sábado, 1 de agosto de 2009

Santuário Sagrado

1 Coríntios 3.11-17
“Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós” (v.17).

A separação entre sagrado e profano tem sido um dos mais graves equívocos cometidos pela humanidade. Defender tal separação é o mesmo que dizer que alguns espaços ou experiências devem ser regidos por valores espirituais enquanto outros estão liberados desse compromisso.

Como consequência desta compreensão, vemos, por exemplo, pessoas que, quando estão entre as paredes de um templo, reverenciam a Deus e aos semelhantes de maneira extraordinária e mantém o ambiente limpo, mas agem de forma diametralmente oposta fora desse espaço.

Ao escrever sua carta aos Coríntios, Paulo não estava alimentando tal divisão. Seu objetivo era enfatizar que o corpo humano também é sagrado e, por isso, deve ser tratado com todos os cuidados necessários a fim de que seja saudável e cumpra seu papel na existência humana.

Corpo sagrado significa corpo saudável. Não por acaso, a idéia de santidade no pentateuco está relacionada ao cultivo de hábitos geradores de saúde e não somente à manutenção da moral pela moral. Moral que não pode ser relacionada à manutenção da saúde, em qualquer de suas dimensões, não passa de falso moralismo.

Durante séculos definiu-se como sagrado, o corpo privado de alguns prazeres. Hoje, em vez do “não pode”, enfatiza-se o “pode” que resulta em benefício, não em malefício, do corpo.

Corpo como santuário sagrado é aquele que se alimenta, exercita sua sexualidade, se higieniza ou desenvolve qualquer outra atividade na perspectiva de manter-se saudável. A manutenção da saúde corporal é uma das evidências mais contundentes de santidade e, portanto, da presença de Deus regendo a vida de uma pessoa.

(Texto produzido para a Revista Manancial, da UFMBB e publicado na 1ª quinzena de maio)

1 comentários:

Farley 1 de agosto de 2009 22:43  

Muito boa a percepção do autor.
Quanto falhamos ao reproduzir esta dicotomia, e até alimentar um sentimento neurótico quanto a sagrado-profano dentro de nossas igrejas. Que Deus nos dê sabedoria para vivermos essas verdades!