Masturbação (2004)
A masturbação - busca solitária de prazer através da manipulação do órgao sexual - e outros assuntos relacionados à sexualidade, ganharam ênfase nos currículos de escolas brasileiras somente a partir da década passada. A inclusão se deu em reação a abusos cometidos, especialmente via televisão, e seus efeitos sociais. Conversas educativas sobre o tema continuam tabu. Pais tomam conhecimento da primeira mestruação da filha, mas ignoram a primeira ejaculação e seu significado para o filho. Existem muitos mitos em torno da masturbação, desde os mais jocosos - faria crescer cabelos nas mãos - até os sem fundamentação científica - causaria espinhas no rosto ou conduziria ao homossexualismo. A masturbação, porém, em si, não é problema. Problema é o sentimento de culpa decorrente. Como lidar com sexo ainda é transitar no proibido, quem se masturba fica com a sensação de desobediência, culpa, medo, tristeza... A Bíblia silencia sobre o tema. Dois textos, entretanto, são distorcidos para "comprovar" que masturbação seria pecado. O primeiro refere-se ao coito interrompido de Onãn. (Gênesis 38.8-10). Porém, os minimamente alfabetizados sabem a diferença entre coito interrompido e masturbação. Além disso, pecado ali não foi o coito interrompido, mas o desrespeito à lei do levirato.
O segundo, refere-se às palavras de Jesus: "Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela". (Mt. 5.28). Aqui, também, o tema não é masturbação, nem posicionamento sobre pensamentos eróticos, mas adultério.
Os que condenam a masturbação, porém, alegam que ela é acompanhada de pensamentos eróticos e isso seria pecado, com base nesse texto. Isso beira à neurose! Porém, se exegese ajudar na cura, vale a pena conhecer uma. Veja o que diz o Dr. David Hocking em "Love and Marriage":
"Primeiro, a palavra olhar está no presente, no grego, indicando um hábito vivencial contínuo. Não cremos que esteja dizendo que olhar com desejo sexual em um dado momento é errado. Deus nos fez com desejo sexual. Os homens gostam de olhar para a mulheres e as mulheres gostam de olhar para os homens. Cremos que esta passagem está condenando a prática de centralizar a sua atenção em uma dada pessoa, com a motivação de cometer adultério com ela. Em segundo lugar, a palavra "mulher" está no singular, quanto ao número e não no plural. O texto não está condenando o ato de se olhar para mulheres em geral, mas a concentração em uma mulher em particular. Uma pessoa determinada começa a dominar nossos desejos.
Em terceiro lugar, as palavras "para cobiçar" têm referência óbvia à perpetração do adultério. Isto não é a mesma coisa que experimentar o desejo de olhar para a aparência física de uma mulher e gostar do que se viu. O problema pode acontecer quando você se concentra em uma pessoa em particular e mentalmente vai pra cama com ela". (O mito da grama mais verde, JUERP, RJ, 1985, pg. 82, 83).