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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sistema Único de Saúde - 17.07.12 - 86/100 dias de oração pelo Brasil

Não sou especialista em sistema de saúde, nem me detive em estudar o assunto. O que direi a seguir é fruto de observação de caso e diálogo com usuários. Abro espaço, então, para que se sintam ainda mais à vontade para criticar e fazer ajustes ou reparos no que colocarei.

O sistema de saúde dos Estados Unidos tem estado no centro das discussões políticas daquele pais há anos. Uma de suas marcas é a não existência de hospitais públicos gratuitos (da mesma forma que não existe universidade pública gratuita). Em princípio, todos pagam pelos serviços utilizados. Para alguem não desembolsar pelo pagamento de serviços recebidos nos hospitais, é preciso que comprove sua incapacidade de pagamento
de acordo com requisitos legais, mediante documentação e entrevistas concedidas a assistentes sociais .

A filha de um casal amigo passou mal e  foi levada ao hospital municipal de Broward, no sul da Flórida. Passou 2 ou 3 dias sob exames rigorosos. Ao final constatou-se que era um rotavirus. Após receber alta, as contas começaram a surgir. Cada médico, laboratórios, enfim, que participou do processo enviou sua fatura que, somadas, ficaram em torno de 9 mil dólares. O pai foi atendido pela assistente social e, por não atender os requisitos legais, teria que pagar. Poderia negociar a quantidade de parcelas para quitar as dívidas com cada credor (médicos, laboratórios, enfim), mas teria que pagar.

Detalhe: ninguém deixa de ser atendido. Se alguém chega enfermo, primeiro vem o atendimento, depois se fala em pagamento. Se não pagar, o sistema judiciário é mais ágil e as leis duras com o devedor.

O modelo dinamarquês, por exemplo, tem suas diferenças. Há saúde pública e gratuita. Os impostos no país giram em torno de 50%, mas o atendimento é de qualidade.

Tenho algumas informações desses dois paises porque tenho filhos morando em ambos (e já morei por pouco tempo no primeiro). O que há em comum entre o modelo norte-americano e o dinamarquez é que, em geral, a pessoa é atendida com respeito nos hospitais, especialmente se compararmos com o que vemos nas portas de hospitais públicos no Brasil. Talvez seja esse nosso principal diferencial negativo em relação aos paises citados, em que pese as diferenças na economia.

Temos o SUS. Há, portanto, um sistema montado. Deduzimos que dinheiro parece não ser o nosso problema. As notícias de superfaturamentos, corrupção e até mesmo de recursos devolvidos a órgãos federais por não terem sido utilizados indicam que o problema não é, primeiramente, a falta de dinheiro. Também não acredito que a incompetência técnico-adminitrativa seja o maior problema. Acredito que o desrespeito ao próximo, manifesto de diversas maneiras, inclusive na forma como se trata o dinheiro, a coisa público, é o eixo central do nosso problema. Quando existe respeito, existe boa vontade, disposição para superar-se obstáculos.

Faz parte, porém, de nossa cultura, a burrice (com todo respeito aos burros) de tratar as pessoas não somente pelo que têm, mas, pior, pelo que parecem ter. Digo burrice porque, da mesma forma como tratamos aqui, onde detemos o poder, seremos tratados ali, onde outro detém o poder. A lógica é simples: se cada um se empenhar em tratar o outro com respeito, todos seremos tratados igualmente com respeito. O problema é que o coronelismo está introjetado culturalmente em nossas mentes e a maioria absoluta da população vive em condições precárias, se comparadas com a dos que concentram os benefícios resultantes do trabalho. Por isso, nos tratamos uns aos outros como vermes, ainda que façamos isso com um lindo sorriso no rosto.

Tenho insistido nesses 86/100 dias de oração pelo Brasil que devemos orar primeiramente por nós mesmos, não como vítimas, mas pela nossa insistência em não admitirmos que as coisas são como são porque incutiram em nós que devemos ser da turma do deixa disso. Não reagimos, não erguemos nossa voz. Não lutamos. Sofremos, fazemos piadas e até murmuramos críticas, nas rodas íntimas, contra quem ousa manifestar-se. Nosso grande sonho parece ser ocupar um espaço de poder, para fazer com os dependentes de nós, o mesmo que fazem conosco.

Ou destrambelhamos, se for a última alternativa, a engrenagem estabelecida, pensando em construir outra que seja justa e adequada às necessidades e ao bem comum, ou continuaremos sendo aqui, vítimas, ali, agressores; aqui, vítimas, ali, agressores; aqui, vítimas, ali; agressores; aqui, vítimas, ali agressores, sempre rindo ou lamentando, nos extremos da vida.

Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Hospitais - Motivo constante de nossa intercessão -- 25.05.12 - 33/100 dias de oração pelo Brasil

Certo dia, ainda no final da adolescência, Dona Nena, minha mãe, perguntou-me se eu visitaria determinada pessoa que estava hospitalizada. Respondi declarando não gostar de ir a hospital. Ela replicou perguntando: mas, você não vai ser pastor?

Claro que me senti chantageado. Como querer ser pastor e não gostar de ir a hospital?

Desde então, em vez de desenvolver o gosto de ir a hospital, descartei a idéia de que poderia ser um pastor completo (ideal de adolescente!). Passei a trabalhar em função de um alvo mais modesto: fazer o meu melhor visando ser um bom pastor.

Se, então, me ouvir dizendo que vou a hospital com prazer, tenha certeza: estarei mentindo. Vou porque minha presença pode ser boa - e geralmente é - para alguém. Ou porque precisei pra mim mesmo!

Penso que profissional de saúde deve gostar de saúde, gostar de gente mas, de hospital, apenas mais do que pessoas como eu. Enquanto a maioria das pessoas vai a hospital por necessidade, geralmente sofrendo, profissional de saúde vai, ou para realizar seu sentido de "vocação", ou por consciência de missão, ou para "fazer" seu sustento, ou, o que o faria muito mais feliz, por todas as razões anteriores.

Condições favoráveis à saúde diminuem a probabilidade, mas não elimina a possibilidade de se precisar de hospital. Por isso, se meu sentimento desfavorável a hospital aumenta em mim a valorização de sua importância, minha admiração pelos profissionais que nele atuam se dá pelo reconhecimento da importância humana e relevância social do trabalho nele desenvolvido.

Afirmar aqui que a priorização da saúde pública no Brasil não faz parte da agenda da quase totalidade daqueles que os partidos políticos indicam e nós ratificamos pelo voto, seria repetitivo. Por isso, neste dia, devemos sim, orar pelos hospitalizados e pelos profissionais que atuam nos hospitais, mas também e, sobretudo, por nós mesmos, para que nos empenhemos mais no sentido de sermos cidadãos mais conscientes.

Isso significa não somente ser mais cuidadoso na hora de votar, mas também mais informado e engajado, por todos os meios, em lutas que tornem o Brasil mais saudável, em todas as áreas, inclusive, portanto, na de saúde e, especificamente, no cuidado com os hospitais.

Abraços do seu pastor,

terça-feira, 1 de maio de 2012

30.04.12 - 8/100 dias de oração pelo Brasil. Dependência química, um desafio...

Desde os tempos mais antigos da humanidade o ser humano procura meios para eliminar suas dores.

Tanto é assim que nos conselhos para o Rei Lemuel, o autor do livro de Provérbios aconselha: "Dê bebida fermentada aos que estão prestes a morrer, vinho aos que estão angustiados; para que bebam e se esqueçam da sua pobreza,
e não mais se lembrem da sua infelicidade." (Pv 31.6-7).

Outro exemplo disso é a narrativa de Mateus sobre a morte de Jesus: "Chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar da Caveira,e lhe deram para beber vinho misturado com fel; mas ele, depois de prová-lo, recusou-se a beber." (Mt. 27.33).

Portanto, o uso de drogas para aliviar as dores faz parte da cultura da humanidade.

Com a evolução do conhecimento químico e da medicina, o Estado passou a definir quais drogas poderiam ser usadas livremente, quais poderiam ser usadas mediante recomendação e acompanhamento médico e quais a fabricação e uso seriam proibidos.

A grande questão é que, com a evolução da tecnologia e a facilidade de fabricação de drogas cada vez mais potentes, elas passaram a ser usadas em larga escala visando o prazer pelo prazer e não somente para os caso de dores fisicas ou emocionais. E o que é pior, sem recomendação e acompanhamento médico e contrariando as leis do Estado.

O contrabando de drogas ilegais tornou-se um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente e, para mantê-lo, a violência o acompanha. Assim, além dos problemas decorrentes do uso irregular ou ilegal, ainda temos o efeito colateral negativo na vida da sociedade.

O uso de drogas legais e medicinais é uma bênção quando feito sob recomendação e acompanhamento médico sério ou uma maldição quando visa abafar as dores da nossa alma e é "receitado" por traficantes que agem na ilegalidade.

Ao orarmos pelos dependentes químicos, devemos nos lembrar que ele é, geralmente, ou uma pessoa imatura que iniciou apenas para experimentar, sem pensar nas consequências e tornou-se dependente ou uma pessoa enferma, frágil, incapaz de superar as angústias de sua alma, por isso recorre às drogas. Portanto, além de um trabalho sério de recuperação, um outro, de prevenção também deve ser desenvolvido por todos nós, a começar em nossa casa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quando o amor adoece

por Daniel Rocha*


Fomos criados por Deus para o amor. Uma pessoa verdadeiramente autêntica é alguém que não bloqueou o amor de Deus em sua vida. Nela, há plenitude, há alegria, há compreensão, há aceitação de si mesma e do outro. E ali não existe o medo, que tantas limitações traz, pois o verdadeiro amor lança fora o temor (1Jo 4.18).

Entretanto, como tudo aquilo que é verdadeiro e sadio é susceptível de se tornar falso e enfermiço, o amor também pode adoecer. Quando encontramos alguma pessoa “difícil” pela frente, não significa que ela não tenha amor – ela tem, mas o seu amor está adoecido. O que é o orgulho, senão o excesso de amor-próprio que não consegue olhar o outro? O que é o ressentimento senão o amor que se recusa a perdoar? Que é a baixa auto-estima senão o amor que perdeu a capacidade de aceitar-se com todas as suas limitações?

Paulo nos ensina que um amor sadio não é orgulhoso, não se ensoberbece, não arde em ciúmes, é capaz de esperar, é gentil, é terno.... Mas quando esse amor adoece, desenvolve-se no seu lugar, um amor-vampiro, que suga o outro, que cobra, que exige, que sufoca, que nos faz pesados e pesarosos.

Quando o amor adoece não nos aceitamos como somos, a despeito de todas as coisas boas que Deus nos dá, e desenvolvemos interiormente a raiva ou a tristeza, porque não somos ou mais altos, ou mais bonitos, ou mais capazes, ou mais ricos, ou mais talentosos. Há sempre um descontentamento advindo de dificuldades de não apenas dar, mas também de receber – e chega-se ao ponto de “estragar” aquilo que foi recebido de bom.

Quando o amor adoece não aceitamos a liberdade do outro, mas vivemos para manipular as pessoas, mantê-las aprisionadas, fazer joguinhos, fazer cobranças. O amor adoecido é sempre controlador e manipulador, pois lhe dá vertigens imaginar que o outro possa ser livre e...... voar. Por isso “engaiola-se” o objeto amado, que passa a ser objeto por não se poder vê-lo como ser humano, livre que é. E para quem está enfermado é preferível um pássaro triste na gaiola – cujas barras chamamos de cuidado ou de proteção – que apreciá-lo em sua liberdade. Normalmente, pessoas dominadoras vivem atormentadas pelo medo de perder o controle sobre o amado.

Igrejas adoecidas querem “espreitar a liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão” (Gl 2.4), sim, porque o amor enfermiço é dominador, subjuga, acorrenta, manieta, encarcera, e liberdade é uma palavra que só rima com amor de verdade.

Quando o amor adoece reagimos mal às críticas, há sempre ímpetos de atacar ferozmente quem nos bloqueia o caminho, explodimos com quem tem culpa e com quem não tem. Isso acontece porque o amor adoentado não tem autocrítica, não tem coragem de se ver como é, e se porventura alguém lhe chama a atenção – mesmo em amor – isso será quase sempre visto como um ataque pessoal.

Quando o nosso amor adoece, questionamos o amor de quem nos ama, o medo da perda é recorrente, a dúvida e a insegurança tomam conta de cada pensamento. Compreende-se daí porque cada vez mais crentes exigem tanto seus direitos a Deus – é porque não têm confiança no amor do Pai, e faz-se necessário a todo o momento “lembrá-Lo” para que atente para nossos direitos.

Quando o amor adoece vivemos mal, louvamos mal, adoramos mal e torna-se impossível a comunhão com Deus e com os irmãos. Enquanto não percebermos isso, e não buscamos a cura, jamais saberemos o que é ter uma alma apaziguada que aprendeu a descansar no amor.

Em nome de um amor adoecido, perde-se a dignidade, desconfia-se, agride-se, mata-se e deixa-se de viver . Certamente essa é uma forma distorcida de vivenciar o amor e esse quadro mostra a nossa fragilidade quando estamos enfermos da alma.

Começamos a sarar quando nos rendemos a Deus e paramos de tentar manipular pessoas, quando aceitamos a nós mesmos sem medo de enfrentar o que temos de mais mesquinho, quando abrimos mão de controlar o outro e de controlar as situações. O verdadeiro amor traz descanso e não culpa, traz perdão e não ressentimento, o verdadeiro amor liberta as pessoas, e não engaiola. Quem ama sadiamente tem dignidade, tem tranqüilidade para enfrentar os reveses e não teme a solidão, pois está bem acompanhado interiormente.

*pastor da Igreja Metodista em Itaberaba, S.Paulo e Psicólogo. dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A alegria de trabalhar


É curiosa, no mínimo, a compreensão de trabalho – e de diversos outros conceitos – que muitos desenvolvem, com base no capítulo 3 de Gênesis. A narrativa tem levado alguns leitores a acreditarem que trabalho seria penalidade pela desobediência, como pode ser lido:

”Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse... com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte a terra, visto que dela foi tirado”.  (Gen. 3.17,19)

Entretanto, se trabalho fosse penalidade pelo pecado, teríamos que explicar que pecados Deus e Jesus teriam cometido, à luz da declaração do nosso Senhor, quando diz:

“Meu pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando” (Jo. 5.17)

Se trabalho fosse penalidade pelo pecado, doce não seria o sono do trabalhador (Ecl. 5.12); talvez não houvesse workaholics e, eu e você, não sentiríamos tanto prazer em trabalhar.

Trabalho não é penalidade, é prêmio. Através dele nossa auto-estima se eleva por nos sentirmos criativos ou bem sucedidos quando atingimos objetivos propostos, ou solidários quando percebemos os benefícios do que fazemos à vida de pessoas.

 Não são muitas as palavras que representam tão bem o sentimento de auto-realização de um trabalhador como a descrita pelo narrador do Gênesis para indicar como Deus teria se sentido após seu trabalho criativo:

“E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom”. (Gen. 1.31)

Trabalho pode soar como penalidade para aqueles que exercem uma profissão somente por causa do salário que recebem ou não compreendem a importância social daquilo que realizam, nem se satisfazem com a qualidade final do que produzem. Aqueles, entretanto, que são convictos da importância do que fazem para indivíduos e coletividade e se sentem desafiados frente às atividades que  envolvem seus trabalhos, são pessoas que não se sentem existencialmente vazias, não necessitam de “drogas” para levar avante suas vidas, nem se alimentam de picuinhas.

Quem consegue distinguir trabalho de salário, profissão ou carreira, por exemplo, e tem consciência da relevância do que é capaz de criar, perante si e a sociedade, e envolve seu ser - pensamentos, sentimentos, corpo – em determinado projeto, pode se considerar uma pessoa feliz.

Seria simplismo afirmar que trabalho seja sinônimo de felicidade, até porque o conceito felicidade é bastante desafiador para ser assim definido, mas, inegavelmente, trabalho é fonte de alegria quando sua realização é resultado de motivação interior e produz benefícios a si e aos semelhantes.

Felizes são aqueles que se sentem realizados nos trabalhos que desenvolvem, mesmo não havendo manifestação pública de reconhecimento.

A relação capital-trabalho e as relações de poder nos ambientes empresariais, são assuntos para outra conversa!

sábado, 1 de agosto de 2009

Santuário Sagrado

1 Coríntios 3.11-17
“Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós” (v.17).

A separação entre sagrado e profano tem sido um dos mais graves equívocos cometidos pela humanidade. Defender tal separação é o mesmo que dizer que alguns espaços ou experiências devem ser regidos por valores espirituais enquanto outros estão liberados desse compromisso.

Como consequência desta compreensão, vemos, por exemplo, pessoas que, quando estão entre as paredes de um templo, reverenciam a Deus e aos semelhantes de maneira extraordinária e mantém o ambiente limpo, mas agem de forma diametralmente oposta fora desse espaço.

Ao escrever sua carta aos Coríntios, Paulo não estava alimentando tal divisão. Seu objetivo era enfatizar que o corpo humano também é sagrado e, por isso, deve ser tratado com todos os cuidados necessários a fim de que seja saudável e cumpra seu papel na existência humana.

Corpo sagrado significa corpo saudável. Não por acaso, a idéia de santidade no pentateuco está relacionada ao cultivo de hábitos geradores de saúde e não somente à manutenção da moral pela moral. Moral que não pode ser relacionada à manutenção da saúde, em qualquer de suas dimensões, não passa de falso moralismo.

Durante séculos definiu-se como sagrado, o corpo privado de alguns prazeres. Hoje, em vez do “não pode”, enfatiza-se o “pode” que resulta em benefício, não em malefício, do corpo.

Corpo como santuário sagrado é aquele que se alimenta, exercita sua sexualidade, se higieniza ou desenvolve qualquer outra atividade na perspectiva de manter-se saudável. A manutenção da saúde corporal é uma das evidências mais contundentes de santidade e, portanto, da presença de Deus regendo a vida de uma pessoa.

(Texto produzido para a Revista Manancial, da UFMBB e publicado na 1ª quinzena de maio)

Vigilância e firmeza

1 Coríntios 16.5-14
“Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes” (v.13).


Um dos assuntos de maior interesse da população, seja por saúde ou de estética, é o peso. A quantidade de revistas, cujas capas anunciam matérias relacionada ao tema e o aumento de empreendimentos ligados à saude corporal, comprovam isso. Entretanto, a saúde e a beleza espiritual parecem não despertar o mesmo interesse.

Não sou contrário ao cuidado com o corpo. Eu mesmo decidi manter o peso dentro de parâmetros saudáveis e para isso me impus disciplina rígida em termos de hábitos alimentares e fiz da balança uma companheira diária para certificar-me de que o objetivo estava sendo alcançado.

A pergunta que faço é: se me disciplino para manter a saúde corporal, porque não fazer o mesmo em relação à espiritual?

Paulo exagerou ao dizer que o exercício corporal traz pouco proveito. Ele mesmo, em outros textos, valorizou o cuidado com o corpo. Mas estava certíssimo ao dizer que “se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da vida presente e da futura.” (I Tim 4.8)

A saúde espiritual determina a saúde do corpo, dos relacionamentos interpessoais e do ambiente onde a vida se desenvolve. Saúde espiritual, não a religiosa. Saúde religiosa tem a ver com atividades e estruturas institucionais. Saúde espiritual tem a ver com valores que definem nosso modo de viver.

Portanto, determinação e vigilância espirituais são elementos essenciais ao definirmos a forma como pretendemos usar tempo, dinheiro ou bens. A atenção deve ser no sentido de fazermos escolhas que fortaleçam nossa saúde espiritual, bem como das pessoas que nos cercam.

(Texto produzido para a Revista Manancial, da UFMBB e publicado na 1ª quinzena de maio)

Maria, cheia de graça (2004)

Admiro as mulheres. Mais do que admiração puramente erótica. Admiro-as como pessoas. Fui criado entre meia duzia delas. Talvez, por desejar o bem para suas filhas, ouvi meu pai repetir “n” vezes que não deveria fazer com as filhas dos outros aquilo que não gostaria que fizessem com minhas irmãs. Continuo desobediente, mas o ensino sempre acende a luz amarela. Além disso, cresci vendo em minha mãe um exemplo muito legal de mulher.

Ouvi de uma psiquiatra, em tom humorado, enquanto a assistia pastoralmente em momento de perda dramática, que homens e mulheres não são da mesma raça. Talvez ela tenha razão. Mulheres, como alguém já disse, são flores de aço. Homens, digo eu, fingem que são de aço, têm horror a se identificarem como flores e acabam não sendo nem uma coisa, nem outra.

Como pastor, conto mais com a cooperação de mulheres do que de homens. Antigamente isso era justificado sob alegação de que eles trabalhavam fora de casa e elas dentro. (Na verdade se dizia, desrespeitosamente, que elas não trabalhavam). Por isso teriam mais tempo para as coisas do espírito. Isso não é verdade. Algumas trabalham em jornada dupla, portanto mais do que seus maridos, mas, ainda assim, encontram meios de se dedicar às coisas espirituais. É mais um indicativo de que elas, de fato, têm mais força.

Escrevendo sobre isso, me vem à mente, imagens de uma infinidade de mulheres, solteiras e casadas, que foram ou são uma bênção em minha vida. Mas gostaria de falar de uma delas pelo impacto que provocou recentemente em mim. Trata-se de minha amiga Maria das Graças Corte de Alencar, esposa de um dos cristãos mais “gaiatos” (no bom sentido!) e amigos que já pastoreei.

Conheci Graça em 1992, na Igreja Batista Emanuel em Boa Viagem. Tempos depois, após exposição da palavra num culto, ela manifestou publicamente seu desejo de permitir que Jesus se tornasse Senhor de sua vida. Funcionária Publica, mulher de personalidade forte (Adiel, seu marido, que o diga!), faz parte da familia Alencar, de Exu, PE. Isso mesmo, uma das duas famílias que se tornaram nacionalmente conhecidas por conflitos na pequena cidade do sertão pernambucano, onde viveu o saudoso Luiz Gonzaga.

Pois bem. Vejam só um trecho da mensagem que recebi dela, por e-mail, cuja publicação faço com autorização:

“Quanto a mim estou bem, continuo fazendo quimioterapia, mas estou reagindo bem apesar das reações já esperadas. Já estou sem cabelos, mas não tive problemas com isso, estou administrando bem esta nova fase da minha vida com meu novo visual. Estou lançando a moda de chapéus e lenços. Adiel comprou de todas as cores e diz que é para combinar com as roupas, imagine! Não aderi à peruca. Me senti péssima quandoprovei, não tem nada a ver comigo. Preferi assumir a careca, sem problemas. O importante é que com o tratamento eu fique curada. Sei que vou dar boas risadas lembrando desta fase. Tenho sentido a todo momento a presença de Deus em minha vida e da minha família. Até nos aproximamos mais, o que faz valer a pena todo sofrimento”.

Não é mesmo, uma Maria, cheia de Graça?

Cada pessoa reage de forma diferente à adversidade. Porém, é claro que aquelas que reagem de forma positiva têm maiores chances de se sairem vitoriosas. Essa, aliás, é a tese que mais me marcou no best-seller “Who movies my cheese” (Quem mexeu no meu queijo, de Spencer Johnson, M.D.) uma das leituras que mais fortemente influenciaram minhas ações nos últimos dois anos.

Maria das Graças permitiu que “graça” fosse mais do que um nome. Permitiu-se experimentar a graça e ser uma graça ambulante, ao decidir investir na comunhão com Deus. Ao abrir-se à graça de Deus, foi invadida por ela, tornando-se capaz de reagir como está reagindo em situação tão dolorosa.

Grande beijo Graça. Você já venceu sua enfermidade ao não se deixar abater por ela.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Agradecimento


Há quase três anos iniciei uma verdadeira peregrinação visando descobrir as causas de alguns sintomas com os quais convivia há algum tempo e que causavam prejuízos à minha vida. Paralelamente à peregrinação aos consultórios médicos, envolvi-me em pesquisas pela internet e descobri a possibilidade de ser portador de distúrbios no sono.

Com este referencial, procurei especialista – Dr. Francisco Hora – que diagnosticou apnéia do sono, confirmada posteriormente através de polissonografia. Passei, então, a usar um aparelho chamado CPAP, o qual, a despeito do desconforto inicial, melhorou bastante a qualidade do me sono e desempenho diário.

Por orientação do referido médico procurei um otorrinolaringologista – Dr. Rui Lobo – por quem passei a ser acompanhado. Nesta caminhada, através de exames foi identificado “sinais de pansinusopatia com provável polipose nasal associada, desvio do septo nasal com formação de esporão ósseo e pequeno osteoma em célula etmoidal anterior à esquerda”.

Esses problemas geravam, dentre outros, problemas na respiração, na voz, dores de cabeça e distúrbios no sono. Por isso, no último dia 07 de maio submeti-me a intervenções cirúrgicas que já repercutiram positivamente em meu estado físico e emocional nesses 30 dias.

Diante disso, agradeço à Gláucia pela enorme paciência e dedicação extraordinária nesses dias de convalescença; aos médicos e suas equipes, bem como a todos que manifestaram seu carinho, seja através de orações, recados orais e via e-mail ou pelo Orkut, telefonemas, visitas e outros meios. Agradeço a cada pastor que ocupou o púlpito ou escreveu texto para Boletim Dominical da IBG nesse período e também à Igreja e seus líderes que ofereceram a cobertura necessária durante todo o processo.

Agradeço, sobretudo, a Deus, razão da nossa existência e esperança, em função de quem temos tentado viver e a quem procuramos servir, pelas possibilidades da medicina moderna, pedindo que continue a ajudar-me a continuar firme no ministério, a despeito das adversidades que eventualmente enfrentamos, inclusive no campo da saúde.

domingo, 10 de maio de 2009

Você é a favor do aborto?

II

Você é a favor do aborto?

Sou a favor da vida plena, da geração à morte. Luto contrariamente a tudo que possa impedir a vida de desabrochar em sua plenitude, seja dentro ou fora do útero materno.

Sou um admirador da vida em sua multiplicidade de formas. Fico encantado com os investimentos espaciais à procura de qualquer sinal de vida – uma bactéria que seja -, do tipo por nós conhecida, em qualquer planeta fora da terra.

Vida, portanto, não é somente a união de um óvulo e um espermatozóide, mas é algo muito mais amplo. Na economia divina, a vida morre e ressuscita de diversas formas, segundo a segundo, e ninguém reclama.

Se o grão de trigo caindo em terra não morrer, fica só, mas se morrer dá muito fruto. Sagrada é a vida, mas a morte também faz parte dela. A discussão, portanto, não deve ser primeiramente entre vida e morte, mas entre que ideologia ética está por detrás das escolhas pela vida ou pela morte.

No caso do aborto, por exemplo, se a ideologia pode detrás dele for para favorecer a liberação irresponsável dos relacionamentos genitais, não seria favorável, pois acredito que algum tipo de disciplinamento deva existir para os relacionamentos genitais, senão estabeleceremos a barbárie e com ela injustiças com as partes mais frágeis.

Sou a favor do aborto nos casos já previstos pela legislação brasileira, isto é, em caso de estupro ou risco de morte. Também sou tendente a defender que a decisão deve ser de foro íntimo e não uma imposição do Estado.

Apesar disso, reconheço que, no caso brasileiro, dadas as precárias condições na educação e saúde pública, bem como na péssima distribuição de renda, há uma parcela significativa da população que não dispõem das condições necessárias para uma tomada de decisão consciente sobre o assunto, fato que exige maior aprofundamento da matéria.

Entretanto, numa sociedade em que há educação e saúde de qualidade ao alcance de todos e boa distribuição de renda, sou defensor de que a decisão deve ser da pessoa e não uma imposição do Estado e, muito menos da religião.

Penso que o nosso foco sobre o aborto deve deixar de ser somente em relação à vida no útero materno, mas também em relação ao aborto praticado em nosso país por falta de habitação, saúde, educação, alimentação, transporte, educação, segurança ou honestidade, responsáveis pelo aborto de milhares de vidas, mostradas diariamente nas telinhas das tevês, enquanto comemos pipoca com guaraná, torcendo para que as coisas piorem como evidência da volta eminente de Cristo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Juventude eterna

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Texto de Martha Medeiros
"Essa história que eu vou contar agora aconteceu com uma mulher inteligente que estava fazendo uma palestra. Diz ela: “Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'”
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinha. Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se mudança.


De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dosmóveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.


Uma amiga casada há 38 anos cansou das 'galinhagens' do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.

Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, aonde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho..."

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Um bebe na UTI (e não na estrebaria)

Durante os próximos dias você ouvirá intensamente sobre um bebe na estrebaria. Vai ouvir repetidas vezes que José e Maria não tinham onde se hospedar e, por isso, Jesus nasceu em lugar inadequado.

A história é linda e mudou o rumo da humanidade. Mas pode tornar-se apenas romântica se não surtir efeito, se não fizer sentido para nós hoje.

Se você se sensibiliza com a história de um bebe na estrebaria, certamente será capaz de sensibilizar-se com um bebe na UTI. Veja a história dele neste blog: http://www.vidacomvictor.blogspot.com/

O pai dele - Bosco - é um bom amigo desde os tempos de Pernambuco. Uma das músicas que muito me emocionava, quando ouvia sendo cantada pelo Coro Emanuel, foi composta por ele.

Ex-aluno do Seminário Norte e ex-professor do Colégio Americano Batista, ele e Valéria vivem um drama. Precisaram deixar Pernambuco e ir pra São Paulo para que o seu bebe pudesse ser tratado.

Sendo de origem batista, em São Paulo estão sendo ajudados por uma Igreja Presbiteriana que não os conhecia, nem tinha referências a respeito deles, mas sensiibilizou-se com o drama de seu bebe e os está ajudando enquanto aguardam pacientemente o desfecho da história.

São pessoas de confiança. Por isso, peço que de uma olhada na história que estão vivendo e certamente Deus tocará em seu coração.

Tenho certeza de que Deus se alegrará muito se transferirmos, neste Natal, o amor que dizemos ter por Jesus para o bebe Victor, conforme palavras do próprio Jesus:

"Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?

E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?

E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes
" (Mt. 25.37-40)

Se puder ajudar de alguma forma, não hesite. Use a conta abaixo e isso será muito importante.

Banco do Brasil
Ag. : 0697-1
C/C : 16.188-8

João Bosco P. Barreto
bosco@sinpro-pe.org.br
bonu.homine@hotmail.com

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Então você não gosta de política?


Então você não gosta de política?
Não gosta da violência da cidade, não é?

Não gosta, também, da precariedade do ensino fundamental que é responsabilidade do município, certo?

Não gosta também da qualidade ruim da saúde pública!!!

Deve detestar os engarrafamentos presentes nas grandes cidades, claro!
Imagino que não gosta também de ver esgoto a céu aberto e do lixo que se acumula em muitos bairros!

Tenho certeza que critica a falta de saneamento básico que gera doenças e aumenta a presença de pernilongos, mosquitos ou carapanã, como queira chamar.

Veja como são as coisas: tudo isso que tenho certeza de que você não gosta é justamente porque você não gosta de política.

Porque você não gosta de política, escolhe mal os prefeitos e vereadores e continua com este discurso, digamos, com carinho, analfabeto, pois são eles que mantém sua cidade com as deficiências acima mencionadas!!!

É a soma de eleitores com seu perfil que é, em grande parte, responsável por sermos o país que somos!