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terça-feira, 1 de maio de 2012

29.04.12 - 7/100 dias de oração pelo Brasil - O Senhorio de Cristo na vida dos cristãos brasileiros

Não tenho dúvidas de que a maioria dos membros da IBGraça está engajada na campanha "100 dias que impactarão o Brasil", orando diariamente, pelo menos um minuto às 12 hs. Muitos já colocaram o alarme de seus celulares para tocar regularmente naquele horário e até lembram-se uns aos outros por celular ou internet.

Mas é essencial também que cada um aproveite para rever sua relação com De
us em Cristo Jesus.

O texto de hoje do livro que está servindo de roteiro para orações, trata do senhorio de Cristo, algo desafiador numa época em que as liberdades e direitos individuais alcançaram tal avanço (positivo) que alguns não conseguem conciliar isso com a autoridade de Jesus em suas vidas.


Estamos tão decepcionados com as autoridades constituidas socialmente, com destaque para líderes religiosos e políticos, que pensar em obedecer uma autoridade é algo constrangedor.


Este é um momento que devemos aproveitar para refletir sobre isso e as implicações da ausência de compromisso com Deus, com o senhorio de Jesus em nossas vidades, individual e coletivamente.


"Por que me chamais: "Senhor, Senhor" e não fazeis o que vos mando?" Eis a pergunta de Jesus. É hora, então, de reavaliação.

domingo, 27 de setembro de 2009

Eu sei que o meu redentor vive

By Nicole C. Mullen

"Who taught the sun where to stand in the morning?

and Who told the ocean you can only come this far?
and Who showed the moon where to hide 'til evening?
Whose words alone can catch a falling star?
Well I know my Redeemer lives
I know my Redeemer lives:
Let all creations testify
Let this, life within me cry
I know my Redeemer lives, yeah.
The very same God that spins things in orbit
runs to the weary, the worn and the weak
And the same gentle hands that hold me when I'm broken
They conquered death to bring me victory
Now I know my Redeemer lives
I know my Redeemer lives
Let all creations testify
Let this life within we cry
I know my Redeemer, He lives
To take away my shame
And He lives forever, I'll proclaim
That the payment for my sin
Was the precious life He gave
But now He's alive and
There's an empty grave.
And I know my Redeemer lives
I know my Redeemer lives
Let all creations testify
Let this life within me cry
I know my Redeemer,
I know my Redeemer
I know my Redeemer lives
I know my Redeemer lives
I know that I know that I know that I know that
I know my redeemer lives
Because He lives I can face tomorrow
I Know I know
He lives He lives yeah, yeah
I spoke with him this morning
He lives He lives, the tomb is empty,
He lives I gotta tell everybody "


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Por ti darei minha vida


sábado, 15 de agosto de 2009

Apresentação dos textos sobre Cristo

A construção do conhecimento é resultado do confronto entre as informações que recebemos e os referenciais culturais introjetados em nós desde o nosso nascimento. Assim, as palavras que escrevemos podem suscitar diferentes imagens e sentimentos em cada pessoa, de acordo com o tipo de cultura na qual se desenvolveu. Não há como prever, com precisão, os efeitos que nossas palavras causarão nos leitores. Por isso, pela diversidade cultural que nossas igrejas representam, escrever os comentários das lições que seguem representou um grande desafio para a minha vida.

Certamente, para uns os comentários que seguem ficarão aquém e para outros além da expectativa. Meu desejo é que, para uns e para outros, eles possam servir de ponto de partida para discussões que os ajudem a refazer ou aprofundar seus conceitos em torno da Palavra de Deus e, assim, sejam os discípulos que Jesus almejou na grande comissão.

Nossas crenças não surgem do dia para a noite. Elas são resultado das mais diversas influências as quais somos submetidos ao longo de nossa existência e são continuamente elaboradas se mantivermos o senso crítico e a interação com a realidade em atividade. Assim crendo, afirmo que os comentários feitos são fruto de convicções pessoais, influenciados por conceitos e exemplos a que, durante mais de quatro décadas, tenho sido submetido através de meus pais, irmãos, esposa e filhos; da Igreja Batista de Garça(SP), onde passei metade da minha vida e das igrejas em que atuei como seminarista ou pastor; das escolas nas quais estudei, com destaque para o centenário Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil e Universidade Federal de Pernambuco; das leituras realizadas e diálogos travados, enfim, dos diversos meios de construção cultural.

Interpretar é tentar entender significados que variam de lugar para lugar, de pessoa para pessoa. Por isso, uma boa interpretação bíblica depende de afinidade entre os referenciais que estão em nossas mentes e os que, provavelmente, estavam na mente dos escritores. Meu desejo é que, sob a iluminação do Espírito Santo, os comentários feitos sirvam de facilitação à compreensão dos ensinos da palavra de Deus, a fim de que a sua vontade prevaleça em nossas vidas.

Agradeço a Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem*, Recife, por reconhecer que este trabalho faz parte do compromisso denominacional que pastor e igreja têm.


* 2º período de ministério nesta igreja, entre 1999 e 2003

Fatos que marcaram o nascimento de Jesus

Textos:
Texto bíblico: Mateus 1 e 2
Texto áureo: 1.21

Comentários da lição:

Salvação é a recuperação do relacionamento do homem com Deus. Ela se inicia no aqui e no agora e encontrará a plenitude de sua manifestação no além, quando estivermos com Cristo em sua glória.

Todos necessitam da salvação. A natureza do ser humano sente falta de um relacionamento com Deus. Ainda que não queiram admitir e mesmo sem ter clareza do que lhes falta, é natural às pessoas, a tentativa de algum tipo de relacionamento com o transcendental. "Viemos de Deus e nossa alma não descansa enquanto não voltarmos para Ele". Por isso o ser humano é essencialmente religioso e, a seu modo, desenvolve atitudes e ações místicas.

A revelação bíblica nos mostra que, conquanto Deus não esteja longe de cada um de nós, vivemos em busca dele, tateando, tentando encontrá-lo (At. 16). Mostra-nos também que Deus tomou a iniciativa de resolver este problema, enviando Jesus Cristo, em quem essa busca tem fim, quando o ser humano confia nEle, como Senhor e Salvador.

O plano de salvação para possibilitar ao homem reencontrar-se com Deus, teve início no Éden, no dia em que a humanidade, representada pelo primeiro casal, decidiu seguir seu próprio rumo, desprezando a orientação divina. Desde então, Deus planejou vir ao mundo, na pessoa de Jesus Cristo, para trazer salvação. Para isso, desenvolveu um plano que incluía a formação de um povo, através do qual o Salvador nasceria, se desenvolveria e cumpriria sua missão.

Mateus 1.1.17 - O registro genealógico

O envio de um salvador, segundo a revelação bíblica, foi planejado por Deus desde a queda do homem, no Jardim do Éden. No decorrer dos séculos, muitas profecias foram proclamadas, indicando sinais que serviriam de referência para a identificação do Salvador. Dessa forma, o registro genealógico do nascimento de Jesus não apenas dá a ele um caráter histórico, estabelecendo uma linha de relacionamento entre Jesus e Abraão, o "fundador" do povo judeu, mostrando a coerência do plano de Deus, mas também, confirma, historicamente, o cumprimento das profecias a respeito do Salvador.

Por isso, o cumprimento das profecias da trajetória do Messias, seja quanto a linhagem, seja quanto às cidades onde viveria, são evidências da credibilidade histórica e espiritual das narrativas bíblicas em torno do Salvador.

Mateus 1.18-25 O significado do nascimento virginal

Durante muito tempo, a ênfase no nascimento miraculoso de Jesus, isto é, um nascimento que não foi resultado de um relacionamento sexual entre José e Maria, era uma forma sutil de fundamentar, ideologicamente, a crença moral dominante em torno da sexualidade humana que ensinava que o ato sexual, por ser um relacionamento "na carne", se opunha à espiritualidade, prejudicando-a.
Tal compreensão fortaleceu, durante séculos, a vergonha cultural desenvolvida em torno da sexualidade humana.
Uma das razões, inclusive, da defesa da Igreja Católica, da perpetuidade virginal de Maria, mesmo após o nascimento de Jesus, bem como a conseqüente negação de que ela tivera outros filhos, tem como fundo histórico uma concepção moral equivocada da sexualidade humana.

Entretanto, tal concepção medieval, repressora da sexualidade, não deve dar lugar a uma postura oposta, de liberação, pois os extremos são igualmente doentios. A compreensão bíblica é a de que a sexualidade humana é boa mas, como tudo na vida, pode se tornar nociva se o seu exercício desconsiderar os valores éticos do Reino.

O nascimento miraculoso de Jesus tem se tornado mais fácil de ser aceito, na medida em que a própria humanidade já tem desenvolvido formas de reprodução que não dependem de relacionamento sexual. Porém, é preciso que fique claro que a aceitação do nascimento miraculoso de Jesus é uma questão de fé e não uma questão de racionalização científica, até porque a razão, por ser uma ferramenta da alma, não é capaz de explicar os mistérios da própria alma e, muito menos, do mundo espiritual.
O nascimento miraculoso de Jesus, portanto, não deve ser entendido como negação, por parte de Deus, da sexualidade humana mas como forma de manifestação da natureza divino-humana do Salvador.

Mateus 2.1-12 Os magos e a universalidade da salvação

Acredita-se que os magos eram astrólogos, gentios, e que a citação deles na narrativa do nascimento do Salvador tinha por objetivo proclamar aos judeus a universalidade da salvação trazida por Jesus. Essa mensagem era importante, considerando-se o sentimento exclusivista nutrido pelos judeus e o conseqüente preconceito alimentado contra os gentios. Um dos difíceis desafios, portanto, da igreja iniciante era superar o preconceito judaico.

A força do impacto do nascimento de Jesus sobre os magos pode ser identificada não apenas pela disposição manifesta por eles, de adorar, de presentear o Salvador, mas, sobretudo, de não se submeterem ao plano de Herodes. Eles não apenas abriram mão das benesses do poder mas também colocaram em risco suas próprias vidas, desobedecendo as ordens do Rei.

Mateus 1.16-18 Herodes e a luta pelo poder

Herodes, diferentemente dos magos, alarmou-se diante do risco de perder o poder; buscou ajuda dos líderes religiosos e dos magos para descobrir onde nasceria o tal Salvador e montou um plano traiçoeiro, dizendo que também queria adorar o Cristo. Frustrado em seu plano, sua máscara caiu e ele revelou quem de fato era ao decidir matar todas as crianças de Belém.

Essa cultura de eliminar aqueles que nos ameaçam faz parte da história da humanidade e ainda não foi superada, apesar dos avanços científico-tecnológicos. A cultura da violência está tão profundamente introjetada na mente humana que o espírito humano se mantém permanentemente armado contra qualquer tipo de ameaça. O ser humano ainda não aprendeu o caminho do diálogo na solução de suas diferenças. Eliminar o outro é o meio mais primitivo, ainda em uso, na resolução de problemas interpessoais.

Mateus 1.19-23 Nazaré e a visão ministerial de Jesus

A cidade de Nazaré desenvolvia uma cultura mais próxima da vida gentílica, por ser rota de acesso ao Egito. Ela nunca foi citada no Velho Testamento. Talvez por isso, tenha sido motivo de preconceituoso desprezo (Jo. 1.46).
A ida de Jesus para Nazaré certamente foi importante para o fortalecimento de sua visão ministerial e quem sabe, para o desenvolvimento de sua filosofia de vida simples. A simplicidade era a marca de Jesus. Ele andava com gente simples; vivia de modo simples; ensinava usando exemplos simples e desafiava seus discípulos a serem simples (Mt. 10.16).
Hoje, a existência de milhões de pessoas que vivem numa terrível pobreza e de tantas outras que precisam ouvir do evangelho, são um desafio a cada cristão no sentido de cultivar a simplicidade no viver.

Viver a simplicidade , portanto, significa considerar a situação do outro na administração dos recursos disponíveis, evitando que o uso frívolo desses recursos, afronte a sua dignidade humana.

A LIÇÃO EM FOCO

1. Preconceito significa a formulação de conceitos sem o devido aprofundamento no estudo de determinado tema. São nossos conceitos, ainda que não sistematizado conscientemente, que determinam nossas posturas em relação aos fatos da vida. Um conceito mal formulado, isto é, um preconceito, pode causar males profundo em nossa própria vida e na vida das pessoas que nos cercam.
Talvez os moradores de Nazaré sofressem tanto pelo preconceito quanto muitos sofrem hoje, pela religião que professam, pela região onde nasceram, pela cor de sua pele ou por sua condição econômico-financeira, por exemplo.
O fato é que devemos investir no estudo aprofundado das realidades que nos cercam, a fim de que nossas palavras e ações não sejam preconceituosas.

2. A cultura da violência tem acompanhado a humanidade desde o seu início. Caim usou a alternativa da violência como meio de solucionar um problema, da mesma forma que Herodes usou da violenta eliminação de crianças para não correr o risco de perder suas funções. A mente humana está armada e, portanto, pronta para agredir e eliminar, se preciso for, aqueles que representam ameaça para seus interesses.
Porém, como pessoas comprometidas com os valores do Reino de Deus, devemos não somente superar a cultura da violência mas lutar pelo estabelecimento da cultura da paz. O diálogo, visando encontrar caminhos que atendam o bem estar das partes deve prevalecer sobre o uso da força bruta que contraria o projeto de Deus.

Cristo se prepara para sua missão

Textos:
Texto Bíblico: Mateus 3 e 4
Texto áureo: Mateus 3.16-17

Comentários da lição:

A missão de Jesus de resgatar o ser humano das garras do pecado, possibilitando uma reconciliação com Deus era desafiadora. Ela envolveria o confronto diário com dolorosas situações vividas pelas pessoas nos planos espiritual, emocional, físico, ético-moral e social; envolveria também o confronto com estruturas mentais e sociais rígidas, muitas vezes com aparência de piedade, porém, co-responsáveis pelo domínio do pecado na vida humana. Por isso, o preparo do plano de resgate precisava ser adequado.

O preparo é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento. A qualidade do resultado obtido naquilo que realizamos é diretamente proporcional ao investimento feito na fase de preparação. No projeto de Deus para a salvação da humanidade percebemos o preparo como marca diferencial. Ele preparou um povo durante séculos, usou João Batista para os retoques finais e, até mesmo o Cristo foi testado, ao ser tentado por Satanás, a fim de cumprir a missão a Ele reservada.

O preparo de Cristo para o desenvolvimento ministerial não se deu apenas antes de iniciar seu trabalho. Na verdade, percebemos nas Escrituras que Jesus se preparava continuamente, no processo de desenvolvimento de sua missão. Diariamente, Ele se preparava para realizar sua missão, através de momentos a sós com Deus, uma vez que a batalha principal de Jesus se dava no campo espiritual.
Cada crente deve ter consciência de que, a decisão ao lado de Cristo, o batismo, o fato de tornar-se membro da igreja, não significa que o processo de preparo para os desafios da vida esteja concluído. Os desafios são diários e, por isso, diário deve ser o investimento no preparo.

Mateus 3.1-12 João Batista e a missão de Jesus

João, o Batista, teve um papel especial na história do cristianismo. O registro de sua atuação nos oferece muito pouco sobre sua vida pregressa. Sabemos que seu papel era de preparar o povo para a chegada do Messias (Lc. 1.17; Mt. 3.3) e que esse papel foi devidamente cumprido.

Havia no coração de João, não somente a clareza de sua missão mas também disposição e disponibilidade para cumpri-la. E por saber claramente qual era a sua missão, limitava-se a exercê-la com humildade e espírito de serviço ao Senhor

A participação de João Batista no processo de preparação do caminho é um exemplo do ensino posterior de Paulo em que diz: "somos cooperadores de Deus"(I cor. 3.9).
Indica também que nenhum obreiro deve querer para si os méritos do resultado, uma vez que, um planta, outro molha mas é Deus quem dá o crescimento (I Cor. 3.6).
Nos ensina finalmente que, na obra do Senhor, não devemos priorizar a obtenção de resultados imediatos; antes, devemos fazer a obra de acordo com os ensinos da Palavra de Deus, deixando os resultados nas mãos daquele que planejou a obra.
João viu muito pouco, do resultado do trabalho que preparou, pois sua vida foi ceifada. Porém, ao saber que Jesus estava atraindo muitos seguidores, em vez de reagir negativamente, ficou feliz pois era isso que desejava. O resultado do trabalho de João tinha por objetivo levar pessoas a glorificar a Jesus e não a si mesmo. A consciência disso fez com que ele se alegrasse ao saber que Jesus estava sendo procurado, diferentemente da reação dos discípulos.



Mateus 3.7-12 Os fariseus e a pregação de João Batista

Os Fariseus e Saduceus faziam parte da classe religiosamente dominante. Nem todos os participantes dessa classe eram pessoas hipócritas. Como em toda classe social, no caso deles também havia aqueles que atuavam por convicção e aqueles que ocupavam postos por conveniência; aqueles que eram sinceros em suas crenças e aqueles que eram maliciosos; aqueles que descansavam em suas crenças e aqueles que continuavam sua busca espiritual.

Nicodemos(Jo. 3.1) e Gamaliel(At. 5.34) são exemplos de fariseus que passaram para a história com uma boa imagem. Na condição de grupo religioso dominante, fariseus e saduceus ditavam os conceitos e comportamentos seguidos pela maioria dos judeus. Seu poder de influência, portanto, sobre o povo era inquestionável. A imagem, porém, que o grupo passava não era das melhores. Para João era "raça de víboras"(Mt. 3.7), pessoas de natureza má que sabiam fugir de situações ameaçadoras.

Mateus 3.13-17 Jesus e o significado do batismo


Por que Jesus se submeteu ao batismo se não era pecador e, portanto, do ponto de vista da salvação, não precisava ser batizado? Qual era o significado do seu batismo? Algumas respostas tem sido oferecidas. Segundo Willam Barclay (Mateo I, Ediciones la aurora, 1973, Argentina) o batismo serviu de sinal para Jesus de que o momento de iniciar seu trabalho era aquele. Portanto, foi o marco inicial da sua trajetória ministerial.
Além disso, ao se batizar, estava se identificando com um movimento social profundo de busca do homem por Deus. Barclay diz que, o significado do batismo dado por João, nunca havia ocorrido na história de Israel. Diz ainda que, ao se batizar, Jesus estava se identificando com os homens a quem viera salvar. O fato é que, ao se batizar, Jesus autenticou a pregação de João e, a exemplo da cerimônia do lava-pés(Jo. 13.5), dá um exemplo de humildade e obediência.

Para alguns, o simples fato de ser batizado no formato de imersão representa superioridade espiritual. Porém, o significado é muito mais importante do que a forma. Alguém sem batismo, mas com Jesus, salvar-se-á(Lc. 23.40-43) enquanto alguém batizado, sem Jesus, perder-se-á.

Mateus 4.1-11 A tentação como prova de preparo para a missão

O teste pelo qual Jesus deveria passar fazia parte dos planos de Deus. Tanto é assim que foi o próprio Espírito quem o encaminhou ao deserto para ser tentando (testado) pelo diabo (Mt. 4.1). O fato de ter sido encaminhado pelo Espírito não deve nos espantar pois este não é o primeiro registro bíblico que apresenta o Diabo a serviço de Deus. O caso de Jó, cujo teste de fidelidade foi executado pelo Diabo, sob a permissão de Deus, é outro exemplo(Jó 1.7-12).
Se nas narrativas bíblicas não é difícil perceber o propósito da tentação, em nosso dia-a-dia nem sempre é possível precisar se estamos sendo provados por Deus ou simplesmente tentados pelo Diabo. Sabemos que Deus nos prova; que o Diabo nos tenta, através de nossos próprios desejos (Tiago 1.13) e que a provação visa o fortalecimento da nossa vida e a tentação, a destruição. O fato porém é que podemos ser vitoriosos, seja a experiência compreendida como tentação ou como provação(I Cor. 10.13).


Mateus 4.12-25 A sabedoria de Jesus no cumprimento da missão

Jesus, por ter clareza de sua missão, não insistiu em permanecer onde João atuou, nem se preocupou em solucionar a situação na qual João estava envolvido. Antes, seguiu para Cafarnaum, e sua chegada àquela localidade representou a chegada da luz para um povo que vivia em trevas (Mt. 4.16). Sua mensagem inicial era semelhante a de João, anunciando a necessidade de arrependimento e a chegada do Reino de Deus. Ao mesmo tempo Ele inicia o recrutamento daqueles que atuariam com Ele na missão de "pescar vidas".

A pregação de Jesus acontecia nas sinagogas, num claro indicativo de que Jesus pretendia desenvolver seu ministério a partir da realidade das pessoas. Não se tratava de uma afronta à religião estabelecida mas do sábio aproveitamento de oportunidade. Além de pregar, seu ministério ia sendo autenticado por sinais extraordinários de cura e libertação; sua fama corria entre o povo e multidões começavam a seguí-lo.



A LIÇÃO EM FOCO

1. Há um aumento profundo de cristãos buscando estar sob a luz dos holofotes. Crescem tanto em marketing que ofuscam a pessoa de Jesus; crescem tanto em poder que inutilizam o poder de Jesus; aumentam tanto seus bens patrimoniais que anulam os desafios de Jesus.
É natural que um trabalho seja visto e é inevitável que aqueles que o fazem sejam reconhecidos e elogiados. Porém, quem faz o serviço do senhor deve ter tal clareza de que, primeiro, não faz a obra esperando reconhecimento para si; segundo, aprende a lidar com o reconhecimento humano, sem se deixar dominar por ele; terceiro, trabalha no sentido de fazer com que o nome de Jesus seja sempre glorificado.

2. Da tentação de Jesus, percebemos que o adversário atua em três áreas de fragilidade: no campo das necessidades físicas (Mt. 4.2-4); no campo do poder (Mt. 4. 5-7) e no campo do prestígio (Mt. 4.8-10). Devemos refletir e trabalhar nossos sentimentos nessas áreas a fim de não sermos dominados pelo pecado.
A tentação de Jesus não foi um fato exterior e sim, um fato subjetivo, que aconteceu em seu coração. Uma evidência disso é que não havia na localidade qualquer montanha que permitisse a visão de todos os reinos do mundo. Além disso, o escritor aos Hebreus(4.15), afirma que Jesus, como nós, em tudo foi tentado, o que indica que as tentações vividas por Jesus foram semelhantes as que vivemos e, ainda que possam ser estimuladas por fatos exteriores, é no interior de cada um que a batalha se estabelece. Portanto, é trabalhando o nosso interior que poderemos ser vitoriosos.

As dimensões da mensagem de Cristo

Textos:
Texto bíblico: Mateus 5, 6 e 7
Texto áureo: 5.16

Comentários da lição:

O Sermão da Montanha é profundo em seu conteúdo ético. Através dele, Jesus questiona relacionamentos, atitudes, prioridades, religiosidade, enfim, questiona costumes e práticas do contexto em que desenvolvia seu ministério.

No Sermão, ele vai direto ao essencial dos elementos que devem nortear nossa conduta, mostrando que é fundamental diferenciarmos o essencial - o permanente, do acidental - o transitório. Aqueles que conseguem perceber a profundidade dos questionamentos de Jesus, neste Sermão, alcançam o sentido mais profundo da vida e se tornam mais graciosos em seu viver diário, portanto, menos legalistas e com maior senso de auto disciplina.

A compreensão do Sermão nos prepara para quebrar paradigmas impostos pela sociedade, inclusive pelas igrejas, que muitas vezes causam doenças, especialmente emocionais e afetivas, nos indivíduos; aprendemos a lidar de forma madura com os costumes estabelecidos e até mesmo a nos submetermos a eles, quando necessário. O mais importante, porém, é que passamos a pautar nossas práticas e pensamentos em valores eternos e a compreender melhor o ser humano, fatos que nos capacitam a viver e a conviver melhor.

Sendo o combate ao legalismo, uma das marcas do Sermão, concluímos que seu propósito não era estabelecer uma nova regra de vida, mais dura do que os dez mandamentos, para se alcançar o Reino de Deus. Seu objetivo era mostrar que o ideal de Deus para a vida humana era muito mais elevado do que a proposta legalista apresentada pela elite religiosa de então.
Demonstrando a falácia do legalismo farisaico, o Sermão acentua a impossibilidade do ser humano atingir os propósitos de Deus por si mesmos e, fortalece a necessidade do homem de depender da graça de Deus. Os ensinos do Sermão servem de parâmetro para pessoas que vivem debaixo da graça de Deus e que desejam uma vida melhor para si e para seus semelhantes e não como o caminho para a entrada no Reino de Deus.

Mateus. 5.1-12 - O sentido das bem-aventuranças

A vida é um emaranhado de áreas que interagem dinamicamente. Não é possível, na prática, dissociar por exemplo, o espiritual do material, o biológico do emocional, o social do político e assim por diante. O ser humano é multidimensional ou seja, é espiritual, é físico, é emocional, é social, é intelectual e assim por diante e essas divisões de áreas que fazemos só devem ser aceitas para fins didáticos, visando facilitar a compreensão do ser e a interação com a realidade que nos envolve.
Por isso, as bem-aventuranças não devem ser entendidas como uma mensagem que visa exclusivamente a dimensão espiritual do ser humano. Elas visam o ser humano como um todo e seu propósito é ensinar que o caminho da felicidade passa pelo equilíbrio de um conjunto de atitudes que devem ser cultivadas e não pela prática isolada de uma delas.
Em outras palavras, para que uma pessoa seja feliz não basta que seja saudável. por exemplo, fisicamente; se for doente afetivamente a felicidade não será sentida. Sendo o espiritual a dimensão mais profunda e duradoura da vida sua compreensão é essencial pois desencadeia uma atitude diferente em todas as demais áreas da vida, visando uma qualidade de vida melhor para todos.

Mateus. 5. 17-20 - O significado do cumprimento da lei

As palavras de Jesus, "até que tudo seja cumprido"(Mt. 5.18) é fundamental à compreensão do texto em pauta. Elas significam que, cumprido o seu propósito, a lei perderia sua função. Nesse sentido é que as palavras de Jesus devem ser compreendidas para que, por interpretações equivocadas, não transformemos em desgraça a graça manifesta em Cristo Jesus. A lei tinha um propósito claro nos planos de Deus. Ela serviria de "...aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados"(Gal. 3.24). Em Cristo a lei cumpre sua finalidade (Rom. 10.4). Logicamente, perder a função, a finalidade, não é o mesmo que perder o valor. Especialmente em seus aspectos éticos a lei divina continua valendo. Ela continua indicando que todos estamos debaixo do juízo divino (Rom. 3.19); que todos somos pecadores(Rom. 3.20; 7.7) e por isso precisamos depender da graça divina(Rom. 5.20).

Jesus nos estimula a não violarmos a lei (Mt. 5.19), isto é, a não desvirtuarmos seus propósitos. O cumprimento da lei, portanto, deve ser visto não como meio de alcançar a salvação, mas como conseqüência da compreensão dos propósitos de Deus.

O crente não se desespera diante da limitação humana e da impossibilidade de alcançar o exigido por lei, nem se sente perdido pois sua confiança está depositada na graça manifesta em Cristo. Por outro lado, o crente não sente prazer quando está fora da lei de Deus e muito menos usa a graça para viver em pecado. A graça é uma porta aberta, não para vivermos no pecado mas para nos libertarmos dele.

Mt. 5.21 - 7.23 A superioridade dos ensinos de Jesus

Um dos perigos que corremos em nossa ânsia de fazer a vontade de Deus é transformar os ensinos de Jesus em novas leis. Outro perigo é desprezarmos os ensinos bíblicos por valorizarmos mais as experiências místicas individuais do que os ensinos da Palavra de Deus, extraindo dela somente os textos que confirmam nossas experiências.
Não devemos nos esquecer de que os textos neo-testamentários visavam, num primeiro momento, responder questões de comunidades ou pessoas para as quais foram dirigidos. Mateus, por exemplo, visava responder aos problemas surgidos no seio da comunidade judaico-cristã. Somente alguns séculos depois os textos foram juntados, formando o Canon do Novo Testamento.
Assim sendo, auxiliados pelo Espirito Santo é que devemos buscar na Palavra de Deus, respostas para situações individuais experimentadas hoje.

Dos versos 21 a 48 do capítulo 5, Jesus faz uma comparação entre os ensinos de Moisés e seus próprios ensinos. Do capítulo 6.1 até 7.23, predomina um confronto entre os ensinos e práticas dos Fariseus e os ensinos de Jesus. Essa comparação era fundamental para uma comunidade que se desenvolveu sob a cultura do judaísmo, dominada naquele momento histórico pelas interpretações dos Fariseus e agora se deparava diante de uma nova realidade: o discipulado cristão. Fazer essa transição exigia uma nova compreensão do sentido da Palavra de Deus e esse foi o propósito de Mateus ao fazer tais registros.

Mt. 7.24-29 Os ensinos de Jesus como fundamentos da igreja

Ao registrar os ensinos de Jesus sobre os dois fundamentos, o propósito de Mateus foi enfatizar aos seus primeiros leitores, judeus, que o que deveria fundamentar suas vidas não deveria ser mais os ensinos dos líderes judaicos e sim os ensinos de Jesus. Os ensinos de Jesus são o fundamento que dá consistência à vida e não os ensinos dos Fariseus e demais líderes da religião estabelecida.

O ensino em si é importante ao indicar que a obediência prática às palavras de Jesus e não a postura de ouvinte é que demonstra que somos sábios. Nos ensina também que a vida construída sobre bases sólidas é a que coloca os ensinamentos de Jesus em primeiro lugar.



A lição em foco

1. Quando pensamos em ética, não estamos obviamente pensando em moral. A ética tem a ver com referenciais universais de conduta, como por exemplo, a justiça, a verdade, a liberdade, a solidariedade, enfim, enquanto a moral tem a ver com costumes de um lugar, num determinado tempo.
Os costumes devem ter como fundamento a ética mas nem sempre ocorre assim. Interesses econômicos, razões psicológicas ou místicas, disputas políticas, crenças mal fundamentadas por exemplo, podem determinar a implantação de um costume numa determinada comunidade. Um exemplo de costume, com base em crenças mal fundamentadas, é a proibição de mulheres cortarem os cabelos hoje, imposta por algumas denominações pentecostais. Os costumes devem ser preservados se justificados por valores éticos, no seu contexto histórico.

2. Diariamente somos confrontados por diversas doutrinas denominadas cristãs. Com o avanço da tecnologia e da velocidade da informação, podemos nos deparar literalmente a cada instante com "doutrinas cristãs", através do rádio, da televisão, da internet e da multiplicidade de literatura disponível. Não é difícil veicular material impresso e, portanto, qualquer indivíduo escreve e publica seus pensamentos.
Ninguém escreve ou publica algo sem qualquer interesse. Por isso, para não ser levado por caminhos tortuosos, cabe a cada um aprofundar seus conhecimentos em torno dos ensinos de Jesus e desenvolver a capacidade de discernir o que Jesus ensinou das interpretações que cada um pode dar.
Devemos saber que há editoras que publicam qualquer material religioso, por interesses estritamente financeiros e há aquelas que publicam materiais visando fortalecer uma forma de crença.
Portanto, toda publicação de pensamento, inclusive de interpretação bíblica visa, pelo menos, o "lucro" de formar opinião a respeito de determinados assuntos na sociedade. Somente o estudo sério, auxiliado pelo Espírito Santo de Deus, nos possibilita a fundamentar nossas vidas nos ensinos de Jesus, separando o trigo do joio.

Cristo concede plenitude de vida

Textos:
Texto bíblico: Mt. 8 e 9
Texto áureo: Mateus 9.7-38

Comentários da lição:

Jesus não veio para oprimir as pessoas, colocando sobre seus ombros fardos que não pudessem carregar; antes, veio para libertá-las de tudo que pudesse comprometer a qualidade de vida que Deus tem para suas criaturas.
Jesus não anunciou uma mensagem com efeitos restritos para o além, para a vida após a morte do corpo. Sua mensagem e suas ações atingiam em cheio as vidas das pessoas no tempo e espaço em que elas se encontravam. Em João 10.10, por exemplo, vemos ele próprio afirmar que o motivo de sua vinda foi para dar vida em abundância, isto é, uma espécie de vida extraordinária. Nessa direção são seus ensinos e ações: sempre em favor do bem-estar humano.

Mateus 8 e 9 - A relação entre discurso e prática

Nos capítulos 8 e 9 vemos ações de Jesus em favor da transformação de realidades que afligiam as pessoas; vemos também alguns diálogos com escribas ou com discípulos de João visando esclarecer alguns pontos de crença; vemos, finalmente, Jesus completando sua equipe de atuação e desafiando-a a estar atenta às necessidades do mundo.

Um dos característicos do ministério de Jesus é a articulação freqüente entre discurso e a prática. No discurso, a crença é esclarecida; na prática, a realidade vai sendo alterada, visando aproximá-la do desejado. A vida é um entrelaçado permanente de teoria e prática. Os ensinos de Jesus eram melhor compreendidos porque resultavam permanentemente em práticas a favor dos seres humanos.
A doutrina é a teoria que norteia a igreja. Conhecer as doutrinas é essencial à estabilidade da igreja. Ela é a espinha dorsal que dá sustentação e mantém a igreja firme. Quanto mais profunda for a nossa compreensão doutrinária, melhor será a qualidade dos resultados das nossas ações. Por isso, nosso investimento deve se dar não apenas em direção da prática mas também em direção da doutrina bíblica que a fundamenta.

Mateus 8.1-15 As curas no ministério de Jesus e dos discípulos

Há quem negue a possibilidade de curas divinas. Negar a possibilidade de cura divina, é negar o ministério de Jesus(Mt. 14.35; Mc. 1.34; 6.56; Lc. 5.15;13.12). Negar o reconhecimento bíblico do ministério da cura, é desconhecer o ensino de Jesus e dos apóstolos (Mt. 10.1,8; Mc. 16.18; I Cor. 12. 9; Tg. 5.14) . Porém, a forma como o assunto tem sido tratado também tem sido uma negação do ensino bíblico.

Ter o dom de curar não significa que se tem poder sobre as enfermidades. Se assim fosse as pessoas com esse dom curariam todos os doentes.
O mesmo Paulo, por exemplo, que curou alguns enfermos de forma extraordinária, também recomendou a cura por meios conhecidos em sua época ("Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades" - I Tim. 5.23) e até conviveu com crentes doentes ("Erasto ficou em Corinto; a Trófimo deixei doente em Mileto" - II Tim. 4.20).
Os mesmos discípulos que receberam poder para curar, nem sempre curaram( "Eu o trouxe aos teus discípulos, e não o puderam curar" - Mt. 17. 16).
Portanto, ter o dom de curar significa fazer da solidariedade e da oração pelos doentes um ministério, sem sensacionalismo, consciente de que, neste caso, a cura é fruto da soberania, propósito e compaixão divinos e não do poder humano(Jo. 11. 4; Fil. 2.26,27). E Deus é livre para agir através dos meios que deseja (Jo. 5. 4) ou, simplesmente, não agir. Ele tem autoridade para curar e para não curar.

Mateus 8.18-22 - A mensagem desafiadora de Jesus

Dois homens se apresentam para seguir a Jesus. O primeiro é um escriba. A resposta de Jesus indica claramente sua maneira de apresentar a mensagem: ele não apresentava facilidades para seus ouvintes, visando aumentar a quantidade de seguidores. Ele levava seus ouvintes a medirem as consequências da decisão. Uma das consequências seria não colocar o material como prioridade na vida. A missão de Jesus era de um peregrino que, por isso, não se preocupava em ter residência fixa.
No segundo caso, trata-se de um discípulo, isto é, alguém que já acompanhava Jesus e conhecia seus ensinos. A resposta de Jesus parece pouco afetiva ao não atender o pedido do jovem. Porém, sabemos que Jesus se preocupava com os pais, tanto é assim que criticou os Fariseus por justificarem sua indisposição de ajudar os pais, sob pretexto de darem ofertas (Mc. 7.11). Sendo assim, a compreensão que temos nesse caso é que o discípulo estava mascarando sua indisposição e usando o cuidado com o pai, como forma de resistência para não continuar seguindo a Jesus, como ocorreu com Judas, ao manifestar preocupação com os pobres quando, na verdade, estava interessado no dinheiro (Jo. 12.6).

Mateus 8.34-9.3 - Reações negativas à mensagem de Jesus

O ministério de Jesus também se caracterizou por adversidades. No texto de referência, percebemos duas situações dessa natureza. Na primeira, uma cidade inteira dispensou a presença de Jesus pelo fato de ter permitido que os demônios se alojassem em porcos que se precipitaram num despenhadeiro, para libertar duas pessoas do domínio demoníaco. Os interesses econômico-financeiros eram mais importantes para os moradores daquela cidade, do que a libertação de dois seres humanos, criados a imagem e semelhança de Deus.

No segundo caso, encontramos Jesus sendo censurado pelos escribas pelo fato de ter perdoado os pecados dum paralítico. Sofrer censura foi uma das experiências mais comuns de Jesus. O problema dos escribas é comum em todas as épocas e lugares. Sempre que uma religião estabelecida confronta seus conceitos com novos paradigmas, sua primeira reação é censurar o responsável por tais alterações. Jesus, no caso, para provar que não estava blasfemando, curou o paralítico, calando os que o censuravam.
Nossas pregações precisam ser atestadas por ações de amor em favor do próximo, a fim de que tenhamos mais autoridade e respeito no ministério que desenvolvemos.


A LIÇÃO EM FOCO

1. Nossa prática é a nossa teoria. Não há prática que não esteja fundamentada numa teoria, ainda que o indivíduo que a pratique não tenha consciência dela. Se toda prática traz em si uma teoria, é melhor analisarmos nossas práticas e seus fundamentos do que viver irrefletidamente.
Na vida cristã não é diferente. Se é verdade que todos os cristãos afirmam que suas práticas são fundamentadas na Palavra de Deus, a Bíblia, é verdade também que, na maioria absoluta dos casos, o fundamento de nossas práticas cristãs é a interpretação que alguém deu à Palavra de Deus e não a nossa própria interpretação.
Certo colega de ministério afirmou que o Livre Exame das Escrituras, defendido na Reforma Protestante, significa livre acesso à Bíblia e não liberdade para interpretação. Esta, conquanto não tenha sido a tese dos reformadores, tem sido a prática de muitas igrejas: os membros podem ter acesso ao Livro Sagrado mas a interpretação é de responsabilidade de alguns que estudaram teologia.
Não estimulando a competência dos crentes, na arte de interpretar a Palavra de Deus, cabe aos líderes interpretar os textos e, às pessoas, seguí-los. A maioria dos nossos líderes é formada de pessoas honestas que pregam um evangelho de libertação em Cristo. Mas há, inclusive no meio evangélico, muitos exploradores da boa fé que, quando encontram crentes despreparados, convence-os com facilidade a abandonarem suas igrejas e a seguirem práticas duvidosas.
Por isso, fortalecer o conhecimento teórico, as doutrinas que sustentam nossas ações, é tão importante quanto praticar o evangelho. Se teoria e prática andarem juntas, certamente experimentaremos com mais profundidade a plenitude de vida que Cristo tem para nos oferecer.

2. Os efeitos da mensagem do evangelho sobre a realidade econômica ficou claro na experiência de Jesus. Nas experiências de Paulo, em pelo menos duas situações, esse fato também ocorreu (Atos 16.16-19; 19.23-29). Tanto na experiência de Jesus quanto nas de Paulo, os interesses do indivíduo e os interesses econômicos entraram em conflito. Em ambos os casos, os interesses individuais prevaleceram, tanto na decisão de Jesus quanto na de Paulo.
Tais experiências nos levam a crer que, se nossa mensagem em prol da plenitude de vida humana não está incomodando os sistemas estabelecidos, ou os sistemas estão funcionando plenamente de acordo com a mensagem de Deus ou nossas mensagens não estão sendo compatíveis com a mensagem evangélica.

3. Implementar uma nova qualidade de vida, seja num indivíduo ou num grupo social, não é tarefa fácil. Aqueles que se propõem a levantar a bandeira de Jesus Cristo como caminho para a plenitude de vida, hão de se confrontar com os sistemas estabelecidos, especialmente o religioso e o econômico. Por isso, é fundamental que cada pessoa que se dispõe a viver e anunciar uma nova vida em Cristo, procure munir-se da graça de Deus para enfrentar as batalhas que certamente terão diante de si.

A missão dos seguidores de Cristo

Textos:
Texto bíblico: Mateus 10 e 11
Texto áureo - Mateus 11.27

Comentários da lição:
Cristo nos chama não apenas para recebermos uma salvação escatológica, isto é, uma salvação que tem a ver somente com a vida futura, no céu, mas para uma salvação que começa no momento em que o recebemos como Senhor e Salvador. Ele nos chama não para ficarmos dentro do templo, aguardando a morte chegar para estarmos com ele na glória, mas para participarmos do desafio contínuo de fazer brilhar, no dia-a-dia, os efeitos da salvação, em nossa própria vida, na vida das pessoas que nos cercam e nas estruturas naturais e sociais em que a vida se desenvolve.
A salvação futura é uma continuidade, é o ápice da salvação que teve início quando fomos alcançados por Jesus e não a razão suprema da nossa fé. Essa compreensão é determinante na definição da nossa missão. Cabe a cada um, descobrir os melhores meios de cumprir a missão de anunciar e manifestar o amor de Deus ao mundo.


Mateus 10.1-42 - Chamada e capacitação dos doze para a Missão

Jesus contava com um grupo especial de 12 discípulos. Esse número, certamente não tem significado místico; trata-se apenas do uso de um referencial cultural, relacionado às doze tribos de Israel.

Jesus capacitou os doze para uma missão específica, apontando-lhes referenciais de procedimento diante das situações que enfrentariam. Dividimos tais referenciais em cinco grupos:

1. Referenciais espirituais
1.1. Anuncio da chegada do Reino de Deus(7)
1.2. Anuncio da paz sobre as casas dignas e retirada da paz das indignas(13)
1.3. Confiança na presença do Espírito Santo(19-20)
1.4. Convicção de que a verdade prevaleceria (26)
1.5. Confiança plena em Deus(29-33)

2. Referenciais sobrenaturais
2.1. Poder sobre espíritos imundos(1)
2.2. Poder para expulsar demônios, curar doenças e enfermidades e ressuscitar mortos(8)

3. Referenciais sobre abnegação
3.1. Agir de graça(8)
3.2. Não levar consigo ouro, prata ou cobre(9,10)
3.3. Levar somente a roupa do corpo(10)
3.4. Estar cientes de que seriam perseguidos(22)
3.5. Estar cientes de que seriam agredidos verbalmente(25)
3.6. Agir com coragem(26. 28)
3.7. Estar cientes de que seriam traídos por parentes (36)
3.8. Colocar o amor a Deus acima de tudo(37-39)

4. Referenciais de natureza política
4.1. Não ir aos gentios nem aos Samaritanos(5)
4.2. Priorizar as ovelhas de Israel(6)
4.3. Ter consciência de que o salário é digno de ser recebido(10)
4.4. Hospedar-se em casas de pessoas dignas(11)
4.5. Não brigar com os que não receberem a palavra; apenas sacudir o pó daquele lugar(14)
4.6. Ser prudente como as serpentes e simples como as pombas(16)
4.7. Ter cautela com os homens pois eles os entregariam para serem julgados e açoitados(17)
4.8. Ter consciência de que não deveriam ser maiores do que o mestre mas iguais a ele(24,25)
4.9. Tornar pública a mensagem de Jesus(27)
4.10. Não colocar a paz como valor absoluto(34-35)

5. Referenciais sobre recompensa
5.1. Para os discípulos (22)
5.2. Para os hospedeiros(40-42)


Mateus 11.1-19 - João Batista e Cristo: dois personagens e uma missão

João Batista estava preso e enviou seus discípulos para confirmarem se Jesus era, de fato, o enviado de Deus. A resposta de Jesus foi que eles testemunhassem a João, as obras que o viram realizar. Tais obras eram sinais indiscutíveis de que ele era o enviado de Deus. Eram obras que resgatavam a dignidade e o valor do ser humano, em suas múltiplas dimensões, coisas que somente um Deus encarnado poderia realizar.

João Batista reconhece a missão de Jesus e Jesus, por sua vez, reconhece perante às multidões, a missão de João, de preparar o caminho para o Salvador. Reconhece a grandeza de João e informa que a menor das pessoas, no Reino de Deus, seria maior do que ele.

As diferenças de postura entre João e Jesus eram evidentes. João era pouco sociável e preferia lugares desérticos enquanto Jesus vivia no meio das pessoas, especialmente das marginalizadas, festejando com elas(Mt. 11.19).

Mateus 11. 20-24 Cidades privilegiadas na Missão de Jesus

As cidades que receberam atenção especial de Jesus, onde ele, em pessoa, realizou a maior parte dos seus milagres, não se arrependeram de seus pecados. Diante da incredulidade delas, o tom de Jesus, diferente do estilo de João, era de tristeza mas o juízo de Deus estava declarado: Corazim, Betsaida e Cafarnaum foram consideradas piores do que Tiro, Sidom e Sodoma e a sentença que pesaria sobre aquelas seria pior do que a sentença destas que não contaram com a presença do Salvador, realizando milagres. Segundo Jesus, o arrependimento tomaria conta destas cidades, caso tivessem tido a oportunidade que Corazim, Betsaida e Cafarnaum tiveram.

Há segmentos do cristianismo que advogam a necessidade de milagres para que a pregação do evangelho seja autenticada como verdadeira e as pessoas se convertam. No texto em pauta, percebemos a falácia dessa tese.

A LIÇÃO EM FOCO

1. Missão tem a ver com a razão de ser da nossa existência. Durante muito tempo se pregou em nossas igrejas que evangelizar seria a nossa única missão. Essa compreensão refletia um período em que as igrejas batistas estavam se estabelecendo no país e nossos dirigentes - missionários norte-americanos - traziam consigo um profundo ardor missionário.
Hoje, sendo uma denominação amadurecida, continuamos crendo na evangelização como essencial na missão da igreja, porém, a missão envolve outros elementos como adoração, comunhão, edificação e atuação social. Esses quatro elementos e a evangelização, formam a razão da existência da igreja. A igreja que se qualifica para desenvolver bem essas dimensões, crescerá naturalmente.

2. João Batista e Jesus eram bem diferentes e o povo reconhecia isso(Mt. 11.18-19). Suas diferenças, porém, não foram vistas como motivo de disputas pessoais. Pelo contrário, ambos tinham clareza de seus papéis e cumpriram sua parte fazendo a vontade de Deus.
Da mesma forma hoje, a igreja de Jesus Cristo é formada por pessoas diferentes em todas as dimensões. Diferenças físicas, acadêmicas e econômicas são aceitas com certa naturalidade. A dificuldade é com as diferenças na forma de perceber a realidade - pensamentos - e, consequentemente, de se relacionar com ela - ações.
A cultura autoritária que durante séculos predominou entre nós determinou que todos deveriam pensar e agir uniformemente, diferentemente dos exemplos encontrados no Novo Testamento. Sendo Cristo o nosso Senhor, devemos viver em torno dele e, ainda que percebamos a realidade de forma diferente, podemos permanecer unidos em seu amor, realizando a sua obra.

3. O misticismo fundamentalista que tomou conta das igrejas nas últimas décadas, tem anunciado que a missão dada aos doze, naquele projeto especifico, deve ser estendida, em forma e conteúdo, a todos, em todas as épocas e em todos os lugares.
Confrontando a referida Missão com as tentativas de reprodução da mesma hoje, percebemos que seus adeptos se prendem quase que exclusivamente aos referenciais sobrenaturais, em detrimento dos demais.
Além disso, quando fazemos uma análise mais criteriosa desse projeto de Jesus para os doze, vemos que há alguns aspectos que não podem ser aplicados hoje. Um exemplo é a restrição aos gentios e samaritanos (V. 5) que contraria a universalidade da pregação(MT 28.19).
O que esse projeto de Jesus para os doze tem a ver com a nossa missão hoje? A missão que temos diante de nós é extremamente desafiadora e, por isso, muitos riscos estão presentes.
No Brasil, por exemplo, os avanços democráticos nas relações sociais impõem leis que impedem a discriminação enquanto no Afeganistão, as próprias leis são discriminatórias. O desafio, nesse caso, é ser sábio, sob a orientação do Espírito Santo de Deus, para agir em cada contexto da forma mais adequada.
Portanto, em relação ao texto em pauta, devemos refletir profundamente, no contexto em que foi produzido e, em vez de tentar reproduzi-lo literalmente, podemos extrair dele as lições aplicáveis à nossa missão hoje.

4. O que autentica nossa mensagem com sendo verdadeira? O que indica que somos filhos de Deus e não das trevas? Qual é a prova de que somos novas criaturas em Cristo?
Alguns defendem que a evidência de que somos verdadeiros missionários de Cristo são as manifestações de natureza mística. Segundo eles, a prova de que pertencem a Deus são os milagres que acontecem na igreja; acreditam que, através da realização de milagres as pessoas crerão em Deus.
Outros acreditam que a prova de que somos missionários de Cristo é a preservação de costumes culturais dos tempos em que o Novo Testamento foi escrito. Assim, estabelecem regras sobre tipos de roupa, cortes de cabelos, formas de saudação, enfim que devem caracterizar o "verdadeiro crente".
A Bíblia porém é muito clara: "Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos"(I Jo 3.14). É o amor que deve autenticar nossa missão. Por isso, "todos as vossas obras sejam feitas em amor" (I Cor. 16.14). Se houver amor em nós, o mundo perceberá que Cristo faz a diferença e cumpriremos nossa missão.

Cristo e natureza do Reino de Deus

Textos:
Texto bíblico: Mateus 12 e 13
Texto Áureo - Mateus 13.23

Comentários da lição:
A expressão Reino de Deus e Reino dos Céus tem o mesmo significado. No evangelho de Mateus predomina o costume palestino de se evitar o uso do nome de Deus, daí a utilização da transcrição Céu. Segundo Leonhard Goppelt, "sob o ponto de vista histórico, a pregação do Batista se orientava na vinda do 'que há de vir'; a de Jesus, no entanto, se orientava na vinda de Deus, isto é, no seu domínio"(Teologia do Novo Testamento, Editora Sinodal, São Leopoldo, 1976).
Por isso, não encontraremos Jesus descrevendo o perfil físico do Reino dos Céus, em seu sentido popular, isto é, descrevendo um lugar sobre o firmamento onde os salvos morariam. O propósito era mostrar como se daria o domínio de Deus e seus efeitos na vida humana.

Mateus 12.1-21 - O Senhorio de Cristo sobre a lei

A guarda do sábado era uma instituição divina que foi profundamente assimilada pelo judaísmo. Seu objetivo era preservar a saúde humana, através do necessário descanso. Compreendido o objetivo da lei, a prática do descanso seria, naturalmente, observada.
Porém, aquilo que foi estabelecido para o bem estar dos seres humanos, passou a ser uma arma contra eles. É que, como resultado de uma interpretação que não alcançava o espírito da lei, as pessoas passaram a ter seus passos detalhadamente regulados por normas estabelecidas pelos líderes religiosos. A regulamentação fugiu a tal ponto do espírito da lei que até colher alimento para saciar a fome ou curar uma pessoa no sábado era motivo de penalidades.

Os cristãos, entendendo os ensinos de Jesus, mantiveram o espírito da lei - a função do descanso - ao guardar o domingo, pelo significado histórico desse dia, em face da ressurreição de Jesus. Com o passar dos anos, porém, novamente por deficiência na compreensão do espírito da lei, muitas igrejas passaram a tratar o domingo de forma legalista, estabelecendo uma série de atividades que se poderia ou não fazer naquele dia. Atividades religiosas, por exemplo, seriam permitidas; atividades de lazer ou produção, não. Diante disso, algumas igrejas passaram a sobrecarregar os crentes com tantas atividades no domingo, retirando deles o tempo para descansar ou estar em família.
Hoje, o rolo compressor do capitalismo, as mudanças nas formas de produção e comercialização de bens e as alterações na forma como se vive em sociedade, influenciaram na mudança da legislação do país, dificultando o descanso de muitos indivíduos e a possibilidade de convivência familiar. Nesse sentido, o espírito do sábado precisa ser resgatado e como igreja precisamos estar atentos.

O registro de Mateus sobre o sábado é uma evidência do novo tempo, da chegada do Reino de Deus, em que o Senhorio de Jesus se sobrepõe à própria lei judaica.

Mateus 13.3 - O Reino de Deus e as parábolas de Jesus

Segundo Champlin "Nota-se que Jesus não só empregou as parábolas, mas, igualmente, o discurso comum, mais à forma de sermão, e que também ensinou por meio da conversa simples" (O Novo Testamento Interpretado, Milenium Distribuidora Cultural Ltda, São Paulo 1980). As parábolas, porém, foram o meio mais usado por Jesus para facilitar, aos seus ouvintes, a compreensão dos conhecimentos que deveriam assimilar.
Nesse sentido, o método de Jesus era profundamente compatível com as teorias mais atuais a respeito da construção do conhecimento. Expoentes como Piaget e Vigotski defenderam que a construção do conhecimento se dá através da relação entre o que se ouve e o que foi introjetado na mente do indivíduo desde os primeiros contatos com a realidade. Falando através de parábolas, Jesus possibilitava aos seus ouvintes relacionar seus ensinos com coisas que eles já tinham na mente, facilitando a compreensão da mensagem e a construção do conhecimento em torno do Reino de Deus.

Mateus 13.1-30;31-43; 44-53 - O reino de Deus segundo as parábolas

Para Joachim Jeremias, "Todas as parábolas de Jesus forçam o ouvinte a tomar posições perante Jesus e sua missão pois todas estão cheias do 'mistério do Reino de Deus'(Mt.4.11), isto é da certeza que os tempos salvíficos já estão a irromper-se" (As parábolas de Jesus, Edições Paulinas, São Paulo, 1980). Entender as parábolas de Jesus é o mesmo que entender a natureza do Reino de Deus, a missão de Jesus e, consequentemente, entender qual deve ser a nossa postura de discípulos na sociedade em que vivemos.
Segundo J. Jeremias, a parábola do Semeador, foi vista como uma alegoria, e interpretada traço por traço pela igreja primitiva. A interpretação recebeu uma ênfase psicológica, servindo de exortação aos novos convertidos, no sentido de verificarem suas disposições interiores relacionadas aos compromissos assumidos.
A parábola do grão de mostarda tem por objetivo mostrar como o Reino de Deus, partindo de uma pequena semente, se tornaria uma grande árvore, cujos ramos serviriam de abrigo para as pessoas. De igual modo, a Parábola do Fermento também se referia ao crescimento do Reino de Deus. As Parábolas do tesouro escondido e a da pérola indicam que a alegria da pessoa que encontra o Reino de Deus é tão profunda que ela é capaz de vender tudo o que tem para possuí-lo e sua vida toda passa a se orientar por ele. A parábola da rede e a do trigo e do joio indicam que, por ocasião da vinda do Reino, aconteceria uma separação dos salvos dos não salvos, como ocorre na seleção de peixes, após o recolher da rede.

As parábolas de Jesus e sua aplicação para hoje

As parábolas de Jesus podem ser utilizadas para fins diversos. Um exemplo disso é o uso que se faz das mesmas numa perspectiva psicológica, visando ajudar as pessoas a se compreenderem melhor, alterando suas qualidades de vida. Um exemplo disso é o trabalho de Hanna Wolff, em seu livro Jesus Psicoterapeuta(Edições paulinas, São Paulo, 1990).
Conquanto a utilização das parábolas para fins diversos não seja errado, devemos tentar compreendê-las em sua finalidade original, isto é, numa perspectiva teológica, no contexto em que foram proferidas e, a partir daí, contextualizar seus ensinos para nossos dias.

Partindo desse ponto de vista, as parábolas descritas no texto bíblico em pauta são profundamente importantes para nossas vidas hoje. A do grão de mostarda e do fermento, nos fazem perceber que as palavras de Jesus se cumpriram e, em relação ao momento em que Jesus as proferiu, o Reino de Deus cresceu de forma extraordinária e suas igrejas, como agências deste Reino, têm abrigado milhões de pessoas ao redor do mundo.

As parábolas do tesouro escondido e da pérola, devem servir como auto-avaliação da nossa própria experiência espiritual. Será que estamos dominados pela profunda alegria do Reino de Deus, a ponto de colocá-lo como valor supremo em nossa existência?

A parábola da Rede e a do trigo e do joio são um alerta sobre o juízo que a chegada do Reino de Deus trará consigo e como haverá uma seleção entre os salvos e pedidos. Seremos aprovados?


A LIÇÃO EM FOCO

1. Jesus nos ensina, em duas de suas parábolas que, com o advento do Reino, haverá uma identificação dos salvos e dos perdidos mas que essa identificação não deve ser apressada para não cometermos equívocos(Mt. 13.24-30). Porém, ao dizer que "pelo fruto se conhece a árvore" (12.33), Jesus abre espaço para especulações, já presentes na mente humana.
Se o fruto que produzimos é o principal indicador de que pertencemos ou não ao Reino dos Céus, é importante esclarecer que tipo de fruto nos identifica como cidadãos do Reino. Discursos e manifestações de poder sobrenatural, por exemplo, foram descartados por Jesus como indicadores de que pertencemos ao Reino (Mt. 7.22-23).
Pelas parábolas da rede e do trigo e do joio, também podemos dizer que ser membro de uma igreja, seja ela de que denominação for, também não é um bom indicador. A produção do fruto do Espírito(Gal. 5.22-23), especialmente o amor(I JO. 3.14) é o indicador mais confiável. Vale salientar, entretanto que este indicador deve ser usado para avaliar a nossa própria situação no Reino e não a vida alheia. Somente a Deus cabe julgar a situação do outro.

2. O Senhorio de Jesus sobre o sábado traz à tona uma antiga discussão entre o individual e o institucional. As instituições foram criadas após os indivíduos visando preservar a qualidade de vida do indivíduo, em si mesmo e na coletividade. Devido à própria natureza pecaminosa do homem, nem sempre as instituições alcançaram esse propósito. E o que é pior, as vezes se tornaram prejudiciais à vida humana.
No caso do sábado, a forma como estava sendo tratado pela religião estabelecida, fez com que ele se tornasse em maldição e não bênção para o indivíduo. A igreja, a família e a escola, por exemplo, enquanto instituições, precisam permanentemente se autocriticarem a fim de não se transformarem em maldição para o indivíduo, em vez de bênção.
Por isso, os valores que as regem devem ser confrontados permanentemente com a natureza e os valores do Reino de Deus a fim de que se afinem a eles.

Cristo e seu amor aos necessitados

Textos:
Texto Bíblico: Mateus 14 e 15
Texto Áureo: Mateus 15.30-31

Comentários da lição:
A chegada do Reino de Deus em nossas vidas traz consigo o imperativo de nos ajudarmos mutuamente em nossas necessidades. Da mesma forma como Jesus demonstrava compaixão pelas pessoas, assim também devemos agir. Seja denunciando o pecado que domina a sociedade e suas estruturas, seja questionando as tradições que prejudicam o desenvolvimento saudável da vida, seja colocando o pouco que temos nas mãos de Jesus, o fato é que não podemos nos omitir diante das carências da humanidade, em todas as suas dimensões.


Mateus 14.1-12 O compromisso com a verdade e a morte de João

João morreu por causa do seu compromisso com a verdade. Mas, mais do que compromisso com a verdade em sua própria vida, João estava comprometido com o estabelecimento da justiça - no caso com o cumprimento da lei - nas relações sociais, inclusive nos mais altos escalões da sociedade. Assim, seu compromisso levou-o a denunciar a relação ilegal que o governador mantinha com a sua cunhada. Tal denúncia custou-lhe a própria vida.
A morte precoce tem sido o fim daqueles que optam por colocar os interesses do Reino acima dos interesses pessoais e das conveniências sociais. João foi um exemplo do ensino posterior de Jesus: "se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto" (Jo. 12.24). Por isso, não só na vida, mas também na morte, ele frutificou. Sua vida chegou ao fim mas o fruto do seu ministério continua sendo colhido.

As necessidades materiais da humanidade são fruto de decisões políticas dos mais elevados escalões da sociedade. Lutar para que as pessoas que ocupam tais escalões ajam de acordo com os valores do Reino de Deus é uma das maneiras de demonstrarmos nosso amor pelos necessitados.

Mateus 14.13-21;15.29-39 - Nossos recursos a serviço dos necessitados

Conquanto haja estudiosos que defendam que as duas histórias são o mesmo acontecimento, há motivos para que não creiamos assim. R.V.G. Tasker ( Mateus, Introdução e Comentário, Editora Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, 1980) diz que não haveria motivos para Mateus e Marcos ocuparem valioso espaço nos papiros para registrarem duas versões de uma mesma história; depois, o próprio Mateus(16.9-10) trata os fatos como diferentes. Segundo ele, na primeira experiência Jesus ensina aos discípulos a serem dependentes dEle e na segunda, a serem empáticos com o mundo gentílico.

Na primeira multiplicação, vemos os discípulos reconhecendo que havia um problema a ser resolvido: o lugar era deserto, a noite chegava e as pessoas estavam sem comer(14.15); a solução mais fácil para o problema seria despedir a multidão(14.15); Jesus porém, coloca sobre os ombros deles a responsabilidade de resolver o problema(14.16); diante do desafio, os discípulos perceberam que o material disponível seria insuficiente(14.17); Jesus, então, intervém no processo e apresenta a solução(14.18-19); o resultado foi que todos se alimentaram com fartura (14.19-21).

Mt. 15.1-20 - A tradição a serviço da opressão

A tradição transformou atos de higiene - lavar as mãos - em rito religioso e transformou leis espirituais - honrar os pais - em mandamento de segunda classe. Ao explicar o problema para Pedro(Mt. 15.16), Jesus faz um trocadilho e esclarece que o essencial é cuidar de problemas mais sérios - homicídios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias - e não tratar hábitos de higiene como algo espiritual. O problema central de Jesus com a tradição, portanto, é quando ela invalida a Palavra de Deus.

O apóstolo Paulo alerta os Colossenses sobre o perigo de se tornarem presas de tradições humanas (Col. 2.8) mas orienta os irmãos de Tessalônica, a não se unirem àqueles que não seguem as tradições repassadas por ele(Tes. 3.6). O problema, portanto, não é a tradição em si mas, que tradição e porque a seguimos.

Conta-se que uma jovem, recém-casada, cada vez que ia fritar uma lingüiça, cortava suas pontas. Ao ser inquirida pelo marido, sobre o por quê, ela respondeu apenas que fazia como a sua mãe. Sua mãe foi inquirida por ela sobre o motivo e a resposta foi que a avó sempre fazia daquela maneira. Ao inquirir a avó sobre o motivo, a explicação foi que, quando se casou, não dispunha de uma frigideira de tamanho grande, por isso precisava cortar as pontas da lingüiça. A jovem casada, embora não tivesse problemas com sua frigideira, repetia o ato irrefletidamente.

Todos trazemos tradições em nossa história. Nossa vida não é construída sobre o nada. Mas é fundamental que, permanentemente estejamos refletindo sobre nossas tradições, à luz dos valores do Reino de Deus, a fim de que elas sejam benéficas e não maléficas à vida humana.

Mt. 15.21-28 - A prioridade do povo de Israel

Segundo Barclay, o texto "descreve a única oportunidade em que Jesus saiu da Palaestina e do território Judeu" (Mateo II, Editorial La Aurora, 1973, Argentina). Sua missão era entre o povo de Israel, a fim de que se cumprissem as profecias. Se o povo de Israel tivesse recebido a Jesus, ele - Israel - passaria a ser o instrumento de Deus para anunciar a obra redentora da humanidade junto aos outros povos.
Por isso a missão de Jesus era com o povo de Israel. Enquanto a rejeição não se concretizasse, caberia a Jesus realizar seu ministério junto aos Judeus. Daí sua relutância em atender alguém que não fazia parte do povo judaico. Porém, mesmo sendo fiel à sua missão, ele se compadecia diante de situações como a da mulher cananéia, da mesma forma que não hesitou em atender o Centurião(Mt. 8).

Mt. 14.22-36 - A presença de Jesus nas horas de necessidade

Neste texto, chama a nossa atenção o fato de Jesus obrigar seus discípulos a entrar no barco e passar para o outro lado. A explicação predominante para tal atitude é que a multidão estaria interessada em aclamar Jesus como Rei, especialmente diante da morte de João Batista, e os discípulos, provavelmente, também participavam do mesmo sentimento. Por isso Jesus teria decidido resolver sozinho, o problema da multidão, uma vez que ainda tinha muito para realizar e não poderia permitir que um desvio da missão colocasse em risco sua vida.

A expressão "andou sobre o mar" é bastante discutida pelos estudiosos. R. N. Champlin (O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, Milenium distribuidora cultural, São Paulo, 1980) apresenta oito alternativas de interpretação mas, a conclusão é que, de fato, tratou-se de um milagre resultado direto da influência divina.

No contexto do tema que estamos estudando, a lição mais importante que fica é que, nas horas de necessidade, Jesus se faz presente em nossas vidas, pronto a estender-nos a mão para ajudar-nos.


A LIÇÃO EM FOCO

1. O compromisso com a verdade é um dos elementos essenciais à ação do cristão em prol dos necessitados. Se a necessidade é espiritual, é fundamental que Cristo, a verdade de Deus, seja anunciado com única alternativa para nos relacionarmos com Deus; se a necessidade é material, os necessitados precisam saber a verdade de como se dão as relações sociais e porque uns têm muito mais do que necessitam para viver enquanto outros padecem necessidades profundas; se a necessidade é afetiva, a presença da verdade é fundamental para que se gere a confiança que os necessitados precisam para se abrirem uns com os outros e caminharem de forma solidária.

A verdade é tão importante para a vida humana que um dos dez mandamentos é "não mentiras". E Paulo ensinou que, seguir a verdade em amor, é o caminho para crescermos em Cristo (EF. 4.15). Ser verdadeiro, no caso cristão, significa agir, pensar, sentir e falar de maneira coerente com os valores do Reino de Deus, presentes na vida de Cristo. Em termos pessoais significa que aquilo que dizemos retrata a realidade que percebemos.

João Batista pagou um preço elevado por causa do seu compromisso com a verdade do Reino de Deus. Ao decidir que denunciaria a mentira plantada nos altos escalões da sociedade do seu tempo ele acabou preso e degolado.

2. Um dos dilemas que envolvem nossas vidas, quando nos dispomos a manifestar nosso amor pelas pessoas, tem a ver com a forma de fazê-lo. Há um dito popular que diz que "devemos não somente dar o peixe mas também ensinar a pescar". Dar o peixe ou ensinar a pescar não são as únicas alternativas. A terceira alternativa é ajudar a pessoa a compreender como os peixes se reproduzem nos rios e como os rios devem ser tratados para que os peixes se multipliquem.
Há situações em que precisamos dar o alimento para resolver uma situação imediata de fome; porém, devemos ir além, não apenas ensinando a pessoa a obter, pelo próprio esforço, seu alimento mas também, esclarecê-la das causas estruturais que geram a fome, o desemprego, por exemplo.
Diante de uma torneira que apresenta vazamento, trocar o vedante parece ser mais inteligente do que passar a vida toda enxugando o chão molhado. Atuar nas três frentes, de acordo com a necessidade e possibilidade, é papel de todo cidadão, especialmente dos que foram alcançados pelo Reino de Deus.

Cristo e a ética do Reino

Textos:
Texto Bíblico: Mateus 16, 17 e 18
Texto áureo: Mateus 16.15-16

Comentários da lição:
A ética do Reino de Deus - conjunto de princípios que norteiam nossas ações como cristãos - é um dos elementos mais importantes a serem compreendidos em nossos dias. Isso porque a Igreja de Jesus Cristo, a exemplo do que ocorre na sociedade como um todo, vive momentos de transição em torno de uma série de costumes, seja no campo da conduta pessoal, seja no campo litúrgico ou mesmo nas posturas adotadas diante dos modelos sociais vigentes na economia ou na política, por exemplo.
O emocionalismo que tem tomado conta de nossas reuniões têm impedido uma reflexão profunda e bíblica em torno de nossas ações. A emoção não deve ser reprimida em nossas experiências espirituais mas devem ser regidas de acordo com parâmetros estabelecidos a partir de reflexões sérias e não manipuladoras da Palavra de Deus.

Mateus 16.1-4 - Má-fé e a ética do Reino

Há pessoas extremamente fragilizadas na fé ou que estão diante de um desafio tão grande que necessitam de um sinal de Deus como referencial para se posicionar com segurança. Outras se interessam por sinais extraordinários apenas como meio de demonstrar poder espiritual, visando conquistar respeito social. No episódio de Jesus com os Fariseus e Saduceus, percebemos que estes não buscavam nem uma coisa, nem outra. O propósito era, simplesmente, "experimentar" a Jesus(16.1).

Essa postura, também denominada de ação de má-fé ou com "segundas intenções", era muito comum entre os líderes religiosos daquela época e continua presente nos dias de hoje, inclusive, nos círculos denominados cristãos. Jesus não somente percebeu a "segunda intenção" deles, mas também reprovou tal atitude, não entrando no jogo deles.

Como cristãos precisamos não só de sabedoria para discernir as intenções das pessoas mas também de resistência espiritual para não cedermos à tentação de nos envolvermos em debates cujos propósitos não visam o crescimento espiritual; antes são tentativas de prejudicar a vida alheia ou espaço para manifestações de orgulho pessoal, posturas estas incompatíveis com a ética do reino.

Mateus 16.5-12 A ausência de ética na doutrina

Jesus usa, neste texto, mais uma figura de linguagem para ensinar os discípulos. Inicialmente os discípulos não alcançam o sentido das palavras de Jesus e pensam que Ele se referia ao fermento material. Jesus, então, ajuda-os a compreender que estava falando da doutrina dos Fariseus.
Ao usar a expressão fermento ele se referia aos problemas causados pela doutrina dos Fariseus, uma vez que essa palavra, naquele contexto histórico, significava uma má influência. Por isso eles deveriam ter cautela em relação às doutrinas farisaicas, senão elas entrariam em suas vidas e as corromperia.
Todo corpo de doutrina sistematizada é uma tentativa humana de interpretar a Palavra de Deus visando nortear os crentes num determinado contexto e, às vezes, visando responder a um problema que esteja causando conflitos, no seio de uma comunidade. Por maior que seja a quantidade de pessoas e a seriedade dos envolvidos no processo de interpretação nenhum corpo doutrinário está livre de equívocos.
O problema dos Fariseus era que seus equívocos eram tantos que acabavam por anular a própria Palavra de Deus. Anulando a Palavra de Deus, anulavam a possibilidade de vida e uma doutrina que não é capaz de conduzir à vida acaba gerando a incredulidade.

A dificuldade dos discípulos de interpretarem as palavras de Jesus continua presente em nossos dias. Uma coisa é fazermos uma leitura da Palavra de Deus numa perspectiva devocional, como consolo para nossas almas; outra coisa é fazermos uma leitura visando formular conceitos para nortear nossas ações e as dos nossos semelhantes. Nesse caso, se não procurarmos entender em profundidade as palavras de Jesus, incorreremos no mesmo erro dos fariseus e nossa doutrina também será "fermento".

Mateus 17.24-27 - Os impostos e ética cristã

Impostos são valores financeiros que todo cidadão paga como forma de participar da vida em sociedade. Receber os benefícios da boa aplicação dos recursos oriundos dos Impostos é algo que todos gostam; pagar os Impostos, porém, não é algo que todos fazem com prazer, especialmente quando não percebe os benefícios deles em prol da comunidade em que se vive.
Segundo W. Barclay, (Mateo II, ediciones la aurora, Argentina, 1973) a inclusão desse texto por Mateus, em seu evangelho, se deve ao fato de que o templo de Jerusalém havia sido destruído, porém o Imperador Vespaciano decretou que o Imposto deveria continuar sendo pago em prol do templo de Júpiter Capitolino, em Roma. Tal decreto gerava um profundo conflito na cabeça dos cristãos.
Se por um lado há a lei, que é um instrumento necessário para uma boa convivência social, por outro, há a consciência de que, nem sempre os fundamentos da lei ou a aplicação dos recursos dos Impostos são éticos.
Além disso, pesa contra os Impostos a acusação de que seu percentual, em relação aos rendimentos pessoais, é elevado. Diante dessa realidade a pergunta conflitante é: pagar ou sonegar? Daí a pergunta feita a Pedro: "O vosso mestre não paga os Impostos?" O exemplo de Jesus nos ensina que, na condição de cidadãos, os cristãos devem cumprir a lei e pagar os Impostos.

Mateus 18.15-35 A ética e a construção da comunhão

Construir a comunhão não é um processo automático que independe da vontade e da ação humanas. Além de predisposição das partes decididas a conviverem, é preciso que haja a compreensão de alguns elementos teológicos.
O texto em pauta nos ensina, em primeiro lugar, que devemos aprender a lidar com irmãos que cometem pecados. Cometer pecados não é o desejável mas é a realidade que todos enfrentamos(I Jo. 2.1). Uma vez que um irmão esteja vivendo numa situação de pecado, Jesus apresenta, não um ritual frio, como se fosse uma série de etapas jurídicas a serem observadas antes da condenação, mas ações individuais e coletivas que devem ser observadas a fim de que, caso seja necessária uma ação mais radical, que ela seja fruto não da compreensão de uma só pessoa, numa única observação, mas que seja resultado de ações refletidas e misericordiosas da coletividade(18.15-18).
Em segundo lugar, Jesus nos ensina que a vida comunitária deve ser entendida como uma luta em que a solidariedade deve se fazer presente até quando necessitamos pedir algo a Deus, em oração. Não se trata, portanto de uma fórmula mágica em que a presença de duas pessoas pedindo algo, tem que resultar numa conquista automática, sem que Deus possa dizer não(18.19).
Em terceiro lugar, o ensino confirma que Deus se faz presente onde pessoas se reúnem debaixo de sua autoridade - "em meu nome" - portanto em harmonia e respeito(18.20).
Em quarto lugar, a comunhão cristã é fruto da capacidade infinita de perdoar o outro(18.21-22).
Finalmente, a fim de que todos pudessem compreender a profundidade do perdão e sua importância para vivermos em comunhão, Jesus conta a parábola do credor incompassivo que, mesmo sendo alvo do perdão e da misericórdia, não era capaz de perdoar e ser misericordioso.


A LIÇÃO EM FOCO

1. O cumprimento da lei é uma condição fundamental para que se viva bem em sociedade. Nos sistema autoritários de governo, como era o caso do vigente na época de Jesus, ou o cidadão cumpria passivamente a lei ou se rebelava, geralmente através de movimentos armados.
No sistema democrático de governo, em processo de aperfeiçoamento no Brasil, os cidadãos têm o direito de eleger aqueles que entendem representar melhor sua compreensão de vida e de mundo, não apenas para administrarem as cidades, os Estados e o País mas também para fazerem as leis - Vereadores, Deputados e Senadores. E não só isso, os próprios cidadãos, através da filiação a partidos políticos, podem se candidatar a qualquer das funções mencionadas.
Assim sendo, numa sociedade democrática os cristãos tem o dever de cumprir a lei, como qualquer cidadão mas devem, também, trabalhar para modificá-las através de seus representantes, se entenderem que são injustas.

2. Ao criar o ser humano, Deus o capacitou para ter fé, da mesma forma que o capacitou para amar, sentir, pensar ou agir, por exemplo. O ensino bíblico que diz que a salvação pela graça, por meio da fé, é dom de Deus(Ef. 2.8), confirma a compreensão de que graça e fé são dons de Deus. Porém, a maneira como cada ser humano usa sua fé ou em quem ela é depositada, é uma escolha que Deus concedeu a cada um, a possibilidade de fazê-la.
Aprendemos que Jesus Cristo é o único em quem devemos depositar nossa fé e que aquele que nEle desenvolve uma fé amadurecida, não precisa de sinais para se guiar(II Cor. 5.7). Os sinais têm sua importância na vida cristã, especialmente em momentos em que nos sentimos fragilizados diante dos grandes desafios da vida. Porém, devemos desenvolver uma fé tal em Jesus Cristo que, independente de sinais e independente de vivermos situações desfavoráveis, continuemos firmes em nossa confiança nEle.

Cristo e as exigências do Reino

Textos:
Texto bíblico - Mateus 19 e 20
Texto áureo - Mateus 19.7-8

Comentários da lição:
As exigências do Reino de Deus são mais profundas do que o legalismo farisaico predominante tanto na época de Jesus como, com outras nomenclaturas, em nossos dias. Cabe a cada discípulo de Jesus compreender tais exigências em profundidade a fim de que elas sejam perseguidas no cotidiano, debaixo da graça de Deus, portanto, sem o fardo opressor de posturas fundamentalistas.

Essa "perseguição" aos ideais divinos deve ser fruto de um desejo interior espontâneo, consciente, no sentido de fazer a vontade de Deus por acreditar que ela é "boa, agradável e perfeita"(Rom. 12.2) e não como condição para salvação ou para satisfazer qualquer imposição externa, seja de alguma autoridade pessoal ou institucional.

Mateus 19.1-12 - A exigência da fidelidade conjugal

Mais uma vez vemos Jesus sendo experimentado pelos Fariseus e, neste caso, o propósito era envolvê-lo numa disputa existente em Israel. É que, segundo os historiadores, duas escolas polarizavam o pensamento da época em torno do divórcio: a Escola de Shamai e a Escola de Hilel. Elas divergiam em torno da interpretação do texto de DT. 24.1 "Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, se ela não achar graça aos seus olhos, por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa, far-lhe-á uma carta de divórcio e lha dará na mão, e a despedirá de sua casa".
A primeira interpretava "coisa vergonhosa", de forma restrita, permitindo o divórcio somente em caso fornicação; a segunda, interpretava essa expressão de forma ampla, sendo, portanto, mais liberal quanto aos motivos.
Mateus registra as palavras de Jesus de forma favorável ao divórcio em caso de adultério, enquanto Marcos (10.11-12) e Lucas (16.18), não registram qualquer exceção.

Diante disso, é importante reafirmarmos aqui que, ao se posicionar, Jesus não está estabelecendo uma nova lei(ver lição três). Ele se posiciona trazendo à mente dos ouvintes o ideal de Deus que era o casamento indissolúvel. Porém, reconhece que a realidade - "a dureza dos corações" - levou Deus a permitir alternativas, visando o mal menor, para o bem estar individual e social. As palavras de R.G.V. Tasker (Mateus, Editora Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, 1980) expressam bem a resposta de Jesus: "Se quereis dizer por algum motivo, minha resposta é sim; se quereis dizer por qualquer motivo, minha resposta é não"

Mateus 19.13-15; 20.29-34 - A exigência em relação às crianças e aos necessitados

Ainda que não fiquem claros no texto, os motivos que levaram os discípulos e a multidão a repreenderem as pessoas que desejavam se aproximar de Jesus, podemos supor que não se tratava apenas de preocupação com a tranquilidade de Jesus. É possível que a discriminação se deu pelo pouco valor que as crianças e os cegos tinham na sociedade de então.

Nos dois casos Jesus se interpõem entre eles, favorecendo os interesses das crianças e dos cegos, tratando-os com a devida atenção.

Com relação às crianças, o fato de Jesus tê-las abençoado, dando-lhes um status diferente, certamente descortinou novos horizontes nas comunidades cristãs de então e nas sociedade cristãs posteriores, em relação à importância delas na sociedade. O mesmo podemos dizer com relação aos cegos.
A compaixão de Jesus pelos cegos e a elevação das crianças ao status de referenciais para a cidadania no Reino, são duas exigências que devem ser observadas por cada discípulo de Jesus.

Mateus 19.16-30 - A exigência de colocar Deus no centro da existência

Observamos que o jovem estava interessado na salvação, era um fiel cumpridor dos mandamentos divinos mas convivia com um problema que é a base de todos os problemas espirituais: Deus não era o centro de sua vida. Sua riqueza ocupava o lugar central, por isso, entristeceu-se quando Jesus recomendou que ele se desfizesse dela para seguí-lo. O problema, portanto, não era a riqueza em si mas o lugar que ela ocupava em sua vida. E, diante da fascinação que a riqueza exerce sobre o ser humano, somente a ação da graça de Deus pode tornar possível uma mudança de vida(Mt. 19.25-25)

Paulo ensinaria, posteriormente, que, não o dinheiro, mas o amor a ele, seria a razão de todos os males (I Tim. 6.10) e, por isso, a vida humana deveria girar não em torno da "...incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos..." (I Tim. 6.17-19).

Quando a riqueza ocupa o centro da existência humana, as pessoas, como o Jovem Rico, viram suas costas para todas as exigências do Reino, se ensimesmam e são capazes de transformar seus semelhantes em objetos descartáveis ou simples ferramentas, para acumulá-la.

Mateus 20.1-16 - As exigências do Reino e a bondade de Deus

A história tem registrado múltiplas possibilidades de interpretação desta parábola, inclusive de forma alegórica. Até mesmo como fundamento para reprovar movimentos grevistas ela já foi usada. Porém para que possamos entendê-la precisamos vinculá-la aos versos 23 a 30 do capítulo 19 que se apresentam assim:
1. Jesus ensina que é difícil um rico entrar no Reino de Deus(19.23);
2. Os discípulos são pegos de surpresa com o ensino de Jesus(19.25);
3) Jesus ensina que Deus pode tornar possível a salvação de pessoas apegadas à riqueza(19.26);
4) Pedro supõe que, se uma pessoa apegada à riqueza poderia ser salva, os discípulos que deixaram tudo teriam uma recompensa maior(19.27);
5) Jesus promete uma situação especial aos que se dispõem a colocá-lo em primeiro lugar(19.28-29);
6) Jesus faz a ressalva que resguarda a soberania de Deus para recompensar as pessoas segundo seus próprios critérios;
7) Jesus aplica a parábola para clarear que a salvação é fruto da bondade de Deus, baseada em critérios próprios e não em critérios humanos(20.1-16).

A nossa compreensão a respeito das exigências do Reino de Deus não devem ser usadas como parâmetros para fazermos julgamentos a respeito da vida alheia em relação à salvação pois, como revela a parábola, a lógica divina nem sempre é igual à lógica humana.

Mateus 20.20-28 - O serviço como exigência do Reino

Prendendo-se às palavras de Jesus sobre o lugar que os discípulos ocupariam na glória de Deus (Mt. 19.28), não se contentando com isso e o que é pior, sem considerar seus ensinos sobre a soberania divina(19.30 - 20.1-16), a mãe de Tiago e João gera indignação nos discípulos ao pedir que, a seus filhos, seja concedido o privilégio de, na Glória, se assentarem imediatamente ao lado de Jesus.

O texto deixa claro que, ainda que passassem pelos mesmos sofrimentos que Jesus passaria(20.22-23; 20.17-19), isto não lhes garantiria a recompensa que desejavam pois, Jesus insiste, Deus é soberano na forma de recompensar seus servos(20.23). E, mais uma vez, Jesus chama a atenção deles para o fato de que a lógica divina não é igual à lógica humana, ao ensiná-los que o modelo que rege as relações interpessoais no Reino de Deus(20.26-28) não seria o mesmo vigente na cultura conhecida(20.25). No reino de Deus as pessoas seriam valorizadas por sua disposição para servir e não pelo desejo de serem servidas. O líder teria que ser, antes de tudo, servo!

A LIÇÃO EM FOCO

1. O tema divórcio divide opiniões há milênios. O amparo bíblico que cada lado encontra é diferente em função dos pressupostos hermenêuticos que cada um adota.
Tratar o tema de forma fundamentalista, isto é, aplicando os textos bíblicos na sua forma literal, desconsiderando o contexto em que foram escritos, gera graves problemas.
Por exemplo: se aplicamos literalmente o texto de Deuteronômio 24, no que se refere ao divórcio, deveríamos também lutar pelo pagamento diário e não mensal, dos salários aos trabalhadores(24.14-15); deveríamos lutar para que os recém-casados tivessem direito a um ano de folga(24.5); deveríamos, em caso de lepra, seguir a orientação dos sacerdotes(24.8) e não a orientação médica.

Além disso, por uma questão de honestidade, não podemos deixar de considerar que: 1. A lei de Moisés apresenta a possibilidade de divórcio, apresentando motivo subjetivo: "...se ela não achar graça aos seus olhos, por haver encontrado nela coisa vergonhosa..."(Dt 24.1);
2). De acordo com Marcos, Jesus apresenta aos Fariseus a posição do ideal divino, em que não deveria acontecer o divórcio(Mc. 10.6-9) e, em relação ao novo casamento, sua posição é contrária a de Moisés(Mc 10.11-12);
3. De acordo com Lucas, a ressalva é apenas quanto ao novo casamento, o que contraria o ensino de Moisés (Lc. 16.18; Dt. 24);
4) De acordo com Mateus, Jesus, diferente da lei de Moisés, especifica mais a exceção, apontando a "Infidelidade" (Mt. 19.1-12);
5) Paulo, por sua vez, reconhece outra exceção diferente da de Jesus e de Moisés, no caso do cônjuge incrédulo o requerer(I Cor. 7.11,15).
Diante disso, uso a pergunta de Plínio Moreira da Silva(O divórcio e a Bíblia, Eleva, Editora de Livros Evangélicos Ltda, São Paulo, 1986): "Se a fornicação era motivo legítimo para uma ação de divórcio no tempo de Jesus e, mais tarde, a incompatibilidade religiosa veio a ser motivo legítimo para Paulo, não teriam surgido, no decorrer do tempo, outros motivos, igualmente significativos para outras gerações e culturas?"