Mostrando postagens com marcador Dízimo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dízimo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

100% fiéis para abençoar vidas


Cada pessoa, ao tornar-se membro de nossa igreja, comprometeu-se a ser fiel especialmente em três áreas: 1) no testemunho de amor; 2) na freqüência aos cultos; 3) no sustento financeiro.

Testemunho de amor, porque o amor é a evidência da nova vida em Cristo. (I João 3.14).

Freqüência aos cultos, pois, além da fé cristã ser comunitária, é a partir do culto que desenvolvemos a visão ministerial e fortalecemos a comunhão. (At. 2.46; Heb. 10.25).

Sustento financeiro, pois dependemos dele para cumprir com todos os compromissos de manutenção ministerial e institucional. (II cor. 8.1-5; 9.7).

Gostaria, de enfatizar o terceiro compromisso, pois entramos numa nova etapa de revitalização patrimonial, cuja conclusão depende da fidelidade de cada membro. Se cada um for fiel na devolução do dízimo e generoso na dedicação de ofertas, as obras ficarão prontas em tempo recorde e muitas vidas serão abençoadas.

As rampas de acesso, a melhoria nos pisos de circulação, a ampliação e reorganização do estacionamento e da praça do auditório, a biblioteca, o salão de lazer e a quadra esportiva beneficiarão pessoas de todas as faixas etárias. 

Visualizamos os benefícios diretos de cada um desses espaços especialmente nas áreas de atuação social, comunhão, ensino e proclamação e indireto em todas as áreas ministeriais da Igreja.

O relacionamento dos membros se aprofundará e poderemos oferecer novas modalidades de serviços comunitários através do Cecom, como por exemplo, nas áreas de educação física, desenvolvimento social e cultural.

O que esperamos de todos que fazem a Igreja? Primeiro, que todos cumpram o compromisso de devolverem fielmente seus dízimos nestes próximos meses. Depois, que haja generosidade de todos no sentido de participarem com ofertas avulsas. Se todos nos engajarmos, as obras serão concluídas rapidamente e nos alegraremos com seus benefícios.

Todas as pessoas que passam por uma experiência com Jesus Cristo sentem desejo de serem participantes do sustento financeiro das causas de Deus. Até mesmo pessoas que ainda não se comprometeram, reconhecem o valor do trabalho feito pela igreja e sabem da importância e necessidade de contribuírem financeiramente. Especialmente quando a administração financeira é democrática, transparente e austera.

Participar é motivo de alegria, como disse Jesus: “mais bem-aventurado é dar do que receber” (At. 20.35). Não acredito, portanto, que uma pessoa que se beneficia daquilo que a vida em igreja proporciona, sente-se feliz em receber, receber, receber e não contribuir para o sustento. Quem não contribui por impossibilidade geralmente carrega dentro de si um sentimento de tristeza. Quem não o faz por amargura é portador de sentimento que não combina com a alegria que o Espírito de Deus produz.

Portanto, convidamos a todos a se envolverem neste momento especial vivido por nossa igreja. Tenho certeza de que muita alegria resultará de nossa participação!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Fidelidade na área financeira


7 razões que me levam a falar sobre dinheiro à igreja
 

Falar sobre dinheiro à igreja, no Brasil, é uma situação constrangedora, por duas razões: primeiro, pela cultura católica, depois, pela prática pós-pentecostal.

A cultura católica dificulta porque até pouco mais de 100 anos a ICAR era a religião oficial no país e, por isso, tinha suas atividades mantidas com os impostos de todos os brasileiros, inclusive dos não católicos. Mesmo hoje, por ter sido favorecida por posse de terra, ela se beneficia de laudêmios, juntamente com a Marinha e a família imperial brasileira e de dinheiro público a título, por exemplo, de preservação de patrimônio cultural. Como os católicos não tiveram a necessidade de sustentar, diretamente, as atividades de sua igreja, acham estranho o levantamento de recursos nos cultos.

Pelo lado pós-pentecostal, o surgimento de igrejas com perfil de empreendimentos financeiros criou uma geração de dirigentes religiosos despreocupados com a ética, que comercializam a fé, fazem propaganda enganosa e se aproveitam do desespero humano, como fazia a ICAR no século XVI, por ocasião do protesto de Lutero. Alguns apresentadores de programas religiosos são tão despudorados que, sabendo da ingenuidade ou desespero das pessoas, pedem até sob a justificativa de que “o programa custa caro”.

Apesar disso, falar sobre dinheiro à igreja pra mim não é problema, pelas razões que enumero a seguir:
1.       Consciência de causa – Acredito na importância das bandeiras levantadas em favor da comunhão do ser humano com Deus, consigo próprio, com os semelhantes e com o meio ambiente onde a vida se desenvolve. Acredito, ainda, que a causa é divina e, portanto, as razões para falar (e contribuir) são espirituais. Se as igrejas arriarem essas bandeiras, as pedras clamarão, pois a natureza e motivação da maioria das instituições sociais seguem noutra direção;

2.       Consciência da necessidade – É óbvio que, seja pela manutenção da sede onde a igreja se reúne ou das atividades desenvolvidas, a sobrevivência sem recursos financeiros é impossível no modelo social do qual fazemos parte. Podemos contribuir de diversas outras maneiras, mas o financeiro é institucionalmente imprescindível;

3.       Consciência do ensino da Palavra – Seja sob pressupostos do chamado primeiro (velho) testamento, seja sob os do segundo (novo), o chamado à responsabilidade dos crentes para o sustento das coisas do Reino de Deus é uma realidade indiscutível. Pode-se discutir modelo, motivação, detalhes, mas a essência das palavras se mantém;

4.       Consciência da democracia – A igreja não pertence a uma pessoa ou um grupo, mas é comunitária. Isso faz com que suas finanças sejam geridas de acordo com diretrizes aprovadas pela assembléia de membros, proporcionando tranqüilidade na abordagem de assuntos financeiros;

5.       Consciência da transparência – Saber que, além das diretrizes orçamentárias, os membros elegem periodicamente, dentre seus pares, os administradores, tesoureiros, Conselho Fiscal e têm acesso a relatórios contabilizados na forma da lei, nos estimula a falar em dinheiro com o coração em paz;

6.       Consciência da austeridade – As divergências em torno de rigor, visão e forma de aplicação do que seja austeridade não anula o fato de que há uma preocupação latente e explicita com o uso dos recursos naquilo que efetivamente colabora para o cumprimento das finalidades institucionais;

7.       Consciência de que todos podem contribuir – Falo com a experiência de quem foi criado em situação financeira precária, mas aprendeu com o exemplo dos pais que ninguém é tão empobrecido que não possa ofertar uma moeda. Sentir-se participante, mesmo que aos olhos humanos pareça apenas um “acionista minoritário”, eleva a auto-estima de qualquer pessoa que acredita na causa em pauta.

Diante disso, falarei em dinheiro sempre que necessário, pedindo a Deus que nos ajude a nos mantermos coerentes e a sermos cooperadores financeiros regulares, sabendo que, como diria Paulo, nosso esforço não é vão no Senhor.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sarney, Malafaia, dinheiro, corrupção e fé

Ao assistir o vídeo que segue, no qual um senhor por nome Morris Cerullo, faz promessas de prosperidade financeira, no programa de Silas Malafaia, fiquei pensando:

por um lado

temos o Senado Federal liderado por gente envolvida até o pescoço por denúncias de corrupção. Segundo a folha, 27 dos 81 senadores estão sendo processados judicialmente, não incluidos nesse cálculo, lítigios pessoais ou movidos por adversários políticos. Para piorar, as acusações feitas contra o atual presidente José Sarney foram engavetadas pelo relator do Conselho de Ética daquela casa (transformada em covil, conforme palavra usada por Jesus).
(Os homens, da esquerda pra direita são: Dácio Vieira, juiz, José Sarney, acusado de corrupção, Agaciel Maia, ex-diretor do Senando, demitido por envolvimento em corrupção e Renan Calheiros, ex-presidente demitido por acusações de corrupção. Detalhe: o referido juiz - ex-consultor jurídio do Senando - proibiu o Estadão de divulgar as bandalheiras que estão acontecendo no Senado)

Por outro lado

temos o pós-pentecostalismo dominando a mídia, assumindo o rosto "evangélico" e girando em torno do mesmo "deus" - como pode ser visto no vídeo abaixo - que causa a corrupção no senado: o dinheiro.






Para onde iremos nós?
Sabemos que só existem comerciantes da fé porque há consumidores da fé. Se a fé é transformada em negócio é porque há um nicho de mercado formado por aqueles que estão atrás da religião não por causa de Deus, mas por causa do "deus mamom" ou "deus riquezas".
Da mesma forma, sabemos que existe o mundo da corrupção porque existem corruptores e corrompidos, cujas vidas também giram em torno do "deus mamom" ou "deus riquezas".
Pergunto:
que diferença faz a minha fé e a sua neste contexto?
Em que a instituição religiosa da qual faço parte é diferente quando o assunto é dinheiro?
A política interna ou a administração dos recursos das instituições religiosas das quais participo favorecem a corrupção?
E a mensagem que anunciamos favorece o mundo da corrupção ou ajuda a destruí-lo?

sábado, 1 de agosto de 2009

Adminitração, Missões e Teologia (2009)

Percebo um fenômeno curioso no coração de alguns líderes denominacionais: um discurso de amor incondicional por missões. Ocorre, entretanto, que o referido amor veiculado nesses discursos parece-me, em alguns casos, idêntico ao de adolescentes no auge da ebulição hormonal: destituído de reflexão.

Nos amores da adolescência, o que importava era estar ao lado da pessoa amada, trocando beijos e abraços, fazendo juras de amor e sonhando com um futuro “numa ilha de fantasias”. Não era o momento para considerações sobre implicações econômicas do casamento, orçamento familiar, filosofia de educação dos filhos, escala de valores e prioridades, divisão do tempo com outras necessidades individuais e conjugais, enfrentamento de adversidades físicas, emocionais, relacionais, enfim, não havia lugar para o mundo real.

Quando ouço alguém falar que dinheiro de missões é intocável, penso duas coisas: ou a pessoa está jogando pra platéia, usando aquelas frases de efeito que disparam instintivos améns quase unânimes ou demonstra ignorância a respeito da inter-relação existente entre diversos elementos no desenvolvimento da missão da igreja. Não me refiro ao desvio de finalidade de ofertas designadas. Falo da incapacidade de enxergarem que as convenções serão ineficientes e ineficazes em seus propósitos se não valorizarem, inclusive financeiramente, os aspectos da formação teológica e de administração de seus líderes.

Penso ser importante deixar claro que missões, no sentido usado entre nós batistas, faz parte da missão, mas missões, nem é nossa única missão, nem pode existir isolada da administração e da teologia.

Sou um admirador do Pr. Fernando Brandão. Louvo a Deus por sua chegada à direção da Junta de Missões Nacionais e, observando elementos que conheço para “ouvir clinicamente” uma pessoa, não percebi até agora evidências de que não se trate de pessoa sincera e honesta. Dos lábios dele tenho ouvido uma expressão, referente à saúde financeira de Missões Nacionais, que, para não ser distorcida, merece reflexão: “Não é coisa de administração nem gestão humana, é de Deus”.

Compreendo seu espírito humilde, "joãobatistiano" do "convém que ele cresça...", mas é inegável que Deus está usando sua experiência e conhecimentos em gestão financeira, bem como sua ética, amor ao Reino e carisma, no processo de recuperação da saúde de Missões Nacionais. Se assim não fosse, não precisaríamos incluir qualidades de administrador dentre os critérios de seleção de nossos dirigentes. Bastaria descobrir quanto tempo eles passam orando e lendo a Bíblia. Mas todos sabemos que não é assim.

Ao fazer essa consideração, meu objetivo é esclarecer que administração, definida na linguagem religiosa paulina como dom, não é algo menos espiritual ou necessário do que "amor por missões". Muito menos, reconhecer a participação humana no sucesso da missão, falta de honra a Deus. Afinal, não somos seus cooperadores? Assim, vejo como equívoco comum em nossas igrejas, o discurso de que administração não faz parte da espiritualidade cristã. Não por acaso, o principal motivo de queda de pastores não são desvios éticos ou doutrinários, mas esgotamento administrativo.

A administração é a estrada sobre a qual a missão da igreja viaja e a teologia, seu combustível. Se enfatizarmos missões e nos descuidarmos da administração e da teologia, o cumprimento da missão "desacelera". Quando, por exemplo, declaramos a ação de Deus em nossos empreendimentos, estamos fazendo uma afirmação teológica, portanto, passível de análise. É a ausência de estímulo à reflexão teológica uma das principais causas do surgimento de líderes nocivos à saúde da igreja e da sociedade e a principal causa dos membros de nossas igrejas serem presas fáceis de seus discursos biblicamente diabólicos, como na tentação de Jesus.

Lamentavelmente missões parece estar para os batistas, assim como o futebol para os brasileiros. O investimento previsto para hospedar a Copa do Mundo de 2014 é 230% maior (ou numa linguagem mais correta, duas vezes mais 30% superior) do que o orçamento anual de educação do país. Se compararmos nossos investimentos em missões com os em educação encontraremos proporção semelhante ou ainda pior.

Da mesma forma, se compararmos o "amor" que manifestamos por missões (não com a missão) com o que manifestamos pela administração das organizações batistas, o resultado será o mesmo. Estamos tão neurótica e medievalmente condicionados a livrar indivíduos de um inferno futuro que não percebemos o "inferno" que muitas igrejas vivem por ineficiência administrativa ou influencia de teologias construídas nos e não de joelhos.

Todos ficamos encantados com os momentos devocionais das assembléias da CBB. Duas coisas, porém me preocupam: a primeira, é que a supervalorização de tais momentos pode indicar a pobreza deles no cotidiano de nossas igrejas. A carência pode ser tal que precisamos encontrar alguma fonte para suprí-la. Assim, acreditamos que o que nos falta o ano todo em nossas igrejas deve ser suprido em doses cavalares durante uma assembléia.

A segunda é com a negação da importância das sessões administrativas. Já fui, por oito anos, executivo de instituição denominacional. Sei o quanto se sofre durante os dias das assembléias por termos que ouvir alguns discursos destituídos de fundamentos sólidos a respeito do trabalho que desenvolvemos. Mas não podemos, por isso, desestimular a participação democrática daqueles que representam os interesses das igrejas locais, que são a razão de ser da existência das convenções batistas.

Fui a Brasília com o pensamento focado na defesa de dois temas. Um deles, decidi aguardar mais este ano e, a depender de como as coisas caminharem, levantarei na próxima assembléia. Durante toda a assembléia fiz uso do microfone três vezes. Duas em defesa da criação da Câmara de Ação Social (um dos meus temas-foco) que foi aprovada. O outro uso do microfone, foi em favor dos direitos de participação nos conselhos da CBB, dos membros das igrejas fiéis ao Plano Cooperativo, oriundos de convenções estaduais cujos administradores retiveram indevidamente o repasse do Plano Cooperativo nacional. Sobre isso escreverei oportunamente.

Pois bem, reconheço que há oradores que alugam os microfones e cujas intervenções nos debates, tanto em quantidade quanto em qualidade, seriam dispensáveis. Devemos cuidar, entretanto, de não usar isso para inibir aqueles que têm somente aquele espaço para fiscalizar as instituições financiadas por suas igrejas e se calam por receio de serem estigmatizados como falastrões. Diga-se de passagem, alguns não falam nas assembléias, mas manifestam suas insatisfações, inclusive retendo o Plano Cooperativo ou não enfatizando ofertas especiais.

Todos sabemos o pensamento que diz que, se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. Portanto, é, também, visando evitar brechas para corrupção, malversação dos recursos financeiros enviados mensalmente às convenções, bem como garantir a finalidade da nossa "filiação" que devemos estimular a participação consciente de cada representante das igrejas nas sessões administrativas das assembléias.

Penso que estamos num momento crucial em relação aos investimentos que as convenções estaduais e nacionais fazem com o dinheiro dos dízimos, devolvidos até com sacrifício às igrejas. Chegou a hora de aprofundarmos a administração da coisa batista, a partir de dados objetivos, transparentes, sem receios ou amarguras, amando não só missões, mas também a educação e a administração, a fim de cumprirmos nossa missão integral, ajudando o ser humano em todas as dimensões de sua vida, a partir da comunhão com Deus.

Dinheiro ou deus (2008)

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.24)

Não vivemos sem dinheiro. Quem não o tem, depende de quem tem. Jesus, por exemplo, não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.20), por isso dependia, dentre outros, de “Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens” (Lc 8.3), e tinha um auxiliar, responsável pela bolsa de ofertas (Jo 12.6).

O dinheiro move o mundo. Todos dependemos dele, por isso ele nos fascina. Porque nos fascina, cremos que fascina também a Deus. Daí alguns tentarem conquistar o criador com dízimos e ofertas e algumas igrejas enriquecerem manipulando aqueles que acreditam que Deus se deixa manipular.

Uma das evidências de que o dinheiro é deus de alguns, é sua utilização como meio de pressionar pessoas a fazerem o eles que desejam. Isso funciona por haver quem tema a existência sem dinheiro, quando deveriam temer a vida sem Deus (Mt 10.28).

A causa da idolatria do dinheiro está na falta de conversão. “Zaqueu, porém, levantando-se, disse ao Senhor: Eis aqui, Senhor, dou aos pobres metade dos meus bens; e se em alguma coisa tenho defraudado alguém, eu lho restituo quadruplicado.” (Lc 19.8). Quando Deus ocupa o coração, o dinheiro ocupa apenas o bolso.

Quer saber quem é o deus de alguns membros da igreja? Verifique a lista de contribuições financeiras. A ausência de alguns é fruto muito mais de pobreza espiritual do que econômica. A causa é a inversão de prioridade, incredulidade ou infidelidade, muito mais do que pobreza.

Comparando a atitude dos fariseus com a de uma viúva, na dedicação de dízimos Jesus disse: “todos deram daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu tudo o que tinha, mesmo todo o seu sustento.” (Mc 6.44). O que ele diria daqueles que sequer dão das sobras?

Não há incompatibilidade entre Deus e o dinheiro. O problema está na natureza da relação que mantemos com ambos. Dinheiro é pra ser usado e não pra ser servido. Servir, somente a Deus.

Mexendo com seu boldo (2004)

Quando você entra num templo ou numa sala de um mall, onde pessoas se reúnem para fins religiosos, seja para meditação espiritual, cerimônia fúnebre, casamento, formatura ou mesmo uma celebração cotidiana – culto, missa ou sei lá o que - tenha certeza absoluta de que, para que aquele espaço estivesse à sua disposição, alguém tirou dinheiro do bolso e investiu ali; alguém pagou a aquisição ou o aluguel, sua limpeza e conservação, energia elétrica, água, etc. etc. etc. E mais: pagou não somente as despesas patrimoniais, mas também as organizacionais. Tempo e conhecimento foram investidos para que as coisas acontecessem. Quanto maior for a exigência de tempo e conhecimento dos organizadores, maiores são os investimentos. Portanto, afirmar que a entrada é gratuita, sempre é relativo. Pode ser gratuita para o convidado, mas alguém pagou as despesas.

Há muito trabalho voluntário nas instituições religiosas, verdadeiras manifestações de amor daqueles que acreditam na importância do que realizam, mas há, também, trabalhos que exigem tamanha dedicação de tempo, conhecimento e ação específicos que, sem investir em algúem para fazê-lo, não aconteceria. Assim, a diferença entre o trabalho religioso voluntário e o remunerado, não está no amor de quem o faz, mas nas exigências de tempo requeridas. Portanto, gostando ou não, também as atividades religiosas têm um custo financeiro. Se nada se faz sem dinheiro, em qualquer lugar do planeta, que diremos em sociedades capitalistas nas quais “time” - e tudo mais – “is money”?

Nós brasileiros não aprendemos a contribuir generosa e regularmente para igrejas porque nossa cultura religiosa não é democrática. O sistema de governo da religião dominante no Brasil excluiu, durante séculos, a participação decisória dos fiéis a ela agregados. Suas decisões, tomadas de cima para baixo, e suas finanças administradas sem participação comunitária, criaram uma religiosidade paternalista na qual as pessoas se acostumaram a usufruir dos serviços, sem tomar conhecimento do custo e origem dos recursos. Essa ausência de participação nas instäncias administrativas, gerou religiosos depreocupados e, pior, contrários até, ao levantamento de sustento, comum à cultura das igrejas evangélicas. (Durante séculos, essa religião dominante beneficiou-se, legal mas incorretamente, da condição de “Igreja Oficial”, mantendo-se, também, com dinheiro de cidadãos protestantes, de outras religiões ou sem religião, sob o nome de dinheiro público).

O triste é que, na contramão e negando a história, cresce o número de igrejas com a marca indevida de “Evangélica” que excluem os fiéis da administração financeira, deixando todo o dinheiro nas mãos do pastor, bispo, apóstolo, vice-deus... Isso ocorre, em parte, porque há pessoas que devolvem seus dízimos ou dão suas ofertas, mas preferem não tomar conhecimento de como são aplicados, deixando isso por conta da “igreja”. A questão é: quem é essa “igreja”? Aqui entra, outra vez, um problema da cultura religiosa brasileira. Nela, a palavra igreja é associada a templo ou uma cúpula. Originalmente, porém, igreja é povo e não templo ou cúpula. Portanto, sua administração deve ser, democratica, como têm feito, ao longo de séculos, igrejas batistas, presbiterianas ou congregacionais, por exemplo.

Os líderes das igrejas deveriam ser os maiores interessados na administração transparente e democrática das finanças, primeiro, porque isso reflete melhor a concepção bíblico-teológica do sacerdócio individual do cristão e, depois, porque é um meio de protegerem-se de qualquer difamação,afinal, onde as coisas não são claras, a fumaça pode intoxicar.

Ninguém deve financiar uma instituição religiosa movido por chantagem, medo de penalidades espirituais ou como investimento particular à espera de retorno. Nem deve pensar que todas as igrejas agem como empresa visando lucro financeiro. Ainda há muitas igrejas que não se contaminaram com a paranóia do ter; ainda há pessoas que cultivam o altruismo e o senso de coletividade.

Não deixe de participar de uma igreja se estiver em crise financeira. Pastores que nos olham com um cifrão nos olhos são exceção. Lembre-se de que o melhor investimento é o que fazemos na vida espiritual, pois, como disse Jesus, “ a traça e a ferrugem não destroem e os ladrões não arrombam nem furtam” (Mt. 6.19-21). Seus efeitos, portanto, são eternos!

Vale lembrar, pra terminar, que, nos Estados Unidos, dinheiro dado às igrejas pode ser descontado na declaração de Impostos. Sendo assim, no início do ano, exerça seu direito de solicitar à Instituição para a qual fez doações, uma declaração do total contribuído, para apresentar ao “leão” norte-americano.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Quando o muito não é o melhor (2004)

“Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuia para viver” (Mc. 12.43-44)

No sistema de valores do Reino de Deus, muito não é sinônimo de melhor. O exemplo mais claro disso é o da comparação feita por Jesus entre a oferta da viuva pobre e a dos fariseus. Ao observar que eles davam muito e ela quase nada, Jesus destacou que ela dava mais do que eles. Usando o sistema da proporcionalidade, ele esclareceu que enquanto eles davam das sobras, ela dava tudo que possuia.

O muito deles era suficiente para alcançar seus objetivos: serem vistos pelos homens. E como a maioria olha o que aparenta – o valor dado – e não o que representa – o esforço despreendido -, eles passavam a vida toda sendo elogiados pelas grandes ofertas que, na verdade, não representavam qualquer esforço, pois, para eles, eram tão somente sobras.

O pouco dela não era valorizado pelas pessoas, afinal, o que poderia ser comprado com o que ela dava? E se ela tinha tão pouco, nem mesmo interessava ser amigo dela afinal, “pobre é odiado até pelo seu vizinho; mas os amigos dos ricos são muitos” (Pv. 14.20). Com tão pouco ela não tinha prestígio e muito menos poder comunitário.

Imagino, portanto, que ao contribuir ela o fazia sem chamar atenção e, colocada a oferta no gasofilácio, recolhia-se a sua insignificância social. Os fariseus, provavelmente, não. Tiravam todo o proveito que a oportunidade de estar diante da plateia lhes proporcionava. Esse comportamento era tão comum entre eles que merecia destaque nas críticas de Jesus.

Apesar de usar o raciocinio matemático, penso que Jesus não estava pensando matematicamente, ao fazer a comparação. Na verdade ele quiz chamar a atenção dos discípulos para o esforço de cada um.

Os fariseus não faziam esforço porque seus propósitos não eram o engrandecimento do Reino. Eles não visualizavam as necessidades da imensa população que precisava ser alcançada pelo amor de Deus. Seus objetivos eram, tão somente, ser vistos pelos homens. O valor dedicado era calculado na proporção exata, necessária ao cumprimento dessa meta. Alcançada a meta, findavam-se as preocupações.

A viuva, provavelmente, não. Talvez ela enxergasse as necessidades do Reino, não as suas próprias, e as multidões que seriam alcançadas com sua cooperação. E, movida por esse sentimento, dar tudo o que possuia, pensava ela, era o mínimo que podia fazer, pois as necessidades da causa sempre são maiores do que a disponibilidade de recursos financeiros.

A virtude, portanto, aprendemos na história, não está no dar pouco ou muito, mas na visão que se tem e no esforço que se faz ao cooperar. Esse princípio pode ser aplicado não somente a valores financeiros, mas também ao tempo que investimos, às funções que ocupamos e às atividades que desenvolvemos na igreja. O muito, pode não ter valor algum se as motivações não forem apropriadas, simplesmente porque nem sempre muito é sinônimo de melhor.

Refletindo sobre a cooperação batista (2001)

A cooperação batista tem sido objeto de crescente reflexão em nosso meio por dois motivos principais: a infidelidade de algumas igrejas e convenções estaduais, em relação ao Plano Cooperativo e as divergências conceituais ou sentimentais que levam líderes do pensamento (ou do "bolso") dominante a apontarem a exclusão como solução de conflitos. Diante disso, coloco para reflexão o tipo de cooperação que almejamos por representar, provavelmente, o desejo de uma parcela significativa de batistas.

Almejamos uma cooperação que seja fruto de reflexão profunda e serena. Igrejas e Convenções Estaduais cometem equívoco quando reduzem ou suspendem o Plano Cooperativo em momentos de crise. Convenções que, na crise financeira, preferem o caminho da redução do Plano Cooperativo, em vez de aplicarem a austeridade, o enxugamento da máquina ou outro tipo de ação, ensinam suas igrejas, pelo exemplo, a fazerem o mesmo em situação semelhante; da mesma forma, igrejas que retém o Plano Cooperativo, por crise financeira ou porque seu ponto de vista não prevalece na Convenção, ensinam seus membros a fazerem o mesmo com o dízimo. Dízimo e Plano Cooperativo são fruto do mesmo princípio, o da cooperação.

Almejamos uma cooperação que signifique parceria. Ser parceiro é um ato espontâneo e consciente e não resultado de uma imposição. Uma parceria só é bem sucedida quando as partes envolvidas buscam fortalecer o que lhes é comum e a administrar as diferenças através do diálogo, da negociação ética e da transigência. O foco da parceria deve estar nos elementos que unem e não nos que separam. Uma parceria não será bem sucedida se os anseios das minorias não forem tratados com respeito e, muito menos, se alguns sempre quiserem impor seus pontos-de-vista em detrimento dos anseios dos parceiros. Há quem se sinta realizado quando, pela via da articulação política sectarista, consegue fazer prevalecer seus desejos em votações plenárias. Onde prevalece o sentimento de vitorioso e derrotado não há parceiros mas, adversários.

Almejamos uma cooperação em torno de princípios gerais. Os princípios são essenciais para uma convivência cooperativa. São eles que devem nortear a parceria das igrejas numa convenção e servir de parâmetro para a permanência ou não de uma igreja no rol convencional. Segundo Justos, (história de los bautistas...) há certo consenso em torno dos seguintes princípios:............... Leia as atas que registraram a aprovação da última Declaração Doutrinária da CBB e verá que há pontos que foram aprovados pelo voto de "metade mais um" dos presentes. Alguém acredita que a "metade menos um" mudou suas crenças por causa do resultado da votação? É claro que não. Por isso não podemos condicionar fidelidade a conceitos que prevaleceram por uma votação política, num determinado contexto histórico. Se assim fizermos, transformaremos nossas assembléias em tribunal de inquisição quando seu objetivo deve ser o de avaliar e encontrar caminhos mais eficazes em prol do crescimento do Reino.

Almejamos uma cooperação objetiva, austera e transparente. Uma cooperação em que os recursos financeiros sejam usados em projetos que representam as necessidades do povo e não o desejo isolado dos líderes. E, parece, o povo batista está querendo projetos de evangelização voltados não apenas para a perspectiva escatológica da fé, mas também para uma cidadania cristã engajada, baseada numa educação com bases bíblicas sólidas. O que menos se quer é articulações maquiavélicas de bastidores e corredores para fazer prevalecer projetos individualistas, em detrimento dos anseios coletivos.

Almejamos a cooperação por acreditar que é na caminhada solidária que podemos sonhar com o Reino de Deus se tornando visível na vida da humanidade, no ambiente onde ela se desenvolve e nas estruturas por ela criadas.

domingo, 10 de maio de 2009

O dízimo

Já dei dízimo por imitação, medo e obrigação. Depois aprendi a fazê-lo por experiência de graça e consciência de causa.

Por imitação, porque cresci vendo meu pai, a despeito do curto salário, sendo fiel na devolução do dízimo; por medo, pois num determinado momento da vida o argumento introjetado em minha mente era que, se não o devolvesse, seria privado da graça de Deus; por obrigação, porque membros da Igreja têm o dever, inclusive estatutário, de sustentar a igreja da qual são parte.

Porém, a melhor das minhas fases de dizimista é a que vivo hoje: a de dar por experiência de graça e consciência de causa. Essa fase é fruto de dois fatores: primeiro, a compreensão da história do dízimo e segundo, a compreensão e engajamento em causas divinas.

Em relação à primeira, descobri que o dízimo não foi criação da Bíblia. Era prática antes mesmo do surgimento do povo judeu. Abraão, que segundo Paulo aparece no cenário histórico 468 anos antes do estabelecimento da lei de Moisés e, portanto da estruturação jurídica da nação judaica, deu o dízimo. Ele o fez num tempo de graça e porque assim se fazia entre os do seu tempo.

Descobri ainda que, no caso de Israel, ele foi criado para sustentar a tribo de Levi. A tribo de Levi era a tribo de Moisés. Essa tribo administrava os interesses do povo judeu. Como Israel se estruturou em bases religiosas, os familiares de Moisés cuidavam dos cerimoniais do templo, além do direito, da saúde pública, da educação, enfim. Então, a fim de que pudesse se dedicar a isso, a tribo de Levi era remunerada pelos membros das demais onze tribos, através do dízimo de tudo o que eles produziam. E, logicamente, tudo isso foi construído usando-se a linguagem religiosa.

Com o advento do cristianismo, uma religião que, em vez de tribal era global, as razões históricas do dízimo perderam o significado. Restou o conhecimento de que Jesus não era contrário à prática do dízimo para as finalidades para os quais ele fora criado e os registros em textos da época, canônicos ou não, de como a igreja-povo procedia para manter-se e alcançar seus objetivos.

Em relação à segunda - compreensão e engajamento em causas divinas -, à medida que fui aprofundando a compreensão da finalidade da existência da igreja, das causas por ela defendidas, da compatibilidade de tais causas com o caráter de Jesus, da possibilidade democrática de administração das coisas da Igreja de tal forma que os recursos fossem investidos em causas realmente divinas, passei a faze-lo com o coração livre e feliz.

Desde que cresci na compreensão da doutrina e de doutrina, deixei de me preocupar com versículos bíblicos para sustentar tal prática e passei a contribuir pelo prazer de ser um cooperador em causas divinas.

Reconheço que nem sempre o dinheiro do dizimo é usado da forma que deveria, segundo meu ponto de vista. Porém, também aprendi a conviver com o jogo democrático das igrejas batistas. Assim, em vez de colocar a bola debaixo do braço quando o jogo não acontece do meu jeito, optei por participar ativamente, apresentando minha compreensão das coisas e ouvindo a compreensão dos outros, na tentativa de fazer prevalecer um uso do dinheiro que represente compromisso sólido com os valores do Reino de Deus.

Por ser um jogo democrático, vez por outra aparece alguém que burla ou tentar burlar as regras. Isso porém não deve invalidar o jogo que, em geral, é benéfico. Corrijam-se as distorções e continue-se a dizimar, digo, a jogar. Afinal, investimentos em coisas ruins não faltam neste planeta. Por que não investir em causas divinas?