terça-feira, 17 de julho de 2012

Paz no Trânsito - 16.07.2012 - 85/100 dias de oração pelo Brasil

O trânsito anda caótico. Digo, não anda nem caótico. A causa seria o fato do Brasil, diferentemente dos paises europeus, ter optado por facilitar a cada morador a compra do seu próprio carro, em lugar de investir em transporte público de qualidade. Mas não é so isso. Há também a falta de investimento em novas vias de acesso, novas tecnologias e até mesmo em engenharia de trânsito. Tudo sob a justificativa de falta de recursos, em meio a tantas denúncias de corrupção.

Entretanto, há outro elemento que faz com que o trânsito seja caótico: a falta de educação. Não uso a expressão "falta de educação" no sentido negativo usado para agredir verbalmente uma pessoa grosseira, sem "etiqueta". Refiro-me à falta de priroirzação em investimento na educação pública. O que está acontecendo na Bahia é o maior exemplo dos últimos anos. Já há 100 dias, quase 1/3 do ano escolar, nossas crianças não sabem o que é um banco escolar.

Esse problema é nosso.

Não adianta aproveitar o caso para criticar o Partido dos Trabalhadores que lidera a coligação que governa o Estado. Fazer isso é tirar o foco do problema, é politizar, e "urnificar" o problema. Primeiro, porque a falta de priorização na educação é um problema de todos os governantes do pais, com raríssimas excessões. Não é de agora que se trata mal o cidadão, tratando mal a educação, as estruturas onde ela se desenvolve e os profissionais que fazem com que ela aconteça. Segundo, porque o mesmo ocorre nas igrejas. Foi-se o tempo que investir em educação era prioridade nas igrejas. O investimento é no aumento de frequentadores e na captação de receitas, usando-se para isso todo tipo de atrativo.

No caso batista, há até que defenda que nossos colégios devem evangelizar mais. Além do sentido teologicamente distorcido que se dá ao termo evangelização ou mesmo do propósito nem sempre "celestial" dado a ele, isso indica a falta de respeito que os que defem isso têm à natureza e finalidade das escolas e, pior, à sua importância para o desenvolvimento de uma sociedade.

A falta de paz no trânsito, passa também pela falta de educação e a falta de educação não é problema de um governo, mas de todos nós. O problema é que nós agimos como "ovelhas levadas ao matadouro", silenciamos diante da malversação do dinheiro do nosso trabalho que também chamamos de dinheiro público; transferimos a responsabilidade, através de voto sem reflexão, para governantes que são o retrato de nossa cara no que se refere ao valor dado à educação e ainda criticamos os professores, cuja luta não é somente por melhores salários, mas, simbolicamente, por um olhar novo sobre esta área da vida que é essencial a todos nós.

Se queremos paz no trânsito, comecemos orando por nós mesmo e por nossa postura frente à política, a educação e, inclusive, ao signficado de nossa fé para os dias de hoje.

Abraços do seu pastor,

Plantação de Novas Igrejas em Áreas Urbanas - 15.07.2012 - 84/100 dias de oração pelo Brasil

Não sei se em sua cidade ocorreu fenômeno semelhante ao ocorrido no Recife, no início da década dos 90. Em face do baixo índice de oferta de emprego, cresceu de forma espantosa a quantidade de carrinhos de "cachorro-quente" em "furgões" da Fiat. Em cada 50 mts da  Avenida Boa Viagem, por exemplo, havia um desses carros cercado de pessoas bebendo e comendo cachorro-quente. Foi uma febre ou, como diriam outros, uma veradeira peste.

Fenômeno semelhante ocorreu em relação ao surgimento de igrejas. Descobriu-se que alugar uma sala, com meia dúzia de cadeiras de plástico e um púlpito, colocar uma placa com o nome de "Igreja tal" e era o suficiente. Em questão de dias um público se reunia, ofertas eram levantadas e ninguém se preocupava com o que era feito com elas, nem ninguém se interessava com os fundamentos do que se pregava, desde que palavras de ânimo e de promessas fossem repetidas. Se o dono do ponto estava ali apenas levantando seu sustento, e daí?

Assim, em cada cado de esquina surgiu uma igreja, a maioria usando a, até então, forte marca "evangélica" ou até mesmo "batista", sem nada a ver com o que elas significaram ao longo dos anos. A associação de tais igrejas a ponto comercial não se dava somente pelo levantamento de dinheiro sem qualquer prestação de contas, mas também pelo surgimento de uma ao lado da outra, como o comércio faz em relação a produtos comuns - venda auto-peças, produtos eletrônicos, etc...

Na Avenida Caxangá, tida com a mais longo em linha reta do país, a Assembléia de Deus resolveu concorrer com a Renascer, a Universal e a internacional da Graça e alugou diversos pontos, colocando nelas sua marca centenária, em letras garrafais.

Aos críticos respostas prontas eram dadas: "melhor um ponto de pregação do que um ponto de venda de bebida alcoólica". Outros, com ares de espiritualidade e conhecimento bíblicos declaravam:"Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade;   Estes o fazem por amor, sabendo que aqui me encontro para a defesa do evangelho.  Aqueles pregam Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que me podem causar sofrimento enquanto estou preso.
Mas, que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro." (Fl 1.16-18)

Sobre a vida de quem planta igreja com quem planta batata (ou se plantava antigamente, antes do agronegócio) não tenho nada a declarar. Que o Senhor os julgue. Mas que isso trouxe danos profundos ao evangelho de Jesus Cristo, disso não temos dúvidas. Basta avaliar o perfil e tipos de compromissos do neo-evangélico brasileiro.

Entretanto, a despeito disso, plantar igrejas, não somente é algo bom como necessário. Precisa-se apenas ter clareza das motivaçõe e dos objetivos que se pretende alcançar, a fim de verificar se são compatíveis com os ensinos e propósitos mais claros e aceitos dos evangelhos. Plantar igrejas desconsiderando a vida e ensinos de Jesus, pode significar a multiplicação de cegos dirigentes de cegos. Pode tão somente servir aos interesses daqueles que querem que nada mude espiritual e eticamente na vida das pessoas e da sociedade, contrariando o que lemos nos evangelhos.

Criticar o que está sendo feito de errado, mas não mover uma palha para fazer ou cooperar para que se faça o que consideramos certo, também não leva a lugar algum. O importante é, cientes dos equívocos que se tem cometido, trabalhar para que acertos prevaleçam na plantação de igrejas, colaborando assim para que muitas vidas sejam salvas (no sentido mais profundo da palavra), restauradas e o nome de Deus seja glorifica em sua criação.

Abraços do seu pastor,

sábado, 14 de julho de 2012

Avivamento Missionário - 14.07.12 - 83/100 dias de oração pelo Brasil

Avivar é recuperar, restaurar a vida. Avivamento missionário deveria ser a capacidade de recuperar, de restaurar a missão. Digo deveria, pois a história recente indica que resumimos missão ao trabalho da proclamação de uma mensagem com efeitos sobre uma palavra - a palavra alma - e não sobre uma pessoa - o ser humano e sua vida multidimensional - com repercussões somente em outro tempo e local, o futuro, o céu.

A lógica do paradigma predominante de avivamento é um individuo "ganhando" mais um indivíduo, que "ganha" mais um indivíduo, que "ganha" outro indivíduo", que "ganha" mais um indíviduo ...

Além disso, a missão que pretendemos avivar, não é a missão dos atos de Jesus. O paradigma que se busca recuperar é o dos atos dos apóstolos. Uma coisa é estudar a vida de Jesus, seu caráter e ensinos e orar e trabalhar para que isso seja restaurado em nós; outra, tomar a vida dos apóstolos para avivá-la em nós. 


A diferença é que, os atos dos apóstolos, conquanto estejam relacionados à missão de Jesus, são uma manifestação inicial e incompleta do que a convivência de Jesus fez nos discípulos. Em Jesus vemos a manifestação completa da missão a ser avivada. Daí os primeiros discípulos terem investido tempo no registro da vida de Jesus e na reflexão teológica sobre ela, registros conhecidos hoje como Novo Testamento.

A questão é que o paradigma "atos dos apóstolos" é mais facilmente adaptável ao mundo em que vivemos do que o paradigma "Jesus". Os atos dos apóstolos evidenciam ação com resultados imediatos em termos de números de decididos e de igrejas. Os atos de Jesus evidenciam trabalho artesanal, de burilamento de vidas, com efeitos mais demorados, porém profundos, extensos e duradouros.

Somos a sociedade da velocidade, do descartável. Nos empenhamos na pressa para obter resultados na proclamação e "descartarmos" pessoas tão logo elas declarem crer. Crendo, basta que os novos declarantes memorizem que a missão deles é levar outros a declararem que crêem. Alcançado esse objetivo, seu único trabalho com o declarante é que ele memorize que deve reproduzir uma única ação: levar outro a declarar o mesmo.

 Nesse estágio a missão com o novo declarante, novo decidido ou crente novo, terminou e ele já pode ser "descartado", ou seja, ser deixado só, na missão de conquistar novos declarantes. O importante é que o resultado - pessoas declarando que crêem - se multiplique.

Os apóstolos conviveram pelo menos 3 anos com Jesus, aprendendo com seus exemplos e palavras, o sentido do viver, os valores com os quais deveriam estar comprometidos e as ações que deveriam ser desenvolvidas em favor do próximo.

  No avivamento missionário em evidência, investir tempo conhecendo a vida e ensinos de Jesus é desnecessário e até prejudicial ao modelo reprodutivo em série. Evidência disso é que, no processo de identificação de avivamento raramente se inclui o verbo preparar. Preparar é apenas um detalhe que se resume em aprender técnicas que nos ajudem a levar mais e mais pessoas a "declararem" a fé em Jesus.

Investimento pesado, portanto, é feito na mobilização para envolvimento de pessoas e levantamento de recursos e capacitação para a reprodução, visando resultados imediatos. Não há tempo, nem dinheiro a perder com estudo, exceto se for de técnicas de resultados imediatos. 

Investimos em Coentro, não em Carvalho.

Sonho com um avivamento missionário. Ele gira em torno do conhecimento e vivência da vida de Jesus. Se desdobra em pessoas apaixonadas e comprometidas com Jesus, agindo segundo seus dons onde estão inseridas no cotidiano. Sua ação é, primeiramente testemunhal e, como teria dito São Francisco de Assis, se necessário, usando palavras.

Testemunho de vida em primeiro lugar.

No testemunho dos 72, ao retornarem do estágio missionário, não foi evidenciada a quantidade de decididos. Diante da manifestação empolgada com o poder do nome de Jesus ("Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome".(Lc. 10:17)), eles ouviram de Jesus: "alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus". O fato a ser enfatizado é a alegria de pertencerem e serem norteados por Deus.

 Gosto de movimentos, eles me empolgam e coopero da forma que tenho aprendido e crido. Gosto mais ainda, quando estão a serviço do testemunho e não somente do anúncio da vida de Jesus. Por isso, o avivamento missionário para o qual me convido e te convido-o a orar é o que visa restaurar, recuperar a vida amorosa de Jesus em nós e sua presença iluminadora em indivíduos e estruturas de sustentação da vida.

Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Amor à Palavra - 13.07.12 -82/100 dias de oração pelo Brasil

A palavra é essencial à vida. No sentido de informação, ela é a materia prima da existência. Porém, quando se fala em "Amor à Palavra", tema da oração proposta no livro "100 dias que impactarão o Brasil", ela ganha sentido técnico. Portanto, não se refere a qualquer palavra, mas à Bíblia, sinônimo de Palavra de Deus na tradição cristã.

Todos sabemos que a palavra de Deus não se resume à Bíblia. A própria Bíblia nos informa que Deus falou a Abraão, 430 anos antes de Moisés (Gal. 3:17), quando não havia um único texto das Escrituras Hebraicas. Fala também de outras formas de comunicação usadas por Deus, quando declara:   "Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas,
mas nesses últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo." (Heb. 1:1-2)

Deus não se calou. Ele continua falando e usa as maneiras que julga necessárias. Deus é soberano.

Porém, não somente porque Paulo afirma
que as Escrituras foram inspiradas (ao escrever a Timóteo por volta de 65-67 depois de Cristo, portanto em torno de 25 anos antes do fechamento oficial do canon do, por nós chamado, "Velho Testamento"), mas também porque a história tem comprovado o impacto positivo dos textos bíblicos, tanto em indivíduos, quanto em coletividades e até mesmo na cultura humana, acreditamos que a Bíblia é uma coleção de textos inspirados por Deus.

Contra fatos, argumentos contrários se enfraquecem.

Os cristão podem se dividir quanto a forma de interpretar a Bíblia, mas há quase unanimidade em sua inspiração e autoridade.

Não sou bibliólatra, mas pertenço ao grupo que crê na inspiração e reconhece a autoridade da Bíblia.

Independente de questões teológicas, não poderia deixar de declarar meu amor às Escrituras. Elas trouxeram até mim a vida e os ensinos de Jesus. O meu caráter foi todo moldado a partir da vida deste homem. Ele foi a referência usada por meus pais para me ensinarem os melhores caminhos da vida. Poderia até negar a Jesus, mas, mesmo que eu quisesse, jamais poderia deixar de reconhecer o impacto dele na construção da minha personalidade.

Até aqui não o neguei e me empenho em ser cristão, não no sentido político-doutrinário da palavra, mas na busca por identificar-me com a vida e ensino de Jesus, disponíveis nos evangelhos.

Não consigo ser pastor sem a Bíblia. Os membros das igrejas por onde passei podem testificar que ela sempre foi o livro texto de minhas mensagens e estudos.

Também não consigo viver sem estudá-la. Ela é o ponto de partida em minhas buscas por respostas a questões existenciais presentes em minha alma.

Por isso, sem fazer coro ao discurso e à política fundamentalista em torno da Bíblia, seria desonesto comigo mesmo se não declarasse a relação amorosa que mantenho com ela, desde que ouvi as primeiras referencias a ela pelos lábios de meus pais.

Reconheço que amadureci, palavras ganharam significados alternativos e construi novos referenciais de interpretação. Mas ela continua sendo o centro de minhas reflexões teológicas e o ponto de partida para as escolhas que tenho feito na vida.

Sobretudo, amo a "Palavra" por ser o único documento existente que revela a vida e ensinos de Jesus.

Amo a "Palavra", porque amo a Jesus. Porque ele é a palavra que se fez carne e habitou entre nós. Ele é a chave que uso para abrir fendas que me ajudam a enxergar, quando me deparo com pontos escuros, cheios de mofo até, deste livro.


Embora seja o mais criticado, mais combatido em toda a história da humanidade e até abusado por ignorância ou falta de escrúpulo, é o mais lido e que maior impacto tem causada à vida humana.

Por isso amo a Palavra.

Abraços do seu pastor,


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Multiplicação de Discípulos - 12.07.12 - 81/100 dias de oração pelo Brasil

Não sou, nem poderia ser contrário à multiplicação de discípulos, seja porque isso contrariaria um imperativo de Jesus (e já preguei 35 mensagens sobre Imperativos de Jesus nesse semestre), seja porque acredito na educação ou seja porque a compreensão do "para que" do discipulado recomendado por Jesus traz sentido à minha vida.

Em relação à multiplicação tenhos alguns pontos de reflexão em torno dos quais norteio minha vida, minha prática ministerial.

A multiplicação, como compreendida no contexto empresarial no qual vivemos, pode ser valorizada pelo número em si e pelo resultado econômico-financeiro, político ou mesmo em termos de prestígio social e até de autoestima que proprociona aos que lideram a multiplicação.

Mesmo reconhecendo que não há qualidade fora de quantidade, isto é, a qualidade não é algo abstrato (ainda que brote abstratamente em nós), não se produz discípulos como se faz em linha de produção em série. Não se produz discipulos como se seduz um consumidor. Não se produz  discipulo com armas de quem conquista o território de um inimigo.

Discipulado é uma experiência na qual somos facilitadores para que outros, através da convivência conosco, aprendam sobre a vida de Jesus e procurem encarná-la. Ser discipulador, portanto, não é ser guru, muito menos proprietário de uma mensagem. É ser veiculo de uma vida, a vida de Jesus, a ser vivida e compartilhada.

Não sou contrário a doutrinas. Elas servem para nortear nossas vidas. Funcionam como uma espécie de espinha dorsal do ser. Mas, multiplicar discípulo é muito mais, e em alguns casos até diferente, de ensinar definições de conceitos. É multiplicar sentimentos, pensamentos, comportamentos identificados na vida de Jesus.

Sair às ruas, ir de porta em porta, divulgando uma mensagem não é errado. Milhares de pessoas vão às ruas, por exemplo, em defesa de seus interesses profissionais ou ideológicos. Errado é limitar evangelização a isso. Ir ao encontro de pessoas é uma manifestação de desejo de vê-las conhecendo o Jesus que conhecemos e que mudou o sentido de nossas existências, mas sempre deve ser visto - "o ir às ruas" - como um possível ponto de partida de uma caminhada que deve se concretizar em relacionamentos nos quais a vida e ensinos de Jesus prevalecem.

Tenho dificuldade com a associação da expressõão "multiplicar discipulos" com "povoar o céu". Multiplicar discipulos é multiplicar o número de pessoas desejosas de viver em comunhão com Deus, no aqui e no agora, sendo sal e luz através do que se é, dos conhecimentos que se construir em qualquer área da vida. É multiplicar o número de pessoas que querem viver e construir estilos e estruturas de vida saudáveis. O céu é sobremesa, isto é, algo que vem depois do prato principal que é a experiência de comunhão com Deus, pela confiança em sua graça manifesta em Jesus Cristo. É um equívoco desejar "ir ao céu" pra não ter mais problemas. Desejamos isso, por representar comunhão ainda maior com Deus e viver ainda mais sob o domínio de sua vontade.

Ninguém deseja a multiplicação de corruptos, de pessoas que tratam o outro como objeto descartável, que constroem e usam estruturas para subjugar, explorar, oprimir, adoecer seus semelhantes. Queremos a multiplicação de pessoas com perfil oposto ao dessas. Cremos que o perfil de Jesus é o que desejamos para nossas vidas e que seus ensinos - adequadamente interpretados - devem se tornar concretos nas relações interpessoais e nas estruturas sociais.

Essa multiplicação de discípulos é a que persigo. Se desconsiderar isso me sinto um proselitista (Mt. 23.15), um cego guiando outro cego (Mt. 15:14), como disse Jesus a respeito dos fariseus ou um simples político ou empresário da religião.

Abraços do seu pastor,

terça-feira, 10 de julho de 2012

Restauração da Oração em Família - 11.07.12 - 80/100 dias de oração pelo Brasil

Conciliar dever e devoção sempre foi um desafio. Ninguém vive sem ser Marta, ninguém vive sem ser Maria. Definir qual dos dois deve ser priorizado é fácil. Nem é preciso pensar. Basta ler as palavras de Jesus e encontraremos a resposta: Maria escolheu a melhor parte. O problema é transformar teoria em realidade, inclusive porque isso também tem a ver com estrutura de personalidade.

Através do programa Rede Ministerial (
Bruce L. Bugbee e Bill Hybels), por exemplo, cada participante acaba descobrindo se o forte de sua personalidade é ser dirigido por pessoas ou por tarefas. Relacionamento não é o ponto forte de pessoas dirigidas por tarefa. Tais pessoas precisam ser mais disciplinadas, fazer um esforço maior, para lidarem com os relacionamentos. Isso envolve a oração, na medida em que oração é essencialmente relacionamento.

Se não bastasse isso, enquanto quem é dirigido por pessoas abandona tudo o que estiver fazendo para dar atenção a alguém, o dirigido por tarefas deixa com facilidade qualquer "alguém" para fazer o que entende que precisa ser feito.

Mas as pessoas dirigidas por pessoas também precisam fazer escolhas. Ainda que relacionamento seja algo mais forte em suas personalidades, escolher investir mais tempo em momentos de comunhão com Deus ou com pessoas humanas também tem a ver com prioridades.

Seja lá qual for o seu e o meu perfil, ambos admitimos que investir tempo em oração é importante, mas priorizá-la, em termos de tempo, é um desafio.

Cresci em Garça, SP. A cidade era pequena. O clima frio. Fogão a lenha (ou à lenha com tornou-se aceitável) era presença certa em todas as casas.Televisão em casa era privilégio de poucos. Ir ao cinema contrariava a disciplina da igreja. Deslocar-se a pé para qualquer lugar era rápido. Havia poucos carros e, portanto, nada de engarrfamento. Sentar-se na calçada de casa para jogar conversa fora ou usar a rua para brincar joga bola, burica (bola de gude), malha, pião ou bets; brincar de jaracatia, queimada, esconde-esconde; pular corda; disputar cabo de guerra, enfim, era comum. Contar aos filhos que naquele tempo havia um empregado da Prefeitura que, a cada final de tarde ia de poste em poste pelas ruas da cidade acendendo as lâmpadas, tornou-se uma piada.  Tudo conspirava a favor das reuniões diárias em família.

Meus filhos cresceram no Recife, em contexto diametralmente oposto.

Viver a transição entre tempos bucólicos e vida em megas cidades com tudo de bom e ruim que os avanços tecnológicos e a possibilidade de vida nortuna propiciaram, chegou a ser gerador de sentimento de culpa e continua sendo para aqueles que insistem em não enxergar ou admitir que aqueles tempos passaram para cidadãos metropolitanos e nem são iguais para os interioranos.

Não pensem que sou pessimista, nem que não seja defensor da oração em família. Apenas digo que o desafio de fazer isso diariamente torna-se cada dia mais desafiador e, quem não consegue, não deve ser visto como desinteressado pela vida espiritual. O contexto sócio-econômico é desfavorável.

Reconhecer isso, bem como reconhecer o valor da oração em família é passo importante na busca de solução.

Daí ser importante orarmos, pedindo a Deus sabedoria para encontrarmos caminhos que nos ajudem a fortalecer a vida de oração em família, mesmo diante de..

Abraços do seu pastor,

Aplicação dos Recursos Pessoais - 10.07.112 - 79/100 dias de oração pelo Brasil

Há quem enterre e há quem aplique seus recursos. Isso pode ser lido na Parábola dos Talentos (Mt. 25). Os que enterram não o fazem somente para garantir o que já têm ou para não perder no processo de aumentá-lo via investimento. Enterram também quando aplicam sem pensar no bem, inclusive no bem comum.

Aplicar pensando no futuro faz parte da história humana. José do Egito (Gen, 43,37) fez isso em período de vacas gordas, visando sobreviver em períodos de vacas magras. O Rico Insensato da Parábola (Lc. 12) fez o mesmo. A diferença é que José continuava confiando em Deus. Já o Rico, acreditava que sua vida se resumia ao ter e que o que havia acumulado era a garantia do seu futuro.  O grande problema do acúmulo é quando tiramos Deus do foco da nossa confiança e colocamos o que acumulamos no lugar dele.

O acúmulo em si, portanto, não é problema. Pode ser sinal de precaução, de conhecimento de que a vida não se resume somente ao tempo presente ou de que não queremos nos tornar pesados a alguém em situações de adversidade. Torna-se problema quando depositamos nossa confiança nele ou quando o usamos de maneira egoísta.

Paulo, na carta aos Efésios (4.28), fala como a nova vida em Cristo deveria se manifestar em nossos relacionamentos interpessoais.  Dentre outros, diz ele: "O que roubava não roube mais; antes trabalhe, fazendo algo útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade".
Observe a mudança radical da lógica de vida. Antes da experiência com Cristo, ficávamos na osciosidade esperando o resultado do trabalho alheio para roubá-lo; depois, passamos a gerar nosso sustento, trabalhando com as próprias mãos. Antes, tirávamos o que era do outro; depois, passamos a repartir com o outro.
João ensina o mesmo, em outras palavras, nos desafiando a usar nossos recursos também em favor do outro. Diz ele:
"Se alguém tiver recursos e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?" (I Jo.317).

Dividir, compartilhar, são palavras comuns na vida de quem tem uma experiência genuina com Deus, na vida de quem reconhece Jesus como senhor.

Um dos caso mais emblemáticos do Novo Testamento é o da igreja da macedônia. Era um povo empobrecido materialmente, mas, rico na graça de Deus, por isso fez questão de ajudar os irmãos da Judéia.
Veja o esboço sobre a
graça do dar ((II Cor. 8)

1. Deram em meio à tribulação (8:2)
2.  Deram em meio à pobreza (8.2)
3. Deram de acordo com as possibilidades (8.3)
4. Deram voluntariamente (8.3)
5.  Deram desejosos de participar (8.4)
6.  Deram movidos pela doação da própria vida (8:5)
7. Deram tendo Jesus como modelo (8.9)
8. Deram de acordo com o que tem não com o que não tem (8.12)
9. Deram não para apaziguar a mente, mas pela justiça (8:13)
               10.  Deram pela mútua solidariedade (8.14) 

Paulo aprendeu a generosidade com Jesus e, certamente, se alegrava muito ao ver que os macedônios aprenderam o mesmo. Leia o que ele disse: “Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: 'Há maior felicidade em dar do que em receber' ". (At. 20.35)

 Sabemos que em todo grupo social há pessoas preguiçosas ou de má-fe," que se aproveitam da generosidade alheia. Elas devem ser identificadas e seu comportamento não deve ser alimentado.
Sabemos também que o compartilhar não deve ser de forma emocional, sem reflexão.

O mesmo Jesus que foi compassivo, multiplicando o pão e alimentando a multidão, reagiu enfaticamente ao perceber a segunda intenção da multidão:   "A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna..." (Jo 6.26-27) . 

 Portanto, estar de olho nos maldosamente expertos e espertos, agindo de forma adequada com eles, administrando o que temos também com racionalidade, faz parte do exemplo dado por Jesus.

O importante é sabermos que todos nós temos tipo algum de recurso que pode ser compartilhado, seja de natureza econômica, psicológica, intelectual, física ou espiritual e que, nossos corações, devem ter como norte a generosidade e não a mesquinhez.

Será que estamos aplicando nossos recursos de maneria compatível com os ensinos do Jesus?

Abraços do seu pastor,

Santidade no Exercício da Profissão - 09.07.12 - 78/100 dias de oração pelo Brasil

Recomendo que leia os seguintes textos que já escrevi sobre santidade, para melhor comprender meu pensamento:

1. Santidade no Casamento
2. Santidade nos relacionamentos
3. Santidade e integridade dos líderes
4. Santidade nos relacionamentos conjugais

Quanto ao assunto Santidade no Exercício Profissional, destaco apenas que chama a minha atenção o fato da maioria das pessoas declarar não se sentir feliz com a profissão que desempenha. A causa disso geralmente é porque aquilo que se gostaria de fazer não proporciona a remuneração que almeja para viver com dignidade. Assim, a necessidade financeira fala mais alto do que a realização emocional e até espiritual e o resultado é insatisfação.

Lutar por realização profissional, nesse caso, não é lutar somente por si. É lutar também pelos valores que predominam na sociedade e pela forma como ela está estruturada. Portanto, se desejarmos que nossos netos e bisnetos não passem pela mesma experiência que boa parte das pessoas têm passado - ser insatisfeita na vida profissional - é fundamental que tenhamos clareza dos valores que gostaríamos de ver predominando na vida em sociedade, de como ela deveria ser estruturada e lutar para atingir o desejável, a fim de que o índice dos insatisfeitos seja reduzido.

O que isso tem a ver com santidade no exercício da profissão? É simples. Se santidade é sinônimo de saúde, como advogo nos textos supremencionados, a insatisfação com a profissão que se exerce pode ser fonte de enfermidade emocional e também física, pois somos uma unidade psicosomática.

Isso, além dos efeitos nos relacionamentos interpessoais e na vida social. Se não acredita, passe a observar a influência negativa que uma pessoa insatisfeita produz no ambiente de trabalho.

Precisamos mais para nos convencermos de que devemos orar pela Santidade no Exercício da Profissão?

Abraços do seu pastor,

Missões, missão e nossa cooperação

Nos acostumamos ao longo das décadas com a palavra missões. Nunca pesquisei sobre a razão da palavra no plural. Não sei se quem a cunhou tinha em mente a idéia da diversidade da missão, pois missão inclui adorar, viver em comunhão, ensinar sobre a vida e ensinos de Jesus, anunciar Jesus às pessoas e servir como manifestação da presença de Jesus em nossos corações.

O fato é que, históricamente, sempre que ouvi a palavra missões, ela não foi associada aos 5 componentes da missão da igreja, tal qual encontramos abundantemente no Novo Testamento. Antes, enfatizava somente o elemento do anúncio e, pior, um anúncio com efeitos somente no pós-morte. Assim, fazer missões tornou-se sinônimo de ir para algum lugar distante, onde nenhum templo ou organização da denominação se fazia presente para, alí, ser plantanda uma igreja.

A partir de determinada época associou-se a esta ação, o trabalho de assistência social. Essa associação era entendida de duas maneiras: 1) o trabalho social seria uma isca para atrair necessitados e assim fisgá-lo para a fé; 2) o trabalho social seria uma manifestação de amor e, portanto, não deveria ser reduzido à isca. Ainda hoje, alguns apresentam conflito em torno de qual seria a posição mais adequada.

Mesmo tendo incluido as demais áreas da missão, citadas inicialmente, ainda cometemos um sério pecado. Se imaginarmos a missão como tendo 5 pernas, a do anúncio da mensagem é maior em tamanho diametralmente oposto ao das demais. A consequência é que fazemos missões mancando.

A Convenção Batista Baiana, por exemplo, mantem um Colégio em Jaguaquara, uma escola de cursos de curta duração em Salvador, um seminário de teologia em Feira de Santana, com uma extensão em Salvador, alguns programas voltados para jovens e mulheres (com ênfase em evangelização e sensibilização para o sustento missionário), além de organizações voltadas para o ensino voltado para o funcionamento religioso das igrejas e desenvolvimento musical. Entretanto, a atenção e recursos investidos, oriundos das igrejas, tem uma concentração no sustento de missionários.

Claro que o missionário é figura estratégica e dificilmente deixaria de ser o alvo principal dos investimentos das igrejas. Porém, se não ajustarmos o tamanho das pernas da missão, não somente no discurso, mas sobretudo na prática, andaremos com a mesma dificuldade que alguém, com deficiência física nas ou em uma das pernas, apresenta.

É muito bom sabermos que a oferta que estamos levantando neste mes de julho se somará à oferta de centenas de outras igrejas de todo o Estado da Bahia. É com ela que poderemos continuar fazendo tanta coisa boa que até aqui tem sido feito em favor da salvação, restauação e edificação de vidas. Melhor ainda será contribuirmos com a visão integral do ser humano e, portanto, enfatizando todas as áreas necessárias ao pleno desenvolvimento das vidas por nós alcançadas.

Desafio, então, cada pessoa, a não somente orar e oferecer seus conhecimentos para serem usados em favor do desenvolvimento do Reino de Deus, mas também a contribuir financeiramente para que a falta de recursos financeiros não seja obstáculo ao pleno cumprimento da missão.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estudantes Universitários - 08.07.12 - 77/100 dias de oração pelo Brasil

Lembro-me de quando uma pessoa podia contar em seus dedos o número de jovens universitários em nossas igrejas batistas. A raridade era tal que cada um era visto como troféu. É verdade que eram outros tempos, tanto da educação quanto no perfil religioso brasileiros. O acesso à universidade e às igrejas evangélicas era um desafio muito maior, seja pela pequena oferta, no caso da educação, seja pelo preconceito religioso, no caso das igrejas evangélicas.

Foi nessa época que surgiu o programa da JUMOC chamado "Operação Universitária - OPUS" (se não me engano). Dentro desse programa foi lançada a Revista Campus, a qual, ao lado de "Mocidade Batista", marcou minha vida no final da adolescência. Quando um texto meu foi publicado nela, no início dos anos 80, comemorei muito.


Juarez de Azevedo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, era, talvez, a maior sensação nos acampamentos de jovens batistas, inclusive no sudeste. Eram raros os que não conheciam seu livro "Ateu ja era", escrito pensando na juventude universitária.  E como, mais uma vez comemorei, em torno de doze anos depois do lançamento do livro, por estar, como preletor, ao lado dele, em um congresso regional de juventude.


Encerrando a fase de memórias, lembro-me de ter sido determinante em minha decisão de iniciar o pastorado em Alagoas, o fato da liderança da Juventude Batista Alagoana - JUBAL, ser engajada em movimentos universitários e políticos, tendo Robinson Cavalcanti (outro ícone da juventude universitária de então, cuja vida foi ceifada recentemente, juntamente com a da esposa, de forma dramaticamente brutal) como referencial de compromisso com o Jesus da Bíblia e o diálogo universitário.


Hoje comemoramos porque, se o acesso dos jovens à universidade não é na quantidade que gostaríamos, é infinitamente maior do que até os anos 90. Dizemos o mesmo, em relação às igrejas. É animadora a presença jovem nelas.


Do meu ponto de vista a preocupação da igreja com os jovens na universidade deixou de ser primeiramente pelas dúvidas que poderiam surgir quanto a "existência" de Deus ou pela liberalidade na moral. Entendo que nossa preocupação nem é mais a relação jovem cristão-universidade. O ítem que merce reflexão é a elevação do dinheiro à condição de "deus". Isso é problema não só pra igreja, mas também pra universidade e sociedade.


Nada contra o dinheiro, pelo contrário. O problema é quando somos controlados pelo dinheiro. Quando isso ocorre, o acesso à universidade (assim como já ocorre com o acesso a algumas igrejas) passa a ser movido pelo resultado financeiro que disso decorre e não pelo anseio de construir uma vida melhor, em todas das dimensões, para todos.


A divinização do dinheiro nos divide, interior, social e espiritualmente. Por isso, se por um lado a igreja deve lutar intensamente pelo acesso de todos à universidade (pelo menos no modelo brasileiro isso é essencial), por outro, deve lutar com as mesmas forças para que a juventude se liberte da escravidão do ter ou mesmo da possibilidade de ter. Que ela, a juventude, entenda que o ter é importante, na medida que ele está a serviço do ser e não do ter mais e mais, no modelo de acúmulo e concentração por uns, ao preço da exploração, do empobrecimento e da exclusão de outros.


Sou um admirador de jovens que se empenham pra chegar à universidade. Mais ainda, dos que, chegando lá, têm como objetivo construir uma vida melhor, em todas as dimensões, especialmente na espiritiual, para si e para a sociedade na qual estão inseridos.


Abraços do seu pastor,

sábado, 7 de julho de 2012

Santidade no Relacionamento Conjugal - 07.07.12 - 76/100 dias de oração pelo Brasil

Santidade, muito mais do que um conceito moral, é uma palavra que faz parte da linguagem sacerdotal, uma manifestação da graça divina. É sinônimo, portanto, de salvação. Daí os protestantismos, diferentemente dos catolicismos, acreditarem que santo não é somente quem tem feitos extraordinários em seu histórico ou aquele cuja vida é submetida a critérios de avaliação estabelecidos pela igreja romana e que, primeiramente, é intitulado beato, para depois ser reconhecido como santo. Predomina nos protestantismos, a doutrina que defende que todas as pessoas que depositam a fé no ato extraordinário de Deus em Cristo Jesus, são santas.

Santidade, então, não é algo que nos tornamos gradualmente, mas uma experiência inicial, segundo o Novo Testamento, marcada pela fé na graciosa mensagem libertadora, salvadora, de Jesus. Repetindo, em linguagem sacerdotal, nossa santidade foi definida no ato sacrificial de Jesus na cruz do Calvário, pois o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado, portanto, pecados do passado, do presente e do futuro.

O que popularmente chamamos de santidade é, de fato, crescimento na graça de Deus. Em outras palavras, a santidade alcançada pela fé em Jesus nos motiva a querermos crescer na graça divina, vivendo de maneira eticamente saudável e não a querermos viver eticamente saudável para sermos considerados santos.

A leitura atenta de Levíticos me convenceu de que ser santo é ser saudável. A pessoa alcançada pela santidade divina empenha-se, sob a graça de Deus, a ser saudável em todas as dimensões de sua vida.

A vida conjugal não é uma excessão.

Cultivar um casamento santo, saudável, não é, portanto, dar atenção especial somente às questões relacionadas a sexo. Desenvolver uma vida sexual saudável é um dos elementos. Ser fiel ao compromisso de amar o cônjuge como a si mesmo e, portanto, encarar todos os desdobramentos daí decorrentes, é a maior manifestação de santidade no casamento. A forma como um casal manifesta santidade nas questões sexuais é um problema de foro íntimo, definida através de diálogo sincero e respeito mútuo, entre as quatro paredes do seu quarto.

Santidade no casamento, portanto, é investir na saúde da relação com Deus, dos sentimentos, dos pensamentos e do corpo.


Da mesma forma que saúde física não significa ausência absoluta de enfermidade, mas capacidade de resistir e superar doenças que surgem até por fatores alheios ao nosso controle, santidade no relacionamento conjugal também não significa ausência de problemas, dores ou erros, mas capacidade de superá-los em face da presença graciosa de Deus agindo nos corações do casal.

Santidade no relacionamento conjugal significa, enfim, investir para evitar enfermidades, mas também, disposição para curá-las quando, por razões alheias ao querer dos dois, a relação precisa ficar acamada e, até, hospitalizada.

Abraços do seu pastor,

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Conversão dos familiares - 06.70.12 - 75/100 dias de oração pelo Brasil

Houve um tempo em que o pai dizia: "eu e a minha casa serviremos ao Senhor" e isso não era apenas um desejo do coração. Era uma decisão, uma ordem. A sociedade era patriarcal e diante da manifestação paterna restavam duas possibilidades: obedecer ou obedecer.

Hoje, entretanto, vivemos num estado democrático de direito, cabendo a cada um decidir os rumos de sua vida, na forma da lei. Ninguém é obrigado a fazer nada, exceto se houver imposição legal. Como a lei impõe que o respeito à liberdade de crença é um direito individual, ninguém pode impor suas crenças, nem mesmo os pais. Como consequência, além de termos dez mil vezes mais denominações religiosas no Brasil do que há alguns anos, cresce o número dos que se declaram espirituais sem compromisso com religião, especialmente pelo desencanto com incoerências e posicionamentos inadequados de igrejas, especialmente de seus líderes.

Diga-se de passagem,esse princípio de liberdade (de crer, pensar, interpretar a Bíblia ou congregar-se como igreja autônoma) foi levantado pelos batistas desde os primórdios, na Inglaterra do século XVII. Há farta documentação histórica comprovando isso, ainda que, mais recentemente, grupos batistas com traços fundamentalistas se empenhem em impor a uniformidade de crença, pensamento e interpretação bíblica.

Podemos até determinar aos filhos que frequentem conosco uma igreja, enquanto dependerem economicamente de nós, mas isso, por si só, jamais os tornará fiéis a Deus. Podem até desenvolver medo do inferno, medo de punição divina, mas, jamais, uma relação livre e amorosa, como é desejável, segundo o Novo Testamento.

Resta, então, a nós que queremos ver a conversão dos nossos familiares, orar e desejar isso apaixonadamente, viver amorosamente de maneira coerente com a fé abraçada, facilitar a eles, por todos os meios, o acesso a palavra de Deus, a fim de que isso sirva de motivação e nossas palavras ganhem autoridade. 

E esperar no Senhor!

Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sistema Educacional Brasileiro - 05.07.12 - 74/100 dias de oração pelo Brasil

Desde o dia 11 de abril os professores da Rede Estadual de Ensino da Bahia estão em greve. A Reivindicação é que o governo cumpra a Lei Federal que lhes garante um reajuste de 22,22% e que, também, 10% do Produto Interno Bruto - PIB - sejam investidos em educação. O problema é que, a se julgar pelas notícias dos jornais, a habilidade de boa parte dos nossos dirigentes de se interessar em priorizar a educação é diametralmente oposta a de deixarem seus nomes serem envolvidos em corrupção ou não combatê-la com rigor. Se somente o dinheiro estimado, em compras superfaturadas, que escoa pelos ralos da corrupção, fosse investido em educação, nossa realidade sócio-econômica seria muito melhor.

Durante 8 anos dirigi o Colégio Americano Batista, no Recife, período no qual participei do Conselho do Sindicato de Diretores de Estabelecimentos Particulares de Pernambuco e, também, participei, mais de uma vez, da diretoria da Associação Nacional de Escolas Batistas - ANEB, inclusive como presidente. Além disso, também dei uma pequena contribuição, como professor, ao STBNB e SEC (Recife) e STBNE (SSA). Focado na administração escolar, mergulhei de cabeça no assunto e, por razões do coração, optei por retornar ao pastorado, mesmo diante de duas ou 3 novas oportunidades.

Educação, portanto, não é assunto estranho para mim, seja por formação, seja por experiência. Lamento, portanto, a maneira como lidamos com ela. Lamento inclusive, pela maneira como nós batistas encaramos a educação em nosso meio. Seja a educação cristã (ministrada nas igrejas), seja a teológico-ministerial (ministrada em nossos seminários), seja a voltada para a cidadania (ministrada em colégios batistas), o fato é que, para nós, a educação nos acompanha como um punhado de latinhas amarradas no parachoque trazeiro de carro de recem casados: distante do motor e se batendo!

Não temos autoridade institucional para lamentar a qualidade ruim do Sistema Educacional Brasileiro (que inclui escolas públicas e privadas) porque nós mesmos não fazemos o dever de casa, em nossos arraiais. A oferta de educação de qualidade em nosso meio é um retrato do país. Se duvida, faça um levantamento da situação administrativa, organizacional e pedagógica de nossas instituições educacionais e comprovará. E, como para mudar, é preciso enfrentar interesses alheios à educação, quem se atreve vive sob tensão profunda, quando não, desiste. Daí nossas instituições educacionais estarem, em grande parte, quebradas financeira e organizacionalmente.

Nós precisamos de educação. Se assim não fosse, no famoso "IDE" de Jesus (Mt. 28.19-20) o verdadeiro imperativo não estaria no "façam discípulos" (28.19), na ênfase no ensino (28.20), portanto. (No grego, o IDE nem está no imperativo!). Oremos, então, para que este espírito pouco inteligente de não valorizar a educação, presente no coração da maioria de nós, seja banido. Lutemos e apoiemos toda luta no sentido de mudar a cara da educação no Brasil.

Abraços do seu pastor,

Portal Terra 
( http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI5874474-EI8266,00-vc+reporter+em+greve+professores+protestam+em+Caetite+na+BA.html )

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Os Batistas e a Preservação dos Recursos Naturais - 04.07.12 - 73/100 dias de oração pelo Brasil

Considero um avanço estarmos orando pela preservação dos recursos naturais, especialmente se levarmos em conta que durante séculos não somente nossas orações, mas também nossas ações giravam em torno do "sobrenatural". A bem da verdade, não somente girávamos em torno do sobrenatural, mas também negávamos o natural. Por que cuidar do natural se estamos aqui de passagem, se não somos deste mundo?

Corpo? Por que cuidar dele se será comido "pelos bichos", virará pó e somente a alma permanecerá? Habitação? Por que construir casas confortáveis se nossa morada é celestial? Ou, como um preletor desafiou em um acampamento de jovens: por que estudar engenharia se no céu não haverá pontes?


Graças a iluminação do Espírito de Deus, do aprofundamento bíblico-teológico, fomos admitindo que somos deste mundo e estamos assumindo nossa humanidade. Quanto ao sobrenatural, não há porque priorizá-lo se confiamos na graça de Deus e vivermos em comunhão com ele. O lá e o depois são decorrência, esperança! O que nos garante a vida "sobrenatural" não é o foco no futuro, mas a comunhão com Deus no presente. Por isso, enquanto aqui vivermos, vivamos de maneira plena, abundante, segundo os propósitos de Deus manifestos em Cristo.


É essa perspectiva que fortalece nosso interesse pela preservação dos recursos naturais. É  a compreensão de que tudo foi criado por Deus e é necessário para manutenção da vida que, não apenas levantamos nossa voz, mas, sobretudo, agimos em favor da preservação ambiental.


Não há dúvidas de que devemos estar atentos ao discurso ideologizado. O discurso que nos estimula, como individuos, a preservar água e energia, por exemplo, em nome da ecologia, mas que, na verdade,  visa aumentar a disponibilidade de tais recursos para atividades empresariais pensando em maior lucro. Esse aspecto político, entretanto, não invalida nosso empenho no sentido de preservar os recursos naturais.


Há muitas ações que estão ao nosso alcance, tais como o uso racional da água, energia elétrica e materiais biodegradáveis, o cuidado com a produção do lixo e onde depositá-lo, a plantação de uma árvore, a manutenção de um jardim, enfim, coisas pequenas que podem provocar impacto positivo, se cada um estiver atento. O importante é que tenhamos consciência de que a responsabilidade por preservar os recursos naturais é de cada um e todos devem fazer a sua fazer parte, inclusive em nossos discursos de evangelização, em nossa ação missionária.


Abraços do seu pastor,

terça-feira, 3 de julho de 2012

Jovens Viciados em Drogas e Álcool - 03.07.12 -72/100 dias de oração pelo Brasil

Nesses 72 dias de oração pelo Basil, esta é a quarta vez que drogas aparece como tema. As 3 primeiras foram: 1) Dependência química, um desafio  ; 2) O gigante das drogas vencido pela oração; 3) Traficantes de drogas. No caso de hoje, o livro  "100 dias que impactarão o Brasil" traz um títiulo que faz distinção entre drogas e Álcool.

 A rigor, álcool é um tipo de droga. Como, porém, as palavras ganham sentido de acordo com uma variedade de fatores que caracterizam a vida social, na prática, quando se fala em drogas, a referência é a substâncias psicoativas cuja venda e consumo são ilegais. Porém, conquanto o uso e a venda sejam legais, o álcool deve ser visto como um tipo de droga.

 O tema drogas ocupa as páginas de revistas e jornais nesse final de semana, trazendo informações sobre o processo em andamento no governo do Uruguai de legalizar o comércio estatal de drogas. Calcula-se que, dos 3 milhões de habitantes daquele país, 5% são usuários de maconha. Com a nova lei, a venda de maconha seria uma prerrogativa estatal, podendo, cada cidadão, usar até 30 gramas por mes (ou mais se levar a ponta (conhecida também como bituca) que sobrou do cigarro comprado anteriormente).

 Os favoráveis acreditam que tal lei seria um golpe no crime organizado e afastaria as pessoas da possibilidade de se exporem ao uso de outros tipos de drogas oferecidos pelos traficantes na hora da compra. Os contrários apenas são incrédulos quanto a eficácia da lei em seu propósito. O problema é que o modelo de repreensão policial não tem funcionado e, então, do ponto de vista legal, seria uma experiência alternativa para se ver o que seria menos ruim.

 A história aponta que o ser humano sempre fez uso de drogas, especialmente para superar dores físicas e emocionais. A própria Bíblia, como já mencionei em um outro texto, trata o assunto por esta ótica  quando, por exemplo, "nos conselhos para o Rei Lemuel, o autor do livro de Provérbios aconselha: "Dê bebida fermentada aos que estão prestes a morrer, vinho aos que estão angustiados; para que bebam e se esqueçam da sua pobreza, e não mais se lembrem da sua infelicidade." " (Pv 31.6-7).  

Isso, porém, não deve ser entendido como uma autorização ao uso irresponsável. A regulamentação através de lei, definindo o que não pode ser produzido e vendido; o que pode ser produzido e vendido sobre controle médico ou o que pode ser produzido e vendido livremente, merece sempre estudos aprofundados, com base em dados colhidos cientificamente.

Em termos espirituais, o que se faz é uma busca pelas causas existenciais do uso, especialmente quando o usuário torna-se dependente, sem acompanhamento médico e refém do crime organizado. Nesse sentido, todo esforço feito visando ajudar tais pessoas são válidos.


 Ao orarmos por este que tem se tornado um grande problema social, peçamos sabedoria a Deus para entendermos adequadamente o assunto, seja em seus aspectos teóricos, seja em termos de seus efeitos práticos, a fim de que possamos dar respostas que sejam éticamente compatíveis com a fé que declaramos.

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Região Centro-Oeste: Clame Pelo Coração do Brasil - 02.07.12 - 71/100 dias de oração pelo Brasil

Ao parar neste dia para orar pela região Centro-Oeste do Brasil, 3 motivos vêm à minha mente:1) O centro da formalização dos rumos político-econômicos do país; 2) O problema ecológico; 3) O problema agrário.

Em relação ao primeiro, destaco a expressão "formalização", pois, se é lá que, através de leis, a vida econômica e política do Brasil é direcionada, sabemos bem que as decisões reais são tomadas nos círculos de poder econômico espalhados (nem tanto espalhados, devido ao fato de sermos uma das piores concentrações de renda do mundo) pelo território nacional.


Embora no Brasil a profissão de "lobista" não seja legalizada (e isso alimenta ainda mais a corrupção), os políticos eleitos em geral cedem aos interesses daqueles que detém o poder econômico. Os interesses do povo ganham relevância somente se, de quebra, produzirem benefícios aos que manobram a massa do capital.


Ao orar pela região Centro-Oeste, oro também por nós, pra que levantemos nossos olhos para enxergarmos, nossa voz para protestarmos, nossas pernas e braços para reagirmos.


Quanto ao segundo, não há como orar pelo Centro-Oeste sem pensar na importância da região para o ecosistema do Planeta. Parte da floresta Amazônica, o serrado (com sua riqueza de biodiversidade e a nascente de importantes rios brasileiros) e o pantanal matogrossense são essenciais à vida de todos nós. Orar pelo Centro-Oeste é pedir que os que lá habitam tenham a compreensão de que "do Senhor é a terra" e nós somos seus administradores. Sem isso, o deus "mamon" destruirá a todos nós em nome do enriquecimento sem sustentabilidade.


Em relação ao terceiro, temos na região Centro-Oeste uma concentração do que há de mais especializado em pecuária e agronegócio, especialmente do milho, soja e algodão e, não por acaso, parte significativa da concentração de ocupação de terra por movimentos socioterritoriais camponeses. Trata-se de tema que afeta nossas vidas, mesmo morando à distância.


Orar por esta região, portanto, é orar para que os que levam o evangelho e os que por ele são alcançados tenham uma visão integral do ser humano e, movidos pelos valores do reino de Deus, ajam em favor da vida abundante, completa, razão da vinda do nosso Senhor Jesus Cristo.


Abraços do seu pastor,

A Evangelização do Povo Brasileiro - 01.07.12 - 70/100 dias de oração pelo Brasil

Evangelização é uma palavra tão conhecida quanto ambígua. Se nossa prática é nossa verdadeira teoria, o exercício de evangelização dominante nos passa a idéia de que evangelizar é o mesmo que seduzir alguém a comprar Coca-Cola e evangelizado, adjetivo que nos identifica com tocedores de futebol. Evangelho, entretanto, não é produto comercial, nem evangelizado alguém que fica gritando da arquibancada.

  Se construirmos nossa teologia da evangelização com base na vida de Jesus e não na numerologia, por exemplo, do texto neo-testamentário de Atos ou nas cruzadas católico-romanas entre os séculos  XI a XIII, concluiremos que evangelização é convivência,  inclusive com pecadores, com prostitutas; é compartilhar amor; é ser solidário; é ter fome e sede de justiça; é viver em comunhão com Deus e, por isso, ter autoridade para confrontar o pecado não movido por uma cosmovisão moralista da vida, mas por ter sido alcançado pela graça de Deus manifesta em Jesus. 

 No meu modesto ponto de vista, qualquer movimento evangelizador que desconsidera a vida de Jesus como paradigma, corre um risco imenso de ser confundido com movimentos ideológico-político-mercadológicos de sedução, conquista de corações e ampliação de espaços de status e poder religioso.

  Para mim, a maior evidência do equívoco que temos cometido em nossas ações evangelizadoras é o fato do Brasil não apresentar sinais suficientes da presença dos valores do Reino de Deus, a despeito dos 22% de brasileiros que se declaram evangélicos em 2010, contra os 7% de 1980.

Esse dado publicado nessa semana, deveria chamar-nos, nós evangélicos, à reflexão. Se isso não nos incomoda, fica evidente nosso desinteresse por uma evangelização que deseja ver pessoas empenhadas em reproduzir o caráter de Jesus.

Essa falta de mal estar diante de tais números evidencia que, para nós, JESUS é apenas uma figura de linguagem pra fazer a ponte, não entre Deus e o ser humano ou entre humanos e humanos, mas entre um número menor e um maior de adeptos ou um poder menor e um maior no contexto político do país. 

 Acredito na evangelização porque acredito na mensagem do amor de Deus. Quero participar do desafio de evangelizar o Brasil e por isso acendo meu fósforo. Mas não abro mão da compreensão de que evangelizar não significa encher os bancos das igrejas ou as ruas com "marchas para Jesus", muito menos povoar o céu. Antes, é desafiar pessoas, através de um modo de viver inspirado em Jesus, a desejarem, de coração, crescer em direção à "unidade da fé e do conhecimento do filho de Deus" e chegarmos "à maturidade, atingindo a plenitude de Cristo" (Ef. 4.13) 

Abraços do seu pastor,

Fidelidade Conjugal - 30.06.12 - 69/100 dias de oração pelo Brasil

Adultério não é crime. A Lei nº 11.106, de 28 de março de 2005, em seu art. 5, revogou o art. 240 do Código Penal. Mas crescem as ações por dano moral causado por quem adultera, com resultados favoráveis à vítima da infidelidade conjugal.

O fato, porém, de não ser crime ou a possibilidade de indenização financeira por danos morais, não deve favorecer nossa mudança de conduta. Ser alcançado pela graça divina e ter Jesus Cristo como luz para não andarmos em trevas são a razão mais forte para continuarmos sendo fiéis ao compromisso assumido com o cônjuge.

Ninguém -  logo, inclusive aqueles que se declaram cristãos - está livre de adulterar. Conhecemos casos emblemáticos de grandes combatentes pró fidelidade conjugal que sucumbiram causando grande escândalo. As possibilidades de causa para adultério são tantas que, se não estivermos atentos, a probabilidade de cairmos é grande.

Destaco, porém, que adultério não é a única nem a mais importante manifestação de infidelidade conjugal. Embora assim seja visto, arrisco-me a declarar que adultério é apenas a ponta de um iceberg. A causa, portanto, é mais embaixo. A montanha que sustenta sua ponta chama-se infidelidade amorosa.

Há um princípio bíblico, para maridos e esposas que é o maior e mais conhecido compromisso público assumido pelos cônjuges no ato da formalização do casamento, seja no  cerimonial religioso ou jurídico, cuja falta de atenção é, a meu ver, a principal causa de infidelidade conjugal. Ele pode ser encontrado nos seguintes textos do Novo Testamento:

1)
"Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela" (Ef. 5.25)
2) "Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo." (Ef. 5.28)
3) "Maridos, ame cada um a sua mulher e não a tratem com amargura." (Col 3.19)
4
) "Semelhantemente, ensine as mulheres mais velhas a serem reverentes na sua maneira de viver...a serem capazes de ensinar o que é bom. Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos ..." (Tt 2.3-4)

Amar, não somente é uma orientação especifica para cônjuges, mas orientação de vida para todos os relacionamentos. E todos, ao iniciar um relacionamento com vistas ao casamento, assumimos o compromisso de amar e respeitar. Porém, o desamor tem sido o maior ato de infidelidade conjugal. Ele acontece quase que diariamente na maioria dos casamentos. Só não ganha destaque porque a cultura moralista nos tornou sensíveis à ponta do iceberg - o ato sexual adúltero -  e insensíveis à montanha mais embaixo - o desamor.

Motivos e motivações para desejarmos a grama mais verde do vizinho não faltam. O que falta é uma valorização maior do respeito decorrente do amor. A questão é que absolutizamos o prazer orgásmico a ponto de matar o compromisso de amar.

Não sou defensor  da manutenção do casamento a qualquer preço, nem da separação por qualquer motivo. Compreendo a possibilidade de confundirmos nossos sentimentos em relação ao outro. Acredito, porém, na necessidade de maior valorização do amor na relação, na necessidade de investirmos nele diariamente e, em nome do não menos prazeroso compromisso assumido de amar, não tratarmos a relação conjugal como algo que deve sustentar-se somente enquanto os "hormônios da paixão" estiverem acesos. Sejamos honestos: se formos agir baseados nas reações hormonais em detrimento de princípios éticos, nos tornaremos como animais no cio e a vida em sociedade voltará ao tempo das cavernas.

Portanto, é um equívoco atacar a infidelidade sexual apenas em termos de ato sexual, sem enxergar o essencial no compromisso conjugal que é o amor.

Repito: todos estamos sujeitos a "cair em tentação". Se assim não fosse Jesus não teria incluído tal expressão em sua oração modelo. Porém, o reconhecimento disso deve servir de motivação para estarmos atentos, investirmos mais no amor mútuo e não como justificativa para sermos infiéis ao compromisso de amar, em seu sentido mais amplo e profundo, até que a morte nos separe.

Abraços do seu pastor,
Edvar