sábado, 12 de maio de 2012

Púlpitos, pregação e pregadores - 12.05.12 - 20/100 dias de oração pelo Brasil

 Mesmo tendo tido a oportunidade de ter sido Orador Oficial em assembléias de associações de igrejas batistas; em assembléias de pelo menos 5 convenções estaduais; em 2 assembléias da Convenção Batista Brasileira (uma como Orador Oficial (Teresina, PI) e outra como um dos pregadores(Serra Negra, SP)); de ter pregado em todos os estados do nordeste e em 19 dos 27 estados do Brasil; de ter falado em seminários, universidades, escolas de nível médio, empresas e tantos outros fóruns, e, finalmente, depois de quase 30 anos de exercício pastoral oficial (inclusive por 2 anos fora do Brasil), confesso minha tensão cada vez que vou falar em um culto da igreja da qual sou pastor há 7 anos e 3 meses. Sempre fui assim.

Isso poderia ser explicado apenas pelo perfil de personalidade, entretanto, conscientemente sinto o peso da responsabilidade que representa cada palavra dita no púlpito de uma igreja. Ali, as palavras são proferidas num contexto que envolve um elemento místico que varia de intensidade de pessoa pra pessoa. Uma palavra que pode não representar nada para um ouvinte ou até ser motivo de duras críticas, para outro pode significar um marco de tomada de decisão e mudança radical em alguma área de sua vida. Sei, por exemplo, de caso de casais que se "re-uniram" e de casais que se separaram a partir do sentimento e entendimento que tiveram de uma palavra dita (até nem relacionada a casamento)

Lembro-me da conversa que tive com dois ou três então adolescentes no meu primeiro pastorado, na Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió. Um deles comentou. Ontem à noite eu estava achando seu sermão tão ruim, tão ruim, que quando você começou a fazer o apelo pensei: como é que depois de um sermão tão ruim ele ainda vai fazer apelo. Assustou-se, porém, quando nove pessoas manifestaram a decisão de iniciar uma nova vida tendo Jesus como Senhor e Salvador. Quem pode entender o mistério que envolve a pregação da palavra de Deus?

Eu mesmo talvez seja meu maior carrasco em termos de autocrítica. Não poucas vezes senti o desejo de sair pela porta dos fundos, sem falar com ninguém, por achar que a mensagem não foi como eu mesmo gostaria, mas, depois, me surpreendo com o que ela representou para alguém.

Minha tensão, portanto, não é pelas críticas que podem brotar no coração dos ouvintes. Sempre que as recebo, faço uma avaliação, mas não permito que elas determinem o que devo pregar ou deixar de pregar. Não falo, portanto, em função do que os críticos poderão pensar e dizer, mas em função daqueles que poderão ter o rumo de suas vidas modificado, por todos os sentimentos e pensamentos que envolvem uma palavra no contexto de um culto.

Em termos técnicos, há uma diferença entre pregação (querigma, no grego) e ensino (didaque, no grego). Porém, independente de qual for o objetivo de quem fala, o fato é que as palavras (expressão de pensamentos ou sentimentos sob qualquer símbolo ou formato) norteiam nossas vidas e determinam nossas decisões. Isso significa que quem ousa tornar-se um pregador da palavra de Deus (uso palavra com letra minúscula, pois não me refiro somente ao sentido dominante de Palavra de Deus  - Escrituras Judaico-Cristãs - entre nós protestante, ainda que elas sejam por mim usadas em todas as mensagens), precisa ter plena consciência das implicações e, consequentemente, das responsabilidades envolvidas.

Em tempos em que pregador tem sido sinônimo de vendedor e evangelho é tido como mais um produto nesta nossa economia de mercado, oremos por nossos púlpitos, pregação e pregadores, a fim de que tenhamos a noção mais exata possivel do que significa PALAVRA DE DEUS e como devemos lidar com ela, cada vez que temos a oportunidade de proclamá-la ou ensiná-la.

Abraços do seu pastor,

1 comentários:

Petronio Borges 12 de maio de 2012 23:31  

Caríssimo Pr. Edvar,
Louvo a Deus por sua vida e inspiração para a caminhada ministerial. Continue contribuindo com este grau de riqueza para que vocacionados e pastores em início de carreira balizem seus ministérios por bons referenciais.
Muito grato,
Pr. Petronio Borges
PIB em Catu-BA
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