segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Minha passagem pela Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem (Parte 2 - entrevista sobre o NASCE)

(Compartilho na íntegra esta entrevista feita por Juliana Outtes, para a Revista EMANUEL de Julho de 2014, da Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, igreja a qual servi como pastor em dois momentos: junho de 1987 a outubro de 1992 e dezembro de 2000 a junho de 2003. Ela trata da minha relação com o Núcleo de Atuação Social Cristã Emanuel - NASCE -, criado em minha segunda passagem como pastor daquela Igreja).

1. Pastor, qual a sua história com a ação social cristã?


Meu interesse pelo assunto foi despertado aos 20 anos, quando cheguei ao STBNB. Leituras, diálogos, ampliação do conhecimento da realidade social do país, aprofundamento no conhecimento bíblico-teológico despertaram em mim o interesse pela dimensão social do evangelho, pois até então a expressão da minha fé girava em torno do futuro - céu-inferno - da alma de cada ser humano.


No Seminário aprendi com solidez sobre o interesse de Deus pelo ser humano integral, por todas as dimensões da vida e passei a construir uma visão integral do evangelho. Fui aluno de Harald Schaly, ex-pastor da Emanuel, o qual nos sensibilizava muito para esta área ministerial da Igreja.


Também trabalhei tanto nas pesquisas preliminares de campo quanto no desenvolvimento do Projeto TransCoque, desenvolvido pela então Igreja Batista da Rua Imperial em parceria com a Visão Mundial.


Já no primeiro ministério, em Maceió, me envolvi em ações de responsabilidade social, tanto nas de assistência e de serviço quanto nas de ação; tanto aprofundando trabalhos desenvolvidos pela Igreja Batista do Pinheiro quanto participando da criação de outros.


O mesmo fiz na minha primeira e segunda passagens pelo pastorado da Emanuel.


Além disso, tenho colaborado como preletor sobre o assunto em diversos estados da federação; fiz parte do Comitê de Ação Social da Convenção Batista Brasileira e tive participação ativa na criação da Câmara Setorial de Ação Social nas assembléias dessa Convenção.


Tenho também incentivado a manutenção do Centro Comunitário da Igreja Batista da Graça, Salvador, no qual funciona posto de saúde em convênio com a Secretaria Municipal de Saúde; Balcão de Justiça e Cidadania em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia; cursos para 500 alunos em parceira com o Instituto Federal da Bahia e PRONATEC; escolinha de futebol de salão, karatê e capoeira; club de mães e da terceira idade e, agora, estamos construindo uma cozinha-refeitório com equipamento profissional para cursos de empreendedorismo na área de alimentos, além de outros.


Nesses dois anos na presidência da Convenção Batista Baiana elevamos o tema da responsabilidade social a uma posição de destaque, dedicando uma das noites das Assembléias a esta temática.


2. Como se deu sua atuação no NASCE?


Para falar do NASCE é preciso que nos lembremos de algo da história da Emanuel. Dois pontos distiguiram a Emanuel das demais igrejas do Recife nas primeiras décadas de sua existência: 1) a realização de um fortíssimo trabalho em lingua inglesa, tanto culto quanto escola Bíblica, sob a liderança do casal missionário Glenn e Audrey Swidegood; 2) A existência da Creche Raio de Sol, criada no pastorado de Harald Schaly que achava absurdo as salas das igrejas ficarem a semana inteira desocupadas.


A Creche funcionava em parceira com a Kindernothilfe, sediada na cidade de Duisburg, Alemanha, e com a DIACONIA, tendo como intermediária no Brasil a organização Amparo ao Menor Carente - AMENCAR - e abrigava diariamente 200 crianças, das 7 às 17 hs. Além disso, auxiliava financeiramente famílias empobrecidas da então favela Ilha do Destino.


Com o fim das parcerias, a Emanuel decidiu, em 1993, sob a liderança do Pr. Josias Bezerra, que a Creche deveria ser encerrada e novas formas de atuação social desenvolvidas.


Quando retornei à Emanuel, em dezembro de 2000, a igreja mantinha sua visão social através de diversas ações, com destaque para atendimento odontológico. Nesse contexto entendemos ser necessário a criação de uma organização com personalidade jurídica própria a fim de possibilitar parcerias com instituições públicas e privadas.


Criamos então o NASCE, convidamos a Profa Delaine Melo, Assistente Social, para dirigí-lo, reformamos totalmente a parte do prédio que vai do refeitório ao escritório do NASCE, construimos novas salas para atendimento médico e psicológico e desenvolvimento de outras ações e construimos a quadra-estacionamento da Igreja na perspectiva de comunhão e de espaço para atuação social com atividades esportivas para crianças empobrecidas.


3. O que ela trouxe de experiência para a sua vida?


Aprendi que quando acreditamos firmemente em um ideal, quando o coração está dominado por um interesse real pelo próximo, colocamos a experiência, o conhecimento, os recursos que temos à disposição do Reino e, sob a orientação de Deus, somos capazes de realizar obras duradouras para manifestação do nosso amor ao semelhante.


4. O sr. acha que, atualmente, as pessoas dentro da igreja valorizam esse trabalho?


Creio que o que ocorre dentro da igreja é um retrato do que o ocorre fora dela. Não deveria ser assim, mas é. Nossas crianças estão sendo educadas para serem consumidoras e não cidadãs.


Investimos muito pensando no que nossos filhos precisarão ter e não no que precisarão ser. A febre do consumo, a valorização da grife se reflete dentro da igreja. O ser cliente prevalece sobre o ser crente. Participamos da igreja muito mais pensando em receber do que em dar, atitude diametralmente oposta ao ensino de Jesus quando diz que mais bem aventurado é dar do que receber.


Contribuir para atividades sociais muita vez parece ser mais manifestação de desencargo de consciência do que expressão de amor. Assim vejo, de maneira geral, o que ocorre dentro das igrejas, à luz de discursos que ouço e leio na mídia "evangélica".

5. O que é preciso para se estar mais atento à dor e à necessidade do outro?



Amor, consciência de justiça social, sobretudo real e genuina identificação com a pessoa de Jesus. Ser menos religioso e mais discípulo de Jesus, ser menos liturgia e mais adoração. Isso é obra do Espirito Santo de Deus. Nosso papel é insistir em sermos fiéis a Jesus, orar e sensibilizar, respeitando, claro, os dons de cada um, pois cada um manifesta sua atenção ao próximo com os recursos espirituais, emocionais e intelectuais que desenvolveu.

6. Que diferença há entre a ação social e a ação social cristã?



Na ação em si não vejo diferença. Ação Social é uma ação de cidadania e nós cristãos também somos cidadãos desta terra. Todos, em tese, devemos ter interesse pela predominância da justiça social, da solidariedade, da fraternidade. Todos ganham quando esses valores afloram, todos perdem quando são desprezados. O Brasil os desprezou por séculos e todos temos colhido resultados nocivos.


Há diferença na motivação. Há  quem realize atividades sociais como terapia ocupacional. O foco é em si mesmo. Há quem as realize como estratégia de marketing. O foco é o aumento da clientela. Há quem as realize para evitar o colapso social. O foco é a manutenção do status quo. Há quem as realize para aumentar o eleitorado. O foco é político. Há quem as realize visando a libertação, o bem estar do outro. Esse deve caracterizar  as desenvolvidas por cristãos.


Outra diferença poderia ser no empenho. Nós cristãos deveríamos nos empenhar muito mais, pois somos estimulados por Jesus a sermos sal da tera e luz do mundo; a termos fome e sede de justiça;  a sermos humildes, reconhecendo que somos essencialmente iguais e assim por diante.


7. Muita gente diz que gostaria de ajudar, mas não tem tempo. O que o sr. diria a esses irmãos?


Acredito que a responsabilidade social é de todos. Uns dão peixes, outros ensinam a pescar e outros ensinam porque os rios produzem mais ou menos peixes e porque uns têm mais e melhores equipamentos de pesca do que outros, possibilitando acúmulo e concentração violentamente desproporcionais.


Assim sendo, todos podem fazer algo. Talvez nem todos disponham de tempo para participar das atividades desta área na igreja, inclusive porque a igreja gira em torno de sete eixos diferentes que consomem tempo (adoração, administração, comunhão, ensino, proclamação, pastoral e responsabiliade social). Porém,  o importante é que todos sejam sensibilizados e estimulados a servirem, seja através de qual área for, sem perder de vista o ser humano integral.


8. O sr. já foi ajudado por algum programa de atuação social?


 Tenho lembrança da infância quando a Prefeitura da cidade de Garça, SP, onde nasci, mantinha programa de distribuição de alguns alimentos básicos às familias. Lembro-me de que isso era muito bem vindo em nossa casa, formada por pais e 8 filhos.


Também fui alvo da generosidade de irmãos, quando estudei no seminário, creio que fruto do incentivo da igreja aos membros, à manisfestação de amor ao próximo.


9. As pessoas que são ajudadas por programas e/ou pessoas da igreja passam a ter outra visão de Deus e das instituições religiosas?


No mínimo elas são levadas a pensar na razão que levaria alguém a dividir com elas, num mundo em que subtrair do outro, amparado ou não pelo sistema, predomina. Se deixamos a pessoa saber que estamos dando um copo d'água em nome do Senhor, certamente ela se interessará por conhecer este Senhor.


O que não entendo como correto é usar a ação como moeda de troca: eu te ajudo e você passa a participar da minha igreja. Quem faz o bem movido pelo amor de Deus, simplesmente faz, sem esperar retorno para si ou sua tribo.


10. Num mundo tão democrático como o atual, parece cada vez mais difícil falar do amor de Deus. O sr. acha que a ação social cristã torna mais fácil pregar o evangelho? Por quê?


Bem, conta-se que São Francisco de Assis teria ido a uma vila, acompanhado de um noviço, aprendiz de evangelista. Chegaram ao lugar, conversaram com muita gente e retornaram. O noviço teria perguntado: por que o senhor não falou do evangelho. A isso ele teria respondido: preguemos o evangelho. Se preciso for, usemos palavras.


Ainda que vivamos numa sociedade plural, na qual a diversidade de pensamentos religiosos é crescente, as pessoas continuam sendo sensíveis à manifestações de amor. João diz que a prova de que passamos da vida velha para a nova é o amor.


Então, amar é a solução para o fim do esvaziamento de igrejas, para o retorno ao crescimento, mesmo numa sociedade religiosamente plural.


Nesse sentido, o exercício de nossa responsabilidade social é uma fortíssima autenticação da nossa mensagem, se não for a mais forte. E, sem  dúvida, aumenta em muito a credibilidade e receptividade da mensagem que anunciamos.


11. De que forma os pais podem incluir a ajuda ao próximo na educação dos filhos?


Com seus exemplos, manisfestando altruismo, participando de ações em prol do bem estar coletivo; chamando a atenção dos filhos para as condições de vida dos empobrecidos pelo sistema que não não trata todos com igualdade, inclusive na oferta de oportunidades; dialogando sobre o assunto com eles, mas sobretudo, ensinando-lhes que Deus é amor e por isso devemos amar.

12. Sabemos que os adolescentes e jovens têm muito vigor, mas, muitas vezes, não participam desse tipo de atividade. Como fazer para incentivá-los a ajudar as pessoas que precisam?



A adolescência é a fase de maior sensibilidade para as injustiças sociais e para o envolvimento em causas idealistas. A questão, repito, é que há uma massificação para o consumo, uma inversão na escala de valores ético-espirituais e isso tem sido pouco abordado na igreja.


Nós, igreja, estamos tão preocupados com o crescimento numérico, financeiro e patrimonial que temos nos esquecido de priorizar a qualidade de vida humana. A ênfase na estética litúrgica tem sufocado o desenvolvimento da ética espiritual.


Acredito que se chamarmos os adolescentes para dialogar sobre a realidade adversa de milhares de pessoas na mesma idade deles e  colocarmos em debate maneiras objetivas de minimizar a situação certamente eles se envolverão. Isso, entretanto, depende em parte da visão daqueles que definem as ênfases a serem priorizadas na vida da igreja.


13. O que muda na vida de alguém que se dedica a praticar os ensinamentos de Cristo com atos concretos na vida do outro?


As pessoas que assim agem se humanizam mais; descobrem que não estão sós nos sofrimentos que a vida impõem; encontram sentido para viver e isso lhes traz paz e alegria interior; a sensação de utilidade e de dever cumprido revigora suas energias e, sobretudo, sentem-se verdadeiramente cooperadoras de Cristo, pois sabem que naquele dia - o dia do juizo - ele nos dirá: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que foi preparado para vocês desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ “O Rei responderá: ‘Digo a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’." (Mateus 25:34-40 NVI)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A primeira reunião da diretoria 2014-2016 da Convenção Batista Baiana

Hoje tivemos a primeira reunião da diretoria da CBBA, com a presença do Secretário Geral. Foi um sentimento totalmente positivo passar quase 4 horas compartilhando as percepções de cada um sobre a última Assembléia, realizada em Itabuna, levantando o que houve de melhor e o que precisa ser melhorado na próxima, em Ipiau.

Também conversamos longamente sobre a elaboração do Plano Geral que incluirá Missão, Visão, Valores, objetivos estratégicos (longo prazo); objetivos táticos (desdobramento do estratégico pelos örgãos executivos e auxiliares, bem como pelas gerências subordinadas à Secretaria Geral); objetivos operacionais (execução dos táticos por cada órgão e gerências); além de orçamento e calendário.

As definições estratégicas serão propostas a partir de dados fornecidos pelas lideranças das associações, referentes às necessidades das igrejas. (Posteriormente faremos consultas diretamente às igrejas).

Conversamos sobre o formato da próxima reunião do Conselho, da necessidade de entendermos como funcionará em função da reforma dos estatutos.  (Conversaremos com os dirigentes dos örgãos, gerências e das associações, pois os relatórios deles serão mediados pelos comites perante o Conselho).

Ainda tratamos de problemas específicos relacionados a pessoal, que precisavam de parecer da diretoria, e iniciamos uma reflexão sobre a Campanha de Missões Estaduais.

Enfim, foi muito bom investir quase todo o tempo olhando para o futuro, em vez de ter que apagar fogo. Estamos convictos de que bons momentos estão reservados para o povo batista na Bahia.

Neste sábado, com a ajuda de um arquiteto e um especialista em agricultura e paisagismo, estudaremos projetos de reformas da piscina, de alojamentos, bem como de um mutirão de limpeza do CENTRE.

Em setembro, faremos a sondagem do terreno da ESCOLA BATISTA KATE WHITE, passo inicial para definições do projeto da nova sede da CBBA, onde funcionará, além da EBKW, o Seminário batista, a Secretaria Geral e instituições batistas parceiras. Trata-se de projeto estratégico para o desenvolvimento do trabalho denominacional na Bahia.

A reunião do Conselho será nos dias 1,2 e 3 de setembro. Ore pela Convenção e não discorde em silêncio. Procure-nos e ajude no avanço do evangelho em nosso Estado.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Participação na futura diretoria da Convenção Batista Baiana

Desta segunda-feira até sábado, 5 de julho, representantes de mais de 600 igrejas batistas filiadas à Convenção Batista Baiana poderão estar reunidos em Itabuna para mais uma Assembléia Anual dessa organização que já conta mais de 130 anos de existência. No evento, chega ao fim o mandato de dois anos na diretoria, a mim conferido pela instituição.

Ao longo desses quase 31 anos de ministério pastoral batista, sempre mantive algum tipo de envolvimento convencional. Presidi organizações de naturezas diversas como seção estadual de Ordem de Pastores, Associação Nacional de Escolas Batistas,  Comissão Predial Batista; participei da presidência das convenções de Alagoas e Pernambuco; fui executivo de Colégio Batista; ensinei em seminários;  participei de Juntas administrativas de Seminário, de juventude, de evangelização e também Conselho da CBB, além de uma infinidade de comissões/GT como de reformas de estruturas e de estatutos, de indicações, de renovação de juntas e conselhos, etc, etc, etc.

Em nunhum desses cargos ou funções participei apenas para "compor". Sempre procurei encontrar uma razão que justificasse os recursos de energia, tempo e dinheiro investidos e uma finalidade de interesse coletivo para não me sentir oportunista, muito menos "rainha da Inglaterra".

Com a diretoria da CBBA não foi diferente. Permiti que meu nome fosse indicado à diretoria somente quando enxerguei uma necessidade real que poderia ser suprida com a minha "co-laboração". 

Portanto, ao aceitar a indicação já tinha uma visão, em termos gerais, do que precisaria ser feito. Não tinha idéia da natureza dos obstáculos a serem superados, com quantas pessoas contaria ou que qualidade de oposição enfrentaria, mas isso não seria problema pois, quanto mais se sabe sobre onde e como se pode chegar, mais segurança se sente. Se, além disso, trabalha-se com um grupo com boa vontade, predisposição para o bem, perseverança, abnegação e, sobretudo, sensível aos valores espirituais do Reino, não há como não dar certo.

Agora, pensando no futuro, olhando pra frente, sentindo a realidade, ouvindo pessoas, percebemos um caminho a ser percorrido. O trabalho conduzido pela diretoria que se despede foi apenas de recuperar uma estrada para possibilitar novos avanços com maior velocidade e segurança. Ou, em outras palavras, foi apenas de recolocar o trem nos trilhos.

Penso que possibilitar a chegada de mais missionários a populações que precisam do evangelho; revitalizar igrejas que estão debilitadas; fortalecer o preparo de lideranças para diversas necessidades do Reino e das igrejas locais; aprofundar a qualidade e quantidade de ações de responsabilidade social; recuperar o Acampamento Batista (CENTRE) e iniciar a construção de novo espaço que abrigue a Secretaria Geral da CBBA e seus órgão, o Seminário de Salvador e a Escola Kate White, são objetivos e metas que merecem prioridade.

Sempre que me perguntam se continuarei na diretoria, respondo que essa não é uma decisão primeiramente minha. É uma escolha da Assembléia. A mim compete apenas decidir, diante de Deus, se devo disponibilizar-me ou não a concorrer para algum cargo, em caso de indicação. Essa tem sido a moral batista.

Cargo pelo cargo não me atrai. Seus encargos sim. Ajo por ideais. Sempre me disponibilizarei se acreditar que posso dar conta das atribuições. Portanto, em qualquer cargo da diretoria ou fora dela, continuarei trabalhando, pois os objetivos citados não são uma plataforma político-eleitoral de um grupo, mas desafios de todos os batistas da Bahia que querem ver o evangelho sendo compartilhado e vidas, por ele, sendo restauradas.

Creio que Deus continua agindo. A nós cabe perceber  onde e como, para nos afinarmos e, como cooperadores, agirmos com toda a  força que ele nos dá.

http://youtu.be/nWnvja7u1t8

sábado, 14 de junho de 2014

Quem tem acima da média pode lutar contra a pobreza?

Estava aqui pensando, antes de sair pra almoçar, que o primeiro livro que retirei da biblioteca do STBNB quando cheguei lá em 79, foi "Jesus Cristo Libertador", de L Boff. Nem sabia do que se tratava, nem nada de Teologia da Libertação. O título - a tal da liberdade - me atraiu.

Lembrei-me também agora, lendo comentários sobre política, (parece que o Brasil está dividido entre petistas, antipetistas e apetistas, até porque nenhum partido ou pessoa conseguiu até aqui tornar-se um novo eixo catalizador de respostas aos problemas graves do país), lembrei-me, repito, do primeiro livro que comprei no Recife, na então Livraria Rangel, entitulado "Suécia, uma democracia social". 

Pura curiosidade, intuição, "vocação", enfim...

Não militava em nada político-social. Era um adolescente chegando do interior sem noção de política ou teologia. Só "pensava" que sabia de Bíblia por ter sido professor de EBD aos 14 anos baseando meus estudos das aulas exclusivamente nos comentários das revistas da JUERP. O foco era o futuro, o pós morte física total.

Voltando ao início do pensamento. Foi no livro de capa azul e amarela, de cujo autor não me lembro o nome agora, que li um diálogo entre um ex-ditador de Portugal e um ex-primeiro-ministro suéco, mais ou menos assim:
- Como vai Portugal, perguntou o sueco.
- Vai bem, retrucou o ditador, mas ainda precisamos acabar com os pobres.
- Aqui na Suécia, teria respondido o Primeiro Ministro em tom de brincadeira, queremos acabar com a pobreza.

Sutil diferença.

Isso me ocorreu porque leio alguns criticando pessoas que, tendo um padrão sócio-econômico acima da média, lutam pelo fim da pobreza injusta (injusta porque justa é a pobreza dos que, franciscanamente, optam por um estilo de vida independente ao máximo, do ter). Um ex-professor meu ironizava um ex-diretor de Visão Mundial que, trabalhando contra a pobreza, mantinha um padrão de vida econômico-financeiro acima da média.

Ora, ninguém luta para que todos nos tornemos pobres. Lutamos para que todos possam viver com dignidade. Em alguns momentos dando o pão, noutros ensinando a pescar e noutros, ainda, ensinando sobre porque rios produzem mais ou menos peixe e uns pescadores têm mais e melhores equipamentos de pesca do que outros. 

É nessa última parte de atuação que o bicho pega. Nas duas primeiras, sentimos alívio de consciência, nos sentimos bondosos e até poderosos, porque o outro depende de nós. Mas, na última, estamos abrindo caminho para que o outro se liberte colocando no palco das discussões as diferenças de poder, a igualdade essencial dos seres humanos, etc. É aí que nossa zona de conforto é incomodada. Aí o pau quebra!


Bora almoçar? Vc paga!

sábado, 7 de junho de 2014

O pão nosso, feito pela dona Nena, de cada dia.

Minha mãe faz um pão extraordinário, conhecido a milhares de quilómetros de Garça, para além das fronteiras do país. Pão e Nena são tão unidos que as palavras que ela ensinava aos netos em idade de colo era "luna dame pan...".

Aos 84 anos ela continua preparando a massa, colocando no forno (à gás) e servindo à mesa quase que diariamente.

Recordo-me da cena desde quando tínhamos que ajudá-la a cortar a lenha, colocar no forno de barro, acender o fogo, esperar queimar, limpar o forno, colocar a massa sobre folhas de bananeira, depois tirar com uma "pá", colocar numa bacia de alumínio,  cobrir com um pano de cozinha e esperar ficar menos quente pra comer vendo a manteiga derretendo nele. (Quando ela inventava de colocar torresmo na massa, era insuperável!)

Isso sem falar na preparação da massa e na ansiedade que gerava esperar o pedacinho de massa deixar o fundo do copo com água, sinalizando que estava pronta pra ir ao forno.

Se o pão era tão bom, tão concorrido, por que ela não o vendia? Por que não fez dele um negócio, uma fonte de renda? Muitas vezes me perguntei isso. Cheguei a pensar numa marca, numa embalagem...

Só depois de muitos anos entendi que o negócio dela não era fazer pão, muito menos fazer dinheiro com ele; que o que ela gostava mesmo não era de fazer pão. O que ela gostava mesmo era de ver a família e amigos em torno da mesa da cozinha dela, rindo, discutindo às vezes em alta temperatura, disputando a vez de falar, falando em voz alta bem ao estilo espanhol, mas todos ali juntos "na alegria e na tristeza".

O pão sempre foi só um meio, uma desculpa, um detalhe, bem diferente do pão "sagrado" da "santa ceia" das liturgias eclesiásticas de nossos dias. A paixão dela, na verdade, sempre foi o ajuntamento, a aproximação, a família, família sem fronteiras de sangue, raça, cor, religião... curtindo em torno do pão.

Tenho pra mim que nisso está sua principal semelhança com Jesus, Jesus que no caso dela não é só um discurso, mas uma "encarnacion".

Que julho chegue logo!

domingo, 1 de junho de 2014

A vitória da honestidade, da justiça e da verdade


Enquanto aguardava um amigo para jantar, recebi um telefonema informando-me da sentença da Juíza de Direito Maria de Fátima Silva Carvalho, referente a "Ação Cautelar Inominada com a Solicitação Urgentíssima de Liminar" movida pelo Ministério Público do Estado da Bahia contra a minha pessoa, pedindo afastamento meu e das diretorias da Igreja e CECOM, por 180 dias.

A referida ação tinha o mesmo conteúdo de ação movida há 3 anos e meio pelo mesmo advogado, contrariado por decisões legítimas e legalmente democráticas da Igreja. (A diferença foi a inclusão, no processo, de uma carta de 2012, assinada por 2 ex-dirigentes da CBBA e o fato de um pastor batista, funcionário do MP, aceitar a hipótese de ser o possível interventor). 

Não me surpreendeu a ação desta pessoa que desde a derrota anterior não põe os pés na IBG.

Intriga-me, sim, como alguém consegue convencer um Promotor Público a assumir mentiras tão absurdas como verdades suas, sem nunca ter visitado o CECOM ou a IBG. 

Que poder é esse? Até parece haver mais, entre o céu e a terra, do que pode imaginar nossa vã filosofia, como diria o poeta!

Graças a Deus mais uma vez ele não logrou êxito. Mas, certamente, não desistirá. Essa atitude, porém, serve-me de alerta pra empenhar-me ainda mais em ser, ao mesmo tempo, cuidadoso e agradecido pois, parafraseando Goethe, o diabo é aquele que, querendo fazer o mal, acaba fazendo o bem.

Eis a sentença final: "Acolho a preliminar de ilegitimidade passiva e julgo por sentença extinto o presente feito sem resolução de mérito por falta de condições da ação, com amparo no art. 267, VI do CPC".

Obrigado à minha família, igreja e amigos que, em todo tempo, oraram e apoiaram-me de maneira extraordinária. 

Obrigado ao escritório Vasconcelos Advogados pela dedicação mais do que profissional. 

A Deus toda honra, glória e poder !

Em tempo: 
Art. 267 - Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: (Alterado pela L-011.232-2005)

VI - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;

sábado, 31 de maio de 2014

O restabelecimento da saúde financeira da Convenção Batista Baiana


Em um empreendimento - inclusive familiar - a saúde financeira é a base de tudo. Ela retrata o nível de organização interna, a disciplina nos procedimentos; o acerto naquilo a que se propos, além de possibilitar o cumprimento das obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias e transmitir confiabilidade aumentando o interesse dos clientes e investidores, etc, etc, etc.

Aproximando-se o momento de prestar contas aos Batistas da Bahia, por dois anos à frente da CBBA, agradeço a todos que auxiliam no Escritório, aos administradores, ao escritório "Bomfim Contabilidade", ao "Vasconcelos Advogados", às igrejas cooperadoras, aos batistas servos-voluntários, à diretoria e conselheiros que, cada um em sua área de ação, possibilitaram que os indicadores fossem os que estão sendo apresentados.

Eles ainda não são o que deveriam ou gostaríamos, mas percebe-se que a instituição está no caminho certo. 2014 refletirá um quadro ainda melhor.

Com essas condições, a CBBA poderá voltar a concentrar seu foco na razão do sua criação, no essencial de sua missão, em suas atividades-fim.

Ore pela próxima Assembléia e confiemos que o olhar divino está sobre bons e maus e abençoa de maneira especial aqueles que se declaram e se empenham em viver como seus filhos.


Confira os dados da situação financeira através de gráficos em:
http://batistabaiana.org/cbba/index.php/home/area-financeira/relatorios-financeiros-mensais

Em tempo: O Conselho Fiscal da CBBA, formado por pessoas eticamente idôneas, tecnicamente capazes e escolhidas soberanamente pela Assembléia de Membros, está recomendando a aprovação das contas sem ressalvas

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A Escolha do Ministro de Adoração


A expressão “ministro de adoração” é discutível se avaliada estritamente do ponto de vista teológico. Nesse campo do conhecimento, adoração é entendida como uma atitudedo ser humano perante o criador, expressa através de todas as múltiplas dimensões da vida.

Embora as atribuições do referido ministro estejam circunscritas a aspectos relacionados à liturgia e música, o uso da expressão “ministro de adoração” não é inadequado, pois a liturgia não apenas é, em tese, uma expressão de adoração, mas através dela visa-se também estimular pessoas a viverem a adoração em toda a sua plenitude. Nesse sentido, o uso de tal designação é aceitável.

Definições a parte, o fato é que há quase um ano estamos sob a liderança de uma “Ministra Interina de Adoração” e agora, com a mudança dela para Ilhéus, necessitamos agilizar o processo de escolha de uma pessoa para assumir efetivamente o cargo.

Em nossa igreja, o Ministro de Adoração tem, dentre outras, as seguintes responsabilidades:



1. Elaboração, coordenação e execução dos programas de culto de quarta-feira, domingos e ocasiões especiais, em comum acordo com o pastor-presidente;

2. Formação e renovação do repertório musical utilizado nos cultos, inclusive avaliando as letras das músicas, em seus aspectos teológicos e ideológicos;

3. Supervisão das atividades de coros graduados (infantis, adolescentes, jovens e adultos), relacionadas à Igreja;

4. Supervisão das atividades de grupos musicais (Contraponto, Graça em Arte e Adoração, etc) relacionadas à Igreja;

5. Supervisão das atividades das bandas e vocais de apoio (backing vocals) relacionadas à Igreja;

6. Promoção ou supervisão de cantatas;

7. Elaboração de escalas mensais para revezamento de instrumentistas, vocais de apoio (backing vocals) e mensagens musicais através de solos, grupos ou Coros;

8. Supervisão das atividades de sonoplastia e imagem nos cultos;
9. Supervisão da agenda de espaços de ensaios musicais;

10. Supervisão e manutenção dos equipamentos musicais;

11. Aprovação do uso das verbas financeiras destinadas pela Igreja ao ministério;

12. Fomento do interesse pela música proporcionando oportunidades para educação musical através de Oficinas, congressos, etc;

13. Administração de conflitos entre integrantes de seu ministério, em comum entendimento com o pastor-presidente.

Não é tarefa do Ministro, elaborar programações de atividades particulares tais como casamentos, aniversários, formaturas, chás de cozinha, funerais e outras do gênero. Em atividades desse gênero seu papel é orientar os que buscam sua ajuda e participar, na condição de membro da igreja, de acordo com sua disponibilidade.

Percebe-se facilmente, portanto, que nenhum ser humano seria capaz de realizar pessoalmente todas essas tarefas com qualidade técnica e manutenção da própria qualidade de vida, seja pela quantidade versus tempo, seja pela quantidade versus número de membros e de iniciativas musicais na Igreja. Por isso falamos em termos de responsabilidade e não de realização.

A realização depende em parte dos casos, de colaboradores dispostos e disponíveis para o serviço, voluntária e responsavelmente, e, em todos os casos, de comprometidos com o evangelho de Jesus Cristo, conscientes de sua missão, cujos dons são colocados a serviço do Reino de Deus, em resposta ao amor de Deus que alcançou seus corações.

Assim sendo, é essencial que um “Ministro de Adoração”, além do conhecimento e domínio técnico de música, seja comprometido espiritualmente com a pessoa de Jesus Cristo; empenhado numa vida cheia do Espírito Santo edisposto a aperfeiçoar-se em liderança de “servos-artistas”(que, como todos nós em nossos dons, tendem mais a se expressarem como artistas do que como servos).

É essencial, finalmente, que ele reconheça as idiossincrasias da Igreja Batista da Graça; seu desejo de “ser uma igreja acolhedora, contemporânea e distribuída em pequenos grupos; comprometida com o discipulado cristão visando transformações individuais e sociais; que valoriza a família com prioridade para crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais” e seu compromisso de “anunciar Cristo através de atitudes, palavras e ações”.

Comprometa-se a orar por este processo de escolha, para que o resultado esteja afinado ao agir de Deus neste tempo e local.

sábado, 10 de maio de 2014

Fragilidade e força maternas

A fragilidade dos filhos é, a meu ver, uma das marcas mais fortes impressas na mente do ser mãe. Sua compreensão dessa fragilidade não é teórica, é vivencial. Elas, como ninguém,sabem o quanto e até quando eles precisaram delas, pois estiveram presentes durante sua infância e juventude.

Mesmo numa sociedade em que também saem de casa em busca do sustento financeiro da família, elas continuam em primeiro lugar no ranking de proximidade.Daí mães de 80 anos, chamarem filhos de 60 de “meu menino”, “minha menina”. Aos olhos delas filhos sempre serão assim e isso não é ruim, exceto se, por distúrbio, elas não permitirem que eles sigam suas vidas, por não acreditar que são capazes de se defender, de prover seu próprio sustento.

A meu ver, essa proximidade faz com que elas tenham maior consciência da fragilidade humana e as tornam, de modo geral, mais sensíveis, cuidadosas, talvez até se arriscando menos do que os pais. Mas, se quem estiver correndo risco são os filhos, elas se tornam verdadeiras leoas, se expõem à morte por eles.

Assim sendo, o que me impressiona nas mães é essa mistura de força e fragilidade. Força real, fragilidade aparente. Sim, pois embora, por uma única expressão de Pedro as mulheres foram estigmatizadas como sexo frágil, estigma compreensível numa sociedade que dependia da força física bruta, o fato é que são tão e quiçá mais resistentes do que os homens.

Essa minha percepção pode até não ser comprovada através de metodologia científica e nem é minha intenção que seja. Ela é fruto de experiência como filho de uma mãe exemplo de fragilidade e força. Uma mãe de seis filhas e dois filhos que sempre manteve em dia as tarefas domésticas comuns e ainda trabalhava pelo aumento da renda familiar;que perdeu o marido relativamente jovem, quando apenas duas das filhas estavam casadas, mas que soube manter a família unida e todos os filhos tementes a Deus e batalhadores do próprio sustento.

Ela – minha percepção – é também fruto de conviver nesses 31 anos de casado com uma mãe que deu tudo de si para que seus filhos – que também são meus – crescessem e se tornassem pessoas íntegras, autônomas, que proporcionam infinitamente mais alegrias do que preocupações.


Nesse sentido, deixo aqui este meu singelo reconhecimento àquelas que merecem toda nossa reverência, todo nosso respeito, todo nosso amor, nossas mães.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Geração Graça e a experiência litúrgica


Linhas gerais do que pretendemos com culto infantil no domingo à noite na sala 1.10
Inicio 11 de maio – Dia das Mães – 19hs


Indiscutíveis os benefícios do projeto  “Geração Graça” às crianças e à Igreja. Um projeto dominical com 3 horas de duração, envolvendo momentos de cânticos, oficinas variadas, classes de histórias bíblicas, brinquedoteca, etc, não poderia deixar de ser bênção para todos os participantes, das crianças aos adultos voluntários.

O que nos chamou a atenção, entretanto, foi avaliar e concluir que nossas crianças recebem esta grande bênção aos domingos pela manhã, na IBG e chegam à adolescência sem uma experiência litúrgica sólida. É que a igreja não oferecia, até aqui,  alternativa para elas à noite e mantê-las em culto de adultos durante 90 minutos é um desafio.


Em face disso, decidimos oferecer uma alternativa de CULTO INFANTIL na parte da noite, com início e fim coincidindo com o horário do prestado pelos adultos, na sala 1.10, também conhecida como sala de Oração do piso um, no corredor da educação, entre os sanitários masculino e feminino.

 A idéia é:

1.       Ter um supervisor – pastor de crianças - responsável geral pela atividade que terá 90 minutos de duração;

2.       Ter uma equipe de suporte – um adulto para cada 10 crianças - se revezando dominicalmente;

3.       Ter uma equipe de crianças treinadas e supervisionadas na:

3.1. Elaboração do programa do culto – assunto e liturgia – que siga o calendário de ênfases da IBG, como meses de missões, natal, aniversário da IBG, EBD ou dias como das mães, da mulher, do pastor, dos pais, etc.
3.2. Escolha e ensaio das músicas do louvor, sob a liderança de equipe de adolescentes de 13 a 15 anos que passaram pelo “Geração Graça” e se destacaram na música,  mesclada com crianças;
3.3. Escolha de solistas, duplas, trios, quartetos ou corais infantis para apresentarem mensagem dominical;
3.4. Escolha de instrumentistas crianças ou adolescentes para servirem de apoio;
3.5. Escala do (a) pregador (a) infantil de cada domingo;
3.6. Escala do recolhimento e contagem dos dízimos;
3.7. Escala de crianças para oração;
3.8. Escolha de adulto para ao final do culto dar uma palavra que resume o aprendizado daquele culto;


A idéia, portanto, não é ter adultos para fazer culto para as crianças, mas ter adultos ensinando e supervisionando crianças na elaboração e execução do culto e se responsabilizando apenas por uma palavra de 10 minutos, ao final, resumindo o que foi aprendido e desafiando as crianças ao desafio.


Este é um sonho antigo do qual gostaria de participar pessoalmente, como pastor, no mínimo uma vez por mês. E você, poderá nos ajudar na realização deste sonho?

terça-feira, 15 de abril de 2014

E a vida continua

Se há uma lição evidente na narrativa bíblica relacionada à ressurreição de Jesus, essa é a de que a vida continua. O texto nos diz que Jesus foi crucificado, morreu, foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou.

Sim a vida continua. Assim tem sido ao longo de milhões de anos, não só em relação à vida humana, mas também em relação a todas as suas múltiplas manifestações. Elas estão aí e a história, como a concebemos e conhecemos, comprova.

Ninguém pense que a morte é o fim da vida. A morte é uma atriz coadjuvante que tão somente evidencia a robusta realidade da vida. Vida e morte são apenas duas faces de uma mesma moeda que coexistem. Assim como não há moeda de uma face só, também não há como separarmos os fenômenos “vida e morte”.

Não morremos. Apenas nos transformamos. Isso não é um discurso religioso de consolo, de “autoajuda”. É um fato. O russo Mikhail Lomonossov  teria reconhecido o princípio da conservação, 14 anos antes de Antoine Laurent de Lavoisier grafar:  “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.  Mas, se preferimos a linguagem bíblico-religiosa, eis as palavras de Paulo:

“Mas alguém pode perguntar:
"Como ressuscitam os mortos?
Com que espécie de corpo virão? "

Insensato!
O que você semeia não nasce a não ser que morra.
Quando você semeia, não semeia o corpo que virá a ser, mas apenas uma simples semente, como de trigo ou de alguma outra coisa.
Mas Deus lhe dá um corpo, como determinou,

e a cada espécie de semente dá seu corpo apropriado.

Nem toda carne é a mesma:

os homens têm uma espécie de carne,
os animais têm outra,
as aves outra,
e os peixes outra.
Há corpos celestes e

há também corpos terrestres;
mas o esplendor dos corpos celestes é um,
e o dos corpos terrestres é outro.
Um é o esplendor do sol,

outro o da lua,
e outro o das estrelas;
e as estrelas diferem em esplendor umas das outras.

Assim será com a ressurreição dos mortos.

O corpo que é semeado é perecível e ressuscita imperecível;
é semeado em desonra e ressuscita em glória;

é semeado em fraqueza e ressuscita em poder;
é semeado um corpo natural e ressuscita um corpo espiritual.

Se há corpo natural, há também corpo espiritual.”
( I Cor. 15:35-44)

Embora a vida tenha poder natural de recuperação, nós, seres humanos, cooperamos para que ela “floresça” ou “murche”. E, lamentavelmente, temos contribuído mais para sua destruição do que para sua manutenção e fortalecimento.

A ressurreição de Jesus, entretanto, está aí para revigorar nossa esperança. A morte é apenas uma curva acentuada na trajetória da vida, jamais o retrato do fim. Pelo contrário, marca o início de outra forma de vida. Nesse sentido Jesus também se pronunciou:

“Digo-lhes verdadeiramente que,
se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só.
Mas se morrer, dará muito fruto.”
(Jo. 12.24)

Se isso é verdade no plano físico, não o é menos, no plano espiritual. Mesmo que o viver de um ser humano ou de toda uma sociedade apresente mais sinais de morte do que de vida, a ressurreição nos lembra de que se nos “aliarmos” a Deus em favor da vida, ela prevalece sobre a morte. E a morte final não será vista como final, mas como um reinício noutro formato.

Nesse espírito, celebremos a ressurreição de Jesus, pois, além do significado teológico salvífico que nos traz, há nela também um significado existencial, psicológico, não menos importante, que nos inspira a continuar investindo nesta dádiva denominada vida abundante, alcançada em Jesus, o Cristo.

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Campanha para Reforma da Cozinha–refeitório - CECOM / Igreja Batista da Graça.SSA

Há quase 10 anos iniciamos um processo de revitalização patrimonial estratégica que constou de: 

1) expansão da área de estacionamento, novo cercado e guarita; 
2) novo corredor de acesso  ao edifício de educação; 
3) novos sanitários; 
4) cantina; 
5)recuperação de todas as salas de aula; 
6)  climatização delas;  
7) construção de novo berçário; 
8) construção 6 salas novas;  
9)  bateria de chuveiros coletivos; 
10) dois kitnets; 
11) revitalização do auditório, inclusive projeto acústico; 
12) novo espaço para livraria, biblioteca e cantina mais ampla; 
13) reforma da praça do auditório;
14) rampas de acesso à praça da Graça e à Unidade de Saúde;
 15) salão de jogos e
16) quadra esportiva e 
17) restauração da iluminação do estacionamento; 
18) recuperação da estrutura metálica da cobertura da Praça da Graça.

Há ainda 5 itens para que o processo todo se complete: 
1) reforma da cozinha refeitório; 
2) colocação de cerâmica na rampa de acesso à Unidade de Saúde, com uma manta asfáltica para eliminar infiltração na sala de jogos;
3) Vestuários e sanitários da quadra esportiva; 
4) colocação de manta asfáltica na cobertura da Unidade de Educação;
5) restauração da Praça da Graça e  
6) recuperação da fachada externa de todo o prédio composto de 7 blocos com até 5 pisos cada. 

São projetos de custo infinitamente mais baratos do que o que fizemos até aqui e trarão grandes benefícios práticos à caminhada do CECOM e da Igreja.

BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS DA COZINHA-REFEITÓRIO

O que iniciaremos agora é a reforma da cozinha-refeitório.  Ela possibilitará: 

1)  aulas de empreendedorismo na área de alimentos que vão desde a produção até administração e comercialização de alimentos (já recebemos um kit-cozinha completo e novo) promovidas pelo CECOM; 
2) espaço adequado para refeições dos funcionários do CECOM e IBG; 
3) atividades de culinária do Geração Graça; 
4) melhores condições para hospedagem de eventos diversos do CECOM e da IBG;
5) pequenas reuniões de grupos do CECOM e da IBG, seguidas de lanche; 
6) realização de pequenas festas de aniversário ou casamento (além da Praça da Graça); 
7) espaço adequado para produção de refeições para grandes ou pequenos encontros de comemorações do CECOM e de comunhão da IBG; 
8) condições mais adequadas para realização de encontro de jovens, amigos e casais com Cristo;
9) e ainda teremos o Terraço da Graça, um novo espaço multiuso criado na cobertura da cozinha-refeitório.

Além da melhoria operacional das atividades do CECOM e da IBG nessas áreas e da consequente melhoria nos canais de convivência e comunhão da Igreja e na evangelização,  o CECOM poderá se beneficiar com receitas oriundas do uso do espaço para atividades particulares, agendadas dentro das normas estabelecidas e, quem sabe, não tenhamos um pequeno restaurante oferecendo serviços à igreja aos domingos e durante a semana!

Queremos ter um espaço muito limpo, bem iluminado e com acabamento fino, criando um ambiente no qual desde o mais empobrecido ao mais enriquecido, todos se sintam muito bem.

Parta isso precisamos de duas coisas: 1) que os não dizimistas se comprometam a ser; 2) que todos definamos um valor extra que poderá ofertar nestes 3 meses, o qual poderá ser dado em até 3 parcelas.

Preencha a ficha anexa (nome, e-mail, telefone, valor, datas e sua relação com a IBG (membro, agregado ou visitante)). Nesta semana iniciaremos pela fé, mais esta obra.

Assim sendo, solicitamos que você se coloque diante de Deus em oração, peça a ele que o ajude a enxergar os benefícios desta obra para o desenvolvimento do seu reino através da IBG e CECOM e “lembre-se: aquele que semeia pouco, também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura, também colherá fartamente. Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.E Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra.”(IICor.9:6-8)

domingo, 6 de abril de 2014

"As rosas não falam" (ou, quando a dor individual é necessária ao bem-estar coletivo)

Se alguém diz que sente prazer quando fere o outro, ou é sádico ou está dominado por profundo sentimento de vingança, fruto, por exemplo, de injustiça, desrespeito ou humilhação que acredita ter sofrido.

Não faz parte dos objetivos de vida das pessoas em estado minimamente saudável, querer ferir, até porque sabem que, como dizia sua avó, "que com ferro fere, com ferro será ferido".

A convivência humana, conquanto traga consigo um potencial diversificado e imenso de experiências prazerosas, é acompanhada de elemento pontuais, pontiagudos, que machucam, fazem sangrar e até matam.

Digredindo.



A rosa é um dos mais interessantes exemplos disso. Apreciamos rosas. Paramos para olhar quando nos deparamos com uma. A estética produz prazer. Basta um olhar. O olhar não exige maior aproximação. 

Além da estética,  a rosa também nos proporciona prazer pelo olfato. Seu perfume é agradável, por isso o inalamos com produndidade, seguindo-se, geralmente, algum tipo de exclamação.

O paladar também pode ser usado para extrairmos prazer da rosa. Chás de rosa são conhecidos por sua leveza, suavidade, sabor e aroma. Fala-se também do mel de rosas, mas nunca experimentei.

Além da estética, do perfume e do sabor, a rosa também possibilita um outro meio de prazer: o tato. (Quem nunca pegou uma e a roçou levemente no nariz, deslizando pelo rosto, que atire a primeira pétala). Isso porém exige aproximação máxima. Mais do que isso, exige que seja pega pelo caule e aqui reside um problema. Parece que, consciente de sua libidinosidade, sua força atrativa, ela criou algo em si que nos alerta: espinhos. Sem eles, elas poderiam ser "mal-tratadas" e mais facilmente destruidas pelo instinto possuidor alheio.

As rosas, então, oferecem tudo que o ser humano gosta, mas não tudo que o ser humano precisa. As rosas, já dizia e cantava Cartola, não falam! Se falassem, estragaria a magia! Sim, pois falar e ouvir exige perfeição. Por falta dela - da perfeição -, diria o autor bíblico, tropeçamos.

As palavras são um diferencial que nos torna melhores e piores do que as rosas. Com boa autoestima e cuidado próprio, podemos proporcionar ao outro tudo que uma rosa oferece. (E se tivermos boa vontade para cultivar ou dinheiro pra comprar o que nos é oferecido para melhoria do espírito, do intelecto, do corpo, etc, nos tornamos imbatíveis!). Mas, as palavras...

As palavras veiculam informações que nos fazem reagir com alegria ou tristeza, prazer ou dor, aproximação ou afastamento, aceitação ou rejeição. O tom e volume usados para pronunciá-las evidenciam o tipo do nosso caráter em sentido psicológico; o tipo de relação que está se estabelecendo entre pessoas e o objetivo que se quer alcançar ao usá-las. Quanto menos os corações estão afinados, mais elevado é o volume de voz; quanto mais afinados, menos precisamos dela.

Voltando à idéia inicial.

Nos ferimos e isso já sabemos. A questão que me fez viajar nas palavras é que as feridas causadas por quem está em evidência, liderando, podem ser em maior quantidade do que de quem está em situação oposta. Ferir não é essencial, nem inerente ao exercício da liderança, porém, muita vez, o líder se encontra em circunstâncias nas quais precisa escolher entre ferir um ou muitos, uns ou todos.

Didaticamente falando, quando um líder percebe que um está fazendo mal a todos e após dialogar percebe que esse um não manifesta sinais de mudança de atitude, resta-lhe decidir pelo mal menor que é, se inevitável, ferir um pra proteger o todo. Quanto mais essa decisão é adiada, mais profundas poderão se tornar as feridas da coletividade. 

Se a política do bem-estar próprio está acima dos interesses da coletividade, este líder adia sua decisão e se beneficia da função, sugando tudo que pode, até o bagaço. 

Portanto, avalia-se o resultado das ações de um líder não somente destacando a natureza dos ferimentos e a quantidade dos que se sentiram feridos, mas também a natureza e quantidade dos que deixaram de ser feridos pelas ações de quem foi afastado.

A ênfase a indivíduos feridos, em detrimento da coletividade sujeita aos ferimentos por eles provocados é equivocada e coloca em dúvida a finalidade da avaliação.

Uma rosa é muito importante, mas, se sendo cuidada não apresentar melhoras, é podada quando apresenta riscos comprovados ao jardim. Elas podem não falar, mas ferem!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Jejum


Jejum não é magia, não é abracadabra. Deus não se dobra à greve de fome. 


Jejum é manifestação humana, é simbolismo, é demonstração de foco em uma necessidade espiritual, em detrimento da corporal.



É iniciativa individual, brotada de um coração contrito, não um programa eclesiástico, movido à base de propaganda.



É um ato secreto de quem, ao sair "do quarto", lava o rosto, coloca um sorriso nos lábios, pois sabe em quem tem crido e não precisa fazer publicidade.



Não é uma alavanca que move o coração de Deus. É um coração alavancado pela confiança em Deus.



Tenho dito! Bons dias!

Pastores de referência


Um dia desses um pastor da minha idade lamentava, em tom crítico, que não temos mais pastores "de referência", como antigamente.

Lembrei-lhe, então, que eles ou morreram ou sairam de cena e a desafiadora realidade é que agora somos nós, da nossa faixa etária, que temos que ter consciência de que uma geração de pastores jovens tá surgindo, buscando pastores da nossa idade pra se espelharem.

Ficamos órfãos e nos tornamos "pais". Não adianta chorar a orfandade. 

A questão é: que tipo de referência somos? "... ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova." (Mateus 15:14 ARC)

Não era primeiro de Abril


Uma, suponho, professora, há pouco, num corredor totalmente descongestionado de um confortável Supermercado climatizado, conversando ao celular:
- Já chegou algum aluno aí? É que tô aqui num congestionamento danado e não sei se chegarei a tempo.

Lembrei-me de João Cabral de Melo Neto: "O cidadao que nasceu com a aptidao pra usar as palavras, a primeira obrigação dele é dizer a verdade"

Convivendo com incertezas


"É por isso que sofro essas coisas. Mas eu ainda tenho muita confiança, pois sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar, até aquele dia, aquilo que ele me confiou." (2 Timóteo 1:12 NTLH)

Este hino norteou minha adolescência e juventude, como meu segundo preferido do "Cantor Cristão". 

Talvez ali me preparava para conviver pacificamente com incertezas ao optar pela luta por ideais em vez da passividade.

Sim, aprendi a conviver com incertezas e a não condicionar minhas certezas presentes a incertas garantias futuras.

"Sou como um barquinho cruzador, mas quem me conduz, é o Senhor"

Ninguém pense que estará me fazendo mal ao tirar-me alguma coisa ou de alguma situação tida como boa. Será perda de tempo. Continuarei feliz com o que estiver em minhas mãos, mesmo que seja o nada; com o espaço que me sobrar, mesmo que seja lugar nenhum, pois não é nisso que decidi colocar minha confiança. Foi uma d e c i s ã o consciente!