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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Fui eleito, e agora? (Convenção Batista Baiana)



“No essencial, unidade. No não essencial, liberdade. Em tudo, o Amor.” 

                                                                              (Agostinho)

Não almejava a presidência, mas decidi não dizer não, em caso de indicação. Não almejava, porque não sou de ocupar cargo pelo cargo.  Não tenho vocação para “rainha Elizabeth” e sei o que ela – a presidência - significaria diante da agenda pastoral na Igreja Batista da Graça. Mas, não disse não porque acompanho com olhos clínicos a caminhada da CBBA e sei, por experiência e formação, que poderia contribuir para potencializar suas estruturas.

Fui eleito, e agora? Agora vamos caminhar norteados pelos seguintes princípios e metas iniciais:

1)      Respeito à liberdade. Em termos de princípios, sou batista à moda antiga. No Novo Testamento, a liberdade é colocada como sinônimo de salvação. Ela fez parte da visão estratégica de Jesus (Lc. 4.19); é uma vocação (Gal 5.13); é indicação da presença do Espírito do Senhor na igreja (II Cor. 3:17) e deve ser exercida visando o serviço amoroso ao próximo (Gal. 5:13).

Além disso, documentos disponíveis, por exemplo, em “ 4 frágeis liberdades” de Walter B. Shurden, comprovam o respeito dos batistas à liberdade: a) de reconhecimento da autoridade e interpretação da Bíblia; b) do indivíduo, seus pensamentos e crenças; c) da igreja local, seu vínculo com Jesus, sua autonomia e espírito de cooperação; d) de religião para todos;

2)      Defesa da cooperação. Não menos presente no Novo Testamento e na história dos batistas, a cooperação é essencial à vida humana e, portanto, à vida da Igreja. Os princípios, doutrinas, eclesiologia, patrimônio e qualificação da liderança, são resultado de cooperação. Não existe cooperação entre membros de uma igreja local que não esteja vinculada à cooperação com membros de outras igrejas. Uma igreja que quebra este princípio está colocando uma corda em seu próprio pescoço.

Cada batista coopera livremente com sua igreja e cada igreja, livremente com as demais partes da denominação e do reino de Deus.  Isso se dá de 3 formas: a) através da oração; b) através do know-how, do que cada um conhece e sabe fazer, e c) através do suporte financeiro.  Uma igreja que não se norteia por essas três possibilidades está ensinando a seus membros, com seu exemplo, que elas não são essenciais. Por isso, os membros poderão fazer o mesmo em relação a ela, sem que tenha autoridade para reprová-los.

3)       Incentivo à transparência – Quando oramos e dividimos conhecimentos, ambos – oração e conhecimento – continuam sob nosso controle.  O dinheiro, entretanto, ao ser entregue, sai do nosso controle e passa a ser controlado por outrem. Daí esperarmos que seja administrado de maneira democrática, transparente, disciplinada e austera.

Quem administra recursos financeiros de igreja ou outras instituições denominacionais deve fazê-lo de forma transparente. É direito do administrador, ser fiscalizado e um dever seu, ser transparente. Quem administra dinheiro alheio, além de ser honesto precisa parecer honesto.

Tudo que uma instituição denominacional faz com o dinheiro que recebe deve ser publicado com tal transparência que qualquer pessoa possa olhar e enxergar, com facilidade, como as coisas estão do outro lado. Todo investimento feito em funcionamento organizacional, construção, manutenção ou conservação patrimonial e em pessoal deve tornar-se público. Transparência deve ser regra geral. Sigilo, exceção baseada em critérios transparentes. Se nos envergonhamos de algo, que o “algo” seja corrigido e não escondido.

Com base nesses princípios, nos primeiros seis meses trabalharemos em torno de 3 metas:
a)      Saneamento financeiro. Levantaremos detalhadamente a situação nesta área, especialmente dívidas. Definiremos um orçamento de custeio para 12 meses baseado nas obrigações legais, contratuais e acordos denominacionais, separado do de investimento. Adotaremos o necessário para que, na medida da urgência possível, deixemos de usar empréstimos bancários e paguemos em dia nossos credores;
b)      Plano de Transparência. Usaremos a página da CBBA na internet para possibilitar a qualquer pessoa acesso à vida de todas as instituições da Convenção. Se não for conveniente a publicação de algo, isso será  exceção criteriosa e publicamente definida. Nesse caso, a informação deverá estar disponível à diretoria, aos líderes oficialmente reconhecidos pela convenção e aos membros de igreja devidamente autorizados por ela. Não deverá haver sigilo absoluto em hipótese alguma. Na democracia, a transparência é a mais eficaz arma contra a malversação dos recursos e corrupção;
c)      Reestruturação organizacional – Considerando já existir um GT de avaliação das estruturas e um processo em andamento de reforma estatutário-regimental, defenderemos estruturas bem definidas em termos estratégicos, táticos e operacionais, com atribuições claras e sem superposições; que possibilitem a agilidade dos processos sem risco à integridade doutrinária e patrimonial e com descentralização e alternância no poder. Entenda-se poder como fruto das atribuições delegadas pela Assembléia aos ocupantes de cargos ou funções e não propriedade intrínseca de seus ocupantes por critérios contrários à vida e ensinos de Jesus (Mc 10.44; Jo 13:14).

Essas intenções serão perseguidas, sem prejuízo às atividades essências da Convenção e mais caras ao povo batista. Por estarem amparadas em princípios da Palavra de Deus, as desejaremos com ardor.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Funcionário Público - 25.07.12 - 94/100 dias de oração pelo Brasil

Orar pelos funcionários públicos é orar por uma parcela significativa da população. Há fontes que indicam que são 12% do total de empregos do país. São alguns milhões de pessoas, pagas com dinheiro do nosso trabalho recolhido através de impostos, que trabalham para fazer funcionar uma imensa máquina chamada Brasil.
Da qualidade do trabalho que desenvolvem, depende muito a qualidade de vida que experimentamos.

Orar por eles, é também orar por nós. Não somente porque é difícil encontrar uma família no Brasil que não tenha um, mas porque dependemos profundamente deles. Basta fazermos uma análise superficial do nosso dia a dia e identificaremos cada ponto no qual a ação de um deles determina a continuidade de nossas atividades.

Critica-se muito a quantidade de funcionários públicos no Brasil. Não acredito que nosso problema seja quantidade. O problema é a qualidade, fato que ocorre não somente na área pública. O problema na área pública é que, por tratar-se de emprego cujo grau de estabilidade é muito maior do que na empresa privada, há um abuso e desrespeito proporcional à tal estabilidade de parte dos contratados.


Falo de parte porque há muito funcionário público, seja do Executivo, Legislativo ou Judiciário, que trabalha com seriedade e da o seu melhor em seu cargo. Muita vez não faz melhor porque o próprio sistema ou quem o dirige não é de boa qualidade.


Há também áreas da administração pública na qual a qualidade dos serviços é reconhecida. Curiosamente, a de maior destaque é a da arrecadação financeira. A Receita funciona com uma eficiência que merece destaque. Se a eficiência da saúde, da educação e segurança, por exemplo, fosse semelhante à da Receita Federal, seríamos um país de primeira.


A pergunta que fica é: por que a Receita conseguiu este padrão e as demais áreas não? Se ela funciona bem, por que as outras não? Ficam essas perguntas para nossa reflexão, neste momento de oração pelos Funcionários Públicos.


Abraços do seu pastor,

sábado, 9 de junho de 2012

Ética nos negócios - 09.06.12 - 48/100 dias de oração pelo Brasil

Negócio, no latim, significa negação do ócio.
Ócio são momentos de nossa vida em que podemos fazer tudo, inclusive nada.
Nada nem ninguém nos pressiona a agir, a falar ou mesmo a pensar de forma elaborada.
O corpo pode relaxar e a mente vaguear, fantasiar e até, sem imposição, criar.
Ócio, portanto, não só é um direito, mas tambem uma necessidade.

Claro que o ócio pode incomodar aqueles que vêem o outro apenas como mão ou mente de obra ou como ferramenta de produção e lucro.

Daí, também, as ideologias do trabalho que se manifestaram ao longo da história contra o ócio, inclusive em linguagem teológica. Que protestante nunca ouviu: "mente desocupada é oficina do diabo"?

Negar o ócio - negócio - passou a ser sinônimo de canalização do uso do tempo, energias, sentimentos e pensamentos na direção da produção, especialmente econômica visando lucro financeiro. Aqui entra a ética.


Ócio e negócio precisam ser vividos sem que se negue a ética. Porém, ainda que tenha sido em momentos de ócio que surgiram idéias importantes para solucionar problemas da humanidade e que seja através do negócio que tais idéias se concretizaram e foram transformadas em bens ou serviços, o que faz com que a ênfase da ética recaia mais sobre negócio do que ócio é que, através do negócio, idéias são transformadas em dinheiro e poder.


Dinheiro e poder. Sempre que eles entram na história sem o acompanhamento da ética, efeitos colaterais danosos são experimentados por indivíduos e sociedades.

Por causa deles se rouba, se mata, se oprime, se explora, se escraviza e se coisifica o ser e o 'homem se torna lobo do homem'.

Ética são príncipios ou valores que devem nortear indivíduos e sociedades e seu relacionamento com tudo que o cerca, visando preservar a vida em suas melhores formas de expressão.

A construção de princípios éticos é fruto de reflexão filosófico-teológica. No caso cristão-protestante, mais reflexão a partir dos textos sagrados judaico-cristãos, por nós conhecidos como Bíblia e, no caso brasileiro, menos, até menos demais, reflexão filosófica.

A história mostra que a Bíblia já foi usada para justificar a escravidão, o racismo, a coisificação da mulher e de crianças, a seca do nordeste brasileiro, por exemplo, e também que pode ser usada para abrandar, pra não dizer petrificar, a consciência de alguns que enriquecem de maneira estranha através de seus negócios.


A Revista Veja de 06 de junho de 2012 traz um exemplo em suas "páginas amarelas". Num país em que mais de 80% da população tem salário mensal inferior a R$ 1.800,00 e milhões se apoiam em programas sociais do governo, o pastor Silas Malafaia, que vocifera em nome de Deus na televisão, declara ter granjeado, com isso, um patrimônio que inclui uma casa de dois milhões e quinhentos mil reais no Rio de Janeiro, alguns apartamentos em Boca Raton, na Flórida, um carro Mercedez blindado e um jato de de 3 milhões de dólares. O jato pertence à associação que administra suas obras sociais (Pg. 27, da edição 2272). Tudo isso usando a Bíblia e sendo "devidamente" justificado com textos bíblicos.


Será que deu pra entender o que significa ética nos negócios?


Oremos, então, por nós e nossos negócios!


Abraços do seu pastor,

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aplicação dos Recursos Públicos - 06.06.12 - 45/100 dias de oração pelo Brasil

Dos 12 meses de trabalho que realizamos por ano, 5 são para gerar receitas para o Estado. Em outras palavras: quem ganha 12 mil por ano, entrega o equivalente a 5 mil para ser administrado pelo governo. Não percebemos isso porque, no Brasil, os impostos - exceto, por exemplo, o IPTU e IPVA -  estão embutidos nos valores das compras de produtos ou serviços que fazemos (e, alguns, algumas empresas recolhem de nós, mas não repassam às Receitas).

Assim, por falta de noção, quando muito, rimos dos casos de corrupção e dizemos: não tem jeito não, no Brasil foi e sempre será assim. E continuamos trabalhando para sustentar e até enriquecer corruptos.

É importante orar pela melhoria do uso desses recursos, que nos custam em torno de 1100 horas de trabalho por ano, pois nos comprometemos com aquilo pelo que oramos. Depender de Deus, porém, para que uma mudança ocorra, parece-me um equívoco, pois isso coloca sobre os ombros dEle,
retirando dos nossos, a responsabilidade pela malversação do dinheiro que entregamos ao governo, para ser administrado em favor da sociedade, especialmente dos menos favorecidos (ou empobrecidos) pelo sistema.

Se alguém deve ser responsabilizado pela malversação do dinheiro público, esse alguém somos nós. Nós não exercemos nossos direitos de cidadania. Sequer lutamos por mudanças nas leis ou pela aplicação adequada delas ou, ainda, por mudança no processo de julgamento dos que descumprem as leis, para que seja transparente, justo, rápido e exemplar. Somos passivos e rotulamos de esquerdistas, revolucionários, rebeldes, revoltados e outros adjetivos mais, os que trocam o silêncio, a omissão, pelo grito, pela ação.


Sequer temos coragem de lutar pela transparência na aplicação do dinheiro público das igrejas locais e das convenções batistas (apresentar Balanço Patrimonial anualmente não atende ao quesito transparência). Sim, o discurso de alguns que declaram que o dinheiro das igrejas e das convenções são de Deus, tem aparência de piedade, de espiritualidade, mas se tornam um meio de não reconhecermos que ele também é público e sua aplicação deve ser transparente.


Se não somos capazes de cobrar transparência na aplicação dos recursos das igrejas, das convenções e instituições batistas (e de todas as igrejas), que moral nós temos para chegar diante de Deus em oração, pedindo a ele que, num toque de mágica, transforme a realidade da corrupção, malversação dos recursos públicos do país?


Lamentamos o caso Demóstenes Torres, Cachoeira e sua gang, mas sequer estamos acompanhando como tem sido a postura dos senadores eleitos por nós. Temos televisão transmitindo ao vivo as CPIs e Assembléias do Congresso. Isso nos interessa? Temos meios eletrônicos que facilitam a manifestação de opinião aos senadores por nós eleitos. Será que faremos uso disso, por exemplo, quando da decisão da cassação ou não do Senador pego em corrupção?


A falta de consciência e interesse de quem trabalha para sustentar o sistema e a falta de iniciativa dos que são eleitos para administrar os recursos são a causa da malversação dos recursos públicos, sejam religiosos, condominiais, municipais, estaduais ou federais.


A qualidade de vida do povo brasileiro também passa pela transparência da informação de como os recursos são aplicados. Isso possibilita não só maior fiscalização, mas também debates em torno do que, de fato, deve ser prioridade.


Oremos sobre o assunto, mas não transfiramos a Deus, aos políticos ou a quem quer que seja a responsabilidade pela corrupção. Ela é, primeiramente nossa!


Abraços do seu pastor,

terça-feira, 1 de maio de 2012

01.05.12 - 9/100 dias de oração pelo Brasil - Lisura e Transparência nos contratos do Setor Público

 O texto de referência deste 1º de maio, para nossas orações pelo Brasil, no livro "100 dias que impactarão o Brasil", é de William Douglas, Juiz Federal, especialista em Políticas Públicas e Governo. O foco do texto gira em torno dos problemas das licitações no Brasil. Nenhum partido tem escapado deste e de outros problemas de corrupção.

Neste momento em que vai a julgamento o esquema chamado de "Mensalão", ganha as manchetas o esquema do "Cachoeira", empresário e bicheiro que, com o apoio do Senador Demôstenes Torres, paladino da moralidade no Congresso, lideraria, segundo a imprensa, uma verdadeira máfia desmontada pela Polífica Federal.

Somos, então, desafiados a afirmar que tais práticas são erradas e que, como cristãos, não devemos silenciar diante delas ou, muito menos, participar delas. O dinheiro roubado, além de ser crime em si mesmo, desvia anualmente bilhões de reais que deveriam ser aplicados em educação, segurança e saúde, por exemplo.

Mas devemos orar também pela Lei nº 12.527, também conhecida como Lei de Acesso à Informação, que entrará em vigor no próximo dia 16 de maio. Por esta lei "as administrações públicas federal, estadual e municipal, no âmbito dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), fundações e autarquias têm de garantir o acesso às informações sobre gastos e atividades, bem como serviços prestados para qualquer cidadão. As informações devem ser disponibilizadas na internet obrigatoriamente no caso de municípios acima de 10 mil habitantes"

E pra não ficarmos como aqueles que "vêem o cisco no olho alheio e não tira a trave que tem no seu", devemos orar também pela proposta de reforma no Regimento Interno da Convenção Batista Brasileira, elaborada pelo GT da Transparência Batista, visando redefinir que informações as instituições denominacionais devem fornecer ao povo batista nos relatórios apresentados às suas assembléias anuais. Este trabalho sofre resistências já há duas assembléias convencionais (Niterói e Foz do iguaçu) e, por isso, através de "pareceres jurídicos" o plenário sequer pode apreciá-lo.

Oremos também pelas reformas do estatuto da Convenção Batista Baiana, especialmente pelo Conselho Fiscal que tem sido enfraquecido através de duras criticas, correndo risco de, na melhor das hipóteses, perder poderes e autonomia, o que nos colocaria na contramão da história dos batistas e do Brasil.

Então, neste momento em que somos estimulados a orar pela transparência nos contratos públicos, oremos primeiro pela transparência em nossas instituições denominacionais (Igrejas, juntas, conselhos, escolas, enfim), a fim de que não sejamos vistos como aqueles que oram para que os outros façam, mas não fazem aquilo pelo que oram.

sábado, 14 de abril de 2012

A questão do Conselho Fiscal em Instituições Batistas

Em setembro do ano passado produzi um texto sobre "Processo de elaboração de estatuto para igrejas batistas" . Um dos tópicos nele destacados tem a ver com a importância do Conselho Fiscal. Na ocasião os dirigentes d'O Jornal Batista entenderem que não deveriam publicá-lo, por isso disponibilizei-o na internet (através de http://vigiai.net/news.php  e em meu blog) .

Recentemente O Jornal Batista (Nº 9, de 26.02.12) dedicou uma página toda a  republicação de texto do Pr Isaias Lins, publicado anteriormente no Site "Vigiai" com teor fortemente desfavovável, ainda que não explicitado, à existência de Conselho Fiscal (ao enfatizar que sua existência não é uma imposição legal, que alguns conselheiros extrapolam em suas atribuições e agem de forma maliciosa e que a presunção de inocência não é observada).

O assunto, ao ser repercutido n'O Jornal Batista da CBB,  passou a idéia de que CONSELHO FISCAL é um problema generalizado, quando o texto retrata uma questão especifica e pontual entre parte dos dirigentes da Convenção Batista Baiana e parte do membros do Conselho fiscal desta convenção.

Ainda que reconheça os conflitos existentes, visível nas últimas assembléias da Convenção Batista Baiana e o desconforto que isso representa
e mesmo não estando em cargos nem de direção, nem de Conselho Fiscal na CBBA, defendi em plenário na Assembléia de Teixeira de Freitas que a instituição CONSELHO FISCAL é boa, necessária e deve ser preservada a despeito de problemas pontuais.

Nesse sentido produzi o texto que segue e enviei a'O Jornal Batista, por entender a importância do assunto para as  igrejas batistas, num país em que igrejas evangélicas são constantemente atacadas na mídia por problemas na área fianceira, além dos próprios problemas que a falta de fiscalização acarreta em qualquer organização. 

Sabendo, entretanto, que O Jornal Batista recebe muitos textos e presumindo que a probabilidade dele ser publicado a curto prazo poderia ser reduzida, coloco-o aqui para conhecimento.

Caso entenda que o assunto seja relevante, por favor reencaminhe-o, via e-mail, a fim de que as di-versas opiniões possam ser conhecidas. 
A questão do Conselho Fiscal em Instituições Batistas
Edvar Gimenes de Oliveira
Pastor da Igreja Batista da Graça, Salvador,  BA

Já havia lido o artigo do Pr. Isaias Lins – como geralmente faço com seus textos - quando foi publicado pela primeira vez na internet. Agora, ao lê-lo novamente na republicação feita pel’O Jornal Batista senti-me motivado a pensar um pouco mais sobre o assunto e expor minhas primeiras considerações.

Declaro inicialmente que, se não me trai a memória já não tão jovem, não faço nem nunca fiz parte de Conselho Fiscal em instituições denominacionais. Mas, sou um defensor de tais conselhos.

Um Conselho Fiscal não está acima do bem e do mal. Pode até ser que, eventualmente, algum de seus componentes, em alguma organização, aja maliciosamente, mas isso seria exceção. Se algum componente de Conselho extrapolar as atribuições, que se corrija o erro pontual, mas jamais enfraqueçamos a instituição Conselho Fiscal.

Tenho agradecido a Deus a existência de Conselho Fiscal nas instituições por mim presididas, especialmente quando seus componentes são profundamente meticulosos. Na I. B. da Graça, ele responde diretamente à Assembléia. O Conselho Diretor tem o direito de tomar conhecimento prévio, mas não de interferir no parecer. Isso aumenta sua credibilidade junto aos membros e nos ajuda a aperfeiçoar a qualidade do trabalho realizado na área financeira. Se alguém agir comprovada e objetivamente com maldade, que seja julgado pela maldade.

Minha limitada mente, não consegue me ajudar a ver os prejuízos que um administrador bem intencionado, interessado em fazer o melhor com a melhor das intenções, de forma transparente, possa ter. A intenção e o empenho histórico do dirigente dedicado e honesto são o mais eficiente antídoto contra eventuais desgastes políticos e emocionais que o administrador possa sofrer nas mãos de fiscal malicioso. As palavras de Pedro podem ser utilizadas nesse caso: “Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis;” (I Pd 3.14)

O Conselho Fiscal existe não para proteger ou prejudicar o administrador, mas para preservar a instituição de falhas técnicas causadoras de prejuízos ou de pessoas, inclusive boas, que, eventualmente, sucumbem à forte tentação exercida pelo dinheiro.

Poderia contar aqui casos emblemáticos que vivenciei em organizações batistas, praticados inclusive por membros de igrejas, de falsificação de assinatura, roubo de alimento de cantina, inserção em boleto de desconto de mensalidade escolar para amigos, acréscimo de horas-extras indevidas em folha de pagamento, desvio de cheques de dízimos e ofertas, enfim.

Não sendo ilegal a adoção do Conselho Fiscal, os motivos para sua existência ou não em uma organização batista devem ser avaliados não por razões particulares, mas pelos benefícios gerais à instituição e aos interesses de seus mantenedores.

Não nos enganemos: a discriminação no trato de igrejas, vejam só, ao lado dos interesses de partidos políticos, no Código Civil, não foi de todo boa à causa evangélica. A igreja que pastoreio tem sido visitada por fiscais da Receita Federal já por duas vezes (e em nenhuma delas, irregularidade foi encontrada). Incomoda, mas louvo a Deus e desejo que fiscalização desse tipo possa ser feita um dia em todas as instituições do país, especialmente nas públicas. Quando o assunto é dinheiro, a administração dele não deve ser regida por sentimentos ou falsos pressupostos, mas por critérios objetivos, aplicados a todos os que nela estão envolvidos.

A presunção de inocência ou de culpa jamais deve ser usada como critério para adotar-se ou não um Conselho Fiscal. Ela não é absoluta, ainda que seja constitucional. Há correntes da teologia, por exemplo, que defendem a presunção de culpa como inerente ao ser humano desde seu nascimento. Há milhares de pessoas – empobrecidas em sua maioria - que são presas e assim permanecem por decisão judicial antes mesmo de serem julgadas. Onde fica a presunção constitucional de inocência?

Uma instituição define ter um Conselho Fiscal não pela presunção de que o administrador A ou B é ou pode ser culpado, mas porque a história comprova que dinheiro é uma das mais fortes tentações humanas e a relação indevida com ele ocorre, inclusive em organizações religiosas.

O casuísmo, portanto, jamais deve reger a definição de ter-se ou não um Conselho Fiscal.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Processo de elaboração de estatuto para igrejas batistas

Sabemos que um estatuto é muito mais do que uma peça jurídica. Antes de tudo é um pacto político através do qual, pessoas que formam uma instituição definem diversos elementos que nortearão sua caminhada. Nas igrejas batistas, cujo sistema de governo é democrático e, portanto, a assembléia de membros é soberana, essa compreensão é essencial. Por isso, pelo menos dois elementos devem ser considerados antes da elaboração de estatuto: 1) que áreas de conhecimento devem estar representadas numa comissão responsável pela elaboração; 2) que princípios devem nortear a definição dos regulamentos. Pensemos nesses dois elementos:

1)   Que áreas de conhecimento devem estar representadas numa comissão responsável pela elaboração?

1.1.      Teologia
Coloco a representação teológica em primeiro lugar porque é a teologia o diferencial das igrejas. Embora haja semelhanças no funcionamento de um empreendimento batista, quando comparado com outros empreendimentos, há diferenças que não podem ser desprezadas.

Além disso, a eclesiologia batista é construída a partir de uma teologia neo-testamentária. Portanto, não há como dissociar eclesiologia de teologia.

Nesse sentido, é fundamental que pessoas com conhecimento teológico e, preferencialmente, bom trânsito nas demais áreas de representação, se façam presentes, a fim de que não se perca de vista a natureza da instituição e a prioridade das finalidades espirituais do empreendimento.

1.2.      Administração

A definição da(s) finalidade(s) da organização como um todo e de cada órgão (conselho, ministério ou departamento) em particular é um dos elementos que precisam ser profundamente clareados. Se não sabemos previamente quais são as finalidades, atribuições, composição e forma de eleição, como regularemos o funcionamento? Como criaremos órgãos e cargos que farão com que os objetivos sejam alcançados?

A existência de um organograma da instituição é essencial à elaboração. Através dele sabe-se quais são os órgãos da igreja e como se relacionam entre si.

Também é essencial que se acredite na importância da agilidade nos processos decisórios antes de redigir-se o documento. Igrejas burocráticas e lentas não são sinônimo de bem controladas e produtivas. Pelo contrário, geralmente emperram o funcionamento causando ineficácia e diversos outros tipos de prejuízos tais como de relacionamento e financeiro.

O custo, financeiro, político ou relacional do funcionamento e manutenção da estrutura é outro elemento que deve ser considerado preliminarmente. É um problema quando, para satisfazer interesses particulares nem sempre compatíveis com os interesses do empreendimento, uma série de órgãos e cargos é criada para, depois, não terem do que sobreviver, gerando pulverização de recursos, insatisfações e ineficácia.

Como o sistema será fiscalizado e quem fará a fiscalização é essencial em qualquer organização, especialmente das igrejas batistas, pela natureza democrática que as caracteriza. Instituição democrática sem forte fiscalização se torna meio de corrupção. A quantidade de prejuízos decorrentes de ineficácia na fiscalização e até mesmo de acordos pouco virtuosos é suficiente para priorizarmos a fiscalização, definindo claramente a finalidade, atribuições, composição, tempo de mandato e forma de eleição dos componentes.

1.3.      Política
A democracia batista fundamenta-se essencialmente na compreensão teológica de que todos os seres humanos foram igualmente criados à imagem e semelhança de Deus e exercem individualmente o sacerdócio, sem necessidade de intermediários, além de Jesus Cristo. Sendo assim, acreditamos que a democracia é a melhor expressão desses pressupostos teológicos num governo eclesiástico. Como a política é elemento central numa organização que se define como democrática, não seria diferente nas igrejas batistas.

Geralmente esse elemento político não é publicamente discutido, como se não existisse, mas, na verdade, aqueles que estão conduzindo o processo geralmente agem a partir de uma compreensão não declarada de que precisa ser definido que cargo terá mais ou menos poder decisório.

O poder decisório na organização deve ser estabelecido através das atribuições conferidas a cada órgão ou cargo e não necessariamente pela posição hierárquica num organograma. O poder, portanto, deve ser entendido como pertencente ao cargo ocupado e não à pessoa que o ocupa.

Percebe-se o nível de democratização que norteia uma igreja, já a partir da forma de escolha da comissão responsável pela elaboração. Uma comissão nomeada é menos representativa do que uma eleita, mesmo quando a nomeação é submetida a referendo da Assembléia. Quem nomeia geralmente escolhe componentes que, de maneira geral, representam seus pontos de vista e vão garantir a manutenção do status quo que lhe (s) interessa. É contraditório quando um indivíduo ou grupo declara nomear pensando no interesse da instituição, negando aos membros, a priori, o direito de eleição.

Para entrar em vigor, um estatuto de igreja batista precisa ser aprovado por uma Assembléia. Assim, o desejável é que antes do material ser submetido à Assembléia, ele passe por fóruns nos quais, de maneira sincera, se esclareça o poder de cada órgão e cargos nele contidos.

Quando a criação ou reforma de um estatuto vai direto pra Assembléia sem a realização preliminar de fóruns ou não há respeito às regras democráticas da igreja, corre-se o risco de viver um clima de tensão, durante e depois.


1.4.      Jurídica

Um dos equívocos cometidos na elaboração de estatutos nas igrejas batistas é acreditar que a presença de grande quantidade de profissionais da área jurídica significa garantia de qualidade. Essa quantidade, em vez de ajudar pode atrapalhar uma vez que o jurídico é totalmente privilegiado em detrimento do teológico e administrativo, além de se tornar uma ferramenta política de imposição de pontos de vista, sob a alegação da legalidade.

Na verdade, um bom profissional do direito é suficiente para orientar as questões de legalidade. A razão de ser de sua participação no grupo é ajudar a minimizar equívocos de natureza jurídica e não engessar o funcionamento da instituição pelo predomínio de uma cosmovisão legalista da organização.

Quando há divergências jurídicas, a Assembléia deve estar ciente das alternativas de interpretação de cada caso e, soberanamente, responsabilizar-se pela decisão entre uma e outra. Divergência de interpretação legal sempre haverá. Se assim não fosse, tribunais de arbitragem não precisariam existir. O inconcebível é uma assembléia de pessoas adultas ficar subordinada à palavra interpretativa de uma ou outra pessoa quando por detrás da defesa jurídica, outros interesses e motivações podem ser identificados.

2)   Que princípios devem nortear a definição dos regulamentos?

2.1.      Soberania da Assembléia
Soberania da Assembléia não é sinônimo de democratismo. A Assembléia deve ser poupada de reunir-se para discutir cor da porta do sanitário ou tamanho do papel usado no Boletim Dominical.

 A soberania de uma assembléia manifesta-se no seu poder exclusivo de reformar o estatuto e regimento interno; de eleger ou destituir sua diretoria; de aprovar seu orçamento e fiscalizar sua vida financeira; de aprovar o plano geral da organização; de arbitrar quando conflitos se estabelecem entre órgãos ou membros da igreja; de receber ou desligar membros.

Assim, a administração do cotidiano da igreja será conferida a órgãos internos cuja finalidade, atribuições, composição e forma de eleição de seus dirigentes são claramente estabelecidas no Estatuto e Regimento interno.

2.2.       Distribuição do poder
A palavra poder não tem aqui natureza pejorativa. Ela significa a quantidade e qualidade de atribuições dadas a um cargo ou órgão, fazendo com que o nível de dependência do sistema em relação a ele seja desequilibrado, desproporcional.

Uma vez definidos órgãos e cargos, é fundamental que dispositivos sejam incluídos visando impedir que uma mesma pessoa ocupe mais de um cargo simultaneamente. A simultaneidade de ocupação de cargos por uma mesma pessoa aponta a pobreza de visão de uma organização formada por tantas pessoas qualificadas ou o nível de subserviência e até de exploração política de uns pelos outros. A exceção só se justifica como algo transitório e na ausência comprovadamente reconhecida de alternativas.

2.3.       Alternância no poder
A alternância no exercício do poder é essencial a uma organização que pretende não se deixar dominar por vícios inevitáveis ao continuísmo. Além disso, a alternância propícia o arejamento dos órgãos pela presença de pensamentos diferentes dos estabelecidos de maneira contínua e ininterrupta.

Por isso, é fundamental que haja dispositivos claros quanto ao tempo de permanência e forma de eleição para os cargos, visando forçar a alternância. O fato de uma pessoa ser querida e, portanto, sempre ser eleita pelo povo, não significa, necessariamente que sua presença continuada seja saudável para a organização. O agir político de cada pessoa, os mecanismos usados para manipular os “eleitores”, os interesses envolvidos, muita vez camuflados, faz com que desejos pessoais falem mais alto do que o desenvolvimento institucional em casos de continuísmo.

2.4.      Transparência
Geralmente órgãos e cargos são criados para servir a instituição, mas é comum  ocupantes se servirem deles. Isso pode se dar em termos psicológicos, financeiros e políticos. O uso da estrutura eclesiástica de maneira promíscua, em diversos casos, é fácil de ser demonstrado.

Há pessoas cujo objetivo principal na ocupação de cargos parece ser o de alimentar o prestígio pessoal e até de usar a instituição como moeda de troca político-eleitoral. Entre os membros das igrejas batistas tal postura é ínfima, mas, como a cosmovisão clientielista da política é um cancro que destrói qualquer organização cuja natureza política é democrática, se elementos que forcem a transparência não forem incluídos nos estatutos as conseqüências podem ser nefastas.

Em face disso, é fundamental que o próprio sistema disponha de mecanismos que tornem transparentes os processos que envolvam suas caminhadas, a fim de minimizar a possibilidade de desvio de finalidade das organizações, dos cargos, dos recursos financeiros, enfim.

Considerações finais: Claro que outros princípios podem ser levados em conta na elaboração de um Estatuto, mas acredito que esses são essenciais. Se forem levados a sério, no que depender desta ferramenta chamada estatuto, as relações internas têm maiores chances de serem saudáveis e isso é tudo que desejamos numa igreja batista.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A responsabilidade dos membros da Igreja


A propósito da eleição de novos dirigentes, conselheiros e ministros da IBG

...

Pelo sétimo ano consecutivo, declaro antes das eleições na IBG e Cecom que, na qualidade de pastor, opto por não fazer defesa de qualquer nome para compor diretorias ou conselhos. Acredito que  a responsabilidade pela construção da história da igreja é coletiva, no bônus ou no ônus.

É claro que, por adotar tal postura, não concordaria com qualquer movimentação de quem dá sinais de querer direcionar a igreja rumo a  interesses estritamente particulares ou de uma minoria.

Sendo a membrezia responsável, cada pessoa precisa ter consciência de que, ao indicar-se ou indicar alguém para um cargo e, depois, votando, sua ação funciona como o semeador que planta uma semente. A pessoa na qual votamos é uma semente que vai germinar durante os próximos 3 anos, no caso dos conselhos e dois, nos das diretorias.

Ninguém tem bola de cristal para prever as ações de quem quer que seja, no exercício de um cargo. Entretanto, utilizando o conhecimento que temos da pessoa, podemos projetar com maior probabilidade de acerto, a forma como atuará.

É fundamental, para isso, que, primeiro definamos a qualidade do fruto que almejamos e, depois verifiquemos se a pessoa por nós escolhida reúne as melhores condições para tal. Nesse sentido, algumas perguntas precisam ser feitas a respeito da pessoa. 

Em relação às qualidades pessoais:

1.       A maneira como se comporta evidencia comunhão com Deus?

2.       Ela dá sinais de ser comprometida com valores espirituais do Reino de Deus?

3.       Ela é comprometida com o funcionamento da igreja, através da freqüência regular aos cultos e da contribuição financeira regular para o sustento das causas?

4.       Ela evidencia ser leal e sincera na maneira como se relaciona com os demais membros da igreja?

5.       Ela demonstra conseguir enxergar o ser humano como imagem e semelhança de Deus acima das diferenças sócio-culturais?

6.       Ela demonstra ser capaz de liderar seus sentimentos e sua língua?

7.       Ela revela capacidade de escutar pacientemente o outro para entender seu modo de pensar, para, somente depois, contra argumentar, se for o caso?

8.       Ela evidencia disciplina e honestidade na administração do seu tempo e dinheiro?

9.       Ela evidencia respeito à membrezia, aos líderes e ao pastor, principalmente na forma de administrar inevitáveis divergências? 

Em relação às qualidades técnicas:

1.    Ela evidencia conhecer e estar comprometida com a missão, visão estratégica e valores oficializados pela igreja?

2.    Ela revela conhecimento da macro-estrutura organizacional da igreja?

3.    Suas ações revelam desejo de ver todas as áreas se desenvolverem de maneira saudável e equilibrada ou é partidária e individualista?

4.    Ela conhece a finalidade e atribuições da área na qual pretende atuar?

5.    Ela conhece a importância da área a que concorre para o desenvolvimento do Reino de Deus?

6.    Ela tem consciência do tempo que terá para investir durante o período de mandato?

7.    Ela manifesta disposição e disponibilidade?

8.    Ela tem consciência dos recursos de humanos, financeiros e patrimoniais disponíveis para o exercício de suas funções?

9.    No caso da Diretoria e Conselho Diretor, ela apresenta sinais de conhecimento e maturidade para participar da liderança da Igreja numa eventual ausência permanente do atual presidente?

Tais perguntas não têm por objetivo encontrarmos uma pessoa perfeita, pois ela não existe. Porém, servem de referencial para que nossa escolha seja refletida, aumentando a probabilidade de elegermos pessoas que manterão a igreja no caminho de um desenvolvimento saudável, glorificando com isso o nome de Jesus Cristo e servindo para restaurar a comunhão de muitos com Deus, consigo, com os semelhantes e com o meio ambiente que nos cerca.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Despertando o líder que há em nós

A propósito da eleição de novos dirigentes, conselheiros e ministros da IBG

Uma idéia elementar de liderança é dispor-se a fazer algo acontecer.  Isso se manifesta inicialmente na vida da própria pessoa a respeito de si mesma. A partir do momento em que começa a ter consciência de si em relação ao mundo que o cerca e começa a construir sua própria história, o ser humano dá os primeiros sinais de liderança: liderança sobre si mesmo.

Na medida em que se dá conta de suas necessidades (físicas, emocionais, sociais, políticas, econômicas, etc), descobre que pode agir para supri-las e começa a mover-se visando alcançar seus objetivos, ele demonstra ter – como todo humano – potencial para liderar a construção de sua vida.

A ampliação deste, digamos, estado de espírito, vai depender, por exemplo, de suas necessidades pessoais, da qualidade de sua saúde, das circunstâncias que o cercam, dos valores sociais que nele foram introjetados e por ele cultivados ou da cosmovisão de vida desenvolvida.

O que leva uma pessoa a não somente assumir a liderança de sua própria vida, mas também ampliar sua disposição para liderar mais do que a própria vida, tem a ver com elementos estritamente subjetivos, relacionados aos seus sentimentos e pensamentos. Dependendo dos valores que norteiam tais sentimentos e pensamentos, o desenvolvimento da liderança para além da própria vida acontecerá, podendo ser benéfico ou prejudicial à coletividade.

Isso significa que, independente do histórico de cada um em liderança de grupo, até mesmo uma pessoa que nunca exerceu tal papel pode, por múltiplos fatores, revelar-se líder, se uma determinada circunstância exigir.

De acordo com as experiências vividas, há pessoas que não somente assumem o papel de líder, mas trazem pra si a responsabilidade de exercê-lo e passa a investir no necessário aperfeiçoamento para desenvolvê-lo e ampliá-lo sempre dentro da melhor qualidade possível. Esse aperfeiçoamento deve acontecer tanto em relação ao autoconhecimento quanto em relação ao conhecimento de quem estará sob sua liderança e da realidade sobre a qual atuará.

Uma pessoa amadurecida pelas experiências de vida é capaz de avaliar determinada realidade e decidir se precisa ou não, se quer ou não, exercer o papel de líder para ajudar a aprimorá-la. Em termos de grupo, portanto, uma pessoa é líder quando decide e efetivamente age visando ajudar na construção de um rumo que mantenha ou altere uma dada situação. Isso independe dela estar ou não investida formalmente em um cargo ou função.

Se a instituição religiosa pode inibir anseios de ver a vida alcançar sua plenitude, a experiência genuinamente espiritual, pelo contrário, é o maior estímulo para que assumamos o papel de líderes, em prol da vida, que nos foi conferido segundo a linguagem poética do autor do livro bíblico Gênesis:

“"Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra". Disse Deus: "Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês. E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão".” (1.28-30)

Uma das marcas da pessoa que toma a decisão de viver em comunhão com Deus, levando a sério os ensinos de Jesus é desenvolver sentimentos e pensamentos que priorizam os semelhantes em sua relação de interesses. Por isso, o altruísmo se amplia sobre o egoísmo e o servir predomina sobre o ser servido.

A predisposição para colocar seus olhos à disposição de Deus para enxergar o mundo aumenta consideravelmente seu desejo de ver a vida florescer em todas as dimensões. Isso faz com que seu desejo de liderar movimentos que favorecem o reluzir da vida, seja contínuo e crescente.

Daí ser importante que cada pessoa seja fiel em sua comunhão com Deus e libere-se para exercer liderança (e até deixar-se liderar, quando julgar necessário e oportuno) na área que salta aos seus olhos como sendo relevante para a construção e manutenção de elementos favoráveis à vida..

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O processo de liderança numa igreja batista


A propósito da eleição de novos dirigentes, conselheiros e ministros da IBG
  
Liderar é um processo de interação entre perfis de quem lidera e de quem é liderado. Não é algo que depende somente de suposta capacidade de alguém tido como líder, mas também das qualidades de quem é liderado. Os resultados da ação de um grupo dependem, portanto, da afinidade entre duas partes – líderes e liderados - em quesitos como caráter, valores, motivação, conhecimento e finalidades.

Um líder, então, pode ser extremamente bem sucedido num contexto e não em outro. Pode ver resultados do seu trabalho florescendo rapidamente num lugar e lentamente, ou até não vê-los, em outro. Os fatores de cada circunstância determinam o sucesso do empreendimento.

Isso significa que quem ocupa cargos ou funções de liderança precisa conhecer não somente a missão, visão estratégica, valores, cultura, enfim, da organização, mas também o caráter e a motivação dos liderados.

Claro que, numa situação concreta, os elementos que compõem o palco no qual a história vai desenrolar-se nem sempre são claros. Geralmente, pelo contrário, são um emaranhado que exige muito tempo de observação e reflexão da parte de quem tem a responsabilidade de liderar.

No caso de uma igreja batista, quando um processo de caminhada entre líderes e liderados tem inicio, isso não acontece a partir do nada. O próprio nome IGREJA BATISTA serve de indicador prévio. Ele aponta dois pressupostos: 1) somos igrejas; 2) somos batistas. É a partir desses dois elementos que tudo se desenvolverá.

Tanto a palavra igreja quanto a batista tem uma história. Daí, uma condição essencial para o sucesso na caminhada entre líderes e liderados na igreja é conhecer história. Não somente a história, a etmologia, dessas palavras, mas o significado dado a elas a partir do contexto primitivo de seu uso.

Uma vez que organizações e palavras não são elementos estáticos, congelados, é importante que se saiba o que  se tornaram e o porque do significado que ganharam, no máximo de contextos possíveis.

Se houver conhecimento de ambas as partes do que vem a ser igreja e batista, encontraremos elementos comuns à busca de afinidade, para, a partir daí, afinar caráter, valores e motivação, bem como eleger prioridades, objetivos e metas específicas.

Sem conhecimento da natureza do empreendimento, clareza das finalidades e disposição para subordinar-se a eles, o sucesso da trajetória torna-se mais incerto.

Portanto, diria que um primeiro passo para quem se propõe a liderar numa igreja batista é certificar-se de que líderes e liderados sabem e aceitam o que é ser igreja batista e suas finalidades. Se houver entendimento em torno disso, as probabilidades de acerto nos demais elementos aumentam significativamente.

Em setembro a Igreja Batista da Graça poderá renovar 100% de sua diretoria e de seus ministros de áreas (exceto os cargos ocupados por pessoas contratadas - Pastor-presidente e Ministro de Adoração - que podem ser substituídos a qualquer momento, na forma do estatuto), além de 1/3 do Conselho Diretor, Fiscal e de áreas ministeriais. Além disso, os sócios do Cecom poderão renovar 100% da diretoria e Conselho Fiscal da instituição.

Se não só a igreja é a cara de seus líderes, mas também os líderes são a cara da igreja é fundamental que conheçamos bem nossa história, missão, visão e valores, a fim de que os eleitos representem o que de melhor desejamos para o nosso futuro próximo.

sábado, 30 de julho de 2011

"Necessitamos de um choque de gestão" - Convenção Batista Brasileira

Ao Editor d'O Jornal Batista, da Convenção Batista Brasileira
Prezado editor,
A cada semana acompanho O Jornal Batista à procura de informações ou pensamentos que possam ajudar a mim ou a igreja à qual sirvo como pastor.

Geralmente seleciono o que investirei tempo para ler usando dois referenciais, nesta ordem: o autor e o assunto.
Há autores que, mesmo escrendo sobre assunto fora do nosso interesse ou opinando em bases diferentes das nossas, sempre conseguem proporcionar-nos prazer, pela clareza da exposição, pela coesão e coerência do texto, pela boa fundamentação teórica, pela contextualização ou mesmo pela humildade que sempre demonstra ao não posiconar-se como dono da verdade ou juiz de nossas vidas. Há ainda os que conhecemos pessoalmente e ler seus escritos faz-nos sentir como se estivéssemos próximos.
Há assuntos que, por razões que não vem ao caso, não fazem parte do nosso foco de interesse. Quando fazem, mesmo que o autor não esteja na lista dos preferidos, acabamos nos interessando por acreditarmos na importãncia dele para nossa caminhada individual, na igreja local ou na vida denominacional.
Faço esse rodeio todo pra dizer que geralmente leio os textos do Pr. Lourenço Rega, pelo autor - gosto da pessoa dele (temos trabalhado juntos em alguns momentos na caminhada denominacional) e da forma como ele escreve - e pelos assuntos que aborda. Por isso, sinto-me à vontade para fazer alguns comentários sobre o texto "Necessitamos de um choque de gestão!".
1. 
Gostei do texto porque trata de assunto que julgo relevante para igrejas locais e instituições denominacionais e porque me levou à década de 80 quando David Mein, professor da matéria Realidade Denominacional no STBNB, nos colocava em contato com a liderança, ajudando-nos a compreender melhor o funcionamento da máquina batista;
2. 
Sobre as crises de gestão, para nossa reflexão destaco que também já as vimos em juntas missionárias em passado recente. A diferença entre as juntas missionárias e outras organizações, no meu distante e limitado ponto de vista, é que por uma distorção conceitual e política (inclusive já abordada por Lourenço) impregnada na cultura batista brasileira: 2.1. elas gozam de maior espaço quantitativo e qualitativo, na vida denominacional; 2.2. o aumento ou redução de suas receitas dependem prioritáriamente da manutenção de um bom discurso de sensibilização junto às igrejas, diferentemente das outras organizações; 2.3. contam com uma rede de arrecadação "paralela" ao Plano Cooperativo que lhes garante receita infinitamente maior do que a oriunda do Plano e mais eficiente do que o PC, tanto porque as igrejas enviam diretamente para elas, sem risco de retenção pelas Convenções Estaduais, quanto por, agora, já estarem recebendo também diretamente de membros das igrejas, eliminando também o "obstáculo" igreja local; 2.4. não ficam expostas à adimplência ou inadimplência de compradores de serviços ou produtos; 2.5. não têm concorrência, como é o caso da JMM ou tem concorrência pequena, como é o caso da JMN, cujos "concorrentes" são algumas convenções estaduais que também mantém missonários. Daí minha restrição à comparação do sucesso delas em face do insucesso de algumas outras instituições.

3. 
Em relação aos critérios para renovação dos conselhos/juntas (qualificação de conhecimento/experiência para atuar em cargos de liderança) ou político (representação regional), já expus por diversas vezes minha opinião sobre este assunto e, por já ter participado diversas vezes de Comissões de Renovação de juntas ou conselhos, em nivel estadual e nacional, inclusive como relator, defendo que um critério não anula o outro. Dispomos de pessoas qualificadas tecnicamente em todas as regiões do pais, portanto, podemos sim escolher bons técnicos e, ao mesmo tempo, manter o critério político da representação regional. O problema é que, sob alegação tecnicista e de redução de custos financeiros, vez por outra priorizamos "os mesmos", das "mesmas" regiões, dos "mesmos" círculos de relacionamentos de líderes estabelecidos. Nem mesmo o discurso da presença dos executivos regionais no conselho da CBB, (que a meu ver vem se confirmando ter sido um critério estritamente político, pois, por razões de "ética-corporativista", rarissimamente um executivo estadual se sente à vontade para emitir opinião "técnico-crítica" sobre o que é feito pelos colegas executivos nacionais), justifica a concentração de uma região e detrimento de outra, nos casos regidos pela renovação.

4. 
Em relação a atuação dos pastores como gestores, tem me incomodado a ideologia política deste argumento. A idéia é que priorizamos pastores em vez de administradores (não gosto da expressão gestores, ainda que ela seja a palavra da moda). 4.1. Cada pastor, além do pastoreio, manifesta força em pelo menos uma outra área. (Na verdade, o próprio conceito pastor merece aprofundamento em seu aspecto histórico). Geralmente somos pastores + evangelista, ou + músico, ou + educador, ou + escritor, ou + professor ou + conselheiro e assim por diante. Alguns, então, são pastores + administradores; 4.2. Também poderia citar nomes de "n" experiências mal sucedidas de administração na denominação produzidas por empresários + administrator, engenheiros + administrador, professores + administrador ou advogados + administrador, por exemplo; 4.3. Também poderia citar nomes de "n" experiências bem sucedidas de pastores + adminitrador, como é o caso do próprio Lourenço Rega que é pastor há décadas, e, apesar de eu não ter nenhum acesso a dados da Teológica de São Paulo, sua administração é tida como bem sucedida.

Analisar o sucesso ou insucesso de uma administração exige avaliar não somente as decisões tomadas pelos administradores, mas toda uma conjuntura histórico-social. Eu por exemplo, fiquei com um pé atrás ao final da última crise na Junta de Missões Nacionais e também do Seminário do Norte, simplesmente porque nunca foram disponibilizados indicadores do periodo anterior à chegada dos executivos demitidos para serem comparados com os de suas administrações e da administração posterior para identificarmos se o problema foi técnico ou político. Como conhecemos somente discursos, sem acesso a dados, corremos o risco de nos enganarmos e, pior ainda, elegermos a condição de pastor dos administradores demitidos para bater numa classe que já apanha tanto em seu dia-a-da. Nesses quase 28 anos de consagração ao pastorado, já fui também executivo denominacional e sei a diferença entre ter título de pastor e exercer a função pastoral.

Meu desejo, finalmente, é que esses comentários ajudem na reflexão de tão importante tema e que o Pr. Lourenço continue nos brindando com sua amizade, sua dedicação e suas relevantes reflexões.

domingo, 17 de julho de 2011

Os discursos e os dados: a semelhança entre gays e evangélicos*

A Folha de São Paulo publicou matéria, neste domingo 17 de julho, revelando a capacidade máxima dos três principais espaços da capital paulista onde eventos abertos reunindo multidões acontecem.

O texto mostra que tanto os organizadores da PARADA GAY, quanto os da MARCHA PARA JESUS superestimam os números. Os primeiros falam em 4 milhões de participantes; os segundos, em 5. A capacidade máxima, entretanto, do maior dos 3 espaços - a Avenida Paulista - seria de um milhão de pessoas (isso mantendo-se filas organizadas, com pessoas lado a lado, fato que geralmente não acontece).

Isso significa que gays e nós, evangélicos*, que já somos iguais na condição de pecadores, agora nos igualamos em mais este elemento: o do exagero nas informações como estratégia de marketing.

Por ter aprendido a não dar ouvidos a discursos, mas a avaliar dados, gosto de, automaticamente, sempre que possível, fazer contas, quando ouço pessoas empolgadas falando dos resultados do seu próprio trabalho.

Percebi que dentre nós, pastores, alguns evangelistas são os que mais exageram. O resultado de seus trabalhos, geralmente são "evangelásticos". Em segundo lugar ficam alguns pastores dirigentes de organizações que dependem mais de resultados  para aumentar recursos financeiros para suas atividades ou, quando a coisa está feia, para manter-se na função. Alguns pastores de igrejas locais, por dependerem mais de relacionamentos, tendem a exagerar menos nos números e fazem isso, geralmente, quando precisam de afirmação, em conversas com colegas sobre número de membros ou receitas financeiras.

Falando em números, há igrejas que não fazem recadastramento de membros não por amor às pessoas, mas para manutenção de status. Números impressionam, não importa a verdade, afinal, quantos se dispõem a confrontar discurso com realidade?

Gosto de números, apesar de já ter fugido da escola por causa de uma professora de matemática. Eles não são tudo, mas são uma importante ferramenta na avaliação de realidades; não dizem tudo, mas ajudam muito quando queremos analisar situações visando melhorá-las.

Compreendo a necessidade psicológica, política ou econômica que algumas vezes temos de sair da realidade para sobrevivermos a ela, porém, enfrentá-la como ela é, parece-me ser o mais indicado e também um bom indicador da nossa própria saúde e dos valores que abraçamos.

* Evangélico no sentido mercadológico e não teológico. Leia comentários  ...

Parte da matéria da Folha de São Paulo
"QUANTOS CABEM?


Paulista e Consolação


CÁLCULO DO DATAFOLHA
A área total inclui calçadas, canteiros, árvores e espaços como bancas de jornais
216 mil m2 x 7 pessoas/m2


1,5 milhão
é o número máximo de pessoas que cabem ao mesmo tempo nas duas vias, sendo 948,5 mil na av. Paulista e 563,5 mil na rua da Consolação


Isso equivale a:
19 estádios do Pacaembu lotados


17 vezes o público do show do U2 no estádio do Morumbi, em abril deste ano


3,7 vezes a população do centro da cidade


O QUE DIZEM OS ORGANIZADORES
Segundo a Parada Gay, o público do evento do dia 26 de junho foi de 4 milhões durante sete horas


Para caberem 4 milhões na Paulista e na Consolação, cada m2 teria que conter 18 pessoas


QUANTOS CABEM?


Campo de Bagatelle


CÁLCULO DO DATAFOLHA
164 mil m2 x 7 pessoas/m2


1,15 milhão
é o número máximo de pessoas que cabem ao mesmo tempo nesse espaço


O QUE DIZEM OS ORGANIZADORES
A Marcha para Jesus, no dia 24 de junho, anunciou que o total de participantes foi de 5 milhões


Para a estimativa dos organizadores estar certa, 30 pessoas teriam que ocupar 1 m2


outros jeitos de medir
PELOTÃO Veja como é a conta que considera a movimentação de pessoas aglomeradas na av. Paulista

1
A av. Paulista tem 47 m de uma calçada a outra. Uma fileira de lado a lado teria 85 pessoas

2
A cada 2 s, a fileira cruzaria um ponto fixo da avenida, andando, em média, a 1,8 km/h. Logo, 1.800 pelotões, ou 153 mil pessoas, passariam por ali a cada hora

3
Em sete horas, somente 1 milhão de pessoas passariam pela Paulista. Para 4 milhões, seriam necessárias 26 horas

DO ALTO Um helicóptero registra imagens aéreas para aferir se, durante o evento, a concentração de pessoas chega a seu índice máximo (seis) e mínimo (dois) por m2


PASSO A PASSO Até os anos 1980, PMs mediam a área com passos largos (cada um tinha cerca de 1 metro). Depois, multiplicava-se pelo número de pessoas por m2


LIXO Nos EUA, para medir o número de pessoas, fiscais de algumas cidades contam a quantidade de lixo produzida


RENOVAÇÃO Pesquisadores entrevistam a cada duas horas grupos diferentes. Se a pessoa estiver ali há menos de 2 h, representa um novo público e a conta final sobe


QUANTOS CABEM?
Anhangabaú


CÁLCULO DO DATAFOLHA

54,2 mil m2 x 7 pessoas/m2
379,4 mil
é o número máximo de pessoas que cabem ao mesmo tempo nesse espaço


multidões históricas
As estimativas que foram refeitas pelo Datafolha

DIRETAS-JÁ - ABRIL DE 1984  

Local: vale do Anhangabaú
Público estimado por organizadores:
1 milhão
Cálculo do Datafolha:
400 mil

CARAS PINTADAS - SETEMBRO DE 1992  

Local: vale do Anhangabaú
Público estimado pelos organizadores:
1 milhão
Cálculo do Datafolha:
70 mil

Outro lado
A organização da Parada Gay afirma que está fazendo um estudo de público sobre o evento de junho, mas que ele ainda não foi concluído. Os números levam em conta a rotatividade e a quantidade de pessoas nas imediações da av. Paulista, segundo os organizadores.

"Nos inspiramos nos cálculos feitos pelo 'Guinness', com a estimativa de público em diferentes momentos da Parada", explica Leandro Rodrigues, assessor do evento. A Igreja Renascer, que organiza a Marcha para Jesus, usa critérios semelhantes, mas admite que não dispõe de base científica.


A exemplo da Parada Gay, afirma que o público é grande por causa da alta movimentação de gente em suas nove horas de duração. A igreja diz que ruas próximas ao palco da pça. Campo de Bagatelle também são ocupadas.
"
Fonte: Folha de São Paulo, de 17.07.2011