segunda-feira, 31 de março de 2014

O riso de Iracema

De repente acontece um vendaval. Ventos fortes sopram de diversas direções. Telefonemas não param de chegar em quantidade e velocidade tal que não há tempo para respirar

Se isso não bastasse, uma surpresa acontece. Diante do que poderia ter sido, ela é até aliviante. Nem gerou adrenalina! Trata-se de um vulcão inativo que ressuscitou, trazendo à superfície suas lavas que produzem destruição. Sua temperatura é menor do que do último vómito, a tonalidade do produto levemente diferente, mas seus efeitos sobre seres vivos são aterrorizadores.

A fonte originária é cheia de podridão. Impressiona-nos olhar pra ela: altiva, poderosa, brilhante, escorregadia, mas o cheiro infernal de enxofre por ela produzido é horripilante. Como água, o que dela brota desliza entre espaços, montanha abaixo, mas não traz vida, não faz brotar flores, não permite que pássaros se alimentem, nem que os vivem ao redor descansem. Apenas mata tudo que encontra em seu caminho.

Sua natureza entronizada e destruidora, não respeita nada, nem ninguém. Faz muito barulho, muita fumaça, fumaça negra, com leves traços brancos que sobe almejando o céu, mas suas portas estão fechadas para ela.

Como que magoada, amargurada pela rejeição, espalha-se pela atmosfera em busca de um lugar, mas ninguém a quer. Então, enquanto a chuva não lava a atmosfera, ela prejudica aviões, torna imunda habitações, adoece seres vivos, faz murchar as plantações.

Fujo do seu mal cheiro, de seus efeitos diabólicos. Saio apressado em busca de aconchego nos braços que acolhem, onde minha'lma se encolhe e meu coração se recolhe. Mas, no meio do caminho aparece Iracema. Ela vem maltrapilha, fedorenta, desdentada, com um imenso sorriso no rosto.

- Divá, Divá, veja o que estou fazendo.
- Iracema, sinto muito, tô cansado, tô com pressa, digo, querendo sair de fininho.
- Mas é só um minutinho, retruca ela.
De repente "a voz" sussura no fundo da minh'alma
- Pare, escute-a.

Obedeço a voz, sento-me num banco e ela, feliz, se senta ao lado e começa, empolgada, a mostrar sua última produção, o próximo presente que me dará. Com dezenas de folhas velhas nas mãos, ela explica tudo com palavras difíceis e sem nexo. Indiferente à minha realidade, ela passa a mostrar a capa de sua obra de arte.
- Esta é a capa do livro que vou lhe dar domingo, diz ela esperando minha aprovação.

Com o coração amolecido, com a sensação de estar ouvindo a voz de Deus através dessa criatura marginalizada, perguntei-me se o louco ali não seria eu.

A capa do "livro" esta pronta, com desenhos feito à lápis, copiados de modelos diversos. Pergunto o que significa, mas ela não consegue explicar. Diante disso, decidi não priorizar a decodificação com ela. Apenas, meio que egoisticamente, prestei atenção ao significado daquilo pra minha vida, enquanto fugia das lavas, da poeira do vulcão.

Agora, com o coração calmo, em paz, dou-lhe uma palavra de incentivo pela produção do seu "livro". Olho bem nos olhos dela e digo: - Ore por mim. Ela olhou-me surpresa e respondeu: - Vou fazer uma prece pro Senhor ... e domingo te dou o livro.

Segui pro carro agradecido pelo riso de Iracema, a "louca"  que, em sua loucura, trouxe paz ao meu coração, em meio a erupção
de um morto que tenta ressuscitar, sem incomodar-se com os efeitos destrutivos do seu sinal de vida.



sábado, 22 de março de 2014

Sujeição das mulheres aos homens?

Mulheres, não se aflijam com os textos que serão a base das mensagens deste domingo, 23, na série "A mensagem de Pedro"! (1. ("Aflições que glorificam a Deus", em I Pd 2:18-21 e "Testemunho conjugal eficaz", em I Pd 3:1-7).


1. O verbo usado por Pedro para sujeição das mulheres (I Pd 3.1) é o mesmíssimo usado para sujeição de escravos (I Pd 2:18) e ele mesmo - Pedro - trata tal tipo de sujeição como injusta (I Pd 2:19). O foco do texto é outro.

2. O verbo usado por Pedro para falar de escravos e mulheres, é o mesmíssimo usado em Ef. 5:21 ("Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo." (Efésios 5:21 NVI). Portanto, sujeição MÚTUA, fruto da relação com Jesus e não por competição de gênero.

3. Não existe verbo nenhum no texto grego original de Paulo ("Mulheres, (sujeite-se) cada uma a seu marido, como ao Senhor, (Efésios 5:22 NVI)). Por isso, tanto esse texto (5:22) que é usado por homens e mulheres machistas para impor às mulheres que se sujeitem aos homens, quanto o relacionado aos homens ("Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela" (Efésios 5:25 NVI)), estão vinculados ao 5:21.

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Em tempo 1: Fiquei muito feliz com a decisão da diretoria da Convenção Batista Brasileira, em comum acordo com a Internacional Mission Board, em relação ao missionário-professor do STBSB que, a título de combater o ministério pastoral feminino apresentou uma interpretação inaceitável do papel da mulher na igreja, como publiquei, à época em que o video (retirado) foi publicado no youtube.

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Em tempo 2: Sugiro que nós pastores levemos nossas mães, esposas, filhas e irmãs no sangue e da igreja, à sessão da Ordem Estadual, quando for colocar em pauta a determinação da Ordem de Pastores Batistas do Brasil, quanto à aceitação de mulheres pastoras em seus quadros.

Isso pelo menos nos fará refletir melhor ao expormos argumentos relacionados ao gênero feminino! 

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Leia também:
1.http://blogdoedvar.blogspot.com.br/2009/07/paulo-machista-e-conservador-2004.html

2.http://blogdoedvar.blogspot.com.br/2009/04/ameaca-cidadania-da-mulher-batista.html 


(Publicado inicialmente no Facebook, em 22.03.14)

Verdadeiro amor?

Há quem diga que o verdadeiro amor entre duas pessoas acontece depois do casamento. 

Não gosto muito da expressão "o verdadeiro isso", "o verdadeiro aquilo". Quem pode afirmar se antes era ou não verdadeiro, ou se o que alguém experimentou foi verdadeiro ou não, ou se a compreensão de alguém transformada num discurso bem elaborado é verdadeira ou não? 

O que consigo enxergar é que o amor pode ser "verdadeiro", mas a pessoa pode não estar preparada para vivenciá-lo em toda a sua plenitude, em determinada circunstância. Então a relação fica comprometida não pelo amor não ser verdadeiro, mas pela pessoa não conseguir ou não se dispor a levá-lo às últimas consequências. Exemplo? A resposta sincera de Pedro, no famoso "tu me amas". Seu amor por Jesus não era o Ágape, admitiu, mas tão sincero que Jesus disse: "apascenta as minhas ovelhas".

(O fato de nem todos desenvolverem um nivel profundo de abstração para analisar sentimentos e distinguí-los, não quer dizer que não sejam capazes de vivenciá-los. Experiência, elaboração, definição da experiência, resignificação da experiência e nova experiência são fases que, na prática, se misturam. Não são, portanto, lineares. A ocupação com a análise e distinção da experiência não parece ser do interesse de todos, conquanto seja importante).

O que leva duas pessoas à construção de uma relação são sentimentos e motivações que no início, geralmente não são muito claros ( Amizade? Dinheiro? Sexo? Poder? Status? Etc). A convivência vai "acrisolando" o tipo de sentimento e atitude de um para com outro. Quanto mais testados e resistentes, mais se consolidam. Isso seria amor "verdadeiro"?

Isso me vem à mente, sem maiores pretensões, ao olhar pra Gláucia dormindo ao meu lado num quarto de hotel (depois de uma perfeita viagem de cinco horas de carro pelas estradas da Bahia) e pensar nos mais de 31 anos juntos, colados, na alegria e na tristeza ... bla, bla, bla, bla, bla bla, bla, bla, bla. (Edito: Não só alegrias e tristeza, bla, bla, bla, provocadas por fatores externos a nós dois, mas também nas que provocamos um ao outro)

E pra não matar o "vício" de escrever, escrevo e saio de cena!


(Postado inicialmente no Facebook, em fev de 2014)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Nossos filhos (II)

Se há algo que nos faz sorrir,
Que mexe com nosso coração,
Que nos enche de vontade de "curtir", de "compartilhar",
Isso é notar um ar de satisfação,
No rosto dos nossos filhos,
Na voz dos nossos filhos,
Nos escritos dos nossos filhos,
Nas "composições" dos nossos filhos,
Nos "trabalhos" dos nossos filhos.

Isso compensa as distâncias,
As saudades,
As expectativas,
Os receios,
As inseguranças,
As incertezas,
A ansiedade...

Não há nada que mais nos realiza
Do que tê-los incentivado
A escolher,
conquistar,
construir,
e trilhar seus próprios caminhos;
A saber que podem cair,
Que podem se levantar,
Que são capazes de prosseguir,
Que são capazes de se recuperar,
Sem colocar o sustento financeiro como prioridade,
Sem perder a consciência de que ele - o sustento - é necessidade,
Mas que não está acima de poderem escolher e fazer
Aquilo que lhes produz felicidade,
Aquilo que faz bem para si e para a sociedade.

"Até aqui nos ajudou o Senhor"
Obrigado e parabéns Mônica Gimenes Hernández e Raphael Carvalho Gimenes. Obrigado Gláucia Gimenes!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Meu tio toninho e minha zoadeira com corintianos


Eu tinha seis anos de idade. Todo dia saia da escola – minha primeira série com a saudosa profª Lili - e, em vez de ir pra casa, passava no Mercado Municipal de Garrrça, onde meu tio Toninho tinha um botequim.


Muitas vezes ele pedia pra eu ficar tomando conta enquanto ele ia almoçar. Eu me sentia o máximo. (Hoje suponho que ele pedia pros amigos do Box ao lado ficar de olho). 



Desse tempo recordo do dia em que selecionei alguns dos doces mais gostosos do botequim - adorava também as coxinhas feitas pela tia Andrelina -, deixei reservado num canto pra levar sem pedir e sem pagar (roubar, digamos!). Só que ele chegou e eu não consegui pegar. Fui embora e não voltei mais, envergonhado e com medo. Ele então, os levou pra mim e disse. Acho que é seu. Fiquei com vergonha, mas aprendi algumas coisas disso que trago comigo até hoje. Nunca falei com ele sobre isso. É o meu tio preferido. Viajei de caminhão com ele, perdi uma unha do dedão ao fechar a porta do caminhão em frente a uma oficina e o admirava muito (e ainda o admiro).



Foi nesse tempo que aprendi a zoar com corintiano.



Toninho, irmão de minha mãe (e pai de Valmir Gimenes e Márcio Gímenes ) era corintiano roxo. Lembro-me das vezes que chegava ao mercado e seus amigos começavam a zoadeira. (Não lembro o nome, nem a imagem dos amigos do Box ao lado, mas lembro-me dos sírio-libaneses Armando, da loja de tecidos, e Mamede da loja de brinquedos). Pois bem, eles perguntavam pra mim: pra que time você torce? Meu tio se antecipava e dizia: Corinthians. Eu olhava pra ele e dizia: não, é Santos. E todo mundo ria.



Aprendi a zoar e nisso passei a vida inteira tendo os corintianos como meus favoritos de zoada. E, pra não perder o costume, eis-me aqui, depois de mais de 50 anos, fazendo o mesmo, depois das desclassificação corintiana, nesse final de semana!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Tudo me é permitido

"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convém; todas as coisas são lícitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma delas (pois "nem todas edificam")." (I Cor. 6:12,23)

Todas as coisas me são lícitas. Isso não é invenção de Paulo. Até veneno de cobra tem sua utilidade, pelo menos para dele extrair-se soro para anular os efeitos mortais sobre quem por ela picado. Não há, portanto, nada neste planeta que seja absolutamente ilícito. Tudo tem a ver com a forma e finalidade do uso.

Isso exige que cada pessoa desenvolva sua inata capacidade de pensar em torno das informações que dispõe, abstraindo, fazendo conexões entre elas, construindo conhecimento e encontrando possibilidades. Por isso, dizer ou fazer algo, não pode ser classificado como nocivo à vida da pessoa ou das pessoas ou coisas que as cercam, senão após avaliação.

Há coisas cuja decisão em torno delas não exige uma parada para avaliação. A experiência demonstra os prejuízos e assim, automaticamente decidimos fazer ou não fazer. Exemplo: ninguém se aproxima de um abismo pra estudar os efeitos de se atirar nele (a não ser para especular como poderia se sentir atirando-se à morte). Já temos noção dos efeitos e instintivamente nos preservamos.  Porém, a distância que devemos ficar de sua margem, abre uma possibilidade de avaliação, dependendo das experiências, da estrutura emocional e capacidade cognitiva de cada um.

(By András Sásdi and Raphael Gimenes)

Visitando a maravilhosa Cachoeira da Fumaça, na Chapada Diamantina, depois de 2h30 de caminhada montanhosa, senti um desejo profundo de ver a beleza dela por ângulos, cujo risco de cair abismo adentro era grande. Aceitei meus limites e troquei, conscientemente, a possibilidade de ver algo ainda mais belo pela segurança, não me arriscando. Outros se arriscavam mais.

(By András Sásdi)
(Enquanto meu filho se arriscava, confesso, eu de longe orava)

Todas as coisas e pessoas têm seu lado bom ou ruim, ainda que inicialmente imperceptível. Daí todas as coisas serem lícitas, daí o complemento das palavras de Paulo: “mas nem todas me convém”.

“Nem todas as coisas me convém” indica que de cada um deve ser reconhecido o direito e responsabilidade de escolher  (se é ou não conveniente), inerente à sua condição humana.

Claro que condição de escolher e poder de escolher não são a mesma coisa. Poder escolher depende de fatores diversos. Quanto maior for nossa dependência de alguém ou de algo, menor nosso poder de escolha.

É comum ouvirmos adolescentes dizendo: “não vejo a hora de completar 18 anos”. Ele está pensando somente na independência civil, mas nessa idade, a não ser em casos excepcionais, a maioria não terá alcançado a independência econômica. Ganha o poder civil, mas a dependência econômica mantém restrito seu poder de escolha.

O medo de acreditar na própria capacidade de pensar, leva pessoas a fazerem ou deixar de fazer coisas, apenas porque herdou a informação de que pode ou não pode. Jamais se aventurou a perguntar, pesquisar e avaliar o porquê do pode ou não pode. São pessoas que se regem a vida inteira por costumes (mores, no latim = costumes, moral) não porque entendeu o que gerou tal costume, mas apenas para não contrariar seu grupo significativo.

Não perguntam, por exemplo: por que isso ou aquilo é ilícito, proibido? Ou: a partir de quando e de que lugar tornou-se ilícito, proibido? Ou ainda: os elementos ou motivos que justificaram a ilicitude, proibição, naquele tempo e local continuam presentes em nosso tempo e espaço?

Reconheço que, seja pela necessidade de controlar outros, seja por insegurança, medo ou mesmo dúvida sobre a própria capacidade de carregar nos ombros o peso da liberdade, alguns preferem seguir costumes, cegamente. Se seus limites são estreitos, têm meu respeito, mas também devem reconhecer que não lhe cabe impor a outros que se enquadrem no seu quadrado.

O alerta paulino, em seu contexto, traz consigo uma carga restritiva, mas também deixa uma brecha à decisão individual. Que sejamos capazes de avaliar custo-benefício, implicações, efeitos colaterais sobre si e próximos, e assim exercer nossos direitos e deveres de maneira saudável, para o bem de todos e glorificação do criador.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Uma trilha para encarar as adversidades

“...já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.”  (Filipenses 4:11-12)

Paulo aprendeu. Ainda estou aprendendo. Ensinar como Paulo conseguiu é infinitamente mais fácil do que efetivamente conseguir. Elaborar um discurso diante de um computador, numa sala com ar-condicionado, torna tudo mais fácil. Agir quando circunstâncias adversas nos abatem, quando o essencial nos falta, quando as necessidades não são supridas, como se dizia antigamente, “são outros quinhentos”.

Receita não existe, mas uma trilha pode ser apontada.

O aprendizado de Paulo começou no relacionamento com Deus, pois é Ele quem desencadeia o processo de mudança e nos aperfeiçoa. A forma dele encarar a vida não se deu só porque desejou, ainda que isso seja parte essencial do processo, nem foi fruto de um mágico estalar de dedos ou de um levantar de braço “aceitando a Jesus”.

Essa atitude teve o amor como seu mais importante ingrediente. O amor deve crescer em nós “em ciência e todo entendimento”, pois tem poderes inimagináveis. Quando somos tocados por ele, brota em nós um processo de mudança interior que cresce e altera nosso modo de viver. Quando ele se torna nosso bem supremo – afinal, “Deus é amor” -, nosso modo de nos olharmos e de olharmos o mundo muda, ganhando novos e positivos significados.

O amor as causas divinas tornou-se tão forte na vida de Paulo que, mesmo na adversidade, ele conseguia destacar os benefícios que isso trazia à proclamação do evangelho.

Quando se deparava com pessoas cujo agir era movido por intenções eticamente discutíveis, em vez de amargurar-se ele procurava encontrar algo de bom e isso parecia ocupar sua mente. Essa postura fazia com que ele sempre se enxergasse no lucro. Se meu viver é Cristo, morrer pra mim é lucro, dizia ele em outras palavras. Quem encara a morte como lucro, encara as vida com outros olhos.

Destaque-se também seu empenho em conhecer a Jesus e identificar-se com seus sentimentos, fato que inverteu a ordem em sua escala de valores. “O que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo”, afirmou ele.

Paulo tornou-se referência não por ser o que gostaria ou ser tudo o que todos gostaríamos. Porém, até mesmo o fato dele reconhecer que não havia chegado onde gostaria ou deveria – a estatura do Cristo – também se tornou dado importante. Em vez de lamentar pelo que não conseguia, ele empenhava-se em direção ao alvo desejado.

As ansiedades, próprias de quem se envolve num projeto de vida dessa natureza, ele recomendava que fossem canalizadas para Deus, na oração, entendida como diálogo franco, sincero, recheado de pedidos e agradecimentos. Recomendava ainda, que o pensamento deveria girar em torno do louvável – aquilo que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e de boa fama -.

Por viver centralizado em Jesus, em vez de achar-se merecedor somente de coisas boas, ele reconhecia poder “todas as coisas em Cristo que me fortalece”. Daí o “...já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.”  (Fp 4:11-12)

Sua vida girava em torno não apenas do que lhe trazia “dádivas” – ele diz que nem as buscava -, mas daquilo que poderia frutificar na vida alheia.

Portanto, chegar à condição em que Paulo declarou estar, era resultado de mudanças no relacionamento com Deus, manifestas em: viver na esfera do amor; girar em torno de Jesus e seus sentimentos; conviver com suas próprias limitações; incluir a oração como essencial à vida; pensar no bem alheio e alterar sua escala de valores.


Acha fácil essa trilha?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A finalidade do trabalho de uma diretoria

Li um texto de Randy Komisar, publicado no site “Harvard Business Review”, afirmando que nós necessitamos de gerentes, não porque as pessoas precisam de um chefe, mas porque elas precisam de alguém para resolver questões que as fazem parar de fazer seus trabalhos. Isso me fez pensar no quanto é essencial sabermos qual a finalidade dos cargos ou funções que ocupamos.

Se numa organização com a complexidade da Convenção Batista Baiana, que lidera a cooperação de aproximadamente 600 igrejas e mais de 400 congregações (cada uma com múltiplos ministérios); 19 associações; quase 60 missionários mantidos diretamente por ela; 4escolas de formação ministerial ou de responsabilidade social com centenas de alunos e funcionários; 5 organizações de formação cristã; 2 organizações auxiliares (pastores e diáconos); 1 acampamento com 240 mil m2 com dezenas de casas e cabanas; diversas organizações parceiras e ainda lida com os desafios de um Estado como a Bahia e anseios de milhares de pessoas, repito, se numa instituição como esta não soubermos claramente qual é a finalidade do nosso cargo, as pessoas envolvidas terão dificuldade de fazer o que lhes compete.

À luz disso, diria que o papel da diretoria de uma Convenção é: 1) não atrapalhar as igrejas, órgãos e entidades a ela vinculados, na realização de suas tarefas; 2) pensar estrategicamente antecipando alternativas que facilitem a caminhada dos cooperantes no cumprimento dos objetivos; 3) intervir somente quando surgem obstáculos à realização do que se almeja.

Quanto melhor estiverem transcorrendo os trabalhos, menos a diretoria aparecerá. Se uma diretoria aparece muito em uma organização, de duas uma: ou a organização está indo mal ou os dirigentes sentem necessidade política ou psicológica de aparecerem.

Nesse espírito a atual diretoria interveio no funcionamento do Escritório da CBBA a fim de que cada pessoa pudesse fazer bem feito seu trabalho pela saúde da Convenção. Saneamos sua administração e organizamos suas finanças, a fim de que, doravante, nossos pensamentos e energias possam ser focados nas atividades fins. (Tem sido um alento ter os balancetes mensais atualizados e o Conselho Fiscal examinando-os e ajudando-nos a fazer os ajustes nos processos).

Nesse mesmo espírito a diretoria interveio no Colégio Taylor Egídio e no Acampamento (CENTRE); acompanhou atentamente os passos do Seminário de Feira e participa agora dos rumos do Seminário de Salvador (que, legalmente, está em processo de tornar-se filial doSTBNE-Feira); deu alguma atenção aos problemas financeiros da UFMBBA; está atenta ao processo de reativação da JUBAB; acompanhou algumas igrejas com problemas e está iniciando uma agenda de aproximação com a Escola Kate White.

Entregar o Escritório reorganizado ao novo Secretário Geral permitiu que nos voltássemos parao último ponto macro da agenda de transição: a reforma do estatuto. Tal reforma não tem a ver primeiramente com aspectos estruturais ou administrativos. Ela tem a ver com a distribuição de atribuições, responsabilidades, poder. Se conseguirmos efetuar uma reforma norteada porclareza: 1) na definição da finalidade de cada órgão ou entidade; 2) na definição de atribuições (eliminando superposição de poder); 3) na composição e na forma de renovação da liderançafortalecendo a democratização e possibilidade de alternância nos cargos, se atingirmos isso, eliminaremos a maioria das causas que transformaram as reuniões deliberativas das últimas assembléias em momentos desconfortáveis, provocando retração na cooperação e lentidão no avanço missionário.

A obra missionária na Bahia avançará significativa e ainda mais saudavelmente se entendermos como essencial compreender que “obra missionária” não se refere somente ao envio de pessoas para plantar novas igrejas, mas à ação sinérgica das igrejas, associações, órgãos e entidades na educação cristã, no preparo teológico-ministerial da liderança, na responsabilidade social e proclamação do evangelho. Isso acontecerá mais eficazmente se, especialmente nós, dirigentes,tivermos clareza de nossos papéis e exercitarmos adequada e eticamente nossas atribuições.

O que você pensa sobre isso?


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Graça

Graça? 
Que graça?
Graça sem graça?
Mau humorada?
Racorosa?
Agressiva?
Impiedosa?
Desleal?
Desonesta?
Peçonhenta?
Imoral?

Graça?
Que graça?
O que mesmo significa graça?
A do papel?
Do idiomismo?
Do discurso?
Da marturbação linguística?
Da disputa pelo poder?
Da disputa pelo mercado?
De disputa pelo púlpito?

A divina?
O que mesmo significa graça divina?
Que a chuva isola os maus do seu frescor?
Que o sol nasce somente sobre os bons?
Os bons de grego, de hebraico?
De lábia e não de lábios?
Os bons de discursos?
De desaforos?
De sabotagem?
De marginalização?
De discriminação?
De separatismo?

Socorro!
Quero graça!
Cara!
Preciosa!
Mas Graciosa!
Mas Amorosa!
Mas Humorosa!
Não um conceito
Mas uma vida
Não uma teoria
Mas um experiência
Não um cisma
Mas uma aproximação
Não um afastamento
Mas um encontro
Não um chega pra lá
Mas um vem pra cá 
Não como você quer
Mas "tal qual estou"
Não a que digo merecer
Mas a que Ele diz que mereço
Não a que mereço pelo que digo fazer
Mas pelo que ele fez e me faz ser!

Bendita graça
Maravilhosa graça 
Foi essa que me buscou
Foi essa que me acolheu
Foi essa que me abraçou
Foi essa que me "salvou"!
Foi essa que me restou
É essa que eu te dou
Mesmo quando não sou
O que penso e discurso que sou.

(Edvar Gimenes de Oliveira)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Mônica e Raphael - Nossos Filhos (1)


Eles vão partir, seria melhor, então, não vir?

Quando eles vêm, tudo muda.

O espaço, a mãe, o pai, o gato, a comida, a rotina ...
É como se fossem uma visita super especial. E são!
De repente tudo gira em torno deles
Se uma decisão vai ser tomada, o voto deles vale o dobro
Se uma comida vai ser preparada, o gosto deles vale o dobro
Se um passeio vai ser planejado, pra onde mesmo eles querem ir?
O problema é que eles vêm, mas também vão.
E quando eles vão a gente se olha e pensa a mesma coisa: quando será que voltarão?
E quando eles vão a gente se olha e sente a mesma coisa: isso aqui ficou vazio!
E já começamos a planejar: vamos até eles, não é ? Quando será?
E mesmo não estando presentes, parece que tudo começa a girar em torno deles.
O orçamento passa a ser ajustado em função de uma ida até eles ou de uma vinda deles até nós.
A agenda começa a ser ajustada de tal forma que, naquela data, nada nos impeça!
É como se eles dessem sentido à nossa vida. E dão!
Por eles, abrimos mão disso, daquilo, daquiloutro.
Não, não se trata de negação da própria vida
É afirmação da própria vida.
Isso dá prazer.
isso da alegria.
Se temos isso, o que mais é preciso?
Mas eles vão. 
E se vão, seria melhor, então, não virem?
Nada disso. 
A vinda, ainda que curta, alimenta a alma.
E cada dia sem eles, vai sendo mantido pelos momentos vividos com eles.
Que ruim porque vão, que melhor, porque podem vir.
Que vão pra longe, mas que possam vir.
E se não puderem, que possamos ir.
E que esse ir e vir nos faça rir, rir, rir, rir rir.
E se tivermos que chorar, choremos porque pudemos rir.
Já estou chorando, porque nesses dias um deles nos fez rir
E, já, já, vai partir!
(Copyright)
Raphael é musico, estudando na Royal Academy of Music, em Aalborg, na Dinamarca (e, neste semestre, estudante intercambista na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, em BH). Mônica é jornalista e mestranda em Literatura Espanhola da Florida Atlantic University, em Boca Raton, USA

A denominação batista


Seria possível afirmar que a denominação vai mal, sem sermos tidos por inconsequentes, imaturos ou maldosos? 

Denominação = sua igreja local + associações + convenções estaduais + Convenção Brasileira + Aliança Mundial + todos seus órgãos e entidades auxiliares ou executivas (ex.: seminários, agências missionárias, uniões femininas, masculinas, etc) etc etc etc.

Então, quando alguém afirma que a denominação vai mal, pensamos logo que ele - esse alguém - esta insatisfeito com sua igreja, representação mais próxima da denominação em sua vida, a que ele conhece melhor e tem mais autoridade para dizer e comprovar.

Para dizer, com propriedade que a denominação vai mal, seria preciso definir critérios e pesquisar o que está acontecendo, de fato, em T O D A S as suas organizações para chegar a uma conclusão. Escolher casos ruins e generalizar deixa dúvidas sobre a motivação de quem assim fala, parece.

Então, se alguém quer emitir um parecer consistente, seja específico. Exemplos: minha igreja vai mal, por isso, por isso e por isso. A Ordem de Pastores Batistas vai mal por isso, por isso e por isso. O seminário tal vai mal por isso, por isso e por isso. E assim por diante.

Aponte qual (ou quais) dos elementos da denominação está mal e o que fundamenta sua opinião. Sem isso sua palavra poderá ser vista como inconsistente, talvez fruto de algum sentimento mal resolvido ou simples imaturidade. Sem isso, quando quiser falar sério, não será ouvido!

Será que estou equivocado?

Gláucia


Ela dorme relaxadamente
E já nem mais sente que pego em seus pés.
Ela dorme relaxadamente
E já nem mais sente que pego em seus pés.

Ao som de canções
De voz doce, suave,
Que falam da vida
E da simplicidade
Apenas um violão
Com batida latina
Ela dorme tranquila
Enquanto sonho a seus pés

Dorme, meu amor
Dorme relaxadamente
Pois me sinto mais gente
Pegando em seus pés.

Durma bem, Gláucia Gimenes!


(₢ copyright)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Perdemos uma pastora de fibra, comprometida com o Reino de Deus

Alheia à m ... ão bíblico-teológica praticada por alguns pastores em torno do pastorado feminino, a pernambucana Celina Feitosa, de Exu, PE, pastoreou por 25 anos a IB Emanuel, no distrito de Pilar, Jaguari, sertão baiano, onde alguns de nós pastores nem em fantasia imaginaria ir, pois...

Morreu em acidente automobilístico, juntamente com sua mãe, nesse 29 de janeiro, voltando de Fortaleza!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Ajustes inevitáveis em 2014 na IBGraça.SSA

O ano de 2014 começa com uma perspectiva de mudanças, no mínimo no estilo de liderança, na caminhada da IBGraça.SSA. É que, em relação ao final de 2012, 100% dos ministros de área não serão os mesmos.

Para os mais novos, recordo que trabalhamos em torno de 7 áreas ministeriais. Elas são “guarda-chuvas” de todas as atividades desenvolvidas pela igreja. Em outras palavras: nenhuma atividade oficial da igreja acontece se não estiver ligada a uma destas áreas: adoração, administração, atuação social (CECOM), comunhão, ensino, pastoral e proclamação.

Cada área, além de um ministro, possui 3 membros (+ 3 suplentes) que formam um conselho de área. A finalidade e atribuições de cada conselho estão descritas no Regimento Interno da Igreja. Como os membros destes conselhos são renovados anualmente em 1/3, sempre há, também, possibilidade de mudanças internas nos ajustes de forças.

Costumo dizer que os conselhos de áreas são os aceleradores da igreja. A forma, a disposição, a disponibilidade, o estilo, enfim, de cada ministro, determinam o ritmo como cada área se comporta.

Evidente que a velocidade do vôo de cada área também é determinada pela qualidade e quantidade de membros dispostos a trabalhar e dos recursos financeiros disponíveis. Mas, mesmo havendo pessoas e recursos financeiros, são os líderes que acabam por determinar o ritmo da caminhada.

Além disso, o ritmo também é influenciado pela sinergia entre as diversas áreas. Igreja é corpo. Se uma área correr demais sem levar em conta as demais, o corpo manifestará seu desconforto e pode até adoecer. Nesse sentido, em primeira reunião de ministros, ficou preestabelecido que os eventos deverão ser como que de todos, independente da natureza e de que área o promove, visando o fortalecimento e unificação das ações.

Uma diferença nesta nova composição do Conselho de Ministros é que todos os 7 exercem o controle do seu próprio tempo (isto é, não são empregados com carga horária e horários rígidos). Isso torna suas agendas mais flexíveis e possibilita maior regularidade nos encontros. Um café semanal, nas quartas-feiras, antes do culto, já ficou pré-agendado, fato que permitirá maior interação.

Em face disso, é fundamental que a igreja tenha um pouco de paciência, especialmente neste início de ano, pois, certamente, todas as áreas sofrerão adequações, ainda que isso seja feito com a devida cautela. Peço atenção destacada para a área de adoração, responsável pelos cultos, especialmente no que se refere a som e data-show. Estamos atentos a algumas necessidades e, na medida da urgência possível, serão corrigidas.


Sobretudo, contamos com suas orações e reconhecimento de que, embora por imposição legal tenhamos características empresariais (lidamos com patrimônio, contabilidade, obrigações trabalhistas, fiscais, previdenciárias enfim), somos uma instituição de natureza religiosa, cuja finalidade não é produzir resultados numéricos, shows ou lazer, por exemplo, mas contribuir para uma melhor qualidade nos relacionamentos com Deus, com o semelhante e com o meio ambiente onde a vida se desenvolve, à luz da vida e ensinos de Jesus. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O Dia do Natal


A comemoração do Natal sempre gerou controvérsias. Desde sua origem, quando a Igreja Católica resolveu substituir as celebrações do nascimento do Deus Sol pelo nascimento de Jesus, até o presente quando, por exemplo, no Uruguai, por razões políticas (separação Igreja - Estado) o Dia do Natal é oficialmente o Dia da Família , ou, por razões comerciais, especialmente nos Estados Unidos, Feliz Natal tem sido substituído por Boas Festas, ou ainda, por razões puristas, fundamentalistas abominam a festa por considerá-la pagã, a controvérsia sempre existiu e existirá.

Acredito que o mais importante é que o Natal seja revestido de gratidão a Deus por manifestar-se na pessoa de Jesus. Se movidos por esse sentimento nos presenteamos, nos reunimos em comunhão, celebramos e isso provoca desdobramentos econômicos, comerciais, políticos, não importa. Até porque nada nesta vida acontece isoladamente, sem afetar diversas dimensões dela. 

O importante é não perdermos o foco: "Deus amou o mundo de tal maneira que enviou seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna".

Natal é isso. Celebração do amor de Deus, manifesto em Jesus. O resto é recheio. Recheio é bom, mas o que sustenta é a essência e a essência do natal é Jesus. 

Essencial, também, é que o reconhecimento de Jesus não seja apenas um discurso de Natal, mas o parâmetro de nossa caminhada cotidiana, com todas as suas implicações dentro das limitações do contexto sócio-histórico-psicológico de cada um.

Tenha um ótimo Dia de Natal.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

É Natal em Lajedinho


Natal é Natal. Uns pensam no significado teológico, outros, no sociológico, no econômico, no comercial, no lúdico e assim por diante. Não vem ao caso aqui discutir o verdadeiro, o essencial ou o que é prioritário no Natal. É que, independente do significado escolhido, priorizado, ninguém está imune às influências dos demais significados.


Dos que se utilizam das razões mais espirituais aos que se movem estritamente pelas materiais, todos, em maior ou menor grau, são envolvidos pelo clima deste período do ano. Seja pelas luzes coloridas, pelas músicas da estação, pela agitação nas ruas, pela superlotação dos shoppings, enfim, seja por qual motivo for, o fato é que o perfume do natal se espalha pelo ar.


Este ano, porém, o Natal não será o mesmo em Lajedinho. Famílias não se reunirão em torno da antiga mesa; cristãos não se unirão em cânticos sob o antigo teto; presentes não serão comprados nas antigas lojas; crianças não dormirão nas antigas camas à espera do presente sob a árvore de natal; comidas não serão preparadas no antigo fogão, pessoas não circularão com desenvoltura nas antigas ruas. Alguns nem mais poderão abraçar entes queridos. Outros estarão chorando pelos que partiram de forma tão dramática. É que uma tromba d’água devastou esta cidade de 4000 habitantes, da Chapada Diamantina.

Estava aqui com meus botões pensando em como estarei neste natal. Mantidas as condições atuais, estarei ao lado de quem amo; poderei presentear os filhos, embora distantes; darei e receberei telefonemas de felicitações; ouvirei música coral, congregacional e mensagens num auditório climatizado e até participe de uma “ceia de natal”.


Porém, honestamente, não estou me sentindo confortável em usufruir tudo isso, sem levar em conta a situação daqueles que estão sofrendo, especialmente os de Lajedinho. Não posso fazer de conta que nada está acontecendo, inclusive porque, hoje são os moradores de lá, amanhã poderá ser os de cá.

Sendo assim, gostaria de fazer duas propostas: 1) que, neste Natal, a oferta de gratidão que no domingo passado recomendamos ser para reformarmos a cozinha-refeitório, seja para enviarmos socorro àqueles que sofrem em Lajedinho; 2) que o mesmo valor que formos gastar com nossas festas familiares seja dedicado aos que estão vivendo o drama de Lajedinho.


Deus, depois, nos dará os recursos para continuarmos nossos projetos não emergenciais. Alguém apóia?

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

De Deus não se zomba

Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos. Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé. (Gálatas 6:7-10)

De Deus não se zomba. 
Essa frase não visa amedrontar-nos. Seu objetivo é chamar nossa atenção para o fato de que Deus conhece profunda e detalhadamente nossas motivações, nossos objetivos; que, embora a liberdade seja a marca do cristão, como tão bem Paulo esclarece aos Gálatas, isso não significa que estamos livres das consequências das leis por Deus estabelecidas. Elas continuam vigendo e produzindo seus efeitos.

Ela – a frase do título em epígrafe - não quer dizer que Deus está em constante observação, avaliação e definição de recompensas para cada um de nós. Indica que há princípios que devem ser observados se quisermos construir ambientes favoráveis ao desenvolvimento social humano e da vida como um todo.

Vale destacar, ainda, que Paulo não está discutindo a graça divina nem o problema filosófico do mal, mas a responsabilidade humana e as consequências das escolhas que fazemos, das ações que praticamos. Está mostrando, portanto, que há uma relação íntima entre o que fazemos e as consequências disso, inclusive no campo da ética.

Daí ele nos lembrar que, no exercício de nossa liberdade, devemos ter consciência de estarmos nos permitindo agir norteados pelo Espírito Santo ou por um desejo interior que desconsidera sua presença em nós, denominado “carne”. Para traduzir e detalhar melhor a idéia que apresenta, ele exemplifica mencionando elementos que caracterizam as duas alternativas.

Pessoas norteadas por desejos que desconsideram a presença do Espírito Santo têm sua conduta caracterizada por “imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciumes, ira, egoismo, dissenssões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes” . Já as que se permitem dominar pelo Espírito se caracterizam por: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”.

Claro que essas listas não abarcam todas as manifestações e o significado e aplicação de cada palavra delas precisam ser analisados em profundidade, mas são suficientes para exemplificar as consequências das diferentes escolhas que fazemos.

Não se deve imaginar também que a presença ou ausência de elementos de uma ou outra lista na vida de uma pessoa seja tão distinta como preto ou branco, oito ou oitenta. Nossas limitações possibilitam que elementos das duas se manifestem ocasionalmente. Porém, a pessoa movida pelo Espírito Santo têm consciência desses caracterísiticos e não agem cinicamente quando os da “carne” prevalecem.


Sim, de Deus não se zomba. Não há ação sem reação. Não há decisão sem consequências. Pense nisso!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O apagão na Câmara dos Deputados Federais

O apagão na região nordeste ganhou as manchetes na tarde de 28 de agosto, não somente pelos prejuízos incalculáveis à economia, mas também pelos danos físicos e morais que decorrem da falta de energia, num mundo que gira em torno das turbinas de hidroelétricas.

Prejuízo maior, porém, ocorreu no final da noite do mesmo dia, no plenário da Câmara dos Deputados em Brasília. Escondidos sob a máscara do voto secreto, a maioria dos representantes de interesses corporativistas, por ação ou omissão, decidiu manter em seus quadros o primeiro deputado federal - Natan Donadon (PMDB-RO) - condenado pelo Supremo Tribunal Federal, na “Nova” República.


A população, talvez com os olhos fitos nos jogos de futebol da quarta-feira à noite, pareceu não se dar conta do que significaria o atentado cometido pelos deputados contra o país. Não percebeu, pelo menos não a julgar pela inicial falta de reação, o significado ético e político da referida decisão.

Primeiro, a decisão indica que, no Brasil, nem todos são iguais perante a lei. Ora, se o STF condena um indivíduo, depois de um processo que levou anos tendo o réu todas as chances de se defender; se vivemos sob a “Lei da Ficha Limpa” que impede condenado por órgão colegiado a candidatar-se; se um funcionário público pode ser demitido após sentença judicial transitada em julgado, como podem os deputados preservar como representante do povo um criminoso que já está atrás das grades?

Segundo, a decisão não afirma o legislativo como um poder independente, mas como um poder que afronta o povo que deveria representar, que desrespeita a decisão daqueles que têm o poder para colocar atrás das grades qualquer indivíduo julgado e condenado, independente de serem ou não, os juízes, susceptíveis – e são – de influências políticas.

Terceiro, a decisão indica desrespeito aos milhões de empobrecidos deste país que trabalham e pagam impostos não para sustentar família de criminoso com prestígio, que está atrás das grades, mas na expectativa de ter melhor saúde, educação, segurança, etc.

Quarto, a decisão indica à sociedade que o crime compensa. Que um indivíduo é condenado por ter roubado milhões do dinheiro de altíssimos e sem retorno impostos pagos por nós, não devolve um centavo – até onde ouvi -, e sabe que, após passar alguns anos atrás das grades, voltará ao cotidiano e usufruirá do fruto do seu ato criminoso para o resto da vida.

Quinto, a decisão confirma o que a população já percebeu: se eles mantêm em seus quadros um bandido, quando poderiam expurgá-lo, isso evidencia um ato de precaução a favor de si próprios, por possível consciência (consciência?) de rabo preso.

Sétimo, a decisão indica um total desrespeito ao mínimo de postura ética esperada por aqueles que são eleitos para trabalhar por um país mais justo, no qual a corrupção deveria receber adequada e exemplar punição.



Lamento, profundamente, a decisão dessa quarta-feira, 28 de agosto e, em meu círculo de relacionamento, me empenharei para transformar esse lamento em ações contrárias a esses “homens de máscara”, mais perigosos do que os chamados “vândalos de junho”, eleitos por nossos votos e sustentados pelo fruto do nosso trabalho, que cometeram tamanho atentado contra todo um país.