou ao meio ambiente. Não importa a ética ou as leis de uma sociedade. O importante é ter, seja qual for o preço a ser pago, pois o dinheiro é o deus de sua vida e sobre ela exerce pleno controle.

Isso, entretanto, não significa que, para resolvermos a questão da corrupção, nada mais precise ser feito senão "evangelizar", visando a conversão de cada indivíduo ao "senhorio de Deus".

Por esse raciocínio, não seria necessário nos ocuparmos com a elaboração, manutenção e aplicação de leis para garantir uma infinidade de direitos humanos. Bastaria um constante e ininterrupto processo de  "evangelização" e tudo se resolveria.

Significa que, em que pese o reconhecimento de que a base espiritual dos nossos problemas seja a ausência de reconhecimento do senhorio, da autoridade de Deus sobre nossas vidas e que a evangelização (não confundir com a  conquista de adeptos religiosos interessados somente em fugir do fogo do inferno para em viver em ruas de ouro e cristal nos céus) seja o caminho para que nossa relação com Deus se modifique, outras ações são necessárias, em termos sociais. Sem tais ações, os efeitos maléficos da insubmissão a Deus destruirão a vida.

Penso que o combate à corrupção deve passar por um permanente processo evangelizador visando levar pessoas a conhecerem, reconhecerem e se comprometerem com os valores espirituais personificados em Jesus, bem como por uma ação política determinada das pessoas que reconhecem o "senhorio de Deus", personificado em Jesus, no sentido de desenvolverem leis, estruturas organizacionais e sistemas de controle que minimizem os efeitos maléficos que o "Senhorio da riqueza", personificado no dinheiro, exerce sobre a vida humana.

Leis como a de responsabilidade fiscal e do acesso à informação, bem como projetos de lei
, em discussão no Congresso Nacional, como o que regulamenta o lobby político (as ações visando influenciar os poderes públicos); que institue o financiamento público de campanha, acabando legalmente com o financiamento privado e o que criminaliza as empresas que participam de atos de corrupção são iniciativas que visam aumentar a transparência e as penalidades, para tornar a vida em sociedade mais saudável, minimizando os efeitos do "senhorio do dinheiro".

Neste dia em que estamos orando para "libertar o Brasil da corrupção e dos negócios ilícitos", não podemos deixar de rever
, diante de Deus, nossa teologia, bem como nossa ética. Isso é essencial na construção de uma vida melhor, de um país melhor.

Abraços do seu pastor,
Edvar