sábado, 18 de junho de 2016

Sonhando

""E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até sobre os servos e as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias.” (Joel 2:28-29)

Quero viver sonhando
Sonhando e agindo movido por sonhos
Sonhando em fazer somente aquilo que inspira o ser
Sonhando em ter somente o que me ajuda a ser
Sonhando em construir somente aquilo que edifica o ser
Sonhando em ser mais humano
Sonhando em ser mais gente
Sonhando em ser mais carne, mais sangue, mais osso
Sonhando em ser mais um com outros
Sonhando em ser mais um para os outros
Sonhando em ser mais um pelos outros

Quero morrer sonhando
Os sonhos nos fazem viver
Nos sonhos continuamos vivos
Vivendo nos sonhos dos que sonham.

(Dedico aos meus amigos e irmãos na fé Aldezir e Hulda Rego, cujas lembranças de caminhada alimentam meus sonhos.)


Dando voz à presidenta Dilma

Não votei em Dilma, reconheço as evidências de que seu governo tenha cometido deslises técnicos e éticos, mas ela não é o bode expiatório do país, muito menos Temer o salvador da Pátria. 

Por isso, precisamos ouvir e dar espaço a ela para que seja ouvida, uma vez que os interesses de parte significativa de nossos meios de comunicação não representa os interesses e necessidades da maioria da população brasileira, por isso não dão espaço pra ela. Dão espaço aos acusados que comandam a saída dela pra salvar suas peles, mas a ela não.

Peço aos meus colegas pastores que nos lembremos dos membros mais empobrecidos de nossas igrejas quando nos manifestarmos diante das decisões político-econômicas tomadas pelos políticos em nossas  casas legislativas.

Lembremo-nos de que cultos ou cerimônias evangélicas em casas legislativas, praças da Bíblia, embora tenham seu valor, não colocam comida na casa de necessitados, nem filhos de empobrecidos em escolas, nem financiam postos de saúde ou transportes de qualidade, nem contribuem para nos movermos em segurança pelas ruas da cidade. Pelo contrário, apenas gasta o dinheiro que deveria ir para essas áreas.

Lembremo-nos: se um político quer nos agradar, que lute pela implementação de leis e políticas econômicas e de gastos públicos que beneficiem a população toda, especialmente a parte mais empobrecida.
...
“Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios e eles aos circuncisos. Somente pediram que nos lembrássemos dos pobres, o que me esforcei por fazer.” (Gálatas 2:9-10)

Quebrando Paradigmas Sem Quebrar Princípios

Chegamos há pouco - Gláucia Gimenes e eu - de Feira de Santana onde tivemos o privilëgio de falar à Igreja Batista Alvorada sobre o tema "Quebrando paradigmas sem quebrar princípios", por solicitação do Pr. Hermes Jr. e do MM Claudio Cerqueira Mendes .

Eis um princípio da Convenção Batista Brasileira, parte de seus documentos, mas pouco divulgado e praticado, que precisa ser resgatado diante da idolatria de determinados paradigmas e de alguns dirigentes que se consideram "deus" e querem controlar o pensar dos batistas, marginalizando de nossos congressos e veículos de comunicação, bem como do magistério seminarial, àqueles que não são sua imagem e semelhança:

Autocrítica
"Tanto a igreja local quanto a denominação, a fim de permanecerem sadias e florescentes, têm que aceitar a responsabilidade da autocrítica. 

Seria prejudicial às igrejas e à denominação se fosse negado ao indivíduo o direito de discordar, ou se fossem considerados nossos métodos ou técnicas como finais ou perfeitos. 

O trabalho de nossas igrejas e de nossa denominação precisa de freqüente avaliação, a fim de evitar a esterilidade do tradicionalíssimo. 

Isso especialmente se torna necessário na área dos métodos, mas também se aplica aos princípios e práticas históricas em sua relação à vida contemporânea. 

Isso significa que nossas igrejas, instituições e agências devem defender e proteger o direito de o povo perguntar e criticar construtivamente.

A autocrítica construtiva deve ser centralizada em problemas básicos e assim evitar os efeitos desintegrantes de acusações e recriminações. 

Criticar não significa deslealdade; a crítica pode resultar de um interesse profundo do bem-estar da denominação. Tal crítica visará ao desenvolvimento à maturidade cristã, tanto para o indivíduo quanto para a denominação.

Todo grupo de cristãos, para conservar sua produtividade, terá que aceitar a responsabilidade da autocrítica construtiva."

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Fidelidade aos valores do Reino e ao espírito constitucional



“Aquele que roubava, não roube mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.” (Ef. 4:28).


A chegada desta semana, como a maioria das semanas desses últimos dois anos de Lava Jato, vem acompanhada de decisões ligadas ao altíssimo escalão do estado brasileiro, cujo resultado afetará diretamente nossas vidas. 


Refiro-me à possibilidade do presidente do Senado aceitar ou rejeitar pedido de impeachment contra o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, bem como a do Supremo Tribunal Federal – STF, de rever sua decisão quanto à prisão de criminosos condenados em segunda instância, independente do direito que têm a novos recursos. São duas decisões que fazem parte do pacote anticadeia, defendido pelos acusados de corrupção na Lava Jato.


É sabido por todos, que a corrupção assola nosso país. Do síndico do condomínio à presidência da República, há indícios fortíssimos – em alguns casos provas – de que ela reina soberana.


É sabido por todos nós que este nível de corrupção é frontalmente prejudicial à população não apenas pela soma do valor financeiro que representa, mas também porque financia decisões políticas, econômicas e sociais que, em vez de trazer benefícios à população, ao país, beneficia gangs de colarinho branco instaladas nos altos escalões. 


É crido por muitos que o processo de impeachment da presidenta Dilma Roussef não está sendo levado adiante por consciência moral da maioria dos agentes políticos.  Em que pese os indiscutíveis erros técnicos e éticos cometidos por seu governo, são poucos os que não concordam que a motivação maior, pelo menos de parte importantíssima dos “representantes” políticos, é defender-se, com os próprios braços, da possibilidade de prisão por roubos e outros crimes cometidos.


Nesse contexto estamos assistindo articulações gravadas, de conversas da cúpula do maior partido político – o PMDB –, para derrubar a presidenta, assumir o poder e assim se defender, repito, usando os próprios braços para desestruturar instituições, modificar decisões e leis que podem levar seus integrantes à condenação.


Como a luz da aurora, vai ficando cristalino que o processo para estancar as ações da Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal segue um roteiro: 1) derrubada da presidenta – fato que não significa necessariamente que ela seja vítima -; 2) derrubada do Procurador Geral da República; 3) derrubada da decisão de possibilidade de prisão de ladrões condenados em segunda instância.


A esse roteiro poderia ser acrescida a tentativa de mudança na cúpula da Polícia, a redução de recursos para desqualificar os órgãos de combate à corrupção e tantos outros.


O fato é que estamos diante de uma realidade tenebrosa: ou nos posicionamos contra os corruptos para não perdermos esta batalha ou, pelo pecado da omissão, seremos derrotados para o desespero de toda a população brasileira.


O texto constitucional e os poderes constituídos não foram criados para proteger bandidos, mas para que desfrutássemos de “vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade”. (I Tim 2:2)


A hora, portanto, não permite que esperemos pela ação de quem está ao nosso lado. É hora de cada um chamar pra si a responsabilidade e usar as ferramentas espirituais, políticas, sociais, econômicas, enfim, que dispõe.  A hora exige fidelidade aos princípios da palavra de Deus que norteiam nossas vidas: ”e não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Ef. 5:11); “porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”. (Ef. 5:8).



Que Deus tenha misericórdia de nós.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Uma igreja fiel



Sua igreja escolheu ser fiel? A escolha não poderia ser outra. Seria contrário à sua natureza alicerçada na pessoa de Jesus Cristo. Seria incoerente declarar-se família de Deus, cooperadora de Deus, mensageira da Palavra de Deus e ser infiel, pois Deus afirma-se como sendo fiel. Por isso, sua igreja agiu corretamente ao escolher empenhar-se em cumprir aquilo que promete.

A Igreja contrata pessoas para trabalhar nas áreas em que o trabalho voluntário inviabiliza a realização de seus projetos. Se o trabalho envolve atividades rotineiras, com prazos estabelecidos, cujo descumprimento prejudicaria suas metas e não há pessoas que possam realizá-los como servos-voluntários, ela decide, pelo voto de seus membros em assembléia, contratar pessoas.

As pessoas contratadas geralmente são divididas em dois grupos: um regido pela CLT (porteiros, zeladores, secretários, operadores financeiro-contábeis); outro, autônomos na forma da lei (ministros e pastores). A igreja os contrata e compromete-se a remunerá-los com salário ou prebenda. Esse compromisso é mensal, como predomina em nossa cultura econômica. A igreja sabe que, se não for fiel com essas pessoas, elas não poderão ser fiéis com os compromissos assumidos com terceiros.

A Igreja contrata serviços de água, luz, telefone, internet, manutenções diversas, contabilidade, assessoria jurídica, etc, e compromete-se a pagar por esses contratos, mensalmente. Se ela não for fiel, terá que pagar multas, além de parar suas atividades.

A igreja compromete-se com a manutenção de congregações, seus missionários e despesas; compromete-se a ajudar no sustento de missionários da JME, JMN e JMM; compromete-se a cooperar com o trabalho que os batistas realizam no mundo, enviando 10% de suas receitas oriundas de dízimos; compromete-se a levantar ofertas quadrimestralmente para sustentar milhares de missionários em seu Estado, no Brasil e mundo. Se a igreja não for fiel, isto é, se não cumprir o que promete, terá sérios prejuízos operacionais, de imagem, jurídicos e ainda provocará problemas com aqueles que também assumiram compromissos contando com sua fidelidade.

A igreja compromete-se a desenvolver ministérios visando abençoar pessoas nas áreas de administração, adoração, atuação social , comunhão, ensino, pastoral e proclamação. Há pessoas que se dispuseram a atuar nelas, mas para isso precisam que os espaços estejam limpos, materiais próprios estejam disponíveis e assim elas possam realizar o que se propuseram. A Igreja compromete-se a oferecer as condições necessárias ao desenvolvimento desses ministérios. Se não cumprir, tudo para.

Imagine a decepção das centenas de crianças e suas famílias hoje abençoadas pelo ministério desenvolvido por sua igreja; imagine a decepção daqueles cujas vidas são edificadas, física, mental e espiritualmente. Imagine isso tudo parando se, por infidelidade da Igreja, os compromissos não forem cumpridos.

Nós somos e devemos nos empenhar em ser uma igreja fiel. Mas, se você que é a igreja não for fiel, isto é, não cumprir sua parte, a igreja da qual você é parte não poderá ser fiel. E quando uma igreja deixa de ser fiel, coopera com a destruição de uma das atitudes-pilar de nossa vida e mensagem: a fidelidade.

Seja fiel. Seja uma pessoa que cumpre o que promete. Seja parte de uma igreja fiel. Somos família de um Deus que é fiel e nos espelhamos nele. O mundo precisa de pessoas e instituições fiéis, que cumprem o que prometem.

Igreja Batista da Graça, SSA: uma igreja fiel

A Igreja Batista da Graça escolheu ser fiel. A escolha não poderia ser outra. Seria contrário à sua natureza alicerçada na pessoa de Jesus Cristo. Seria incoerente declarar-se família de Deus, cooperadora de Deus, mensageira da Palavra de Deus e ser infiel, pois Deus afirma-se como sendo fiel. Por isso ela empenha-se para cumprir aquilo que ela promete.

A Igreja contratou pessoas para trabalhar nas áreas em que o trabalho voluntário inviabilizaria a realização de seus projetos. Se o trabalho envolve atividades rotineiras, com prazos estabelecidos, cujo descumprimento prejudicaria suas metas e não há pessoas que possam realizá-los como servos-voluntários, ela decide, por recomendação do Conselho Diretor por ela eleito e através de votação democrática de seus membros em assembléia, contratar pessoas.

As pessoas contratadas são divididas em dois grupos: um regido pela CLT (porteiros, zeladores, secretários, operadores financeiro-contábeis); outro, autônomos na forma da lei (ministros de área e pastores). A igreja os contratou e comprometeu-se a remunerá-los com salário ou prebenda. Esse compromisso é mensal, como predomina em nossa cultura econômica. A igreja sabe que, se não for fiel com essas pessoas, elas não poderão ser fiéis com os compromissos assumidos com terceiros.

A Igreja contratou serviços de água, luz, telefone, internet, manutenções diversas, contabilidade, assessoria jurídica, etc, e comprometeu-se a pagar por esses contratos, mensalmente. Se ela não for fiel, terá que pagar multas, além de parar suas atividades.

A igreja comprometeu-se com a manutenção de 3 congregações, seus missionários e despesas; comprometeu-se a ajudar no sustento de missionários da JME, JMN e JMM; comprometeu-se a cooperar com o trabalho que os batistas realizam no mundo, enviando 10% de suas receitas oriundas de dízimos; comprometeu-se a levantar ofertas quadrimestralmente para sustentar milhares de missionários na Bahia, Brasil e mundo. Se a igreja não for fiel, isto é, se não cumprir o que prometeu, terá sérios prejuízos operacionais, de imagem, jurídicos e ainda provocará problemas com aqueles que também assumiram compromissos contando com nossa fidelidade.

A igreja comprometeu-se a desenvolver ministérios visando abençoar pessoas nas áreas de administração, adoração, atuação social (CECOM), comunhão, ensino, pastoral e proclamação. Há pessoas que se dispuseram a atuar nelas, mas para isso precisam que os espaços estejam limpos, materiais próprios estejam disponíveis e assim elas possam realizar o que se propuseram. A Igreja comprometeu-se a oferecer as condições necessárias ao desenvolvimento desses ministérios. Se não cumprir, tudo para.

Imagine a decepção das centenas de crianças e suas famílias hoje abençoadas pela área de esportes e dança; imagine a decepção dos idosos cujas vidas são edificadas, física, mental e espiritualmente; imagine a tristeza das pessoas que são abençoadas nos cursos de culinária e capoeira, no Balcão de Justiça e Cidadania. Imagine a lacuna que faria o não funcionamento do Posto de Saúde. Imagine isso tudo parando, se por infidelidade da Igreja, os compromissos com o CECOM não forem cumpridos.

Nós somos e nos empenharemos em ser uma igreja fiel. Mas, se você que é a igreja não for fiel, isto não cumprir sua parte, a igreja da qual você é parte não poderá ser fiel. E quando uma igreja deixa de ser fiel, coopera com a destruição de uma das atitudes-pilar de nossa vida e mensagem: a fidelidade.

Seja fiel. Seja uma pessoa que cumpre o que promete. Seja parte de uma igreja fiel. Somos família de um Deus que é fiel e nos espelhamos nele. O mundo precisa de pessoas e instituições fiéis, que cumprem o que prometem.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A infidelidade na política



Fiel é qualidade de pessoa que cumpre o que promete. Todos nós, em algum momento da vida, deixamos de cumprir algo que prometemos. Isso, entretanto, não nos caracteriza como pessoas infiéis.

Infiel é a pessoa cuja atitude de desrespeito ao outro a leva ao não cumprimento contínuo, regular, de suas promessas e não se importa em justificar de maneira plausível, crível, a excepcionalidade de seu ato de infidelidade.

Por sermos limitados, nem sempre mensuramos devidamente o preço da promessa feita ou não conseguimos prever situações adversas às que imaginávamos quando assumimos um compromisso. Quando isso ocorre, a pessoa fiel é vocacionada por sua voz interior a reconhecer o erro, reparar as conseqüências danosas ao outro e a se empenhar para repactuar o compromisso em termos favoráveis a ambas as partes.

Fidelidade não é a marca, por exemplo, da maioria dos políticos na política brasileira.

O governo #DilmaComTemer  foi eleito usando informações falsas, de manipulação imoral, comum na política em um país no qual os eleitores têm um “complexo de vira-latas” e não desenvolveram a consciência de que autoridade é, primeiramente,  quem confere autoridade e não quem a exerce. A Constituição é clara: “todo poder emana do povo e em seu nome será exercido” (Art. 1º).

Já o governo #TemerSemDilma quer legitimar-se através de um processo de impeachment da presidenta eleita, cujo ritual até aqui seguiu a legalidade mas, pelos diálogos entre destacados dirigentes políticos, gravados e publicados, está patente que houve um complô de fugitivos da polícia escondidos atrás de um discurso de moralidade, quando, na verdade a  imoralidade era a verdadeira força motriz de seus discursos.

O que os dois governos têm em comum é que os grupos que disputam o poder (independente de diferenças ideológicas e prioridades sociais e econômicas), o fazem não com a intenção de serem fiéis ao que prometem à população, mas, antes, ao que prometem uns aos outros, aos aliados. O povo é só um detalhe para legitimar aos olhos do mundo o controle do poder que lhes abastece as contas, de preferência no exterior.

Infidelidade é justamente o oposto ao que a vida nos ensina, ao que a Bíblia nos revela em relação ao amor de Deus por nós e ao que constatamos na vida de Jesus em relação à sua missão. Mas, parece-nos ser ingenuidade lutar mesmo, almejar que as pessoas investidas por nós de autoridade sejam fiéis.

Enquanto nós mesmos não acreditarmos que essa virtude é essencial e não investirmos para que nossas crianças aprendam por experiência, através de exemplos e discursos coerentes que a fidelidade é essencial à vida saudável, continuaremos apanhando de homens e mulheres, cujos compromissos pouco ou nada têm a ver com as necessidades da população.

Soberano há somente um: Ele.

Vez por outra gosto de lembrar a mim mesmo de que:
- a histöria da humanidade não chegou ao ápice com a minha chegada ao planeta;
- o conhecimento cientìfico e tecnológico não chegaram ao ápice com a minha chegada ao planeta;
- o desenvolvimento ético-moral não chegou ao ápice com a minha chegada ao planeta;
- o fim da minha historia não será o fim da história do planeta;
- o fim da minha vida não será o fim da vida no planeta;
- o que creio, sinto, penso ou falo não é a síntese do que se cre, se sente, se pensa ou se fala no planeta.
Isso me ajuda a baixar a bola, colocar a cabeça no travesseiro, agradecer a Deus pelo dom da vida e dormir em paz, pois soberano há somente um: Ele.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Sinto Deus conduzir minha vida



Há momentos em que me sinto num furacão
Em outros, como se já estivesse no céu
Problemas corporais não me faltam
Conflitos, são uma constante
Uns brotam de fora para dentro
Outros de dentro para fora
Uns são provocados por mim
Outros, parece que eu estava na hora errada, no lugar errado
Mas nunca deixei de sentir que Deus conduz minha vida

Acertos foram muitos na caminhada
Erros, talvez em maior proporção 
Já ouvi de muitos que os fiz feliz
De outros tantos que os machuquei, os magoei
Já acolhi, fui acolhido, afastei, fui afastado
Em busca da justiça já cometi injustiça
Combatendo a injustiça já me senti injustiçado
Mas nunca deixei de sentir que Deus conduz minha vida

Não é, portanto, por sentir-me melhor ou pior
Não tem a ver com ter menos ou mais
Não  está vinculado a conforto ou desconforto
Nem mesmo trata-se de concepção teológica
É puro sentimento.
Sentimentalismo, dirão com ar de superioridade os sabichões
Talvez.
Porém não sinto necessidade de muita explicação.
Busco pelo prazer da busca
Leio pelo prazer de ler.
Vivo porque estou vivo
Declaro porque me faz bem:
Nunca deixei de sentir que Deus conduz minha vida

Se peço muita coisa a Deus?
Muito
Tudo
O tempo todo.
Se espero resposta favorável?
Quase nunca.
Nem tenho porque cobrar.
Vou pedindo
Vou vivendo
Vou agindo
Vou ganhando
Vou "perdendo"
Vou sorrindo
Vou chorando
Vou sentindo
Vou pensando
E nunca deixando de sentir
De confiar
De reconhecer
Que Deus conduz a minha vida.
Sem pieguice
Sem pseudointelectualismo
Assim
Simples.

Tenho alguns medos
Mas nem tantos que não consiga enfrentá-los.
Tenho questionamentos
Mas nada que desestruture minha desestrutura
Sentido? Já não persigo mais
Talvez porque o tenha encontrado
No trivial, 
No comum, 
No óbvio, 
No simples
Em alguém sem boa procedência
- pode alguma coisa boa vir de Nazaré? -
- Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores -
Que encheu minha alma
Com quem aprendi a sentir
Que Deus conduz a minha vida.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Fidelidade

 “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.” (II Tim. 2:13)

Fidelidade é uma atitude que, como todas as atitudes, se constrói em nosso ser desde o ventre de nossas mães. Antes mesmo de se ter consciência do fato ou dominar a linguagem que a expresse, houve uma vivência sentida em nosso ser, através da relação mãe-filho e, na sequência, pai-filho, filho-irmãos, filho-amigos, filho-instituições e assim por diante.

Ainda nem éramos capazes de pensar quando nosso corpo pedia algo e era atendido. Nosso corpo sentia uma necessidade, manifestava-se e era suprido.  Nem tínhamos consciência da fonte que atendia nossos desejos, mas sempre que reclamávamos algo, de algum “lugar” a resposta chegava. Assim, fomos descobrindo que havia algo ou alguém atento à nossa vida.

Na medida em que nossos órgãos do sentido – tato, paladar, olfato, audição e visão – se desenvolviam, o ser que respondia às nossas necessidades ia sendo delineado em nossas mentes e com ele as comunicações iam se aperfeiçoando, incluindo nessas, além da comunicação corporal, a linguagem oral e sucessivamente outras formas de comunicação.

Assim, antes mesmo de conhecermos a palavra fidelidade, já se gravava em nosso ser que havia uma fonte que, na hora certa, respondia nossos anseios; alguém que cumpria o que ia sendo prometido em nosso relacionamento. Essa fonte era, depois saberíamos, fiel.

Fidelidade é qualidade de uma pessoa que cumpre seus compromissos e se desenvolve em nós através de 3 maneiras: a experiência, o exemplo e os discursos.

Por experiência, refiro-me ao ocorrido na narrativa acima. O próprio ser humano, na medida em que desenvolve a capacidade de abstração, torna-se capaz de relacionar o que viveu desde o ventre da mãe com o significado da palavra fiel. Isso aponta pra nós o caminho mais eficaz para o desenvolvimento dessa atitude em nossos filhos: ser fiel.

O segundo caminho, intrinsecamente ligado à experiência, é o do exemplo. Trata-se das percepções que temos de que as pessoas que nos cercam agem de maneira fiel nos relacionamentos que estabelecem umas com as outras; que elas cumprem o que prometem nas diversas circunstâncias da vida; que cumprir o que se promete é algo que faz bem a todos.

A terceira forma, o discurso, tem a ver com o uso da palavra para clarear o conceito fidelidade, exemplificar e demonstrar os benefícios que advém de seu uso e os prejuízos sofridos por quem não o leva a sério e pelos que o cercam. Embora seja eficaz àqueles que já desenvolveram a capacidade de abstração, o discurso não produz o mesmo resultado que o exemplo e a experiência. Talvez porque, o discurso seja capaz de nos fazer pensar, mas não agir. A ação depende dos sentimentos que envolvem nosso ser diante da realidade descrita.

A Bíblia nos ensina que fidelidade é fruto do Espírito Santo de Deus. Uma pessoa infiel, portanto, seria alguém que não foi tocado por Deus no mais íntimo de seu ser. Quando a alma é tocada pelo Espírito de Deus, Espírito de Jesus, Espírito Santo, como preferirem, nosso ser reage produzindo, dentre outras atitudes, a fidelidade.

Essa atitude de fidelidade nos acompanha por toda a vida, em todas as circunstâncias e torna-se nossa reação natural. Ela passa a fazer parte de nossa natureza. Ela não se deixa condicionar pela infidelidade alheia. Por isso Deus é fiel, mesmo quando somos infiéis. É a natureza dele. E a nossa, é semelhante à dele?