sexta-feira, 31 de julho de 2009

Evangélicos no Recifolia (14.10.98)

Um Bloco carnavalesco de membros de igrejas evangélicas ficou com a responsabilidade privilegiada de abrir o Recifolia, o carnaval fora de época do Recife, de repercussões nacionais, inclusive pelo elevado consumo de drogas e álcool. Este fato colocou, de forma favorável, o referido bloco, nas manchetes dos jornais locais. Terá sido por acaso esta ênfase dada pela imprensa? Terá sido por acaso o "privilégio" de abrir o evento?

Antes de tudo, precisamos situar a relação entre o Recifolia e os evangélicos, no Recife. A participação de membros de igrejas evangélicas, em bloco ou não, no Recifolia, não é novidade. A novidade ocorreu em 1997, quando foi criado o Recifeliz, evento evangélico alternativo que, em sua primeira versão, estampou em out-doors, na cidade, aquilo que a imprensa destacou no Recifolia de 96: o elevado consumo de drogas. Tal denúncia e o oferecimento de espaço alternativo para os jovens, incomodou os organizadores do Recifolia. Seja pela atuação policial, seja pela sonegação da informação, o fato é que pouco se falou dos efeitos colaterais maléficos do Recifolia, após o evento de 97. Assim, o Recifeliz deu sua primeira contribuição positiva à cidade ao provocar, nos organizadores do evento, uma atenção especial ao problema das drogas.

Obviamente que, conquanto a reação evangélica, via Recifeliz, tenha sido positiva para a cidade, ela não foi vista com bons olhos pelo organizadores do Recifolia. Do ponto de vista econômico, motivo maior da realização do evento, a solução seria enfraquecer o pensamento evangélico(Recifeliz) que apontou os efeitos colaterais maléficos do evento e fortalecer o pensamento evangélico(Bloco carnavalesco) que, aos olhos dos organizadores, "abrilhanta" o evento, dando-lhe, até, um toque de ingenuidade e espiritualidade. Não por acaso, ao enfatizar a participação do Bloco de evangélicos, os meios de comunicação, também beneficiários do evento, criaram um antídoto contra o Recifeliz. Ao tirar o veneno da própria cobra, confirmou-se, mais uma vez, as palavras de Jesus: "os filhos das trevas são mais hábeis do que os filhos da luz".
Não tenho dúvidas de que os organizadores do Bloco de evangélicos são tão bem intencionados quanto os organizadores do Recifeliz. A diferença está na estratégia. As questões que levantamos são é: Qual ação encontra maior apoio e menor resistência na Palavra de Deus? Qual estratégia é mais positiva para a cidade? Qual ação promove um benefício maior com um custo menor? Qual estratégia causa maior mal-estar na comunidade cristã?

Uma coisa é a intenção dos participantes do Bloco de Evangélicos e a forma como eles se vêem no Recifolia; outra coisa é a forma como a imprensa induz a cidade a vê-lo no Recifolia. O que influencia a opinião pública é a visão da imprensa, por isso, a mensagem que fica para a cidade é: o Recifolia não causa problemas pois até os evangélicos participam ativamente.

Há uma parcela da população, maior do que a que participa do Recifolia que, conquanto não seja evangélica, conhece os princípios defendidos pelos evangélicos. Não há no Recifolia um Bloco de Católicos, um Bloco de Espíritas ou de outra religião. Logo, no pensamento desta parcela da população, alguma coisa está errada com a participação evangélica. Diante desta parcela, a imagem dos evangélicos é enfraquecida por deixá-la confusa quanto ao significado ser evangélico.

A presença do Bloco de Evangélicos, portanto, faz com que a parcela maior da população que não vai ao Recifolia, conclua que não há diferença entre ser evangélico ou ser folião. Assim, a diferença que é o que provoca atração nos não crentes, segundo Jonh Sttot(A contracultura Cristã), fica abalada e, portanto, a quantidade de não crentes que fica bloqueado contra a mensagem evangélica é imensamente maior do que o número de eventuais decisões ocorridas no Recifolia, pela ação do Bloco Carnavalesco.

Assim, resta apenas a tentativa de se passar uma imagem de que evangélico "não é quadrado", "bitolado", "alienado" etc. e, portanto, é feliz.

Seria interessante avaliar:
1. O custo-benefício da participação
2. O marketing religioso levado ao extremo
3. A atração do mundo pela diferença(Jonh Stott)
4. A religiosidade emocional

1 comentários:

Edson Ferreira 14 de setembro de 2015 19:08  

Olá amigo.
Lembro bem desse dia onde a Banda Nova abriu o Recifolia do ano de 1998, percebi depois que aquele era a última edição do Recifolia em Boa Viagem indo depois para Prazeres e por fim acabou.
Naquele dia eu estava lá panfletando, cada igreja colocava no panfleto o contato da igreja local. Não sei quem colocou meu numero de celular, mas a bênção é que uma mulher ia tirar a própria vida mas antes resolveu ligar para aquele número do panfleto que ela recebeu no Recifolia. Lembro quando ela ligou estava aflita, nervosa e agitada, perguntei como ela tinha o meu numero ela disse que viu no papel que recebera no Recifolia. Eu ministrei na vida dela e indiquei uma igreja que eu conhecia proximo de onde ela estava, ela foi lá e naquele dia ela não tirou a própria vida.
Abraço.