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domingo, 10 de junho de 2012

Deixe um Legado de Bênçãos para seus Filhos - 10.06.12 - 49/100 dias de oração pelo Brasil

Uma das frases bonitas que li nesse sábado foi escrita por um irmão em Cristo, Serafim Ferraz, ex-aluno do STBNB, angolano e residente na Flórida. Depois de explicar uma foto do filho dizendo: "Felipe recebendo 7 premios e certificados da escola no seu último ano da elementary school. Além disso o único aluno a receber a nota maxima, 5 em todas as provas do FCAT", ele conclui: "Very proud of my son" (Muito orgulhoso do meu filho).

Pais que não se alegram com o sucesso dos filhos são excessão, geralmente, fruto de enfermidade. Pais saudáveis desejam que seus filhos sejam bem sucedidos na vida e se alegram, se orgulham, quando vêem evidências disso.

O caso citado é um retrato de um dos desejos mais saudáveis dos pais: deixar um legado educacional. É um grande equivoco pais priorizarem uma herança material. Não que seja errado. Pelo contrário. Pais que conseguem deixar algum patrimônio para seus filhos podem com isso demonstrar  capacidade de planejar, organizar, ser disciplinado e trabalhador, ter visão de futuro, porém, se não incluirem a educação como principal legado, estão cometendo um grande equívoco, pois a educação proporciona aos filhos as ferramentas necessárias para levarem adiante suas próprias vidas, de maneira autônoma, mesmo em situações de adversidade.

Além disso, geralmente, quando a prioridade 1 é deixar herança financeiro-patrimonial, a educação é incompleta. Não me refiro à educação escolar. Pais com dinheiro podem matricular seus filhos nas melhores escolas e dar a eles as condições materiais para se sairem bem nos estudos. Entretanto, a ausência de investimento na dimensão espiritual da educação, aquela que se vive no lar, fruto de uma relação comprometida com o reino de Deus manifesto em Jesus, pode levar filhos diplomados a viverem um vasio existencial, a não encontrarem um sentido que justifique suas escolhas e lutas, quando não, até a usarem o conhecimento escolar em favor de um estilo de vida danoso para si e para os que com eles convivem.

Pais não têm poder para decidir as escolhas que, depois de determinada idade, os filhos fazem, mas é fundamental que tenham consciência de que, na idade em que eles estavam sob seus cuidados, fizeram o melhor para que aprendessem, por exemplo, a não desprezarem a dimensão espiritual de suas vidas. Se isso não ocorreu, o melhor é reconhecerem em que falharam, corrigirem o daqui pra frente e descansarem na graça divina, pois, alimentar sentimento de culpa, além de não alterar o que passou, adoece.

O legado de bênção, portanto, que podemos deixar para nossos filhos
é o de possibilitar uma educação escolar que lhes permita serem autônomos, portanto responsáveis, na maneira de conduzirem suas vidas, mas também, e sobretudo, o de uma educação construída no exemplo que damos de amor a Deus, de respeito ao semelhante e de trabalho honesto.

Quando penso nas condições materiais de meus pais e comparo com a situação de seus 8 filhos hoje (6 mulheres e 2 homens), ratifico que estavam certos quando diziam: "não podemos deixar herança material. Tudo o que podemos lhes dar é a educação". Deram a  educação essencial: exemplo de amor a Deus, ao próximo e de trabalho honesto para se manterem. A acadêmica e profissional, construimos com empenho.


Nas vezes em que comparo o que sei hoje da vida com o que fiz para nossos filhos, quando ainda estavam em casa, geralmente experimento um sentimento de déficit. É a sensação de que podería ter feito diferente, para melhor, em diversas ocasiões e áreas. Porém, ao vê-los tocando suas vidas (a filha está na reta final de jornalismo na Florida Atlantic University, nos Estados Unidos, e o filho acabou de ser aceito pelo Royal Academy of Music, em Aalborg, na Dinamarca), conquistando com empenho próprio seus espaços, agradeço profundamente a Deus. Se não acertamos como gostaríamos, também não erramos tanto que suas vidas fossem prejudicadas.


Neste dia em que nos dedicamos a orar pelo legado que deixamos para nossos filhos, que Deus nos cure naquilo que reconhecemos ter errado e nos ajude a cooperar naquilo que estiver ao nosso alcance, para que suas vidas tenham como base o reconhecimento do amor de Deus e o compromisso de amor ao próximo como a si mesmos.


Abraços do seu pastor,

terça-feira, 29 de maio de 2012

Arrependimento e Conversão no Senhor Jesus Cristo - 29.05.12 -37/100 dias de oração pelo Brasil

A decisão de Judas de devolver aos sacerdotes as 30 moedas de prata que recebeu como pagamento por sua traição é motivo de divergência entre os estudiosos do Novo Testamento. É que, embora a palavra grega que aparece no texto (Mt. 27.3), expressando a reação de Judas diante da condenação de Jesus, seja "metameletheis" e não "metanóias", há divergência nas traduções. Umas a traduzem por "arrependimento", outras por "remorso" e outras, ainda, por "compungiu-se".

É claro que, se um dos princípios de interpretação bíblica mais conhecidos é o que diz que não se pode construir uma doutrina usando somente um versículo, muito menos poderíamos julgar uma vida usando somente uma palavra.

Porém, o que leva grande número de estudiosos a defenderem que, no caso de Judas, não houve arrependimento, mas apenas uma mudança de sentimentos, foi o fato de que, 1) embora Judas tenha percebido a bobagem que fez -
"Quando Judas, que o havia traído, viu que Jesus fora condenado..."   (Mt 27.3) - ; 2) embora,
Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado
Mateus 27:3......"  essa percepção o tenha levado a
 tenha devolvido o dinheiro recebido pela traição - "devolveu aos chefes dos sacerdotes e aos líderes religiosos as trinta moedas de prata..." (Mt 27.3) - ; e, 3) embora, ainda, tenha reconhecido o seu pecado - "E disse: "Pequei, pois traí sangue inocente"."(MT 27.4) - a consequência disso, em vez de produzir nele a decisão de iniciar uma nova vida, levou-o ao suicídio - "Então Judas jogou o dinheiro dentro do templo e, saindo, foi e enforcou-se". (Mt. 27.5).

O peso do erro reconhecido por Judas foi agravado com as palavras dos líderes religiosos: "E eles retrucaram: "Que nos importa? A responsabilidade é sua"." (Mt. 27.4).  Porém, ainda que eles tenham colocado a responsabilidade pela morte de Jesus sobre Judas; ainda que tal responsabilidade também tenha sido colocada sobre o povo israelita (At. 3.15) e sobre os líderes judeus (At. 5.30;), diferentemente disso, a teologia da morte de Jesus, como a vemos no Novo Testamento, em vez de colocar a responsabilidade pela morte de Jesus sobre os ombros de uma pessoa ou de um grupo, a coloca sobre os ombros de todos nós.

Emitir, então, juizo de valor sobre a salvação de Judas é fácil para aqueles que entendem salvação como uma equação matemática, na qual "a soma da palavra bíblica tal + a palavra bíblica qual + a reação da pessoa "Y" é = a...".  Porém, salvação é uma manifestação graciosa de Deus, que conhece as intenções, os motivos, dos corações. Para ele, o que é impossível aos homens torna-se possível (Mt. 19.26). Assim, prefiro  não entrar no julgamento de Judas.

O que posso dizer, à luz das consequências da  "metameletheis" em Judas e das consquências de "metanóia" em "N" casos registrados no Novo Testamento é que "metanóia" produz vida enquanto "metameleteheis" produziu suicídio.

Sim, arrependimento é uma reação que ocorre no interior da vida humana, através da qual tem início um processo de mudança de mentalidade a respeito de nós mesmos e da nossa relação com Deus, com as pessoas e com o mundo que nos cerca. Essa nova mentalidade é geradora de vida, por isso afeta todas as dimensões, levando o arrependido a não conformar-se com condutas, leis, estruturas de pensamento ou de organização social geradoras de morte.

Essa  inconformação movida pela mudança de mentalidade, não nos torna juizes arrogantes, prepotentes, do mundo, nem vendedores de um produto religioso, muito menos profetas do pessimismo, mas cooperadores humildes de Deus no sentido de
"pregar boas novas aos pobres", "proclamar liberdade aos presos", "recuperação da vista aos cegos", "libertar os oprimidos" e de estar sempre atentos, por saber que "aquele que julga-se firme, cuide-se para que não caia" (I cor. 10.12).

Arrependimento, portanto, é uma reação contínua. Sob o domínio da confiança na graça de Deus, cada vez que o arrependido depara-se com situação que pode produzir morte, sua reação o move em sentido contrário, no sentido de caminhar para e com Jesus, pois, como ele mesmo disse, "quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva". (Jo. 7.38).

Ao orar por arrependimento e conversão no senhor Jesus Cristo, comecemos por nossas próprias vidas, verificando se nossas atitudes, palavras e ações são geradoras de vida ou de morte; se nossos posicionamentos diante da realidade são produtores  de vida ou de morte. Feito isso, oremos então para que cada pessoa ao nosso redor seja contagiada por esta nova mentalidade que pode ser alcançada na relação graciosa com Jesus, o Cristo.

Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Em busca do significado essencial do Natal


O Natal não tem significado único e pode até não ter significado algum. Tudo depende do indivíduo, do contexto sócio-cultural no qual construiu seus pensamentos e sentimentos, bem como do tipo de influência e de como reage a ela no tempo e espaço em que está vivendo.

Mesmo tendo se desenvolvido em sociedades cujos padrões culturais foram influenciados por uma cosmovisão cristã de mundo, seja ela via catolicismos, protestantismos ou pentecostalismos, o significado do Natal não é, necessariamente, igual para todos.
O que há em comum, a despeito do uso que cada um possa fazer da ocasião é o fato dele – o Natal - estar relacionado, primordialmente, ao nascimento de uma pessoa, a pessoa de Jesus de Nazaré.

Ainda que seja inevitável associarmos o Natal ao simbolismo do amor universal, oportunidade de confraternização e troca de presentes, estratégia de marketing e aquecimento da economia, ninguém deveria deixar de conhecer em profundidade àquele que é a causa original da comemoração.

As doutrinas cristãs como conhecidas hoje, nas diversas correntes que mantém algum tipo de vínculo com a história de Jesus, é fruto de uma construção teológica paulatina. Nenhuma delas, entretanto, prescindiu dos textos mais antigos e aceitos que falam a respeito do homem de Nazaré, produzidos por quem viveu mais próximo dele ou de pessoas que com ele conviveram.

Mesmo que os significados dados aos livros bíblicos – são ou não, contém ou se tornam “palavra de Deus” - ou as interpretações dadas aos seus textos sejam diferentes - umas mais populares, superficiais, outras mais acadêmicas, aprofundadas - eles são a fonte mais antiga e reconhecida de informação sobre a vida de Jesus.

Daí, qualquer pessoa que se interesse por descobrir o significado mais antigo do Natal, seja por razões espirituais, existenciais, culturais ou religiosas, não pode deixar de ler o que ficou registrado a respeito do menino que nasceu numa cocheira e seus ensinos, seja pela ótica de Mateus, Marcos, Lucas, João, Paulo, Tiago, Pedro ou Judas, no chamado Novo Testamento.

Se quisermos encontrar o sentido mais profundo do Natal - o bíblico-teológico - é essencial que invistamos tempo no conhecimento da pessoa de Jesus que, nos textos de João é a palavra que se tornou humana e habitou entre nós (Jo 1. 14) como manifestação do amor de Deus para salvação de todo aquele que nele – Jesus - crer (Jo. 3.16) e, nas palavras de Paulo, manifestação da graça divina (Tito 2.11) para libertação humana (Gal. 5.1).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nas mãos do piloto


Após algum tempo da decolagem do aeroporto de Brasília, numa viagem que parecia ser apenas mais uma, com voz bastante tranqüila o piloto do vôo 1612 da Gol nos informa que teríamos que retornar à capital federal, pois o computador de bordo estaria apresentando problemas e, seguir viagem até Salvador, significaria colocar a vida de todos os viajantes em risco.

No mesmo tom, informou-nos que a aterrizagem se daria 30 minutos depois, a fim de que o combustível pudesse ser queimado, reduzindo assim o risco de eventuais problemas.

Na seqüência do aviso, o toque de chamada à aeromoça foi o som mais ouvido na cabine. Cada um a seu modo, parecia preferir olhar bem nos olhos de alguém do comando e ouvir, “ao vivo”, o que de fato estaria acontecendo, quais seriam os riscos, enfim.

As aeromoças passaram muita tranqüilidade e como nada de extraordinário estava sendo percebido e ninguém tinha noção da gravidade do problema, não houve manifestações de pânico. Todos seguiram as recomendações do piloto – até porque não havia nenhuma outra alternativa - e a aterrizagem se deu de maneira satisfatória.

Procurei continuar a leitura que vinha fazendo, mas a mente, como que automaticamente, me conduzia a refletir sobre confiança. Não só a confiança em Deus que faz com que a paz predomine nas adversidades, mas também a confiança na competência técnica e estabilidade emocional do piloto.

Estávamos a alguns quilômetros do chão, dentro de uma cabine de algumas toneladas, dependendo totalmente do bom funcionamento de uma máquina e daqueles que a pilotavam.

Poucas vezes pensamos que, com os pés no chão, estamos viajando num planeta que gira “solto” em torno do Sol. A diferença de tamanho entre nós e o globo terrestre é tão grande que a lei da gravidade nos faz sentir confortáveis. Nascemos nessa condição.

Tragédias como a da região serrana do Rio de Janeiro, tsunamis como os que têm assolado regiões da Ásia, terremotos como o que destruiu o Haiti ou furacões como os que têm destruído partes de países das américas central e do norte, servem para nos lembrar o quanto somos frágeis e nossa “viagem” neste planeta é incerta.

Alguns, por se acharem “duros na queda”, só se dão conta da importância da mútua dependência e da confiança naquele que convencionamos chamar de “Deus”, quando a força da natureza se impõe de maneira dramática sobre nossas forças, quando obstáculos aparentemente invencíveis se apresentam em nossa caminhada.

Nessas horas nos lembramos do quanto é importante não somente a confiança no “piloto”, mas também o quanto é importante conhecermos e seguirmos suas orientações de vida para chegarmos ao destino almejado.

A vida é uma viagem cujo controle está apenas parcialmente em nossas mãos. Façamos, pois, nossa parte da melhor maneira possível, reconhecendo com humildade que vivemos pela graça divina e, com confiança, deixemos que o supremo piloto da existência nos conduza pelos caminhos da vida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O amanhã

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mt. 6.34)

Nesses dias de adversidade, acentuou-se em meu coração um sentimento profundo: o de que o controle que temos sobre nossa vida é bastante relativo e precário. A esse sentimento juntaram-se o da dependência e da liberdade. O da dependência porque há “n” fatores incontroláveis que influenciam os rumos do nosso amanhã; o da liberdade, porque se, de fato, nos colocamos confiantemente nas mãos de Deus, seu amor lança fora o nosso medo.

É interessante que, quando o assunto é o amanhã, a formação religiosa e a concepção filosófico-teológica podem ser diferentes, mas o sentimento e a linguagem de quem os expressam se aproximam. Veja o caso da poesia de uma música classificada como popular e outra sacra:
“Como será amanhã? Responda quem puder
O que irá me acontecer?
O meu destino será como Deus quiser”
(João Sérgio)

“Porque ele vive posso crer no amanhã
Porque ele vive temor não há
Mas eu bem sei, eu sei que a minha vida
Está nas mãos de meu Jesus que vivo está”
(Glória e William J. Gaither)

Curioso também é observar que, mesmo na tentativa de fugir da cosmovisão religiosa da vida, quando o assunto é o futuro, o sentimento de dependência de algo se faz presente. É o caso da canção de Sérgio Britto.
“O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído”

O que vemos nos três textos é o reconhecimento de que não temos controle sobre o futuro, portanto, a saída é deixá-lo nas mãos do “acaso” ou de Deus – mesmo percebido de forma diferente –.

Quando o sentimento de dependência do eterno se acentua em nossa caminhada de vida, os fatos deixam de ser relevantes pelos possíveis resultados bons ou ruins do curto prazo. O importante passa a ser a confiança que se tem de lidar com eles em seu tempo e assim construir a caminhada.

A consciência de que a vida se constrói no passo a passo de cada dia não significa desleixo quanto ao estabelecimento de metas e projetos, muito menos passividade irresponsável, mas reconhecimento da possibilidade de surgimento de fatores alheios ao nosso controle que devem ser encarados não com ansiedade neurótica ou desespero destrutivo, mas com a maior confiança e serenidade possíveis.

Podemos e devemos nos preparar o melhor possível – em todas as dimensões da vida - para enfrentar o amanhã, mas não há preparo melhor, capaz de nos ajudar a enfrentá-lo, do que um coração cheio de confiança no amor, na generosidade, nas misericórdias - renováveis a cada manhã - do doador da vida.

Coração confiante é coração cheio de dependência e, paradoxalmente, de liberdade para enfrentar o amanhã da maneira como se apresentar, seja repleto de facilidades ou dificuldades.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Lidando com a aflição


“Pois tenho pra mim que as aflições deste presente tempo não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rom.8.18)
Todo ser humano já experimentou aflição. É como se o coração não coubesse no peito e, por isso, palpita agitado batendo contra os ossos querendo explodir. É como se algo crescesse dentro de nós exigindo uma resposta que não está disponível. É como se o sangue necessitasse sair pelos poros em busca de alívio, trazendo para fora uma dor que não é sentida na pele, mas é profundamente real.
Uma idéia fixa domina o pensamento sugando as energias. Ela é ingerida na hora das refeições, mas não é digerida pelo estômago. É levada à cama na hora do descanso, mas o travesseiro parece agitado. E testada em caminhadas que visam cansá-la, mas a cada passo dado se revigora dominando o corpo. Ela se torna o centro da existência, deixando-nos sem saber se somos mortos-vivos ou vivos-mortos.
Desiludido, o portador da aflição insiste em encontrar uma saída, uma válvula de escape, mas, tudo que vê diante de si é um beco sem saída. Seus sentimentos, de tão machucados, transformam até mesmo uma possível luz do fim do túnel numa locomotiva em sentido contrário.
"A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo. Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres". (Jesus, em Mt. 26.38)
O estado da alma é de vigília. A tristeza predomina. A solidão nos atormenta, mas nos afastamos da presença alheia. A cabeça se inclina. O chão nos atrai, mesmo sem ser o destino preferido. A vontade própria desaparece.
“Depois, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo”. (Mt. 26.40)
Quando nem mesmo os amigos são capazes de manter a solidariedade por não sentirem a dor que sentimos, nem entenderem a causa do nosso tormento, resta-nos o criador, o doador da vida, esperança de solução.
“O Senhor é refúgio para os oprimidos, uma torre segura na hora da adversidade. É o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade.” (Salmos 9.9; 46.1)
Na aflição colocamos o rosto em terra, mas os pensamentos são dirigidos ao altíssimo. Em oração, a força de vontade se desfalece, mas não desaparece, apenas é transferida àquele que é soberano.
“Faça-se a tua vontade” (Mt. 26.39)
Colocando a angústia diante do Senhor, recuperamos a esperança, a confiança e as energias, essenciais para enxergarmos saídas que nos libertem do sentimento de opressão que domina nosso ser.
“Na oração encontro calma, na oração encontro paz.
Orar a Deus faz bem à alma, falar com Deus me satisfaz.
Falar com Deus que privilégio, abrir a alma ao Criador.
Sentir que os céus estão abertos e ouvir a voz do Salvador.
Falar com Deus é o que preciso, pois Ele é fonte de poder.
Só nEle a vida faz sentido, pois me dá forças pra viver.
Grande é o nosso Deus e as obras que Ele faz.
“O seu amor não tem limites, em seu perdão encontro paz.”
(Lineu Soares e Valdecir Lima)

"Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo". (Jesus, em João 16.33)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Meu coração missionário


Tenho um coração missionário. Suas características são bem próprias, não por não guardarem semelhanças com outros corações, mas pelo processo prolongado de exposição à reflexão e confronto com diversas possibilidades teóricas e práticas de compreender e fazer missões.



Meu coração missionário preserva traços de referenciais que marcaram minha história. O primeiro é o próprio Deus. Criado numa tradição cultural religiosa judaico-cristã, aprendi que o envio de Jesus foi a maior manifestação missionária do amor divino.



Ao longo da vida, procurei entender o significado do evento histórico denominado JESUS CRISTO, especialmente em termos de revelação do amor divino pela humanidade. A despeito da diversidade de correntes teológicas e de estruturas religiosas que giram em torno e fora desse nome, minha relação com Jesus permaneceu, pois o sentido que nele encontrei satisfazem meus anseios. 



Independente, portanto, de qualquer comparação que possa haver entre Jesus e alternativas outras e em que pese o respeito que nutro pelas diversas tradições religiosas, estou convencido de que, espelhados na vida e ensinos de Jesus, a imagem e semelhança de Deus é restaurada e dignificada na vida humana.



O segundo traço histórico do meu coração missionário é a tradição batista. Neto de católicos, com o pai convertido no presbiterianismo e a mãe no batistismo e batizado por um missionário norte-americano, o Pr. Paul Stouffer, mesmo que desejasse, não conseguiria expurgar dos meus pensamentos e sentimentos e, muito menos, da minha história, o forte ardor missionário.



Nem mesmo o conhecimento que tenho hoje das estruturas empresariais que sustentam o avanço missionário; das diversas ideologias que motivam nossas ações no mundo e das políticas que tencionam o fazer missões (desde as tensões presentes nas igrejas cristãs primitivas, conforme registros bíblicos, entre partidários e abolicionistas da circuncisão, entre judeus exclusivistas e universalistas ou entre Paulo e Barnabé, até as tensões presentes nas entranhas do sistema batista dominante, do qual faço parte e pelo qual sou responsável por uma fração próxima de zero em termos de influência e importância), nem mesmo isso foi capaz de arrefecer meu compromisso missionário.




Meu coração não é missionário por causa do imperativo de Jesus. O IDE de Jesus não é minha motivação. Não faço missões por obediência a uma ordem. Em que pese meu reconhecimento da autoridade de Jesus e seu poder para nos enviar ao mundo como missionários, confesso que faço missões por uma experiência de fé, por um sentimento de amor e por uma convicção arraigada de que a relação com Jesus tem o poder de dar salvação, isto é, de mudar estruturas de relacionamentos de vida doentios em saudáveis. Mesmo que não existisse um IDE nas palavras de Jesus, acredito que não poderia conter o desejo de compartilhar o amor de Deus que muda o sentido da existência.


Meu coração missionário não se move em função de discursos elaborados em torno de mesas de marketing de empresas missionárias. Sem desmerecer o trabalho honesto daqueles que colocam seus conhecimentos técnicos a serviço da divulgação da pessoa e mensagem de Jesus, meu coração se move em torno dos dons disponibilizado pelo criador, visando dar sustentação à vida.


Não creio em missões, se isso significar o reconhecimento de um único dom, o de proclamar, visando somente produzir efeitos escatológicos. A supervalorização desse único dom na obra missionária equipara o ministério, na prática, a empreendimentos empresariais que visam tão somente ampliar a fatia de mercado. Creio em missões se isso significar o reconhecimento e valorização igual da diversidade de dons e seu exercício a serviço da vida em todas as dimensões.



Meu coração missionário não se move, portanto, em função da vida futura. Ele pulsa em favor da vida, porque minha vida teve o significado recuperado a partir da relação com Jesus e da compreensão de sua missão e efeitos no tempo e espaço. Por isso, coloco-me diariamente a serviço de Deus, usando dons que me foram dados, conhecimentos que pude construir e recursos financeiros disponíveis, em projetos que restaurem, através da fé em Jesus, a imagem de Deus em cada ser humano e sua glória em todas as estruturas que compõem a existência.

sábado, 26 de junho de 2010

Fé e política - Miriam Leitão e a entrevista com Marina Silva

por Miriam Leitão

Na entrevista que fiz esta semana com Marina Silva não perguntei de religião. Foi proposital. Ao me preparar para a entrevista, me dei conta de que já entrevistei muitos candidatos à Presidência, nas últimas cinco eleições, e nunca perguntei a qualquer dos candidatos se, de alguma forma, suas convicções religiosas seriam parte do programa de governo. E eles tinham religião.

As perguntas sobre a religião evangélica de Marina Silva aparecem de várias formas, são recorrentes, todas revelam o mesmo temor: o de que ela imponha ao país, caso eleita, suas crenças religiosas através do currículo escolar ou padrões de comportamento. Um temor que mais parece preconceito. Primeiro, ela não tem esse perfil autoritário, aliás é uma pessoa pública que marcou sua vida pelo diálogo. Segundo, e mais importante, nós temos uma democracia forte, vibrante, capaz de reagir a quaisquer tentativas de cerceamento da liberdade individual. Veja-se a tentativa do governo Lula de impor o controle da imprensa, em 2003, através de uma agência de audiovisual e de um conselho de jornalistas. Não deu certo. Em outros países latino-americanos, os governantes foram bem mais sucedidos.

Ninguém pergunta a um candidato católico se ele vai proibir a pílula, exigir que os brasileiros não usem métodos contraceptivos, apesar de isso ser uma orientação do Vaticano para as famílias. Não teria cabimento essa pergunta, porque é claro que o candidato, se eleito, nem tentaria uma barbaridade dessas, e se tentasse, as famílias ignorariam. Mas à Marina a pergunta se ela implantaria políticas públicas baseadas na visão da igreja que frequenta aparece insistentemente.

O Brasil é um país laico e assim continuará. Marina está sendo vítima de erros de alguns políticos evangélicos que têm tentado transformar púlpito em palanque, o que é detestável da perspectiva religiosa e uma ameaça à qualidade da democracia. Fé e política são questões que devem estar separadas. Apesar disso, os candidatos em campanha sempre vão a eventos religiosos, de diversas confissões, num chamado indireto aos fiéis. Se visitar diversos cultos for uma demonstração de tolerância religiosa, é excelente; se for uma tentativa de manipular a escolha do eleitor religioso, é um retrocesso.

A grande questão é: por que Marina é crivada de perguntas sobre sua fé e não há a mesma ilação sobre o risco de transposição das doutrinas religiosas para as políticas públicas quando o candidato é da religião dominante no país? Aos outros, basta responder afirmativamente à pergunta clássica se acredita em Deus. E nisso aí, há uma hipocrisia: só se aceita como boa a resposta positiva, como se o Brasil não pudesse ser governado por um agnóstico.

A imprensa brasileira lida de forma mais civilizada com questões da vida pessoal do que a imprensa de outros países. Há na americana uma obsessão puritana por saber quem tem ou teve amante; quem traiu ou não o cônjuge. Isso é tão definitivo que uma infidelidade conjugal pode acabar com a candidatura.

A imprensa brasileira só dá atenção a casos pessoais quando eles envolvem questões públicas. Um exemplo, o caso do senador Renan Calheiros. A pauta não era se o então presidente do Senado tinha uma filha fora do casamento, mas o fato de que as contas da mãe da filha eram pagas no escritório de uma empreiteira.

Temos sabido distinguir entre fatos da vida pessoal que pertencem à privacidade do candidato, daqueles fatos que se transformam em questões públicas. Já a imprensa americana tem compulsão por investigar a vida dos candidatos atrás de amantes pretéritas e presentes. Mas não temos passado bem no teste da escolha religiosa, se ela for qualquer uma que não a católica. O que é preciso, de novo, é fazer a distinção entre o que é assunto público do que pertence especificamente à pessoa do candidato.

A questão do ensino do criacionismo apareceu como um assunto público. A “Veja” perguntou a ela, em setembro do ano passado, se o criacionismo deveria ser ensinado nas escolas. Ela garantiu que jamais defendeu a ideia de criacionismo como matéria obrigatória. Explicou que a confusão surgiu porque, numa palestra num colégio adventista, diante de uma pergunta se o criacionismo poderia ser ensinado na escola, ela respondeu “desde que ensinem também o evolucionismo.”

A pergunta continuou sendo feita em cada entrevista. Eu particularmente acho que as religiões têm o direito de ensinar, em seus recintos, as suas crenças sobre a origem da vida e do aparecimento do ser humano no Planeta. Mas isso deve ficar restrito ao ambiente religioso. Nas escolas, o que se ensina é ciência. As bíblias católica e protestante, a Torá, o Corão, e outros textos religiosos têm a mesma explicação de um força superior criadora da vida. Se é assim geral, por que só à Marina essa pergunta é feita?
Me perguntei tudo isso ao me preparar para entrevistar Marina Silva e decidi que esse tema não estaria entre os que abordaria. Senti que só poderia fazer para ela perguntas sobre o risco de políticas públicas inspiradas em sua fé se tivesse feito as mesmas perguntas aos outros candidatos, de outras denominações religiosas, que tenho entrevistado em todas as eleições. Não tendo feito a eles, não fiz a ela.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Copa do Mundo, Futebol e Álcool

Salvador é a capital brasileira que mais ingere álcool em excesso no Brasil.

Uso excessivo de álcool é a principal causa de acidentes com morte no trânsito brasileiro e de brigas com morte em bares nos finais de semana.

O uso de alcool em excesso entre adultos teve aumento aproximado de 15% nesses meses no país.

A propaganda rola solta em qualquer horário e nossos heróis esportivos ganham milhões em propaganda.

Então aparece Juca Kfouri e critica atletas cristãos que divulgam a fé em Deus e em Jesus Cristo, fazendo coro com a Fifa que proibiu manifestações religiosas pelos atletas.

Há algo errado nisso?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O terremoto no Haiti e a fala do seu consul no Brasil

Estava curtindo uma notícia feliz – minha filha acabava de informar por e-mail que sua transferência fora aceita pela Florida Atlantic University – quando o noticiário da televisão passa a mostrar imagens da tragédia ocorrida no Haiti. A vida é assim: enquanto uns riem, outros choram; enquanto uns corpos se abraçam pelo prazer, outros fazem o mesmo pela dor; a tecnologia que traz boas notícias é a mesma que nos mostra cenas de pavor.



É doloroso colocar-se emocionalmente no lugar das pessoas que estão vivas sob escombros enquanto não chega o socorro; no lugar do homem que chora a perda da esposa amada enquanto descansava; da mãe desesperada pela notícia do desaparecimento do filho; da filha brasileira, cuja comunicação com o pai militar, pela internet, cessou abruptamente e só depois tomou consciência de que a interrupção não era apenas o fim de um diálogo, mas o início de uma separação irreversível.


Nada, porém, suscitou sentimento mais desagradável do que ouvir o comentário feito pelo cônsul haitiano no Brasil. Primeiro, pela falta de sensibilidade; depois, pelo preconceito de raça e religião.




Enquanto seu povo chora a dor da destruição e morte, ele enxerga uma oportunidade de tornar-se mais conhecido. Claro, sabemos todos que na vida nada é absolutamente mal, nem absolutamente bom; que toda experiência humana traz consigo efeitos colaterais benéficos ou maléficos. O que doe é a aparente falta de sensibilidade frente à dor alheia – no caso, seu próprio povo – e, pior, o inoportuno senso de oportunismo.


Se não bastasse isso, sua fala revela algo que ceifa, silenciosamente, milhões de vidas: o preconceito. Primeiro, o preconceito de raça contra o já sofrido povo africano. Sua fala traz à baila o antigo discurso teológico do fundamentalista branco referente ao pecado de Caim. Por esta hermenêutica racista, ser negro seria o sinal de Caim descrito no livro de Gênesis (4.15), símbolo de desobediência e maldição.


Depois, revela o preconceito religioso. Para ele, a macumba – forma pejorativa de referir-se às religiões de matriz africana – seria causa da desgraça experimentada. Ao ouvir isso, lembrei-me de um missionário norte-americano, doutor e professor de exegese do Antigo Testamento com quem travei um debate caloroso em sala de aula, que tentava convencer-nos, baseando-se em determinado texto bíblico, de que a causa da pobreza e da seca do nordeste brasileiro seria a idolatria do povo.


Não suporto mais o (ab)uso do sofrimento alheio, a transformação da dor humana em meio de estimulo à "evangelização", em propaganda para levantamento de recursos financeiros para agências sociais e missionárias. Ainda assim, mesmo sendo terrível, é compreensível ouvir isso de empresários sem escrúpulo de “ONGs” ou religiões, afinal, para alguns marqueteiro os fins justificam os meios e tudo é válido desde que aumente a arrecadação financeira. Fere, entretanto, o âmago da alma, presenciar a fala de um cônsul, a respeito do próprio país, quando sabemos que abalos sísmicos são fenômenos naturais.


O Haiti, até hoje conhecido como o país mais pobre das Américas, envolvido em conflitos internos e muita corrupção, ocupa agora a mídia internacional como vítima de um desastre que ceifou dezenas de milhares de vidas. Mais triste do que isso, só mesmo a confirmação, através da fala do seu cônsul no Brasil, de que a pobreza de um povo não se mede somente pela quantidade de bens e serviços produzidos – o PIB -, mas também e sobretudo pela pobreza cultural, pela falta de sensibilidade emocional, espiritual e de visão de seus dirigentes, como demonstrou o consul em sua fala.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Deus não existe


“É provável que Deus não exista. Então, pare de preocupar-se e curta sua vida”


Sabe aquele seu filhinho, pirralho de 5 anos com quem você adora brincar, que quando você chega ele abre um sorriso imenso e corre te abraçar? Pois é, foi estuprado por um pedófilo, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.


Sabe sua mãezinha adorável, sorridente, cheia de vida? O cara entrou em sua casa, violentou-a brutalmente e deixou-a sofrendo, solitária e toda ensangüentada, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.


Sabe seu avô que sempre te acolheu, te abraçou quando você chorava frustrado, te carregou nos braços fazendo cócegas e te levou pra comer pipoca? Pois é, depois de trabalhar a vida toda pagando a previdência pelo valor máximo, hoje passa o maior sufoco, recebendo menos do que 3 salários mínimos pra viver, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.


Sabe aquele político que te inspirou confiança e você o elegeu, acreditando que ele usaria o poder de governo pra melhorar a vida de todos? Então, ele está embolsando milhões através de propinas enquanto milhões de pessoas estão sem acesso à saúde, educação de qualidade ou saneamento básico e andam inseguras pelas ruas das cidades, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.

Sabe aquele pastor que você admira, destacado líder denominacional, aquele que sempre que te encontra te abençoa com palavras bonitas e te desafia a uma vida melhor? Pois é, ontem, ciente de que não estava sob holofotes e ninguém estava vendo, tratou histericamente aquela ex-missionária que deu metade dos anos de sua vida anunciando o evangelho, tão somente porque ela estava trabalhando numa sala que ele não queria, e, ao determinar que ela se retirasse, ela resistiu querendo saber a razão. Ela saiu aos prantos e ele continua feliz no exercício de sua função, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.


Sabe aquele presidente neurótico que determinou que um país inteiro fosse destruído, matando milhares de pessoas, inclusive crianças, mulheres e idosos indefesos, deixando outras tantas psicologicamente semimortas? Pois bem, ele vive feliz numa mansão cercado de toda mordomia, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.


Sabe aquele senhor brincalhão que vende paçoquinha de amendoim na porta do colégio? Descobriram que também vende drogas pra crianças e adolescentes, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.

Sabe aquele pessoal que faz as leis nas assembléias legislativas, que nos obriga a agir da maneira como quer ou aquele, dos judiciários, que tem poder pra julgar e determinar penas aos que não obedecem tais leis? Está comprometido até o último fio de cabelo com um sistema mafioso de corrupção, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.

Sim, curta sua vida. Não há com que se preocupar. A vida é isto: entre setenta e cem anos sobrevivendo neste planeta giratório e solto no espaço, cada um fazendo o que der na telha ou fazendo o que um grupo mais poderoso determina que se faça, na certeza de que não haverá prestação de contas a ninguém superior.


Portanto, siga seus instintos. O máximo que pode acontecer é você sofrer as conseqüências de leis naturais, existentes por acaso, fruto de casuais conexões construídas em milhares de anos entre seres que surgiram do nada e que, casualmente, se uniram, em torno de ideais nobres absurdos, sem sentido, ideais que brotaram casualmente em seus “cérebros”, cérebros que também são frutos do acaso, do interesse pela sobrevivência em torno de algo maluco.

Sim, de vazão ao seu sentir. Se tiver muito dinheiro, nem as penalidades previstas em lei incomodarão sua trajetória. Além do mais, as leis são resultado puramente de interesses políticos para manter esta espécie de passatempo que chamamos vida e não fruto de um imperativo criado por um ser superior. Portanto, se alguém te forçar a obedecê-las, reaja, enfrente usando força bruta, faça terrorismo, imponha-se, afinal, tudo não passa de um jogo de forças, de interesses. Talvez você se machuque ou machuque alguém, mas fique tranqüilo: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”.

Or exist?

"Disse o louco no seu coração: Não há Deus.
Têm-se corrompido e cometido abominável iniqüidade; não há ninguém que faça o bem."
(Salmos 53.1)

sábado, 19 de dezembro de 2009

A teologia do céu na qual creio



“Depois que Cristo me salvou,
em céu o mundo se tornou;
ate no meio do sofrer
é céu a Cristo conhecer.


Pra mim mui longe estava o céu,
mas, quando Cristo me valeu,
feliz senti meu coração
entrar no céu da retidão.


Bem pouco importa eu ir morar
em alto monte, à beira-mar,
em casa ou gruta, boa ou ruim,
com Cristo aí é céu pra mim”


Oh, aleluia! Sim, é céu
fruir perdão que concedeu!
Em terra ou mar, seja onde for,
é céu andar com o Senhor”


(Hino 490 do Cantor Cristão - Charles J. Butler & James Milton Black)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O que me dirá o Senhor?

“E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt. 25.21)

Chegou o último mês do ano e não posso dizer que fui plenamente fiel nos meus compromissos. Pior do que isso, não posso dizer que abençoei vidas através do sustento da causa que abracei.

Semana após semana, durante todo o ano, minha vida foi abençoada. Fui inspirado, desafiado e consolado nos cultos, nas classes da escola bíblica, nas Igrejas no Lar, em encontros com irmãos e amigos nas diversas atividades desenvolvidas. 

Em cada vinda à sede da igreja, sabia dos custos de manutenção do ambiente, da energia elétrica da iluminação, do ar-condicionado e do som de boa qualidade; da água e material de higiene; das pessoas que dedicam tempo exclusivo aos trabalhos da igreja a fim de que as coisas acontecessem. Infelizmente, porém, não posso me alegrar dizendo pra mim mesmo que colaborei!

Não posso dizer que colaborei com o esforço para pagar o aluguel das congregações ou o terreno e construção do templo em Cel João Sá ou sustentar seus obreiros, nem que ajudei a enviar mais missionários para diversos lugares da Bahia, Brasil e dezenas de países do mundo.

Não posso dizer que colaborei com a manutenção das salas de estudo bíblico do Geração e Família Graça, bem como seus equipamentos e materiais didático-pedagógicos, abençoando todas as faixas etárias da igreja com ensinos da palavra de Deus.

Não posso dizer que colaborei com a manutenção dos projetos sociais desenvolvidos através do CECOM com crianças, adolescentes, idosos ou mesmo na manutenção dos espaços usados para atendimento médico ou do balcão de justiça e cidadania.

Não posso dizer que colaborei com a manutenção de espaços, equipamentos, materiais e pessoas que se prepararam musicalmente, semana após semana, para abrilhantar os cultos, inspirando minha vida através de corais, bandas ou solistas.

Não posso dizer que colaborei com a promoção da comunhão dos membros em ocasiões especiais ou com a integração de novas pessoas à vida da igreja.

Não posso dizer que colaborei com a manutenção de pastores que assistiram pessoas em mementos de adversidade, aconselhando-as, visitando-as, levando-lhes palavras de encorajamento, de exortação e que, a cada encontro coletivo, trouxeram palavras bíblicas que me ajudaram a viver sob o senhorio de Cristo.

Sim, o ano está acabando, muitas vidas foram salvas e edificadas, mas, com tristeza, não posso dizer que colaborei. O que me dirá o Senhor? "Tirai-lhe, pois o talento, e dai-o ao (fiel) que tem os dez talentos?" (Mt. 25.28)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

I Never lost My Praise - Brooklyn Tabernacle Choir



I've lost
Perdi
Some good friends
Alguns bons amigos
Along life's way
Ao longo do caminho da vida.
Some loved ones departed
Alguns partiram
In heaven to stay
Para o céu.
But thank god
Mas agadeço a Deus
I didn't lost everything
Pois não perdi tudo.
I've lost faith in people
Perdi a fé em pessoas
Who said they cared
Que diziam cuidar de mim,
In time of my crisis
mas em meus tempos de crise
They were never there
não estavam lá.
But in my disappointment
Porém, em minhas frustrações,
In my season of pain
Em meus tempos de dor,
One thing never wavered
Numa coisa nunca hesitei
One thing never changed
Numa coisa nunca mudei

Chorus:
I never lost my hope
Nunca perdi a esperança
I never lost my joy
Nunca perdi a alegria
I never lost my faith
Nunca perdi a fé
But most of all
E, acima de tudo,
I never lost my praise
Nunca deixei de louvar

My praise still here
Meu louvor está aqui
My praise still here
Meu louvor está aqui


I've let some blessings
Deixei algumas bênçãos
Slip away
escapar
When i lost my focus
Quando perdi meu foco
And went astray
E me desviei.
But thank god
Mas, graças a Deus
I didn't lost everything
Não perdi tudo.
I lost possessions
Perdi bens
That were so dear
Tão queridos.
I lost some battles
Perdi algumas batalhas
Walking in fear
Caminhando apreensivo.
But in the midst
Mas em meio
Of my struggles
Aos meus conflitos,
In my season of pain
Em meus tempos de dor
One thing never wavered
Numa coisa nunca hesitei
One thing never changed
Numa coisa nunca mudei

(chorus)
Praise, praise, praise
Praise, praise
Most of all
I never lost my praise

My praise still here
My praise still here

sábado, 3 de outubro de 2009

O país que quero deixar para meus filhos

Talvez você me ache um profundo ingênuo
pelo fato de acreditar que um dia possamos
viver num país mais justo e solidário.

Se eu citar sociedades que conseguiram construir
relacionamentos marcados por maior liberdade e segurança
e índices menores de violência e corrupção
você apresentará uma série de argumentos para justificar
o porque delas conseguirem e nós não,
tentando matar a faisca de esperança
que ainda brilha em meu coração.

Insisto, entretanto, com a minha teimosia,
em afirmar que não podemos perder a esperança
e muito menos deixar de lutar.

Provavelmente os que são da minha geração
não tenham o privilégio de ver.

Porém, quem sabe,
se lutarmos com toda a nossa força
com toda a nossa inteligência
 contando com o mais importante
que é a confiança naquele que nos criou
e com a força daquele que nos convence
dos nosso desvios
e nos ajuda a a seguir pelo caminho certo,
pelo menos deixaremos algo melhor para os nossos filhos.

Se cada um tentar fazer algo
usando as ferramentas que tem em mãos
os conhecimentos que construiu
as energias que acumulou
influenciando os que estão em seu raio de ação,
manteremos viva a chama da esperança
que deve nortear nossa caminhada.

Quando ouço canções como a "Lindo País"
não as relaciono a um país futuro, extraterrestre.
Para mim, elas retratam anseios do coração
de pessoas que acreditam que uma vida melhor é possível.

Por favor, não pense que estou aqui discutindo teologia
e desacreditando a esperança cristã numa vida além túmulo.
Não, não estou discutindo isso.
Estou tentando dizer que letras como estas
são anseios de cada coração.

Todos desejamos uma vida melhor.
Todos sonhamos com um mundo de paz, justiça, solidariedade.
Se este país existe em nossos almas
é para que nos inspiremos nele
e trabalhemos no sentido de realizá-lo.

Quero convidar você a ouvir esta canção
pensando no país que você pode ajudar a construir
para nosso filhos, netos, bisnetos.
Outros já conseguiram.
Então, nós também podemos.

Podemos pensar nisso não somente para o Brasil.
Podemos pensar para todos os povos.
Por que não?

Vamos nos unir.
Vamos lutar contra a corrupção
Contra o consumismo insustentável
Contra o materialismo ilusório
Vamos fazer diferente
Vamos fazer diferença
Vamos acreditar e lutar

Comece ouvindo a letra desta música com outros ouvidos.
Tenha coragem de mudar o paradigma que instalaram em nossas mentes.
Pense na letra, repito, como anseios da alma
que podem ser realizados aqui e agora
como em muitos outros lugares já é realidade.

Esperança. sim, não perca a esperança.
Fé, sim, não perca a fé.
Amor, sim, não desista de amar.
Lute, sim, não deixe de lutar.
Não estamos sozinhos.
Deus criou o mundo bonito e assim deseja que ele seja.
Então, não estamos sós.
Temos ao nosso lado o idealizador de tudo isso.
Vamos em frente.
Vamos juntos!