quinta-feira, 16 de junho de 2016

Fidelidade aos valores do Reino e ao espírito constitucional



“Aquele que roubava, não roube mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.” (Ef. 4:28).


A chegada desta semana, como a maioria das semanas desses últimos dois anos de Lava Jato, vem acompanhada de decisões ligadas ao altíssimo escalão do estado brasileiro, cujo resultado afetará diretamente nossas vidas. 


Refiro-me à possibilidade do presidente do Senado aceitar ou rejeitar pedido de impeachment contra o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, bem como a do Supremo Tribunal Federal – STF, de rever sua decisão quanto à prisão de criminosos condenados em segunda instância, independente do direito que têm a novos recursos. São duas decisões que fazem parte do pacote anticadeia, defendido pelos acusados de corrupção na Lava Jato.


É sabido por todos, que a corrupção assola nosso país. Do síndico do condomínio à presidência da República, há indícios fortíssimos – em alguns casos provas – de que ela reina soberana.


É sabido por todos nós que este nível de corrupção é frontalmente prejudicial à população não apenas pela soma do valor financeiro que representa, mas também porque financia decisões políticas, econômicas e sociais que, em vez de trazer benefícios à população, ao país, beneficia gangs de colarinho branco instaladas nos altos escalões. 


É crido por muitos que o processo de impeachment da presidenta Dilma Roussef não está sendo levado adiante por consciência moral da maioria dos agentes políticos.  Em que pese os indiscutíveis erros técnicos e éticos cometidos por seu governo, são poucos os que não concordam que a motivação maior, pelo menos de parte importantíssima dos “representantes” políticos, é defender-se, com os próprios braços, da possibilidade de prisão por roubos e outros crimes cometidos.


Nesse contexto estamos assistindo articulações gravadas, de conversas da cúpula do maior partido político – o PMDB –, para derrubar a presidenta, assumir o poder e assim se defender, repito, usando os próprios braços para desestruturar instituições, modificar decisões e leis que podem levar seus integrantes à condenação.


Como a luz da aurora, vai ficando cristalino que o processo para estancar as ações da Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal segue um roteiro: 1) derrubada da presidenta – fato que não significa necessariamente que ela seja vítima -; 2) derrubada do Procurador Geral da República; 3) derrubada da decisão de possibilidade de prisão de ladrões condenados em segunda instância.


A esse roteiro poderia ser acrescida a tentativa de mudança na cúpula da Polícia, a redução de recursos para desqualificar os órgãos de combate à corrupção e tantos outros.


O fato é que estamos diante de uma realidade tenebrosa: ou nos posicionamos contra os corruptos para não perdermos esta batalha ou, pelo pecado da omissão, seremos derrotados para o desespero de toda a população brasileira.


O texto constitucional e os poderes constituídos não foram criados para proteger bandidos, mas para que desfrutássemos de “vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade”. (I Tim 2:2)


A hora, portanto, não permite que esperemos pela ação de quem está ao nosso lado. É hora de cada um chamar pra si a responsabilidade e usar as ferramentas espirituais, políticas, sociais, econômicas, enfim, que dispõe.  A hora exige fidelidade aos princípios da palavra de Deus que norteiam nossas vidas: ”e não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Ef. 5:11); “porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”. (Ef. 5:8).



Que Deus tenha misericórdia de nós.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Uma igreja fiel



Sua igreja escolheu ser fiel? A escolha não poderia ser outra. Seria contrário à sua natureza alicerçada na pessoa de Jesus Cristo. Seria incoerente declarar-se família de Deus, cooperadora de Deus, mensageira da Palavra de Deus e ser infiel, pois Deus afirma-se como sendo fiel. Por isso, sua igreja agiu corretamente ao escolher empenhar-se em cumprir aquilo que promete.

A Igreja contrata pessoas para trabalhar nas áreas em que o trabalho voluntário inviabiliza a realização de seus projetos. Se o trabalho envolve atividades rotineiras, com prazos estabelecidos, cujo descumprimento prejudicaria suas metas e não há pessoas que possam realizá-los como servos-voluntários, ela decide, pelo voto de seus membros em assembléia, contratar pessoas.

As pessoas contratadas geralmente são divididas em dois grupos: um regido pela CLT (porteiros, zeladores, secretários, operadores financeiro-contábeis); outro, autônomos na forma da lei (ministros e pastores). A igreja os contrata e compromete-se a remunerá-los com salário ou prebenda. Esse compromisso é mensal, como predomina em nossa cultura econômica. A igreja sabe que, se não for fiel com essas pessoas, elas não poderão ser fiéis com os compromissos assumidos com terceiros.

A Igreja contrata serviços de água, luz, telefone, internet, manutenções diversas, contabilidade, assessoria jurídica, etc, e compromete-se a pagar por esses contratos, mensalmente. Se ela não for fiel, terá que pagar multas, além de parar suas atividades.

A igreja compromete-se com a manutenção de congregações, seus missionários e despesas; compromete-se a ajudar no sustento de missionários da JME, JMN e JMM; compromete-se a cooperar com o trabalho que os batistas realizam no mundo, enviando 10% de suas receitas oriundas de dízimos; compromete-se a levantar ofertas quadrimestralmente para sustentar milhares de missionários em seu Estado, no Brasil e mundo. Se a igreja não for fiel, isto é, se não cumprir o que promete, terá sérios prejuízos operacionais, de imagem, jurídicos e ainda provocará problemas com aqueles que também assumiram compromissos contando com sua fidelidade.

A igreja compromete-se a desenvolver ministérios visando abençoar pessoas nas áreas de administração, adoração, atuação social , comunhão, ensino, pastoral e proclamação. Há pessoas que se dispuseram a atuar nelas, mas para isso precisam que os espaços estejam limpos, materiais próprios estejam disponíveis e assim elas possam realizar o que se propuseram. A Igreja compromete-se a oferecer as condições necessárias ao desenvolvimento desses ministérios. Se não cumprir, tudo para.

Imagine a decepção das centenas de crianças e suas famílias hoje abençoadas pelo ministério desenvolvido por sua igreja; imagine a decepção daqueles cujas vidas são edificadas, física, mental e espiritualmente. Imagine isso tudo parando se, por infidelidade da Igreja, os compromissos não forem cumpridos.

Nós somos e devemos nos empenhar em ser uma igreja fiel. Mas, se você que é a igreja não for fiel, isto é, não cumprir sua parte, a igreja da qual você é parte não poderá ser fiel. E quando uma igreja deixa de ser fiel, coopera com a destruição de uma das atitudes-pilar de nossa vida e mensagem: a fidelidade.

Seja fiel. Seja uma pessoa que cumpre o que promete. Seja parte de uma igreja fiel. Somos família de um Deus que é fiel e nos espelhamos nele. O mundo precisa de pessoas e instituições fiéis, que cumprem o que prometem.

Igreja Batista da Graça, SSA: uma igreja fiel

A Igreja Batista da Graça escolheu ser fiel. A escolha não poderia ser outra. Seria contrário à sua natureza alicerçada na pessoa de Jesus Cristo. Seria incoerente declarar-se família de Deus, cooperadora de Deus, mensageira da Palavra de Deus e ser infiel, pois Deus afirma-se como sendo fiel. Por isso ela empenha-se para cumprir aquilo que ela promete.

A Igreja contratou pessoas para trabalhar nas áreas em que o trabalho voluntário inviabilizaria a realização de seus projetos. Se o trabalho envolve atividades rotineiras, com prazos estabelecidos, cujo descumprimento prejudicaria suas metas e não há pessoas que possam realizá-los como servos-voluntários, ela decide, por recomendação do Conselho Diretor por ela eleito e através de votação democrática de seus membros em assembléia, contratar pessoas.

As pessoas contratadas são divididas em dois grupos: um regido pela CLT (porteiros, zeladores, secretários, operadores financeiro-contábeis); outro, autônomos na forma da lei (ministros de área e pastores). A igreja os contratou e comprometeu-se a remunerá-los com salário ou prebenda. Esse compromisso é mensal, como predomina em nossa cultura econômica. A igreja sabe que, se não for fiel com essas pessoas, elas não poderão ser fiéis com os compromissos assumidos com terceiros.

A Igreja contratou serviços de água, luz, telefone, internet, manutenções diversas, contabilidade, assessoria jurídica, etc, e comprometeu-se a pagar por esses contratos, mensalmente. Se ela não for fiel, terá que pagar multas, além de parar suas atividades.

A igreja comprometeu-se com a manutenção de 3 congregações, seus missionários e despesas; comprometeu-se a ajudar no sustento de missionários da JME, JMN e JMM; comprometeu-se a cooperar com o trabalho que os batistas realizam no mundo, enviando 10% de suas receitas oriundas de dízimos; comprometeu-se a levantar ofertas quadrimestralmente para sustentar milhares de missionários na Bahia, Brasil e mundo. Se a igreja não for fiel, isto é, se não cumprir o que prometeu, terá sérios prejuízos operacionais, de imagem, jurídicos e ainda provocará problemas com aqueles que também assumiram compromissos contando com nossa fidelidade.

A igreja comprometeu-se a desenvolver ministérios visando abençoar pessoas nas áreas de administração, adoração, atuação social (CECOM), comunhão, ensino, pastoral e proclamação. Há pessoas que se dispuseram a atuar nelas, mas para isso precisam que os espaços estejam limpos, materiais próprios estejam disponíveis e assim elas possam realizar o que se propuseram. A Igreja comprometeu-se a oferecer as condições necessárias ao desenvolvimento desses ministérios. Se não cumprir, tudo para.

Imagine a decepção das centenas de crianças e suas famílias hoje abençoadas pela área de esportes e dança; imagine a decepção dos idosos cujas vidas são edificadas, física, mental e espiritualmente; imagine a tristeza das pessoas que são abençoadas nos cursos de culinária e capoeira, no Balcão de Justiça e Cidadania. Imagine a lacuna que faria o não funcionamento do Posto de Saúde. Imagine isso tudo parando, se por infidelidade da Igreja, os compromissos com o CECOM não forem cumpridos.

Nós somos e nos empenharemos em ser uma igreja fiel. Mas, se você que é a igreja não for fiel, isto não cumprir sua parte, a igreja da qual você é parte não poderá ser fiel. E quando uma igreja deixa de ser fiel, coopera com a destruição de uma das atitudes-pilar de nossa vida e mensagem: a fidelidade.

Seja fiel. Seja uma pessoa que cumpre o que promete. Seja parte de uma igreja fiel. Somos família de um Deus que é fiel e nos espelhamos nele. O mundo precisa de pessoas e instituições fiéis, que cumprem o que prometem.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A infidelidade na política



Fiel é qualidade de pessoa que cumpre o que promete. Todos nós, em algum momento da vida, deixamos de cumprir algo que prometemos. Isso, entretanto, não nos caracteriza como pessoas infiéis.

Infiel é a pessoa cuja atitude de desrespeito ao outro a leva ao não cumprimento contínuo, regular, de suas promessas e não se importa em justificar de maneira plausível, crível, a excepcionalidade de seu ato de infidelidade.

Por sermos limitados, nem sempre mensuramos devidamente o preço da promessa feita ou não conseguimos prever situações adversas às que imaginávamos quando assumimos um compromisso. Quando isso ocorre, a pessoa fiel é vocacionada por sua voz interior a reconhecer o erro, reparar as conseqüências danosas ao outro e a se empenhar para repactuar o compromisso em termos favoráveis a ambas as partes.

Fidelidade não é a marca, por exemplo, da maioria dos políticos na política brasileira.

O governo #DilmaComTemer  foi eleito usando informações falsas, de manipulação imoral, comum na política em um país no qual os eleitores têm um “complexo de vira-latas” e não desenvolveram a consciência de que autoridade é, primeiramente,  quem confere autoridade e não quem a exerce. A Constituição é clara: “todo poder emana do povo e em seu nome será exercido” (Art. 1º).

Já o governo #TemerSemDilma quer legitimar-se através de um processo de impeachment da presidenta eleita, cujo ritual até aqui seguiu a legalidade mas, pelos diálogos entre destacados dirigentes políticos, gravados e publicados, está patente que houve um complô de fugitivos da polícia escondidos atrás de um discurso de moralidade, quando, na verdade a  imoralidade era a verdadeira força motriz de seus discursos.

O que os dois governos têm em comum é que os grupos que disputam o poder (independente de diferenças ideológicas e prioridades sociais e econômicas), o fazem não com a intenção de serem fiéis ao que prometem à população, mas, antes, ao que prometem uns aos outros, aos aliados. O povo é só um detalhe para legitimar aos olhos do mundo o controle do poder que lhes abastece as contas, de preferência no exterior.

Infidelidade é justamente o oposto ao que a vida nos ensina, ao que a Bíblia nos revela em relação ao amor de Deus por nós e ao que constatamos na vida de Jesus em relação à sua missão. Mas, parece-nos ser ingenuidade lutar mesmo, almejar que as pessoas investidas por nós de autoridade sejam fiéis.

Enquanto nós mesmos não acreditarmos que essa virtude é essencial e não investirmos para que nossas crianças aprendam por experiência, através de exemplos e discursos coerentes que a fidelidade é essencial à vida saudável, continuaremos apanhando de homens e mulheres, cujos compromissos pouco ou nada têm a ver com as necessidades da população.

Soberano há somente um: Ele.

Vez por outra gosto de lembrar a mim mesmo de que:
- a histöria da humanidade não chegou ao ápice com a minha chegada ao planeta;
- o conhecimento cientìfico e tecnológico não chegaram ao ápice com a minha chegada ao planeta;
- o desenvolvimento ético-moral não chegou ao ápice com a minha chegada ao planeta;
- o fim da minha historia não será o fim da história do planeta;
- o fim da minha vida não será o fim da vida no planeta;
- o que creio, sinto, penso ou falo não é a síntese do que se cre, se sente, se pensa ou se fala no planeta.
Isso me ajuda a baixar a bola, colocar a cabeça no travesseiro, agradecer a Deus pelo dom da vida e dormir em paz, pois soberano há somente um: Ele.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Sinto Deus conduzir minha vida



Há momentos em que me sinto num furacão
Em outros, como se já estivesse no céu
Problemas corporais não me faltam
Conflitos, são uma constante
Uns brotam de fora para dentro
Outros de dentro para fora
Uns são provocados por mim
Outros, parece que eu estava na hora errada, no lugar errado
Mas nunca deixei de sentir que Deus conduz minha vida

Acertos foram muitos na caminhada
Erros, talvez em maior proporção 
Já ouvi de muitos que os fiz feliz
De outros tantos que os machuquei, os magoei
Já acolhi, fui acolhido, afastei, fui afastado
Em busca da justiça já cometi injustiça
Combatendo a injustiça já me senti injustiçado
Mas nunca deixei de sentir que Deus conduz minha vida

Não é, portanto, por sentir-me melhor ou pior
Não tem a ver com ter menos ou mais
Não  está vinculado a conforto ou desconforto
Nem mesmo trata-se de concepção teológica
É puro sentimento.
Sentimentalismo, dirão com ar de superioridade os sabichões
Talvez.
Porém não sinto necessidade de muita explicação.
Busco pelo prazer da busca
Leio pelo prazer de ler.
Vivo porque estou vivo
Declaro porque me faz bem:
Nunca deixei de sentir que Deus conduz minha vida

Se peço muita coisa a Deus?
Muito
Tudo
O tempo todo.
Se espero resposta favorável?
Quase nunca.
Nem tenho porque cobrar.
Vou pedindo
Vou vivendo
Vou agindo
Vou ganhando
Vou "perdendo"
Vou sorrindo
Vou chorando
Vou sentindo
Vou pensando
E nunca deixando de sentir
De confiar
De reconhecer
Que Deus conduz a minha vida.
Sem pieguice
Sem pseudointelectualismo
Assim
Simples.

Tenho alguns medos
Mas nem tantos que não consiga enfrentá-los.
Tenho questionamentos
Mas nada que desestruture minha desestrutura
Sentido? Já não persigo mais
Talvez porque o tenha encontrado
No trivial, 
No comum, 
No óbvio, 
No simples
Em alguém sem boa procedência
- pode alguma coisa boa vir de Nazaré? -
- Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores -
Que encheu minha alma
Com quem aprendi a sentir
Que Deus conduz a minha vida.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Fidelidade

 “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.” (II Tim. 2:13)

Fidelidade é uma atitude que, como todas as atitudes, se constrói em nosso ser desde o ventre de nossas mães. Antes mesmo de se ter consciência do fato ou dominar a linguagem que a expresse, houve uma vivência sentida em nosso ser, através da relação mãe-filho e, na sequência, pai-filho, filho-irmãos, filho-amigos, filho-instituições e assim por diante.

Ainda nem éramos capazes de pensar quando nosso corpo pedia algo e era atendido. Nosso corpo sentia uma necessidade, manifestava-se e era suprido.  Nem tínhamos consciência da fonte que atendia nossos desejos, mas sempre que reclamávamos algo, de algum “lugar” a resposta chegava. Assim, fomos descobrindo que havia algo ou alguém atento à nossa vida.

Na medida em que nossos órgãos do sentido – tato, paladar, olfato, audição e visão – se desenvolviam, o ser que respondia às nossas necessidades ia sendo delineado em nossas mentes e com ele as comunicações iam se aperfeiçoando, incluindo nessas, além da comunicação corporal, a linguagem oral e sucessivamente outras formas de comunicação.

Assim, antes mesmo de conhecermos a palavra fidelidade, já se gravava em nosso ser que havia uma fonte que, na hora certa, respondia nossos anseios; alguém que cumpria o que ia sendo prometido em nosso relacionamento. Essa fonte era, depois saberíamos, fiel.

Fidelidade é qualidade de uma pessoa que cumpre seus compromissos e se desenvolve em nós através de 3 maneiras: a experiência, o exemplo e os discursos.

Por experiência, refiro-me ao ocorrido na narrativa acima. O próprio ser humano, na medida em que desenvolve a capacidade de abstração, torna-se capaz de relacionar o que viveu desde o ventre da mãe com o significado da palavra fiel. Isso aponta pra nós o caminho mais eficaz para o desenvolvimento dessa atitude em nossos filhos: ser fiel.

O segundo caminho, intrinsecamente ligado à experiência, é o do exemplo. Trata-se das percepções que temos de que as pessoas que nos cercam agem de maneira fiel nos relacionamentos que estabelecem umas com as outras; que elas cumprem o que prometem nas diversas circunstâncias da vida; que cumprir o que se promete é algo que faz bem a todos.

A terceira forma, o discurso, tem a ver com o uso da palavra para clarear o conceito fidelidade, exemplificar e demonstrar os benefícios que advém de seu uso e os prejuízos sofridos por quem não o leva a sério e pelos que o cercam. Embora seja eficaz àqueles que já desenvolveram a capacidade de abstração, o discurso não produz o mesmo resultado que o exemplo e a experiência. Talvez porque, o discurso seja capaz de nos fazer pensar, mas não agir. A ação depende dos sentimentos que envolvem nosso ser diante da realidade descrita.

A Bíblia nos ensina que fidelidade é fruto do Espírito Santo de Deus. Uma pessoa infiel, portanto, seria alguém que não foi tocado por Deus no mais íntimo de seu ser. Quando a alma é tocada pelo Espírito de Deus, Espírito de Jesus, Espírito Santo, como preferirem, nosso ser reage produzindo, dentre outras atitudes, a fidelidade.

Essa atitude de fidelidade nos acompanha por toda a vida, em todas as circunstâncias e torna-se nossa reação natural. Ela passa a fazer parte de nossa natureza. Ela não se deixa condicionar pela infidelidade alheia. Por isso Deus é fiel, mesmo quando somos infiéis. É a natureza dele. E a nossa, é semelhante à dele?

terça-feira, 24 de maio de 2016

Perdi um amigo


Perdi um amigo. Na verdade não sei se perdi. Na verdade, já nem sei se poderia dizer que era amigo. Talvez eu o tivesse por amigo, mas a recíproca não fosse verdadeira.

O fato é que a relação era antiga e as lembranças eram boas. Mas daí veio o facebook onde o diálogo não acontece entre duas pessoas, mas dois textos; onde o diálogo não acontece entre dois rostos, mas duas fotos; onde o diálogo se estabelece como bate-dedos e não bate-papos; onde o diálogo não provoca testa franzida, beiço pra frente, pois o rosto está sempre sorrindo; onde o argumento conta mais do que a relação; onde, portanto, o "tom da voz" não é calibrado pela reação corporal do outro...

E se não bastasse a intermediação do Facebook, vieram as eleições. Históricamente lutamos pelos candidatos do mesmo partido, mas então decidi que, pelo fato do partido ter se distanciado de alguns importantes ideais meus, de não concordar com a política administrativa que, a meu ver, geraria instabilidade financeira, de não..., desoPTei em relação ao cargo máximo.

Assim, meu suposto amigo esqueceu-se de nossas histórias, de nossa fé comum, de nossas cumplicidades em momentos adversos, enfim, e, talvez, por acreditar que a política fosse a única e suprema dimensão da vida, decidiu me deletar. Sem aviso prévio e sem indenização.

Minha primeira reação foi propor um diálogo, mas pensei comigo: bobagem, você o tinha como amigo, mas a recíproca talvez não fosse verdadeira. Talvez, pra ele, você fosse visto como um aliado, um networker, um contato útil, enfim. Até porque amizades tem mais a ver com empatia do que com intelecto, tem mais a ver com sentimentos do que com razão, tem mais a ver com convivência do que concordância, tem mais a ver com troca do que com imposição...

Então deixei pra lá. Resignei-me. Fui deletado. Perdi um amigo.

Pensamentos para situações de adversidade

Há quem se refira a eles de maneira pejorativa, classificando-os de “auto-ajuda”. Oposição à parte, o fato é que eles afetam nossas atitudes e isso faz grande diferença na maneira como encaramos a realidade.

Li, há mais de 15 anos, “Quem mexeu no meu queijo”, de Spencer Johnson. Palha, diriam arrogantes acadêmicos. A fábula, porém, tornou-se bestseller. Milhões de pessoas foram afetadas positivamente pela mensagem simples do livreto que nos ensina a como reagir diante de adversidades. Ajudou muita gente a aprender a lidar com mudanças que nos afetam negativamente, adotando a postura de agir em vez de ficar reclamando.

Ainda era adolescente quando ouvi o Pr. Isanias dos Santos, então secretário da JUMOC – Junta de Mocidade Batista da Convenção Batista Brasileira - num encontro de jovens realizado na PIB de Marília, SP, dizer a frase “não lamente a escuridão, acenda um fósforo”. Nunca mais esqueci. Ela expressa bem a melhor atitude a ser adotada diante de situações adversas. O lamento pode até conseguir que alguém saiba de nossa dor e até sinta pena de nós, mas em si mesmo nenhum efeito surte sobre a realidade. Agir, por menor que seja a iniciativa, é melhor do que lamentar.

Foi nos textos de Rubem Alves que li a expressão “se é sorte ou azar, só o futuro dirá”. Referia-se a história de um homem que herdou uma terra encharcada de seu pai e os amigos disseram: “que azar o seu, seus irmãos ganharam terra boa e a sua pra nada serve”. Ele respondeu: “se é sorte ou azar, só o futuro dirá”. Veio uma seca, a terra dos irmãos arruinou, a dele ficou no ponto de produção. “Que sorte”, disseram os amigos. Ele respondeu: “se é sorte...”. Uma tropa de cavalos selvagens apareceu na propriedade e os amigos classificaram como sorte. Ele respondeu: “se é sorte ou ...”. O filho resolveu montar um dos cavalos e quebrou a perna. Os amigos classificaram como azar e ele respondeu: “se é sorte ou ...”.  O país entrou em guerra, o rei mandou convocar os jovens à batalha e o filho não foi, pois estava com a perna quebra. “Que sorte”, disseram os amigos. Ele respondeu: “se é sorte...”. Assim é a vida, concluiu R. Alves. Nada é definitivo. Não há porque se abater, não há porque se gloriar.

“Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”, escreveu Jean-Paul Sarte, impactando seus leitores. Todos vivemos experiências dolorosas provocadas por ações de terceiros. Alguns, por causa delas, carregam rancor pela vida afora, alimentam a autocomiseração e a raiz de sua amargura contamina a todos (Hebreus 12:15). O pensamento de Sartre, entretanto, nos ajuda a pensar que podemos transformar um azedo limão em uma deliciosa limonada. Basta mudar o foco.

“No mundo tereis aflições”, disse Jesus, “mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Ele disse isso desafiando-nos a, em meio à aflições, experimentarmos paz. É a paz que brota da confiança de que não estamos sós, pois ele nos deixou o consolador. Ele nos conduz à vitória, ainda que aparentemente não haja saídas.

O momento vivido pelo Brasil nos enche de incertezas e afeta nosso equilíbrio. Se não bastasse, nossa história individual traz consigo suas dores. Que escolha faremos? Ficaremos inativos? Lamentaremos? Nos desesperaremos? Ou enfrentaremos com coragem visando à superação?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

As atitudes e o sucesso na vida



“Professores das primeiras séries nos dizem que precisam que as crianças cheguem a eles prontas para se sentar, se concentrar, lidar com as próprias emoções, ouvir orientações, colaborar e fazer amizades”, explicou Truglio. “Só então eles podem ensinar letras e números”  (Daniel Goleman, em “Foco, a atenção e seu papel fundamental para o sucesso”)


A falta de educação é, sem dúvida, o principal problema de nossa sociedade. Não digo a falta de educação que se revela em maus feitos, em “malcriações”, mas aquela que dificulta a construção de caminhos desejáveis para nós mesmos e à coletividade.



A falta de investimento no desenvolvimento de atitudes saudáveis em nossos filhos revela nossa ignorância. Investimos dinheiro oferecendo-lhes cursos diversos que, acreditamos, possibilitaria a eles se tornarem competitivos no mercado de trabalho e a terem seus seu sustento econômico-financeiro garantido, sem perceber que são as atitudes que eles aprendem a desenvolver em casa que os ajudarão a serem bem sucedidos naquilo que se propuserem a fazer na vida.



Goleman, acima citado, exemplifica sua tese mencionando o “teste do marshmallow” realizado pelo psicólogo Walter Mischel, na Universidade de Stanford. Nele, crianças de quatro anos foram colocadas numa sala, diante de guloseimas e receberam a seguinte informação: “você pode comer o seu doce agora, se quiser. Mas se não comer até eu voltar depois de resolver um problema, você poderá escolher dois doces”.

Tais crianças nada tinham a fazer na sala, senão olhar às tentadoras guloseimas. Cerca de 1/3 delas teriam pego imediatamente, 1/3 teriam esperado por intermináveis 15 minutos e as demais ficado entre um tempo e outro. Tais estudos prosseguiram e identificou-se que, na idade adulta, os mais bem-sucedidos eram os que manifestaram maior autocontrole.

Esse é um exemplo da importância do desenvolvimento de boas atitudes na vida de nossas crianças que podem ser cultivadas pelos pais em casa, através de atividades simples, mas essenciais.

Nesse “Dia das mães”, circulou nas redes sociais um vídeo em homenagem às mães que vale a pena ser visto  (https://www.facebook.com/4LifeResearchBrasil/videos/979360358785209/?pnref=story ). Nele, uma senhora está à procura de emprego e seu currículo é questionado em relação a um período em que ela dedicou-se a cuidar dos filhos. Depois de passar por experiências malsucedidas em seu objetivo, ela decidiu incluir no currículo as competências que desenvolveu no período que ficou em casa: 1) capacidade de assumir riscos; 2) capacidade de esforço e sacrifício; 3) comunicação e oratória; 4) gerenciamento de recursos; 5) capacidade de motivação; 6) organização e planejamento; 7) perseverança e constância e 8) trabalho em equipe e liderança. Tudo devidamente ilustrado no vídeo.

Por essas e outras, valorizemos mais o tempo em família. Nenhum investimento financeiro feito nos filhos será capaz de superar o tempo investido com eles em atividades que aparentemente nada significam, mas que, na verdade, são determinantes no desenvolvimento de atitudes essenciais ao sucesso na vida.