quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nas mãos do piloto


Após algum tempo da decolagem do aeroporto de Brasília, numa viagem que parecia ser apenas mais uma, com voz bastante tranqüila o piloto do vôo 1612 da Gol nos informa que teríamos que retornar à capital federal, pois o computador de bordo estaria apresentando problemas e, seguir viagem até Salvador, significaria colocar a vida de todos os viajantes em risco.

No mesmo tom, informou-nos que a aterrizagem se daria 30 minutos depois, a fim de que o combustível pudesse ser queimado, reduzindo assim o risco de eventuais problemas.

Na seqüência do aviso, o toque de chamada à aeromoça foi o som mais ouvido na cabine. Cada um a seu modo, parecia preferir olhar bem nos olhos de alguém do comando e ouvir, “ao vivo”, o que de fato estaria acontecendo, quais seriam os riscos, enfim.

As aeromoças passaram muita tranqüilidade e como nada de extraordinário estava sendo percebido e ninguém tinha noção da gravidade do problema, não houve manifestações de pânico. Todos seguiram as recomendações do piloto – até porque não havia nenhuma outra alternativa - e a aterrizagem se deu de maneira satisfatória.

Procurei continuar a leitura que vinha fazendo, mas a mente, como que automaticamente, me conduzia a refletir sobre confiança. Não só a confiança em Deus que faz com que a paz predomine nas adversidades, mas também a confiança na competência técnica e estabilidade emocional do piloto.

Estávamos a alguns quilômetros do chão, dentro de uma cabine de algumas toneladas, dependendo totalmente do bom funcionamento de uma máquina e daqueles que a pilotavam.

Poucas vezes pensamos que, com os pés no chão, estamos viajando num planeta que gira “solto” em torno do Sol. A diferença de tamanho entre nós e o globo terrestre é tão grande que a lei da gravidade nos faz sentir confortáveis. Nascemos nessa condição.

Tragédias como a da região serrana do Rio de Janeiro, tsunamis como os que têm assolado regiões da Ásia, terremotos como o que destruiu o Haiti ou furacões como os que têm destruído partes de países das américas central e do norte, servem para nos lembrar o quanto somos frágeis e nossa “viagem” neste planeta é incerta.

Alguns, por se acharem “duros na queda”, só se dão conta da importância da mútua dependência e da confiança naquele que convencionamos chamar de “Deus”, quando a força da natureza se impõe de maneira dramática sobre nossas forças, quando obstáculos aparentemente invencíveis se apresentam em nossa caminhada.

Nessas horas nos lembramos do quanto é importante não somente a confiança no “piloto”, mas também o quanto é importante conhecermos e seguirmos suas orientações de vida para chegarmos ao destino almejado.

A vida é uma viagem cujo controle está apenas parcialmente em nossas mãos. Façamos, pois, nossa parte da melhor maneira possível, reconhecendo com humildade que vivemos pela graça divina e, com confiança, deixemos que o supremo piloto da existência nos conduza pelos caminhos da vida.

1 comentários:

Paulo Nascimento 3 de fevereiro de 2011 09:24  

Apenas isso: GLÓRIA A DEUS !!! (Pelo livramento e pela reflexão). Abraços Pr. Edvar!