sábado, 4 de outubro de 2014

Cuba, USA e PT: símbolos e realidades

Há momento na vida que nos guiamos por símbolos, pela dificuldade de lidarmos com a realidade. O amadurecimento nos leva a, paulatinamente, sermos capazes de diferenciar símbolo de realidade e administrá-los.

Na política há casos emblemáticos. Cuba, USA e PT são exemplos.

Cuba. Uma é a Cuba simbólica, outra a real.

A simbólica é aquela que representa em nosso imaginário a resistência de um povo empobrecido diante de um enriquecido do planeta; a resistência da "colônia" ao império; a luta entre David e Golias. Isso a torna admirável àqueles que, reconhecendo a profunda e injusta desigualdade, veem nela o que deveria estar presente na vida de todos: a luta por justiça social, a capacidade de resisitir, símbolo que eu também admiro.

A realidade porém, retrata elementos que não são tão admiráveis. Um deles, pra minha personalidade, é a impossibilidade do exercício da liberdade de iniciativa, da liberdade de ir e vir, do controle estatal sobre a privacidade.

Conheço pessoas cujo discurso é ferrenho em defesa dos direitos individuais, da dignidade humana, da liberdade de escolha, mas quando falam de Cuba suas línguas travam, seus olhos se fecham e tudo que elas conseguem fazer é aplaudir a Ilha que, para elas, NÃO parece ser a Ilha da fantasia. É.

USA. Um é o país simbólico, outro o real.
O simbólico é aquele em que as coisas funcionam. A justiça é ágil, o bem-estar social e a ética predominam, a cidadania individual é respeitada, o acesso aos bens materiais que torna a vida mais confortável é mais "fácil", a liberdade individual é respeitada. Esses elementos eu também admiro.

A realidade, porém, nos apresenta elementos discutíveis. A coisificação do ser, o massacre impiedoso fora de suas fronteiras quando seus interesses são afetados, a massificação ideológica através do marketing, são exemplos que questiono.

Conheço pessoas cujo discurso em defesa dos USA imaginário é tão forte que tornam-se incapazes de perceber que também há elementos nocivos no modelo de vida predominante que precisam ser questionados.

PT. O partido do imaginário e o real.
Aqui parece ser desnecessário entrar em detalhes. Apenas dizer que ocorre o mesmo. Para uns o PT é idolatrado como Deus, para outros, ridicularizado como o cão. Enquanto isso não for administrado em nossas cabeças seremos regidos pelo mesmo princípio que regeu a ditadura militar brasileira: Brasil, ame-o ou deixe-o.

Pra mim, PT não é Deus, nem demônio. É um partido que não tem controle sobre minha mente e coração. Eu o controlo em minha mente e coração, não o inverso. Esse fato me deixa livre para apoiá-lo e criticá-lo sempre que eu assim entender e não porque pessoas de quem gosto e admiro querem.

Nessas eleições presidenciais não o quero mais no cargo máximo. O real venceu o imaginário. Ponto. Vou com Marina 40. E tenho o maior respeito por quem pensa diferente e vai com Levy Fidelix. Já dizia minha avó: uns gostam do olho, outros do remelo e gosto não se discute, no máximo se dialoga e se respeita!

Sim, vou com Marina, 40

Não sou Juiz, não sou Promotor Publico, não sou da Polícia Federal, muito menos sou imune a pecados.

Sou um cidadão não filiado a partido (e isso não é virtude), que abomina os governos Dilma, Lula e FHC por não terem se empenhado por uma reforma político-eleitoral.

Sou um convencido de que todas as benesses de governos para com os empobrecidos os tornam dependentes se não houver reformas estruturais que deem a eles autonomia para participarem dos processos de escolha de seus dirigentes, poder para retirar os maus representantes e acesso pleno à informação. Isso exige muito mais do que alguns reais mensalmente em suas contas, anos após anos, em que pese crer ser um bom meio transitório em meio à fome e à injustiça social epidêmicas no país.

Sou um cidadão que acreditou que um segundo mandato seria necessário para Lula fazer tais reformas, mas ele não fez; um terceiro mandato para o PT fazer isso com Dilma, mas não fez. Hoje acredito que seria burrice de minha parte dar uma quarta chance.

Se isso não bastasse, a lista de corrupção nos faz perder o fôlego. E não estou falando da corrupção de terceiros, descobertas pela Polícia Federal. Refiro-me à que envolve membros do Partido. (Jamais me esquecerei de como o ex-diretor da Polícia Federal foi mandado pra china, ops, Portugal, sob pressão de Gilmar Mendes, "coincidentemente" quando a PF descobriu um irmão de Lula envolvido em falcatruas). Refiro-me aos conchavos com Sarney (MA ou AP?), Collor (AL), Renan (AL) Malluf (SP), Barbalho (PA) ...

Não, não tenho a ilusão de que com Marina, em um passe de mágica, tudo será diferente, mas, como nossas decisões levam em conta o histórico da pessoa, já sei, pelo histórico, porque não devo manter o PT ou reconduzir o PSDB à presidência.

Marina é a via alternativa para continuar lutando pelo pão que cada um deve ser capaz de colocar sobre a mesa e não por migalhas que deixam cair em nossas contas, sim migalhas em relação aos montantes da corrupção que dirigentes derramam em suas contas.

Se está esquecido, de uma olhada nesta lista: https://pt-br.facebook.com/karlmarxdadepressao/posts/261163790748690

Amanhã, 5.10.2014, vou com Marina, 40.

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Temas da reforma político-eleitoral que não avançam
1 – Sistemas Eleitorais
1.1 Sistema majoritário. 
1.2 Sistema proporcional 
1.2 Sistema misto 
2 - Financiamento eleitoral e partidário 
3- Suplência de senador 
4- Filiação partidária e domicílio eleitoral 
5- Coligação na eleição proporcional 
6- Voto facultativo 
7- Data da posse dos Chefes do Poder Executivo 
8- Cláusula de desempenho 
9 - Fidelidade partidária 
10 – Reeleição e Mandato 
11 – Candidatura avulsa

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

She is the besta, ops, the best !


Ela escolheu um candidato diferente do meu.

Pra encerrar a briga venho a público reconhecer que:

O dela é melhor pq eu não sei escolher.

O dela é melhor pq ela é mais inteligente.

O dela é melhor pq ela é mais bem informada.

O dela é melhor pq ela mais lúcida.

O dela é melhor pq ela é mais sábia.

O dela é melhor pq ela é mais afinada com Jesus de Nazaré.

O dela é melhor pq ela é mais capaz de fazer análises abrangentes de conjuntura.

O dela é melhor pq só ela está ao lado de intelectuais divinos.

O dela é melhor pq só ela está ao lado dos empobrecidos, injustiçados...

O dela é melhor pq só ela está ao lado de gente abnegada, altruísta,  misericordiosa...

O dela é melhor pq só ela está ao lado de gente capaz de enxergar os erros, os equívocos, as maldades das religiões e denunciá-las.

O dela é melhor pq só a compreensão teórica, de administração e de governo dela, das questões sócio-político-economicas, resolverá as injustiças sociais.

O dela, seja quem for seu candidato, é e sempre será o melhor, pois she is the besta, ops, the best!

sábado, 30 de agosto de 2014

Declaração ao Povo Batista Baiano

Declaro, a quem interessar, que a Igreja Batista Graça e a Convenção Batista Baiana, ambas por mim presididas neste momento, são instituições com natureza democrática de governo, formada por indivíduos e igrejas autônomas, que respeitam a liberdade de pensamento e de crença. 

Por isso, seus membros - no caso da IBG - e seus filiados - no caso da CBBA - têm responsabilidades com elas nos termos dos seus estatutos e não em termos de opção político-partidária. 

Assim sendo, ambas reconhecem a pluralidade política e a liberdade de seus membros/filiados de escolherem partidos e candidatos que atendam sua cosmovisão de mundo e sua compreensão espiritual. 

Desejamos que, na medida em que se aproxima o dia das eleições, membros e filiados também se aproximem mais e mais do amor que professamos e se respeitem mais e mais nas diferentes escolhas que fizerem

O período eleitoral passará, mas a unidade construída em Cristo Jesus deve permanecer, pois ele - não um partido político ou candidato - é a razão da nossa existência e esperança, o parâmetro ético para nossas escolhas de vida, inclusive as políticas. 

Portanto, ratifico, por reconhecer o direito inalienável de cada individuo, que nenhum membro de igreja ou instituição filiada à Convenção deve se sentir constrangido diante das escolhas político-partidárias, seja deste presidente, seja de quaisquer de suas lideranças eclesiástico-denominacionais.

sábado, 23 de agosto de 2014

Sua vocação, a igreja e a Convenção Batista

Deus vocaciona indivíduos. Assim nos demonstra a história. Ele os vocaciona para uma missão, um ministério. As missões e os ministérios são múltiplos. Podem manter-se os mesmos por toda uma vida ou podem sofrer variações na trajetória. Mas, como disse, a história aponta que Deus vocaciona indivíduos e, diante do chamado, cada um responde da melhor maneira que suas circunstâncias permitem.

Todos somos vocacionados a viver a vida de tal forma que, em todas as suas dimensões, ela se desenvolva de maneira saudável, ou, numa linguagem sacerdotal, santa. Daí sermos chamados em Cristo para viver em comunhão com Deus, demonstrando isso em todas as áreas de atuação.

Nosso chamado não se restringe, portanto, ao desenvolvimento de atividades no campo da religião. Deus nos chama para sermos sal e luz na saúde, na economia, na educação, no lazer, enfim, e também na religião. Seja, porém, para qual área for o nosso chamado, ele deve ser desenvolvido tendo Jesus como parâmetro.

O dinheiro, conquanto seja necessário, não deve reger nosso chamado, ser senhor de nossas vidas. Não é em função dele que desenvolvemos nossa vocação. Ele é necessário, mas não preenche as necessidades mais profundas de nossa existência. Deus deve ser o Senhor de nossas vidas no desenvolvimento de nossa vocação e tudo o que temos e somos deve ser vivido de acordo com os valores do seu Reino, em favor da vida.

A sociedade tem mecanismos de preparação dos indivíduos para o exercício de suas vocações que, geralmente, não inclui o preparo espiritual. Cientes de que isso causa danos à vida, especialmente na convivência humana, à igreja cabe investir no preparo de seus membros a fim de que suas ações sejam norteadas pelo compromisso com o Reino de Deus.

À Igreja, como agência cuja missão visa primeiramente (não exclusivamente) o fortalecimento da dimensão espiritual da vida, cabe redobrar seus esforços para que a espiritualidade ocupe prioridade em nossa escala de valores, ajudando vocacionados ao ministério do desenvolvimento espiritual, a se prepararem da melhor maneira possível.

A despeito, entretanto, do papel da igreja, o vocacionado não deve responsabilizá-la pelo desenvolvimento ou não de sua vocação de preparar-se e  dedicar-se com exclusividade ao seu chamado espiritual. A ele cabe procurar os meios adequados para cumprir o chamado que move seu coração, pois ele prestará contas a Deus do seu chamado.

À igreja, pela natureza de sua missão, cabe reconhecer o vocacionado e apoiá-lo no desenvolvimento do seu chamado. Ela não deve ser confundida com uma empresa que oferece preparo visando contar com mão de obra qualificada para disputar e manter seu espaço no mercado. Embora a igreja precise de pessoas preparadas para o bom funcionamento de suas estruturas, ela não deve perder de vista sua natureza espiritual e sua missão no mundo e não girar em torno de si mesma.


À igreja cabe ajudar o vocacionado no preparo e sustento, a fim de que ele cumpra da melhor maneira possível, mas se a igreja falhar nesse papel, cabe ao vocacionado encontrar maneiras de desenvolver a sua vocação. O chamado é dele.

O Essencial na Cooperação Batista

"Não importa a igreja que tu és,
Se aos pés do Calvário tu estás,
Se o teu coração é igual ao meu,
Dá-me a mão e meu irmão serás"

Já dizia Rubem Alves que o povo cantou a Reforma Protestante antes de entendê-la. Isso ratifica a importância da música como veículo de idéias e estimula-nos a investir mais nesta importante área de nossas igrejas. Meu objetivo, porém, não é falar de música, mas da letra de uma música que influenciou minha vida mais do que eu poderia imaginar.

Era final dos anos 60 e, criança, ouvia minha mãe cantando: "Não importa a igreja que tu és, se aos pés do calvário tu estás, se o teu coração é igual ao meu, dá-me a mão e meu irmão serás". Daí pra frente cantei-a durante a adolescência, sem saber que ela era fruto do surgimento de novas denominações religiosas, bem como uma ferramenta para facilitar a aceitação delas, pelos membros das chamadas igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, metodistas, congregacionais, etc.).

Hoje entendo não somente a importância estratégica dela para os objetivos das igrejas emergentes, mas também seu significado para além da superfície das palavras.

Ela, primeiramente, me estimula a entender, diferenciar e classificar as coisas e as idéias em torno de: é muito importante para o desenvolvimento do Reino? Ou: é importante? Ou: é pouco importante? Ou: é sem importância?

Creio que a Convenção Batista Baiana dará um salto de qualidade e de velocidade no cumprimento de sua missão, se cada líder, cada igreja, diante do que nos diferencia usasse essas perguntas. Há situações em que, parece-me, investimos muito do nosso tempo e energia naquilo que é sem importância significativa para o Reino.

Depois, a letra me fez pensar que devemos diferenciar o essencial do acidental. De tudo que devemos guardar, guardemos o nosso coração, pois ele é essencial à vida, diria o sábio bíblico. Como igreja, no que é acidental somos diferentes, mas somos iguais no que é essencial. Todos fomos criados para amar, todos somos pecadores, todos morreremos, todos prestaremos contas a Deus e Ele nos julgará segundo sua reta justiça e não seguindo as percepções de cada um. Não nos esqueçamos dessa essência.

Finalmente, ela aponta o essencial na vida de uma igreja: estar efetivamente aos pés do calvário. Isto é, viver humilde e submissamente à pessoa de Jesus, o Cristo.

Um livro que marcou a vida de muitos da minha geração foi "Em seus passos, o que faria Jesus?". Através da leitura dele, a centralidade de Jesus ganhou importância em minha vida. Descobri que o essencial na fé cristã é conhecer e continuar conhecendo a vida, o caráter, os ensinos de Jesus e, movido por sua amorosa graça, empenhar-nos em nos identificarmos com ele não para alcançar uma salvação futura, mas por termos sido salvos por ele já neste presente tempo.

Conhecer doutrinas é importante, mas, MAIS importante é conhecermos Jesus e procurarmos ser um fiel retrato de sua vida em nossas relações com as coisas e as pessoas.

O essencial na cooperação batista ou em nossa caminhada como Convenção Batista Baiana, é focarmos no Jesus da desprezível Nazaré, que caminhava com pecadores, lavava os pés de seus amigos e abençoava seus inimigos.

Se isso for levado graciosamente a sério, alimentaremos a real motivação para nos reunirmos e contribuirmos. De mãos dadas pensaremos, planejaremos, executaremos e avaliaremos a caminhada denominacional. Com corações alegres e generosos contribuiremos com orações, conhecimentos, tempo e dinheiro para o avanço do evangelho do Reino no coração de cada pessoa em nossa cidade,  estado, país e mundo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Minha passagem pela Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem (Parte 2 - entrevista sobre o NASCE)

(Compartilho na íntegra esta entrevista feita por Juliana Outtes, para a Revista EMANUEL de Julho de 2014, da Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem, Recife, igreja a qual servi como pastor em dois momentos: junho de 1987 a outubro de 1992 e dezembro de 2000 a junho de 2003. Ela trata da minha relação com o Núcleo de Atuação Social Cristã Emanuel - NASCE -, criado em minha segunda passagem como pastor daquela Igreja).

1. Pastor, qual a sua história com a ação social cristã?


Meu interesse pelo assunto foi despertado aos 20 anos, quando cheguei ao STBNB. Leituras, diálogos, ampliação do conhecimento da realidade social do país, aprofundamento no conhecimento bíblico-teológico despertaram em mim o interesse pela dimensão social do evangelho, pois até então a expressão da minha fé girava em torno do futuro - céu-inferno - da alma de cada ser humano.


No Seminário aprendi com solidez sobre o interesse de Deus pelo ser humano integral, por todas as dimensões da vida e passei a construir uma visão integral do evangelho. Fui aluno de Harald Schaly, ex-pastor da Emanuel, o qual nos sensibilizava muito para esta área ministerial da Igreja.


Também trabalhei tanto nas pesquisas preliminares de campo quanto no desenvolvimento do Projeto TransCoque, desenvolvido pela então Igreja Batista da Rua Imperial em parceria com a Visão Mundial.


Já no primeiro ministério, em Maceió, me envolvi em ações de responsabilidade social, tanto nas de assistência e de serviço quanto nas de ação; tanto aprofundando trabalhos desenvolvidos pela Igreja Batista do Pinheiro quanto participando da criação de outros.


O mesmo fiz na minha primeira e segunda passagens pelo pastorado da Emanuel.


Além disso, tenho colaborado como preletor sobre o assunto em diversos estados da federação; fiz parte do Comitê de Ação Social da Convenção Batista Brasileira e tive participação ativa na criação da Câmara Setorial de Ação Social nas assembléias dessa Convenção.


Tenho também incentivado a manutenção do Centro Comunitário da Igreja Batista da Graça, Salvador, no qual funciona posto de saúde em convênio com a Secretaria Municipal de Saúde; Balcão de Justiça e Cidadania em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia; cursos para 500 alunos em parceira com o Instituto Federal da Bahia e PRONATEC; escolinha de futebol de salão, karatê e capoeira; club de mães e da terceira idade e, agora, estamos construindo uma cozinha-refeitório com equipamento profissional para cursos de empreendedorismo na área de alimentos, além de outros.


Nesses dois anos na presidência da Convenção Batista Baiana elevamos o tema da responsabilidade social a uma posição de destaque, dedicando uma das noites das Assembléias a esta temática.


2. Como se deu sua atuação no NASCE?


Para falar do NASCE é preciso que nos lembremos de algo da história da Emanuel. Dois pontos distiguiram a Emanuel das demais igrejas do Recife nas primeiras décadas de sua existência: 1) a realização de um fortíssimo trabalho em lingua inglesa, tanto culto quanto escola Bíblica, sob a liderança do casal missionário Glenn e Audrey Swidegood; 2) A existência da Creche Raio de Sol, criada no pastorado de Harald Schaly que achava absurdo as salas das igrejas ficarem a semana inteira desocupadas.


A Creche funcionava em parceira com a Kindernothilfe, sediada na cidade de Duisburg, Alemanha, e com a DIACONIA, tendo como intermediária no Brasil a organização Amparo ao Menor Carente - AMENCAR - e abrigava diariamente 200 crianças, das 7 às 17 hs. Além disso, auxiliava financeiramente famílias empobrecidas da então favela Ilha do Destino.


Com o fim das parcerias, a Emanuel decidiu, em 1993, sob a liderança do Pr. Josias Bezerra, que a Creche deveria ser encerrada e novas formas de atuação social desenvolvidas.


Quando retornei à Emanuel, em dezembro de 2000, a igreja mantinha sua visão social através de diversas ações, com destaque para atendimento odontológico. Nesse contexto entendemos ser necessário a criação de uma organização com personalidade jurídica própria a fim de possibilitar parcerias com instituições públicas e privadas.


Criamos então o NASCE, convidamos a Profa Delaine Melo, Assistente Social, para dirigí-lo, reformamos totalmente a parte do prédio que vai do refeitório ao escritório do NASCE, construimos novas salas para atendimento médico e psicológico e desenvolvimento de outras ações e construimos a quadra-estacionamento da Igreja na perspectiva de comunhão e de espaço para atuação social com atividades esportivas para crianças empobrecidas.


3. O que ela trouxe de experiência para a sua vida?


Aprendi que quando acreditamos firmemente em um ideal, quando o coração está dominado por um interesse real pelo próximo, colocamos a experiência, o conhecimento, os recursos que temos à disposição do Reino e, sob a orientação de Deus, somos capazes de realizar obras duradouras para manifestação do nosso amor ao semelhante.


4. O sr. acha que, atualmente, as pessoas dentro da igreja valorizam esse trabalho?


Creio que o que ocorre dentro da igreja é um retrato do que o ocorre fora dela. Não deveria ser assim, mas é. Nossas crianças estão sendo educadas para serem consumidoras e não cidadãs.


Investimos muito pensando no que nossos filhos precisarão ter e não no que precisarão ser. A febre do consumo, a valorização da grife se reflete dentro da igreja. O ser cliente prevalece sobre o ser crente. Participamos da igreja muito mais pensando em receber do que em dar, atitude diametralmente oposta ao ensino de Jesus quando diz que mais bem aventurado é dar do que receber.


Contribuir para atividades sociais muita vez parece ser mais manifestação de desencargo de consciência do que expressão de amor. Assim vejo, de maneira geral, o que ocorre dentro das igrejas, à luz de discursos que ouço e leio na mídia "evangélica".

5. O que é preciso para se estar mais atento à dor e à necessidade do outro?



Amor, consciência de justiça social, sobretudo real e genuina identificação com a pessoa de Jesus. Ser menos religioso e mais discípulo de Jesus, ser menos liturgia e mais adoração. Isso é obra do Espirito Santo de Deus. Nosso papel é insistir em sermos fiéis a Jesus, orar e sensibilizar, respeitando, claro, os dons de cada um, pois cada um manifesta sua atenção ao próximo com os recursos espirituais, emocionais e intelectuais que desenvolveu.

6. Que diferença há entre a ação social e a ação social cristã?



Na ação em si não vejo diferença. Ação Social é uma ação de cidadania e nós cristãos também somos cidadãos desta terra. Todos, em tese, devemos ter interesse pela predominância da justiça social, da solidariedade, da fraternidade. Todos ganham quando esses valores afloram, todos perdem quando são desprezados. O Brasil os desprezou por séculos e todos temos colhido resultados nocivos.


Há diferença na motivação. Há  quem realize atividades sociais como terapia ocupacional. O foco é em si mesmo. Há quem as realize como estratégia de marketing. O foco é o aumento da clientela. Há quem as realize para evitar o colapso social. O foco é a manutenção do status quo. Há quem as realize para aumentar o eleitorado. O foco é político. Há quem as realize visando a libertação, o bem estar do outro. Esse deve caracterizar  as desenvolvidas por cristãos.


Outra diferença poderia ser no empenho. Nós cristãos deveríamos nos empenhar muito mais, pois somos estimulados por Jesus a sermos sal da tera e luz do mundo; a termos fome e sede de justiça;  a sermos humildes, reconhecendo que somos essencialmente iguais e assim por diante.


7. Muita gente diz que gostaria de ajudar, mas não tem tempo. O que o sr. diria a esses irmãos?


Acredito que a responsabilidade social é de todos. Uns dão peixes, outros ensinam a pescar e outros ensinam porque os rios produzem mais ou menos peixes e porque uns têm mais e melhores equipamentos de pesca do que outros, possibilitando acúmulo e concentração violentamente desproporcionais.


Assim sendo, todos podem fazer algo. Talvez nem todos disponham de tempo para participar das atividades desta área na igreja, inclusive porque a igreja gira em torno de sete eixos diferentes que consomem tempo (adoração, administração, comunhão, ensino, proclamação, pastoral e responsabiliade social). Porém,  o importante é que todos sejam sensibilizados e estimulados a servirem, seja através de qual área for, sem perder de vista o ser humano integral.


8. O sr. já foi ajudado por algum programa de atuação social?


 Tenho lembrança da infância quando a Prefeitura da cidade de Garça, SP, onde nasci, mantinha programa de distribuição de alguns alimentos básicos às familias. Lembro-me de que isso era muito bem vindo em nossa casa, formada por pais e 8 filhos.


Também fui alvo da generosidade de irmãos, quando estudei no seminário, creio que fruto do incentivo da igreja aos membros, à manisfestação de amor ao próximo.


9. As pessoas que são ajudadas por programas e/ou pessoas da igreja passam a ter outra visão de Deus e das instituições religiosas?


No mínimo elas são levadas a pensar na razão que levaria alguém a dividir com elas, num mundo em que subtrair do outro, amparado ou não pelo sistema, predomina. Se deixamos a pessoa saber que estamos dando um copo d'água em nome do Senhor, certamente ela se interessará por conhecer este Senhor.


O que não entendo como correto é usar a ação como moeda de troca: eu te ajudo e você passa a participar da minha igreja. Quem faz o bem movido pelo amor de Deus, simplesmente faz, sem esperar retorno para si ou sua tribo.


10. Num mundo tão democrático como o atual, parece cada vez mais difícil falar do amor de Deus. O sr. acha que a ação social cristã torna mais fácil pregar o evangelho? Por quê?


Bem, conta-se que São Francisco de Assis teria ido a uma vila, acompanhado de um noviço, aprendiz de evangelista. Chegaram ao lugar, conversaram com muita gente e retornaram. O noviço teria perguntado: por que o senhor não falou do evangelho. A isso ele teria respondido: preguemos o evangelho. Se preciso for, usemos palavras.


Ainda que vivamos numa sociedade plural, na qual a diversidade de pensamentos religiosos é crescente, as pessoas continuam sendo sensíveis à manifestações de amor. João diz que a prova de que passamos da vida velha para a nova é o amor.


Então, amar é a solução para o fim do esvaziamento de igrejas, para o retorno ao crescimento, mesmo numa sociedade religiosamente plural.


Nesse sentido, o exercício de nossa responsabilidade social é uma fortíssima autenticação da nossa mensagem, se não for a mais forte. E, sem  dúvida, aumenta em muito a credibilidade e receptividade da mensagem que anunciamos.


11. De que forma os pais podem incluir a ajuda ao próximo na educação dos filhos?


Com seus exemplos, manisfestando altruismo, participando de ações em prol do bem estar coletivo; chamando a atenção dos filhos para as condições de vida dos empobrecidos pelo sistema que não não trata todos com igualdade, inclusive na oferta de oportunidades; dialogando sobre o assunto com eles, mas sobretudo, ensinando-lhes que Deus é amor e por isso devemos amar.

12. Sabemos que os adolescentes e jovens têm muito vigor, mas, muitas vezes, não participam desse tipo de atividade. Como fazer para incentivá-los a ajudar as pessoas que precisam?



A adolescência é a fase de maior sensibilidade para as injustiças sociais e para o envolvimento em causas idealistas. A questão, repito, é que há uma massificação para o consumo, uma inversão na escala de valores ético-espirituais e isso tem sido pouco abordado na igreja.


Nós, igreja, estamos tão preocupados com o crescimento numérico, financeiro e patrimonial que temos nos esquecido de priorizar a qualidade de vida humana. A ênfase na estética litúrgica tem sufocado o desenvolvimento da ética espiritual.


Acredito que se chamarmos os adolescentes para dialogar sobre a realidade adversa de milhares de pessoas na mesma idade deles e  colocarmos em debate maneiras objetivas de minimizar a situação certamente eles se envolverão. Isso, entretanto, depende em parte da visão daqueles que definem as ênfases a serem priorizadas na vida da igreja.


13. O que muda na vida de alguém que se dedica a praticar os ensinamentos de Cristo com atos concretos na vida do outro?


As pessoas que assim agem se humanizam mais; descobrem que não estão sós nos sofrimentos que a vida impõem; encontram sentido para viver e isso lhes traz paz e alegria interior; a sensação de utilidade e de dever cumprido revigora suas energias e, sobretudo, sentem-se verdadeiramente cooperadoras de Cristo, pois sabem que naquele dia - o dia do juizo - ele nos dirá: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que foi preparado para vocês desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ “O Rei responderá: ‘Digo a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’." (Mateus 25:34-40 NVI)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A primeira reunião da diretoria 2014-2016 da Convenção Batista Baiana

Hoje tivemos a primeira reunião da diretoria da CBBA, com a presença do Secretário Geral. Foi um sentimento totalmente positivo passar quase 4 horas compartilhando as percepções de cada um sobre a última Assembléia, realizada em Itabuna, levantando o que houve de melhor e o que precisa ser melhorado na próxima, em Ipiau.

Também conversamos longamente sobre a elaboração do Plano Geral que incluirá Missão, Visão, Valores, objetivos estratégicos (longo prazo); objetivos táticos (desdobramento do estratégico pelos örgãos executivos e auxiliares, bem como pelas gerências subordinadas à Secretaria Geral); objetivos operacionais (execução dos táticos por cada órgão e gerências); além de orçamento e calendário.

As definições estratégicas serão propostas a partir de dados fornecidos pelas lideranças das associações, referentes às necessidades das igrejas. (Posteriormente faremos consultas diretamente às igrejas).

Conversamos sobre o formato da próxima reunião do Conselho, da necessidade de entendermos como funcionará em função da reforma dos estatutos.  (Conversaremos com os dirigentes dos örgãos, gerências e das associações, pois os relatórios deles serão mediados pelos comites perante o Conselho).

Ainda tratamos de problemas específicos relacionados a pessoal, que precisavam de parecer da diretoria, e iniciamos uma reflexão sobre a Campanha de Missões Estaduais.

Enfim, foi muito bom investir quase todo o tempo olhando para o futuro, em vez de ter que apagar fogo. Estamos convictos de que bons momentos estão reservados para o povo batista na Bahia.

Neste sábado, com a ajuda de um arquiteto e um especialista em agricultura e paisagismo, estudaremos projetos de reformas da piscina, de alojamentos, bem como de um mutirão de limpeza do CENTRE.

Em setembro, faremos a sondagem do terreno da ESCOLA BATISTA KATE WHITE, passo inicial para definições do projeto da nova sede da CBBA, onde funcionará, além da EBKW, o Seminário batista, a Secretaria Geral e instituições batistas parceiras. Trata-se de projeto estratégico para o desenvolvimento do trabalho denominacional na Bahia.

A reunião do Conselho será nos dias 1,2 e 3 de setembro. Ore pela Convenção e não discorde em silêncio. Procure-nos e ajude no avanço do evangelho em nosso Estado.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Participação na futura diretoria da Convenção Batista Baiana

Desta segunda-feira até sábado, 5 de julho, representantes de mais de 600 igrejas batistas filiadas à Convenção Batista Baiana poderão estar reunidos em Itabuna para mais uma Assembléia Anual dessa organização que já conta mais de 130 anos de existência. No evento, chega ao fim o mandato de dois anos na diretoria, a mim conferido pela instituição.

Ao longo desses quase 31 anos de ministério pastoral batista, sempre mantive algum tipo de envolvimento convencional. Presidi organizações de naturezas diversas como seção estadual de Ordem de Pastores, Associação Nacional de Escolas Batistas,  Comissão Predial Batista; participei da presidência das convenções de Alagoas e Pernambuco; fui executivo de Colégio Batista; ensinei em seminários;  participei de Juntas administrativas de Seminário, de juventude, de evangelização e também Conselho da CBB, além de uma infinidade de comissões/GT como de reformas de estruturas e de estatutos, de indicações, de renovação de juntas e conselhos, etc, etc, etc.

Em nunhum desses cargos ou funções participei apenas para "compor". Sempre procurei encontrar uma razão que justificasse os recursos de energia, tempo e dinheiro investidos e uma finalidade de interesse coletivo para não me sentir oportunista, muito menos "rainha da Inglaterra".

Com a diretoria da CBBA não foi diferente. Permiti que meu nome fosse indicado à diretoria somente quando enxerguei uma necessidade real que poderia ser suprida com a minha "co-laboração". 

Portanto, ao aceitar a indicação já tinha uma visão, em termos gerais, do que precisaria ser feito. Não tinha idéia da natureza dos obstáculos a serem superados, com quantas pessoas contaria ou que qualidade de oposição enfrentaria, mas isso não seria problema pois, quanto mais se sabe sobre onde e como se pode chegar, mais segurança se sente. Se, além disso, trabalha-se com um grupo com boa vontade, predisposição para o bem, perseverança, abnegação e, sobretudo, sensível aos valores espirituais do Reino, não há como não dar certo.

Agora, pensando no futuro, olhando pra frente, sentindo a realidade, ouvindo pessoas, percebemos um caminho a ser percorrido. O trabalho conduzido pela diretoria que se despede foi apenas de recuperar uma estrada para possibilitar novos avanços com maior velocidade e segurança. Ou, em outras palavras, foi apenas de recolocar o trem nos trilhos.

Penso que possibilitar a chegada de mais missionários a populações que precisam do evangelho; revitalizar igrejas que estão debilitadas; fortalecer o preparo de lideranças para diversas necessidades do Reino e das igrejas locais; aprofundar a qualidade e quantidade de ações de responsabilidade social; recuperar o Acampamento Batista (CENTRE) e iniciar a construção de novo espaço que abrigue a Secretaria Geral da CBBA e seus órgão, o Seminário de Salvador e a Escola Kate White, são objetivos e metas que merecem prioridade.

Sempre que me perguntam se continuarei na diretoria, respondo que essa não é uma decisão primeiramente minha. É uma escolha da Assembléia. A mim compete apenas decidir, diante de Deus, se devo disponibilizar-me ou não a concorrer para algum cargo, em caso de indicação. Essa tem sido a moral batista.

Cargo pelo cargo não me atrai. Seus encargos sim. Ajo por ideais. Sempre me disponibilizarei se acreditar que posso dar conta das atribuições. Portanto, em qualquer cargo da diretoria ou fora dela, continuarei trabalhando, pois os objetivos citados não são uma plataforma político-eleitoral de um grupo, mas desafios de todos os batistas da Bahia que querem ver o evangelho sendo compartilhado e vidas, por ele, sendo restauradas.

Creio que Deus continua agindo. A nós cabe perceber  onde e como, para nos afinarmos e, como cooperadores, agirmos com toda a  força que ele nos dá.

http://youtu.be/nWnvja7u1t8

sábado, 14 de junho de 2014

Quem tem acima da média pode lutar contra a pobreza?

Estava aqui pensando, antes de sair pra almoçar, que o primeiro livro que retirei da biblioteca do STBNB quando cheguei lá em 79, foi "Jesus Cristo Libertador", de L Boff. Nem sabia do que se tratava, nem nada de Teologia da Libertação. O título - a tal da liberdade - me atraiu.

Lembrei-me também agora, lendo comentários sobre política, (parece que o Brasil está dividido entre petistas, antipetistas e apetistas, até porque nenhum partido ou pessoa conseguiu até aqui tornar-se um novo eixo catalizador de respostas aos problemas graves do país), lembrei-me, repito, do primeiro livro que comprei no Recife, na então Livraria Rangel, entitulado "Suécia, uma democracia social". 

Pura curiosidade, intuição, "vocação", enfim...

Não militava em nada político-social. Era um adolescente chegando do interior sem noção de política ou teologia. Só "pensava" que sabia de Bíblia por ter sido professor de EBD aos 14 anos baseando meus estudos das aulas exclusivamente nos comentários das revistas da JUERP. O foco era o futuro, o pós morte física total.

Voltando ao início do pensamento. Foi no livro de capa azul e amarela, de cujo autor não me lembro o nome agora, que li um diálogo entre um ex-ditador de Portugal e um ex-primeiro-ministro suéco, mais ou menos assim:
- Como vai Portugal, perguntou o sueco.
- Vai bem, retrucou o ditador, mas ainda precisamos acabar com os pobres.
- Aqui na Suécia, teria respondido o Primeiro Ministro em tom de brincadeira, queremos acabar com a pobreza.

Sutil diferença.

Isso me ocorreu porque leio alguns criticando pessoas que, tendo um padrão sócio-econômico acima da média, lutam pelo fim da pobreza injusta (injusta porque justa é a pobreza dos que, franciscanamente, optam por um estilo de vida independente ao máximo, do ter). Um ex-professor meu ironizava um ex-diretor de Visão Mundial que, trabalhando contra a pobreza, mantinha um padrão de vida econômico-financeiro acima da média.

Ora, ninguém luta para que todos nos tornemos pobres. Lutamos para que todos possam viver com dignidade. Em alguns momentos dando o pão, noutros ensinando a pescar e noutros, ainda, ensinando sobre porque rios produzem mais ou menos peixe e uns pescadores têm mais e melhores equipamentos de pesca do que outros. 

É nessa última parte de atuação que o bicho pega. Nas duas primeiras, sentimos alívio de consciência, nos sentimos bondosos e até poderosos, porque o outro depende de nós. Mas, na última, estamos abrindo caminho para que o outro se liberte colocando no palco das discussões as diferenças de poder, a igualdade essencial dos seres humanos, etc. É aí que nossa zona de conforto é incomodada. Aí o pau quebra!


Bora almoçar? Vc paga!

sábado, 7 de junho de 2014

O pão nosso, feito pela dona Nena, de cada dia.

Minha mãe faz um pão extraordinário, conhecido a milhares de quilómetros de Garça, para além das fronteiras do país. Pão e Nena são tão unidos que as palavras que ela ensinava aos netos em idade de colo era "luna dame pan...".

Aos 84 anos ela continua preparando a massa, colocando no forno (à gás) e servindo à mesa quase que diariamente.

Recordo-me da cena desde quando tínhamos que ajudá-la a cortar a lenha, colocar no forno de barro, acender o fogo, esperar queimar, limpar o forno, colocar a massa sobre folhas de bananeira, depois tirar com uma "pá", colocar numa bacia de alumínio,  cobrir com um pano de cozinha e esperar ficar menos quente pra comer vendo a manteiga derretendo nele. (Quando ela inventava de colocar torresmo na massa, era insuperável!)

Isso sem falar na preparação da massa e na ansiedade que gerava esperar o pedacinho de massa deixar o fundo do copo com água, sinalizando que estava pronta pra ir ao forno.

Se o pão era tão bom, tão concorrido, por que ela não o vendia? Por que não fez dele um negócio, uma fonte de renda? Muitas vezes me perguntei isso. Cheguei a pensar numa marca, numa embalagem...

Só depois de muitos anos entendi que o negócio dela não era fazer pão, muito menos fazer dinheiro com ele; que o que ela gostava mesmo não era de fazer pão. O que ela gostava mesmo era de ver a família e amigos em torno da mesa da cozinha dela, rindo, discutindo às vezes em alta temperatura, disputando a vez de falar, falando em voz alta bem ao estilo espanhol, mas todos ali juntos "na alegria e na tristeza".

O pão sempre foi só um meio, uma desculpa, um detalhe, bem diferente do pão "sagrado" da "santa ceia" das liturgias eclesiásticas de nossos dias. A paixão dela, na verdade, sempre foi o ajuntamento, a aproximação, a família, família sem fronteiras de sangue, raça, cor, religião... curtindo em torno do pão.

Tenho pra mim que nisso está sua principal semelhança com Jesus, Jesus que no caso dela não é só um discurso, mas uma "encarnacion".

Que julho chegue logo!

domingo, 1 de junho de 2014

A vitória da honestidade, da justiça e da verdade


Enquanto aguardava um amigo para jantar, recebi um telefonema informando-me da sentença da Juíza de Direito Maria de Fátima Silva Carvalho, referente a "Ação Cautelar Inominada com a Solicitação Urgentíssima de Liminar" movida pelo Ministério Público do Estado da Bahia contra a minha pessoa, pedindo afastamento meu e das diretorias da Igreja e CECOM, por 180 dias.

A referida ação tinha o mesmo conteúdo de ação movida há 3 anos e meio pelo mesmo advogado, contrariado por decisões legítimas e legalmente democráticas da Igreja. (A diferença foi a inclusão, no processo, de uma carta de 2012, assinada por 2 ex-dirigentes da CBBA e o fato de um pastor batista, funcionário do MP, aceitar a hipótese de ser o possível interventor). 

Não me surpreendeu a ação desta pessoa que desde a derrota anterior não põe os pés na IBG.

Intriga-me, sim, como alguém consegue convencer um Promotor Público a assumir mentiras tão absurdas como verdades suas, sem nunca ter visitado o CECOM ou a IBG. 

Que poder é esse? Até parece haver mais, entre o céu e a terra, do que pode imaginar nossa vã filosofia, como diria o poeta!

Graças a Deus mais uma vez ele não logrou êxito. Mas, certamente, não desistirá. Essa atitude, porém, serve-me de alerta pra empenhar-me ainda mais em ser, ao mesmo tempo, cuidadoso e agradecido pois, parafraseando Goethe, o diabo é aquele que, querendo fazer o mal, acaba fazendo o bem.

Eis a sentença final: "Acolho a preliminar de ilegitimidade passiva e julgo por sentença extinto o presente feito sem resolução de mérito por falta de condições da ação, com amparo no art. 267, VI do CPC".

Obrigado à minha família, igreja e amigos que, em todo tempo, oraram e apoiaram-me de maneira extraordinária. 

Obrigado ao escritório Vasconcelos Advogados pela dedicação mais do que profissional. 

A Deus toda honra, glória e poder !

Em tempo: 
Art. 267 - Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: (Alterado pela L-011.232-2005)

VI - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;

sábado, 31 de maio de 2014

O restabelecimento da saúde financeira da Convenção Batista Baiana


Em um empreendimento - inclusive familiar - a saúde financeira é a base de tudo. Ela retrata o nível de organização interna, a disciplina nos procedimentos; o acerto naquilo a que se propos, além de possibilitar o cumprimento das obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias e transmitir confiabilidade aumentando o interesse dos clientes e investidores, etc, etc, etc.

Aproximando-se o momento de prestar contas aos Batistas da Bahia, por dois anos à frente da CBBA, agradeço a todos que auxiliam no Escritório, aos administradores, ao escritório "Bomfim Contabilidade", ao "Vasconcelos Advogados", às igrejas cooperadoras, aos batistas servos-voluntários, à diretoria e conselheiros que, cada um em sua área de ação, possibilitaram que os indicadores fossem os que estão sendo apresentados.

Eles ainda não são o que deveriam ou gostaríamos, mas percebe-se que a instituição está no caminho certo. 2014 refletirá um quadro ainda melhor.

Com essas condições, a CBBA poderá voltar a concentrar seu foco na razão do sua criação, no essencial de sua missão, em suas atividades-fim.

Ore pela próxima Assembléia e confiemos que o olhar divino está sobre bons e maus e abençoa de maneira especial aqueles que se declaram e se empenham em viver como seus filhos.


Confira os dados da situação financeira através de gráficos em:
http://batistabaiana.org/cbba/index.php/home/area-financeira/relatorios-financeiros-mensais

Em tempo: O Conselho Fiscal da CBBA, formado por pessoas eticamente idôneas, tecnicamente capazes e escolhidas soberanamente pela Assembléia de Membros, está recomendando a aprovação das contas sem ressalvas

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A Escolha do Ministro de Adoração


A expressão “ministro de adoração” é discutível se avaliada estritamente do ponto de vista teológico. Nesse campo do conhecimento, adoração é entendida como uma atitudedo ser humano perante o criador, expressa através de todas as múltiplas dimensões da vida.

Embora as atribuições do referido ministro estejam circunscritas a aspectos relacionados à liturgia e música, o uso da expressão “ministro de adoração” não é inadequado, pois a liturgia não apenas é, em tese, uma expressão de adoração, mas através dela visa-se também estimular pessoas a viverem a adoração em toda a sua plenitude. Nesse sentido, o uso de tal designação é aceitável.

Definições a parte, o fato é que há quase um ano estamos sob a liderança de uma “Ministra Interina de Adoração” e agora, com a mudança dela para Ilhéus, necessitamos agilizar o processo de escolha de uma pessoa para assumir efetivamente o cargo.

Em nossa igreja, o Ministro de Adoração tem, dentre outras, as seguintes responsabilidades:



1. Elaboração, coordenação e execução dos programas de culto de quarta-feira, domingos e ocasiões especiais, em comum acordo com o pastor-presidente;

2. Formação e renovação do repertório musical utilizado nos cultos, inclusive avaliando as letras das músicas, em seus aspectos teológicos e ideológicos;

3. Supervisão das atividades de coros graduados (infantis, adolescentes, jovens e adultos), relacionadas à Igreja;

4. Supervisão das atividades de grupos musicais (Contraponto, Graça em Arte e Adoração, etc) relacionadas à Igreja;

5. Supervisão das atividades das bandas e vocais de apoio (backing vocals) relacionadas à Igreja;

6. Promoção ou supervisão de cantatas;

7. Elaboração de escalas mensais para revezamento de instrumentistas, vocais de apoio (backing vocals) e mensagens musicais através de solos, grupos ou Coros;

8. Supervisão das atividades de sonoplastia e imagem nos cultos;
9. Supervisão da agenda de espaços de ensaios musicais;

10. Supervisão e manutenção dos equipamentos musicais;

11. Aprovação do uso das verbas financeiras destinadas pela Igreja ao ministério;

12. Fomento do interesse pela música proporcionando oportunidades para educação musical através de Oficinas, congressos, etc;

13. Administração de conflitos entre integrantes de seu ministério, em comum entendimento com o pastor-presidente.

Não é tarefa do Ministro, elaborar programações de atividades particulares tais como casamentos, aniversários, formaturas, chás de cozinha, funerais e outras do gênero. Em atividades desse gênero seu papel é orientar os que buscam sua ajuda e participar, na condição de membro da igreja, de acordo com sua disponibilidade.

Percebe-se facilmente, portanto, que nenhum ser humano seria capaz de realizar pessoalmente todas essas tarefas com qualidade técnica e manutenção da própria qualidade de vida, seja pela quantidade versus tempo, seja pela quantidade versus número de membros e de iniciativas musicais na Igreja. Por isso falamos em termos de responsabilidade e não de realização.

A realização depende em parte dos casos, de colaboradores dispostos e disponíveis para o serviço, voluntária e responsavelmente, e, em todos os casos, de comprometidos com o evangelho de Jesus Cristo, conscientes de sua missão, cujos dons são colocados a serviço do Reino de Deus, em resposta ao amor de Deus que alcançou seus corações.

Assim sendo, é essencial que um “Ministro de Adoração”, além do conhecimento e domínio técnico de música, seja comprometido espiritualmente com a pessoa de Jesus Cristo; empenhado numa vida cheia do Espírito Santo edisposto a aperfeiçoar-se em liderança de “servos-artistas”(que, como todos nós em nossos dons, tendem mais a se expressarem como artistas do que como servos).

É essencial, finalmente, que ele reconheça as idiossincrasias da Igreja Batista da Graça; seu desejo de “ser uma igreja acolhedora, contemporânea e distribuída em pequenos grupos; comprometida com o discipulado cristão visando transformações individuais e sociais; que valoriza a família com prioridade para crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais” e seu compromisso de “anunciar Cristo através de atitudes, palavras e ações”.

Comprometa-se a orar por este processo de escolha, para que o resultado esteja afinado ao agir de Deus neste tempo e local.

sábado, 10 de maio de 2014

Fragilidade e força maternas

A fragilidade dos filhos é, a meu ver, uma das marcas mais fortes impressas na mente do ser mãe. Sua compreensão dessa fragilidade não é teórica, é vivencial. Elas, como ninguém,sabem o quanto e até quando eles precisaram delas, pois estiveram presentes durante sua infância e juventude.

Mesmo numa sociedade em que também saem de casa em busca do sustento financeiro da família, elas continuam em primeiro lugar no ranking de proximidade.Daí mães de 80 anos, chamarem filhos de 60 de “meu menino”, “minha menina”. Aos olhos delas filhos sempre serão assim e isso não é ruim, exceto se, por distúrbio, elas não permitirem que eles sigam suas vidas, por não acreditar que são capazes de se defender, de prover seu próprio sustento.

A meu ver, essa proximidade faz com que elas tenham maior consciência da fragilidade humana e as tornam, de modo geral, mais sensíveis, cuidadosas, talvez até se arriscando menos do que os pais. Mas, se quem estiver correndo risco são os filhos, elas se tornam verdadeiras leoas, se expõem à morte por eles.

Assim sendo, o que me impressiona nas mães é essa mistura de força e fragilidade. Força real, fragilidade aparente. Sim, pois embora, por uma única expressão de Pedro as mulheres foram estigmatizadas como sexo frágil, estigma compreensível numa sociedade que dependia da força física bruta, o fato é que são tão e quiçá mais resistentes do que os homens.

Essa minha percepção pode até não ser comprovada através de metodologia científica e nem é minha intenção que seja. Ela é fruto de experiência como filho de uma mãe exemplo de fragilidade e força. Uma mãe de seis filhas e dois filhos que sempre manteve em dia as tarefas domésticas comuns e ainda trabalhava pelo aumento da renda familiar;que perdeu o marido relativamente jovem, quando apenas duas das filhas estavam casadas, mas que soube manter a família unida e todos os filhos tementes a Deus e batalhadores do próprio sustento.

Ela – minha percepção – é também fruto de conviver nesses 31 anos de casado com uma mãe que deu tudo de si para que seus filhos – que também são meus – crescessem e se tornassem pessoas íntegras, autônomas, que proporcionam infinitamente mais alegrias do que preocupações.


Nesse sentido, deixo aqui este meu singelo reconhecimento àquelas que merecem toda nossa reverência, todo nosso respeito, todo nosso amor, nossas mães.