sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mente inquieta

Ao lado da minha cama há uma imensa janela de vidro.
Entre a janela e minha cama, uma imensa cortina feita de faixas retangulares que podem ser mantidas fechadas, abertas ou entreabertas.
Quando me sento na cama com a cortina fechada, minha cabeça se inclina. Olho para dentro de mim e mergulho na escuridão misteriosa da minha mente, buscando respostas para aflições que perturbam minha alma. Mas também agradeço por prazeres que me fazem sorrir.
Com a cortina fechada e sentado ao lado da cama, sonho possibilidades distantes, quase inatingíveis e, por instantes, sinto-me livre de algemas que me prendem e impedem minha alma de voar.
Com a cortina fechada abro livros - especialmente minha velha companheira de décadas, a Bíblia - nos quais procuro caminhos que me ajudem a conviver com a busca da liberdade da alma aprisionada ao corpo, da liberdade do corpo aprisionado à alma ou ainda da harmonia libertadora na desejável unidade intrínseca entre sentimentos da alma e possibilidades de movimento do corpo.
Quando o mergulho, com a cortina fechada, começa a se tornar profundo e a pressão da água parece querer tirar o fôlego, "emirjo" à superfície do colchão, abro os olhos, respiro fundo e entreabro a cortina que está entre a cama e a janela.
Enquanto mantenho a fresta, mesmo que por segundos, enxergo uma multiplicidade tal de realidades que as aflições da alma ou os prazeres dos sonhos se esvaem, como nuvens que se dissipam pela força do vento.
Então, com a cortina quase aberta, vejo cores e movimentos de árvores, pássaros, carros e gente que abafam meu mundo interior. E, sentado em minha cama com a cortina "frinchada", do sétimo andar do prédio onde moro, olho para fora e não para dentro, para baixo e não para cima e, em vez de sentir desejo de ajoelhar-me, sinto-me impulsionado a levantar-me para continuar a vida.
Vida feita de realidades do outro lado das esquadrias que podem ser vistas quando abro a cortina da janela e de realidades de dentro do meu corpo, quando fecho as cortinas da minha face.
Abrindo e fechando cortinas, sentado em minha cama ou me levantando, sinto pulsar meu coração interagindo com realidades, muitas vezes paradoxais, dos dois lados da mesma moeda, do (mesmo) eu, do-eu!
(Dedicado à Pra Zenilda e aos amigos Gláucia, Evie e Nando, Marina e Odílio)

2 comentários:

Roberto 27 de fevereiro de 2009 13:44  

Muito bem meu Pastor. Aguardo o Livro.

Abraços

Roberto

Pra. Zenilda 2 de março de 2009 19:56  

Olá Pr. Edvar
Só hoje li seu artigo. Obrigada pela menção do meu nome.
A vida, que nos impulsiona; a visão de Deus que dá sentido à existência. Que tudo, sempre, de alguma forma, faça sentido em sua vida.
Que Deus continue a abençoá-lo
Abs
Pra. Zenilda